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sábado, 21 de janeiro de 2023

Cientistas descobrem uma nova estrutura no cérebro humano

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Pesquisadores dos Estados Unidos e da Dinamarca descreveram uma nova região que, segundo eles, pode atuar como uma barreira para proteger os neurônios e as demais células nervosas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 21 de janeiro de 2023 às 13h30m

 #.*Post. - N.\ 10.643*.#

Com uma intrincada rede de neurônios e outras estruturas biológicas, o cérebro continua a se mostrar uma máquina difícil de decifrar. — Foto: BBC
Com uma intrincada rede de neurônios e outras estruturas biológicas, o cérebro continua a se mostrar uma máquina difícil de decifrar. — Foto: BBC

Com uma intrincada rede de neurônios e outras estruturas biológicas, o cérebro continua a se mostrar uma máquina difícil de decifrar.

Agora, graças aos avanços nas técnicas de neuroimagem e biologia molecular, cientistas dos Estados Unidos e da Dinamarca descobriram uma nova estrutura no cérebro.

Eles a chamaram de SLYM, sigla em inglês para Subarachnoid Membrane Lymph Type (ou Membrana Subaracnoide do Tipo Linfático, em tradução livre).

O grupo de especialistas descreveu a estrutura como um componente desconhecido da anatomia do cérebro que atua como uma barreira protetora e uma plataforma para monitorar infecções e inflamações.

A descoberta, publicada no periódico especializado Science, foi feita por cientistas do Centro de Neuromedicina Translacional da Universidade de Rochester (EUA) e da Universidade de Copenhague (Dinamarca).

'Quarta meninge'

O cérebro é coberto por três membranas, chamadas de meninges: a pia-máter, a aracnóide e dura-máter. Esses tecidos criam uma barreira entre o sistema nervoso central e o resto do corpo.

Entre a pia-máter e a aracnoide, existe uma abertura conhecida como espaço subaracnoideo, que é preenchida com líquido cefalorraquidiano. Esse material flui dentro e ao redor do cérebro para ajudar a amortecê-lo e como uma fonte de nutrientes.

A nova estrutura recém-descoberta seria uma quarta membrana localizada dentro do espaço subaracnoideo, acima da pia-máter, que é a membrana mais interna.

Como explicam os pesquisadores, além de revestir o órgão, a SLYM parece ajudar a controlar o fluxo de líquido cefalorraquidiano para dentro e para fora do cérebro.

"Nossa hipótese é que a SLYM atue como uma barreira entre o líquido cefalorraquidiano 'limpo', que entra no cérebro, e o 'sujo', que sai do órgão, arrastando resíduos de proteínas com ele", explica a neurocientista Virginia Plá Requena, do Centro de Neuromedicina Translacional da Universidade de Copenhague e uma das autoras do estudo.

"Consequentemente, a deterioração dessa membrana dificultaria a limpeza do cérebro o que, por sua vez, afetaria a função neuronal", acrescenta.

— Foto: BBC
— Foto: BBC

De fato, os pesquisadores acreditam que a descoberta da SLYM representa um novo nível de organização na circulação do líquido cefalorraquidiano.

Segundo eles, a presença da nova membrana parece confirmar o papel sofisticado que esse fluido desempenha na manutenção das defesas imunológicas do cérebro e no transporte e na eliminação de resíduos tóxicos.

Grande parte desse "lixo tóxico" tem sido associado a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outras enfermidades que afetam o sistema nervoso central.

'Mesotélio do cérebro'

Os cientistas explicaram que a SLYM é uma espécie de mesotélio, um tipo de membrana que recobre outras partes do corpo, como os pulmões e o coração.

Esses tecidos protegem os órgãos vitais e armazenam células imunológicas.

Os pesquisadores americanos e dinamarqueses sugerem que a SLYM é o mesotélio do sistema nervoso central, e reveste os vasos sanguíneos na cavidade que existe entre o cérebro e o crânio.

O tecido recém-descoberto também poderia atuar como um lubrificante nessa cavidade.

