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quinta-feira, 17 de março de 2022

Banco Central: 'prévia' do PIB recua 0,99% em janeiro, maior queda desde março de 2021

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Resultado foi divulgado nesta quinta (17) pelo BC. Nos últimos 12 meses até janeiro, indicador do nível de atividade econômica registrou crescimento de 4,73%.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 17 de março de 2022 às 10h15m

Post.- N.\ 10.248

O Banco Central informou nesta quinta-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-BR), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou recuo de 0,99% em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2021.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2021, a economia brasileira registrou crescimento de 4,6%.

O resultado divulgado nesta quinta representa:

  • maior tombo do nível de atividade desde março de 2021, quando recuou 1,67%;
  • primeiro recuo mensal do indicador desde setembro do ano passado.

A queda divulgada nesta quinta-feira foi calculada após ajuste sazonal, uma "compensação" para comparar períodos diferentes.

EVOLUÇÃO DO IBC-Br
Resultados na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal)

Em %

5,075,073,263,262,082,081,441,441,41,4-0,31-0,310,180,180,540,541,61,6-1,67-1,670,270,270,060,060,170,17-0,11-0,110,110,11-0,57-0,570,060,060,470,470,320,32-0,99-0,99JUN/20JUL/20AGO/20SET/20OUT/20NOV/20DEZ/20JAN/21FEV/21MAR/21ABR/21MAI/21JUN/21JUL/21AGO/21SET/21OUT/21NOV/21DEZ/21JAN/22-4-20246
Fonte: Banco Central

Comparações

Na comparação com janeiro do ano passado, informou o Banco Central, o indicador do nível de atividade divulgado nesta quinta registrou estabilidade (+0,01%).

Ainda de acordo com o Banco Central, o indicador apresentou crescimento de 4,73% em 12 meses até janeiro. Nesse caso, foi calculado sem ajuste sazonal.

Com a queda em janeiro, o índice de atividade do BC atingiu 138,48 pontos, menor patamar desde dezembro de 2020, quando estava em 138,18 pontos.

Nível de atividade

O indicador do nível de atividade é divulgado em meio à desaceleração da economia, fruto da alta da inflação e da taxa básica de juros da economia, além da guerra na Ucrânia - que impacta a atividade mundial.

  • Para este ano, o mercado financeiro estima uma alta de 0,49%, com forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,6% de 2021.
  • Para o Ministério da Economia, o último número, divulgado em novembro do ano passado, indica um crescimento de 2,1% em 2022 - mas este valor deve ser revisado para baixo.
PIB X IBC-Br

O IBC-Br do Banco Central é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB, mas os resultados nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais divulgados pelo IBGE.

O cálculo dos dois é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Nesta semana, a taxa atingiu 11,75% ao ano, o maior nível em cinco anos, para tentar conter a alta de preços. Os analistas das instituições financeiras estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 12,75% no fim de 2022.

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quarta-feira, 16 de março de 2022

Nasa divulga imagem de nova fase de alinhamento do telescópio James Webb

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Segundo a agência espacial, equipamentos do Webb são tão sensíveis que além da estrela observada, outros corpos celestes puderam ser capturados.
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Por g1

Postado em 16 de março de 2022 às 16h25m

Post.- N.\ 10.247

Segundo a Nasa, o objetivo dessa fase era apenas focar na estrela brilhante ao centro da imagem para avaliação do alinhamento, mas os equipamentos do Webb são tão sensíveis que as galáxias e estrelas vistas ao fundo também aparecem. — Foto: NASA/STScI
Segundo a Nasa, o objetivo dessa fase era apenas focar na estrela brilhante ao centro da imagem para avaliação do alinhamento, mas os equipamentos do Webb são tão sensíveis que as galáxias e estrelas vistas ao fundo também aparecem. — Foto: NASA/STScI

A Nasa anunciou nesta quarta-feira (16) que o telescópio James Webb completou mais uma etapa chave de alinhamento do espelho primário do observatório e divulgou a imagem final do processo conhecido como "calibração fina".

Segundo a agência espacial americana, o objetivo dessa fase era apenas focar na estrela brilhante ao centro da imagem acima (chamada de 2MASS J17554042+6551277) para avaliação do alinhamento do telescópio, mas os equipamentos do Webb são tão sensíveis que as galáxias e outras estrelas vistas ao fundo também puderam ser observadas.

Com a conclusão dessa etapa de calibração fina, os cientistas da Nasa alinharam com sucesso o principal gerador de imagens do Webb, a Near-Infrared Camera (NIRCam), com os espelhos do observatório.

