Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Os mais de 102 mil km² desmatados pela atividade é o maior já registrado pelo Inpe comparado ao mesmo período em anos anteriores. Especialista alerta que a situação deverá piorar nos próximos meses. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Laís Modelli, G1 Postado em 27 de agosto de 2021 às 14h40m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.943. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
TI Munduruku, PA, está quase toda contaminada pelo mercúrio usado nos
garimpos ilegais. Atividade desmata floresta e deixa crateras nos rios. —
Foto: Marcos Amend/Greenpeace
A mineração desmatou102,42 km²na Amazônia
entre 1º de janeiro e 13 de agosto, o equivalente a mais de 10,2 mil
campos de futebol, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento
em Tempo Real (Deter), do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe),
reunidos pelo G1. A área já é maior que o registrado nos 12 meses de 2020, quando a atividade devastou 100,26 km².
O desmatamento causado por mineração na floresta amazônica no período
analisado também é o maior em toda a série histórica do Deter/Inpe,
iniciada em 2015:
2021: 102,42 km²
2020: 80,49 km²
2019: 86,51 km²
2018: 65,24 km²
2017: 39,6 km²
2016: 32,73 km²
Os dados do Inpe não fazem menção ao "garimpo" - extração de minérios
predatória e ilegal, geralmente relacionada ao ouro e não à indústria -
nem diferenciam a mineração legal (que tem autorização da Agencia
Nacional de Mineração) da ilegal.
Dados reunidos pelo Instituto Socioambiental (ISA) alertam para
crescimento do garimpo na região: os alertas de desmatamento causado por
garimpo aumentaram 16% dentro de áreas protegidas da Amazônia entre
agosto de 2020 e 2021. Fora dessas áreas, o aumento no período foi de
26%.
TI Sai Cinza, no Pará, tem sido uma das mais desmatadas por garimpo na
Amazônia nos últimos anos. — Foto: Marcos Amend/Greenpeace
"A
grande maioria dos alertas de garimpo está nas terras indígenas (22%) e
unidades de Conservação (53%), e a fiscalização não está atuando ali. O
aumento também é decorrente da expectativa de que o projeto de lei que
visa abrir as TIs para a mineração seja aprovado, e aí esses criminosos
apostam na política do fato consumado, ou seja, já estão lá explorando e
acham que com a aprovação da lei eles serão legalizados", diz Oviedo.
O cientista ambiental alerta que o desmatamento por mineração e garimpo
nos próximos meses deverão aumentar até o final do ano, uma vez que
entramos no principal período que ocorrem os desmatamentos e incêndios
na Amazônia.
"A partir de agosto, as chuvas diminuem e isso facilita as atividades
de desmatamento e garimpo nas margens dos rios. a tendência é que esta
degradação aumente ao longo dos próximos meses, entre (setembro a
novembro)", alerta Oviedo.
O G1 procurou o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
pedindo dados sobre fiscalização e aplicação de multas relacionadas ao
garimpo e mineração legal e ilegal na Amazônia. Nenhum retornou o
contato.
Líderes indígenas denunciam avanço do garimpo ilegal e ameaças
Mês de maior devastação foi marcado por violência
Maio de 2021 foi o mês em que a mineração mais desmatou a Amazônia em
toda a série histórica do Deter/Inpe, com 37,94 km² de desmatamento em
um único mês. Na sequência aparece maio de 2019, com 34,47 km²
devastados pela atividade.
Garimpeiros invadiram aldeia na TI Munduruku e queimaram casas de
indígenas contra o garimpo no local, em 26 de maio. — Foto: Coletivo de
audiovisual do povo Munduruku
As aldeias foram cercadas e uma estrada foi interditada, impedindo o
andamento da operação, que durou apenas dois dias. No mesmo dia em que
os policiais federais interromperam a operação, os garimpeiros invadiram
e incendiaram uma aldeia.
