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terça-feira, 26 de maio de 2020

Pela primeira vez, mais da metade da zona rural e classes mais baixas têm acesso à internet, diz pesquisa

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Segundo levantamento TIC Domicílios, 57% da população entre as classes D e E estava conectada em 2019. Na zona rural, 53%. Pela primeira vez, mais da metade das pessoas que estão nesses dois grupos afirmou ter acesso à rede. 
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 Por Thiago Lavado, G1    
 26/05/2020 13h41  Atualizado há 2 horas  
 Postado em 26 de maio de 2020 às 15h45m  

      Post.N.\9.302  
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Celular é o principal meio de acesso nas casas que possuem serviço de internet — Foto: Caio Fulgêncio/G1
Celular é o principal meio de acesso nas casas que possuem serviço de internet — Foto: Caio Fulgêncio/G1

O acesso à internet nas residências brasileiras cresceu em 2019, com 74% da população já conectada, segundo a pesquisa TIC Domicílios, que afere informações sobre conexão à internet no país. Em 2018, o percentual da população que se dizia conectada era de 70%.

Com o avanço do indicador, agora são 133,8 milhões de usuários de internet no Brasil, apontou a pesquisa divulgada nesta terça-feira (26). O levantamento, um dos principais no país, é feito todos os anos pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic).

Os dados foram compilados antes da pandemia de coronavírus e não refletem ainda as mudanças no uso da rede que aconteceram a partir da segunda quinzena de março. O levantamento colheu informações em 23.490 domicílios, com mais de 20 mil pessoas.
Entre as classes mais baixas (D e E), 57% da população está na internet. O indicador também cresceu na região rural, com 53% das pessoas conectadas. Pela primeira vez, mais da metade da população desses dois indicadores tem acesso à internet.
Usuários de internet no Brasil
Pessoas que utilizaram a internet há menos de 3 meses
Fonte: TIC domicílios

Veja mais destaques da pesquisa:
  • Uso da internet para comunicação é o mais comum: 92% dos usuários afirmam já ter enviado mensagens por WhatsApp ou chat no Facebook;
  • 74% usaram a internet para ver filmes ou séries;
  • 39% dos usuários realizaram compras on-line nos 3 meses anteriores à pesquisa;
  • 68% usaram serviços on-line do governo no último ano, mas o número é maior entre quem tem mais renda (88% na classe A, ante 48% nas classes D e E);
  • Ainda existem 28 milhões de domicílios que não estão conectados, somando 47 milhões de brasileiros.

Celular é principal meio
Os smartphones continuam liderando na pesquisa como o principal dispositivo para acessar a internet: 58% dos usuários se conectam à rede exclusivamente por celulares. Já os computadores tiveram mais um ano de declínio.

Celulares foram utilizados como método de conexão por 99% dos usuários de internet. O computador foi usado por 42% dos usuários. As televisões inteligentes também tiveram alta considerável, de 30% em 2018 para 37% em 2019.

Em 2019, 39% das residências tinham computador, abaixo dos 42% um ano antes. O maior índice, de 50%, foi registrado em 2015.

Dispositivo usado para acessar a internet
Celular ampliou dominância como dispositivo de acesso preferido
Fonte: TIC Domicílios

O uso do celular, como ferramenta exclusiva de acesso, é mais comum nas classes mais baixas, nas zonas rurais e entre pessoas com menor nível de educação.
Nas classes D e E, 85% dos usuários de internet se conectaram exclusivamente por smartphones. O índice foi de 79% na zona rural e de 78% entre as pessoas que tem apenas ensino fundamental.
O celular também é o meio exclusivo de acesso para os mais novos e os mais velhos: 65% das pessoas entre 10 e 15 anos se conectaram usando um dispositivo móvel, mesmo percentual de quem tem 60 anos ou mais.

Diferentes noções de uso da internet
A TIC Domicílios apontou que o número de usuários de internet no país seja maior do que os 74% divulgados. O indicador ampliado aponta que cerca de 79% dos brasileiros têm acesso à rede.

Acontece que muitos usuários não definem como acesso à internet o uso de aplicações específicas e há uma discussão sobre o que quer dizer usar a internet.