“Alinhamos totalmente e focamos o telescópio em uma estrela, e o desempenho está superando as especificações. Estamos empolgados com o que isso significa para a ciência”, disse Ritva Keski-Kuha, sub-gerente do Webb Optical Telescope Element no NASA Goddard Center. “Agora sabemos que construímos o telescópio certo.”

Nas próximas seis semanas, a equipe do James Webb finalizará as etapas restantes do alinhamento do telescópio e de seus instrumentos.

Segundo a Nasa, nesta fase do processo, um algoritmo avaliará o desempenho de cada instrumento e, em seguida, calculará as correções finais necessárias. Depois disso, a etapa final de alinhamento do Webb começará e a equipe ajustará quaisquer pequenos erros de posicionamento residuais nos segmentos espelhados.

Uma lente especial dentro da NIRCam também tirou uma "selfie" dos segmentos de espelho do Webb. Segundo a Nasa, os segmentos estão brilhantes pois todos estão coletando luz da mesma estrela ao mesmo tempo. — Foto: NASA/STScI
Uma lente especial dentro da NIRCam também tirou uma "selfie" dos segmentos de espelho do Webb. Segundo a Nasa, os segmentos estão brilhantes pois todos estão coletando luz da mesma estrela ao mesmo tempo. — Foto: NASA/STScI

A expectativa é de que o alinhamento completo seja concluído até o início de maio ou até mesmo antes disso e que as primeiras imagens de alta resolução de Webb sejam divulgadas no verão americano (entre junho e setembro).

Entenda a importância do telescópio James Webb

O James Webb irá permitir aos astrônomos, literalmente, enxergar coisas no Universo que eles não conseguiam ver antes – como as primeiras galáxias que surgiram nele.

Isso é possível por dois motivos: o primeiro é que o James Webb é muito grande: seu espelho primário tem 6,5m de diâmetro (quase 3 vezes maior que o do telescópio Hubble, seu antecessor).

O segundo é que ele consegue enxergar em infravermelho. O Hubble só enxergava uma faixa limitada desse comprimento de onda.

Como a luz infravermelha tem um comprimento de onda mais longo que os outros, o James Webb vai conseguir olhar mais para trás no tempo – e enxergar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo.

É como olhar para o passado.

(VÍDEO: Entenda abaixo qual a importância e como funcionará o Telescópio Espacial James Webb.)

Entenda a importância do telescópio James Webb, lançado neste sábado (25) pela NasaEntenda a importância do telescópio James Webb, lançado neste sábado (25) pela Nasa
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terça-feira, 15 de março de 2022

Os vírus que ficam 'escondidos' no corpo e podem causar problemas depois de décadas

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Alguns patógenos podem ficar no organismo por bastante tempo e se aproveitar de falhas no sistema imune para nos deixar doentes de novo. Mas quais são eles? E o novo coronavírus pode ser desse grupo?
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de março de 2022 às 09h45m

Post.- N.\ 10.246

Alguns vírus conseguem se integrar em nosso genoma, enquanto outros ficam apenas 'escondidos' nas células — Foto: Reprodução
Alguns vírus conseguem se integrar em nosso genoma, enquanto outros ficam apenas 'escondidos' nas células — Foto: Reprodução

Se os vírus pudessem ser definidos por uma única característica, a objetividade seria uma boa opção. Afinal, sua meta é bem simples: invadir as células de um ser vivo e usá-las para criar novas cópias de si mesmo, que vão repetir esse processo.

Geralmente, o rito de invasão e replicação se prolonga por alguns dias, e o sistema imunológico consegue lidar com o problema ou o quadro evolui para uma situação mais séria, com risco de morte.

Mas há um grupo de vírus que dá um passo além. Logo após a infecção inicial, eles conseguem ficar escondidos em algum canto do organismo.

Essa fase pode durar meses, anos ou até décadas, e só acaba quando as células de defesa deixam de funcionar como o esperado. Daí, a infecção reaparece e volta a causar problemas de saúde.

E esse grupo tem diversos representantes bem conhecidos, que vão do HIV, o causador da Aids, até os herpes simples 1 e 2, que provocam feridas no canto da boca e na região genital.

Mas como eles conseguem passar despercebidos? E como ressurgem depois de tanto tempo? Será que com o Sars-CoV-2, o coronavírus responsável pela covid-19, pode ser assim?

Um apêndice (ou uma edição) no livro da vida

Basicamente, existem quatro caminhos para um vírus se esconder no corpo.

O primeiro deles é usado com frequência pela família herpes, que além dos vírus da herpes simples do tipo 1 e 2, inclui o varicela, que provoca a catapora, o Epstein-Barr, que está por trás da "doença do beijo", entre outros.