O município de Jacareacanga, aliás, é o segundo mais desmatado por
mineração no Brasil este ano, com 17,92 km². Em primeiro lugar está
Itaituba, com 44,26 km². Ambos ficam no Pará e estão distantes cerca de
300 km.
Número representa um crescimento de 0,7% na comparação com a população estimada em 2020. Segundo IBGE, implicações da pandemia serão verificados a partir do próximo Censo Demográfico, previsto para ser realizado em 2022. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Darlan Alvarenga, G1 27/08/2021 01h42 Atualizado em 2 minutos Postado em 27 de agosto de 2021 às 08h50m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.942. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Movimentação de consumidores na região da 25 de Março, comércio popular
do Centro de São Paulo. — Foto: CRIS FAGA/ESTADÃO CONTEÚDO
A população brasileira chegou a 213,3 milhões em 2021, segundo nova estimativa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa um crescimento de 0,74% na comparação com a população estimada em 2020.
"Os
efeitos da pandemia da Covid-19 no efetivo populacional não foram
incorporados nesta projeção, devido à ausência de novos dados de
migração, além da necessidade de consolidação dos dados de mortalidade e
fecundidade, fundamentais para se compreender a dinâmica demográfica
como um todo", afirmou o IBGE.
A estimativa se refere a 1° de julho de 2021 e leva em conta todos os
5.570 municípios brasileiros e foi publicada no “Diário Oficial da
União” desta sexta-feira (27). A publicação é um dos parâmetros
utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o cálculo do
Fundo de Participação de Estados e Municípios, além de referência para
indicadores sociais, econômicos e demográficos.
VÍDEO: Saiba qual é o tamanho da população do Brasil
Contagem oficial só após Censo Demográfico
Segundo o IBGE, as implicações da pandemia no tamanho da população
serão verificadas a partir do próximo Censo Demográfico, previsto para
ser realizado em 2022. A pesquisa seria realizada neste ano, mas foi cancelada após corte no orçamento feito pelo governo federal.
O gerente de Estimativas e Projeções de População do IBGE, Márcio
Mitsuo Minamiguchi, destacou que dados preliminares do Registro Civil e
do Ministério da Saúde apontam para um excesso de mortes, principalmente
entre idosos, e uma diminuição dos nascimentos, mas que o país já vem
numa tendência de desaceleração do ritmo de crescimento populacional.
"Embora
a gente não tenha incorporado, certamente a pandemia não provocou uma
queda na população. Uma redução da população de um ano para outro não
ocorreu. O que pode acontecer na verdade com certas mudanças de
comportamento é antecipar tendências, como por exemplo a diminuição da
população lá pra frente", disse o pesquisador ao G1.
"No período pandêmico as mortes impactam até mais que os nascimentos,
mas quando a gente pensa no processo de mais longo prazo o comportamento
reprodutivo é que vai mesmo impactar, tanto na questão do
envelhecimento da população como na questão do crescimento", acrescenta.
Os números de uma contagem oficial da população, porém, só deverão ser
conhecidos no final de 2022. "Pelo planejamento do Censo, a pesquisa
começa em campo em junho. Normalmente, demora 3 meses. Então essa
divulgação deve ser postergada mais para o fim do ano", estima.
Comparativo da população dos estados em 2020 e 2021 — Foto: G1 Economia
Veja os principais destaques dos estados:
São Paulo permanece na frente como a unidade da federação com mais habitantes: 46,649 milhões de pessoas. Ano passado, a população paulista era de 46,289 milhões.
Na sequência, os estados mais populosos são Minas Gerais (21,411 milhões) e Rio de Janeiro (17,463 milhões).
O Distrito Federal tem população de mais de 3 milhões de habitantes.
Roraima tem a menor população: 652.713.
Apesar de ter a menor população, Roraima teve o maior aumento percentual entre 2020 e 2021, passando de 631.181 habitantes para 652.713.
Piauí registrou o menor aumento percentual, passando de 3.281.480 habitantes para 3.289.290.
