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domingo, 23 de abril de 2023

A megaestrada que ligará Brasil e Chile cruzando 'inferno verde' no Paraguai

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A rodovia cruzará as regiões do Mato Grosso do Sul no Brasil, Gran Chaco no Paraguai, as províncias de Salta e Jujuy na Argentina e as regiões de Antofagasta e Tarapacá no Chile.
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TOPO
Por Jane Chambers, BBC

Postado em 23 de abril de 2023 às 8h00m

 #.*Post. - N.\ 10.766*.#

Egon Neufeld é um empresário menonita que trabalha na região do Gran Chaco — Foto: BBC
Egon Neufeld é um empresário menonita que trabalha na região do Gran Chaco — Foto: BBC

"É um novo Canal do Panamá". É assim que Egon Neufeld descreve o corredor bioceânico, um gigantesco projeto de infraestrutura que tentará ligar a costa do oceano Pacífico no Chile com a costa atlântica no Brasil.

Neufeld, um rico proprietário de vastas terras no Paraguai, diz que a rodovia – que terá cerca de 2.200 quilômetros e cortará Argentina, Brasil, Chile e Paraguai – facilitará a vida dos fazendeiros e camponeses da região no transporte de gado e na exportação de produtos de exportação aos portos que estão no Atlântico e no Pacífico.

Os governos de cada um dos países envolvidos no projeto manifestaram apoio, mas o presidente paraguaio, Mario Abdo, foi um de seus principais impulsores.

"O Paraguai é o quarto maior exportador de soja do mundo. Para que a soja chegue ao Oceano Pacífico é preciso passar pelo Canal do Panamá. Com a nova rodovia pronta, haverá uma economia para todo o setor produtivo em cerca de 25% nos custos de logística", disse entusiasmado o presidente à BBC.

Cerca de 525 quilômetros dessa nova rodovia passam pela região conhecida como Gran Chaco, uma das principais reservas ambientais do país, povoada por cerrados e zonas úmidas.

É o lar de onças, onças-pardas, tamanduás e milhares de espécies de plantas, um dos lugares de maior biodiversidade do planeta.

O Gran Chaco paraguaio é uma área inóspita para muitos dos habitantes do país — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O Gran Chaco paraguaio é uma área inóspita para muitos dos habitantes do país — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Esse lugar nem sempre foi amado por aqueles que quiseram se estabelecer nessas terras.

Quando os menonitas, uma comunidade cristã protestante, desembarcaram ali no início do século 20, eles o chamaram de "inferno verde".

O avô de Neufeld foi um dos menonitas que se estabeleceram no Chaco em 1930, depois de escapar da perseguição na Ucrânia.

Quase 100 anos depois, seu neto continua lutando contra o ambiente hostil.

O corredor bioceânico unirá as costas dos oceanos Pacífico e Altântico — Foto: BBC
O corredor bioceânico unirá as costas dos oceanos Pacífico e Altântico — Foto: BBC

O que é o corredor bioceânico?

O corredor bioceânico é um projeto de infraestrutura desenvolvido desde 2015 pelos governos da Argentina, Brasil, Paraguai e Chile para ligar quatro portos localizados no Oceano Pacífico – sendo eles Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique – ao porto da cidade brasileira de Santos.

Estima-se que a rodovia terá cerca de 2.200 quilômetros de extensão e o custo aproximado do investimento total é de US$ 10 bilhões.

A rodovia cruzará as regiões do Mato Grosso do Sul no Brasil, Gran Chaco no Paraguai, as províncias de Salta e Jujuy na Argentina e as regiões de Antofagasta e Tarapacá no Chile.

Cada país tem a responsabilidade de cumprir alguns trechos e prazos, porém não está claro qual é o prazo final para a conclusão do projeto.

De fato, em janeiro deste ano, os presidentes do Brasil e do Chile, Lula e Gabriel Boric, confirmaram que iriam acelerar a construção dos trechos que correspondem aos seus territórios.

Talvez um dos países que está mais avançado na execução dos projetos seja o Paraguai, que já tem um dos três trechos de seu território pronto.

"O trecho um do corredor bioceânico, que está pronto, já permitiu um acesso muito mais fácil para os comércios, porque antes a estrada era de terra e quando chovia era difícil transitar. Agora você pode chegar facilmente às diferentes cidades menonitas e suas colônias", disse à BBC o engenheiro Alfredo Sánchez, porta-voz do governo para a questão do corredor.

