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sábado, 14 de novembro de 2015

Estado Islâmico reivindica ataques em Paris que mataram mais de 120

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Comunicado afirma que ataques foram 'cuidadosamente estudados'.
Mais de 120 pessoas morreram na capital francesa nesta sexta-feira (13).

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Do G1, em São Paulo
14/11/2015 09h12 - Atualizado em 14/11/2015 09h41
Postado às 09h55m
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O grupo radical Estado Islâmico reivindicou nesta sábado (14) a responsabilidade por ataques que mataram mais de 120 pessoas em Paris. É o pior ataque à França na história recente.
Civil com rosa na mão conversa com policial na Rua de Charonne em Paris, neste sábado (14)  (Foto: AFP)
Civil com rosa na mão conversa com policial na Rua de Charonne em Paris, neste sábado (14) (Foto: AFP)

Em uma declaração oficial, o grupo disse que seus combatentes presos a cintos com explosivos e carregando metralhadoras realizaram os ataques em vários locais no centro da capital francesa que foram cuidadosamente estudados.

"Oito irmãos com explosivos na cintura e fuzis fizeram vítimas em lugares escolhidos previamente e que foram escolhidos minunciosamente no coração de Paris, no estádio da França, na hora do jogo dos dois países França e Alemanha, que eram assistidos pelo imbecil François Hollande, o Bataclan onde se estavam reunidos centenas de idolatras em uma festa de perversidade assim como outros alvos no 10º arrondissement e isso tudo simultaneamente. 

Paris tremou sob seus pés e as ruas se tornaram estreitas para eles. O resultado é de no mínimo 200 mortos e muitos mais feridos. A gloria e mérito pertencem a Alá”, diz o comunicado.

Mais cedo, o presidente da França, François Hollande, já havia dito em uma declaração à nação que os atentados da noite de sexta-feira (13) em Paris "são um ato de guerra do Estado Islâmico contra a França", de acordo com informações de agências internacionais.
Além disso, Hollande afirmou que os ataques foram organizados "no exterior da França" e que contaram com "cúmplices no interior" do país.

O chefe de polícia de Paris, Michel Cadot, afirmou que, quando a polícia invadiu o local, quatro terroristas se suicidaram, detonando explosivos que três deles tinham em seus cintos. Ele afirmou ainda, segundo o jornal britânico "The Guardian", que antes de entrar no local os homens dispararam tiros de metralhadoras em cafés que ficam do lado de fora do Bataclan.

A emissora de TV BFM e o jornal Liberation, que cita o procurador de Paris, François Molins, dizem que cinco terroristas foram "neutralizados" no total. Agências internacionais de notícias, no entanto, informam que 8 terrositas morreram, dos quais 7 se suicidaram.

Também foram registrados tiroteios em outros pontos da cidade e explosões perto do Stade de France, durante um amistoso entre as seleções da França e Alemanha.

O jornal “Le Monde” diz que uma fonte judicial especificou onde aconteceram as mortes desta sexta, em um balanço provisório: uma pessoa morreu no boulevard Voltaire; 19 morreram e 14 ficaram feridas em frente ao bar La Belle Equipe, na Rue de Charonne; 78 ou 79 pessoas morreram no Bataclan (entre elas três ou quatro terroristas); cinco pessoas morreram e oito ficaram feridas na Rue de la Fontaine au Roi; de 12 a 14 morreram e dez ficaram feridas no bar Carillon, na Rue Allibert; e dois homens morreram nas explosões próximas ao Stade de France, ambos suicidas que provocaram as detonações.
A polícia invadiu o Bataclan às 21h40 (horário de Brasília), após relatos de que pessoas estariam sendo executadas. Dois terroristas foram mortos na ação. Dez minutos antes da invasão, a Reuters afirmava que foram ouvidas cinco explosões perto do local.

Por volta da 1h30 (22h30, em Brasília), o presidente francês François Hollande chegou ao local, onde permaneceu por cerca de meia hora. “Há muitos feridos, feridos graves, feridos chocados com o que viram”, disse o presidente, ao justificar porque quis ir ao local. 

“Quando os terroristas estão dispostos a cometer tais atrocidades, eles devem saber que irão encarar uma França determinada”, acrescentou. “Iremos conduzir a luta (contra os terroristas), e ela será implacável”, garantiu.

A casa fica no boulevard Voltaire, no 11º arrondissement, tem capacidade para 1.500 pessoas e era palco de um show da banda Eagles of the Death Metal.

A banda, que na hora do início do ataque terminava o show no palco do Bataclan, escapou do palco pelos bastidores e está a salvo, segundo afirmou o irmão de um dos membros, Michael Dorio. O irmão dele, Julian Dorio, é o baterista do grupo. 

