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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

As imagens da destruição em bases militares americanas após ataques do Irã

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Uma das fotos reveladas pela TV americana CBS mostra um Boeing E-3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita. A aeronave foi partida ao meio e sua cauda foi transformada em um emaranhado de metal.
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TOPO
Por BBC

Postado em 17bde Setembro de 2.026 às 19h15m

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Foto sem data de um avião Boeing E-3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan, a cerca de 100 km a sudeste da capital da Arábia Saudita, Riad — Foto: CBS News via BBC
Foto sem data de um avião Boeing E-3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan, a cerca de 100 km a sudeste da capital da Arábia Saudita, Riad — Foto: CBS News via BBC

A rede de TV americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, obteve imagens que mostram extensos danos ocorridos em diversas instalações americanas no Oriente Médio, causadas por ataques do Irã.

As fotos foram fornecidas por militares da ativa. Elas mostram um avião-radar destruído, trailers arrasados e construções gravemente danificadas.

As fotos não têm data. Elas foram tiradas em bases e instalações americanas na Arábia Saudita e no Kuwait.

Um membro das Forças Armadas americanas, não identificado pela CBS, declarou que "estes são danos importantes às nossas bases que não foram comunicados ao público americano".

 "Estávamos ali, com os olhos fechados, sendo diretamente atacados."

A Casa Branca foi consultada e orientou a BBC a entrar em contato com o Comando Central dos Estados Unidos, que não respondeu ao nosso pedido de comentários até a publicação desta reportagem.

A BBC não verificou as fotografias de forma independente.

Elas foram publicadas um dia depois que um relatório do órgão fiscalizador do Pentágono confirmou que o Irã danificou e destruiu centenas de construções e estruturas nas bases americanas no Oriente Médio.

Uma das fotos mostra um Boeing E-3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita. A aeronave foi partida ao meio e sua cauda foi transformada em um emaranhado de metal.

Esta foto não tem data, mas a BBC Verify (o serviço de verificação de dados e imagens da BBC) confirmou anteriormente uma foto similar, aparentemente do mesmo avião-radar, em março deste ano.

Os sistemas aéreos de alerta e controle (Awacs, na sigla em inglês) Boeing E-3 são usados para detectar e rastrear possíveis alvos a longa distância, a fim de fornecer alerta precoce de possíveis ameaças.

Na época, uma autoridade dos Estados Unidos declarou à agência Reuters que 12 militares americanos ficaram feridos, dois deles com gravidade, em um ataque iraniano à base aérea.

Imagens reveladas pela CBS News da base Camp Buehring, no Kuwait, após ataque iraniano — Foto: CBS News via BBC
Imagens reveladas pela CBS News da base Camp Buehring, no Kuwait, após ataque iraniano — Foto: CBS News via BBC

Duas imagens sem data, supostamente do acampamento Buehring, no Kuwait, mostram trailers amassados e uma grande estrutura em forma de tenda em pedaços, com fumaça subindo no local.

Outra imagem mostra um edifício de quatro andares, atingido por um ataque iraniano ao acampamento Arifjan, no Kuwait.

Foram relatados danos ao local em março. Eles incluíram equipamentos de comunicação via satélite, mas não se sabe ao certo se esta imagem é do mesmo ataque.

Danos a uma construção no acampamento Arifjan, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC
Danos a uma construção no acampamento Arifjan, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC

Brian Katulis, que já trabalhou no setor de segurança nacional em governos democratas e republicanos, declarou que os danos visíveis nas imagens demonstram que os Estados Unidos "não prepararam adequadamente suas defesas".

"E existem fortes evidências de que adversários americanos, como a China e a Rússia, podem ter ajudado o Irã nos ataques", destaca Katulis. Atualmente, ele é pesquisador sênior do Instituto do Oriente Médio.

"O governo Trump não fez nada para enfrentar estas vulnerabilidades", segundo ele.

As imagens foram publicadas logo após o relatório do órgão fiscalizador do Pentágono que concluiu que ataques iranianos "danificaram e destruíram centenas de construções e estruturas em bases dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia durante o conflito".

O organismo também destacou que as perdas com equipamentos totalizaram US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões). Ao todo, os Estados Unidos gastaram com a guerra US$ 33,4 bilhões (cerca de R$ 172 bilhões) até 29 de junho, segundo o relatório.