“Para nós, o maior problema é que temos que retirar o mato dos campos. Se você não cuidar, esse mato volta e toma conta de tudo”, explicou.

Para Neufeld, a rodovia dará mais oportunidades de trabalho que atrairão pessoas de outras partes do Paraguai.

Sua comunidade conseguiu se estabelecer com sucesso em algumas seções do "inferno verde", especialmente eles conseguiram construir uma lucrativa indústria de gado e laticínios, que agora são transportados em caminhões 4x4 e não em carroças puxadas por cavalos como em outras comunidades

Mas o que para alguns é atrativo, para outros é preocupante.

Taguide Picanerai, um jovem líder da comunidade indígena Ayoreo, uma das primeiras a habitar o Chaco, a comunidade já está sofrendo os efeitos do desmatamento, porque milhares de árvores foram derrubadas em razão da pecuária.

Cerca de 20% da floresta do Gran Chaco, o equivalente à área do estado de Nova York, foi convertida em terras para pastagem de gado e produção agroindustrial desde 1985, segundo fotografias de satélite da NASA.

“A nova rodovia vai significar mais criação de gado, o que leva a uma grande perda de biodiversidade”, diz Picanerai, acrescentando que também está preocupado com a perda de território dos Ayoreo.

Ele explica que no passado os produtores se mudaram para os territórios ancestrais dos Ayoreo, impediram o acesso à água e restringiram o espaço de caça para as comunidades indígenas.

A vida dos Ayoreo mudou significativamente em apenas uma geração. Os pais de Picanerai viviam na floresta impenetrável, onde caçavam javalis e tartarugas.

A comunidade foi convencida por missionários americanos que vieram para o Paraguai na década de 1960 a abandonar a vida de caçadores, vestir roupas e se estabelecer com outras comunidades indígenas.

E grande parte de suas terras foi vendida a fazendeiros e pecuaristas, o que levou a batalhas legais de anos para recuperar parte dessas terras para que a comunidade pudesse se restabelecer.

"Esse território é vital para nós", declarou Picanerai.

As obras do corredor bioceânico avançam no Paraguai — Foto: BOB HOWARD via BBC
As obras do corredor bioceânico avançam no Paraguai — Foto: BOB HOWARD via BBC

A ameaça ambiental

O presidente Abdo reconhece que a nova rodovia “aumentará a população no Chaco” e gerará “mais atividade comercial”. Mas ele acredita que, desde que as leis sejam cumpridas, o impacto será positivo.

Ele disse à BBC que já existiam regras rígidas para os proprietários de terras, incluindo uma cláusula que estipulava que "o máximo que as pessoas podem desmatar no Chaco é 50% de seu latifúndio, e menos se a biodiversidade da área for considerada mais delicada”.

Para o ambientalista Miguel Lovera, essas medidas não são suficientes.

“A construção de novas estradas leva a um maior desmatamento e derrubada de florestas em pequenos trechos, o que coloca uma enorme pressão sobre o frágil ecossistema”, disse Lovera, que dirige uma organização que luta pela proteção de grupos indígenas no Chaco.

Por outro lado, para Bianca Orqueda, jovem cantora e compositora do grupo indígena Nivaclé, a estrada tem alguns aspectos positivos.

Orqueda, que dirige uma escola de música infantil na periferia da cidade menonita de Filadelfia, divide seu tempo entre sua comunidade e a capital do Paraguai, Assunção.

E a rodovia a ajudará a encurtar os tempos de viagem.

Ela não está convencida de que seja possível que sua comunidade continue vivendo isolada, acrescentando que os Nivaclé precisam "progresir", o que para alguns pode significar deixar o Chaco e seu modo de vida para trás.

"Eu digo às crianças que, se quiserem ser médicas, arquitetas, dentistas ou musicistas, terão que sair assim que terminarem a escola e irem para outra cidade."

"Aqui na Filadélfia não há universidades, não há nada a menos que você queira ir para a agricultura", disse Orqueda.

Para Picanerai, a conservação do Chaco é mais do que apenas o modo de vida de sua comunidade indígena.

“A rica biodiversidade do Chaco significa que é um problema global que deveria preocupar a todos”, comentou ele, acrescentando que está determinado a proteger sua terra dos recém-chegados que se mudarem para a região após o fim das obras da nova rodovia.