"Pulsações fisiológicas induzidas pelo sistema cardiovascular, pela respiração e por mudanças na posição da cabeça movem constantemente o cérebro dentro da cavidade craniana", explicam os pesquisadores.

"Como outros mesotélios, a SLYM pode reduzir o atrito entre o cérebro e o crânio durante esses movimentos", complementam.

A membrana foi descrita pela primeira vez em camundongos, mas os pesquisadores dizem que mais tarde foram capazes de detectá-la também em cérebros humanos doados para pesquisa.

Eles explicam que não foi possível observá-la antes porque o material se desintegra quando o cérebro é extraído do crânio durante as autópsias.

Além disso, dizem eles, trata-se de uma membrana muita fina — com apenas algumas células de espessura — que não pode ser vista em pessoas vivas por meio de exames de imagem convencionais.

Os resíduos das células cerebrais incluem a chamada proteína beta-amilóide, que pode estar envolvida com a doença de Alzheimer — Foto: BBC
Os resíduos das células cerebrais incluem a chamada proteína beta-amilóide, que pode estar envolvida com a doença de Alzheimer — Foto: BBC

Sistema glinfático

Há dez anos, a mesma equipe de neurocientistas das universidades de Rochester e de Copenhague transformou a compreensão dos processos e da mecânica do cérebro ao publicar a descoberta do chamado sistema glinfático.

Eles descreveram a descoberta como um mecanismo cuja função é eliminar ou limpar os resíduos que se acumulam no cérebro.

Esse material inclui as proteínas beta-amilóide e TAU, que parecem estar envolvidas na doença de Alzheimer e se acumulam no cérebro dos pacientes acometidos por esse tipo de demência.

Desde então, várias equipes de especialistas vêm realizando estudos para desvendar exatamente como funciona o sistema glinfático, por que ele falha algumas vezes e o que acontece no cérebro desses indivíduos acometidos pelo problema.

Os acadêmicos acreditam que a descoberta da membrana SLYM pode ter implicações importantes para a compreensão das funções exatas do sistema glinfático.

E isso, por sua vez, abriria as portas para novas pesquisas, que podem monitorar essa estrutura e observar sinais de infecção ou de inflamação por trás das doenças do sistema nervoso central.

Os pesquisadores sugerem, por exemplo, que a deterioração da membrana pode dificultar a remoção de resíduos tóxicos que contribuem para as placas que levam ao Alzheimer.

Essa estrutura também desempenharia um papel na defesa do cérebro, impedindo que células imunes estranhas entrem em contato com a população nativa de células cerebrais, o que contribuiria para a inflamação e a progressão do declínio cognitivo.

Nos próximos anos, pesquisas serão feitas para determinar as implicações da existência da SLYM.

Mas, como garante a neurocientista Virginia Plá, entender como essa membrana funciona pode ser a chave para a criação de novos tratamentos, como remédios que possam atravessar a barreira hematoencefálica e agir diretamente no cérebro.

Além disso, devido à sua localização, a estrutura recém-descoberta poderia ser "um elemento-chave em processos inflamatórios, como os que ocorrem em traumatismos cranianos, meningites e esclerose múltipla".

"Finalmente, saber como essa membrana muda em resposta à neurodegeneração ou ao envelhecimento pode ser essencial para as intervenções que tentam preservar a função cognitiva", completa a pesquisadora.

O professor Jordi Vilaplana, do Departamento de Bioquímica e Fisiologia da Universidade de Barcelona, na Espanha, considera que a possível presença dessa membrana "é muito interessante".

"Trata-se de mais um elemento na compreensão do funcionamento do sistema glinfático, sobre o qual ainda permanecem algumas dúvidas sobre a estrutura e o funcionamento dele", afirma o pesquisador, que não esteve envolvido diretamente no estudo.

