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terça-feira, 12 de março de 2024

Relógio mostra interior das veias em tempo real e acelera diagnóstico de doenças

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Tecnologia vestível permite que usuários tenham seu sistema circulatório analisado em diferentes situações do cotidiano
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Giovana Christda CNN
12/03/2024 às 15:06 | Atualizado 12/03/2024 às 15:17
Postado em 12 de março de 2023 às 15h30m

#.*Post. - N.\ 11.127*.#

A partir de imagens que combinam laser com ultrassom, é possível analisar a saúde do coração do usuário
A partir de imagens que combinam laser com ultrassom, é possível analisar a saúde do coração do usuário Lei Xi, Southern University of Science and Technology/Divulgação

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China produziram um dispositivo que mostra imagens em tempo real das veias e da corrente sanguínea. A tecnologia pode ser usada para acompanhar a saúde dos usuários e acelerar o diagnóstico de algumas doenças como câncer, problemas vasculares e dermatológicos.

O relógio usa imagens fotoacústicas, tecnologia que combina laser com ultrassom, para medir variáveis como frequência cardíaca, pressão arterial e saturação de oxigênio de forma não invasiva. Essas informações podem ser usadas para avaliar a saúde do coração do usuário.

Os testes foram feitos com voluntários que usavam o dispositivo juntamente com uma mochila. Nela, ficam o computador, o laser e uma fonte de energia, pesando aproximadamente 7kg. As pessoas utilizaram o relógio em diversas condições para permitir o estudo de seu sistema circulatório parado e em movimento.


No futuro, a ideia é diminuir ainda mais o dispositivo / Lei Xi, Southern University of Science and Technology/Divulgação

Segundo Lei Xi, coordenador da pesquisa, “Sistemas de imagem vestíveis em miniatura, como o que desenvolvemos, poderiam ser usados por centros de saúde comunitários para diagnósticos preliminares de doenças ou para monitoramento de longo prazo de parâmetros relacionados à circulação sanguínea em um ambiente hospitalar, oferecendo insights valiosos para informar tratamentos para diversas doenças.”

No futuro, a ideia é que seja desenvolvido um dispositivo que não precise da mochila para acompanhar, permitindo que as avaliações de saúde sejam feitas durante atividades como correr e pular. Assim, o coração poderá ser avaliado em diferentes situações, acelerando ainda mais o diagnóstico de doenças.

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IPCA: preços sobem 0,83% em fevereiro, com reajuste anual da educação

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País tem uma inflação acumulada de 4,50% em 12 meses. Grupo de Educação teve alta de 4,98% e impacto de 0,29 ponto percentual no índice geral.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 12 de março de 2023 às 11h00m

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IPCA: mais uma vez, destaque para o grupo de Educação, em virtude dos reajustes de preços praticados no início do ano — Foto: Divulgação/Cursinho Solidário
IPCA: mais uma vez, destaque para o grupo de Educação, em virtude dos reajustes de preços praticados no início do ano — Foto: Divulgação/Cursinho Solidário

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,83% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os ajustes anuais do grupo de Educação (4,98%) foram o principal motor para o resultado do mês. O resultado do mês representa uma aceleração contra o mês anterior, já que o IPCA havia fechado janeiro com alta de 0,42%. E em fevereiro de 2023, teve alta de 0,84%.

Com isso, o país tem uma inflação acumulada de 4,50% em 12 meses.

O resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperavam aumento de 0,78% dos preços em janeiro. No acumulado, era esperada uma alta de 4,42%.

Sete dos nove grupos do IPCA tiveram alta no mês de fevereiro. Além de Educação (0,29 ponto percentual), o grupo de Alimentação e bebidas teve peso relevante na alta do mês, com 0,20 p.p. de contribuição no índice geral.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebidas: 0,95%;
  • Habitação: 0,27%;
  • Artigos de residência: -0,07%;
  • Vestuário: -0,44%;
  • Transportes: 0,72%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,65%;
  • Despesas pessoais: 0,05%;
  • Educação: 4,98%;
  • Comunicação: 1,56%.

Reajustes escolares e alimentação em destaque

O mês de fevereiro sempre é marcado pelos ajustes anuais na educação particular e cursos pagos. De acordo com o IBGE maior contribuição, em peso no índice, veio do subgrupo cursos regulares (6,13%).

