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sexta-feira, 29 de março de 2024

Metal retorcido, destroços e barris jogados: imagens revelam interior do navio que bateu em ponte nos EUA; VÍDEO

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O cargueiro Dali levava material tóxico, e nas imagens é possível ver barris retorcidos espalhados pelo convés. Incidente ocorreu na terça em Baltimore.
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Por g1

Postado em 29 de março de 2024 às 06h15m

#.*Post. - N.\ 11.154*.#


Metal retorcido, barris jogados: o interior do navio que bateu em ponte nos EUA

Imagens divulgadas nesta quinta-feira (28) mostram a destruição por dentro do navio cargueiro Dali, que bateu contra a ponte Francis Scott Key, em Baltimore, na última terça-feira (veja no vídeo acima).

As imagens são de uma inspeção do Conselho Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês). O órgão enviou inspetores de materiais tóxicos e engenheiros para uma vistoria na embarcação.

É possível ver pedaços retorcidos da ponte que despencou depois da batida do Dali. Há também chapas de metal que se desprenderam, e partes desfiguradas do casco.

Também há barris espalhados pelo convés do Dali. Esse é um dos motivos pelos quais os inspetores entraram na embarcação: há receio de que o conteúdo desses barris, que é tóxico, vaze na água do rio. Em trechos do vídeo do NTSB é possível ver um líquido no convés do cargueiro.

Os inspetores também visitaram a cabine de comando e testaram os painéis das instalações.

Após a ponte colapsar, duas pessoas morreram ao cair no rio Patapsco, e outras quatro estão desaparecidas --e possivelmente mortas, segundo as autoridades. Eles eram operários que trabalhavam na manutenção da ponte.

Caixa-preta

Jennifer Homendy, a diretora-geral do NTSB, afirmou que o órgão investiga se o uso de combustível impróprio causou de alguma forma uma queda de energia do navio que o tornou incontrolável.

A embarcação, um porta-contêiner com bandeira da Singapura, havia acabado de sair do porto de Baltimore e iria ao Sri Lanka. Minutos antes do choque com a ponte, no entanto, o comandante reportou ter pedido o controle do navio.

Minutos antes da colisão

O navio começou a desviar de sua rota original dois minutos antes de colidir contra a ponte , apontam dados do MarineTraffic, site que monitora em tempo real o deslocamento de embarcações em todo o mundo.

A embarcação atingiu um pilar da ponte, em vez de passar por baixo dela.

Os dados do MarineTraffic, no horário local de Baltimore, apontam que:

  • 1h23 de terça: a embarcação seguia em linha reta, no curso de 140 graus, em direção ao vão central da ponte, a 15,7 km/h
  • 1h25: o navio passa a desviar para a direita, a 141 graus, com velocidade de 16,1 km/h. Imagens mostram que as luzes do navio se apagaram
  • 1h27: acontece o impacto com um dos pilares da ponte, com curso de 152 graus e velocidade de 14 km/h

O navio chegou a declarar emergência ("mayday", no código internacional). O comandante da embarcação informou às autoridades portuárias de Baltimore que havia perdido o controle da direção, depois de sofrer queda de energia e relatar problema nos propulsores, de acordo com Wes Moore, governador de Maryland.

Veja os detalhes no infográfico abaixo:

Infográfico apresenta detalhadamente como foi o acidente que derrubou uma ponte nos EUA em Baltimore
Foto: Arte g1 (Bárbara Miranda, Gabs, Guilherme Gomes e Wagner Magalhães)

Navio atinge ponte nos EUA

A ponte

O navio Dali, que carregava diversos contêineres, bateu no pilar da ponte Francis Scott Kay à 1h27, a cerca de 14 km/h, segundo o MarineTraffic.