"No entanto, do meu ponto de vista, a principal revolução é a descoberta do próprio sistema glinfático e seu possível envolvimento com as doenças neurodegenerativas", conclui o especialista.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

De onde vem o que eu como: queijo nasceu em estômago de animais e hoje tem concurso mundial, g1 foi conferir

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Brasil tem queijo tombado pelo patrimônio histórico, que tem que ser feito igual na época da colônia. Produção do laticínio envolve repouso de até mais de um ano em cavernas subterrâneas.
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Por Vivian Souza e Celso Tavares, g1

Postado em 20 de janeiro de 2023 às 15h00m

 #.*Post. - N.\ 10.642*.#

De onde vem o que eu como: queijo
De onde vem o que eu como: queijo

O queijo é um daqueles alimentos que ficam bons com quase qualquer coisa e existem vários tipos diferentes do laticínio. O Brasil é o quinto maior produtor do mundo e realiza até concurso internacional. O g1 foi acompanhar a competição em São Paulo e mostra para você o que faz um queijo vencedor.

O queijo tem um início curioso. Ele teria surgido a partir do armazenamento do leite em estômagos de animais, quando o ser humano fazia longas viagens e atravessava desertos. A fermentação no sistema digestivo desses bichos ajudou a massa a se separar do soro, surgindo o queijo.

Desde então, o produto foi se desenvolvendo cada vez mais. Hoje, existem os queijos industrializados, feitos com leite pasteurizado, como a muçarela vendida em supermercados.

Há também os artesanais, que são aqueles que podem ser feitos com leite cru, não usam maquinários e têm maior presença do mestre queijeiro. Eles podem ficar maturando por meses e até ultrapassar um ano em cavernas. O g1 foi ver de perto a produção deles e mostra o que acontece até mesmo antes da ordenha.

Quer saber mais sobre o queijo e como os artesanais são produzidos? Assista ao vídeo no topo da reportagem!

Queijo Minas Artesanal no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1
Queijo Minas Artesanal no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1

  • Coordenação editorial: Luciana de Oliveira 
  • Edição e finalização: Marih Oliveira
  • Narração: Giaccomo Voccio
  • Reportagem: Vivian Souza
  • Roteiro: Vivian Souza, Tatiana Caldas e Marih Oliveira
  • Coordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana Mendicelli
  • Coordenação de arte: Guilherme Gomes
  • Direção de arte e ilustrações: Luisa Blanco, Wagner Magalhães, Gabs e Vitoria Coelho
  • Fotografia: Celso Tavares, Marcos Serra Lima e Gustavo Wanderley
  • Motion: Vitória Coelho
  • Motorista: Ricardo Américo
  • Agradecimento: Talho Café
Queijo no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1
Queijo no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1


Queijos para avaliação de jurados no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1
Queijos para avaliação de jurados no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1


Queijo para avaliação dos jurados no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1
Queijo para avaliação dos jurados no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1


Jurados avaliam queijos no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1
Jurados avaliam queijos no II Concurso Mundial do Queijo no Brasil — Foto: Celso Tavares / g1


Queijos sendo virados nas cavernas de maturação do Queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Queijos sendo virados nas cavernas de maturação do Queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1


Queijo Mandala, de casca lavada, do Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Queijo Mandala, de casca lavada, do Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1


Mofo crescendo no queijo no queijo Cuestinha, no Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Mofo crescendo no queijo no queijo Cuestinha, no Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1


Sala de queijaria do Queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Sala de queijaria do Queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1


Ordenha com bezerro ao pé, da produção do queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Ordenha com bezerro ao pé, da produção do queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1


Ordenha de vacas para produção do queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
Ordenha de vacas para produção do queijo Pardinho Artesanal — Foto: Celso Tavares / g1
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'Big techs' demitem mais de 50 mil pessoas em 3 meses

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Google, Microsoft, Meta, Amazon e Twitter anunciaram demissão nos últimos meses. O cenário econômico enfraquecido e a queda no número de anúncios explicam o mau momento.
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Por g1

Postado em 20 de janeiro de 2023 às 11h55m

 #.*Post. - N.\ 10.641*.#

Google, Meta e Microsoft vivem mau momento no mercado de ações — Foto: Reuters
Google, Meta e Microsoft vivem mau momento no mercado de ações — Foto: Reuters

O Google anunciou nesta sexta-feira (20) a demissão em massa de 12 mil funcionários em todo o mundo, o que representa 6% de sua força de trabalho, segundo a agência Reuters.