Em entrevista à CNN, Michael disse que os músicos chegaram a ver os atiradores, mas encerraram o show quando notaram o ataque e fugiram. “Quando eles ouviram os tiros eles apenas correram para o backstage. Ele me disse que viu os atiradores, mas não ficou por ali”, explicou Dorio.
Homem é socorrido após tiroteio perto do Bataclan, conhecida sala de espetáculos de Paris, na França (Foto: Christian Hartmann/Reuters)Homem é socorrido após tiroteio perto do Bataclan, conhecida sala de espetáculos de Paris, na França (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

O jornal também citou o relato de um jornalista da "Europe1", que estava no interior do Bataclan nesta noite: "Vários indivíduos armados entraram no meio do show", afirmou. 

"Dois ou três indivíduos não mascarados entraram com armas automáticas do tipo kalachnikov e começaram a atirar no público". O jornalista disse, ainda, que a ação durou de 10 a 15 minutos e que os atiradores eram jovens.
4 VALE ESTE - Ataques terroristas em Paris deixam mortos; houve explosões e há reféns (Foto: Arte/G1)
Um usuário do Facebook postou que estava dentro da casa de shows Bataclan. “Feridos graves! Estão atacando mais rápido. Há sobreviventes no interior. Eles estão assassinando todo mundo. Um por um. No primeiro andar, rápido!”, escreveu Benjamin Cazenoves. Em seguida ele postou que há "cadáveres por todo lado". "É um massacre".

O repórter Julien Pearce estava no Bataclan como espectador do show. Em entrevista à CNN, ele contou como conseguiu escapar da casa de shows. Segundo ele, no momento em que os terroristas
começaram a atirar no público, ele teve a ideia de se fingir de morto. "Falei para as pessoas deitarem e se passarem por mortos. Nós esperamos até que eles recarregassem as armas, então corremos e achamos uma pequena sala onde nos escondemos", explicou ele.


Pearce não explicou quantas pessoas estavam com ele nessa sala, mas disse que ela não dava passagem para fora do edifício, então o grupo esperou dentro da sala até que os atiradores esvaziassem novamente as armas.

"Então esperamos cerca de cinco segundos. Eles começaram a atirar, e depois nós corremos de novo. Foi então que eu vi o corpo de uma mulher, ela tinha levado dois tiros. Eu a levantei e nós corremos juntos", contou a testemunha. Já na rua, Pearce conseguiu parar um táxi e foi com a mulher até o hospital. "Não sei se ela sobreviveu, ela estava sangrando muito."

Segundo o repórter, a segurança na entrada do show não era rígida. “Eu entreguei o ingresso e entrei. Ninguém me revistou. A segurança era muito pobre”, disse ele.

Ao jornal "Le Figaro", uma testemunha contou que viu dois homens armados entrarem no Bataclan. "Eles estavam armados, vestidos normalmente: eles atiraram no exterior e no interior da sala", afirmou a testemunha.

Uma testemunha do ataque disse à rádio France Info que os atiradores dispararam contra o público gritando “Alá Akbar” (“Alá é grande”).

“Eu e minha mãe conseguimos fugir do Batacla (...), evitamos os disparos, havia muita gente por todas as partes no solo”, disse o jovem chamado Louis. “Uns indivíduos chegaram, começaram a disparar na entrada. Dispararam contra a multidão gritando ‘Alá Akbar’, acho que com espingardas”.
Corpos de mortos em ataque a tiros no restaurante La Belle Equipe são vistos entre mesas, com sangue na calçada em frente ao estabelecimento em Paris (Foto: Anne Sophie Chaisemartin via AP)Corpos de mortos em ataque a tiros no restaurante La Belle Equipe são vistos entre mesas, com sangue na calçada em frente ao estabelecimento em Paris (Foto: Anne Sophie Chaisemartin via AP)

Restaurante
Charlotte Brehaut é uma britânica que  saiu para jantar com um amigo perto da casa em mora, em Paris. “Estava com um amigo e sentamos bem na janela de onde os tiros vieram, e eles não atingiram nenhum de nós”, explicou ela à CNN. Charlotte estima que cerca de 40 pessoas estavam no local.


“Fui jantar com meu amigo, de repente ouvimos um monte de tiros, e muitos cacos de vidro vindo da janela, então nos jogamos no chão com os outros clientes. Então ouvimos mais tiros, e muitos pedaços afiados de viro atingiam as pessoas no chão”, contou ela, que estima que o ataque durou entre dois ou três minutos, “mas pareceu muito mais longo”.

