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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Viagens à Lua: por que há tantas missões em 2022

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Neste ano, países, empresas e organizações participam da corrida espacial para enviar missões à Lua.
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TOPO
Por BBC

Postado em 17 de janeiro de 2022 às 15h55m

Post.- N.\ 10.176

2022 deve ser um grande ano para a exploração lunar — Foto: Getty Images via BBC
2022 deve ser um grande ano para a exploração lunar — Foto: Getty Images via BBC

O ano de 2022 será marcado por uma série de missões à Lua, após um ano sem um único pouso lunar sequer.

A Nasa, agência espacial americana, vai dar o pontapé inicial em seu programa Artemis e está patrocinando várias outras missões à Lua para levar equipamentos e suprimentos que serão usados ​​por futuros astronautas.

A Índia, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos também vão lançar missões lunares neste ano — e, assim como estes países, várias empresas também vão participar da corrida para chegar ao satélite natural da Terra.

Todos estes serão voos espaciais não tripulados e, em sua maioria, estarão preparando o terreno para uma presença humana sustentável na superfície da Lua em menos de uma década.

Mas este também não é o objetivo final — a criação de uma estação espacial lunar é apenas um passo a caminho de missões tripuladas para o planeta vermelho, Marte.

Zoë Leinhardt, astrofísica da Universidade de Bristol, no Reino Unido, acredita que este ano vai marcar o início de uma nova corrida espacial envolvendo novos países.

Enquanto muitas destas missões visam examinar a própria Lua, outras têm aspirações mais elevadas.

"Algumas missões têm objetivos de longo prazo estabelecidos mais além, e as missões à Lua são tanto uma prova de conceito, quanto uma oportunidade para testar novas tecnologias e colaborações", diz Leinhardt.

Mas, afinal, do que se trata cada missão e qual sua finalidade?

A seguir, o que o ano de 2022 reserva para a Lua:

Missão Artemis-1 e Capstone da Nasa

O ambicioso programa espacial Artemis, da Nasa, visa levar humanos de volta à Lua até 2025.

Em março deste ano, a missão Artemis-1 começará a preparar o terreno para esta meta ambiciosa.

A missão não será tripulada, com exceção de um "Moonikin", que ocupará o assento do comandante da Artemis 1. Trata-se de um manequim realista que recebeu o nome de Arturo Campos, engenheiro que foi fundamental para trazer a Apollo 13 com segurança de volta à Terra.

O papel de Campos será testar o mesmo traje espacial que os astronautas da Artemis vão usar durante o lançamento, entrada e outras etapas dinâmicas de suas missões.

O novo Space Launch System (SLS) da Nasa — o foguete mais poderoso do mundo — lançará a missão e levará a espaçonave Orion ao redor da Lua para testar a segurança do veículo de tripulação.

A Nasa estará observando atentamente os dados do escudo térmico da Orion durante sua reentrada em alta velocidade na Terra, a quase 2.760 graus Celsius.

Ainda neste ano, outro elemento-chave do programa Artemis vai dar um passo importante.

Os cientistas da Nasa estarão observando de perto a espaçonave Orion — Foto: Getty Images via BBC
Os cientistas da Nasa estarão observando de perto a espaçonave Orion — Foto: Getty Images via BBC

A Capstone — sigla em inglês para Experiência de Navegação e Operações Tecnológicas do Sistema de Posicionamento Autônomo Cislunar — é a missão pioneira do programa Artemis.

A Nasa lançará um satélite do tamanho de um forno de micro-ondas ou um CubeStat, a espaçonave da Capstone, também em março de 2022, para testar uma órbita centrada na Lua, girando junto com a mesma enquanto ela orbita a Terra.

O objetivo é garantir a segurança dos astronautas em viagens futuras.

'O objetivo final é Marte'

As informações que serão obtidas com este teste ajudarão a validar modelos operacionais para outro componente chave do programa Artemis — o Gateway.