Nos meses que se seguiram ao início da guerra, "dezenas de aeronaves americanas foram destruídas ou danificadas", prossegue o documento.

O relatório lista diversas aeronaves danificadas. Elas incluem cinco aviões de reabastecimento, que foram "danificados ou destruídos em terra na Arábia Saudita, por munições iranianas".

Outro relatório, do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO, na sigla em inglês), indica que o avião E-3 não é mais produzido e precisaria ser substituído com um equivalente mais moderno, o E-7.

Segundo o CBO, a aeronave E-3, sozinha, custa US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) e o custo total estimado dos equipamentos perdidos em batalha, incluindo aviões, drones e um sistema de defesa aérea em grande altitude, soma US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões).

O CBO afirma que sua análise está sujeita a "incertezas", pois o Departamento da Defesa não respondeu aos seus pedidos de informações, o que levou a agência a confiar em bancos de dados governamentais e relatórios públicos.

Além disso, a extensão dos reparos e da reconstrução planejada pelas Forças Armadas americanas ainda é incerta, segundo o relatório.

Trailers destruídos por um ataque iraniano no acampamento Buehring, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC
Trailers destruídos por um ataque iraniano no acampamento Buehring, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC

Brian Katulis afirma que, embora "estes custos demonstrem como o governo Trump queimou preciosos recursos militares, sem ter muito o que mostrar por isso", o maior prejuízo foi para a prontidão militar americana como um todo.

"Os Estados Unidos precisaram desviar equipamentos militares da Ásia para o Oriente Médio, deixando o país e seus parceiros na Ásia mais expostos e vulneráveis à China", declarou ele.

"Além disso, o esgotamento das munições americanas deixa a Rússia mais disposta a sondar as vulnerabilidades junto aos aliados americanos da Otan e a prosseguir com sua guerra de agressão contra a Ucrânia."

Os Estados Unidos detêm os recursos financeiros necessários para repor as perdas materiais. Mas o país já enfrenta problemas orçamentários e pode não ser capaz de fazer esta reposição com a rapidez necessária para se preparar para possíveis recrudescimentos no Oriente Médio ou em outras partes do mundo, segundo Katulis.

A pressão do público e dos políticos sobre a Casa Branca para encontrar um fim para o conflito com o Irã aumentou. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos ao país.

Desde o início do conflito, o Irã atacou repetidamente as bases americanas e seus Estados aliados no Golfo, além de Israel.
Foto sem data mostra fumaça subindo de uma estrutura danificada por um ataque iraniano no acampamento Buehring, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC
Foto sem data mostra fumaça subindo de uma estrutura danificada por um ataque iraniano no acampamento Buehring, no Kuwait — Foto: CBS News via BBC

Na noite de terça-feira (15), a Câmara dos Representantes americana votou pela terceira vez a favor do fim da guerra no Irã, ao aprovar uma medida que obrigaria o presidente Donald Trump a encerrar as ações militares, realizadas sem aprovação do Congresso.

A medida foi aprovada com o apoio de vários republicanos e pode ser a última votação da Câmara sobre o assunto, antes das eleições americanas de meio de mandato, a serem realizadas em novembro.

Seu caminho é incerto, já que o Senado americano não indicou se irá levar o assunto adiante.

No mesmo dia, o congressista republicano Thomas Massie, em fim de mandato, anunciou uma tentativa de impeachment do secretário da Defesa americano, Pete Hegseth, com o surgimento de novos detalhes sobre o preço da guerra no Irã para os Estados Unidos.

O governo Trump saiu em defesa de Hegseth, com o procurador-geral americano Todd Blanche declarando aos repórteres que ele vem "fazendo um trabalho fenomenal".

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Rússia e China barram monitoramento independente de sanções da ONU ao Irã

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Países vetaram prorrogação do mandato do Conselho de Segurança para que painel de especialistas fizesse a avaliação
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Da Reuters
17/09/26 às 17:51 | Atualizado 17/09/26 às 17:51
Postado em 17 de Setembro de 2.026 às 18h20m

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Homem segura bandeira iraniana perto de outdoor anti-EUA representando o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Estreito de Ormuz, em Teerã, Irã, em 30 de maio de 2026  • Majid Asgaripour/WANA via Reuters

A Rússia e a China encerraram nesta quinta-feira (17) o mandato do Conselho de Segurança da ONU para o monitoramento independente das sanções internacionais contra o Irã.