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sexta-feira, 21 de abril de 2023

Temperatura média global ficou 1,15ºC acima da era pré-industrial em 2022

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Em um relatório divulgado nesta sexta (21), a Organização Meteorológica Mundial alertou que 'as mudanças climáticas seguem avançando'.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 21 de abril de 2023 às 09h40m

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Poluição em fábrica na Alemanha. — Foto: AP Photo/Michael Probst
Poluição em fábrica na Alemanha. — Foto: AP Photo/Michael Probst

Em um relatório divulgado nesta sexta-feira (21), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que a temperatura média global ficou 1.15ºC acima da era pré-industrial em 2022.

Além disso, a agência também confirmou que os últimos oito anos foram os oito anos mais quentes já registrados e que o ano passado foi o "5º ou 6º ano mais quente" desde então

E tudo isso tem uma explicação clara: o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa e o acúmulo constante de calor.

Como consequência disso, vimos ao longo de 2022 ondas calor extremas, secas e inundações devastadoras, ressaltou a OMM.

“Em 2022, a seca contínua na África Oriental, as chuvas recordes no Paquistão e as ondas de calor recordes na China e na Europa afetaram dezenas de milhões, causaram insegurança alimentar, impulsionaram a migração em massa e custaram bilhões de dólares em perdas e danos”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

O relatório anual, divulgado um dia antes do Dia da Terra, também mostrou que o gelo marinho na Antártica recuou para uma taxa mínima recorde em junho e julho. Já os oceanos tiveram as temperaturas mais quentes já registradas, com cerca de 58% de suas superfícies experimentando uma onda de calor, afirmou a organização.

Mas por que a taxa de 1,15ºC preocupa?

A OMM chamou atenção que essa taxa foi registrada mesmo com a influência do La Niña, um evento climático natural que manteve as temperaturas globais relativamente “baixas” nos últimos dois anos.

O índice também é preocupante porque é muito próximo de 1.5ºC, o chamado “limite seguro” das mudanças climáticas.

Esse é o limiar de aumento da taxa média de temperatura global que temos que atingir até o final do século para evitar as consequências da crise climática provocada pelo homem por causa da crescente emissão de gases de efeito estufa na nossa atmosfera.

Essa é uma taxa que é medida em referência aos níveis pré-industriais, a partir de quando as emissões de poluentes passaram a afetar significativamente o clima global.

Apesar disso, especialistas vêm alertando ao longo dos últimos anos que as demandas vistas como fundamentais para que o aquecimento do planeta não ultrapasse essa taxa vêm sendo implementadas num ritmo considerado “insuficiente”.

"Temos as ferramentas, o conhecimento e as soluções. Mas temos de acelerar o ritmo. Precisamos de uma ação climática acelerada com cortes de emissões mais profundos e rápidos para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

"Também precisamos de investimentos massivamente ampliados em adaptação e resiliência, principalmente para os países e comunidades mais vulneráveis que menos fizeram para causar a crise”, acrescentou.

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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Dólar sobe mais de 2% e fecha em R$ 5,08, perto da máxima do dia

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A moeda norte-americana avançou 2,21%, cotada a R$ 5,0860, na 3ª alta consecutiva e na maior variação positiva desde novembro.
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Por g1

Postado em 19 de abril de 2023 às 11h30m

 #.*Post. - N.\ 10.764*.#

Notas de dólar — Foto: pasja1000/Creative Commons
Notas de dólar — Foto: pasja1000/Creative Commons

O dólar fechou a sessão desta quarta-feira (19) em forte alta e voltou a superar os R$ 5. Investidores passaram o dia repercutindo os detalhes e desafios do arcabouço fiscal, que na véspera foi enviado pelo Ministério da Fazenda ao Congresso Nacional brasileiro.

Além disso, a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos e na Europa também influenciou nas cotações do dólar por aqui.

Ao final do pregão, a moeda norte-americana avançou 2,21%, cotada a R$ 5,0860. Foi a maior variação positiva desde novembro. Na máxima do dia, foi a R$ 5,0865. Veja mais cotações.

Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,81%, cotado a R$ 4,9760. Com o resultado de hoje, a moeda passou a acumular:

O que está mexendo com os mercados?