Veja mais detalhes sobre a ponte e o navio no infográfico abaixo:

Infográfico apresenta mais detalhes sobre a ponte que desmoronou nos EUA em Baltimore e sobre o navio Dali.
Foto: Arte g1 (Bárbara Miranda, Gabs, Guilherme Gomes e Wagner Magalhães)

Infográfico apresenta como era a ponte e o navio

Navio começou a desviar dois minutos antes de impacto

Navio bateu contra ponte em Baltimore, nos EUA, causando o colapso da estrutura — Foto: NTSB via Reuters
Navio bateu contra ponte em Baltimore, nos EUA, causando o colapso da estrutura — Foto: NTSB via Reuters

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quinta-feira, 28 de março de 2024

O ano que durou 445 dias por confusão no calendário

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Para domar um calendário romano irremediavelmente desorganizado, Júlio César acrescentou meses, retirou alguns e introduziu os anos bissextos. Mas todo esse grande projeto quase foi frustrado por um erro básico de contagem.
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TOPO
Por BBC

Postado em 28 de março de 2023 às 14h00m

#.*Post. - N.\ 11.153*.#

O projeto de Júlio César de organizar o confuso calendário romano quase naufragou devido a um erro básico de contagem. — Foto: Getty Images
O projeto de Júlio César de organizar o confuso calendário romano quase naufragou devido a um erro básico de contagem. — Foto: Getty Images

Houve uma época em que o calendário era muito confuso. A festa da celebração da colheita, por exemplo, caía no meio da primavera.

Era o século 1º a.C. Segundo os rituais, deveria haver verduras e legumes prontos para comer durante a festa. Mas bastava o agricultor olhar para o campo e ficava claro que ainda faltavam vários meses para a colheita.

O motivo era o primeiro calendário romano. Ele ficou tão desregulado que importantes festivais anuais tinham cada vez menos semelhança com o que acontecia no mundo real. Até que Júlio César (100 a.C.-44 a.C.) quis corrigir esse sistema que não fazia mais sentido.

Não era uma tarefa fácil. Era preciso acertar o calendário do Império Romano e ajustá-lo para a rotação da Terra sobre seu eixo (um dia) e sua órbita em torno do Sol (um ano).

🧮 A solução encontrada por César nos deu o ano mais longo da história. Ele acrescentou meses ao calendário e os retirou em seguida, fixou o calendário às estações e criou o ano bissexto. Foi um projeto enorme, que quase deu errado devido a uma peculiaridade da matemática romana.

Estamos em 46 a.C. – o Ano da Confusão.

Os dias de festa e de jejum, entre outras datas importantes em Roma, eram sujeitos aos caprichos de um calendário que mudava de forma imprevisível ano após ano. — Foto: Getty Images via BBC
Os dias de festa e de jejum, entre outras datas importantes em Roma, eram sujeitos aos caprichos de um calendário que mudava de forma imprevisível ano após ano. — Foto: Getty Images via BBC

O ano de 46 a.C. pode ter sido complicado, mas não tanto quanto o anterior, segundo a professora de história Helen Parish, visitante da Universidade de Reading, no Reino Unido.

O primeiro calendário romano era determinado pelos ciclos da Lua e do ano agrícola. Observando com os olhos modernos, a impressão é que está faltando alguma coisa.

🗓️ O ano tinha apenas 10 meses. Ele começava em março (primavera do hemisfério norte) e o décimo mês do ano – o último – era o que conhecemos hoje como dezembro.

Seis desses meses tinham 30 dias e quatro tinham 31. Ao todo, o ano tinha 304 dias.

Como ficavam, então, os dias restantes?

"Os dois meses do ano em que não havia trabalho a se fazer no campo simplesmente não eram contados", explica Parish.

Em outras palavras, o Sol nascia e se punha, mas oficialmente não havia se passado nenhum dia no primeiro calendário romano. "Foi aí que começaram a surgir as complicações", segundo a professora.

Em 731 a.C., o segundo rei de Roma, Numa Pompílio (753 a.C.-673 a.C.), decidiu melhorar o calendário romano. Ele acrescentou meses adicionais para cobrir o período de inverno.

"Qual o propósito de um calendário que cobre apenas uma parte do ano?", questiona Parish.