"A própria ideia do que é usar a internet está em discussão. Há um percentual de usuários que usa aplicações na internet, mas não reconhece o uso da rede", afirma Fabio Senne, coordenador das pesquisas TIC no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, braço do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

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segunda-feira, 25 de maio de 2020

Brasil tem sete vezes mais contaminados por Covid-19 do que mostram as estatísticas oficiais, aponta pesquisa nacional

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Levantamento fez 25.025 entrevistas em 133 municípios. Entre as conclusões está que 1,4% da população tem anticorpos para a doença. 
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 Por Jonas Campos, RBS TV    
 25/05/2020 20h35  Atualizado há 23 minutos  
 Postado em 25 de maio de 2020 às 21h10m  


      Post.N.\9.301  
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Brasil teria sete vezes mais infectados pelo coronavírus do que mostram dados oficiais
Brasil teria sete vezes mais infectados pelo coronavírus do que mostram dados oficiais

O Brasil tem sete vezes mais casos de coronavírus do que apontam as estatísticas oficiais, mostra a primeira etapa nacional de uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O levantamento foi realizado durante uma semana, entre 14 e 21 de maio, para testar a presença da doença na população.

Isso quer dizer que em um grupo de sete pessoas com o coronavírus, apenas uma sabe que está infectada.
Cidades do Norte concentram maior incidência da doença — Foto: Reprodução/TV Globo
Cidades do Norte concentram maior incidência da doença — Foto: Reprodução/TV Globo

Das 15 cidades com maior prevalência de acordo com o levantamento, 11 estão na região Norte:
No Nordeste, Fortaleza e Recife tem os maiores índices de infectados.
Em São Paulo, 3% foram infectados. No Rio de Janeiro, 2%. Na região Sul, apenas Florianópolis apresentou prevalência superior a 0,5%.

Na região Centro-Oeste, a pesquisa não encontrou caso positivo nas 9 cidades estudadas, apesar de já existir casos e mortes confirmados.

Das cidades visitadas, 21 eram capitais. Os domicílios e as pessoas testadas foram escolhidos por sorteio. Os pesquisadores também analisaram a proporção da população que se contaminou em cada região do país.
No Sudeste, São Paulo apresenta maior prevalência, com 3,1%. Rio de Janeiro tem 2,2% — Foto: Reprodução/TV Globo
No Sudeste, São Paulo apresenta maior prevalência, com 3,1%. Rio de Janeiro tem 2,2% — Foto: Reprodução/TV Globo

No Centro-Oeste, nenhum dos testados em nove cidades estava contaminado — Foto: Reprodução/TV Globo
No Centro-Oeste, nenhum dos testados em nove cidades estava contaminado — Foto: Reprodução/TV Globo

Como é feita a pesquisa
O levantamento já teve três etapas concluídas no Rio Grande do Sul. Pesquisadores do Ibope, participantes do projeto, com equipamentos de proteção individual, foram a campo e fizeram 25.025 entrevistas. Aplicaram também testes rápidos para o coronavírus em 133 municípios de todos os estados do país, incluindo o Distrito Federal.

Em 90 cidades, conseguiram testar pelo menos 200 pessoas. Essa amostragem representa pouco mais de um quarto da população brasileira, com 54 milhões de habitantes.

A pesquisa mostra ainda que nas 90 cidades, a proporção de pessoas com anticorpos foi estimada em 1,4%, podendo variar de 1,3% a 1,6% pela margem de erro da pesquisa.

A partir dos resultados dos testes, os pesquisadores calculam que um total de 760 mil brasileiros nestas áreas foram infectados. Na véspera da pesquisa, os números oficiais apontavam, nestas 90 cidades, 104.792 casos confirmados do coronavírus, e 7,6 mil mortes.

Para o coordenador da pesquisa e reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, o número é "preocupante". "Essas outras pessoas que têm o coronavírus e não sabem involuntariametne podem transmitir para outras pessoas. E isso faz com que a epidemia continue crescendo nesse ritmo preocupante que tem ocorrido no Brasil", disse.

Em Taquari, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Mariele Rosa estava com o vírus e só descobriu depois que um colega de trabalho se contaminou e a empresa dedidiu testar todos os funcionários. A monitora de qualidade ficou em quarentena e se afastou dos dois filhos. Mariele já está recuperada.