No Brasil, o grande destaque do dia ficou com a avaliação dos detalhes do novo arcabouço fiscal, entregue nesta terça-feira (18) ao Congresso Nacional.

O projeto de lei do governo elenca uma série de despesas que não serão enquadradas nos limites das novas regras. Também traz mais detalhes sobre as metas de resultado e explica o que acontece caso essas metas não sejam cumpridas. O g1 preparou uma reportagem com todos os pontos.

Governo entrega projeto da nova regra fiscal ao CongressoGoverno entrega projeto da nova regra fiscal ao Congresso

O mercado tem recalculado as rotas sobre o arcabouço ao perceber que a regra tem alta dependência de aumento de receitas e ao notar dificuldades que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pode enfrentar para elevar a arrecadação.

Segundo a chefe de economia da Rico, Rachel de Sá, parte do que ilustra essa dificuldade para aumentar as receitas por parte do governo foi a volta atrás sobre a mudança na taxação de importados.

"Em resumo, apesar de não trazer mudanças muito significativas quando comparada a proposta inicial, a peça legislativa de regra fiscal ainda segue com lacunas e preocupações que alimentam incertezas entre investidores", afirmou.

A expectativa, agora, fica pela tramitação do texto no Congresso. A expectativa é que a proposta avance rapidamente.

Para a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, outro ponto que ficou no radar dos mercados foi o vídeo que mostrou a presença do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o ministro Gonçalves Dias, no Palácio do Planalto no dia dos atos golpistas de 8 de janeiro.

"Isso também trouxe uma insegurança institucional, uma incerteza de como é que isso vai repercutir, principalmente se isso vai ser combustível para a abertura de uma CPMI. Isso tudo acabou trazendo uma certa insegurança no dia de hoje", disse.

E no exterior?

Já no mercado internacional, as atenções continuaram voltadas para a probabilidade de altas nos juros de economias desenvolvidas depois de resultados de inflação na Europa e expectativa por dados econômicos nos Estados Unidos.

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) divulgou nesta quarta-feira o Livro Bege, relatório com a visão da entidade sobre as condições econômicas correntes. A conclusão foi de que a atividade econômica dos EUA mudou pouco nas últimas semanas, com moderação leve no crescimento do emprego e aparente desaceleração dos aumentos de preços.

As autoridades também sinalizaram que estão próximas do fim do que foi o período mais agressivo de aumentos da taxa de juros nos EUA em 40 anos, com a maioria das autoridades planejando um último incremento de 0,25 ponto percentual antes do que se espera ser um prolongado período em que a taxa básica ficará inalterada.

A leitura do Fed, de abril, fornece também um retrato após a crise nas instituições financeiras após a falência de dois grandes bancos regionais dos EUA. Embora o estresse bancário inicial pareça ter diminuído, os formuladores de política monetária do Fed dizem observar atentamente os sinais de que bancos estão reduzindo os empréstimos e restringindo o crédito.

A retração poderia desacelerar a economia e a inflação ainda mais do que o impacto ainda acumulado de suas elevações de juros, o que aumentaria a chance de reversão dos juros.

Apesar das perspectivas do Livro Bege, o mercado reage a declarações de agentes do Fed feitas na véspera. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, disse nesta terça que Banco Central dos EUA provavelmente terá mais um aumento na taxa de juros pela frente, uma vez que continua trabalhando para reduzir a inflação alta.

"Mais um movimento deve ser suficiente para darmos um passo atrás e ver como nossa política está fluindo na economia, para entender até que ponto a inflação está voltando à nossa meta", disse Bostic em entrevista à CNBC.

Já o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, disse também na terça que o Fed deveria continuar elevando a taxa de juros com base em dados recentes mostrando que a inflação continua persistente, enquanto a economia em geral deve continuar crescendo, mesmo que lentamente.

"Wall Street está muito engajado na ideia de que haverá uma recessão em seis meses ou algo assim, mas não é assim que você leria uma expansão como esta", disse, em entrevista à Reuters.

"O mercado de trabalho parece muito, muito forte. E a sabedoria convencional é que se você tem um mercado de trabalho forte que alimenta um consumo forte... e isso é uma grande parte da economia... não parece ser o momento de prever que haverá uma recessão no segundo semestre de 2023", disse ele.

Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, disse à Reuters que declarações de membros do Fed apontaram um cenário de política monetária mais restritiva durante mais tempo. "As falas foram uníssonas na visualização de uma 'fed fund rating' mais forte por um tempo maior".

Já a inflação na zona do euro diminuiu no mês passado, mas as leituras subjacentes permaneceram altas, disse a Eurostat. A taxa caiu de 8,5% para 6,9% na janela anual, principalmente devido a uma rápida queda nos custos de energia, já que os preços do gás natural continuam caindo após o salto de um ano atrás com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Mas autoridades do Banco Central Europeu (BCE) agora estão preocupadas com o fato de que os altos custos da energia tenham se infiltrado na economia em geral. As leituras do núcleo persistentemente altas são o motivo pelo qual a maioria das autoridades do BCE já disse que as taxas de juros precisarão continuar subindo, apesar do recorde de 350 pontos-base de alta desde julho passado.

No Reino Unido, a inflação registrou desaceleração menor do que o esperado, fazendo o país ser o único da Europa Ocidental com inflação de dois dígitos em março. A taxa caiu para uma taxa anual de 10,1%, disse o Escritório Nacional de Estatísticas, abaixo dos 10,4% em fevereiro, mas bem acima dos 9,8% previstos por economistas consultados pela Reuters.

A inflação, que atingiu um pico em 41 anos de 11,1% em outubro, continua a corroer o poder de compra dos trabalhadores, cujos salários estão subindo menos. O resultado reforça as apostas de que o Banco da Inglaterra aumentará a taxa de juros novamente em maio.

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Saiba por que a China está expandindo a presença dela na Antártica

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Um centro de estudos dos EUA afirma que os chineses retomaram a construção de uma base no Polo Sul. 
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Por g1

Postado em 19 de abril de 2023 às 06h00m

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Gráfico do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais mostra local onde a China constrói uma base na Antártica — Foto: Kayan Albertin/g1
Gráfico do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais mostra local onde a China constrói uma base na Antártica — Foto: Kayan Albertin/g1

A China está aumentando a presença dela na Antártica, de acordo com imagens de satélite feitas por um centro de pesquisas dos Estados Unidos. As fotos mostram que os chineses retomaram construções na quinta estação do país no continente no Polo Sul que estavam paradas desde 2018.

O governo chinês tem procurado desenvolver novas rotas marítimas no Ártico, no Polo Norte, e expandir sua pesquisa na Antártica. Os governos de países do Ocidente temem que a crescente presença chinesa nas regiões polares possa ajudar o exército chinês a aumentar o poder de vigilância do país.

A nova estação está sendo construída em uma ilha perto do Mar de Ross. As instalações deverão incluir um observatório e uma estação terrestre de satélite. Com isso, a China vai ter mais capacidade de acessar o continente, disse o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, o centro de pesquisas responsável pelo estudo

O centro usou fotos de satélite tiradas em janeiro para identificar novas instalações de apoio, edifícios temporários, um heliporto e estruturas para um edifício principal. A estação deve ter 5.000 metros quadrados. Estima-se que a construção pode ser feita até 2024.

O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais afirmou que a estação pode servir para monitorar os satélites científicos da China, mas que lá pode ser colocado equipamento para interceptar as comunicações por satélites de outros países.

A estação está bem posicionada para coletar sinais de inteligência sobre a Austrália e a Nova Zelândia —por exemplo, os chineses poderiam recolher dados sobre os lançamentos de foguetes do Centro Espacial Arnhem, da Austrália.

O Centro de Estudos Estratégicos também disse que, embora os Estados Unidos ainda mantenham uma presença de pesquisa maior na Antártica, a presença da China está crescendo mais rapidamente. A quinta estação da China ficará a 320 quilômetros de uma estação dos EUA.

Só fins pacíficos

Sob o Tratado Antártico de 1959, do qual a China faz parte, as atividades no continente são restritas a fins pacíficos. Os militares podem realizar pesquisas científicas, mas estão proibidos de estabelecer bases, realizar manobras ou testar armas.

Um relatório do Pentágono de 2022 disse que a China tem aumentado sua presença no Polo Sul para poder reivindicar a posse de recursos naturais que eventualmente forem descobertos na região.

A China rejeita as alegações de que tais estações seriam usadas para espionagem.