"Eles têm DNA como material genético e conseguem ficar dentro no núcleo das células, como um apêndice do nosso próprio código genético", explica o infectologista Décio Diament, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Vale lembrar aqui que o DNA é o conjunto de letras (conhecidas na Ciência como bases nitrogenadas) que compõem o genoma. Elas ficam "enfileiradas" em duas fitas, geralmente no formato clássico de dupla hélice.

"Esses vírus da família herpes ficam dormentes por muito tempo, sem se replicar com muita intensidade. Eles conseguem inibir as defesas internas das células e ficam 'invisíveis' para o sistema imunológico", complementa o médico, que também é consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O segundo mecanismo é usado comumente por outra família: os retrovírus, como o HIV e o HTLV.

É importante mencionar que essa dupla não possui DNA, mas, sim, RNA. Ou seja: as informações genéticas deles estão organizadas de forma mais simples, numa única fita de sequências de bases nitrogenadas.

Os retrovírus conseguem se fundir com nosso código genético. Essa integração acontece com mais frequência nos linfócitos T e nos macrófagos, duas peças importantes do sistema imunológico.

Mas como é que eles conseguem essa proeza, se falamos de vírus RNA e nós somos baseados em DNA?

Tanto o HIV quanto o HTLV possuem uma enzima chamada transcriptase reversa. Em resumo, ela consegue converter o código genético desses vírus de RNA para DNA. Com isso, eles são capazes de se incorporar no genoma humano e permanecer escondidos por muito tempo.

O DNA costuma ter o formato de dupla hélice — Foto: Science Photo Library
O DNA costuma ter o formato de dupla hélice — Foto: Science Photo Library

"Isso representa uma dificuldade enorme, porque não conseguimos eliminá-los nem com os medicamentos disponíveis", contextualiza o médico Estevão Portela Nunes, vice-diretor de serviços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (INI-FioCruz), no Rio de Janeiro.

Ou seja: o coquetel antirretroviral usado em pacientes infectados com o HIV até consegue inibir a replicação viral. Porém, se a pessoa deixa de tomar os remédios, há o risco de o HIV voltar à ativa novamente.

Santuários e outros mistérios

A terceira opção de esconderijo para alguns vírus são os chamados sítios imunoprivilegiados.

São regiões do organismo que o sistema imune não consegue acessar com tanta facilidade, como os testículos, os olhos e o sistema nervoso central (medula espinhal e cérebro).

A ação das células de defesa é limitada nesses locais para evitar que o processo inflamatório, que ocorre quando elas estão combatendo uma infecção, danifique estruturas mais sensíveis, caso dos nervos e do aparelho reprodutor.

Se, por um lado, isso representa uma forma de proteção do próprio corpo, por outro, cria uma espécie de "santuário" para alguns vírus prosperarem por um tempo a mais.

Trabalhos publicados nos últimos anos encontraram o zika e o ebola no sêmen de pacientes, por exemplo.

O imunologista Daniel Mucida, professor titular da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, pondera que o fato de o vírus ser encontrado no sêmen ou em outras partes do corpo não significa necessariamente que ele está ativo e pode causar problemas futuros.

"O impacto dessa persistência viral ainda não está clara", diz.

E, pelo que se sabe até o momento, a permanência dos vírus nos tais santuários não se prolonga por tanto tempo assim. Em alguns meses, mesmo com o acesso mais limitado, o sistema imunológico consegue eventualmente eliminar os invasores.

O ebola já foi detectado nos olhos e nos testículos de pacientes — Foto: Reuters
O ebola já foi detectado nos olhos e nos testículos de pacientes — Foto: Reuters

Há ainda um quarto grupo de vírus capazes de prolongar a estadia no organismo, mesmo fora dos sítios imunoprivilegiados.

"É o caso do vírus sincicial respiratório, que pode persistir nos pulmões e está associado com inflamações crônicas, principalmente em crianças, e do vírus chikungunya, que permanece nos músculos e nas articulações", exemplifica a imunologista Carolina Lucas, pesquisadora na Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Os cientistas ainda estão estudando porque isso acontece em alguns pacientes (e em outros não).

Tropeço imunológico

Embora possa parecer que todos esses vírus estão dormentes e não são mais motivo de preocupação, alguns deles "despertam" após alguns anos (ou décadas).

"Quando o sistema imunológico dá uma bobeada por algum motivo, esses patógenos podem ressurgir e causar problemas", esclarece Diament.

Essa "bobeada" varia de infecção para infecção. No caso do herpes simples, se o indivíduo infectado fica longas horas no sol ou está num momento de vida muito estressante, isso já pode ser suficiente para as lesões brotarem novamente.

Em outras situações, o próprio envelhecimento natural do organismo abre alas para que alguns agentes infecciosos retomem os trabalhos.