A Nasa o descreve como "um posto avançado multifuncional orbitando a Lua, que oferece suporte essencial para o retorno humano de longo prazo à superfície lunar".

Se tudo correr como planejado, em 2025, a Artemis-3 deve fazer o primeiro pouso na Lua desde a missão Apollo 17 em 1972.

A missão também está programada para incluir a primeira mulher astronauta e a primeira pessoa negra a pisar na Lua .

Hannah Sargeant, cientista planetária da Universidade da Flórida Central, nos EUA, observa que esse foco na Lua faz parte de uma visão mais ampla.

O Gateway também se destina a ser uma base de apoio para a exploração do espaço profundo.

"Missões robóticas à Lua são um dos primeiros passos nesse roteiro, levando a uma estação espacial lunar, uma base lunar e, finalmente, a missões tripuladas a Marte", diz ela.

Missões da Índia, Japão e Emirados Árabes Unidos

Outros países e empresas também estão de olho na Lua neste ano.

Alguns estarão realizando pesquisas, enquanto outros vão entregar suprimentos e equipamentos.

Dois anos após uma tentativa de pouso fracassada na Lua, a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) está planejando uma missão de exploração lunar chamada 'Chandrayaan-3'.

Uma espaçonave transportando um robô lunar e um módulo de pouso estacionário será lançada no terceiro trimestre de 2022.

O Japão, por sua vez, tem dois projetos lunares ambiciosos para este ano.

A Jaxa, agência espacial japonesa, planeja lançar um módulo de pouso lunar em abril de 2022.

Chamado SLIM (sigla em inglês para "módulo de pouso inteligente para investigar a Lua"), ele demonstrará técnicas precisas de alunissagem e reconhecerá crateras lunares aplicando tecnologia de sistemas de reconhecimento facial.

O telescópio espacial X-Ray Imagining and Spectroscopy Mission (XRISM) também estará a bordo.

E a empresa espacial japonesa, ispace Inc., também enviará um módulo de pouso para a Lua no segundo semestre de 2022. A missão 1 (M1) faz parte do programa de exploração comercial lunar da Jaxa, 'Hakuto-R', por meio do qual dois robôs exploradores serão implantados.

Um deles é construído pela própria Jaxa — um robô de duas rodas de pequena escala que vai explorar a superfície da Lua.

O outro robô que a empresa japonesa vai implantar é dos Emirados Árabes Unidos, chamado Rashid. É um veículo de quatro rodas encarregado de testar o solo da Lua.

Missão russa Luna 25 e Orbitador lunar da Coreia do Sul

A missão russa Luna 25 pousará no polo sul da Lua — Foto: Getty Images via BBC
A missão russa Luna 25 pousará no polo sul da Lua — Foto: Getty Images via BBC 

A missão lunar da Rússia para 2022 é chamada Luna 25.

Será a primeira missão do país à superfície da Lua em 45 anos — e deve ser a primeira missão a pousar no polo sul do satélite. Esta é a área que a Nasa está considerando para missões lunares tripuladas.

A agência espacial russa, Roscosmos, programou o lançamento para julho de 2022.

O Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia, a agência espacial da Coreia do Sul, lançará o Orbitador Lunar Coreano Pathfinder (KPLO) para a Lua um mês depois, em agosto de 2022.

O KPLO vai estudar a superfície da Lua e ajudará a planejar futuras missões aos polos lunares.

Robôs comerciais da Nasa

As empresas privadas também estão na corrida para a Lua.

Sob um programa da Nasa chamado Commercial Lunar Payload Services (CLPS), as companhias vão competir para fornecer serviços de transporte para a superfície da Lua.

A Intuitive Machines, com sede em Houston, pretende usar um robô lunar de seis patas chamado Nova-C para transportar cargas úteis para a superfície da Lua no início de 2022.

Uma missão posterior será lançada pela Astrobotic Technology, com sede na Pensilvânia, em meados de 2022.

A Peregrine Mission 1, da empresa, levará cargas úteis de pesquisa científica com um módulo de pouso de quatro patas em forma de caixa.