Charlotte diz que acredita ter visto pessoalmente entre três ou quatro pessoas com “feridas fatais”. “Eu estava segurando a mão de uma mulher. Quando comecei a perguntar para as pessoas se elas estavam bem, foi então que percebi que ela tinha sido ferida fatalmente.

Ela foi atingida no peito”, disse ela. A jovem não sabe dizer se a mulher estava ou não viva, por causa do choque e da confusão. “Estava segurando a mão dela, alguém me perguntou se ela estava respirando, e eu olhei para ela e vi uma poça de sangue do lado dela. Eu achei que ela talvez estivesse consciente, mas as pessoas estavam em choque, então não sei.”

Estado de emergência
François Hollande afirmou em declaração em rede nacional na sexta-feira que está declarado estado de emergência em toda a França e que os controles nas fronteiras seriam reforçados. A presidência também anunciou que 1.500 soldados serão enviados a Paris.

O vice-prefeito de Paris, Patrick Krugman, afirmou que vários ataques aconteceram ao mesmo tempo. Ele disse que houve "entre seis e sete locais de ataques no centro de Paris e fora.


EM RESUMO
- Explosões próximo ao Stade de France, em Paris, durante jogo entre as seleções da França e Paris

- Pelo menos três tiroteios aconteceram em outros pontos da cidade

- A prefeitura parisiense afirmaram que há 112 mortos, sendo 70 deles na casa de espetáculos Bataclan. A polícia fala que há dezenas de feridos em outros pontos da cidade

- Obama se pronunciou a favor da França dizendo que os EUA estão prontos para ajudar a França a "responder" ao ocorrido

- O presidente da França, François Hollande, declarou em rede nacional que o país vai declarar estado de emergência e que os controles nas fronteiras serão reforçados.
- Cinco linhas de metrô de Paris foram fechadas

- Segundo a assessoria do Itamaraty, há dois brasileiros feridos nos atentados

- Polícia francesa invadiu a sala de concertos do Bataclan e mata terroristas

- O vice-prefeito de Paris afirmou que houve "entre seis e sete locais de ataques no centro de Paris e fora"

Alerta
A polícia emitiu um alerta, pedindo que os parisienses não deixem suas casas, "a não ser em caso de absoluta necessidade". Lugares públicos devem reforçar a segurança nas entradas e acolher aqueles que estiverem em necessidade. A polícia também ordenou que se interrompam as manifestações e eventos em áreas externas.


Em Paris, os hospitais entraram em "Plano Branco", um estado de emergência e crise, segundo o "Le Monde". Cinco linhas de metrô tiveram seus serviços interrompidos.

Segundo a BBC, um homem usando uma arma automática abriu fogo no restaurante Petit Cambodge no 10º arrondissement, deixando ao menos sete feridos. A Reuters afirma que duas pessoas morreram ali.
O presidente da França, François Hollande, fala sobre os ataques simultâneos em Paris (Foto: Reprodução/Reuters)
O presidente da França, François Hollande, fala sobre os ataques simultâneos em Paris (Foto: Reprodução/Reuters)

Um repórter do "Liberation" que estava no local disse ter visto ao menos quatro corpos no chão. Já o repórter da BBC contou dez pessoas deitadas, sem conseguir identificar se estariam mortas ou feridas. Diversas ambulâncias já chegaram.

Um segundo tiroteio teve como cenário o bar "Le Carillon", segundo o Liberation. Na sequência, outro tiroteio foi registrado no 11º arrondissement.

Explosões no estádio
A BBC, o Liberation e o "Le Monde" afirmam também que houve três explosões do lado de fora do Stade de France. O presidente francês, François Hollande, foi retirado do estádio por segurança levado à sede do Ministério do Interior, onde acompanha o caso. 


A agência France Presse diz que ao menos uma das explosões foi um ataque suicida.
Após o final do jogo, o público começou a ser liberado lentamente.

O presidente americano Barack Obama fez um pronunciamento em que disse que a situação é “ultrajante” e que os EUA farão o que for possível para ajudar a França. 

“Faremos o que for necessário pra trabalhar com os franceses e as nações ao redor do mundo para buscar justiça”, disse. “Não quero especular no momento quem é o responsável até que sejamos informados pelas autoridades francesas que a situação está sob controle”.

Obama disse ainda que o que aconteceu foi "um ataque contra toda a humanidade".
"Aqueles que acham que podem aterrorizar o povo da França e os valores que eles representam estão errados", afirmou Obama, dizendo que os EUA estão prontos para ajudar a França a "responder" ao ocorrido.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, escreveu em seu Twitter uma mensagem em que diz: "Estou chocado pelos eventos em Paris nesta noite. Nossos pensamentos e orações estão com os franceses. Faremos o que for possível para ajudar".