O exemplo clássico disso é o varicela-zóster, vírus que causa catapora (geralmente ainda na infância) e, depois, passa décadas escondido no organismo.

Mais para frente, após os 50 ou os 60 anos, esse patógeno pode ressurgir e provocar um quadro chamado de herpes-zóster ou cobreiro, marcado por lesões em formatos de bolhas bem dolorosas em uma faixa do corpo (geralmente no tronco ou no abdômen).

Hoje em dia, existe até uma vacina indicada para esses indivíduos mais velhos. No Brasil, ela está disponível apenas na rede privada.

O estudo que indica que vírus da 'doença do beijo' pode causar esclerose múltipla

O herpes-zóster é marcado pela reativação do vírus causador da catapora — Foto: Getty Images via BBC
O herpes-zóster é marcado pela reativação do vírus causador da catapora — Foto: Getty Images via BBC

E existem, claro, uma série de outras condições que prejudicam a ação do sistema imunológico e podem servir de oportunidade para os vírus.

"Isso inclui acidentes e traumas graves, cirurgias de grande porte, transplantes, tumores, tratamentos medicamentosos e outras infecções graves", lista Diament.

Nesses casos, os médicos já ficam de olho e podem fazer tratamentos para minimizar os danos.

Por fim, vale lembrar também que alguns patógenos estão relacionados a doenças que nem sempre têm a ver com as manifestações iniciais da infecção.

É o caso de alguns vírus da hepatite, que podem provocar câncer de fígado, do HPV, que está por trás de diversos tipos de tumores, e do Epstein-Barr, que recentemente foi associado à esclerose múltipla.

E o coronavírus?

Diante de uma diversidade tão grande de vírus, será que o Sars-CoV-2, o causador da covid-19, também poderia persistir após a infecção inicial?

Os especialistas consultados pela BBC News Brasil consideram improvável que ele tenha ou desenvolva essa capacidade.

"O Sars-CoV-2 é um vírus de RNA que não possui aquela enzima de transcriptase reversa, como o HIV. Portanto, ele não consegue se integrar ao nosso genoma", ensina o biólogo molecular Carlos Menck, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Ele também não possui DNA em sua constituição, como acontece com os vírus da família herpes, o que impede a persistência prolongada dele na célula.

"E os casos que vemos agora, de pessoas que estão com covid de novo, acontecem porque elas se infectaram com o coronavírus pela segunda vez, e não porque ele ficou escondido no organismo delas durante meses", esclarece o especialista.

"Se observamos qualquer coisa diferente disso com o Sars-CoV-2, será uma surpresa muito grande para nós", completa.

Mas como explicar então os casos de covid longa, em que indivíduos apresentam incômodos por meses, mesmo após se recuperarem dos primeiros incômodos?

Diament esclarece que esse fenômeno parece estar mais relacionado à resposta do sistema imunológico diante da invasão do coronavírus.

"Em alguns pacientes, a covid provoca um verdadeiro estrago que pode durar meses e se manifestar por meio de fadiga, dificuldade de concentração, perda de olfato…"

A covid longa está relacionada com a inflamação, mas especialistas não descartam a persistência de algumas partículas virais nesse processo — Foto: Getty Images via BBC
A covid longa está relacionada com a inflamação, mas especialistas não descartam a persistência de algumas partículas virais nesse processo — Foto: Getty Images via BBC

"Isso parece ser consequência do processo inflamatório que ocorre durante os primeiros dias de infecção. Em alguns casos, o sistema imune reage de forma violenta, e os efeitos disso podem se prolongar", explica o médico.

Luca e Mucida dizem, porém, que está descartada nestes casos a persistência de alguns componentes virais, como pedaços de proteína e de RNA, no organismo.

"Existem evidências que apontam para os dois lados, inclusive com a observação de RNA viral em regiões como o intestino de forma prolongada", apontam.

Resta saber se esses pedacinhos de vírus seriam capazes de manter o sistema imune em estado de vigília e provocar danos por semanas ou meses ou são apenas um achado sem nenhum efeito prático na saúde das pessoas.

Mas, como Portela Nunes, da FioCruz, ressalta, no caso da covid-19, já temos ao menos uma boa notícia: "A vacinação parece proteger ou minimizar esses incômodos de longo prazo".

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segunda-feira, 14 de março de 2022

Além da Guerra na Ucrânia: 7 conflitos sangrentos que ocorrem hoje no mundo

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Conflitos no Iêmen, Etiópia e Mianmar provocaram enorme sofrimento humano, mas nem sempre tiveram a mesma resposta internacional.
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TOPO
Por BBC

Postado em 14 de março de 2022 às 09h50m

Post.- N.\ 10.245

Uma guerra que já dura 16 meses na Etiópia deixou 900 mil pessoas em situação de fome — Foto: Reuters/ via BBC
Uma guerra que já dura 16 meses na Etiópia deixou 900 mil pessoas em situação de fome — Foto: Reuters/ via BBC

A guerra na Ucrânia vem causando uma mobilização internacional como poucas vezes se viu nas últimas décadas.