Qual é o objetivo destas missões?

Sargeant diz que muitas delas vão examinar o ambiente lunar, com o objetivo de encontrar maneiras de proteger tripulações e equipamentos de qualquer ameaça, como poeira lunar e vento solar intenso.

As missões também darão aos cientistas a oportunidade de testar os protótipos de equipamentos e experimentos que podem ser usados ​​para gerar recursos como a água.

"Queremos garantir que estas máquinas funcionem antes de enviarmos nossas equipes para lá, que vão depender dos suprimentos preciosos que elas geram", diz Sargeant.

"Por fim, estes suprimentos podem ser usados ​​para produzir o combustível necessário para enviar missões avançadas a Marte."

"A Lua também atua como uma plataforma de testes para tecnologias que gostaríamos de usar um dia no planeta vermelho. Está muito mais perto de casa, a apenas três dias de distância, do que os pelo menos seis meses necessários para chegar a Marte."

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10 homens mais ricos do mundo dobraram patrimônio na pandemia, diz Oxfam

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A Covid-19 deixou bilionários ainda mais ricos, enquanto a pobreza aumentou, segundo relatório da ONG.
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TOPO
Por BBC

Postado em 17 de janeiro de 2022 às 11h35m

Post.- N.\ 10.175

Jeff Bezos, citado na lista dos 10 homens mais ricos do mundo, que inclui Elon Musk e outros — Foto: Getty Images
Jeff Bezos, citado na lista dos 10 homens mais ricos do mundo, que inclui Elon Musk e outros — Foto: Getty Images

A pandemia tornou os bilionários do mundo muito mais ricos e levou mais pessoas a viver na pobreza, de acordo com um novo relatório da organização não-governamental britânica Oxfam.

A queda na renda dos mais pobres do mundo contribuiu para a morte de 21 mil pessoas por dia, afirma o relatório.

No entanto, as dez pessoas mais ricas do mundo mais que dobraram suas fortunas coletivas desde março de 2020, segundo a Oxfam (veja a lista abaixo nesta reportagem).

A Oxfam normalmente divulga um relatório sobre a desigualdade global no início da reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos. O evento reúne milhares de líderes empresariais e políticos, celebridades, ativistas, economistas e jornalistas na estação de esqui suíça para debates, festas e palestras.

No entanto, pelo segundo ano consecutivo, o Fórum de Davos (que estava agendado para esta semana) será realizado apenas online, devido ao surgimento da variante ômicron.

Os temas das discussões desta semana incluem o provável futuro da pandemia, a desigualdade na distribuição das vacinas e a transição energética.

Danny Sriskandarajah, executivo-chefe da Oxfam, disse que a ONG lança o relatório a cada ano para coincidir com Davos, na tentativa de atrair a atenção das elites econômicas, empresariais e políticas.

"Este ano, o que está acontecendo está fora da realidade", disse ele.

"Houve um novo bilionário criado quase todos os dias durante esta pandemia, enquanto 99% da população mundial está pior por causa de lockdowns, menos comércio e menos turismo internacional. Como resultado disso, mais 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza."

"Algo está profundamente errado em nosso sistema econômico", acrescentou.

De acordo com dados da Forbes citados pela instituição, os 10 homens mais ricos do mundo são: Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Ballmer e Warren Buffet.

Embora coletivamente a riqueza deles tenha crescido de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão (de R$ 3,8 trilhões para R$ 8,3 trilhões), há uma discrepância grande entre eles, com a fortuna de Musk crescendo mais de 1.000%, enquanto a de Gates subiu "apenas" 30%.

Com base em números divulgados em outros estudos, o relatório faz menções ao Brasil, ao citar como os mais pobres do mundo vivem hoje. O documento diz que:

  • em São Paulo, as pessoas nas áreas mais ricas podem esperar viver 14 anos a mais do que aqueles nas áreas mais pobres;
  • afrodescendentes e indígenas no Brasil, dalits na Índia e nativos americanos, latinos e negros nos EUA enfrentam impactos duradouros desproporcionais da pandemia;
  • no Brasil, negros são 1,5 vezes mais propensos a morrer de covid-19 do que brancos.