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terça-feira, 18 de abril de 2023

Os experimentos esquecidos que mostram o que Da Vinci entendia sobre a gravidade antes de Galileu e Newton

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Dupla de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descobriram anotações de experimentos pouco conhecidos do pintor e cientista italiano.
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TOPO
Por Alicia Hernández, BBC

Postado em 18 de abril de 2023 às 13h50m

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Leonardo Da Vinci era um polímata, nome dado a quem estuda muitas ciências — Foto: GETTY IMAGES
Leonardo Da Vinci era um polímata, nome dado a quem estuda muitas ciências — Foto: GETTY IMAGES

Não houve um momento de inspiração com uma maçã. E nem a criação de uma lei universal. Apenas o prazer mais nobre — que era, na opinião do próprio Leonardo Da Vinci, a alegria de entender.

Ele observou a chuva cair, como as nuvens se movem rapidamente no céu e, também, como dar maior alcance aos projéteis lançados de sua rudimentar metralhadora, um dos muitos aparelhos que inventou.

"Foi essa motivação que o fez investigar por que esses objetos estavam caindo sem qualquer força por trás deles."

É o que diz Mory Gharib, professor de Aeronáutica e Engenharia Médica do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos EUA.

Ele e Chris Roh — na época pesquisador de pós-doutorado no Caltech e agora professor assistente na Cornell University (EUA) — descobriram outra genialidade do polímata italiano: alguns experimentos que mostram sua busca para entender a gravidade.

E para entendermos o significado da descoberta, é preciso deixar clara a cronologia dos eventos.

Da Vinci morreu em 1519, e não foi até 1604 que Galileu Galilei estabeleceu que todos os corpos caem no vácuo com a mesma aceleração.

Quase dois séculos depois, em 1687, Isaac Newton propôs a lei universal da gravidade — aquela da famosa anedota da maçã.

Os desenhos encontrados em um dos arquivos de Da Vinci — Foto: DaVinci/Biblioteca Britânica/Caltech
Os desenhos encontrados em um dos arquivos de Da Vinci — Foto: DaVinci/Biblioteca Britânica/Caltech

Mas então o que Da Vinci observou antes do que Galileu e Newton, e o que significa essa sua descoberta?

Um encontro casual

Mory Gharib estava revisando uma publicação da Biblioteca Britânica do Codex Arundel, um compêndio de artigos de Da Vinci que vão desde ciência e artes até notas pessoais.

Ele estava procurando algumas técnicas de visualização de fluxo, algo para discutir em seu curso de pós-graduação.

Leonardo da Vinci procurou revelar as proporções geométricas perfeitas que regem o mundo natural — Foto: GETTY IMAGES
Leonardo da Vinci procurou revelar as proporções geométricas perfeitas que regem o mundo natural — Foto: GETTY IMAGES

"Eu estava folheando. E de repente um triângulo muito branco chamou minha atenção." Gharib brinca que, tendo visto O Código Da Vinci (filme baseado no best-seller de Dan Brown), pensou que "poderia ser alguma coisa".

"Era apenas um triângulo. Nada nele. E três inscrições de cada lado escritas como ele fez, em uma imagem espelhada, de cabeça para baixo", acrescenta.

Na hipotenusa, o maior lado do triângulo, estava escrito "Equatione di Moti" (equação do movimento).

"Eu estava interessado em entender o que Leonardo quis dizer com essa frase."

Havia mais triângulos e um experimento. Nela, Da Vinci descreve um jarro provavelmente cheio de areia de onde ele despeja seu conteúdo, enquanto o move em linha reta e paralela ao solo, na mesma velocidade com que os grãos caem.

Suas anotações deixam claro que ele sabia que a areia não cai com velocidade constante, mas acelera, e que não cai horizontalmente, mas forma a hipotenusa de um triângulo.

Especificamente, Roh acredita que Da Vinci estava "muito curioso para ver a progressão de como o objeto cai e onde ele está a cada momento. Se começa em um ponto, onde ele termina e com que efeito".

"O experimento que ele fez permitiu que previsse os resultados, embora com imprecisões, muito próximo do que realmente acontece. E, assim, ele tentou entender o que é a constante quantitativa da gravidade."

Os cientistas dizem que Da Vinci chegou a criar um algoritmo "útil o suficiente" para ser capaz de dizer com precisão onde esse objeto deveria cair.