Os países argumentaram que todas as medidas da ONU em relação ao regime iraniano haviam sido revogadas no âmbito do acordo nuclear com as potências mundiais.

As sanções foram reimpostas há um ano, depois que França, Reino Unido e Alemanha acusaram Teerã de violar o pacto nuclear de 2015, destinado a impedir o país de desenvolver armas nucleares. O Irã nega buscar armas nucleares.

Isso incluía o retorno de um painel independente de especialistas para monitorar e relatar ao Conselho de Segurança sobre violações e recomendar ações adicionais.

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No entanto, o conselho tem operado sem um painel de especialistas sobre o Irã no último ano, pois não conseguiu chegar a um acordo sobre a nomeação dos integrantes, uma decisão que exige consenso.

Nesta quinta-feira, a Rússia e a China vetaram uma resolução que prorrogaria o mandato para o monitoramento independente das sanções. Onze integrantes do conselho votaram a favor, enquanto o Paquistão e a Somália se abstiveram.

"Sem um painel independente de especialistas, este conselho perde sua principal fonte de relatórios imparciais e baseados em evidências sobre violações de sanções, criando uma lacuna de monitoramento que beneficia apenas o regime iraniano e aqueles que lucram ao burlar essas medidas", disse a vice-embaixadora dos EUA, Jennifer Locetta, ao conselho após a votação.

Os Estados Unidos e Israel entraram em guerra com o Irã há sete meses, argumentando que o objetivo era impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear.

Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã em 2018, durante seu primeiro mandato, classificando o pacto como "o pior acordo de todos os tempos".

A Rússia e a China acusaram seus homólogos ocidentais de politizar o Conselho de Segurança nesta quinta-feira.

"Instamos fortemente os colegas ocidentais a interromperem suas ações extremamente perigosas na questão do Irã, que ameaçam complicar ainda mais a resolução da crise no Golfo Pérsico", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, ao Conselho de Segurança.

"A única maneira de resolver divergências e aliviar preocupações... relacionadas ao programa nuclear iraniano é por meio de esforços políticos e diplomáticos", adicionou.

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No Brasil, 67% dos alunos mais pobres não atingem nível mínimo de leitura; entre os mais ricos, 26% estão nesse patamar

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Análise do Instituto de Evidência Educativa, a partir de dados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) de 2025, mostrou que país tem a maior diferença no nível de leitura quando comparados alunos de maior e menor renda.
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Por Júlia Carvalho, g1

Postado em 17 de Setembro de 2.026 às 05h00m

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Sala de aula - imagem ilustrativa — Foto: Arquivo AT
Sala de aula - imagem ilustrativa — Foto: Arquivo AT

O Brasil é o país com a maior diferença no nível de leitura entre alunos de maior e menor nível socioeconômico na América Latina e no Caribe. Isso é o que aponta uma análise do Instituto de Evidência Educativa, a partir de dados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) de 2025.

➡️O levantamento mostrou que 67% dos alunos mais pobres no país não atingem o nível mínimo de leitura. Entre os mais ricos, 26% estão nesse patamar.

"Isso significa que a proporção de estudantes que não chega ao nível mínimo é 2,5 vezes maior no grupo de menor nível socioeconômico", destaca o relatório do instituto.

Para a análise, foram observados os resultados dos 25% dos estudantes menos favorecidos economicamente e dos 25% mais favorecidos.

Os resultados mostram que, em 2025, os alunos de menor renda obtiveram, em média, 375 pontos em leitura. Já entre os de maior renda, a média foi de 462, uma diferença de 93 pontos.

Essa distância entre os estudantes dos dois extremos econômicos fica acima da registrada nos demais países da região que participaram da prova.

Romina Durán, chefe de pesquisa do Instituto de Evidência Educativa, explica que o Pisa 2025 mostra que a leitura ainda é um desafio em boa parte da América Latina e do Caribe.