Mesmo sem nenhum país ter enviado tropas, a Ucrânia vem recebendo apoio militar, ajuda humanitária e manifestações de aliança de diversas partes do mundo.

Em questão de dias, os Estados Unidos e a Europa impuseram à Rússia um dos maiores pacotes de sanções internacionais já vistas contra outro país.

Nesta semana, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenzky se tornou o primeiro líder mundial a discursar no Parlamento britânico - por videoconferência -, onde foi ovacionado, como tem ocorrido em quase todas as participações de autoridades da Ucrânia em foros internacionais.

O conflito é a principal manchete de grande parte dos veículos de imprensa do mundo.

Estima-se que a guerra na Ucrânia, que ainda pode estar apenas no começo, já provocou centenas de mortes de civis e forçou 2 milhões de pessoas a fugirem de suas casas.

A situação humanitária da Ucrânia é preocupante e tem sido alertada por diversas organizações internacionais.

No entanto, quando comparada com outros conflitos que existem no mundo hoje, há mais mortes e sofrimento humano sendo causados em outras guerras que recebem menos atenção e ajuda internacional (confira mais abaixo nesta reportagem sete graves conflitos que recebem relativamente pouca atenção internacional).

É o caso do conflito do Iêmen, que já dura pelo menos 11 anos. Os números são chocantes: mais de 233 mil mortos e 2,3 milhões de crianças em desnutrição aguda. Falta água potável e atendimento médico à população.

A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica o Iêmen como a pior situação humanitária do mundo.

Também longe dos holofotes diplomáticos internacionais está uma guerra que começou em novembro de 2020 na Etiópia entre o governo central e um partido político na região de Tigré.

O conflito não tem sinais de que deve acabar em breve - e estima-se que mais de 9 milhões de etíopes precisam de algum tipo de ajuda humanitária. Há relatos de crimes de guerra, como chacina de civis e estupros em massa.

'Uns mais iguais que outros'

A eclosão da guerra na Ucrânia levou pessoas envolvidas em outros conflitos a questionarem o porquê de tamanha diferença no tratamento internacional dado aos eventos.

"Foi surpreendente em nosso continente perceber que nem todos os conflitos armados são tratados com a mesma falta de determinação que muitos dos combates na África recebem", escreveu o jornalista argelino-canadense Maher Mezahi ao comparar a repercussão do conflito da Ucrânia com outros na Etiópia e Camarões.

"Sim, [nos conflitos africanos] há declarações de preocupação e enviados internacionais em missões, mas nenhuma cobertura 24 horas, nenhuma declaração televisionada ao vivo de líderes globais e nenhuma oferta entusiasmada de ajuda."

"Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros."

Para a presidente da ONG International Crisis Group, Comfort Ero, é preocupante que haja tanto sofrimento humano no mundo hoje e esse problema deveria estar no topo da agenda internacional.

"É verdade que uma das preocupações em todo o mundo, e especialmente na África, é a percepção de que a rapidez da Europa e de seus aliados, especialmente os EUA, [em reagir à guerra na Ucrânia] sugere que um conflito na Europa seja levado mais a sério", disse Ero à BBC News Brasil.

A entidade monitora conflitos em todo o mundo e criou no começo deste ano uma lista de dez conflitos internacionais que precisam receber atenção internacional. Entre os listados, estão Iêmen, Etiópia, Haiti e Mianmar.

Mas mesmo a Crisis Group colocou a Ucrânia no topo da sua lista - entendendo que há riscos específicos na Ucrânia que fazem desse conflito uma ameaça à segurança global, mesmo que os números de mortos e pessoas em grave situação humanitária sejam menores do que em outras partes do mundo.

"Para a Crisis Group, a guerra na Ucrânia não é mais importante porque está na Europa. Cada morte, cada vítima, cada pessoa deslocada durante a guerra é uma tragédia, não importa onde isso ocorra. Mas dito isto, eu acredito que a guerra da Ucrânia tem o potencial de ser o perigo imediato mais grave para a paz e a segurança internacionais, e é provavelmente a violação mais grave da soberania de outro país desde pelo menos o Iraque", diz a presidente da ONG.

Confira abaixo sete conflitos que nem sempre aparecem com proeminência no noticiário, mas que têm provocado sofrimento humano em grande escala.