Ali, estão compiladas as altas do ensino médio (8,51%), do ensino fundamental (8,24%), da pré-escola (8,05%) e da creche (6,03%). Subiram também o curso técnico (6,14%), o ensino superior (3,81%) e a pós-graduação (2,76%).

“Esse resultado se deve aos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo”, explica o gerente da pesquisa, André Almeida.

Outro grupo que volta a pesar na inflação oficial do país é o grupo de Alimentação e bebidas (0,95%). A Alimentação no domicílio teve nova alta forte (1,12%), por influência das temperaturas mais elevadas neste início de ano e um maior volume de chuvas que prejudica a safra de produtos.

No contexto mais complexo de colheita, subiram os preços da cebola (7,37%), da batata-inglesa (6,79%), das frutas (3,74%), do arroz (3,69%). O leite longa vida também é destaque (3,49%). Houve, porém, uma desaceleração no subgrupo Alimentação no domicílio em relação ao mês anterior, quando havia subido 1,81%.

"Historicamente, nos meses de verão, os preços dos alimentos sobem, principalmente por conta do clima que afeta a produção dos alimentos mais sensiveis às variações de temperatura e chuvas. No final do ano passado e início do ano, o efeito foi intensificado pelo El Niño", afirma André Almeida, do IBGE.

Arroz e feijão ficaram mais caros em fevereiro, segundo resultado do IPCA-15

Outros grupos importantes

O grupo de Transportes voltou a ter uma alta que incomoda no índice geral. Todos os combustíveis (2,93%) pesquisados tiveram alta: etanol (4,52%), gasolina (2,93%), gás veicular (0,22%) e óleo diesel (0,14%). A gasolina, inclusive, contribuiu sozinha com 0,14 p.p. no índice geral.

O resultado dos combustíveis têm como plano de fundo a decisão dos secretários de Fazendas dos estados e do Distrito Federal de aumentarem em 12,5% as alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os produtos desde 1º de fevereiro.

Segundo o Comsefaz, o aumento considera a atualização pela inflação no período de novembro de 2021, quando a base de incidência do imposto foi fixada conforme valores médios de venda. De acordo com o comitê, essa foi uma "forma de mitigar a instabilidade do impacto da então política de preços praticada pela Petrobras".

Por fim, os preços da passagem aérea tiveram queda neste mês, 10,71% e reduziram o índice geral em 0,09 p.p. "As passagens aéreas subiram 80% nos últimos quatro meses de 2023, e agora tiveram duas quedas consecutivas no início do ano", lembra André Almeida, do IBGE.

O grupo de Comunicação também teve alta relevante (1,56%), por conta de reajustes de tarifas anuais, casos da tv por assinatura (4,02%) e do combo de telefonia, internet e tv por assinatura (3,29%). O peso no índice geral, porém, é menor: apenas 0,07 p.p.

Serviços e monitorados

O IBGE aponta uma dinâmica de desaceleração na inflação de serviços. Em janeiro, a janela de 12 meses acumulava alta de 5,62%. Em fevereiro, o grupo agregado passou para 5,25%, o menor indice de serviços para 12 meses desde janeiro de 2022 (5,09%).

O IBGE destaca, contudo, que a dinâmica do mercado de trabalho ainda bastante aquecido, da queda da taxa de juros e do aumento de salários nos últimos meses ainda demanda cuidado com pressões de demanda.

Já os monitorados voltaram a acelerar, puxados pela alta da gasolina, que acumula alta de 12,75% em 12 meses. Nessa janela, os monitorados passaram de 8,56% para 8,60% entre janeiro e fevereiro.

"Parte dos monitorados tem ajustes concedidos ao longo do tempo, que podem ter a ver com períodos de inflação mais alta nos anos anteriores e que estão sendo repassados aos poucos. Mas a gasolina segue subindo por conta dos preços de mercado internacional e questões cambiais", diz André Almeida, do IBGE. 
Resultado acima das expectativas

Apesar de um índice cheio acima do esperado pelo mercado financeiro, analistas apontam que a abertura de dados é positiva.

Laiz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas, diz que os resultados de Alimentação no domicílio e Comunicação vieram acima do que sua equipe esperava, mas Despesas pessoais e Vestuário compensaram para baixo.