Apenas 3 estados tem menos de 1 milhão de habitantes: Roraima, Amapá (877,6 mil) e Acre (906,9 mil).
Veja os destaques entre as cidades
São Paulo continua como a cidade mais populosa, com 12,4 milhões de pessoas, seguida pelo Rio de Janeiro (6,8 milhões), Brasília (3,1 milhões) e Salvador (2,9 milhões).
Pouco mais da metade da população concentra-se em 5,8% das cidades.
21,9% da população está concentrada em 17 municípios, todos com mais de um milhão de habitantes, sendo que 14 são capitais.
Apenas 49 cidades possuem mais de 500 mil habitantes, concentrando 31,9% da população do país ou 68 milhões de habitantes).
Depois
das capitais, os municípios mais populosos são Guarulhos (SP), Campinas
(SP), São Gonçalo (RJ), Duque de Caxias (RJ), São Bernardo do Campo
(SP), Nova Iguaçu (RJ), São José do Campos (SP), Santo André (SP),
Ribeirão Preto (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE).
3770 municípios (67,7%) possuem menos de 20 mil habitantes.
4 cidades têm menos de mil habitantes: Serra
da Saudade (MG), com apenas 776 habitantes, Borá (SP), com 839,
Araguainha (MT), com 909, e Engenho Velho (RS), com 932 moradores.
Veja abaixo a população estimada das capitais:
São Paulo: 12.396.372
Rio de Janeiro: 6.775.561
Brasília: 3.094.325
Salvador: 2.900.319
Fortaleza: 2.703.391
Belo Horizonte: 2.530.701
Manaus: 2.255.903
Curitiba: 1.963.726
Recife: 1.661.017
Goiânia: 1.555.626
Belém: 1.506.420
Porto Alegre: 1.492.530
São Luís: 1.115.932
Maceió: 1.031.597
Campo Grande: 916.001
Natal: 896.708
Teresina: 871.126
João Pessoa: 825.796
Aracaju: 672.614
Cuiabá: 623.614
Porto Velho: 548.952
Macapá: 522.357
Florianópolis: 516.524
Boa Vista: 436.591
Rio Branco: 419.452
Vitória: 369.534
Palmas: 313.349
Novas estimativas populacionais do Brasil — Foto: Divulgação/IBGE
Brasileiros precisam se preparar para viver sob condições mais quentes e secas nas próximas décadas, com impacto direto no nosso cotidiano e na produção de alimentos, explica especialista climático. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Paula Adamo Idoeta, BBC 25/08/2021 08h57 Atualizado há um dia Postado em 26 de agosto de 2021 às 19h35m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.941. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
24/08/21: Incêndio em vegetação atingiu 400 mil metros quadrados e
formou nuvem gigante de fumaça em Junqueirópolis — Foto: Márcio Cabanhas
O Brasil viverá, nas próximas décadas, secas cada vez mais prolongadas,
temperaturas mais altas e extremos climáticos que terão um profundo
impacto na forma como sobrevivemos e produzimos energia e comida.
Na prática, o clima vai mudar tanto a vida nas cidades grandes quanto a
produção agrícola - causando o risco de o Brasil perder o status de
gigante global na produção de alimentos.
E
a responsabilidade disso recai sobre o avanço do desmatamento, aliado
às (e potencializado pelas) mudanças climáticas no mundo inteiro.
A avaliação é do cientista do clima Carlos Nobre, que já foi
pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
coordena o Instituto Nacional de Tecnologia para Mudanças Climáticas e é
um dos principais especialistas do tema no Brasil.
A maior perda (absoluta e proporcional) de superfície de água na série
histórica analisada pelo MapBiomas ocorreu no Mato Grosso do Sul, com
uma redução de 57%.
‘Brasil: colapso ambiental’: Pantanal é o bioma que mais perdeu água no país
Enquanto isso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais identificou
que os focos de incêndio neste ano até agora cresceram, em relação ao
mesmo período no ano passado, na Mata Atlântica, no Cerrado e na
Caatinga - neste último, o aumento foi mais de 100%.