Desigualdade aumenta durante a pandemiaDesigualdade aumenta durante a pandemia

Como a Oxfam calcula esses números?

O relatório da Oxfam é baseado em dados da Forbes Billionaires List e do relatório anual Credit Suisse Global Wealth, que compila a distribuição da riqueza global desde 2000.

A pesquisa da Forbes usa o valor dos ativos de um indivíduo, principalmente propriedades e terras, menos dívidas, para determinar o que ele ou ela possui. Os dados excluem salários ou rendimentos.

A metodologia já foi criticada no passado por distorcer determinados dados. Por exemplo, um universitário com grandes dívidas estudantis, mas com alto potencial de ganhos futuros, seria considerado pobre dentro dos critérios utilizados.

O relatório da Oxfam, que também foi baseado em dados do Banco Mundial, disse que falta de acesso à saúde, fome, violência baseada em gênero e colapso climático contribuíram para uma morte a cada quatro segundos.

Ele disse que, por causa da covid, hoje 160 milhões de pessoas a mais vivem com menos de US$ 5,50 (R$ 30) por dia.

O Banco Mundial usa US$ 5,50 por dia como medida de pobreza em países de renda média alta.

O relatório também diz que:

  • A pandemia está forçando os países em desenvolvimento a cortar gastos sociais à medida que as dívidas nacionais aumentam
  • A igualdade de gênero sofreu um retrocesso, com 13 milhões de mulheres a menos no trabalho agora do que em 2019 e mais de 20 milhões de meninas em risco de nunca mais voltar à escola
  • Grupos minoritários étnicos foram os mais atingidos pela covid, incluindo os bengaleses do Reino Unido e a população negra dos EUA

"Mesmo durante uma crise global, nossos sistemas econômicos injustos conseguem oferecer lucros inesperados para os mais ricos, mas falham em proteger os mais pobres", disse Sriskandarajah.

Ele disse que os líderes políticos agora têm uma oportunidade histórica de apoiar estratégias econômicas mais ousadas para "mudar o curso mortal em que estamos".

Isso deve incluir regimes tributários mais progressivos, que impõem taxas mais altas sobre capital e riqueza, com a receita investida em "saúde universal de qualidade e proteção social para todos", disse Sriskandarajah.

A Oxfam também está pedindo que os direitos de propriedade intelectual das vacinas contra covid-19 sejam dispensados para permitir uma produção mais ampla e distribuição mais rápida.

No início deste mês, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, expressou suas preocupações com o aumento da desigualdade global, argumentando que o impacto da inflação e as medidas para combatê-la provavelmente causarão mais danos aos países mais pobres.

"As perspectivas para os países mais fracos ainda estão ficando cada vez piores", disse ele.

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domingo, 16 de janeiro de 2022

Escalada da ômicron: quais os riscos para a economia?

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Economistas alertam que aumento de casos pode afetar as cadeias de produção global, resultando em mais inflação e menor crescimento econômico.
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Por Luiz Guilherme Gerbelli, g1

Postado em 16 de janeiro de 2022 às 16h35m

Post.- N.\ 10.174

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 10,06%, na maior alta desde 2015.  — Foto: Reprodução/RBS TV
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 10,06%, na maior alta desde 2015. — Foto: Reprodução/RBS TV

O crescimento de casos de Covid provocado pela variante ômicron pode se tornar mais um entrave para a atividade econômica global e, consequentemente, para o Brasil.

Os analistas ainda têm dificuldade para mensurar o tamanho do impacto econômico dessa nova onda de casos, mas alertam que ela pode se refletir em mais inflação no mundo e trazer algum prejuízo para a indústria e o setor de serviços, o principal da economia.