O anúncio vem dois dias depois de a Microsoft também oficializar o corte de 10 mil pessoas. Em apenas três meses, as grandes empresas de tecnologia já desligaram mais de 50 mil colaboradores.

A desaceleração macroeconômica e a queda na receita com propaganda explicam o cenário negativo.

Veja quem demitiu e quantos foram desligados:

O que explica esse cenário

Analistas veem uma combinação de menos vendas, com o declínio da pandemia, e menos anúncios, dada a atual situação econômica dos Estados Unidos.

"Muitas dessas empresas cresceram em 2020 e aí depois houve a queda. No auge da pandemia, a digitalização aumentou. Todo mundo estava em casa, muitos recebem auxílio do governo e as pessoas gastaram mais online", explica ao g1 Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação e professor convidado da FGV.

"As big techs precisavam de pessoas para suportar a demanda, mas esse crescimento não se manteve após a flexibilização do isolamento causado pela Covid", completa.

As "big techs", como são conhecidas Apple, Microsoft, Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp), Alphabet (dona do Google) e Amazon — vivem um mau momento. Nos últimos 12 meses, elas perderam juntas quase US$ 4 trilhões em valor de mercado.

Os dados são de um levantamento feito por Einar Rivero, do TradeMap, a pedido do g1, comparando os valores de mercado no último dia 4 com os de 1 ano atrás.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Novo mapa da Via Láctea revela mais de 3,3 bilhões de objetos e detalhes inéditos da nossa galáxia

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Catálogo pode ser considerado o maior do tipo até então.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 19 de janeiro de 2023 às 13h50m

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Detalhe do novo mapa da Via Láctea que revelou mais de 3,3 bilhões de objetos celestes. — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA
Detalhe do novo mapa da Via Láctea que revelou mais de 3,3 bilhões de objetos celestes. — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA

Uma nova imagem com detalhes sem precedentes da Via Láctea foi lançada nesta quinta-feira (19) para marcar a segunda fase de uma das maiores pesquisas de rastreio da galáxia da qual o nosso Sistema Solar faz parte (veja um extrato da imagem acima).

Como resultado do levantamento gigantesco, que levou dois anos para ser concluído, cerca de 3,32 bilhões de objetos foram identificados, o que pode ser considerado o maior catálogo do tipo até então.

Por causa desse número hercúleo, um link foi divulgado para que astrônomos e o público possam explorar em detalhes todo o conjunto de dados, que cobre desde berçários de estrelas até nuvens de poeira e gás.

O estudo, que produziu mais de 10 terabytes de informação, foi encabeçado pela Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF), e utilizou dados da Câmera de Energia Escura do Observatório Interamericano Cerro Tololo (CTIO) do Chile.

Localizado nos Andes, a mais de 2.200 metros de altitude, o CTIO é um dos mais poderosos complexos de telescópios astronômicos do mundo e, justamente por causa dessa sua posição, seus instrumentos fornecem a astrônomos uma visão privilegiada do céu do Hemisfério Sul.

"Imagine uma foto de grupo de mais de três bilhões de pessoas e cada indivíduo é reconhecível!", disse Debra Fischer, diretora da divisão de Ciências Astronômicas da NSF.

"Os astrônomos vão se debruçar sobre este retrato detalhado de mais de três bilhões de estrelas da Via Láctea até as próximas décadas".

Telescópio Víctor M. Blanco, um dos observatórios do complexo Interamericano Cerro Tololo, no Chile. — Foto: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/D. Munizaga
Telescópio Víctor M. Blanco, um dos observatórios do complexo Interamericano Cerro Tololo, no Chile. — Foto: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/D. Munizaga

Em 2017, o mesmo grupo de pesquisadores divulgou o primeiro conjunto de dados da pesquisa, mas, na época, "apenas" 2 bilhões de objetos foram mapeados.