Todos esses dados estão interligados: quanto mais avança o desmatamento
- em conjunto com o aumento das temperaturas globais -, menores ficam
as temporadas de chuva no Brasil.
"Há estudos que mostram claramente que as chuvas estão diminuindo em
áreas altamente desmatadas, e as estações secas estão mais longas",
explica Nobre.
"No
sul da Amazônia, as secas já estão de três a quatro semanas mais
longas, com menos chuvas e temperaturas cerca de 3°C mais altas."
O grande problema é que, em áreas desmatadas, perde-se a capacidade de reciclar água, o que intensifica as secas. "Há menos vegetação e raízes para absorver a água, transpirá-la e jogá-la de volta à atmosfera", diz o cientista.
Portanto, quanto mais incêndios e florestas derrubadas, mais seco e quente o clima ficará no curto e no longo prazo.
Embora ainda não seja possível saber se esses efeitos serão
permanentes, a secura do clima vivida neste momento em grande parte do
Brasil - parte de uma tendência já observada nos últimos anos - é uma
espécie de "fotografia do que será o clima do Brasil no futuro", observa
Nobre.
No "melhor dos cenários", diz ele, a redução das chuvas será de 10%.
"Mesmo que consigamos manter o máximo de aumento da temperatura
(global) em 1,5°C, que é o plano mais ambicioso da Convenção das
Mudanças Climáticas (o chamado Acordo de Paris), devemos estar
preparados para uma estação de chuvas mais curta e uma estação de secas
mais longa na maior parte do Brasil."
Os impactos disso foram observados pelo coordenador do MapBiomas água, Carlos Souza Jr.
"As evidências vindas do campo já indicam que as pessoas já começaram a
sentir o impacto negativo com o aumento de queimadas, impacto na
produção de alimentos, e na produção de energia, e até mesmo com o
racionamento de água em grandes centros urbanos", afirmou Souza no
comunicado emitido pela organização.
Semideserto no Nordeste e savana na Amazônia
As regiões do Brasil a serem mais afetadas pelas secas prolongadas serão o Norte, o Centro-Oeste e o Nordeste, segundo Nobre.
No Nordeste, caso a temperatura global continue aumentando, o perigo é "mais de 50% da região virar um semideserto", em vez do semiárido atual, explica o cientista.
O alerta já havia sido dado, no início de agosto, pelo relatório mais
recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na
sigla em inglês):
"O Nordeste brasileiro é a área seca mais densamente povoada do mundo e
é recorrentemente afetado por extremos climáticos", destacou o texto.
O impacto será direto na vida de ao menos 10 milhões de pessoas que
vivem atualmente na agricultura e pecuária nordestinas. Isso porque um
Nordeste semidesértico "não terá agricultura como se pratica hoje.
Poderia haver só um pouco de agricultura à beira do rio São Francisco,
mas mesmo a vazão do São Francisco vai diminuir, afetando também o potencial de geração de energia elétrica", diz Nobre.
É um exemplo da crise hídrica vivida em todo o Brasil e que já impacta a
produção de energia pelas hidrelétricas do país, leva a aumento nos
custos das contas de luz pagas pelos consumidores e força o uso de
usinas termelétricas - que, por sua vez, são mais poluentes e contribuem para mais emissão de gases do efeito estufa.
Enquanto isso, na Amazônia, o perigo identificado por pesquisadores como Carlos Nobre é com o iminente risco de a região virar uma savana - perdendo, portanto, as características únicas de uma floresta tropical.
"Vários
estudos mostram que se continuarmos a desmatar, vamos passar do que
chamamos de ponto de não retorno - um ponto irreversível de
savanização", diz Nobre. Espécies animais e vegetais únicas do Brasil
serão perdidas no processo. "Antes, víamos uma mega-seca a cada 20 anos
na Amazônia; agora são duas secas por década."