1. Etiópia

Conflito na Etiópia dura mais de um ano e causa enorme sofrimento — Foto: Reuters/ via BBC
Conflito na Etiópia dura mais de um ano e causa enorme sofrimento — Foto: Reuters/ via BBC

Uma guerra que já dura 16 meses na Etiópia deixou 900 mil pessoas em situação de fome, segundo estimativa do governo americano. Rebeldes que lutam no país dizem que mais de 9 milhões de etíopes necessitam de algum tipo de ajuda alimentar.

O conflito desencadeado em novembro de 2020 é um dos mais brutais no mundo atualmente, com relatos de assassinato de civis e estupros em massa, segundo a Anistia Internacional.

A base é uma disputa entre diferentes grupos étnicos que tentam conviver há quase 30 anos. Desde 1994, a Etiópia tem um sistema de governo federativo às vezes chamado de federalismo étnico, em que cada uma das dez regiões do país é controlada por diferentes grupos étnicos.

Uma delas é a região do Tigré, controlada por um partido político chamado de Frente de Libertação do Povo de Tigré - que é formado por pessoas desse grupo étnico. A Frente liderava uma coalizão de quatro partidos que governava a Etiópia desde 1991.

Sob esta coalizão, a Etiópia tornou-se mais próspera e estável, apesar de crescentes preocupações com direitos humanos e o nível de democracia. Esse descontentamento se transformou em protesto, levando a uma remodelação do governo em que o político Abiy Ahmed se tornou primeiro-ministro.

Abiy liberalizou a política, criou um novo partido (o Partido da Prosperidade) e removeu os principais líderes do governo acusados ​​de corrupção e repressão.

Abiy encerrou uma longa disputa territorial com a vizinha Eritreia e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2019 - sendo aclamado internamente.

No entanto, os políticos de Tigré viam as reformas de Abiy como uma tentativa de centralizar o poder e destruir o sistema federativo da Etiópia.

Em 2020, o Tigré realizou eleições locais que foram consideradas ilegais por Abiy. Em novembro daquele ano, o conflito eclodiu.

Soldados da Eritreia aliados do governo etíope também estão lutando em Tigré. Ambos os lados do conflito foram acusados ​​de atrocidades. Por ora, não há sinais de que o conflito possa chegar a um fim, já que não há sequer negociações em andamento.

2. Iêmen

ONU diz que situação no Iêmen é o pior desastre humanitário atual — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC
ONU diz que situação no Iêmen é o pior desastre humanitário atual — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC

A ONU diz que a guerra no Iêmen resultou em níveis chocantes de sofrimento e causou o pior desastre humanitário do mundo.

O conflito já produziu 233 mil mortes, incluindo 131 mil por causas indiretas, como falta de alimentos, serviços de saúde e infraestrutura. Mais de 10 mil crianças morreram como consequência direta dos combates.

Quatro milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas e mais de 20,7 milhões (71% da população do país) precisam de alguma forma de assistência humanitária ou proteção para sua sobrevivência.

Segundo a ONU, 5 milhões de iemenitas estão à beira da fome e quase 50 mil já estão passando por condições semelhantes à fome. Estima-se que 2,3 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda, incluindo 400 mil que correm o risco de morrer sem tratamento, segundo a ONU.

Com apenas metade das 3,5 mil instalações médicas do país em pleno funcionamento e 20% dos distritos sem médicos, quase 20 milhões de pessoas não têm acesso a cuidados de saúde adequados. Uma em cada duas pessoas também não tem acesso a água potável.

O conflito tem suas raízes no fracasso de um processo político que deveria trazer estabilidade ao Iêmen após a Revolução Iemenita de 2011 - que foi parte da Primavera Árabe - que forçou o presidente autoritário de longa data, Ali Abdullah Saleh, a entregar o poder a seu vice, Abdrabbuh Mansour Hadi.

Como presidente, Hadi lutou contra diversos problemas, incluindo ataques de jihadistas, um movimento separatista no sul, a lealdade contínua do pessoal de segurança a Saleh, além de corrupção, desemprego e insegurança alimentar.

O movimento Houthi - conhecido formalmente como Ansar Allah (Partidários de Deus) - aproveitou-se da fraqueza do novo presidente.

Os houthis, que defendem a minoria muçulmana xiita Zaidi do Iêmen e combateram uma série de rebeliões contra Saleh durante a década anterior, tomaram o controle de sua região central do norte da província de Saada no início de 2014 e começaram a avançar para o sul. Desiludidos com o governo, muitos iemenitas comuns - incluindo sunitas - os apoiaram e no final de 2014 os rebeldes começaram a tomar a capital, Sanaa.

O que acontece no Iêmen pode exacerbar muito as tensões regionais. Também preocupa o Ocidente por causa da ameaça de ataques - como da Al-Qaeda ou de afiliadas do Estado Islâmico - que emanam do país à medida que se torna mais instável.

