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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

'Em 2050, não vai haver nenhuma economia europeia entre as 10 mais importantes do mundo'

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Diplomata espanhol Jorge Dezcallar explica porque avalia que a "Europa está claramente em decadência"
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TOPO
Por Cristina J Orgaz

Postado em 03 de Janeiro de 2.025 às 08h35m

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-- — Foto: Getty Images via BBC
-- — Foto: Getty Images via BBC

Com a economia estagnada e uma crescente fragilidade política na França e na Alemanha, a Europa enfrenta momentos difíceis.

Somam-se a isso a guerra na Ucrânia e o regresso de Donald Trump à Casa Branca, que já ameaçou impor tarifas às indústrias europeias, o que poderia desencadear uma guerra comercial extremamente prejudicial para os exportadores da região.

"Temos o melhor sistema de saúde, a melhor educação, as melhores estradas, mas isso custa muito caro. Até quando podemos sustentar isso?", questiona Jorge Dezcallar de Mazarredo, embaixador e ex-diretor dos serviços de inteligência da Espanha.

"A Europa está em decadência, e com a perda de sua influência também desaparecerá o altíssimo padrão de vida", afirma o diplomata espanhol em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

Em sua avaliação, o mundo está testemunhando o fim de uma era geopolítica, visão que ele explora em seu último livro, O fim de uma era. Ucrânia: a guerra que acelera tudo, no qual aborda como o conflito está precipitando o declínio do domínio ocidental.

"A guerra vai muito além de uma disputa territorial para assegurar áreas estratégicas. Ela reflete forças profundas de mudança na geopolítica que rege o mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, o Ocidente perde força, enquanto o Sul global ganha peso", destaca.

A fragilidade política da Europa ocorre em um momento de estagnação econômica: a previsão para 2024 é de um crescimento tímido de 0,9%, deixando uma região que representa um quinto do PIB global atrás de outras partes do globo.

Analistas apontam diversas razões para explicar esse cenário, como a perda de competitividade, o aumento da concorrência internacional e as políticas de austeridade.

A Europa precisa de inúmeras reformas: ampliar sua capacidade militar, reconfigurar seu sistema de energia, reinventar sua indústria tecnológica e repensar sua postura em relação à Rússia e à China. Tudo isso enquanto o descontentamento de seus cidadãos fortalece partidos populistas e de extrema direita em diversos países do continente.

Jorge Dezcallar atuou como embaixador no Marrocos, no Vaticano e nos Estados Unidos — Foto: Cortesia da editora La Esfera de los Libros/BBC
Jorge Dezcallar atuou como embaixador no Marrocos, no Vaticano e nos Estados Unidos — Foto: Cortesia da editora La Esfera de los Libros/BBC

Nesta entrevista com Jorge Dezcallar de Mazarredo, analisamos os fatores que levaram o Velho Continente à sua atual crise geopolítica.

Por que a Europa atravessa momentos tão turbulentos?

Em pleno século XXI, testemunhamos um conflito bélico no coração do continente que mais parece uma guerra absurda de expansão territorial em estilo napoleônico.

A invasão da Ucrânia reflete o descontentamento da Rússia com a arquitetura de segurança europeia herdada da Segunda Guerra Mundial.

No entanto, este é um fenômeno muito mais amplo, de alcance global: grande parte dos países do mundo está questionando a distribuição de poder e as regras estabelecidas pelas potências vencedoras após 1945.

Isso significa que estamos diante do fim de uma era geopolítica.

Donald Trump assumirá a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro e desempenhará um papel significativo nas relações com a Europa — Foto: Getty Images via BBC
Donald Trump assumirá a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro e desempenhará um papel significativo nas relações com a Europa — Foto: Getty Images via BBC

Naquele ano, algumas potências ocidentais criaram as Nações Unidas, o Conselho de Segurança, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou seja, repartiram o poder entre si.

Agora, quase 80 anos depois, vemos que França e Reino Unido ainda têm assento permanente no Conselho de Segurança, enquanto países como a Índia, com 1,4 bilhão de habitantes e status de potência nuclear, ficam de fora.

A África não tem nenhum representante, e o mesmo ocorre com a América Latina.

Os Estados Unidos não abrem mão do controle sobre o Fundo Monetário Internacional, e a Itália possui tantos votos quanto a China no Banco Mundial.

E onde a China se encaixa nesse sistema?

A China afirma: "Somos um Estado civilizacional, estamos acima do bem e do mal". Os Estados Unidos não dizem isso abertamente, mas sempre agiram dessa forma — basta olhar para o que aconteceu no Iraque e em outros lugares.