"Precisamos zerar o desmatamento a jato (rapidamente), em poucos anos,
no que talvez seja o maior desafio que o Brasil pode enfrentar", opina
Nobre.
GLOBO REPÓRTER: Amazônia tem a maior faixa contínua de manguezal do planeta
Saúde humana e agricultura
Se sentimos (literalmente) no corpo os efeitos do clima mais seco na
saúde, a produção agrícola também vai viver os impactos da escassez de
água, explica Nobre.
"(Produção de) grãos, pecuária - toda essa estrutura que são
importantes elementos econômicos (do Brasil) já está sendo prejudicada
pelo aumento dos extremos climáticos", afirma. Colheita de soja, em foto de arquivo; segundo Carlos Nobre, força
agrícola brasileira é ameaçada pelas mudanças climáticas e pelo
desmatamento — Foto: Reuters via BBC
"Por mais que empresas de pesquisas, universidades e Embrapa (agência
de pesquisas agrícolas) tentem desenvolver variedades de grãos mais
adaptadas a secas prolongadas e a temperaturas mais elevadas, o clima
está ganhando a guerra. A agricultura tem que se preparar para isso",
prossegue.
"E temos que torcer para (o aumento global da) temperatura não passar
de 1,5°C, porque se nós continuarmos com este ritmo de emissões e não
tivermos sucesso em zerá-las até 2050, na segunda metade do século, o Brasil tropical deixará de ser uma potência agrícola - ficará muito quente e seco e inapropriado para esse tipo de agricultura", prossegue.
Ele cita como exemplo a queda na produtividade da soja na região
conhecida como Matopiba (que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)
em decorrência do ar mais quente que tem sido soprado da Amazônia.
Boletim de julho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou
efeitos mistos da crise hídrica no mês passado: de um lado, prejudicou a
irrigação de lavouras; de outro, ajudou na maturação das safras de
milho e algodão.
Eventos climáticos extremos
E se no centro e no norte do Brasil as chuvas ficarão mais escassas, a
tendência é de que o mesmo não se repita em parte do Sudeste e Sul do
país - que podem, na verdade, ver sua quantidade de chuvas aumentar nas
próximas décadas, diz o pesquisador.
Com isso, essas regiões (onde o clima é, por si só, mais ameno que no
restante do país, por sua localização geográfica) podem acabar ganhando
força na produção agrícola nacional.
O
que não significa, porém, que não sofrerão com os devastadores efeitos
dos chamados eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais, secas
prolongadas e ondas de calor.
Esses eventos climáticos têm se tornado mais frequentes em todo o mundo
são também consequência direta do aquecimento global, como apontou o
relatório do IPCC divulgado no início de agosto.
"Com o aumento gradual do nível do mar, os eventos extremos que
ocorreram no passado apenas uma vez por século ocorrerão com mais
frequência no futuro", disse, na ocasião do lançamento do relatório,
Valérie Masson-Delmotte, copresidente do grupo de trabalho do IPCC que
produziu o texto.
No Brasil, segundo Carlos Nobre, mesmo que - hipoteticamente - não
houvesse um aquecimento global em curso no mundo, os sucessivos recordes
de desmatamento na Amazônia e no Pantanal já estariam tendo impactos
nocivos sobre o clima brasileiro.
Na prática, os dois fenômenos - desmatamento e aumento das temperaturas - têm ocorrido juntos, potencializando um ao outro.
"Mesmo no ano passado, quando a maioria dos países reduziu suas
emissões (de gases do efeito estufa) por conta da pandemia, o Brasil
aumentou suas emissões por culpa do desmatamento", diz Nobre.
Embora ele destaque que, nos últimos anos, o Brasil avançou em
construir uma matriz energética mais limpa - cerca de 11% da nossa
energia vem de fontes eólicas ou solares, diz ele -, o Brasil, até o
momento, "está na contramão dos compromissos assumidos" de participar do
esforço contra o aquecimento global.