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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Moody's tira grau de investimento do Brasil

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Agência derrubou nota do país em dois 'degraus' de uma só vez. 
Das 3 maiores agências, só Moody's não tinha tirado selo de bom pagador.

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Do G1, em São Paulo
24/02/2016 09h10 - Atualizado em 24/02/2016 09h26
Postado às 09h45
A agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento – selo de bom pagador – do país nesta quarta-feira (24), como já era esperado.

A nota do país caiu dois degraus de uma vez: passou de Baa3, o último nível dentro do grau de investimento, para Ba2, que é categoria de especulação. A agência também colocou o Brasil em perspectiva negativa, indicando que pode sofrer novo rebaixamento.

Em nota, a Moody's afirma que o corte da nota foi influenciado pela maior deterioração das métricas de crédito do Brasil, em um ambiente de baixo crescimento, com expectativa de que a dívida do governo ultrapasse 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos três anos. A agência também aponta a "dinâmica política desafiadora" vai continuar a complicar os esforços de consolidação fiscal e atrasar as reformas estruturais.

"A perspectiva negativa reflete a visão de que os riscos são de uma consolidação e uma recuperação ainda mais lentas, ou de que surjam mais choques, o que cria incertezas em relação à magnitude da deterioração do perfil de crédito do Brasil".

Último a a tirar grau de investimento
Entre as três grandes agência internacionais, apenas a Moody's mantinha o Brasil com grau de investimento. No dia 9 de dezembro, entretanto, a agência colocou a nota do país em revisão para possível rebaixamento, indicando que ela poderia ser reduzida em breve.

A primeira a tirar o selo de bom pagador do Brasil foi a Standard and Poor's (S&P), em setembro do ano passado. Em dezembro, foi a vez da Fitch, que ao mesmo tempo colocou a nota do país em perspectiva negativa, indicando que ela pode voltar a ser rebaixada.

Como principal motivo para a retirada do grau de investimento do país, as agências apontam a deterioração das contas públicas, o aumento do endividamento público e a preocupação com a retomada do crescimento da economia.

No mercado financeiro, a nota de um país funciona como um "certificado de segurança" que as agências de classificação dão a países que elas consideram com baixo risco de calotes a investidores.

Consequências
Ainda que já fosse esperado, o rebaixamento pela Moody´s pode ter efeitos sobre a cotação do dólar, a dívida do país, o financiamento das empresas e o nível de investimentos estrangeiros no país.


Isso porque o grau de investimento é um "selo de qualidade" que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A partir da nota de risco, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido em um país. 

Muitos fundos internacionais, por exemplo, só permitem a aplicação em investimentos que tenham grau de "bom pagador" em pelo menos duas das três agências. Ou seja, diante do alerta e da dúvida, os investidores optam por "não pagar para ver".

Com menos investidores "interessados" no Brasil, o país pode perder dólares, o que acaba tendo reflexos na cotação da moeda. Para o governo e as empresas, fica mais caro conseguir crédito, já que eles passam a ser vistos como "maus pagadores".

Alex Agostini, economista chefe da agência de classificação de risco nacional Austin Rating, acredita, entretanto, que a decisão da Moody´s não deverá provocar turbulências no mercado, uma vez que a decisão já era aguardada. 

"Vai ficar mais difícil o Brasil receber grandes investimentos por parte dos fundos de pensão internacionais. Mas o mercado já precificou e já fez os ajustes em suas carteiras. Eu diria que vai passar desapercebido. Vai ser menos importante que o zika", diz.

Como consequências já visíveis da perda do selo de bom pagador ele cita a queda do volume de investimentos estrangeiros em ações, renda fixa e títulos públicos, como também do montante de investimentos estrangeiros diretos, que recuaram 22,5% em 2015.

Brasil não deve recuperar selo de bom tão cedo
O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody’s.


Agora, com a perda do selo de bom pagador nas 3 agências, a perspectiva para uma reconquista do grau de investimento fica ainda mais distante. Historicamente, países costumam levar cerca de 5 a 10 anos para recuperar o título.

“As perspectivas de melhora ficam ainda mais postergadas. O cenário é muito mais de um novo tropeço do que de uma melhora", avalia Agostini. "Uma melhora da nota do país fica só para depois de 2018, quando tivermos uma situação mais clara sobre o crescimento econômico, que ao que tudo indica não deverá ocorrer antes de 2017", completa.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Grupo australiano cria implante milimétrico que lê pensamentos

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Dispositivo pode vir a mover perna e braço biônicos em vítimas de paralisia.
Tecnologia relativamente pouco invasiva funcionou em teste com animais.

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Da Reuters
23/02/2016 11h11 - Atualizado em 23/02/2016 11h11
Postado às 22h00m

Micro-rede de eletrodos milimétrica é exibida em Melbourne, Austrália. O objetivo é que o mecanismo capte e converta sinais neurais em comandos elétricos que permitam que pacientes paralíticos controlem membros biônicos ou uma cadeira de rodas (Foto: Reuters/Universidade de Melbourne)
O "stentrode", implante cerebral criado por cientistas australianos (Foto: Reuters/Universidade de Melbourne)

Computadores, cadeiras de roda e próteses controladas pelo pensamento podem estar disponíveis dentro de uma década, afirmam cientistas australianos que criaram uma nova tecnologia. Os cientistas planejam conduzir testes em humanos no ano que vem com um implante que pode captar e transmitir sinais cerebrais.