A Europa hoje reflete o que está ocorrendo no mundo, mas nos surpreende mais porque temos uma visão um tanto pretensiosa sobre ela.

Quando há conflitos mortais na África, isso nos parece quase natural. Mas quando acontecem na Europa, encaramos como um escândalo. Essa perspectiva não deixa de carregar um certo racismo.

Milhões de ucranianos migraram em massa para diversos países da União Europeia, além do Reino Unido — Foto: Getty Images via BBC
Milhões de ucranianos migraram em massa para diversos países da União Europeia, além do Reino Unido — Foto: Getty Images via BBC

Você acredita que a Europa ainda olha para o resto do mundo de forma pretensiosa?

Não tenho dúvida disso. A Europa dominou o mundo por muitos anos, graças à máquina a vapor inventada na Inglaterra, ao domínio dos mares e, em grande parte, à escravidão.

Essa visão de superioridade ainda persiste, mas a Europa está equivocada e perderá relevância.

Atualmente, 62% do PIB mundial e 65% da população estão na região do Indo-Pacífico.

Os mapas costumam colocar a Europa no centro, mas o continente olha para um oceano onde cada vez menos coisas acontecem, enquanto o centro de gravidade econômica do mundo se deslocou do Atlântico para o Indo-Pacífico.

A Europa está claramente em decadência.

Já ouvi você dizer que a Europa tem 6% da população mundial, mas representa 50% do gasto social global. Esse modelo é insustentável? Foi longe demais com o 'Estado de Bem-Estar'?

Sim, fomos longe demais. Em 1900, a Europa tinha 25% da população mundial, e hoje mal chega a 6%. Mesmo assim, ainda retém 17% do PIB global.

Temos o melhor sistema de saúde, a melhor educação, as melhores estradas, mas isso custa caro. Por quanto tempo conseguiremos sustentar isso?

Causamos inveja no mundo. Mantivemos esse sistema por tanto tempo porque dominávamos o cenário internacional. Mas a realidade é que, em 2050, nenhuma economia europeia estará entre as 10 maiores do mundo.

Em novo livro, Dezcallar argumenta que conflito na Ucrânia está precipitando o declínio do domínio ocidental na geopolítica global — Foto: Cortesia da editora La Esfera de los Libros/BBC
Em novo livro, Dezcallar argumenta que conflito na Ucrânia está precipitando o declínio do domínio ocidental na geopolítica global — Foto: Cortesia da editora La Esfera de los Libros/BBC

A Índia acaba de ultrapassar o Reino Unido em Produto Interno Bruto.

Outro fator que aponta para a decadência da Europa é sua população envelhecida e, além disso, cada vez mais reduzida, pois morrem mais pessoas do que nascem.

Em que se traduz essa decadência?

Em uma perda de influência. A Europa não tem uma política externa comum, nem uma capacidade de projeção militar compartilhada, e também não possui uma política energética ou migratória comum.

A Europa precisa se integrar mais se quisermos continuar a ter relevância no mundo.

Em seu livro, o senhor afirma que a guerra na Ucrânia uniu mais a Europa, mas com o Reino Unido fora da União Europeia devido ao Brexit e a provável relutância da Alemanha em continuar a contribuir com tantos recursos devido à sua fraqueza econômica, parece que o que espera a Europa é mais desunião. Qual a sua opinião sobre isso?

É verdade que o Brexit enfraqueceu a Europa, e a fragilidade da Alemanha e da França neste momento também não ajuda. Não acredito que o presidente francês, Emmanuel Macron, complete seu mandato, francamente. Mas o apoio à Ucrânia é inabalável.

Putin quer recuperar para a Rússia a influência global que a União Soviética teve em seu auge. Esse é o seu objetivo. E ele não percebe que não pode. Não pode fazer parte da elite internacional quando não tem o PIB necessário, quando sua população é envelhecida e quando só produz matérias-primas.

E então, com força de vontade e sua potência nuclear, ele tenta se impor. E isso é muito perigoso. Quando a Europa defende a Ucrânia, está, na verdade, se defendendo.

O grande fracasso de todos os europeus foi não ter sido capaz de incorporar a Rússia pós-soviética a uma estrutura de segurança que nos unisse a todos.

Mas é verdade que a Rússia não facilitou isso, pois, em vez de abraçar a democracia, se afastou cada vez mais para formas autoritárias.

Talvez a expansão da OTAN devesse ter sido feita de forma mais gradual, com mais cautela ou com outro tipo de compensações.