A maior preocupação envolvendo a ômicron está relacionada com a facilidade que ela tem se espalhar rapidamente entre a população e afetar as cadeias de produção global. Um cenário já conhecido na fase mais crítica da pandemia. Com o aumento de casos da doença, as linhas de produção foram interrompidas e reduzidas, pressionando os custos em todo o mundo.

"Eu vejo um potencial inflacionário para a ômicron", afirma Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra. "Na China, por exemplo, com a política de 'Covid zero', já houve uma elevação do custo do frete no transporte de mercadorias."

No 5º recorde em dez dias, mundo tem 3,6 milhões de casos de Covid em 24 horas
No 5º recorde em dez dias, mundo tem 3,6 milhões de casos de Covid em 24 horas

Por ora, no entanto, não se espera uma piora significativa da atividade econômica dado que são setores pontuais que têm sofrido mais com os desdobramentos da doença e não há no radar ondas de fechamentos da economia como em outros momentos da doença.

O que colabora para a manutenção das previsões é o fato de a ômicron ter se mostrado menos letal do que outras variantes, diante da ampla vacinação.

"Há uma limitação para a atividade do ponto de serviços e indústria com a necessidade de afastamento de pessoas" afirma Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências. "Não deve ser algo dramático, mas é mais um risco que pode enfraquecer a atividade no período em que essa situação durar." 
Os impactos inflacionários no mundo

No ano passado, com a interrupção das cadeias e produção e disparada dos preços das commodities, a inflação se tornou um problema global, embora a economia brasileira também tenha sofrido por questões locais.

No Brasil, o quadro inflacionário foi turbinado pela desvalorização do real em relação ao dólar, resultado das incertezas fiscais e políticas que afetam o país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os preços ao consumidor subiram 7% em 2021, maior avanço anual em 39 anos.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 10,06%, na maior alta desde 2015. O resultado ficou bem acima do teto da meta do governo, que era de 5,25%.

O IPCA, índice oficial da inflação, fecha 2021 com 10,06%; INPC fica em 10,16%
O IPCA, índice oficial da inflação, fecha 2021 com 10,06%; INPC fica em 10,16%

"A gente aprendeu que a pandemia não é desinflacionária. Ela é inflacionária", diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator. "Qualquer efeito da (ômicron) será para dificultar a melhora das condições das cadeias produtivas. Qualquer dificuldade vai criar uma situação pior."

Na projeção dele, o IPCA deve encerrar este ano em 5,5%, mas a piora da situação sanitária coloca um viés de alta nessa previsão.

O que dizem os números até agora

Mesmo sem a certeza de qual será o impacto da variante ômicron, o cenário econômico do Brasil já é bastante difícil. Neste ano, o país deve lidar com uma estagnação do PIB, inflação persistente e juros em alta.

Nas projeções dos analistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, o IPCA deste ano deve ficar em 5,03%, novamente acima do teto da meta do governo, que é de 5%. A taxa básica de juros (Selic) deve subir a 11,75% ao ano - atualmente, está em 9,25%.

Para o PIB, as previsões são de uma alta de apenas 0,28% - em 2021, os analistas estimam que o Brasil tenha crescido 4,5%.

"(A variante ômicron) Reforça o cenário de estagnação que temos visto desde o segundo semestre do ano passado, mas lembrando que o impacto é de atrasar a retomada em serviços e não entrar em algo mais grave", afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

"Certamente (a ômicron) é mais um elemento a contribuir para o cenário de economia estagnada", diz Vale.

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O que é o neoliberalismo e por que alguns negam que ele exista?

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Alguns especialistas defendem que essa orientação econômica, cujo auge aconteceu nas décadas de 1980 e 1990, começou a perder projeção desde a crise financeira global de 2008.
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Por BBC

Postado em 16 de janeiro de 2021 às 14h55m

Post.- N.\ 10.173

Entenda o que é o neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC
Entenda o que é o neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC

Ele é motivo de debates na América Latina há décadas, mas, para muitos, é difícil defini-lo e outros acreditam que ele nem mesmo exista: neoliberalismo, a palavra que marcou uma época.