A resposta de Pompílio foi acrescentar 51 dias ao calendário, criando os meses que hoje chamamos de janeiro e fevereiro. Esta extensão aumentou o ano-calendário para 355 dias. O número pode parecer estranho, mas foi escolhido de propósito.

Este número faz referência ao ano lunar (12 meses lunares), que tem 354 dias de duração. Mas, "devido à superstição romana com os números pares, foi acrescentado mais um dia, totalizando 355", segundo Parish.

Nesta reorganização, os meses foram dispostos de forma que todos tivessem números ímpares de dias, exceto fevereiro (28).

"Por isso, fevereiro é considerado de má sorte e a época de purificação social, cultural e política", segundo Parish. "É o momento em que você tenta apagar o passado."

Para a professora, o calendário de Pompílio foi um bom progresso, mas ainda faltavam cerca de 11 dias para atingir o ano solar de 365 dias e algumas horas.

👉🏾 "Mesmo esse calendário melhorado de Pompílio ainda fica dessincronizado com as estações com muita facilidade."

Perto do ano 200 a.C., o calendário estava tão adiantado que os romanos registraram como tendo ocorrido em 11 de julho um eclipse solar quase total observado em Roma no que hoje seria o dia 14 de março.

Quando o calendário atingiu esse ponto de "erro tão catastrófico", nas palavras de Parish, o imperador e os sacerdotes romanos recorreram à inserção pontual de um mês "intercalado" adicional, chamado mercedônio, para tentar realinhar o calendário às estações.

Mas isso não funcionou muito bem. Havia, por exemplo, a tendência de acrescentar o mercedônio quando autoridades públicas favorecidas estavam no poder e não para alinhar rigorosamente o calendário às estações.

O historiador e escritor clássico Suetônio (69-c. 141) queixava-se de que "muito tempo atrás, a negligência dos pontífices havia desordenado muito [o calendário], com seu privilégio de acrescentar meses ou dias segundo sua própria vontade, de forma que os festivais da colheita não caíam no verão, nem o das uvas, no outono."

O que nos traz de volta a Júlio César.

No ano de 46 a.C., já estava programada a inclusão de um mercedônio. Mas o astrônomo Sosígenes de Alexandria, consultor de César, afirmou que o mês adicional não seria suficiente daquela vez.

Seguindo o conselho de Sosígenes, César acrescentou mais dois meses nunca vistos antes ao ano de 46 a.C. – um com 33 e outro com 34 dias – para alinhar o calendário ao Sol. Estas adições criaram o ano mais longo da história, com 445 dias, ou 15 meses.

Após 46 a.C., o mercedônio, os dois meses novos e a prática de meses intercalados como um todo foram abandonados. Se tudo corresse bem, eles não seriam mais necessários.

"Então, voltamos a ter um calendário mais parecido com o que reconhecemos", conta Parish. "Excelente! Isso parece familiar e renovador!"

Os eventos agrícolas e as comemorações religiosas eram intimamente relacionados na Roma Antiga. O difícil era acompanhar essas datas com o instável sistema de calendário da época. — Foto: Getty Images
Os eventos agrícolas e as comemorações religiosas eram intimamente relacionados na Roma Antiga. O difícil era acompanhar essas datas com o instável sistema de calendário da época. — Foto: Getty Images

Mas, infelizmente, alinhar o calendário ao Sol é uma coisa – mantê-lo alinhado é outra, bem diferente. O inconveniente é que a quantidade de dias (rotações da Terra) em um ano (órbitas da Terra em torno do Sol) não é um número redondo.

"É onde todo o problema começa", explica o astrônomo Daniel Brown, da Universidade Trent de Nottingham, no Reino Unido. O número de rotações terrestres em uma volta do planeta em torno do Sol é de cerca de 365,2421897... dias.

Em outras palavras, a Terra acrescenta quase um quarto de volta a mais sempre que completa uma órbita em torno do Sol. Por isso, Sosígenes calculou que acrescentar um dia a cada quatro anos – em fevereiro – ajudaria a compensar o desalinhamento.