Segundo a Reuters, oficiais de segurança dos EUA acreditam que os ataques de Paris sejam coordenados. Já o vice-prefeito de Paris afirmou que ainda é cedo para saber se os ataques foram coordenados, mas que isso não pode ser descartado.

Rita Katz, diretora do SITE Intelligence Group, grupo de monitoramento do terrorismo, postou em seu perfil no Twitter que há especulações de que o Estado Islâmico esteja por trás dos ataques em Paris devido ao envolvimento da França em bombardeios contra o grupo na Síria.

Katz citou duas mensagens que teriam sido divulgadas em “canais do Estado Islâmico”. Uma delas diz: “Lembrem-se, lembrem-se do dia 14 de novembro #Paris. Eles nunca vão esquecer esse dia, assim como o 11 de Setembro para os americanos”.

A outra afirma: “A França envia suas aeronaves com bombas para a Síria diariamente e mata crianças e idosos, hoje está bebendo do próprio veneno”.

Katz disse ainda que adeptos do Estado Islâmico estão celebrando os ataques na França e ameaçam: “Esse é apenas o começo. Esperem até os istishhadis (suicidas) chegarem em seus carros”. Ela citou também outra mensagem em canais do Estado Islâmico: “França: à medida que você mata você está sendo morta”; “Nós estamos chegando, França”.


Ameaça
O hotel Molitor de Paris, onde está hospedada a seleção alemã de futebol, foi esvaziado ao final da manhã desta sexta devido a um alerta de bomba. Os jogadores alemães foram levados para outro hotel. Uma equipe especializada em explosivos esteve no local.
Equipe de resgate carrega um ferido perto da casa de espetáculos Bataclan, em Paris (Foto: Christian Hartmann/Reuters)Equipe de resgate carrega um ferido perto da casa de espetáculos Bataclan, em Paris (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

Público no campo do Stade de France após a série de ataques (Foto: Michel Euler/AP)Público no campo do Stade de France após a série de ataques (Foto: Michel Euler/AP)

Policiais orientam as pessoas em frente ao Stade de France após ataque (Foto: Michel Euler/AP)Policiais orientam as pessoas em frente ao Stade de France após ataque (Foto: Michel Euler/AP)

Corpos de vítimas de tiroteio foram cobertos na calçada em frente a um restaurante de Paris, na França (Foto: Philippe Wojazer/Reuters)Corpos de vítimas de tiroteio foram cobertos na calçada em frente a um restaurante de Paris, na França (Foto: Philippe Wojazer/Reuters)

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Em 2014, havia 554 mil crianças de 5 a 13 anos trabalhando, aponta IBGE

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Trabalho desta faixa de idade concentrou-se na atividade agrícola.
Havia 3,3 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos ocupadas.

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Cristiane Caoli Do G1, no Rio
13/11/2015 10h00 - Atualizado em 13/11/2015 13h27
Postado às 23h10m
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Em 2014, havia 554 mil crianças de 5 a 13 anos trabalhando, diz IBGE (Foto: Reprodução / IBGE)
Em 2014, havia 554 mil crianças de 5 a 13 anos trabalhando, diz IBGE (Foto: Reprodução / IBGE)

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostrou que cresceu o trabalho infantil no Brasil em 2014. No ano, havia 554 mil crianças de 5 a 13 anos trabalhando. Esse número é 9,3% maior do que em 2013, quando registrou 506 mil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o primeiro crescimento registrado nesse grupo desde 2005 – quando 1,6 milhão de crianças desta faixa estavam trabalhando, quase três vezes o registrado em 2014.

CRIANÇAS TRABALHANDO
Entre 5 e 13 anos, em milhares
Created with @product.name@ @product.version@1.4241.6041.4361.2571.015930712561506554Ano 2004Ano 2005Ano 2006Ano 2007Ano 2008Ano 2009Ano 2011Ano 2012Ano 2013Ano 20140500100015002000
Fonte: IBGE
Segundo Maria Lucia Vieira, gerente da pesquisa, o aumento do trabalho infantil ocorreu porque essa população de 5 a 13 anos passou a “ajudar os membros do domicílio”. Ela ressaltou que foi observado ainda um crescimento do trabalhador por conta própria.

“Esse [trabalhador] conta própria é justamente que conta com a ajuda desses membros para ajudar nos negócios”, acrescentou a gerente, que afirmou que o crescimento do trabalho infantil está influenciado principalmente pelo aumento do trabalho entre crianças de 10 a 13 anos.


