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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Equipe de transição de Biden anuncia conselho consultivo contra Covid; brasileira está na lista

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Luciana Borio é pesquisadora sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores dos EUA e especializada em biodefesa, segundo comunicado. Veja perfil da brasileira. 
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Por G1  
09/11/2020 11h14  Atualizado há 4 horas
Postado em 09 de novembro de 2020 às 15h15m



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Joe Biden e Kamala Harris no discurso em que a dupla comemorou a vitória nas eleições dos EUA — Foto: ANDREW HARNIK/REUTERS via BBC
Joe Biden e Kamala Harris no discurso em que a dupla comemorou a vitória nas eleições dos EUA — Foto: ANDREW HARNIK/REUTERS via BBC

A equipe de transição do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta segunda-feira (9) o conselho consultivo para o combate à Covid-19. Entre os membros anunciados está a brasileira Luciana Borio.

Borio é pesquisadora sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, ex-diretora de preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional do país e ex-cientista-chefe interina da FDA (sigla em inglês para Food and Drug Administration), órgão equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – veja mais abaixo.

A equipe de especialistas em saúde pública vai aconselhar Biden, a vice-presidente, Kamala Harris, e a equipe de transição do governo para enfrentar a pandemia. O conselho consultivo será liderado pelos copresidentes David Kessler, Vivek Murthy e Marcella Nunez-Smith.

"Lidar com a pandemia do coronavírus é uma das batalhas mais importantes que nosso governo enfrentará, e serei guiado pela ciência e por especialistas", afirmou Biden no comunicado.

Segundo o presidente eleito dos EUA, o conselho consultivo "ajudará a moldar a abordagem para gerenciar o aumento nas infecções relatadas; garantir que as vacinas sejam seguras, eficazes e distribuídas de forma eficiente, equitativa e gratuita; e proteger as populações em risco".

Na campanha, Biden prometeu uma estratégia completamente diferente da adotada por Donald Trump, a começar por garantir que as decisões de saúde pública seriam amparadas na ciência e informadas por profissionais da área. Essa era uma das principais promessas do democrata.

Biden diz que vai nomear força-tarefa contra Covid-19 nos EUA
Biden diz que vai nomear força-tarefa contra Covid-19 nos EUA

Pandemia nos EUA

Atual presidente americano e derrotado por Biden na disputa eleitoral, Donald Trump chegou a dizer em março que o coronavírus iria simplesmente "desaparecer". No final de outubro, o chefe de gabinete de Trump afirmou "não vamos controlar a pandemia" e voltou a comparar o vírus com a da gripe.

São mais de 10 milhões de casos no país, e o número óbitos passa de 237 mil. Na sequência, vêm Índia (8,5 milhões e 126 mil, respectivamente) e Brasil (5,6 milhões e 162 mil).

Além dos copresidentes e da cientista brasileira, o conselho terá como membros Rick Bright, Ezekiel Emanuel, Atul Gawande, Celine Gounder, Julie Morita, Michael Osterholm, Loyce Pace, Robert Rodriguez e Eric Goosby.

Quem é Luciana Borio

Luciana Borio, em foto de setembro de 2014 — Foto: Alex Wong/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo
Luciana Borio, em foto de setembro de 2014 — Foto: Alex Wong/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo

O comunicado da equipe de transição de Biden diz que Borio é especialista em biodefesa, doenças infecciosas emergentes, desenvolvimento de produtos médicos e emergências complexas de saúde pública.

A cientista brasileira é pesquisadora sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores americano e já foi diretora de preparação médica e de biodefesa do Conselho de Segurança Nacional do país e cientista-chefe interina da FDA.

Borio também já foi diretora do escritório de contraterrorismo e de ameaças emergentes e comissária assistente para política de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional, segundo o comunicado da equipe de transição de Biden.

Alerta de 2018

Borio vive desde o fim da década de 1980 nos EUA, segundo a BBC, e era assessora da Casa Branca em maio de 2018 quando alertou, durante um simpósio, que uma pandemia de gripe seria a principal ameaça à segurança sanitária do país.

"Estamos preparados para responder a uma pandemia? Receio que a resposta seja não", afirmou Borio durante uma palestra para marcar os 100 anos da pandemia de gripe espanhola, de acordo com a BBC.

Naquele mês, Trump decidiu fechar o departamento que era chefiado por Borio e que seria responsável pela resposta a uma nova pandemia. Em março de 2020, o presidente americano afirmou que "ninguém sabia que haveria uma pandemia ou epidemia dessa proporção".

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Economistas do mercado elevam estimativa de inflação para 3,20% em 2020

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Projeção anterior era de 3,02%. Economistas ouvidos pelo Banco Central ainda reduziram a previsão de queda do PIB neste ano, para 4,80%.  
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  
09/11/2020 08h35 Atualizado há 3 horas
Postado em 09 de novembro de 2020 às 11h40m


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Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, de 3,02% para 3,20% em 2020. Essa foi a décima terceira alta seguida no indicador.