Este sistema teria funcionado muito bem, pelo menos por algum tempo, não fosse a forma idiossincrática em que os romanos contavam os anos.

"Eles olhavam para os anos e contavam: um, dois, três, quatro", explica Parish. "Depois, eles recomeçavam a partir de quatro – então, eles contavam: quatro, cinco, seis, sete. Depois, eles começavam em sete – eram sete, oito, nove, 10."

"Eles contavam acidentalmente um desses anos duas vezes. Não levou muito tempo para perceber o início do desalinhamento."

Isso foi corrigido no reinado de Augusto. Os anos bissextos passaram a acontecer a cada quatro anos em vez de três e o calendário juliano começou a funcionar bem.

"Júlio César está quase chegando aonde o calendário precisa estar", afirma Parish. 
Novas correções

O calendário juliano poderia ter sido o calendário definitivo, se a rotação da Terra, de fato, completasse exatamente um quarto de volta a mais todos os anos. Mas essa diferença é um pouco menor, em cerca de 11 minutos.

"Ou seja, lentamente ainda estamos ficando dessincronizados", segundo Brown.

Os eventos agrícolas e as comemorações religiosas eram intimamente relacionados na Roma Antiga. O difícil era acompanhar essas datas com o instável sistema de calendário da época. — Foto: Getty Images
Os eventos agrícolas e as comemorações religiosas eram intimamente relacionados na Roma Antiga. O difícil era acompanhar essas datas com o instável sistema de calendário da época. — Foto: Getty Images

A solução surgiu apenas muito tempo depois, em 1582, quando o papa Gregório 13 fez novos ajustes no calendário.

"Foi a correção feita pela reforma do calendário gregoriano – observar esse ponto e adaptar um pouco mais o calendário, cuidando para que [o ano bissexto] não seja apenas a cada quatro anos, mas para pular essa regra a cada 100 anos", explica Brown.

"Mas, depois, eles observaram que isso não coincide completamente – a compensação é excessiva. Por isso, a cada 400 anos, você não pula a regra."

É por isso que o ano 2000, por exemplo, foi bissexto: porque ele é divisível por 100 e por 400.

Para Parish, "tudo isso parece muito organizado", mas é aqui que a política começa a influenciar o curso do tempo. "É um calendário implementado por uma bula papal e, na verdade, não tem valor fora da Igreja e da tutela do bispo de Roma."

Houve pessoas que se queixaram de que o papa, na verdade, roubou 10 ou 11 dias do seu tempo ao ajustar o calendário, segundo Parish. Ainda assim, ao longo dos séculos, cada vez mais países passaram a adotar o calendário gregoriano.

"Mas, gloriosamente, eles não adotaram todos ao mesmo tempo", afirma Parish. "Se arrumou o calendário, mas passou a haver calendários em diferentes países seguindo modelos muito distintos."

Essas discrepâncias fazem com que "você possa ter a situação mais bizarra, na qual uma resposta escrita na Inglaterra para uma carta que chegou da Espanha pode parecer ter sido enviada antes da chegada da primeira", explica Parish, "porque a Inglaterra está na frente da Espanha no calendário."

Desde que foi amplamente adotado e sincronizado internacionalmente, o calendário gregoriano passou a oferecer alguns milênios de precisão. Mas ele ainda não é perfeito.

Na verdade, em meados do século 56, "alguém irá coçar a cabeça e dizer, 'espere um minuto, hoje deveria ser segunda, mas na verdade parece terça-feira'", segundo Parish. "Acho que provavelmente é uma margem de erro que iremos acabar aceitando."

Pelo menos, o calendário gregoriano nos fez ganhar algum tempo, até que chegue essa segunda-feira. Ou será que é terça?