Nesta quarta (18), em um comunicado, os cientistas informaram que, desta vez, mais de 21.400 exposições individuais do céu do Hemisfério Sul foram feitas para capturar o plano galáctico.

Com isso, os cientistas afirmam que conseguiram catalogar cerca de 6,5% de todo o céu noturno.

Versão comprimida da imagem mostra toda a região catalogada.  — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA
Versão comprimida da imagem mostra toda a região catalogada. — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA

“Uma das principais razões para o sucesso [desse projeto] é que simplesmente apontamos para uma região com uma densidade extraordinariamente alta de estrelas e tivemos o cuidado de identificar fontes que aparecem quase umas sobre as outras”, disse Andrew Saydjari, aluno de pós-graduação da Universidade de Harvard e principal autor do estudo, publicado nesta semana no Astrophysical Journal Supplement.

"Fazer isso nos permitiu produzir o maior catálogo de todos os tempos a partir de uma única câmera, em termos do número de objetos observados", acrescentou Saydjari.

Cientistas divulgam imagem inédita de buraco negro no centro da Via LácteaCientistas divulgam imagem inédita de buraco negro no centro da Via Láctea

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Desemprego recua para 8,1% em novembro

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Foi a menor taxa de desocupação desde o trimestre encerrado em abril de 2015; número de desocupados é o menor desde junho de 2015.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 19 de janeiro de 2023 às 10h00m

 #.*Post. - N.\ 10.639*.#

Desempregados se aglomeram em fila do lado de fora de escritório de seguro-desemprego em Santiago, o Chile, em 29 de maio — Foto: Reuters/Ivan Alvarado
Desempregados se aglomeram em fila do lado de fora de escritório de seguro-desemprego em Santiago, o Chile, em 29 de maio — Foto: Reuters/Ivan Alvarado

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,1% em novembro. Foi a menor taxa de desocupação desde o trimestre encerrado em abril de 2015, que registrou a mesma taxa.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo IBGE.

Com isso, a taxa recuou 0,9 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em agosto (8,9%) e 3,5 pontos percentuais na comparação com novembro de 2021 (11,6%).

A população desocupada estava em 8,7 milhões de pessoas em novembro, recuo de 9,8% (menos 953 mil pessoas) frente ao trimestre terminado em agosto e de 29,5% (menos 3,7 milhões de pessoas desocupadas) na comparação com novembro de 2021. Trata-se do menor contingente desde o trimestre encerrado em junho de 2015.

Taxa vem caindo há 6 trimestres, diz IBGE

De acordo com o IBGE, "a taxa de desocupação vem caindo de forma significativa há seis trimestres móveis consecutivos".

Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, explica que a retração em novembro é explicada pelo aumento de 0,7% na ocupação no período - acréscimo de 680 mil pessoas no mercado de trabalho -, que novamente atingiu o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

“Embora o aumento da população ocupada venha ocorrendo em um ritmo menor do que o verificado nos trimestres anteriores, ele é significativo e contribui para a queda na desocupação”, explica a pesquisadora.

Beringuy acrescenta que as quedas sucessivas na taxa de desocupação também foram um reflexo do aumento no número de ocupados, em um movimento de recuperação do mercado de trabalho observado desde 2021.

“A partir desse momento, houve essa expansão da população ocupada, primeiramente dos trabalhadores informais e, depois, do emprego com carteira assinada nos mais diversos grupamentos de atividades, como comércio e indústria. Mais recentemente, também houve aumento nos serviços, que exercem um papel importante na recuperação da população ocupada no país”, diz.

Com o aumento do número de trabalhadores, o nível da ocupação (percentual de ocupados na população em idade de trabalhar) foi estimado em 57,4%, variação de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre encerrado em agosto (57,1%).