Os houthis e as forças de segurança leais a Saleh - que supostamente apoiaram seus antigos inimigos em uma tentativa de recuperar o poder - tentaram assumir o controle de todo o país, forçando Hadi a fugir para o exterior em março de 2015.

Outros países da região - as potências regionais rivais Irã e Arábia Saudita - se envolveram no conflito.

Alarmados com a ascensão de um grupo que eles acreditavam ser apoiado militarmente pelo poder regional xiita e rival Irã, Arábia Saudita e outros oito Estados árabes majoritariamente sunitas começaram uma campanha aérea com o objetivo de derrotar os houthis, acabar com a influência iraniana no Iêmen e restaurar o governo de Hadi.

A coalizão recebeu apoio logístico e de inteligência dos EUA, Reino Unido e França.

Analistas esperavam que a guerra durasse poucas semanas, mas ela já se arrasta há oito anos, e nos últimos anos houve um escalonamento da violência.

3. Mianmar

Protestos em Mianmar atingiram o ponto de uma guerra civil, para alguns analistas — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC
Protestos em Mianmar atingiram o ponto de uma guerra civil, para alguns analistas — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC

Mianmar é outra região que enfrenta tensões políticas e étnicas há anos - e muitos analistas dizem que o país vive uma guerra civil. A violência lá aumentou nos últimos meses.

Os militares do Tatmadaw (Exército) deram um golpe em Mianmar e assumiram o controle do país em 1º de fevereiro de 2021, após uma eleição geral vencida por ampla margem pelo partido da líder Aung San Suu Kyi (NLD).

Ativistas da oposição formaram uma campanha incitando a desobediência civil, com greves e protestos em massa contra o golpe. Os militares usaram violência para dispersar os movimentos. E a desobediência civil aumentou, atingindo o ponto de uma guerra civil de verdade.

Milícias locais que se autodenominam Forças de Defesa do Povo atacaram comboios militares e assassinaram autoridades.

O comandante-chefe militar Min Aung Hlaing assumiu o poder. Ele recebeu condenação e sanções internacionais por seu suposto papel nos ataques dos militares às minorias étnicas. Os militares prometem que realizarão uma eleição "livre e justa" assim que o estado de emergência em Mianmar terminar.

A ONG humanitária International Rescue Committee estima que os conflitos que se espalharam por todo o país desde que os militares tomaram o poder já deslocaram 220 mil pessoas em 2021.

Segundo a entidade, mais de 14 milhões de pessoas (mais de 25% da população do país) precisam de algum tipo de ajuda humanitária. Acredita-se que mais de 10 mil pessoas morreram desde fevereiro do ano passado.

4. Haiti

Autoridades estão perdendo o controle do Haiti, segundo alguns especialista — Foto: Reuters/ via BBC
Autoridades estão perdendo o controle do Haiti, segundo alguns especialista — Foto: Reuters/ via BBC

O Haiti vive uma nova espiral de violência desde julho de 2021, quando o então presidente do país Jovenel Moïse foi brutalmente assassinado.

Moïse, de 53 anos, foi baleado 12 vezes na testa e no torso. Seu olho esquerdo foi arrancado e os ossos do braço e do tornozelo foram quebrados. A primeira-dama, Martine Moïse, também foi baleada, mas sobreviveu.

A polícia haitiana alega que um grupo de mercenários principalmente estrangeiros - 26 colombianos e dois haitianos americanos - compôs o grupo que executou o assassinato.

Enquanto as investigações prosseguem, o país mergulhou em nova onda de violência.

Ariel Henry, que havia sido nomeado por Moïse como novo primeiro-ministro, assumiu interinamente o país, mas ele vem sendo contestado por diversos grupos. Existe um acordo entre facções para que Henry permaneça no poder até a realização de eleições neste ano, que ainda não foram marcadas.

Algumas gangues têm exigido que Henry renuncie, e o premiê escapou de um atentado contra sua vida em janeiro. As gangues vêm espalhando violência pelo país e são financiadas em parte pelo sequestro de estrangeiros, que se tornou um problema sério para as autoridades. No ano passado, mais de 800 pessoas foram sequestradas por gangues no Haiti.

Para piorar a situação, o Haiti sofreu um terremoto em agosto, um mês após o assassinato de Moïse, matando mais de 2 mil pessoas, agravando ainda mais a situação humanitária da população.

O Haiti também virou manchete internacional por conta do grande fluxo de imigrantes ilegais que tentaram cruzar para os EUA em outubro do ano passado.