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

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Na ONU, Brasil lança ferramenta contra mudanças climáticas que será adotada por 70 países

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Liderado pelo TCU, projeto reúne instituições superiores de controle internacionais que irão monitorar ações dos governos sobre o clima
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www.cnnbrasil.com.br/blogs/mariana-janjacomo
25/03/2024 às 21:17 | Atualizado 25/03/2024 às 21:35
Postado em 28 de março de 2024 às 06h45m


#.*Post. - N.\ 11.152*.#

Na ONU, Brasil lança ferramenta contra mudanças climáticas que será adotada por 70 países
Na ONU, Brasil lança ferramenta contra mudanças climáticas que será adotada por 70 países

Representantes de instituições superiores de controle de 70 países se reuniram nesta segunda-feira (25) na sede da ONU em Nova York para implementar uma ferramenta de monitoramento de ações governamentais sobre o clima.

A ideia é coletar e publicar informações sobre como os governos lidam com questões relacionadas ao meio-ambiente.

A plataforma, chamada Climate Scanner, foi idealizada pelo Tribunal de Contas da União do Brasil em 2022, quando o órgão começou a busca por parcerias.

Desde então, representantes de instituições superiores de controle têm dialogado para criar um mecanismo de trabalho e uma linguagem em comum, que possibilite a coleta e a divulgação dos dados de forma padronizada, igual para todos os países.

“O que nós queremos fazer enquanto instituições superiores de controle é mostrar que, para além do debate político sobre o combate às mudanças climáticas, há também um dever de casa técnico que precisa ser visto”, explica o presidente do TCU, ministro Bruno Dantas, que participou da reunião na sede da ONU.

“Essas medidas podem servir também para que a população cobre seus governos e, se for o caso, os aplauda, se a performance estiver sendo boa”, adicionou.

Dantas conta que, em 2022, apresentou a proposta do projeto ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e recebeu um retorno positivo. “Ele me disse que seria, sem dúvida alguma, a maior contribuição que instituições superiores de controle poderiam dar na defesa do planeta”, relatou.

Os resultados obtidos pelo Climate Scanner serão apresentados em novembro, durante a COP20, a conferência da ONU para o Clima, que neste ano acontece no Azerbaijão.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Os lugares onde cientistas procuram vida extraterrestre na próxima década

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Existe uma busca real por vida alienígena acontecendo neste momento – e não se trata de ideias controversas, nem de algum tipo de pseudociência. É um processo sistemático conduzido por cientistas, que esperam obter resultados em até uma década.
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TOPO
Por Jonathan O'Callaghan

Postado em 27 de março de 2024 às 11h00m

#.*Post. - N.\ 11.151*.#

O robô Perseverance, da Nasa, está coletando amostras da cratera Jezero, em Marte. O plano é enviar essas amostras para serem estudadas na Terra — Foto: Nasa/JPL/BBC
O robô Perseverance, da Nasa, está coletando amostras da cratera Jezero, em Marte. O plano é enviar essas amostras para serem estudadas na Terra — Foto: Nasa/JPL/BBC

É muito fácil se entusiasmar quando o assunto é a vida alienígena.

A perspectiva de encontrar vida em outros planetas formou grande parte da nossa cultura e continua inspirando livros, programas de TV, filmes e, claro, estranhas teorias da conspiração.

👽👽👽 Mas, ao lado das fantásticas visões de homenzinhos verdes, existe uma busca real por vida alienígena acontecendo neste momento – e não se trata de ideias controversas, nem de algum tipo de pseudociência. É um processo sistemático conduzido por cientistas, que esperam obter resultados em até uma década.

Na verdade, existem diversas buscas por vida alienígena em andamento. Em Marte, por exemplo, um robô móvel – o Perseverance – está coletando amostras que podem determinar se já existiu vida no planeta vermelho.

Sondas estão visitando algumas das luas geladas do nosso Sistema Solar, em busca de sinais de habitabilidade. Astrônomos também estão começando a analisar a atmosfera de planetas fora do nosso Sistema Solar, em busca de coquetéis elementares que denunciem vida alienígena.

E, claro, nossos olhos e ouvidos cépticos continuam atentos aos sinais de qualquer civilização inteligente que venha a fazer contato, seja de propósito ou acidentalmente.