'Putin quer recuperar para a Rússia a influência global que a União Soviética teve em seu auge' — Foto: Getty Images via BBC
'Putin quer recuperar para a Rússia a influência global que a União Soviética teve em seu auge' — Foto: Getty Images via BBC

Em 8 de dezembro, Donald Trump reiterou que estava disposto a permanecer na OTAN apenas enquanto os europeus "pagarem suas contas". O que aconteceria se, como ameaçou Trump, os Estados Unidos se retirassem da OTAN?

Os Estados Unidos não podem sair da OTAN, pois, embora Trump tenha ameaçado fazer isso, seria necessário o apoio de dois terços do Senado, o que ele não tem.

O que ele pode fazer, no entanto, é esvaziar a aliança de conteúdo, ou seja, reduzir os fundos, diminuir o número de tropas ou até renunciar à aplicação automática do artigo 5º de defesa coletiva.

Se isso acontecer, a Europa ficará sem dinheiro, sem armas e sem proteção nuclear, estando sozinha diante da Rússia e sem capacidade militar, pois não tem uma defesa comum.

As balas feitas pelos belgas não se encaixam nos fuzis produzidos pelos checos. Os tanques fabricados pelos franceses não são compatíveis com os feitos pelos alemães. Não temos uma indústria unificada.

Porém, de acordo com o Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa da Paz, o gasto militar da Europa superou o da China.

Os Estados Unidos gastam mais de US$ 900 bilhões em defesa, a China, US$ 296 bilhões, e a Rússia, US$ 109 bilhões.

Já os 27 países da União Europeia gastam juntos US$ 321 bilhões, efetivamente mais do que a China. Mas não de forma unificada. Cada um por conta própria.

A Europa precisa se unir e, se não o fizer, perderá sua influência no mundo. E, com essa perda de influência, também se perderá seu elevado nível de vida.

Trump assume novo mandato em 20 de janeiro — Foto: Getty Images via BBC
Trump assume novo mandato em 20 de janeiro — Foto: Getty Images via BBC

E no plano econômico, o que pode acontecer na Europa com a chegada de Trump?

Alguns aumentos de tarifas, entre 10% e 20%, prejudicarão a economia europeia, mas há mais.

Trump não acredita no aquecimento global. Consequentemente, é provável que ele diminua a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Se isso ocorrer, os europeus estaremos em desvantagem para competir economicamente com as empresas americanas, porque teremos que pagar muito mais pela nossa contribuição na carbonização da atmosfera do que os americanos.

Isso nos colocará em desvantagem na hora de competir nos mercados internacionais.

E isso interessa a Trump?

Sim. Trump também não acredita na Europa. Ele acredita em países europeus como Alemanha, França, Itália ou Espanha, mas não enxerga a União Europeia como um todo.

Sempre se disse que os Estados Unidos não queriam uma Europa forte, e isso é verdade. No entanto, também não é do interesse deles uma Europa excessivamente fraca, como está agora.

Trump prometeu implementação generalizada de tarifas de importação sobre produtos estrangeiros — Foto: Getty Images via BBC
Trump prometeu implementação generalizada de tarifas de importação sobre produtos estrangeiros — Foto: Getty Images via BBC

Eu o ouvi dizer que a Europa cometeu três erros ao colocar sua segurança nas mãos dos EUA, a energia nas mãos da Rússia e o comércio nas mãos da China. Há alguma forma de reverter essas realidades?

O relatório de Draghi foi muito claro sobre isso. A Europa precisa investir 800 bilhões de euros por ano e criar uma estrutura industrial para salvar sua economia.

Além disso, pela primeira vez, há um comissário responsável por assuntos de defesa, que tentará harmonizar e promover economias de escala na indústria militar europeia.

Estão sendo feitas algumas ações, mas é necessário acelerar o processo. Acredito que este é o momento de dar um grande passo, e talvez a chegada de Donald Trump seja o estímulo de que a Europa precisa para, finalmente, tomar as decisões que sabe que tem que tomar.

Mais união, mais integração, mais Europa. Quanto menos Europa houver, menos influência mundial teremos e mais rapidamente nossa decadência se acelerará. A única forma de evitá-la é nos integrarmos.

