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sábado, 19 de setembro de 2020

Após alta do arroz, entenda por que crise econômica deixará preços estáveis

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Nos 12 meses até agosto, alimentação no domicílio teve aumento de 11,4% nos preços. 
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Na cena original, Nazaré carregava um bebê roubado, cuja família estava no seu encalço.

A brincadeira mostra o quão valioso se tornou um item da cesta básica brasileira: com alta de 3,98% em agosto, o arroz acumula um aumento de 19,25% no ano.

No caso do feijão, dependendo do tipo e da região, a alta acumulada supera os 30%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. Completam a lista das maiores altas do ano o leite (23%) e os ovos (7,1%).

A inflação no prato do brasileiro despertou a dúvida: estamos prestes a viver uma sucessão de alta nos preços, no momento em que a taxa básica de juros (Selic) — usada para controlar a inflação — está no seu mais baixo patamar histórico? 

A resposta é não. A inflação recente observada nos alimentos é pontual e não deve se expandir para outros setores da economia, segundo economistas ouvidos pela BBC News Brasil. Mas o motivo por trás isso não é uma boa notícia.

"Não existe demanda que sustente um aumento de preços generalizado", diz André Braz, coordenador do Índice de Preço ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Pressão sobre alimentos

"No Brasil, a capacidade de consumo está freada pelo alto endividamento das famílias", completa o economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

"Com exceção dos alimentos, estamos em deflação, as pessoas pararam de consumir. E o mercado de trabalho dinâmico vai demorar a voltar", diz Maria Andreia Parente Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com André Braz, um dos fatores que explicam a alta recente no preço dos alimentos é o aumento da demanda interna.

"A classe média brasileira criou um certo colchão de reservas, porque deixou de gastar com lazer e viagens, por exemplo, e com a pandemia ficou mais tempo na residência, o que a levou a cozinhar em casa", diz.

Ao mesmo tempo, os mais pobres tiveram o auxílio emergencial de R$ 600 concedido pelo governo federal, e quase um quarto do ganho das classes menos favorecidas é destinado à alimentação. Houve uma maior demanda por alimentos, no momento em que a taxa de câmbio disparou, como reflexo do déficit público muito elevado, afirma Braz.

"Com isso, muitos produtores preferiram exportar parte da produção, já que existe uma alta demanda por alimentos em todo o mundo, especialmente da China, com a compra de grãos e proteína animal", diz.

Assim, na equação entre alta demanda e baixa oferta, o preço sobe.

Essa pressão sobre o preço dos alimentos deve se manter até o fim do ano, mas em menor proporção, segundo os economistas.

"O colchão da classe média vai se tornando cada vez mais fino com o passar do tempo, enquanto o auxílio emergencial, cujo valor já caiu pela metade - são R$ 300 -, só será concedido até dezembro", afirma Braz.

"Uma queda mais significativa no preço do arroz deve ser observada no começo do ano que vem, com uma nova safra", diz Maria Andrea.

Impacto sobre os mais pobres

De acordo com a pesquisadora do Ipea, o aumento recente nos preços corrói os ganhos dos mais pobres.

Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, a inflação dos segmentos de renda mais baixa subiu 3,2%, atingindo uma taxa mais de duas vezes superior à da inflação das famílias de maior poder aquisitivo (1,5%), segundo o Ipea.

"Em agosto, por exemplo, as famílias de maior renda tiveram um alívio com a queda nos preços das mensalidades escolares, algo que não impacta a vida das famílias mais pobres", diz ela.

O indicador do Ipea aponta que segmentos como vestuário e cama, mesa e banho registraram uma forte queda nos preços nos últimos meses, como reflexo da pandemia.

"Mas ainda que os empresários desses setores repassem algum aumento até o fim do ano, não será nada significativo, simplesmente porque não há demanda", diz Maria Andrea.

"Não há qualquer fator que justifique uma pressão inflacionária generalizada no Brasil".

Com 13 milhões de desempregados, 6 milhões de "desalentados" (quem desistiu de procurar trabalho) e 40 milhões sobrevivendo no setor informal, o Brasil está longe de entrever uma retomada da economia, afirma Ladislau Dowbor.

"A grande massa da população está fragilizada e endividada", diz o professor da PUC-SP. Segundo ele, parte do que foi ganho com o auxílio emergencial sustentou o sistema financeiro, com pagamento de cheque especial e juros do cartão.