Acho que, daqui a 10 anos, teremos alguma evidência indicando se existe algo de orgânico em algum planeta próximo. Acho que estamos realmente [a ponto de encontrar algo].
— Lorde Martin Rees, astrônomo real britânico

A vida alienígena, se existir, não se deixa descobrir facilmente.

As primeiras tentativas de busca de inteligência extraterrestre começaram em meados do século 20, com os astrônomos do Projeto Seti procurando sinais de rádio de outros planetas, sem sucesso.

No final do século 19, acreditava-se que Marte tivesse rios e canais cheios de vida. Mas o planeta se mostrou uma terra estéril e basicamente seca. E os planetas em órbita de outras estrelas são tão pequenos que encontrá-los já era difícil, que dirá aprender muito sobre eles.

Na busca por vida extraterrestre, precisamos fazer a sintonia fina da nossa forma de busca e nos preparar para a possibilidade de que qualquer detecção inicial talvez seja algo pequeno, como evidências de micróbios ou marcadores químicos em uma atmosfera distante.

👉 Em comparação com a visão hollywoodiana, os primeiros contatos com a vida extraterrestre podem parecer decepcionantes, mas eventuais evidências conclusivas da existência de vida além das fronteiras do nosso planeta, ainda assim, alterariam fundamentalmente a visão do nosso lugar no Universo.

Duas espaçonaves devem visitar Europa, uma das luas de Júpiter, para estudar a extensão do oceano existente abaixo da sua superfície fraturada — Foto: Nasa/BBC
Duas espaçonaves devem visitar Europa, uma das luas de Júpiter, para estudar a extensão do oceano existente abaixo da sua superfície fraturada — Foto: Nasa/BBC

Atualmente, Marte é, sem dúvida, o destino mais popular da busca pela vida no nosso Sistema Solar. Afinal, sabemos que o planeta provavelmente era úmido e possivelmente habitável bilhões de anos atrás, com mares e lagos na sua superfície.

Os cientistas chegaram a descobrir recentemente indicações fascinantes de que ainda pode haver água em Marte no estado líquido, escondida embaixo da camada de gelo no sul do planeta.

Neste momento, o robô andarilho Perseverance, da Nasa, está retirando amostras do leito seco do que se acredita ter sido, um dia, um lago. É a chamada cratera Jezero, a pouca distância do equador marciano, no hemisfério norte.

O plano é recolher dezenas de amostras e trazê-las para a Terra no início dos anos 2030, em uma missão chamada Retorno de Amostras de Marte. Elas poderão ser então minuciosamente analisadas, em busca de sinais de vida.

Essa missão atualmente enfrenta dificuldades, já que o retorno ainda precisa obter financiamento. Mas, se as amostras conseguirem deixar o planeta vermelho, teremos em mão uma grande riqueza científica.

A cientista planetária Susanne Schwenzer, da Universidade Aberta do Reino Unido e membro da equipe científica do projeto Retorno de Amostras de Marte, afirma que a presença de vida em Marte no passado pode ter deixado sua impressão digital nas rochas e na água do planeta.

Quando você tem vida, tudo parece muito diferente. Se tivermos as amostras de Marte, poderemos analisar seus mínimos detalhes para estudar esses processos.
— Susanne Schwenzer

É possível que algumas das amostras possam conter até mesmo micróbios fossilizados no interior das rochas.

"Como cientista, eu não teria gasto minha vida com isso se não tivesse esperança de que temos uma boa chance de encontrar alguma coisa", explica Schwenzer. "Espero que encontremos algo, mas não posso fazer previsões."

Mesmo se forem detectados sinais de vida em Marte, esta não seria uma prova inequívoca de que existe vida alienígena em toda parte do Universo.

Sabemos que Marte e a Terra compartilharam material no início da sua história. Isso significa que os dois planetas podem também ter compartilhado a gênese da vida.

Para encontrar evidências de uma segunda gênese real, ou seja, uma prova de que a vida surgiu por uma segunda vez em outro mundo, de forma independente, os cientistas estão pesquisando as luas geladas do Sistema Solar, como os satélites Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno). Eles acreditam que ambas possuem vastos oceanos por baixo das suas superfícies congeladas.