Basta examinar a campanha eleitoral no Chile — o país latino-americano que concentra maior influência das ideias neoliberais — para constatar como esse conceito ainda é um divisor de águas na região.

"O Chile foi o berço do neoliberalismo, mas será também o seu túmulo", segundo Gabriel Boric, candidato de esquerda que venceu o direitista radical José Antonio Kast no pleito presidencial em dezembro.

Kast, por outro lado, apresentava as bandeiras neoliberais, como o livre mercado e a redução da intervenção do Estado na economia. Seu programa de governo mencionava uma das maiores referências dessa linha de pensamento — o economista americano Milton Friedman.

Mas o programa de Kast não fazia menção explícita ao neoliberalismo.

Este é o reflexo de uma tendência que ultrapassa as fronteiras chilenas. Enquanto a esquerda se refere ao neoliberalismo de forma depreciativa, não se ouve com frequência alguém reivindicá-lo pelo seu nome, como Friedman fazia 70 anos atrás.

Alguns especialistas defendem que essa orientação econômica, cujo apogeu teve lugar nas décadas de 1980 e 1990, começou a perder projeção desde a crise financeira global de 2008.

"O neoliberalismo se encontra na defensiva", disse o economista e filósofo brasileiro Eduardo Giannetti da Fonseca declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).

Mas o que é exatamente o neoliberalismo e por que é tão polêmico?

O programa do candidato José Antonio Kast não mencionava explicitamente o neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC
O programa do candidato José Antonio Kast não mencionava explicitamente o neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC

Um adversário, diferentes escolas

Como o próprio nome indica, o neoliberalismo surgiu no século 20 como um esforço para renovar o liberalismo clássico. A origem do termo remonta a um encontro de pensadores liberais ocorrido em Paris, no ano de 1938.

Seus promotores se opunham às políticas econômicas keynesianas (baseadas nas teorias do economista britânico John Maynard Keynes), que concedem ao Estado um papel fundamental para evitar crises ou recessões.

O economista austríaco Friedrich Hayek, outra importante referência para os neoliberais, argumentava em seu livro Caminho da Servidão (1944) que o planejamento estatal da economia leva ao totalitarismo.

Hayek fundou com outros intelectuais, em 1947, a Sociedade Mont Pèlerin, um centro de pensamento econômico para defender, logo após a Segunda Guerra Mundial, valores liberais como a economia de mercado, a sociedade aberta ou a liberdade de expressão.

O economista austríaco Friedrich Hayek foi uma das grandes referências do neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC
O economista austríaco Friedrich Hayek foi uma das grandes referências do neoliberalismo — Foto: Getty Images/BBC

As ideias neoliberais ganharam força particularmente a partir da década de 1970, quando a estagflação e outros problemas econômicos no Ocidente semearam dúvidas sobre as políticas keynesianas e muitos governos buscaram alternativas.

Os governos conservadores de Margaret Thatcher, no Reino Unido (1979-90), e Ronald Reagan, nos Estados Unidos (1981-89), adotaram políticas defendidas pelos neoliberais, como a redução do Estado e o controle rígido da oferta de moeda para baixar a inflação.

Mas o neoliberalismo está longe de ser uma doutrina uniforme. Ele inclui diversas escolas, como a austríaca de Hayek e Ludwig von Mises, a escola de Chicago (Friedman) e a escola da Virgínia, de James Buchanan — e há diferenças notáveis entre elas, por exemplo, em questões de política monetária.

Tudo isso dificulta a definição do neoliberalismo, o que é ainda mais agravado, segundo alguns estudiosos, pelas fortes reprovações que a doutrina costuma receber.

"Embora o termo neoliberalismo continue sendo um lugar comum, o seu uso para englobar uma série de coisas que desagradam às pessoas dificulta sua definição clara", segundo Ross Emmett, diretor do Centro de Estudos da Liberdade Econômica da Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, declarou à BBC News Mundo.