"O país soma 61 milhões de pessoas 'negativadas', ou seja, com nome sujo, porque não entendem que a cobrança dos juros é mensal, e não anual, como no resto do mundo", diz. Como exemplo, Dowbor cita a taxa de juros do crédito rotativo, que está em 255% no Brasil ao ano — contra 11% no Canadá, por exemplo. "Isso trava completamente a capacidade de compra", afirma.

Do lado dos comerciantes, não há expectativas positivas sequer para a principal data do ano, o Natal.

"Cerca de 9 milhões de pessoas tiveram o seu contrato de trabalho suspenso no Brasil durante a pandemia", diz Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)

"Parte desses trabalhadores nem vai voltar à ativa, porque muitas empresas como restaurantes, bares, cinemas, pequenos negócios de eventos e vestuário fecharam as portas", afirma. Com menos gente recebendo o 13º salário, menos dinheiro será injetado na economia em novembro e dezembro.

"Vamos ter certamente um Natal pior do que o do ano passado", diz.

Para 2021, os economistas acreditam que o Brasil vai ficar perto da meta de inflação, de 3%, sem superá-la.

O movimento de recuperação da economia será muito gradual — bem distante do "V da Nike", figura usada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para apontar uma ascensão apenas um pouco mais lenta que a queda.

"A retomada da economia vai depender fundamentalmente do equilíbrio fiscal, para recuperar a confiança dos investidores", diz Fábio Pina.

Na opinião de André Braz, os governantes poderiam começar cortando o próprio salário, para mostrar o quanto estão comprometidos com a redução de despesas e o equilíbrio das contas públicas.

"Mas raramente as equipes econômica e política deste governo entram em acordo."

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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Brasileiros voltam a procurar trabalho, e desemprego diante da pandemia bate recorde, diz IBGE

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Número de desempregados aumentou em mais de 1 milhão em uma semana. Segundo o IBGE, a flexibilização do isolamento social fez com que os trabalhadores desocupados voltassem a procurar uma oportunidade no mercado.  
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Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro  

18/09/2020 09h01 Atualizado há 2 horas
Postado em 18 de setembro de 2020 às 11h05m

Levantamento do IBGE, número de pessoas que estavam em isolamento social rígido teve queda de 6,5% em uma semana, o que puxou a retomada da busca por ocupação no mercado de trabalho — Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Levantamento do IBGE, número de pessoas que estavam em isolamento social rígido teve queda de 6,5% em uma semana, o que puxou a retomada da busca por ocupação no mercado de trabalho — Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O desemprego diante da pandemia voltou a crescer na quarta semana de agosto, na comparação com a anterior, atingindo o maior patamar desde maio, quando teve início a pesquisa. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, entre a terceira e a quarta semana de agosto aumentou em mais de 1 milhão o número de desempregados no país, chegando a cerca de 13,7 milhões o total de trabalhadores em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. Com isso, a taxa de desemprego subiu de 13,2% para 14,3%, a maior desde o início do levantamento, em maio deste ano, quando ela era de 10,5%.

No início de maio, todo o mundo estava afastado, em distanciamento social, e não tinha uma forte procura [por emprego]. O mercado de trabalho estava em ritmo de espera para ver como as coisas iam se desenrolar. As empresas estavam fechadas e não tinha local onde essas pessoas pudessem trabalhar. Então, à medida que o distanciamento social vai sendo afrouxado, elas vão retornando ao mercado de trabalho em busca de atividades, apontou a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

Número de desempregados diante da pandemia bateu recorde na última semana de agosto — Foto: Economia/G1Número de desempregados diante da pandemia bateu recorde na última semana de agosto — Foto: Economia/G1

Segundo a pesquisadora, o aumento do desemprego pode estar diretamente relacionado com o avanço da flexibilização do isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus. A pesquisa mostrou "o número de pessoas que ficaram rigorosamente isoladas diminuiu pela segunda semana seguida".

Taxa de desemprego no Brasil bate recorde na pandemiaTaxa de desemprego no Brasil bate recorde na pandemia

De acordo com o levantamento, na quarta semana de agosto somavam 38,9 milhões o número de pessoas em isolamento social rígido, o que representa uma queda de 6,5% em relação à semana anterior, quando esse contingente era de 41,6 milhões.

