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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Como brinquedos podem criar estereótipos de gênero no cérebro da própria criança

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A forma como lidamos com as crianças, mesmo antes de elas nascerem, podem ter impactos duradouros em suas vidas.
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TOPO
Por Melissa Hogenboom, BBC

Postado em 15 de julho de 2021 às 11h30m


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As crianças pequenas estão constantemente em busca de pistas sobre seu lugar no mundo — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
As crianças pequenas estão constantemente em busca de pistas sobre seu lugar no mundo — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC

Minha filha é obcecada por tudo que é "de menina". Antes mesmo de completar 2 anos, ela só queria saber de usar vestidos floridos rosa.

Quando tinha 3 anos e vimos um grupo de crianças jogando futebol, sugeri que ela poderia jogar quando fosse um pouco mais velha.

"Futebol não é para meninas", ela respondeu com firmeza.

Observei cuidadosamente que as meninas, embora em minoria, também estavam jogando. Ela não se convenceu.

No entanto, ela também é barulhenta, adora subir nas coisas e pular, atributos muitas vezes descritos como "masculinos".

Foi um tanto inesperado ouvir suas ideias sobre o que meninas e meninos deveriam fazer tão cedo, mas considerando o quanto os mundos de muitas crianças condicionados pelo gênero desde o início, é fácil entender por que isso acontece.

Essas divisões iniciais podem parecer inocentes, mas com o tempo nossos mundos de gênero têm efeitos duradouros sobre como as crianças crescem para compreender a si mesmas e as escolhas que fazem — assim como sobre como se comportam na sociedade em que vivem.

Mais tarde, as ideias de gênero continuam a influenciar e perpetuar uma sociedade que, sem saber, promove valores ligados à masculinidade tóxica, o que é uma má notícia para todos nós, independentemente de como nos identificamos. Então, como exatamente nossa obsessão pelo gênero tem um impacto tão duradouro em nosso mundo?

A ideia de que as mulheres eram intelectualmente inferiores aos homens era considerada um fato há vários séculos.

A ciência tentou por muito tempo encontrar as diferenças subjacentes a essa suposição.

Aos poucos, vários estudos foram contestando muitas dessas diferenças propostas e, ainda assim, nosso mundo continua teimosamente marcado pelo gênero.

Pensando bem, não deveria ser nenhuma surpresa, dada a forma como somos socializados quando crianças. Os pais e cuidadores ​​não têm a intenção de tratar meninos e meninas de maneira diferente, mas as evidências mostram que claramente tratam.

Começa antes do nascimento, com as mães descrevendo os movimentos do bebê de maneira diferente, se sabem que vão ter um menino. Bebês do sexo masculino são mais propensos a serem descritos como "enérgicos" e "fortes", mas essa diferença não existe quando as mães não sabem o sexo.

Desde que foi possível identificar o sexo biológico por meio de uma ultrassonografia, uma das primeiras perguntas feitas aos futuros pais é se eles vão ter um menino ou uma menina. Antes disso, a forma e o tamanho da barriga eram usados ​​para adivinhar o sexo, embora não haja evidências de que isso funcione.

Apesar do fato de muitas meninas jogarem futebol — e do recente sucesso do futebol profissional feminino —, o esporte ainda é visto como predominantemente masculino — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Apesar do fato de muitas meninas jogarem futebol — e do recente sucesso do futebol profissional feminino —, o esporte ainda é visto como predominantemente masculino — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC

Mais sutis são as diferentes palavras que usamos para descrever meninos e meninas, mesmo quando o comportamento é exatamente o mesmo. Se adicionarmos os brinquedos baseados em estereótipos de gênero a isso, reforçamos os traços sutis e hobbies que são atribuídos ao sexo masculino e feminino.

A forma como as crianças brincam é uma parte extremamente importante do desenvolvimento. É assim que as crianças desenvolvem habilidades e interesses. Os blocos encorajam a construção, enquanto as bonecas podem incentivar a tomada de perspectiva e cuidados.

Uma variedade de experiências lúdicas é claramente importante.

"Quando você canaliza apenas um tipo de brinquedo que desenvolve a habilidade de construção para metade da população, isso significa que metade da população vai desenvolver um determinado conjunto de habilidades ou desenvolver um determinado conjunto de interesses", diz Christia Brown, professora de psicologia da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos.

As crianças também são como pequenos detetives, descobrindo a que categoria pertencem, aprendendo constantemente com as pessoas ao seu redor. Assim que entenderem em que gênero se encaixam, vão naturalmente gravitar em torno das categorias que foram impostas a ela desde o nascimento.