Se descobrirmos vida nas luas geladas, certamente será uma gênese diferente da vida na Terra.
— Susanne Schwenzer

A Nasa deve lançar uma espaçonave chamada Europa Clipper em direção a Europa, no mês de outubro. Ela segue o lançamento da espaçonave europeia Juice, ocorrido em abril de 2023.

Programadas para chegar em 2030 e 2031, as duas espaçonaves provavelmente não irão detectar vida em Europa. Mas irão estudar a extensão do seu oceano e definir o cenário de uma missão futura, que poderá tentar escavar a camada de gelo (como propõe a Nasa no projeto Europa Lander, ainda em fase inicial), ou voar através de plumas que podem ser ejetadas pelos oceanos das luas para o espaço, em busca de sinais de vida.

O que podemos esperar da exploração espacial em 2024

Colocar uma máquina no oceano de um desses mundos, na verdade, é um "problema de 100 anos", afirma a astrônoma Britney Schmidt, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Isso se deve às dificuldades de atravessar o gelo com vários quilômetros de espessura.

Mas "adentrar na camada de gelo e interagir com os líquidos é algo que poderíamos fazer" em prazo mais curto, segundo ela.

É o tipo de missão que eu gostaria de ver acontecer. Nosso grupo está desenvolvendo instrumentos e tecnologias, de forma que já sabemos o que fazer quando chegarmos lá.
— Britney Schmidt, astrônoma
Pesquisas recentes com radares de satélites em órbita do planeta indicaram que pode haver água líquida embaixo da camada de gelo do sul de Marte — Foto: Getty Images/BBC
Pesquisas recentes com radares de satélites em órbita do planeta indicaram que pode haver água líquida embaixo da camada de gelo do sul de Marte — Foto: Getty Images/BBC

Exoplanetas

🪐 Se você não estiver preparado para esperar por 100 anos, talvez prefira dar uma olhada em outros sistemas solares.

Conhecemos agora mais de 5,5 mil planetas que orbitam outras estrelas – os chamados exoplanetas – e novas descobertas continuam a pipocar todos os dias.

Com o imenso poder dos novos telescópios, principalmente o Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês), os astrônomos estão começando a examinar alguns desses planetas em belíssimos detalhes.

Em achado inédito, James Webb dá pistas sobre mistério da astronomia: buraco negro ou estrela de nêutrons?

Eles estão usando o JWST particularmente para observar se podem descobrir quais gases estão presentes em alguns exoplanetas rochosos similares à Terra.

O James Webb não se destinava a analisar exoplanetas quando foi projetado inicialmente na virada do século. Mas, de lá para cá, ele recebeu a nova tarefa de estudar esses mundos. Afinal, o JWST é o maior telescópio espacial da história e a melhor máquina que temos para esta missão.

O James Webb não consegue estudar mundos similares à Terra em órbita de estrelas como o nosso Sol. A imagem desses planetas é simplesmente ofuscada pelas suas estrelas brilhantes e mesmo o JWST não consegue analisá-los.

Para isso, será necessário um telescópio mais avançado, como o Observatório de Mundos Habitáveis da Nasa, com lançamento previsto para os anos 2040.

Mas o James Webb pode estudar planetas que orbitam estrelas pequenas, chamadas anãs vermelhas. E, no momento, ele está testando suas capacidades com um sistema solar fascinante chamado TRAPPIST-1, que inclui sete mundos do tamanho da Terra.

Pelo menos três desses planetas orbitam na zona habitável da estrela, onde pode existir água em forma líquida e vida.

A primeira etapa é a confirmação pelos astrônomos se esses planetas possuem atmosfera. A pesquisa para determinar sua presença através do JWST está atualmente em andamento e os resultados são esperados no final deste ano ou em 2025.

Resultados iniciais demonstraram que o planeta com órbita mais interna provavelmente não possui atmosfera necessária para a vida. Mas se conseguirmos encontrar atmosfera nos outros planetas do sistema TRAPPIST-1, será uma descoberta monumental, segundo a astrofísica Jessie Christiansen, do Instituto de Ciência de Exoplanetas da Nasa no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.