Já a parcela da população que ficou em casa e só saiu por necessidade permaneceu estável. São 88,6 milhões de pessoas nessa situação, representando 41,9% da população do país. 

Também houve estabilidade no contingente dos que não estavam em isolamento social, chegando a 5 milhões de pessoas, assim como permaneceu estável o contingente de 77 milhões dos que reduziram o contato, mas que continuaram saindo de casa ou recebendo visitas.

A gente está vendo uma maior flexibilidade das pessoas, uma maior locomoção em relação ao mercado de trabalho, pressionando o mercado de trabalho, buscando emprego. E esses indicadores ficam refletidos no modo como eles estão se comportando em relação ao distanciamento social, enfatizou a coordenadora da pesquisa.

No mesmo período, diminuiu em cerca de 500 mil o número de pessoas ocupadas no mercado de trabalho, o que corresponde a uma queda de aproximadamente 0,7%, o que o IBGE considera como estabilidade.

Afastamento do trabalho permanece em queda
A pesquisa mostrou, ainda, que reduziu em cerca de 360 mil o número de pessoas que estavam afastadas do local de trabalho devido ao isolamento social. Eram 3,6 milhões de trabalhadores nesta situação na última semana de agosto, o que representava 4,4% do total de pessoas ocupadas no mercado de trabalho. Uma semana antes, essa taxa era de 4,8%.

Na primeira semana de agosto, 19,8% dos trabalhadores ocupados estavam afastados do trabalho em função da pandemia. Esse contingente manteve queda semanalmente.

A cada semana, diminui mais o número de trabalhadores afastados por causa do isolamento social — Foto: Economia/G1A cada semana, diminui mais o número de trabalhadores afastados por causa do isolamento social — Foto: Economia/G1

Já o trabalho remoto, o chamado home office, permaneceu estável em cerca de 8,3 milhões de trabalhadores nesta condição. Esse número chegou a 8,9 milhões na quinta semana de maio.

Informalidade tem leve alta
De acordo com o IBGE, somavam cerca de 27,9 milhões o número de pessoas trabalhando na informalidade na última semana de agosto, cerca de 300 mil a mais que na semana anterior.

Com isso, a taxa de informalidade ficou em 34%, acima dos 33,4% registrada na terceira semana de agosto. Apesar da alta, o IBGE considera como estabilidade do indicador. Já na comparação com a primeira semana de maio, quando esse contingente somava cerca de 30 milhões de pessoas, a taxa de informalidade teve queda de 1,7 ponto percentual - era de 35,7% no início do levantamento.

São considerados como trabalhadores informais pelo IBGE aqueles empregados no setor privado sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e empregadores sem CNPJ, além de pessoas que ajudam parentes.

Segundo o IBGE, a informalidade é a via de mais fácil acesso ao mercado de trabalho e, por isso, sofre oscilações com maior facilidade que a população ocupada ou desempregada.


Pnad Covid X Pnad Contínua
O levantamento foi feito entre os dias 13 e 29 de agosto por meio da Pnad Covid19, versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua realizada com apoio do Ministério da Saúde para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal no Brasil.

Apesar de também avaliar o mercado de trabalho, a Pnad Covid19 não é comparável aos dados da Pnad Contínua, que é usada como indicador oficial do desemprego no país, devido às características metodológicas, que são distintas. Os dados da Pnad Contínua mais atuais são referentes a julho, e apontaram uma alta do desemprego para 13,3%, com queda recorde no número de ocupados.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Esqueleto de Tiranossauro Rex vai a leilão em NY com lances que podem passar os US$ 8 milhões

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Espécime tem 4 metros de altura e 12 de comprimento; fóssil foi descoberto em uma propriedade privada dos Estados Unidos em 1987. 
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Por France Presse 
16/09/2020 20h47 Atualizado há 14 horas 
Postado em 17 de setembro de 2020 às 10h50m

            .      Post.N.\9.481     .        
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Esqueleto de Tiranossauro Rex vai a leilão em Nova York
Esqueleto de Tiranossauro Rex vai a leilão em Nova York

Um dos esqueletos mais completos de um Tiranossauro Rex em todo o mundo vai a leilão em Nova York no próximo dia 6 de outubro. A casa de leilões Christie's disse nesta quarta-feira (16) que esse lote pode quebrar o recorde absoluto de sua categoria e ser arrematado por mais de US$ 8 milhões.