Crianças checam a temperatura em um robô em uma demonstração em uma escola primária em Madri, no dia 4 de setembro, em meio à pandemia da Covid-19. — Foto: Paul White/AP
Crianças checam a temperatura em um robô em uma demonstração em uma escola primária em Madri, no dia 4 de setembro, em meio à pandemia da Covid-19. — Foto: Paul White/AP

É por isso que, a partir dos dois anos, as meninas tendem a buscar coisas cor de rosa, enquanto os meninos as evitam. Eu vivi isso na pele quando minha filha aos dois anos se recusou teimosamente a usar qualquer coisa que parecesse um pouco "de menino", apesar das minhas tentativas inúteis de não definir claramente o gênero de suas roupas desde o início. 

Não é nenhuma surpresa, então, que crianças em idade pré-escolar aprendam a se identificar com seu gênero tão cedo, especialmente porque os pais e amigos costumam dar brinquedos associados a ao seu gênero desde o início.

Uma vez que as crianças entendem a qual "tribo de gênero" pertencem, elas se tornam mais receptivas aos rótulos de gênero, explica Cordelia Fine, psicóloga da Universidade de Melbourne, na Austrália. Isso, então, influencia seu comportamento.

Por exemplo, até mesmo a forma como um brinquedo é apresentado pode mudar o interesse de uma criança por ele. Descobriu-se que as meninas se interessam mais por brinquedos tipicamente de menino se eles forem cor de rosa, por exemplo.

No entanto, isso tem consequências. Se dermos apenas bonecas ou kits de beleza às meninas e não aos meninos, estamos estimulando elas a se associarem a esses interesses. Os meninos podem ser incentivados a gostar de atividades mais ativas por meio de ferramentas de brinquedo e carrinhos.

Ainda assim, os meninos também gostam claramente de brincar de boneca, embora não seja o tipo de brinquedo que normalmente seja comprado para eles. Meu filho embala um bebê de brinquedo assim como a irmã fazia, e gosta de empurrá-lo em um carrinho de bebê.

Embora os meninos não costumem ganhar bonecas de presente para brincar, eles podem gostar de cuidar delas tanto quanto as meninas — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Embora os meninos não costumem ganhar bonecas de presente para brincar, eles podem gostar de cuidar delas tanto quanto as meninas — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC 

"Os meninos nos primeiros anos de vida também são carinhosos e cuidadosos. Nós apenas os ensinamos bem cedo que essa é uma 'habilidade feminina' e punimos os meninos por isso", diz Brown.

Se, desde a infância, os meninos são desencorajados a brincar com brinquedos que podemos associar como femininos, eles podem não desenvolver um conjunto de habilidades que podem ser necessárias mais tarde na vida.

Se eles são desencorajados por seus colegas a brincar de boneca e, ao mesmo tempo, veem a mãe cuidando a maior parte do tempo dos filhos, o que isso quer dizer sobre de quem é o papel de cuidar? E assim entramos no reino do "essencialismo biológico", em que atribuímos uma base inata a um comportamento que é, quando você se aprofunda, altamente provável de ser aprendido.

Os brinquedos são uma coisa, mas características também são propensas a estereótipos de gênero. Os pais de meninos costumam falar sobre como eles são mais barulhentos e gostam de brincadeiras mais brutas, enquanto as meninas são mais gentis e dóceis. As evidências sugerem o contrário.

Na verdade, estudos mostram que nossas próprias expectativas tendem a moldar a forma como vemos os outros e a nós mesmos. Pais atribuíram rostos zangados de gênero neutro como sendo de meninos, enquanto rostos felizes e tristes foram rotulados como de meninas.

As mães são mais propensas a enfatizar os atributos físicos dos filhos homens — até mesmo estabelecendo objetivos mais aventureiros para os meninos do que para as meninas. Também superestimam a habilidade de engatinhar dos filhos homens em comparação com a das filhas mulheres, apesar de não haver diferenças físicas.

Portanto, os vieses das próprias pessoas podem estar influenciando seus filhos e, portanto, reforçando esses estereótipos.

A linguagem também desempenha um papel poderoso — as meninas supostamente falam mais cedo, um efeito pequeno, mas identificável, e isso pode ser devido ao fato de que pesquisas mostram que as mães conversam mais com as meninas do que com os meninos.

Há algumas evidências que sugerem que as mães conversam mais com as filhas mulheres, o que melhora o desenvolvimento da linguagem — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Há algumas evidências que sugerem que as mães conversam mais com as filhas mulheres, o que melhora o desenvolvimento da linguagem — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC

Elas também falam mais sobre emoções com as meninas.