"O que todo o mercado queria ver, que são os serviços subjacentes, vieram abaixo do esperado, com 0,44%. Se esperava algo na casa dos 0,55%. Isso traz um certo alívio para as próximas observações. Já esperávamos uma desaceleração, mas ela veio mais rápido", afirma a economista.

Andrea Damico, economista-chefe da Armor Capital, reforça que a desaceleração dos serviços subjacentes foi boa para o prognóstico de cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central.

"O resultado mostra que as altas recentes dos serviços subjacentes foi pontual e não mudou a tendência de acomodação que prevíamos para os próximos meses. Ainda é um nível alto, mas a partir de março devem mostrar um arrefecimento mais consistente", diz. 
INPC tem alta de 0,81% em fevereiro

Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,81% em fevereiro. Em janeiro, a alta foi de 0,57%.

Assim, o INPC acumula alta de 1,38% no ano e de 3,86% nos últimos 12 meses. Em fevereiro de 2023, a taxa foi de 0,77%.

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segunda-feira, 11 de março de 2024

Sem desigualdade de gênero, mundo poderia ter PIB ao menos 20% maior, diz Banco Mundial

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Relatório mostra o impacto de acabar com as leis e práticas discriminatórias no mercado de trabalho.
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Por Yoanna Stavracas, GloboNews

Postado em 11 de março de 2024 às 16h00m

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Reduzir desigualdade de gênero poderia aumentar o PIB do mundo em mais de 20%. — Foto: Reprodução/ GloboNews
Reduzir desigualdade de gênero poderia aumentar o PIB do mundo em mais de 20%. — Foto: Reprodução/ GloboNews

O Produto Interno Bruto (PIB) global poderia aumentar em mais de 20% com políticas públicas que removessem as dificuldades impostas às mulheres no mercado de trabalho. A descoberta é do 10º relatório anual do Banco Mundial sobre Mulheres, Empresas e Direito.

O estudo mostra que, com práticas que melhorassem as condições de trabalho e abertura de negócios para mulheres, o potencial de crescimento destravado poderia dobrar a taxa de crescimento global na próxima década.

“As mulheres têm o poder de turbinar a economia global em crise”, afirma a economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, observando que as reformas para prevenir a discriminação desaceleraram.

O texto afirma que os obstáculos que as mulheres enfrentam para entrar na força de trabalho global incluem não só barreiras à abertura de empresas, mas também disparidades salariais persistentes e proibições de trabalhar à noite ou em empregos considerados “perigosos”.

A pesquisa envolvendo 190 países mostra que nenhuma nação, nem mesmo as mais ricas, oferece uma verdadeira igualdade de oportunidades aos dois gêneros. Quando se leva em conta as diferenças jurídicas que envolvem a violência e o serviço de cuidado com as crianças, as mulheres desfrutam de apenas dois terços (64%) dos direitos legais que os homens têm.

Mulheres têm 2/3 das proteções legais dos homens. — Foto: Gabriel Andrade/ GloboNews
Mulheres têm 2/3 das proteções legais dos homens. — Foto: Gabriel Andrade/ GloboNews

Em média, as mulheres também passam mais 2,4 horas por dia em trabalho de cuidados não remunerado do que os homens, em grande parte cuidando de crianças.

Nesta edição da pesquisa, o relatório avaliou pela primeira vez a forma como os países implementam as leis existentes para proteger as mulheres, e o resultado encontrado foi uma grande lacuna entre a política e a prática.

Segundo a pesquisa, 98 economias promulgaram legislação que determina a igualdade de remuneração para as mulheres pelo mesmo trabalho. No entanto, apenas 35 economias – menos de uma em cada cinco – adotaram medidas de transparência salarial ou mecanismos de aplicação para eliminar as disparidades salariais.

“É mais urgente do que nunca acelerar os esforços para reformar leis e promulgar políticas públicas que capacitem as mulheres para trabalhar e iniciar e desenvolver negócios”, afirmou Tea Trumbic, principal autora do relatório. Ela reforça que a disparidade de gênero atrapalha o desenvolvimento mundial.