Grupos internacionais alertam que a instabilidade do governo e a escalada de violência - somados a problemas econômicos e desastres naturais - podem fazer com que a disputa entre gangues no Haiti se transforme em um conflito armado.

5. Síria

Cidades no norte da Síria, como Tadef (foto), ainda são palco de batalhas — Foto: Reuters/ via BBC
Cidades no norte da Síria, como Tadef (foto), ainda são palco de batalhas — Foto: Reuters/ via BBC

Protestos inicialmente pacíficos contra o presidente Bashar al-Assad da Síria em 2011 se transformaram em uma guerra civil de grande escala, que já dura mais de uma década.

O conflito deixou mais de 380 mil mortos, arrasou cidades e envolveu outros países estrangeiros. Mais de 200 mil pessoas estão desaparecidas - presume-se que morreram.

Em março de 2011, manifestações pró-democracia eclodiram na cidade de Deraa, no sul, inspiradas pela Primavera Árabe. Quando o governo sírio usou força letal para esmagar a dissidência, protestos exigindo a renúncia do presidente eclodiram em todo o país.

A violência aumentou rapidamente e o país mergulhou na guerra civil. Centenas de grupos rebeldes surgiram e não demorou muito para que o conflito se tornasse mais do que apenas uma batalha entre sírios a favor ou contra Assad. Potências estrangeiras - como Rússia, EUA, Reino Unido e França - começaram a tomar partido, enviando dinheiro, armas e combatentes, e à medida que o caos piorava, organizações jihadistas extremistas com seus próprios objetivos, como o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) e a Al-Qaeda, também se envolveram.

O conflito é um dos mais sangrentos do planeta dos últimos anos. Mais de 2 milhões de pessoas sofreram algum tipo de ferimento. Mais da metade da população do país antes da guerra (que era de 22 milhões) tiveram de deixar suas casas. Muitos estão dentro do país ainda, mas Líbano, Jordânia e Turquia receberam grande parte dos refugiados.

A guerra diminuiu em intensidade, já que Assad conseguiu dominar boa parte do país. Mas ainda há resistência em diversas partes da Síria, e observadores internacionais acreditam que o conflito não está perto do fim - o que deve provocar ainda mais mortes e problemas humanitários nos próximos anos.

6. Militantes islâmicos na África

Cabo Delgado, em Moçambique, é um dos focos de violência na África — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC
Cabo Delgado, em Moçambique, é um dos focos de violência na África — Foto: European Pressphoto Agency/ via BBC

Após a derrocada do EI em 2017 no Oriente Médio, grupos de militantes islâmicos se voltaram cada vez mais para a África, onde governos fragilizados nem sempre conseguem combater a sua influência.

Grupos jihajistas tentam dominar diversas regiões de diferentes países — como Mali, Niger, Burkina Faso, Somália, Congo e Moçambique.

Em Moçambique, acredita-se que uma milícia na região de Cabo Delgado tenha ligações com o grupo do EI.

Cabo Delgado possui ricas reservas de gás natural offshore que estão sendo exploradas em colaboração com empresas multinacionais de energia. Mas altos níveis de pobreza e disputas sobre acesso à terra e empregos fazem com que muitos decidam se juntar às milícias islâmicas.

Os ataques de grupos militantes aumentaram significativamente no ano passado.

Grupos de direitos humanos dizem que houve extensa destruição em todo o norte de Moçambique pelos militantes, com relatos de assassinatos, decapitações e sequestros. Em um incidente, 50 pessoas foram decapitadas em um campo de futebol em um fim de semana.

Diante da crescente insurgência, o governo moçambicano convidou conselheiros militares dos EUA para que soldados americanos treinem as forças locais.

No ano passado, o governo de Moçambique aceitou receber tropas de Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), um bloco regional. Essas forças reverteram os ganhos dos insurgentes, embora os militantes pareçam estar se reagrupando.

Há temores de que esse conflito possa ser prolongado, gerando inúmeras mortes e problemas humanitários.

7. Afeganistão

Uma mulher com filho espera em fila da agência de refugiados da ONU em Cabul. Talebã retomou o controle do país em 2021.  — Foto: Reuters
Uma mulher com filho espera em fila da agência de refugiados da ONU em Cabul. Talebã retomou o controle do país em 2021. — Foto: Reuters

O Afeganistão já foi um dos conflitos mais noticiados do mundo, após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

O governo americano invadiu o país alegando que o Talebã esteve por trás dos atentados. Após duas décadas de intensos combates e milhares de mortes, o Talebã voltou ao poder em agosto de 2021.

O nível de violência caiu bastante no país, mas ONGs alertam agora que o país enfrentará possivelmente uma das mais graves crises humanitárias que já se viu por causa das sanções e isolamento impostos por grande parte do mundo.

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