"Eu não sentia nada, se não fosse o teste, eu não saberia que eu tava com Covid-19. Foram 14 dias sem sintomas, mas sempre com aquele medo de ter alguma coisa. Tem pessoas assintomáticas por aí que podem estar passando o vírus sem saber", disse.
"A gente pode dizer, com a maior tranquilidade, com base na nossa pesquisa que a contagem de casos de coronavírus não deve ser feito em milhares, ela já deve ser feita certamente em milhões", diz.
O reitor ainda reforça as recomendações de isolamento social, devido às taxas crescentes da doença.

"Enquanto as curvas no Brasil não estiverem na descedente ou enquanto a taxa de transmissão brasileira for recordista mundial, nossa recomendação dos cientistas para a população é ficar em casa o máximo possível não há nenhuma recomendação científica que justifique a flexibilização das medidas de distanciamento social nesse momento", afirma.
Pesquisadores retiram uma gota de sangue para identificar anticorpos — Foto: Daniela Xu/UFPel
Pesquisadores retiram uma gota de sangue para identificar anticorpos — Foto: Daniela Xu/UFPel


Coronavírus: infográfico mostra principais sintomas da doença — Foto: Foto: Infografia/G1
Coronavírus: infográfico mostra principais sintomas da doença — Foto: Foto: Infografia/G1

CORONAVÍRUS

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domingo, 24 de maio de 2020

Triumph Scrambler 1200 ganha versão 'James Bond' limitada a 250 unidades por mais de R$ 125 mil

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Modelo tem acabamentos exclusivos inspirados no filme "007 - Sem tempo para morrer". Unidades são todas numeradas com painel, assento e escapamento são temáticos sobre o agente secreto. 
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 Por G1    
 21/05/2020 14h59  Atualizado há 3 dias  
 Postado em 24 de maio de 2020 às 12h05m  


      Post.N.\9.300  
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Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação
Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação

A britânica Triumph anunciou nesta quinta-feira (21) o lançamento mundial da Scrambler 1200 Bond Edition. O modelo tem acabamento especial inspirado no filme "007 - Sem tempo para morrer" e é limitado a apenas 250 unidades.

No Reino Unido, o modelo custa a partir de 18.500 libras, valor que é equivalente a mais de R$ 125 mil em conversão direta (cotação em 21 de maio).

No trailer do longa é possível ver cenas nas quais motos da montadora são utilizadas nas famosas perseguições do agente secreto. Por conta da pandemia de coronavírus, o filme foi adiado para fazer a estreia em novembro.
Triumph Scrambler 1200 inspirada no agente 007 — Foto: Divulgação
Triumph Scrambler 1200 inspirada no agente 007 — Foto: Divulgação

Para fazer a Bond Edition, a Triumph utilizou como base a top de linha Scrambler 1200 XE, mas deu detalhes exclusivos para o modelo, entre eles:
  • Logos 007 no escapamento e abaixo do painel;
  • Assento de couro estilizado inspirado na franquia;
  • Tele inicial exclusiva sobre Bond;
  • Pintura inspirada nas motos do filme;
cada uma das 250 unidades é numerada.
Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação
Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação

Modelo potente e tecnológico
Apesar de seu estilo "scrambler", que remete a motos retrô para andar na terra, a Triumph Bond edition também traz um amplo pacote tecnológico. A moto conta com 6 modos de pilotagem, além de freios ABS e controle de tração.

O sistema de freios, inclusive, tem ABS avançado com atuação também nas curvas. Seu motor, de 3 cilindros e 1.200 cc, é capaz de gerar 89 cavalos de potência máxima.
Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação
Triumph Scrambler 1200 Bond Edition — Foto: Divulgação
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sábado, 23 de maio de 2020

Terremoto de Valdivia: o que o mundo aprendeu com o maior tremor de terra já registrado

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No 60º aniversário do maior terremoto já registrado, a BBC mostra a dimensão da tragédia e que lições deixou para o estudo da atividade sísmica do planeta.
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 Por BBC  

 Postado em 23 de maio de 2020 às 2115m  
      Post.N.\9.299  
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Terremoto de Valdivia é o de maior magnitude já registrado — Foto: BBC
Terremoto de Valdivia é o de maior magnitude já registrado — Foto: BBC

No domingo, 22 de maio de 1960, o Chile sofreu o terremoto mais forte já registrado de sua história.

Eram 15h11. Por cerca de 10 minutos, o país foi atingido por fortes solavancos ao longo de mil dos seus quase 5 mil quilômetros de costa no Pacífico.