“Hoje, apenas metade das mulheres participa da força de trabalho global, em comparação com quase três em cada quatro homens. Isto não é apenas injusto – é um desperdício. Aumentar a participação económica das mulheres é a chave para amplificar as suas vozes e moldar as decisões que as afectam directamente. Os países simplesmente não podem dar-se ao luxo de marginalizar metade da sua população.”, afirma Trumbic.

G1 em 1 minuto: Mulheres ganham 21% menos que homens e Avião que desapareceu 10 anos

Desigualdade salarial e aposentadoria

Na área salarial, as mulheres ganham apenas 77 centavos por cada dólar pago aos homens. A lacuna de direitos se estende até às aposentadorias.

Em 62 economias, as idades em que homens e mulheres podem se aposentar não são as mesmas. As mulheres tendem a viver mais do que os homens, mas como recebem salários mais baixos enquanto trabalham, tiram férias quando têm filhos e se aposentam mais cedo, acabam recebendo valores mais baixos e enfrentam maior insegurança financeira na velhice.

Violência de gênero

O documento concluiu que as mulheres têm apenas um terço das proteções legais necessárias contra a violência doméstica, o assédio sexual, o casamento infantil e o feminicídio nos 190 países estudados.

O assédio sexual é proibido no local de trabalho em 151 países, mas apenas 40 têm leis que o proíbem em locais públicos.

“Como podemos esperar que as mulheres prosperem no trabalho quando é perigoso para elas simplesmente viajar para trabalhar?”, disse Indermit Gill, do Banco Mundial.

O relatório inclui recomendações específicas para governos, incluindo a melhoria das leis relativas à segurança, cuidados infantis e oportunidades de negócios; promulgar reformas que eliminem as restrições ao trabalho das mulheres; expandir as disposições sobre licença maternidade e paternidade; e estabelecer cotas vinculativas para mulheres nos conselhos de administração de empresas de capital aberto.

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domingo, 10 de março de 2024

A nova espécie de mamífero descoberta por cientistas no Peru

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É a primeira descoberta de uma nova espécie de cervo neste século em todo o mundo.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de março de 2024 às 11h15m

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Pudella carlae é uma espécie nova encontrada no Peru — Foto: SERNANP
Pudella carlae é uma espécie nova encontrada no Peru — Foto: SERNANP

Uma nova espécie de cervo foi encontrada no norte do Peru: o Pudella carlae ou pudu da selva peruana.

Já faz muitos anos que pesquisadores descobriram o pudu, um pequeno cervo de pele escura que habita grandes territórios da Argentina à Colômbia.

Até onde se sabia, existiam duas espécies com este nome: o Pudu puda, que habita as florestas da fronteira sul entre Argentina e Chile, e o Pudu mephistophiles, também conhecido como pudu pequeno ou do norte, considerado a menor espécie de veado do planeta.

Essa segunda espécie vive em regiões de montanha localizadas entre o Peru, o Equador e algumas áreas da Colômbia.

Mas agora os pesquisadores da Divisão de Mastozoologia do Centro de Ornitologia e Biodiversidade do Peru conseguiram demonstrar que os Pudu mephistophiles, na verdade, incluem duas espécies diferentes.

Uma delas é a forma típica, que habita a região peruana de Huancabamba e se estende até o norte da América do Sul.

E a outra é a Pudella carlae, endêmica do Peru e que vive no sul da depressão de Huancabamba (cerca de 1.000 quilômetros ao norte de Lima).

Esta é a primeira descoberta de uma nova espécie de cervo em 60 anos na América e a primeira no século 21 em todo o mundo.

A nova espécie, Pudella carlae foi observada no sudeste da depressão de Huancabamba, no norte do Peru — Foto: SERNANP
A nova espécie, Pudella carlae foi observada no sudeste da depressão de Huancabamba, no norte do Peru — Foto: SERNANP

Quais são as diferenças

Nos últimos anos, com o intuito de melhorar os projetos de conservação em áreas habitadas por mamíferos raros (como o pudu), o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas do Estado do Peru, Sernanp, realizou diversos estudos em diferentes habitats.

Esses estudos, realizados pelo cientista peruano Javier Barrio, indicaram que essas duas espécies eram diferentes, apesar de durante anos terem sido classificadas como o mesmo animal.

Após diversas análises genéticas e morfológicas, a equipe conseguiu demonstrar que os exemplares de pudu que habitavam a região sul da depressão de Huancabamba são diferentes daqueles do norte.