Em outras palavras, inconscientemente, socializamos as meninas para acreditar que são mais falantes e emotivas, e os meninos agressivos e físicos.

Brown explica que é claro por que essas concepções equivocadas continuam mais tarde na vida. Desprezamos os comportamentos que não estão de acordo com os estereótipos que esperamos.

"Então você ignora todas as vezes que os meninos estão sentados em silêncio lendo um livro ou todas as vezes que as meninas estão correndo pela casa gritando", diz ela.

"Nossos cérebros parecem 'pular' o que consideramos informação estereotipada inconsistente."

Ignorar certos comportamentos de meninas e meninos pode contribuir para a percepção dos estereótipos de gênero — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Ignorar certos comportamentos de meninas e meninos pode contribuir para a percepção dos estereótipos de gênero — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC

Os pais também compram para as meninas brinquedos e roupas normalmente vendidos para meninos, mas raramente o contrário, muitas vezes na tentativa de serem neutros em relação ao gênero.

Isso por si só oferece uma perspectiva interessante de como vemos o gênero. Os homens sempre foram vistos como o sexo dominante e poderoso, o que significa que os pais, abertamente ou não, desencorajam os meninos a gostarem de coisas "de menina".

Como Fine explica, "começamos a ver manifestações da hierarquia de gênero — meninos começando aparentemente a responder ao 'estigma' da feminilidade, mesmo neste período inicial [da infância]."

Isso revela por que os pais se sentem muito mais confortáveis ​​com meninas usando roupas "de menino" do que com meninos vestindo roupas "de menina". Ou por que crescer como uma moleca rendeu comentários positivos para mim — nunca gostei de bonecas e adorava subir em árvores.

O oposto ocorre com os meninos que se vestem ou agem de maneira feminina. Ser visto como "uma menina" ou exibir traços femininos rebaixa o status dos homens — que ainda acabam com uma renda menor.

Especialistas em estudo de gênero concordam que essas preferências são altamente condicionadas socialmente — mas ainda há falta de consenso sobre se algum comportamento de gênero é inato — por exemplo, há evidências de que meninas que foram expostas a níveis mais elevados de andrógenos no útero preferem brinquedos que normalmente são classificados como "de meninos".

Quando consideramos as respostas fisiológicas a situações que podem invocar empatia, mulheres e homens reagem da mesma forma, só que desde cedo as mulheres foram socializadas para agir mais de acordo com essa emoção aparentemente feminina. — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC
Quando consideramos as respostas fisiológicas a situações que podem invocar empatia, mulheres e homens reagem da mesma forma, só que desde cedo as mulheres foram socializadas para agir mais de acordo com essa emoção aparentemente feminina. — Foto: Javier Hirschfeld/Getty Images via BBC

Mesmo neste caso, Fine indica que pode ser o ambiente moldando suas preferências. Essas meninas tampouco apresentam consistentemente melhor capacidade espacial — habilidade que costuma ser considerada melhor nos homens.

Também sabemos que os bebês são extremamente sensíveis aos sinais sociais ao seu redor, eles podem detectar diferenças desde cedo. Independentemente de como essas preferências se desenvolvam, são os adultos e também seus colegas que continuam a condicionar e a esperar determinados comportamentos, criando um mundo de gênero com consequências preocupantes.

Por exemplo, quando as meninas entram na escola — não existe uma lacuna de gênero em matemática, mas mais tarde ela começa a aumentar à medida que suas expectativas de si mesma e do professor entram em cena.

Menina assiste a aula em escola primária em Beckum, oeste da Alemanha, no dia 6 de julho. — Foto: Ina Fassbender / AFP
Menina assiste a aula em escola primária em Beckum, oeste da Alemanha, no dia 6 de julho. — Foto: Ina Fassbender / AFP

Isso é especialmente problemático porque o reforço desses estereótipos de gênero "está em desacordo com o princípio igualitário de gênero contemporâneo de que seu sexo não deve determinar seus interesses ou futuro", diz Fine.

Quando brinquedos específicos são vendidos para meninos, isso também pode estar mudando o cérebro para fortalecer as conexões envolvidas, por exemplo, no reconhecimento espacial.

De fato, quando um grupo de meninas jogou Tetris por três meses, a área do cérebro delas envolvida no processamento visual se revelou maior do que daquelas que não jogaram. Se meninos e meninas são apresentados a diferentes tipos de hobbies, as mudanças cerebrais podem ocorrer naturalmente.