A dispositivo, do tamanho de um palito de fósforo, já foi testado em animais, implantado em vasos sanguíneos próximos ao cérebro. O produto foi batizado de stentrode, porque é essencialmente um stent (uma malha microscópica em forma de tubo) com eletrodos (terminações metálicas que captam eletricidade).

A ideia é usar os sinais elétricos que o dispositivo capta para convertê-los em informações que possam ser usadas para controlar algo como um braço biônico, afirmam os cientistas.

"A grande inovação é que agora nós temos um dispositivo de interface cérebro-computador minimamente invasivo que possivelmente é prático para uso no longo prazo", afirma Terry O'Brien, chefe do Departamento de Medicina e Neurologia da Universidade de Melbourne (Austrália), que desenvolveu o stentrode.

O método atual para acessar sinais cerebrais precisos requer cirurgias complexas com abertura do crânio e se torna menos eficiente após alguns meses.

O stentrode é menos invasivo porque pode ser inserido por uma veia no pescoço do paciente e posicionado em um vaso sanguíneo perto do cérebro.

O teste em animais foi feito para averiguar a capacidade do stentrode de captar sinais neurais, não para convertê-los em sinais eletrônicos para movimentar membros biônicos, que já são tecnologia estabelecida.

Ganesh Naik, professor da Universidade de Tecnologia de Sydney, não envolvido no projeto, afirma que nem sempre testes em animais se traduzem em sucesso nos experimentos com humanos.

"Se isso funcionar como deve em testes com humanos, será um avanço extraordinário", disse.

Outros potenciais usos para o stentrode incluem o monitoramento de sinais cerebrais de pessoas com epilepsia para antecipar a ocorrência de uma convulsão. 

Caso tenha sucesso, o dispositivo também pode permitir a um paciente se comunicar por computador, afirma Clive May, professor do Instituto Florey de Neurociências e Saúde Mental, que trabalha no projeto.

"As pessoas teriam de ser treinadas a pensar os pensamentos certos para fazer isso funcionar, assim como se aprende a tocar música", afirmou. "É algo que é preciso aprender, mas uma vez feito, se torna natural."

Além Universidade de Melbourne e do Instituto Florey, o Hospital Real de Melbourne também participa do projeto que desenvolve o stentrode. 

Os recursos usados no projeto foram fornecidos pelo Governo da Austrália e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, que ajuda tecnologias que possa vir a ajudar veteranos de guerra paraplégicos.

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Prévia da inflação oficial é a maior para fevereiro desde 2003, diz IBGE

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Na análise em 12 meses, IPCA-15 é o maior desde novembro de 2003. 
O que mais pesou foram altas em alimentação, transporte e educação.

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Anay CuryDo G1, em São Paulo

23/02/2016 09h00 - Atualizado em 23/02/2016 10h49
Postado às 11h35m

A pressão dos preços de alimentos, transportes e educação deixou o bolso do brasileiro mais apertado e fez o Índice de Preços ao Consumidor - Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, acelerar de 0,92% em janeiro para 1,42% no mês seguinte.

Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa taxa é a mais elevada para fevereiro desde 2003, quando ficou em 2,19%.

IPCA-15 NO MÊS DE JANEIRO
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Fonte: IBGE

O recorde também é registrado no índice acumulado em 12 meses. Nesse período, o índice chegou a 10,84% - o mais alto desde novembro de 2003, quando bateu 12,69%.

Para os analistas do mercado financeiro, a o IPCA deve dar sinais de desaceleração ao longo do ano, já que eles preveem que o índice chegue no final de 2016 em 7,62%, segundo o boletim Focus mais recente. Ainda assim, o indicador vai permanecer acima do teto de 6,5% do sistema de metas do governo.

Mais caro
O índice que mede os preços dos alimentos subiu de 1,67% em janeiro para 1,92% em fevereiro. A cenoura, por exemplo, ficou 24% mais cara, a cebola, 14,16%, o tomate, 14,11%, o alho (13,08%)  e a farinha de mandioca (12,2%).


No caso do grupo de gastos com transportes, cuja variação acelerou de 0,8% para 1,65%, as tarifas dos ônibus urbanos subiram 5,69%, exercendo a maior influência sobre o índice ao refletir os reajustes aplicados em algumas cidades. Mas não foram só os ônibus que ficaram mais caros. Também avançaram os preços de trem (6,12%) e metrô (5,27%).
feira livre (Foto: Divulgação/Prefeitura de SJC)Alimentos ficaram mais caros de janeiro para fevereiro, segundo prévia da inflação. (Foto: Divulgação/Prefeitura de SJC)

De acordo com o IBGE, considerando os outros grupos analisados pela pesquisa, os maiores "pesos" foram exercidos, individualmente, por TV, som e informática (3,43%); cigarro (2,61%);
 higiene pessoal (1,64%); taxa de água e esgoto (1,64%); serviços médicos e dentários (1,45%); artigos de limpeza (1,40%) e plano de saúde (1,06%).


Comida em Salvador
Na análise regional, a maior variação do IPCA-15 partiu de Salvador (2,26%), porque lá os alimentos subiram quase 5%. Na outra ponta, está Brasília (1,01%), influenciado pela queda no preço das passagens aéreas (13,14%).


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