Eles também revelam que nos documentos de Da Vinci há um parágrafo onde ele diz que "quando um objeto cai, ele basicamente vai em direção ao centro da Terra. Isso é muito próximo de dizer que os dois objetos são atraídos um pelo outro, e talvez isso possa ser a única evidência que temos de que ele chegou muito perto de entender a gravidade."

E isso, para o pensamento daquela época, foi um grande avanço.

Teoria aristotélica

Na época de Da Vinci, havia várias teorias sobre por que e como os objetos caem no chão. Mas a mais comum era a teoria aristotélica, explica Carlos Molina, astrônomo e diretor do Planetário de Bogotá, na Colômbia.

Para Aristóteles, explica ele, os objetos caem por causa do sentimento que tiveram.

"Era a necessidade dos corpos chegarem ao seu lugar natural, e isso era medido pelo ímpeto, ou seja, quanto era a vontade de chegar ao lugar natural", diz Molina.

Assim, quanto maior o "ímpeto", maior a vontade de atingir aquele lugar natural por parte dos chamados "corpos sérios".

"Quanto mais pesado, mais impulso ele tinha. E isso funcionava como uma descrição de como isso acontecia e por que acontecia."

Molina, depois de ver os documentos e a descoberta de Gharib e Roh, explica que Leonardo "sistematizou um experimento para deduzir que a gravidade é um tipo de aceleração, como Galileu fez (anos depois), e que essa aceleração nos diz que o espaço é maior quanto maior é o tempo, em proporção geométrica".

'Se você não pode medir algo, torne-o mensurável'

Na época de Da Vinci não havia relógios que medissem o tempo com precisão.

Mas isso não foi um obstáculo para ele.

"Ele era um engenheiro muito prático. Disse a si mesmo: 'Se não consigo medir o número real, vou criar uma situação em que possa chegar perto'", explica Mori Gharib.

Então o que ele fez foi trocar o tempo pelo espaço. E mediu como os objetos caem de diferentes alturas.

"Se você não pode medir algo, torne-o mensurável", diz Gharib.

"É novamente surpreendente como ele entendeu o tempo e fez suposições fundamentais muito corretas de que todos os objetos chegam ao mesmo tempo, desde que estejam na mesma altura", acrescenta Roh.

"A limitação era não conseguir medir o tempo, e ele resolveu isso."

Experimentos

"O que isso nos revela é que, por meio de experimentos sistemáticos, Da Vinci chegou a uma conclusão semelhante à de Galileu", diz Molina.

Nos desenhos de diferentes armas que Da Vinci fez, ele teve que observar como era a trajetória das balas quando eram disparadas — Foto: GETTY IMAGES
Nos desenhos de diferentes armas que Da Vinci fez, ele teve que observar como era a trajetória das balas quando eram disparadas — Foto: GETTY IMAGES

Solo explica que Da Vinci "não foi um grande divulgador de sua obra mais profunda e nem mesmo escreveu (o experimento) na forma tradicional, mas na frente do espelho, codificado. Talvez ele não estivesse tão plenamente convencido dele para divulgá-lo".

Para Gharib e Roh, o que isso mostra é que "ele era um experimentador tentando testar as coisas e ver como elas funcionavam, e depois tentando explicá-las. Primeiro ele fez os experimentos, e depois tentou entender sua natureza".

Todos os especialistas consultados concordam que foi a experimentação sistemática de Da Vinci que o levou a chegar a uma conclusão semelhante à de Galileu quase cem anos antes.

Alguma coisa teria mudado se Galileu ou Newton soubessem desses experimentos?

Molina diz que, sem dúvida, isso teria sido uma fonte de inspiração a ambos.

"Newton disse que se apoiou nos ombros de gigantes para elaborar suas teorias. Ele conhecia as obras de estudiosos antes dele. Se o trabalho de Da Vinci fosse conhecido na época, seria algo que Newton teria notado", pontua.

Da Vinci observou as nuvens em movimento, o granizo caindo e depois tentou replicar isso em seu laboratório.

"Sua forma de ver a natureza, de visualizar as coisas, permitiu que ele visse o que fazemos hoje com câmeras supertecnológicas para analisar o mesmo triângulo que Da Vinci fazia", diz Gharib.

Se esta descoberta mostra alguma coisa, dizem Gharib e Roh, é a importância de parar e observar o que nos rodeia.

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