Como explica a neurocientista Gina Rippon, da Aston University, no Reino Unido, o próprio fato de vivermos em um mundo de gênero cria um cérebro de gênero. Isso gera uma cultura de meninos que se sentem condicionados a se comportar de acordo com traços tipicamente masculinos — eles podem ser excluídos pelos colegas se não agirem assim.

Se nos concentrarmos nas diferenças, isso também significa, como diz Rippon, que começamos a aceitar certos mitos, como que meninos são melhores em ciências e meninas em cuidar.

Isso continua na vida adulta. Foi demonstrado que as mulheres subestimam suas habilidades quando questionadas sobre o quão bem se saíram em exercícios de matemática, enquanto os homens superestimam suas notas. As mulheres também vão se sair pior em um teste se forem informadas antes de que seu sexo normalmente vai mal. É claro que isso pode e afeta as escolhas de escola, universidade e carreira.

Ainda mais preocupante é a ideia de que a forma como alguns traços masculinos são enfatizados desde o início e depois condicionados está ligada à violência sexual masculina contra a mulher.

Sabemos, por exemplo, que indivíduos que cometem violência sexual tendem a ter uma alta "masculinidade hostil", diz a psicóloga Megan Maas, da Michigan State University, nos Estados Unidos. Essas são as crenças de que os homens são naturalmente violentos, precisam ter satisfação sexual e que as mulheres são naturalmente submissas.

Estudos também mostram que as meninas que gostam muito de princesas estão mais preocupadas com sua aparência e são mais propensas a "se auto-objetivar — então elas se veem como um objeto sexual", diz Maas.

As garotas com maior pontuação em "estereótipos sexualizados de gênero" também minimizaram características associadas à inteligência. Desde cedo, tanto meninas quanto meninos mostraram ver a atratividade como "incompatível com inteligência e competência", concluiu um estudo.

Brown e seus colegas também argumentaram em um artigo de 2020 que a agressão sexual de homens contra mulheres é tão comum precisamente por causa dos valores que condicionamos às crianças. Essa socialização vem de uma combinação dos pais, da escola, da mídia e dos colegas.

"A objetificação sexual para meninas começa muito cedo", afirma Brown.

Uma das razões pelas quais essas ideias e suposições de gênero continuam a existir é, em parte, porque ainda há relatos regulares de diferenças cerebrais inatas entre homens e mulheres.

No entanto, a maioria dos estudos de imagens cerebrais que não encontram diferenças de gênero nem sequer mencionam o gênero. Outros ainda não foram publicados. Isso é conhecido como viés de publicação — quando nenhum efeito é encontrado, eles simplesmente não são mencionados ou examinados.

E, para aqueles que encontram pequenas diferenças, é difícil realmente mostrar o quanto a cultura ou expectativas estereotipadas desempenham um papel nisso. Cérebros adultos tampouco podem ser categorizados nitidamente em cérebros masculinos e cérebros femininos.

Em um estudo que analisou 1,4 mil tomografias cerebrais, a neurocientista Daphna Joel e seus colegas descobriram uma "extensa sobreposição entre as distribuições de mulheres e homens para toda a massa cinzenta, massa branca e conexões avaliadas". Ou seja, em geral somos mais parecidos uns com os outros do que diferentes.

Um estudo mostrou até mesmo que as mulheres agiam tão agressivamente quanto os homens em um videogame quando era dito a elas que seu gênero não seria revelado, mas menos quando eram informadas que o pesquisador sabia se os participantes eram homens ou mulheres.

Conclui-se que as mulheres tendem a ser consideradas menos agressivas e mais empáticas.

Quando consideramos as respostas fisiológicas a situações que podem invocar empatia, mulheres e homens reagem da mesma forma, só que desde cedo as mulheres foram socializadas para agir mais de acordo com essa emoção aparentemente feminina.

Isso significa que, para que haja qualquer mudança significativa, as pessoas precisam primeiro entender seus vieses e estar atentas quando suas ideias preconcebidas não se encaixam nos comportamentos que veem. Mesmo pequenas diferenças em relação ao que elas esperam das meninas e dos meninos podem se acumular com o tempo.

Portanto, vale a pena lembrar por que as pessoas são condicionadas a pensar que os meninos são mais barulhentos e tomar nota das ocasiões em que isso não é verdade.

Minha filha certamente é tão barulhenta — ou até mais — quanto seu irmão, enquanto ele também adora fazer de conta que está cozinhando. Embora esses não sejam exemplos necessariamente representativos, eles também não se encaixam em nossas ideias sobre o que meninos e meninas gostam.

Por outro lado, seria fácil para mim ter destacado a disposição do meu filho de subir em tudo e a preferência da minha filha por cor de rosa, mascarando as inúmeras vezes que ela brinca de carrinho e ele de boneca.