Eles têm duas diferenças, explica Guillermo D'Elía, professor da Universidade Austral do Chile, que participou da pesquisa, à BBC News Mundo, o serviço espanhol da BBC.

A primeira é a sua composição corporal. A Pudella carlae é maior, seu pelo é mais escuro e o formato das orelhas não é semelhante.

E a segunda diferença é genética.

“As linhagens dos dois animais não coincidem para que sejam chamados da mesma espécie”, diz D'Elía.

O pudú do norte, que habita áreas do Peru, Equador e Colômbia, é conhecido como o menor cervo do mundo. — Foto: WIKICOMMONS
O pudú do norte, que habita áreas do Peru, Equador e Colômbia, é conhecido como o menor cervo do mundo. — Foto: WIKICOMMONS

A origem do nome

Outra decisão foi dar um nome científico de acordo com a descoberta feita.

Pudu vem da palavra püdu que em Mapudungun, a língua mapuche, significa “o cervo”.

Os Mapuches chamavam assim as espécies que vinham do Chile e da Argentina.

Com o passar dos anos, também se decidiu chamar assim os encontrados no Peru e no Equador.

Pudu vem da palavra que os Mapuche usavam para se referir ao cervo: püdu — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Pudu vem da palavra que os Mapuche usavam para se referir ao cervo: püdu — Foto: GETTY IMAGES via BBC

E o nome carlae vem de uma das cientistas que trabalhou na pesquisa desses animais, Carla Gazzolo.

“O nome comum que propomos é pudu da yunga peruana. As yunga, que podem ser encontradas no Peru, são essas áreas florestais onde vivem esses animais”, explica o acadêmico.

Para D'Elía, a importância dessa descoberta reside não só em encontrar novas espécies em meio às ameaças ambientais do mundo atual, mas também em fornecer mais informações sobre as espécies de cervos que habitam o continente americano.

“Não sabemos muito sobre sua história natural. Não sabemos como eles se movem, como se alimentam, como acasalam. Por isso é importante continuar na área e estudá-los”, ressalta.

Os pesquisadores destacam ainda que esses dados são fundamentais para a conversação desses mamíferos.

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sábado, 9 de março de 2024

Seca e ondas de calor em 2023 custarão R$ 700 milhões a mais na conta de energia

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Impacto médio na tarifa de energia vai ser de 0,3%, aplicado nos próximos reajustes tarifários das distribuidoras.
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Por Lais Carregosa, g1 — Brasília

Postado em 09 de março de 2024 às 16h40m

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O cenário de secas, ondas de calor e de menor geração eólica em 2023 vai custar, ao todo, R$ 700 milhões a mais que o esperado na conta de energia para quem compra das distribuidoras. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), levantados a pedido do g1.

Apesar da alta, o impacto médio na tarifa de energia vai ser de 0,3%, aplicado nos próximos reajustes tarifários das distribuidoras (entenda mais abaixo).

Os números se referem ao aumento nos Encargos de Serviço de Sistema (ESS) — pago na conta de luz para custear o acionamento de usinas termelétricas em casos pontuais, necessário para garantir a segurança do sistema nacional.

“[Esses] encargos são para ressarcir geradores quando eles não estariam originalmente programados para gerar, mas, por uma razão ou por outra, o operador acaba programando”, explicou Roberto Brandão, o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Foi por meio do ESS que as usinas termelétricas acionadas no ano passado foram remuneradas. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a elevação se deve a:

  • aumento do consumo, especialmente no horário de pico (por volta das 19h);
  • e queda na geração de energia eólica.

“Isso tem relação com a temperatura também, por conta de ventiladores e ar-condicionado", concluiu a CCEE.

O consumo de energia bateu recorde em novembro de 2023, por causa do calor. Em novembro e dezembro, a demanda aumentou com o uso de ares-condicionados e equipamentos de refrigeração.

Além disso, segundo Brandão, as hidrelétricas do Norte costumam gerar menos energia nos últimos meses do ano, o que, por si só, motiva o acionamento de usinas termelétricas para suprir o consumo. Contudo, esse comportamento sazonal foi intensificado em 2023 pelo fenômeno climático El Niño, que causou secas na região.