O governo de Margaret Thatcher no Reino Unido impulsionou várias políticas que foram defendidas pelos neoliberais — Foto: Getty Images/BBC
O governo de Margaret Thatcher no Reino Unido impulsionou várias políticas que foram defendidas pelos neoliberais — Foto: Getty Images/BBC

Um modelo que pode ser exportado?

Os críticos do neoliberalismo afirmam que colocar o mercado no centro das prioridades, desregulamentar a economia e desmantelar os mecanismos do Estado que asseguram o bem-estar da população contribuiu para o aumento da distância entre os mais ricos e os mais pobres em vários países.

Eles acrescentam que a desigualdade social trouxe problemas cada vez maiores para a democracia e para os indivíduos.

No plano político, a esquerda vem tentando frequentemente demonizar o neoliberalismo. "É o caminho que leva ao inferno", declarou em 2002 o então presidente venezuelano Hugo Chávez.

Mas os defensores das ideias de Hayek e Friedman defendem que nem Chávez, nem o restante da esquerda, conseguiram demonstrar uma alternativa com sucesso.

Outros estudiosos simplesmente negam a existência do neoliberalismo.

Na Argentina, o governo de Carlos Menem foi marcado por diversas medidas neoliberais — Foto: Getty Images/BBC
Na Argentina, o governo de Carlos Menem foi marcado por diversas medidas neoliberais — Foto: Getty Images/BBC

"Neoliberalismo? Isso não existe!", escreveu o economista Daniel Altman no jornal americano The New York Times em 2005, argumentando que os países ricos, na verdade, nunca se abriram para o livre comércio.

"Não existem novas ou velhas liberdades. Ou há liberdade ou não há. Por isso, o conceito neoliberal não tem sentido", defendeu o economista ultraliberal argentino Javier Milei em agosto de 2021, antes de ser eleito deputado em novembro.

Mas a Argentina, depois do Chile, foi um dos símbolos do neoliberalismo na década de 1990, quando o governo Carlos Menem privatizou tudo o que pôde, desregulamentou a economia e adotou a paridade um por um entre o peso e o dólar.

Essas mudanças foram aprovadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que se referia à Argentina como modelo até dezembro de 2001, quando o país entrou em uma crise financeira muito séria e suspendeu os pagamentos da dívida externa de US$ 144 bilhões (cerca de R$ 815 bilhões) — a maior dívida da história.

James Boughton trabalhou no FMI e foi seu historiador entre 1992 e 2012. Ele nega que a instituição tivesse "uma visão extremista do neoliberalismo", mas admite que a instituição incentivou políticas de privatização e livre mercado em países da extinta União Soviética e da América Latina.

"O FMI impulsionou tudo isso, de forma que, nesse sentido, pode-se afirmar que ele estava incentivando políticas neoliberais", declarou Boughton à BBC News Mundo.

Por outro lado, Giannetti da Fonseca considera "um erro grave" dos neoliberais querer implantar receitas de países desenvolvidos na América Latina, onde existem problemas de pobreza e escassez de capital humano que, segundo ele, sensibilizavam mais os liberais clássicos.

"É muito curioso que o único país da América Latina que fez um experimento profundo e consistente da política econômica neoliberal, que é o Chile, tenha feito esse experimento sob uma ditadura", ressalta ele, em referência ao regime militar liderado por Augusto Pinochet (1973-90), que foi assessorado pelo próprio Friedman e entregou o controle da economia chilena para os Chicago Boys.

Nas últimas décadas e sob regime democrático, o Chile manteve políticas de livre mercado que permitiram atingir um PIB per capita similar ao de países europeus e reduzir os índices de pobreza. Mas o modelo chileno entrou em crise com os movimentos de protesto que eclodiram em 2019 contra a desigualdade e pedindo reformas sociais.

"Com exceção do Chile, o neoliberalismo dos governos latino-americanos foi muito inconsistente e ineficaz, pois não houve reformas neoliberais, para o bem ou para o mal", disse Giannetti da Fonseca.

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