Quando nossos filhos inevitavelmente começam a apontar as divisões de gênero, podemos ajudar revendo os estereótipos com outros exemplos, como explicando que as meninas podem e jogam futebol e que os meninos também podem ter cabelo comprido.

Podemos incentivar ainda uma ampla variedade de brinquedos, independentemente do gênero a que se destinam. Precisamos oferecer o máximo de oportunidades possível "para que eles tenham experiências que vão contra esse tipo de avalanche de brincadeiras de gênero", diz Maas.

Se não entendermos que somos mais parecidos do que diferentes desde o nascimento e tratarmos nossos filhos assim, nosso mundo continuará a ter gênero. Desfazer essas suposições não é fácil, mas talvez possamos todos pensar duas vezes antes de dizer a um menino como ele é corajoso, e a uma menina como ela é gentil ou perfeita.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Floresta amazônica já emite mais gás carbônico do que absorve, aponta estudo

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Pesquisadora do Inpe diz que a floresta emite 0,29 bilhão de toneladas de carbono por ano para a atmosfera além do que consegue absorver. Pesquisa foi publicada na revista científica Nature.
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Por Bruna de Alencar, G1

Postado em 14 de julho de 2021 às 14h25m


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Fogo consome parte da floresta amazônica em Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. — Foto: AP Photo/Andre Penner
Fogo consome parte da floresta amazônica em Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. — Foto: AP Photo/Andre Penner

Estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista científica Nature, liderado por uma pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que regiões da floresta afetadas pela degradação ambiental estão levando o conjunto da Amazônia a emitir mais carbono do que consegue absorver.

"A primeira má notícia é essa: por conta das queimadas e do desmatamento, a Amazônia, hoje, é uma fonte de carbono", explica Luciana Vanni Gatti, uma das autoras do estudo.

Luciana Gatti diz que a segunda "má notícia" é a descoberta de um efeito secundário do desmatamento: a emissão indireta de carbono causada pelo impacto da diminuição das chuvas na fotossíntese.

"É sabido que acontece uma emissão direta com a queimada. A emissão indireta acontece porque, segundo o que observamos, as regiões desmatadas apresentam maior perda de chuva, principalmente na estação seca (agosto a outubro)", explica a pesquisadora.

Com a queda o volume das chuvas, a temperatura subiu 2°C no nordeste da floresta e 2,5°C no sudeste, e esse "estresse" afetou a fotossíntese, fazendo que as árvores emitam mais CO2 do que em situações normais para compensar o desequilíbrio.

Segundo Gatti, atualmente a floresta emite - além do que consegue absorver - 0,29 bilhão de toneladas de carbono por ano para a atmosfera.

A pesquisa aponta que o principal ponto que leva ao desequilíbrio é a região sudeste da Amazônia, que faz fronteira com outros biomas e também concentra parte do chamado "Arco do desmatamento", região vulnerável do bioma pelas pressões do desmate e das queimadas.

Metodologia: amostras do ar

A metodologia da pesquisa envolveu a coleta de 590 amostras do ar em diferentes altitudes, variando de 4.420 metros a 300 metros acima do nível do mar com o auxílio de aviões em quatro locais na Amazônia no período de 2010 a 2018.

De acordo com a revista e com os envolvidos no estudo, essa é a primeira vez que um estudo aponta a diminuição no potencial de absorção da floresta. Segundo Gatti, a mudança na metodologia de medição do carbono permitiu que o grupo chegasse a uma conclusão ainda inédita na comunidade científica.

"Outros projetos ainda não chegaram a essa conclusão porque eles medem o carbono disponível no tronco das árvores, enquanto a gente mede o gás carbônico direto na atmosfera. Nós medimos o CO2 que está no ar e que é resultante de tudo que está acontecendo na Amazônia", explica Gatti.

O estudo aponta que as emissões totais de carbono são maiores na Amazônia oriental do que na parte ocidental, sendo a parte sudeste da Amazônia a mais comprometida.

"O sudeste da Amazônia, em particular, atua como uma fonte líquida de carbono (fluxo total de carbono menos as emissões do fogo) para a atmosfera", afirmam os pesquisadores no artigo.

A região Sudeste da Amazônia engloba uma parte mais ao Sul do estado do Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. São áreas muito desmatadas historicamente e atualmente. Há, ainda, uma região de floresta ecótona, que é a área de transição entre o bioma amazônico e o Cerrado. Estudos anteriores já demonstravam a importância da manutenção da floresta inclusive para a manutenção das chuvas importantes para a agropecuária.