"Normalmente, essas usinas geram muito pouco no segundo semestre. [...] No ano passado, como a tivemos uma seca no Norte muito pronunciada, a situação foi ainda pior”, afirmou o pesquisador.

Soma-se a esse cenário a menor geração das usinas eólicas no fim do ano, período em que há uma queda sazonal.

“A geração eólica, na média, é mais intensa entre agosto e outubro. São os meses em que você tem grande geração eólica, o que muito é bom, porque esse é o período seco. Mas, sobretudo quando está chegando o final de um ano e início do seguinte, a geração eólica cai um pouco”, afirmou Brandão.

Houve, então, um cenário de consumo maior que o esperado, por causa do calor, junto a uma redução na geração hidrelétrica, por conta das secas e da geração eólica -- cuja queda é comum para esse período do ano.

Aneel libera testes de aerogeradores no Parque Eólico Coxilha Negra em Santana do Livramento

Valores maiores que o esperado

O repasse dos valores do Encargos de Serviço de Sistema ocorre anualmente, quando a Aneel reajusta as tarifas das distribuidoras de energia, no aniversário do contrato. Dessa forma, em todos os anos a Aneel faz uma projeção do quanto deve custar o ESS e incorpora esse valor no reajuste das distribuidoras.

Para 2023, a projeção da Aneel, com base na previsão anual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), era de R$ 142,9 milhões. Contudo, as despesas reais chegaram a R$ 842,3 milhões.

A diferença de cerca de R$ 700 milhões será incorporada nos processos de reajuste de 2024, resultando numa elevação da tarifa para o consumidor este ano.

Esse aumento vai ter impacto de 0,3% na tarifa média para o consumidor que compra energia das distribuidoras, segundo estimativa da Aneel.

Veja a projeção e o valor efetivo dos encargos para as distribuidoras em 2023:

Encargos superaram projeção em cerca de R$ 700 milhões
Valores se referem ao que será repassado para o mercado das distribuidoras, ou seja, para consumidores residenciais, pequenas empresas e comércios

milhões de R$projeção

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Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)

Elevação em novembro e dezembro

Os valores da CCEE, que incluem todos os consumidores, apontam um pagamento de R$ 384,3 milhões em novembro e de R$ 465,4 milhões em dezembro — muito acima dos meses anteriores.

A Câmara de Comercialização faz a contabilização desses encargos para todos que compram energia no sistema, sejam distribuidoras ou consumidores livres — empresas que têm consumo alto e podem escolher o seu fornecedor de energia, negociando contratos.

Veja os valores para todos os consumidores por mês:

Valor dos encargos para todos os consumidores, inclusive livres
Consumidores livres são empresas com consumo de energia acima de R$ 10 mil por mês, que podem escolher os seus fornecedores

milhões de R$

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Fonte: Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

Bandeira tarifária

Na última terça-feira (5), a Aneel aprovou uma mudança no sistema de bandeiras tarifárias que pode transferir os valores que seriam cobrados dentro do Encargos de Serviço de Sistema para as bandeiras.

Na prática, significa que os consumidores sentirão o impacto do acionamento de térmicas mais cedo.

  • As bandeiras tarifárias sinalizam o custo da geração de energia. Ou seja, se é preciso acionar usinas mais caras, o valor da energia também fica mais caro na conta de luz.

Isso é sinalizado por cores:

🟩 bandeira verde — cenário favorável, não há cobrança extra.

🟨 bandeira amarela — cenário menos favorável, cobrança de R$ 18,85 por MWh (megawatt-hora) utilizado.

🟥 bandeira vermelha patamar 1 — condições desfavoráveis, tarifa de R$ 44,63 por MWh utilizado.

🟥 bandeira vermelha patamar 2 — condições muito desfavoráveis, tarifa de R$ 78,77 por MWh utilizado.

A mudança implementada pela Aneel é um novo “gatilho” para acionamento dessas bandeiras. Agora, quando o ONS precisar utilizar usinas termelétricas de forma extraordinária e pontual para garantir o funcionamento do sistema, o custo dessa medida pode mudar a cor da bandeira depois.

No modelo anterior, esse custo entrava no ESS. Ou seja, se a regra já estivesse em vigor no ano passado, esses R$ 700 milhões de ESS que não estavam previstos e vão entrar na conta em 2024 poderiam ter sido remunerados pelas bandeiras tarifárias.

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