A expectativa faz parte do boletim de mercado conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

No decorrer do ano, com a pandemia do novo coronavírus e a recessão na economia brasileira, o mercado baixou a estimativa de inflação. Nos últimos meses, porém, com a alta do dólar e com a retomada da economia, os preços voltaram a subir.

Em setembro, a inflação oficial do país avançou 0,64%, a maior alta para o mês desde 2003. Em outubro, subiu para 0,86%, a maior desde 2002.

Apesar da alta, a expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,11% para 3,17% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Retração da economia

Sobre o comportamento da economia brasileira em 2020, os economistas do mercado financeiro baixaram sua estimativa de tombo do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,81% para 4,80% na semana passada.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

PREVISÕES DO MERCADO PARA O PIB DE 2020
(EM %)
04/01/201929/03/201905/06/201901/08/201920/11/201919/02/202013/03/202027/03/202009/04/202024/04/202008/05/202022/05/202005/06/202019/06/202003/07/202017/07/202031/07/202014/08/202028/08/202011/09/202025/09/202009/10/202023/10/202006/11/20200-7,5-5-2,52,55
Fonte: BANCO CENTRAL

Na última semana, o mercado baixou de 3,34% para 3,31% a estimativa de expansão do PIB para 2021.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão. Nos últimos meses, porém, indicadores têm mostrado uma retomada da economia brasileira.

  • Taxa básica de juros

Após a manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano no fim de outubro, o mercado segue prevendo estabilidade na Selic neste patamar até o fim deste ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado ficou estável em 2,75% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 permaneceu estável em R$ 5,45. Para o fechamento de 2021, continuou em R$ 5,20 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2020 caiu de US$ 58,70 bilhões para US$ 57,90 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado permaneceu em US$ 55 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 50 bilhões. Para 2021, a estimativa permaneceu estável em US$ 65 bilhões.
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Após vitória de Biden, dólar tem dia de volatilidade e fecha estável

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Nesta segunda-feira (9), moeda dos EUA fechou estável, com recuo de 0,08%, cotada a R$ 5,3877.  
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Por G1  
09/11/2020 09h04 Atualizado há 25 minutos
Postado em 09 de novembro de 2020 às 10h00m



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Notas de dólar — Foto: REUTERS/Dado Ruvic
Notas de dólar — Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O dólar teve um dia de volatilidade nesta segunda-feira (9) e fechou estável (recuo de 0,08%), cotado a R$ 5,3877, com a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, apesar da recusa de Donald Trump a reconhecer a derrota. Também impactou análise preliminar que apontou que a vacina da Pfizer contra Covid-19 é mais de 90% eficaz.

Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,2247 e na máxima, a R$ 5,4252. Veja mais cotações.

Na parcial do mês, o dólar acumula queda de 6,10%. No ano, ainda tem alta de 34,36%.

 
Cenário externo e local

"Há coisas boas e ruins (para os mercados financeiros) com a vitória de Biden, mas ao menos o risco de um processo eleitoral prolongado desapareceu", declarou Shoji Hirakawa, estrategista do Instituto de Pesquisas Tokai Tokio.

Os mercados repercutiam também o anúncio da Pfizer, informando que sua vacina experimental é mais de 90% eficaz na prevenção à Covid-19, segundo dados iniciais do estudo da fase 3.

"Isto é muito importante (notícia) porque valida a visão do mercado de que a economia e os resultados podem voltar àquele caminho de crescimento que tinham antes da crise (COVID-19) ter ocorrido", disse Andrea Cicione, chefe de estratégia da TS Lombard de Londres.

O otimismo vem dominando os mercados desde quarta-feira da semana passada, com os investidores aliviados com os resultados das eleições nos Estados Unidos, diante da percepção de que o equilíbrio de poder que se perfila entre republicanos e democratas no Congresso dificultará a execução de grandes mudanças, incluindo um aumento de impostos, um endurecimento das regulamentações ou controle mais rigoroso de grandes empresas.

Entre os investidores, há também a percepção de que as políticas de Biden colaborariam para um dólar globalmente mais fraco, principalmente com a expectativa de aprovação de novas medidas de auxílio fiscal na maior economia do mundo, o que pode dar apoio a moedas de países emergentes.

Embora o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes apresentasse leve alta de 0,12%, a divisa norte-americana apresentava amplas perdas contra algumas das principais moedas arriscadas, como peso mexicano, lira turca, rand sul-africano e dólar australiano.

Biden disse que convocará uma força-tarefa sobre coronavírus nesta segunda-feira para examinar o problema número 1 que enfrentará quando assumir o cargo em janeiro.