Redução da fotossíntese

Segundo Gatti, com o aumento da temperatura causado agravamento do desmatamento, as árvores deixam de fazer fotossíntese e passam apenas a emitir os gases para a atmosfera, e não mais absorvê-los.

Além disso, o aumento da estação seca é um fator a mais de degradação.

"O problema é que desmatando nós estamos tornando a estação seca (de agosto a outubro) cada vez mais estressante, mais seca, mais quente e mais longa. A gente só está piorando o cenário. E ainda, ao invés de parar o desmatamento, não, a gente ainda está aumentando. A gente tinha que parar o desmatamento e começar a recuperar áreas que estão extremamente desmatadas, muito acima da nossa legislação", explica Gatti.

Em um ano, o desmatamento na Floresta Amazônica aumentou 9,5%
Em um ano, o desmatamento na Floresta Amazônica aumentou 9,5%

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segunda-feira, 12 de julho de 2021

Mudanças climáticas: o gás 'esquecido' que contribui 300 vezes para efeito estufa do que CO2

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Óxido nitroso corresponde a cerca de 6% das emissões de gases de efeito estufa, a maior parte vinda da agricultura.
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TOPO
Por Ula Chrobak, BBC

Postado em 12 de julho de 2021 às 12h40m


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Agricultura é principal fonte de emissões de N2O a partir da atividade humana — Foto: Getty Images via BBC
Agricultura é principal fonte de emissões de N2O a partir da atividade humana — Foto: Getty Images via BBC

No esforço mundial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a fonte de nossos alimentos está ganhando destaque.

Há uma boa razão para isso: a agricultura é responsável por 16% a 27% das emissões do aquecimento global causadas pela ação do homem.

Mas muitas dessas emissões não são de dióxido de carbono (CO2), o conhecido vilão da mudança climática. São de outro gás: óxido nitroso (N2O).

Também conhecido como gás hilariante, o N2O não recebe a atenção que merece, diz David Kanter, pesquisador de poluição de nutrientes na Universidade de Nova York, nos EUA, e vice-presidente da International Nitrogen Initiative, organização focada em pesquisa e formulação de políticas de combate à poluição por nitrogênio.

"É um gás de efeito estufa esquecido", afirma.

No entanto, molécula por molécula, o N2O é cerca de 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono no aquecimento da atmosfera.

E, assim como o CO2, tem vida longa, passando em média 114 anos no céu antes de se desintegrar. Também destrói a camada de ozônio.

De fato, o impacto climático do gás hilariante não é uma piada.

Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estimaram que o óxido nitroso corresponde a cerca de 6% das emissões de gases de efeito estufa, e cerca de três quartos dessas emissões de N2O são provenientes da agricultura.

Mas, apesar de sua importante contribuição para a mudança climática, as emissões de N2O foram amplamente ignoradas pelas políticas climáticas.

E o gás continua a se acumular.

Uma revisão de 2020 das fontes e sumidouros de óxido nitroso mostrou que as emissões aumentaram 30% nas últimas quatro décadas — e estão excedendo praticamente todos os potenciais cenários de emissões mais elevadas descritos pelo IPCC.

O solo agrícola — sobretudo por causa do uso intensivo de fertilizantes sintéticos à base de nitrogênio no mundo — é o principal culpado.

Hoje, os cientistas estão buscando várias maneiras de tratar o solo ou ajustar as práticas agrícolas para reduzir a produção de N2O.

"Qualquer coisa que possa ser feita para melhorar a eficiência do uso de fertilizantes seria importante", diz Michael Castellano, agroecologista e cientista do solo da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA.

Desequilíbrio de nitrogênio

A humanidade desequilibrou o ciclo de nitrogênio da Terra.

Fertilizantes sintéticos são grande fonte de emissões de N2O na agricultura — Foto: Getty Images via BBC
Fertilizantes sintéticos são grande fonte de emissões de N2O na agricultura — Foto: Getty Images via BBC

Antes do surgimento da agricultura moderna, a maior parte do nitrogênio disponível nas fazendas vinha de compostos, esterco e micróbios fixadores de nitrogênio que pegam o gás nitrogênio (N2) e o convertem em amônia, um nutriente solúvel que as plantas podem absorver pelas raízes.

Isso tudo mudou no início dos anos 1900 com o lançamento do processo Haber-Bosch, que oferecia um método industrial para produzir grandes quantidades de fertilizante à base de amônia.

Essa abundância de fertilizantes sintéticos impulsionou a produção agrícola e ajudou a alimentar as pessoas em todo o mundo, mas esse excedente de nitrato e amônia vem com custos ambientais.