Com magnitude 9,5, o terremoto liberou energia equivalente a 20 mil bombas de Hiroshima e causou um tsunami com ondas de até 25 metros devastando populações costeiras.

Estima-se que mais de 1,6 mil pessoas morreram, 3 mil ficaram feridas e 2 milhões ficaram desabrigadas no sul do país, segundo dados do Serviço de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

A geografia do Chile mudou. Houve populações que afundaram e outras áreas subiram vários metros; um vulcão entrou em erupção e vários rios mudaram seu curso.

A fúria do terremoto se espalhou por todo o mundo. As ondas sísmicas sacudiram o planeta e o fizeram vibrar por vários dias.
OS 7 maiores terremotos da história — Foto: BBC
OS 7 maiores terremotos da história — Foto: BBC

Enquanto a terra tremia, um tsunami se formou no oceano, atingindo também a costa oeste continental dos EUA, o Havaí, as Filipinas e o Japão, totalizando mais de 200 mortes.

Lições da tragédia
"Era um monstro planetário", como descreveu Tom Jordan, então diretor do Centro de Terremotos do Sul da Califórnia, em um artigo da revista científica Nature, no 50º aniversário da tragédia.

O Grande Terremoto do Chile, também conhecido como Terremoto de Valdivia em alusão à cidade mais afetada, ainda é lembrado como uma das maiores catástrofes do país 60 anos depois.
A hecatombe, no entanto, também deixou lições valiosas para a ciência e a prevenção de desastres.

O que aconteceu, como foram sentidos seus efeitos e que dados este terremoto deixou para os cientistas que estudam como a Terra treme?
Onde teve origem o grande terremoto do Chile — Foto: BBC
Onde teve origem o grande terremoto do Chile — Foto: BBC

Um dia trágico
Desde sábado, 21 de maio, a costa chilena, perto de Concepción, já havia registrado fortes terremotos de magnitude superior a 8, mas o grande sismo ocorreu no dia seguinte.

A cerca de 160 quilômetros da costa da cidade de Valdivia, a placa tectônica de Nazca se movia cerca de 30 metros abaixo da placa sul-americana.

Esse fenômeno no qual duas placas contíguas se sobrepõem é conhecido como zona de subducção.
Onde teve origem o grande terremoto do Chile — Foto: BBC
Onde teve origem o grande terremoto do Chile — Foto: BBC

A ruptura que causou a sobreposição, segundo o USGS, se estendeu por mais de mil quilômetros de norte a sul, entre as cidades de Lebu e Puerto Aysén.

O atrito entre as duas placas liberou séculos de energia acumulada, causando os maiores danos na região entre Valdivia e Puerto Montt.

Grande parte da destruição foi causada por ondas de tsunami ao longo da costa.
Cidades como Puerto Saavedra foram completamente destruídas e houve graves danos em outros locais como Corral.
Valdivia foi a cidade mais afetada — Foto: Getty Images/BBC
Valdivia foi a cidade mais afetada — Foto: Getty Images/BBC

O terremoto transformou a geografia
Em Valdivia, a terra afundou 2,7 metros. Nos arredores da cidade, vários rios mudaram de curso, algumas planícies se tornaram zonas úmidas e milhares de hectares de campos cultivados e de pastagem foram perdidos.

"Mudou a paisagem drasticamente", diz Daniel Melnick, pesquisador do Instituto de Ciências da Terra da Universidade Austral do Chile e diretor do Núcleo Milenio Cyclo, um centro que estuda o ciclo sísmico em zonas de subducção, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

"Ainda nos arredores de Valdivia, podemos ver postes telegráficos no meio do rio, cercas, docas e estradas submersas", acrescenta.
Com o tempo, a formação das áreas úmidas também atraiu plantas e espécies de aves antes inéditas na região.
Como acontece um terremoto a partir de uma zona de subducção — Foto: BBC
Como acontece um terremoto a partir de uma zona de subducção — Foto: BBC

Em Maullín e Chiloé, o afundamento do solo "também foi brutal", explica Melnick.
Em outros lugares o chão não afundou, mas subiu. A ilha de Guafo, por exemplo, subiu quatro metros. Já a Ilha Guamblin subiu 5,6 metros.