A ossada foi batizada de Stan, que chegou a pesar até oito toneladas quando viveu há 67 milhões de anos. O espécime tem quatro metros de altura e 12 metros de largura, um digno representante do reino dos dinossauros que fascina o mundo inteiro.

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$ 8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$ 8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

O fóssil foi descoberto nos Estados Unidos em 1987, perto de Buffalo, no estado da Dakota do Sul. Paleontólogos do Instituto de Pesquisa Black Hills trabalharam mais de 30 mil horas para desenterrar e recompor seu esqueleto, que tem 188 ossos.

Seus restos foram usados para fazer moldes de gesso para dezenas de museus no mundo inteiro que desejavam adquirir uma cópia do T-Rex. Pesquisadores estimam que Stan morreu com aproximadamente 20 anos de idade.

Em exposição no museu do Instituto Black Hills desde 1996, a venda ocorre após um desacordo entre os administradores do instituto, de acordo com James Hyslop, responsável pelo Departamento de Instrumentos Científicos, Globos e História Natural na casa de leilões, em Londres.

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

Segundo a lei norte-americana, é permitida a venda de fósseis quando eles são descobertos em uma área privada, como foi o caso de Stan. O preço de venda estimado deste esqueleto fossilizado é de US$ 6 milhões a US$ 8 milhões.

Até o momento, a ossada mais cara de um T-Rex já vendida ficou conhecida como Sue. O lance foi dado em outubro de 1997. O Museu de História Natural de Chicago arrebatou por uma bagatela de US$ 8,4 milhões, segundo Sotheby's.

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões — Foto: Mike Segar/Reuters

Apenas cerca de 50 T-Rex foram encontrados em todo o mundo. O primeiro deles foi descoberto em 1902. Hyslop explicou que não há muitos esqueletos completos à disposição. Segundo ele, a oportunidade de se comprar um "tão completo é algo único em toda uma geração".

"Seria a obra-prima de qualquer museu de história natural", destacou Hyslop. "O T-Rex tem um status de ícone, o que é refletido em seu preço. É o dinossauro que atrai multidões."

Stan será exposto em uma das vitrines da sede da Christie's em Nova York, no coração de Manhattan até o dia 21 de outubro. Como a cabeça é muito pesada, foi colocada uma réplica no esqueleto. O crânio verdadeiro será exposto ao lado da ossada.

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Pesquisa mostra desaceleração da Covid-19 e queda na proporção de pessoas com anticorpos no Brasil

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Maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil mostrou, na fase mais recente, queda no número de pessoas que teve contato com o vírus, com relação ao estágio anterior. Coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), pesquisa apontou ainda que a queda foi menor entre os idosos e as crianças.  
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Por Lilian Lima e Jonas Campos, G1 RS e RBS TV  
15/09/2020 18h27 Atualizado há uma hora
Postado em 15 de setembro de 2020 às 19h35m

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Pesquisadores retiram uma gota de sangue para identificar anticorpos contra a Covid-19 — Foto: Daniela Xu/UFPelPesquisadores retiram uma gota de sangue para identificar anticorpos contra a Covid-19 — Foto: Daniela Xu/UFPel

O maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil revelou que a Covid-19 está desacelerando no país. Coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), a pesquisa mostrou, em sua etapa mais recente, que o número de brasileiros com anticorpos do Sars-Cov-2 - e que, portanto, tiveram contato com o vírus - diminuiu com relação ao período anterior avaliado.

Os dados divulgados nesta terça-feira (15) indicam que, na fase quatro da pesquisa (com amostras coletadas entre 27 e 30 de agosto), 1,4% dos entrevistados tiveram contato com o coronavírus. Na fase 3 (amostras coletadas entre 21 e 24 de junho), o número havia sido 3,8%. Veja, no infográfico abaixo, um comparativo de todas as fases.
Proporção da população com anticorpos no Brasil — Foto: G1Proporção da população com anticorpos no Brasil — Foto: G1

Resultados gerais da pesquisa

  • Diminuiu a proporção da população que apresenta anticorpos, o que confirma a desaceleração da epidemia na maior parte do país. Os anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas.
  • A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada.
  • Maior chance de infecção nos pretos e pardos, modelo já identificado nas fases anteriores. Com a redução da pandemia na Região Norte, a prevalência entre indígenas caiu bastante.
  • Pessoas com famílias entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam o dobro de risco de infecção na comparação entre os 20% mais ricos.