Na agenda de indicadores domésticos, os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, de 3,02% para 3,20% em 2020. Já a projeção para tombo do PIB no ano foi revisada de 4,81% para 4,80%. O mercado segue prevendo estabilidade na Selic em 2% ano até o fim de 2020 e taxa de câmbio de R$ 5,45 no final do ano.

Por aqui, permanecem, porém preocupações em torno da trajetória da dívida pública, com os investidores à espera de uma indicação clara sobre se o governo respeitará ou não seu teto de gastos. A principal dúvida é sobre como um pacote de auxílio social seria financiado diante de um orçamento apertado para 2021, e se o governo conseguirá dar prosseguimento à agenda de reformas estruturais.

Esse cenário, somado ao patamar extremamente baixo da taxa Selic e a um crescimento econômico fraco, ajudam a explicar a forte alta dólar no ano ante o real.

Biden promete criar força-tarefa para combater a nova onda de Covid-19 nos EUA
Biden promete criar força-tarefa para combater a nova onda de Covid-19 nos EUA


Variação do dólar em 2020 — Foto: G1
Variação do dólar em 2020 — Foto: G1

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Inflação acelera para 0,86% em outubro, maior alta para o mês desde 2002

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No acumulado no ano, IPCA registra avanço de 2,22% e, em 12 meses, de 3,92%, ainda abaixo da meta central do governo para o ano, que é de 4%. Alta no mês foi puxada por alimentos como arroz (13,36%) e óleo de soja (17,44%), e pelas passagens aéreas (39,83%).  
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 
06/11/2020 09h01 Atualizado há uma hora
Postado em 06 de novembro de 2020 às 10h15m


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Inflação sobe 0,86% em outubro
Inflação sobe 0,86% em outubro

Puxado pela alta nos preços dos alimentos e das passagens aéreas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, avançou 0,86% em outubro, acima da taxa de 0,64% registrada em setembro, divulgou nesta sexta-feira (6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da maior alta para o mês desde 2002, quando a taxa foi de 1,31%, e também da maior taxa desde dezembro de 2019, quando avançou 1,15%. Em outubro de 2019, a variação havia sido de 0,10%.

No acumulado em 2020, o IPCA passou a registrar alta de 2,22% e, em 12 meses, de 3,92%, acima dos 3,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com a forte aceleração, a inflação de 12 meses está agora apenas 0,08 ponto percentual abaixo do centro da meta de inflação do governo para este ano, que é de 4%.

IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Economia G1
IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Economia G1

O resultado ficou ligeiramente acima do esperado. A mediana das projeções de 35 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data era de uma taxa de 0,84%.

Alimentos seguem pressionando

A maior variação (1,93%) e o maior impacto (0,39 ponto percentual) na inflação vieram, mais uma vez, do grupo alimentação e bebidas, embora tenha desacelerado sobre o avanço de 2,28% registrado em setembro. No ano, a inflação dos alimentos acumula alta de 9,37%.

Entre os itens que mais subiram, destaque para alimentos como o arroz (13,36%, após alta de 17,98% em setembro), óleo de soja (17,44%, após avanço de 27,54% em setembro) e carnes (4,25%, após alta de 4,53% em setembro).

Houve aceleração na variação de itens como tomate (de 11,72% em setembro para 18,69% em outubro), frutas (de -1,59% para 2,59%) e batata-inglesa (de -6,30% para 17,01%). No lado das quedas, os destaques foram os preços da cebola (-12,57%), da cenoura (-6,36%) e do alho (-2,65%).

“O que tem puxado a inflação nesses dois últimos meses principalmente são os alimentos. Alguns alimentos, em particular, têm pressionado essa alta, que são o arroz e o óleo de soja, mas tem também as carnes. Em geral, [essa alta] está relacionada à oferta, com influência da alta do dólar sobre as exportações”, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, citando também a contribuição do auxílio emergencial do governo na renda das famílias.

O segundo maior impacto (0,24 ponto percentual) no IPCA de outubro veio dos transportes (1,19%), enquanto a segunda maior variação veio dos artigos de residência (1,53%), com a alta de 2,38%, nos preços dos eletroeletrônicos e dos artigos de informática, influenciados pelo dólar.

Veja o resultado para cada um dos 9 grupos pesquisados

  • Alimentação e bebidas: 1,93%
  • Habitação: 0,36%
  • Artigos de residência: 1,53%
  • Vestuário: 1,11%
  • Transportes: 1,19%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,28%
  • Despesas pessoais: 0,19%
  • Educação: -0,04%
  • Comunicação: 0,21%
Alta de preços fica mais generalizada

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 8 apresentaram alta em outubro. A única queda foi no grupo educação (-0,04%).

"Podemos dizer que as altas de preços estão mais difundidas entre os componentes do IPCA", destacou Kislanov, citando o índice de difusão do IPCA, que avançou de 63% em setembro para 68% em outubro.