Alta vem dos 'com carteira'

O principal impacto para o aumento da ocupação veio dos empregados com carteira assinada no setor privado, que cresceu 2,3% (ou 817 mil pessoas) em relação a agosto. No ano, esse contingente subiu 7,5%, 2,6 milhões de pessoas a mais.

“Desde o segundo semestre de 2021, observamos o crescimento dessa categoria. É um registro importante, uma vez que não apenas indica o aumento do número de trabalhadores, mas também sinaliza a redução na informalidade da população ocupada”, diz a coordenadora.

Informalidade cai

De acordo com o IBGE, a taxa de informalidade ficou em 38,9%, a menor desde o trimestre encerrado em novembro de 2020 e queda de 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em agosto. No período, o IBGE contabilizou 38,8 milhões de trabalhadores informais.

A queda veio dos seguintes fatores:

  • O número de empregados sem carteira no setor privado ficou estável frente ao trimestre anterior - eram 13,3 milhões de pessoas em novembro. Mas, comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, houve aumento de 9,3% (ou 1,1 milhão de pessoas)
  • Empregadores sem CNPJ ficaram estáveis frente ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2021
  • Trabalhadores por conta própria sem CNPJ tiveram queda de 2,9% frente ao trimestre anterior (menos 563 mil pessoas) e de 4,1% em relação ao trimestre terminado em novembro de 2021 (menos 796 mil)

“Houve uma expansão do emprego com carteira de trabalho e também uma retração do trabalhador por conta própria, que responde por parte significativa do trabalho informal. A queda nesse número acabou influenciando a taxa de informalidade”, explica Adriana.

Número de desalentados cai

A pesquisa registrou queda de 203 mil pessoas entre os desalentados, redução de 4,8%. Em novembro, esse contingente de trabalhadores era estimado em 4,1 milhões.

A população desalentada é definida como aquela desistiu de procurar trabalho e está fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não consegue trabalho adequado, ou não tem experiência ou qualificação, ou é considerado muito jovem ou idosa, ou porque não há trabalho na região – e que, se tivesse oferta de trabalho, estaria disponível para assumir a vaga.

Já entre aqueles que não estavam ocupados nem procuravam uma vaga no mercado, mas tinham potencial para se transformarem em força de trabalho (força de trabalho potencial), eram 454 mil pessoas a menos - queda de 5,8%.

A população fora da força de trabalho cresceu 1% no trimestre, o que representa 660 mil pessoas a mais.

Rendimento cresce

O rendimento médio real (descontada a inflação) foi estimado em R$ 2.787, aumento de 3% em relação ao trimestre encerrado em agosto. Quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 7,1%.

A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) também cresceu nas duas comparações e chegou a R$ 273 bilhões, novamente atingindo recorde na série histórica da pesquisa. Frente ao trimestre terminado em agosto, o aumento foi de 3,8%, ou mais R$ 10,1 bilhões.

“A massa de rendimento vem crescendo ao longo do ano. No trimestre encerrado em novembro, o crescimento foi influenciado simultaneamente pela expansão no número de trabalhadores e pelo aumento do rendimento médio real”, destaca Adriana. Na comparação com o mesmo trimestre de 2021, houve aumento de 13%, um acréscimo de R$ 31,4 bilhões.

O rendimento médio real habitual cresceu em relação a agosto nas seguintes categorias:

  • Construção (7,5%, ou mais R$ 156)
  • Transporte, armazenagem e correio (5,9%, ou mais R$ 152)
  • Alojamento e alimentação (5,7%, ou mais R$ 96)
  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,6%, ou mais R$ 134)

Entre as modalidades de ocupação, houve aumento nas seguintes categorias:

  • Empregado com carteira de trabalho assinada (2,1%, ou mais R$ 55)
  • Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) (2,6%, ou mais R$ 106)
  • Conta própria (6,1%, ou mais R$ 128)
Setores com maior contratação

Em relação aos grupamentos de atividades, os maiores aumentos de trabalhadores foram nos setores de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, além de Transporte, armazenagem e correio. Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais vem em seguida, com destaque para os segmentos de saúde e educação.