A produção de fertilizantes à base de amônia é responsável por cerca de 1% de todo o uso global de energia — e por 1,4% das emissões de CO2 (o processo requer aquecer o gás nitrogênio e submetê-lo a pressões de até 400 atm, portanto, consome muita energia).

Mais importante, o fertilizante leva ao aumento das emissões de óxido nitroso porque os agricultores tendem a aplicar o nitrogênio em seus campos algumas vezes em grandes quantidades durante o ano, e as lavouras não conseguem usar tudo.

Quando as raízes das plantas não absorvem o fertilizante, parte dele escoa do campo e polui os cursos de água.

O que resta é consumido por uma sucessão de micróbios do solo que convertem a amônia em nitrito, depois em nitrato e, finalmente, de volta ao gás N2.

O N2O é produzido como um subproduto em alguns pontos durante este processo.

Aplicar fertilizantes com cuidado na hora que as plantas realmente precisam ou encontrar maneiras de manter a produção agrícola com menos fertilizantes nitrogenados reduziria essas emissões de N2O.

Os cientistas estão analisando várias maneiras de fazer isso.

Uma estratégia que está sendo investigada é usar técnicas de agricultura de precisão que adotam tecnologia de sensoriamento remoto para determinar onde e quando adicionar nitrogênio aos campos, e em que quantidade.

Outra é usar inibidores de nitrificação, produtos químicos que suprimem a capacidade dos micróbios de transformar a amônia em nitrato, impedindo a criação de N2O e mantendo o nitrogênio no solo para ser usado pelas plantas por um período de tempo mais longo.

A ampla adoção destas duas práticas reduziria as emissões de óxido nitroso em cerca de 26% de sua trajetória atual até 2030, de acordo com uma estimativa de 2018 feita por pesquisadores do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados na Áustria.

Mas os autores dizem que será necessário mais do que isso para ajudar a atingir as metas de gases do efeito estufa, como as estabelecidas no Acordo de Paris.

Portanto, os cientistas estão explorando estratégias adicionais.

Soluções de solo

Micróbios no solo quebram amônia por meio de uma série de reações, liberando N2O no processo, o que pode ser medido em campo — Foto: Getty Images via BBC
Micróbios no solo quebram amônia por meio de uma série de reações, liberando N2O no processo, o que pode ser medido em campo — Foto: Getty Images via BBC

Uma opção envolve aproveitar o potencial de certos micróbios para fornecer nitrogênio diretamente às plantas, da mesma forma que as bactérias fixadoras de nitrogênio já fazem em parceria com o feijão, amendoim e outras leguminosas.

"Há realmente uma mina de ouro vivendo no solo", diz Isai Salas-González, biólogo computacional, que recentemente terminou seu doutorado na Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, e escreveu um artigo sobre o microbioma vegetal publicado neste ano na revista acadêmica Annual Review of Microbiology.

Nessa linha, desde 2019 a empresa Pivot Bio comercializa um produto microbiano chamado Pivot Bio Proven que, segundo eles, forma uma simbiose com as raízes das lavouras depois que um inoculante é derramado nos sulcos onde as sementes de milho são plantadas. (A empresa planeja lançar produtos semelhantes para sorgo, trigo, cevada e arroz.)

Os micróbios fornecem nitrogênio aos poucos, em troca de açúcares liberados pela planta, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diz Karsten Temme, presidente-executivo da Pivot Bio.

Temme conta que os cientistas da empresa criaram o inoculante ao isolar uma cepa da bactéria Kosakonia sacchari que já tinha capacidade de fixar nitrogênio em seu genoma, embora os genes em questão não fossem naturalmente ativos sob as condições do campo.

Usando a tecnologia de edição de genes, os cientistas foram capazes de reativar um conjunto de 18 genes para que a bactéria produza a enzima nitrogenase, mesmo na presença de fertilizante sintético.

"Nós as induzimos a começar a produzir essa enzima", diz Temme.

Steven Hall, biogeoquímico da Universidade Estadual de Iowa, está testando agora o produto em grandes contêineres do tamanho de uma caçamba de lixo com milho sendo cultivado neles.

Os pesquisadores aplicam o inoculante, junto a diferentes quantidades de fertilizante sintético, no solo e medem as safras de milho, a produção de óxido nitroso e a quantidade de nitrato que é liberado da base dos contêineres.

Embora os resultados do teste ainda não tenham sido divulgados, Hall diz que há "um bom embasamento inicial" para a hipótese de que os micróbios reduzem a necessidade de fertilizantes, diminuindo assim as emissões de óxido nitroso.