"Em 10 dos 13 países participantes, pelo menos metade dos estudantes de 15 anos está abaixo do nível 2 e, entre os 12 países com dados comparáveis, nenhum melhorou de forma estatisticamente significativa em relação a 2022", comenta.

➡️O Pisa define o nível 2 como o patamar mínimo de competência leitora. Entre outras tarefas, quem alcança esse nível deve conseguir identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada, localizar informações a partir de critérios explícitos e fazer comparações ou reflexões sobre o propósito e a forma dos textos.

Ainda que a pontuação média do Brasil na área da leitura não tenha mudado muito entre 2022 e 2025 – indo de 410 para 408 (veja a comparação com os demais países abaixo) –, a diferença entre os alunos mais pobres e mais ricos foi de 88 para 93 pontos.

"É um caso muito claro de por que a estabilidade da média nacional não significa necessariamente estabilidade na distribuição das aprendizagens", explica Fiorella Santini, analista de dados do Instituto de Evidência Educativa.

As especialistas ressaltam que, mais do que olhar para os números de forma isolada, é necessário um projeto de educação que conecte a alfabetização com o desenvolvimento de competências de leitura ao longo de todo o processo educacional.

Nível de leitura do Brasil no Pisa

Entre todas as áreas avaliadas no Pisa 2025 (ciências, matemática, leitura e resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais), a leitura foi a competência em que o Brasil mais se aproxima da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – ainda que o nível seja muito distante do ideal.

Com 408 pontos, o Brasil ficou em 52º entre 89 países, empatado com México e Albânia. A nota ficou dois pontos abaixo da registrada em 2022, mas a diferença não é estatisticamente significativa.

Singapura liderou, com 535 pontos. Depois aparecem o conjunto de regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, com 527; Taiwan, com 508; Japão, com 503; e Macau e Coreia do Sul, ambos com 501 pontos.

Ranking mundial das notas em Leitura — Foto: Arte g1/Igor Ramon
Ranking mundial das notas em Leitura — Foto: Arte g1/Igor Ramon

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano

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Comitê do BC afirmou que levou em conta a desaceleração da inflação e que a decisão "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta".
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Por Mariana Assis, Rafaela Rosa, g1 e TV Globo — Brasília

Postado em 16 de Setembro de 2.026 às 19h30m

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Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano
Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (16), cortar a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia. A decisão foi unânime.

🔎 A Selic é o principal instrumento do BC para conter a inflação, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, o que reduz empréstimos, investimentos, o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula novos negócios, contratações e os gastos das pessoas.

"Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", diz a nota do comitê.

Em relação ao cenário doméstico, o Copom afirmou que os indicadores econômicos divulgados desde a última reunião do grupo mostra "uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido".

"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta", diz a nota.

O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação de 5% para 4,9% para 2026. A informação faz parte do "Boletim Focus", divulgado na segunda-feira (14) pelo BC, com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

O Copom também afirmou que continua analisando a situação fiscal do país. A próxima reunião do comitê será realizada depois do segundo turno das eleições.

"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza".

Trajetória da taxa Selic - setembro de 2026 — Foto: Arte/g1
Trajetória da taxa Selic - setembro de 2026 — Foto: Arte/g1

O Copom, contudo, afirmou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", afirmou o comitê.

Com a decisão do Copom, o Brasil segue com o maior juro real do mundo. A Rússia manteve a segunda colocação, com juros reais de 6,79%. No levantamento anterior, a diferença para o Brasil era de apenas 0,21 ponto percentual: 9,30% contra 9,09%. A Colômbia continuou em terceiro lugar, com taxa real de 6,33%.

🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 8,45%.

Juros dos EUA sobem

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, também modificou a taxa de juros do país nesta quarta. O Fed elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A medida foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do Fed com a inflação.

Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos EUA segue se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causada por "acontecimentos geopolíticos".

Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Enquanto isso, novas projeções apontam que a maioria dos integrantes do Fed espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026.

➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

Sem dar pistas sobre as próximas reuniões, o colegiado afirmou que "monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação".

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o comunicado. 
Como as decisões são tomadas

Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.

Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos.

Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.

Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028.

Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 4,9%, 4,3% e 3,80% – todas acima da meta central de inflação.

PrBanco Central do Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
PrBanco Central do Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

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