O setor comercial, que costuma oferecer mais oportunidades de trabalho com a proximidade das festas de fim de ano, foi um dos que não avançaram significativamente na comparação com o trimestre anterior. Além do comércio, os outros grupamentos de atividades pesquisados também ficaram estáveis no trimestre. Veja abaixo:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: 2,6% (mais 307 mil trabalhadores)
  • Transporte, armazenagem e correio: 2,5% (mais 129 mil)
  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 1,8% (mais 319 mil)
  • Outros serviços: 1,7% (mais 92 mil)
  • Indústria geral: 1,3% (mais 165 mil)
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 0,1% (mais 11 mil)
  • Serviços domésticos: 0,1% (mais 7 mil)
  • Construção: -1% (menos 73 mil)
  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: -1,7% (menos 147 mil)
  • Alojamento e alimentação: -2,4% (menos 130 mil)
Resumo da Pnad de novembro de 2022

Veja os principais números do mercado de trabalho divulgados pelo IBGE:

  • A população desocupada (8,7 milhões de pessoas) recuou 9,8% (menos 953 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 29,5% (menos 3,7 milhões de pessoas desocupadas) na comparação anual. É o seu menor contingente desde o trimestre móvel encerrado em junho de 2015.
  • A população ocupada (99,7 milhões) foi recorde da série iniciada em 2012, com alta de 0,7%
  •  ante o trimestre anterior e de 5,0% (mais 4,8 milhões) no ano.
  • O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), estimado em 57,4%, variou 0,3 p.p. frente ao trimestre anterior (57,1%) e subiu 2,2 p.p. ante igual trimestre de 2021 (55,1%).
  • A taxa composta de subutilização (18,9%) caiu 1,6 ponto percentual no trimestre (20,5%) e 6,1 p.p. no ano (25,0%).
  • A população subutilizada (21,9 milhões de pessoas) caiu 8,4% frente ao trimestre anterior e 24,6% na comparação anual.
  • A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (5,8 milhões) caiu 9,4% (menos 597 mil pessoas) no trimestre e 23,7% (menos 1,8 milhão) no ano.
  • A população fora da força de trabalho (65,3 milhões de pessoas) cresceu 1,0% ante o trimestre anterior (mais 660 mil) e ficou estável na comparação anual.
  • A população desalentada (4,1 milhões de pessoas) caiu 4,8% em relação ao trimestre anterior (menos 203 mil pessoas) e 16,7% (menos 817 mil pessoas) na comparação anual.
  • O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada (3,6%) variou -0,2 p.p. no trimestre e caiu 0,7 p.p. no ano.
  • O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 36,8 milhões, subindo 2,3% (817 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 7,5% (mais 2,6 milhões de pessoas) na comparação anual.
  • O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,3 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e cresceu 9,3% (1,1 milhão de pessoas) no ano.
  • O número de trabalhadores por conta própria (25,5 milhões de pessoas) caiu 1,4% ante o trimestre anterior (menos 370 mil pessoas) e ficou estável no ano.
  • O número de trabalhadores domésticos (5,9 milhões de pessoas) ficou estável no confronto com o trimestre anterior e cresceu 4,5% (mais 255 mil pessoas) no ano.
  • O número de empregadores (4,3 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre anterior e subiu 12,0% (466 mil pessoas) na comparação anual.
  • O número de empregados no setor público (12,3 milhões de pessoas) também ficou estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 8,8% na comparação anual (mais 993 mil).
  • A taxa de informalidade foi de 38,9% da população ocupada (ou 38,8 milhões de trabalhadores informais) contra 39,7% no trimestre móvel encerrado em agosto e 40,6% no mesmo tri de 2021.
  • O rendimento real habitual (R$ 2.787) cresceu 3,0% no trimestre e 7,1% no ano.
  • A massa de rendimento real habitual (R$ 273 bilhões) cresceu 3,8% frente ante o trimestre anterior e 13,0% na comparação anual.
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