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

O que Stephen Hawking e outros previram em 1995 para 2025 em programa da BBC

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De gel de lixo espacial a cirurgia de holograma, a equipe do programa 'Tomorrow's World' teve muitas previsões intrigantes. Quais se tornaram realidade?
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Por BBC

Postado em 01 de Janeiro de 2025 às 09h20m

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Este casal fictício de 2025 com o óculos de realidade virtual apareceu na série Tomorrow's World em 1995. — Foto: BBC
Este casal fictício de 2025 com o óculos de realidade virtual apareceu na série Tomorrow's World em 1995. — Foto: BBC

Em 1995, um programa da BBC sobre os avanços da ciência e da tecnologia chamado Tomorrow's World decidiu prever como seria o mundo 30 anos depois, em 2025.

Um dos convidados desse especial foi um dos cientistas mais famosos da época: Stephen Hawking (1942-2018), que afirmou que, "para 2025, podemos esperar grandes mudanças."

A equipe do programa concordou e sugeriu uma série de inovações revolucionárias, desde a cirurgia por holograma até um gel para lidar com lixo espacial.

Com o auxílio de alguns especialistas – e da experiência das três últimas décadas – vamos observar até que ponto o Tomorrow's World acertou nas suas previsões de como seria o mundo de hoje.

As 'revoltas do ciberespaço'

O programa previu tumultos depois que os mercados financeiros "sucumbissem ao terrorismo viral". — Foto: BBC
O programa previu tumultos depois que os mercados financeiros "sucumbissem ao terrorismo viral". — Foto: BBC

Em 1995, a World Wide Web, a rede que permitiu o amplo acesso à informação através da internet, que até então era praticamente reservada a algumas universidades, estava apenas decolando. E o programa da BBC acreditava que ela traria problemas no futuro.

Tomorrow's World previu que "barões empresariais" e os bancos assumiriam o controle da internet até o ano 2000. Eles estabeleceriam uma "supernet" com acesso restringido pelos controladores. E esta situação, por sua vez, geraria invasões, vírus e até revoltas na rede.

Fato: a internet permaneceu, em grande parte, aberta e as revoltas não ocorreram. Mas poucos duvidam que ações de hackers causaram sérios danos para muitas pessoas.

Algo que o programa não previu foi o papel dos hackers estatais, como os norte-coreanos, como destacaram os especialistas no podcast The Lazarus Heist, do Serviço Mundial da BBC.

A cibersegurança hoje é imensamente importante, tanto para governos quanto para empresas. E as suspeitas de pessoas em relação a bancos permitiram o surgimento das criptomoedas - como o bitcoin.

Mineração de asteroides e gel de lixo espacial

O programa de 1995 especulou que a mineração espacial se tornaria uma indústria lucrativa. Empresas privadas escavariam asteroides nas proximidades da Terra, em busca de metais preciosos.

Tomorrow's World também sugeriu que o lixo espacial se tornaria um problema tão grande que ameaçaria a segurança de astronautas. A resposta seria a invenção de um gel de espuma que seria usado para rodear fragmentos e reduzir sua velocidade.

Fato: bem, o supergel de espuma não existe e o lixo espacial é um problema sério. E também não temos a indústria da mineração espacial, mas esta situação pode mudar em breve.

O futurista Tom Cheesewright é otimista sobre a mineração fora do nosso planeta. Segundo ele, "as riquezas em potencial são incomensuráveis e a tecnologia está totalmente ao nosso alcance".

Os supercirurgiões e seus robôs

Tomorrow's World pensou que os pacientes seriam operados por robôs operados remotamente por um cirurgião de um local distante. — Foto: BBC
Tomorrow's World pensou que os pacientes seriam operados por robôs operados remotamente por um cirurgião de um local distante. — Foto: BBC

Tomorrow's World previu também que, em 2004, o Reino Unido aprovaria uma lei determinando que todos os hospitais do país publicassem um quadro de classificação, com os índices de sucesso de todos os cirurgiões.

Os cirurgiões no topo da lista ficariam populares, ganhariam bem e os avanços da tecnologia permitiriam que eles operassem à distância.

Como assim? Eles usariam "luvas espaciais" para realizar cirurgias em hologramas dos pacientes. Enquanto que, no lado do paciente, um robô imitaria perfeitamente os movimentos do médico.

Fato: não foi exatamente o que aconteceu, mas os robôs estão auxiliando em cirurgias.

Alto-falante inteligente com cabeça flutuante

Alexa? Siri? Google? Não exatamente. — Foto: BBC
Alexa? Siri? Google? Não exatamente. — Foto: BBC

O programa apresentou um homem do futuro (usando atraentes óculos de realidade virtual), sua esposa e uma menina, vivendo no que parece ser a cidade de Londres dos dias atuais.