O índice de difusão indica o espalhamento da alta de preços entre os produtos pesquisados pelo IBGE. Em maio, esse indicador era de 43% e desde então mantém trajetória ascendente.

IPCA de serviços em outubro — Foto: Economia/G1
IPCA de serviços em outubro — Foto: Economia/G1

Já a inflação dos serviços avançou de 0,17% em setembro para 0,55% em outubro, a maior variação desde fevereiro, quando o indicador foi de 0,68%, reforçando a leitura de uma alta de preços mais disseminada pela economia.

"Pode ser que a gente esteja em um momento de retomada econômica, por causa de alguns indicadores, como o da indústria, que zerou as perdas da pandemia. Mas, ainda estamos em um cenário muito incerto, a exemplo da taxa de desemprego acima de 14%. Então, ainda precisamos aguardar", ponderou o pesquisador. 
Passagens aéreas sobem 39,83%

No grupo dos transportes, a maior variação veio das passagens aéreas (39,83%), que representaram o impacto individual no índice do mês (0,12 p.p.) e o maior fator de pressão na aceleração da inflação de serviços.

“A alta nas passagens aéreas parece estar relacionada à demanda, já que com a flexibilização do distanciamento social, algumas pessoas voltaram a utilizar o serviço, o que impacta a política de preços das companhias aéreas”, afirmou Kislanov.

A segunda maior contribuição no grupo (0,04 p.p.) veio da gasolina, cujos preços subiram 0,85%, desacelerando em relação à alta de 1,95% observada no mês anterior. Outro destaque foi o seguro voluntário de veículo, com aumento de 2,21%, após sete meses consecutivos de quedas.

Inflação tem alta em todas as regiões

O IPCA avançou, na passagem de setembro para outubro, em todas as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE. Em apenas seis delas, o avanço foi menor que a média nacional. A maior alta foi registrada em Rio Branco (1,37%).

Segundo o IBGE, a inflação na capital acreana foi puxada pelos alimentos, sobretudo das carnes (9,24%) e do arroz (15,44%). Já o menor índice foi observado na região metropolitana de Salvador (0,45%), que sofreu influência da queda nos preços da gasolina (-2,32%).

Inflação tem alta em outubro em todas as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1
Inflação tem alta em outubro em todas as regiões pesquisadas pelo IBGE — Foto: Economia/G1

Perspectivas e meta de inflação

Embora o índice de inflação oficial permaneça sob controle no país, a alta do custo de vida tem pesado mais no bolso dos mais pobres. O índice da FGV que mede a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos, por exemplo, acumula alta de 3,86% no ano e 4,54% nos últimos 12 meses.

Apesar da disparada nos alimentos nos últimos meses, a expectativa de inflação para este ano ainda segue abaixo da meta central do governo, de 4%, embora acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

"Chama atenção a elevada dispersão da inflação. Cada vez mais produtos apresentam alta em relação ao mês anterior, sugerindo assim que os preços estão mais contaminados pelos choques que ocorreram este ano e que se espraiam agora de maneira mais disseminada", escreveu em nota para clientes o economista André Perfeito, da Necton.

Os analistas das instituições financeiras projetam um IPCA de 3,02% em 2020, conforme a última pesquisa Focus do Banco Central.

Já o Itaú passou a estimar inflação de 3,41% no ano. "As próximas leituras do IPCA devem seguir pressionadas pela inflação de alimentos e de alguns itens industriais, com destaque para artigos de casa, eletroeletrônicos e vestuário. Projetamos variação de 0,47% em novembro e 0,70% em dezembro", informou o banco em relatório..

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 2% – mínima histórica.

Nos últimos meses, com a alta do dólar e recuperação da atividade econômica, os preços passaram a subir num ritmo mais acelerado, principalmente alimentos.

Na ata da última reunião do Copom, o Banco Central avaliou que pressão sobre a inflação é 'temporária' e espera 'reversão' na alta de preços. O BC endureceu, porém, a mensagem sobre o eventual espaço para cortar a taxa básica de juros e frisou estar atento à piora do quadro fiscal do país e as implicações do aumento da dívida pública para a política monetária.

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,10% para 3,11% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1


Copom diz que pressão sobre a inflação é 'temporária'
Copom diz que pressão sobre a inflação é 'temporária'

INPC de outubro sobe 0,89

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice de referência para reajustes salariais e benefícios previdenciários, subiu 0,89%, acima dos 0,87% registrados em setembro. Trata-se do maior resultado para um mês de outubro desde 2010, quando o índice foi de 0,92%.

No ano, o INPC acumula alta de 2,95% e, nos últimos 12 meses, de 4,77%, acima dos 3,89% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2019, a taxa foi de 0,04%.

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