De acordo com os pesquisadores, ao contrário do que se pensava no início da pandemia, os anticorpos que são detectados pelo teste duram apenas algumas semanas. Isso confirma o que já foi verificado em diversos países e vale para diferentes tipos de testes – e não somente para os rápidos, como os utilizados na pesquisa.

Para os pesquisadores, a queda em níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que as pessoas deixem de estar protegidas, já que o organismo guarda a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção.

As pessoas com testes positivos na última fase da pesquisa tiveram infecções relativamente recentes, informou o coordenador-geral do estudo e reitor da Ufpel, Pedro Hallal. Já as infectadas há mais tempo apresentaram resultado negativo nesta etapa.

"Um dos resultados interessantes dessa fase é a estimativa da letalidade da doença. O resultado da pesquisa mostra que, de cada mil pessoas que são contaminadas pelo coronavírus, sete, infelizmente, acabam vindo a óbito", diz o reitor.

A quarta fase da Epicovid-19 fez 33.250 testes e entrevistas entre os dias 27 e 30 de agosto. Esta etapa é a primeira financiada pela iniciativa privada. A fase anterior coletou dados entre os dias 21 e 24 de junho, com o mesmo número de entrevistados. A segunda fase aplicou 31.165 testes, de 4 a 7 de junho. A primeira fase foi realizada duas semanas antes, de 14 a 21 de maio, com 25.025 testes e entrevistas.

Segundo o estudo, o maior percentual de infecção foi observado na Região Norte (2,4%) e no Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o percentual de infecção ficou em 0,5%.

"A interiorização da pandemia, migrando das grandes cidades, das capitais, em direção ao interior foi confirmada na nossa pesquisa. Hoje, por exemplo, as duas cidades com maior proporção da população infectada estão na Região Nordeste e são duas cidades do interior: Juazeiro do Norte e Sobral", explica Hallal.
Infecção por região no Brasil — Foto: G1
Infecção por região no Brasil — Foto: G1

Crianças e idosos

A quarta fase do estudo epidemiológico mostrou uma mudança no padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Entre crianças e idosos, a queda foi inferior ao visto entre adultos. Para o coordenador da pesquisa, as altas prevalências em crianças brasileiras difere do que tem sido relatado em outras regiões do mundo, como a Europa e a China. Um reflexo da diminuição do distanciamento social.

"Enquanto nas primeiras três fases da pesquisa o maior percentual de casos acontecia nos adultos jovens, especialmente aqueles em idade produtiva, que trabalham fora de casa e que estavam tendo que sair, agora, na quarta fase da pesquisa, o maior número de infecções foi observado nas crianças e nos idosos. Exatamente porque esses grupos etários estão mais expostos pela diminuição do distanciamento social", explica Hallal.
Prevalência dos anticorpos por faixa etária — Foto: G1Prevalência dos anticorpos por faixa etária — Foto: G1

Classe social e etnia

De acordo com a pesquisa, famílias mais pobres têm mais chances de contrair a doença. Em todas as fases do estudo, os 20% mais pobres apresentaram o dobro de risco de se contaminar em relação aos 20% mais ricos.

"Esse vírus chegou no Brasil pelos aeroportos e pelas fatias mais ricas da população, mas rapidamente quando ele foi se interiorizando, tanto nas cidades quanto pra fora das grandes capitais, as pessoas mais pobres, que moram em residências menores, que tem mais gente morando na mesma casa, essas pessoas apresentam o dobro do risco de se contaminar pelo coronavírus", diz Hallal.

Também foi confirmada uma maior chance de infecção entre pretos e pardos. Com a redução da pandemia na Região Norte, a prevalência entre indígenas caiu bastante, de acordo com o estudo.

"A pandemia já está diminuindo. Todos podem comemorar com muito cuidado. O que queremos dizer: 'está diminuindo? Sim, está diminuindo. Acabou? Não, não acabou'. Ainda estão morrendo mais ou menos 700 pessoas por dia, de acordo com a média móvel. Significa: estamos no caminho de eliminar essa pandemia, mas precisamos estar atentos. Precisamos seguir usando máscara, seguir praticando o distanciamento social, seguir nos cuidando", diz o reitor.

Resultado de fases anteriores da pesquisa