Em um trecho, a cabeça flutuante de uma mulher sai de um "alto-falante inteligente" para lembrá-lo que há um ano ele esteve de férias na "Indo Disney" (um parque temático na Índia, como o nome sugere), e incentivando-o a repetir a viagem, usando um "transporte para Bangalore", que levaria apenas 40 minutos.

Fato: viagens ultrarrápidas parecem hoje tão distantes quanto naquela época. Mas hologramas, alto-falantes inteligentes e óculos de realidade virtual estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia.

Serviços bancários com um microchip no braço

O que você acha de sacar dinheiro usando um chip implantado em seu braço? — Foto: BBC
O que você acha de sacar dinheiro usando um chip implantado em seu braço? — Foto: BBC

Boa parte do programa de 30 anos atrás foi dedicada a oferecer visões do futuro dos serviços bancários.

Tomorrow's World apresentou uma mulher indo a um banco e se queixando de que não havia seres humanos na agência. Ela aparece retirando 100 "marcos de euro" (a moeda euro não havia entrado em circulação ainda, só em 2002) e o banco fornece o dinheiro depois de ler um chip no seu braço.

Fato: os serviços bancários, de fato, ficaram cada vez mais automatizados. O pagamento por microchips embutidos no corpo humano é uma realidade, e existem outras tecnologias bastante comuns usadas por bancos, como a leitura de impressão digital ou facial.

Recordações dos apresentadores

Monty Don é um rosto conhecido de muitos que gostam de programas de jardinagem. — Foto: BBC
Monty Don é um rosto conhecido de muitos que gostam de programas de jardinagem. — Foto: BBC

Monty Don (do programa de TV Gardeners' World, da BBC) foi um dos apresentadores daquela edição de Tomorrow's World, 30 anos atrás.

Seu segmento previu uma grande restauração dos bosques britânicos, graças à engenharia genética e às instalações agrícolas de vários andares, que permitiram o retorno de animais à natureza, incluindo o urso-pardo.

Refletindo agora sobre o programa, ele contou à BBC News que sua participação no programa foi "utópica" e "ingênua".

Olhando para os próximos 30 anos, ele se alegra ao observar que a geração atual de jovens está "muito mais preocupada com as mudanças climáticas". Ele acha que as pessoas irão cultivar mais seus próprios alimentos em 2055.

"Tomorrow's World, por definição, se dedicava à forma em que a humanidade poderia mudar e melhorar o mundo", explica ele.

"Mas o que realmente aprendemos desde então é que a humanidade tem o hábito de piorar as coisas, particularmente do ponto de vista ambiental. E precisamos trabalhar com a natureza, em vez de tentar modificá-la e controlá-la."

Vivienne Parry foi outra apresentadora do programa de previsões em 1995. Ela liderou um segmento sobre medicina.

Desde 2013, ela participa do Genomics England, uma parceira do sistema público de saúde (o NHS) com o governo, onde trabalha em uma pesquisa para ajudar a diagnosticar e tratar de condições genéticas. Parry destaca que algumas das previsões sobre sequenciamento genético do programa de 1995 se tornaram realidade.

Mas como poderá ser o mundo em 2055?

A futurista Tracey Follows acredita que o programa de 1995 acertou em muitas ideias importantes, mas omitiu os maiores temas dos últimos 30 anos: o crescimento das grandes empresas de tecnologia e das redes sociais.

Em 2055, ela acha que muitas pessoas estarão "cognitivamente conectadas" – uma colmeia de mentes humanas e tecnologia ligada por servidores, que irá ajudar no compartilhamento de ideias.

"A tempestade cerebral será literal e você poderá compartilhar ideias pensando nelas", prevê Follows.

Tom Cheesewright acredita que duas das perspectivas mais fascinantes dos próximos 30 anos serão a ciência dos materiais e a bioengenharia.

No setor de materiais, a criação de aparelhos ainda mais fortes, finos e leves poderá mudar o mundo. E a bioengenharia, quando aliada a regulamentações rigorosas, tem o poder de transformar a medicina e enfrentar "alguns dos maiores desafios da humanidade, como a descarbonização, a água limpa e os alimentos".

E você, como acha que será o mundo daqui a 30 anos?

Independente da sua resposta, é interessante ouvir o que disse Stephen Hawking ao programa Tomorrow's World, três décadas atrás:

"Algumas dessas mudanças são muito animadoras e outras são alarmantes. A única coisa sobre a qual podemos ter certeza é que será muito diferente – e, provavelmente, não será o que esperamos."

* Com colaboração da equipe da BBC Archive.

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