"Embora o [trabalhador de 5 a 13 anos] não-agrícola seja um contingente menor [dentro do total de 554 mil], o avanço foi maior [de 2013 para 2014]", afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Em 2013, havia 325 mil pessoas de 5 a 13 anos trabalhando na atividade agrícola, e em 2014 passou a ser 344 mil, um aumento de 5,8%. Já na atividade não-agrícola, era 181 mil, e passou para 210 mil, um aumento de 16%.

Do total de crianças trabalhando em 2014, 484 mil tinham entre 10 e 13 anos, e 70 mil entre 5 e 9 anos. Segundo o instituto, 62,1% da população ocupada entre 5 e 13 anos, “assim como em 2013, concentrou-se na atividade agrícola”.

“É o filho ajudando o pai nas atividades que ele ajudava a fazer. Ajudando a semear a terra, ajudando a descascar o milho”, disse Maria Lucia Vieira, gerente da pesquisa.

Nível de renda
De acordo com Wasmália Bizar, presidente do IBGE, a estabilidade do rendimento e as condições do mercado de trabalho podem fazer com que paulatinamente as famílias busquem a inserção de mais membros para manter o seu nível de renda.

"Quando se olha para a renda, ela se estabiliza em termos reais, e os brasileiros estavam acostumados com rendas crescentes. Provavelmente as famílias fizeram planos, fizeram investimentos, comprometeram boa parte da sua renda com aquisição de melhores serviços, de bens, etc, e esse padrão de certo modo quando se altera as condições conjunturais, as famílias buscam manter de certo modo [esse padrão]", analisou.

Crianças e adolescentes
O levantamento apontou ainda que, no ano, havia 3,3 milhões de brasileiros entre 5 e 17 anos trabalhando no país. Os homens representavam cerca de dois terços desse número.


Comparado com 2013, houve aumento de 4,5%, ou um contingente de 143,5 mil a mais nesta condição. O instituto informou ainda que 2,8 milhões estavam no grupo de 14 a 17 anos.

Do total de mais de 3 milhões, “16,6% representavam pessoas na situação de trabalho infantil”, destacou a pesquisa. Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, essa proporção era de 27,5% e 22,4%, respectivamente.

A pesquisa revelou ainda que o número de horas “habitualmente trabalhadas por semana em todos os trabalhos”, contudo, caiu de 26,9, em 2013, para 25,9, em 2014.
Segundo o IBGE, o nível de ocupação, entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, foi maior em todas as regiões em 2014 (Foto: Reprodução / IBGE)Segundo o IBGE, o nível de ocupação, entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, foi maior em todas as regiões em 2014 (Foto: Reprodução / IBGE)
Segundo o IBGE, o nível de ocupação (que mede a parcela da população ocupada em relação à população) entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos foi maior em todas as regiões em 2014 em comparação com o ano anterior, passando de 7,5% para 8,1%, no país.

A região Norte foi a que apresentou o maior crescimento, de 1 ponto percentual. As demais regiões apresentaram aumento de 0,6 ponto percentual, enquanto na região Sudeste, a menor, 0,4 ponto percentual. As demais regiões mostraram acréscimo de 0,6 ponto percentual.

Rendimento
A renda média mensal domiciliar “per capita real” das pessoas de 5 a 17 anos trabalhando em 2014 foi estimada em R$ 647. Já entre os não ocupados nessa faixa de idade, esse rendimento era de R$ 669.


Fim da pesquisa
A presidente do IBGE afirmou que a Pnad, que visitou, em 2014, 151 mil domicílios e entrevistou 363 mil pessoas, se encerra em 2015, e será substituída pela Pnad Contínua. Em 2016, acontecerá a última divulgação da Pnad, com os dados do ano anterior. “A partir daí, os resultados do Brasil serão os resultados da Pnad Contínua”.


Ela comentou ainda o erro ocorrido na divulgação do ano passado, referente aos dados de 2013. O equívoco afetou diversos índices divulgados, como analfabetismo e o índice de Gini, que calcula o nível de desigualdade no país. Segundo Wasmalia Bivar, foi aberta uma sindicância, onde foi constatado "um acidente" e "falha humana".

"Na sindicância, o que aconteceu foi um acidente, sem nenhuma intenção de dolo. Isso que foi simplesmente por uma falha humana, que todos os processos de trabalho estão sujeitos, e que obviamente nos endereçou algumas questões para que nós pudéssemos prestar mais atenção para o futuro".

De acordo com ela, a comissão técnica reconheceu que o problema é parte do processo de trabalho como um todo, e que a etapa precisava ser automatizada.

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