Em 24 de maio, dois dias após o terremoto, o vulcão Puyehue entrou em erupção, lançando vapor e cinzas a 6 mil metros acima do nível do mar.

Essa erupção, que durou várias semanas, se deveu ao movimento de placas que fizeram com que o continente se espalhasse e abrisse espaço para a liberação do magma.

"Seria como se você estivesse removendo a rolha de um champanhe", diz Melnick.
Após o terremoto, a área do Chile se expandiu o equivalente a 1,5 mil campos de futebol.

Efeito global
O terremoto causou um tsunami que se espalhou por todo o Pacífico.
O atrito entre as placas sacudiu o oceano a uma profundidade de 3 mil metros.
O mais afetado foi o Chile, onde em algumas áreas a forma da baía acabou aumentando a força do tsunami, mas as ondas também atingiram outros pontos do planeta.

Quinze horas após o terremoto, um tsunami atingiu o Havaí, causando 61 mortes e danos graves em Hilo, com ondas com mais de 10 metros de altura.

Nas Filipinas, as ondas mataram 32 pessoas e na Ilha de Páscoa, Samoa e Califórnia houve danos materiais.

Fora do Chile, a 17 mil km de distância, o maior desastre ocorreu no Japão, onde 22 horas após o terremoto ondas de 5,5 metros atingiram a região de Honshu, destruindo 1,6 mil casas e matando 138 pessoas.
Chile está localizado no chamado Anel de Fogo, uma área ao redor do Oceano Pacífico, onde ocorrem alguns dos maiores terremotos e erupções vulcânicas — Foto: Getty Images/BBC
Chile está localizado no chamado Anel de Fogo, uma área ao redor do Oceano Pacífico, onde ocorrem alguns dos maiores terremotos e erupções vulcânicas — Foto: Getty Images/BBC

O planeta vibrou
O Chile está localizado no chamado Anel de Fogo, uma área ao redor do Pacífico onde ocorrem alguns dos maiores terremotos e erupções vulcânicas.

O terremoto de 1960 foi tão forte que vibrou o planeta inteiro por vários dias. Chegou até a afetar a rotação da Terra, reduzindo os dias em milissegundos.

"Essas mudanças não são visíveis pelas pessoas", diz Melnick, "mas as equipes de medição percebem isso".
Como acontece um terremoto a partir de uma zona de subducção — Foto: BBC
Como acontece um terremoto a partir de uma zona de subducção — Foto: BBC

Lições
Mas os efeitos dolorosos e impressionantes do terremoto também deixaram lições para os cientistas que estudam esses fenômenos.
As vibrações planetárias que ele gerou, por exemplo, nos permitiram entender melhor como as ondas sísmicas viajam pela Terra.

O terremoto produziu as primeiras evidências das oscilações do planeta, que são úteis para entender melhor sua estrutura interna.
Compreender essas vibrações também é útil para gerar alertas de tsunami após um terremoto.

De fato, após o Grande Terremoto no Chile, em 1965, foi criado um Sistema de Alerta de Tsunami, que foi fundamental para a detecção de tsunamis em todo o mundo.

O fato de ter sido concluído que o terremoto se devia a uma zona de subducção era "revelador", segundo Melnick.
Antes desse terremoto, não se sabia como ocorria um terremoto em uma falha que não era visível.

Descobrir que existem zonas de subducção "foi a descoberta das placas tectônicas, uma das maiores descobertas da geologia", diz o geólogo.

Ao estudar essas zonas de subducção em várias partes do mundo, os geólogos podem estimar que um terremoto gigante como o do Chile pode ocorrer aproximadamente a cada 300 anos.

Por sua vez, os sedimentos deixados pelos tsunamis em várias costas agora também servem como um indicador para os geólogos identificarem outros locais que podem ser propensos a terremotos gigantes.

Mas para Melnick, além das lições técnicas, também é muito valioso continuar lembrando as histórias do terremoto.

Segundo ele, os testemunhos daqueles que vivenciaram o desastre serviram para elaborar estratégias de sobrevivência e para que as novas gerações estejam mais bem preparadas.

As histórias contadas pelos idosos que viveram o terremoto de 1960 foram muito úteis para as novas gerações entenderem melhor como um terremoto e um tsunami funcionam, para se prepararem melhor e como agir diante de um fenômeno que é inevitável e imprevisível.
"Lembrar do terremoto salva vidas", conclui Melnick.
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