Plantio direto

Mas alguns cientistas do solo e microbiólogos são céticos quanto a uma rápida solução microbiana.

Adotar uma aração mínima pode ajudar a reduzir as emissões de N2O do solo — Foto: Getty Images via BBC
Adotar uma aração mínima pode ajudar a reduzir as emissões de N2O do solo — Foto: Getty Images via BBC

"Biofertilizantes" como esses têm um sucesso relativo, dependendo do solo e do ambiente em que são aplicados, diz Tolu Mafa-Attoye, estudante de pós-graduação em microbiologia ambiental na Universidade de Guelph, no Canadá.

Em um estudo de campo de trigo, por exemplo, inocular as safras com micróbios benéficos aumentou o crescimento das plantas, mas resultou em colheitas apenas ligeiramente maiores.

As incógnitas são abundantes, escreveram em fevereiro os colegas de Mafa-Attoye da Universidade de Guelph na revista acadêmica Frontiers in Sustainable Food Systems — como, por exemplo, se os micróbios vão afetar negativamente a ecologia do solo ou se vão ser superados por micróbios nativos.

Em vez de adicionar um micróbio, pode fazer mais sentido encorajar o crescimento de micróbios desejáveis ​​que já existem no solo, diz Caroline Orr, microbióloga da Teesside University, no Reino Unido.

Ela descobriu que reduzir o uso de pesticidas levou a uma comunidade microbiana mais diversa e a uma maior quantidade de fixação natural de nitrogênio. 

Além disso, a produção de óxido nitroso é influenciada pela disponibilidade de carbono, oxigênio e nitrogênio — e todos são afetados pelo ajuste do uso de fertilizantes, irrigação e aração.

Veja, por exemplo, o ato de arar a terra. Uma análise de mais de 200 estudos mostrou que as emissões de óxido nitroso aumentaram nos primeiros 10 anos depois que os agricultores pararam ou reduziram o hábito de arar suas terras. Mas depois disso, as emissões caíram.

Johan Six, coautor da análise e agroecologista do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça, acredita que é porque no começo os solos estavam em um estado fortemente compactado após anos de equipamentos passando por cima deles.

Com o tempo, porém, o solo não perturbado forma uma estrutura semelhante a migalhas de biscoito que permite que mais ar entre.

E em ambientes com alto teor de oxigênio, os micróbios produzem menos óxido nitroso.

Esses sistemas de plantio direto também resultam em mais armazenamento de carbono porque menos aração significa conversão reduzida de carbono orgânico em CO2 — proporcionando, assim, um benefício adicional para o clima.

Pode até ser possível para os agricultores economizar dinheiro em fertilizantes e água e reduzir as emissões, mantendo a produtividade.

Em uma pesquisa em fazendas de tomate no Vale Central da Califórnia, Six descobriu que terrenos de estudo com preparo reduzido do solo e um sistema de irrigação por gotejamento que liberava nitrogênio lentamente para as plantas — diminuindo a quantidade de nutrientes acumulados no solo — as emissões de N2O foram reduzidas em 70%, em comparação com terrenos gerenciados de forma convencional.

O agricultor que implementou essas mudanças também foi compensado por sua redução de gases de efeito estufa por meio do programa estadual de cap-and-trade (quando os limites de emissão de um setor podem ser negociados entre as empresas, criando créditos de carbono para aquelas que reduzirem as suas emissões). 

Com os incentivos certos, convencer os agricultores a reduzir suas emissões pode não ser tão difícil, diz Six.

No estado americano do Missouri, o agricultor Andrew McCrea cultiva 2.000 acres de milho e soja em sistema de plantio direto.

Neste ano, ele planeja reduzir o uso de fertilizantes e ver se o inoculante da Pivot Bio pode manter sua produção mais ou menos igual.

"Acho que todos os agricultores certamente se preocupam com o solo", diz ele.

"Se pudermos cortar custos, também será ótimo."

E se os formuladores de políticas públicas se voltarem para o combate ao óxido nitroso, haverá grandes benefícios para todos nós, afirma Kanter, da Universidade de Nova York.

Alguns deles poderiam ser mais rápidos e tangíveis do que o combate às mudanças climáticas.

As mesmas medidas que reduzem os níveis de N2O também diminuem a poluição do ar e da água local, assim como as perdas de biodiversidade.

"São coisas que as pessoas vão ver e sentir imediatamente", afirma Kanter, "em anos, ao invés de décadas ou séculos."

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Este artigo foi publicado originalmente na Knowable Magazine, e foi republicado pela BBC Future com permissão.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

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