"Os próximos 20 anos de pesquisa de exoplanetas dependerão deste resultado", segundo ela. "Se os planetas da anã vermelha tiverem atmosfera, apontaremos todos os telescópios da Terra em direção a esses planetas para tentar ver alguma coisa."

Se conseguirmos encontrar atmosfera nesses planetas, será a vez do James Webb ir buscar sinais de bioassinaturas que possam indicar a existência de vida.

"Iremos procurar a química do desequilíbrio", explica Christiansen. "Você pode produzir dióxido de carbono, metano e água em [qualquer] planeta. Mas encontrá-los em proporções que não possam ser mantidas naturalmente é o ponto em que você começa a dizer que existe biologia envolvida."

Os telescópios do futuro, como o Observatório dos Mundos Habitáveis e um projeto europeu chamado Life, irão tentar realizar a mesma análise em busca de planetas similares à Terra que orbitam estrelas como o nosso Sol.

"A classe planetária norteadora serão os planetas rochosos na zona habitável", segundo o astrofísico Sascha Quanz, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH, na sigla em alemão) de Zurique, na Suíça. Ele é o chefe do programa Life.

E assim caminha a busca pela vida inteligente.

O astrônomo Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, indica que os primeiros frutos já foram colhidos.

Observações de ondas de rádio demonstraram que, até cerca de 100 anos-luz da Terra, "aparentemente não existem" faróis poderosos apontados na nossa direção. Agora, programas como o americano Breakthrough Listen estão voltando suas pesquisas para distâncias maiores.

Eles procuram sinais de rádio emitidos de planetas mais distantes da nossa galáxia – e estão até começando a procurar vazamentos acidentais de comunicações como as que temos hoje na Terra, mas provenientes de outros planetas.

Os próximos telescópios, principalmente um imenso radiotelescópio novo que deve ser inaugurado em 2028, chamado Square Kilometer Array (um conjunto de milhares de antenas de rádio espalhadas por dois continentes), deverão expandir significativamente essa pesquisa.

"É realmente emocionante", afirma Wright. Mas, mesmo com os modernos radiotelescópios, a primeira detecção poderá surgir "a qualquer momento", segundo ele.

Existem pelo menos três planetas em órbita da anã vermelha TRAPPIST-1 na chamada 'zona habitável' da estrela, onde pode existir água em estado líquido — Foto: Nasa/BBC
Existem pelo menos três planetas em órbita da anã vermelha TRAPPIST-1 na chamada 'zona habitável' da estrela, onde pode existir água em estado líquido — Foto: Nasa/BBC

Se realmente encontrarmos evidência de vida alienígena, seja no nosso Sistema Solar, em um exoplaneta ou de uma civilização inteligente, provavelmente não será um evento extraordinário. O mais provável é que seja um processo gradual até chegarmos ao ponto em que a vida irá parecer a explicação mais plausível.

"Quanto mais informações você tiver, mais perto você estará de uma posição de eliminar falsos positivos", afirma Quanz.

Por isso, a descoberta de vida extraterrestre pode não ser um momento único definido. E a forma em que o público irá reagir a essa possibilidade é uma questão interessante, segundo Rees.

"Se for algo preliminar, os cientistas deverão deixar claro esse ponto", afirma ele. "Esperamos que isso seja manifestado nas notícias dos jornais."

Exemplos recentes incluem a detecção de fosfina em Vênus e de sulfeto de dimetila em um exoplaneta – dois possíveis sinais biológicos que geraram intensos debates e permanecem extremamente incertos.

Permanece também a outra possibilidade: de que nenhuma dessas pesquisas traga nenhum resultado. Este também será um resultado científico interessante, que indicaria que a vida alienígena, se existir, não é algo comum no Universo.

"Um resultado nulo traria algo fundamentalmente importante" sobre a vida, segundo Quanz. "Talvez ela seja muito rara."

Qual é o real risco do lixo espacial na Terra e no espaço?

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