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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Apoio a Trump na guerra com Irã cai entre republicanos, indica pesquisa CNN

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Quase dois terços dos americanos afirmam que os Estados Unidos não estão vencendo o conflito; maioria vê conflito como prejudicial aos interesses do país
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https://www.cnnbrasil.com.br/internacional
22/09/26 às 21:52 | Atualizado 22/09/26 às 21:52
Postado em 22 de Seyembro de 2.026 às 22h15m


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Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 4 de setembro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca 4 de setembro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein  • REUTERS

A oposição dos americanos à guerra no Irã se intensificou, segundo uma nova pesquisa da CNN realizada pela SSRS, com quase dois terços afirmando que os EUA não estão vencendo o conflito e um número maior dizendo que o presidente Donald Trump não está fazendo o suficiente para encerrá-lo.

Os americanos nunca tiveram uma visão positiva da guerra e, quase sete meses após seu início, amplas maiorias dizem que o conflito prejudicou os interesses dos EUA, que não valeu os custos e que o presidente não tem um plano claro para lidar com a situação.

Os resultados foram divulgados no dia em que Donald Trump discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, e insistiu que o Irã não pode ter armas nucleares.

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No total, 29% dos adultos americanos aprovam a maneira como Trump conduz a política externa, o menor índice nas pesquisas da CNN durante seus dois mandatos como presidente, enquanto 71% desaprovam.

Mais pessoas veem as decisões de política externa de Trump neste mandato como prejudiciais à imagem dos Estados Unidos no mundo do que como benéficas.

Apenas 26% dizem aprovar a maneira como o presidente está lidando com a situação no Irã, uma queda em relação aos 33% registrados um mês após o início da guerra.

Grande parte da queda na aprovação da condução da situação no Irã ocorre entre os republicanos.

As opiniões entre democratas e independentes têm sido consistentemente negativas durante o conflito. Em março, porém, 73% dos republicanos aprovavam a maneira como Trump estava lidando com a situação. Agora, esse índice está em 60%.

Entre os adultos republicanos e aqueles que tendem a votar nos republicanos, a aprovação da condução de Trump no Irã fica em território negativo entre os menores de 45 anos (53% desaprovam) e entre aqueles que dizem não fazer parte do movimento Make America Great Again (54% desaprovam).

Os republicanos também estão menos positivos agora do que estavam no início deste ano sobre o impacto da política externa de Trump de maneira geral: cerca de metade dos republicanos afirma atualmente que as decisões dele ajudaram a imagem dos EUA no mundo, uma queda de 13 pontos desde março.

Três quartos de todos os adultos afirmam agora que Trump não tem um plano claro para lidar com a situação no Irã, e 78% dizem que ele não está fazendo o suficiente para encerrar a guerra. Cerca de 7 em cada 10 afirmam que é pelo menos um pouco provável que o conflito se prolongue, incluindo maiorias entre os diferentes grupos partidários. Cerca de um terço, 32%, considera agora muito provável um conflito prolongado, o maior percentual a ter essa opinião desde o início da guerra.

Mais pessoas dizem que a guerra prejudicou os interesses americanos do que as que afirmam que ela os beneficiou (70% a 18%), e 76% dizem que a guerra não valeu a pena, considerando tanto o número de vidas americanas perdidas quanto o impacto financeiro sobre o governo dos EUA.

Democratas e independentes apresentam opiniões quase unânimes de oposição à guerra: 97% dos democratas e 82% dos independentes afirmam que ela não valeu a pena. E poucos em ambos os grupos consideram que Trump esteja fazendo o suficiente para pôr fim aos combates.

Os republicanos estão mais divididos em ambas as questões: 55% dizem que a guerra valeu seus custos, e 53% afirmam que Trump está fazendo o suficiente para encerrá-la. Mas os partidários do presidente são muito mais propensos do que os demais a considerar que os EUA estão vencendo a guerra: 70% dizem isso, contra 31% dos independentes e 13% dos democratas.

O gabinete de guerra do presidente registra índices negativos de aprovação, com o secretário de Estado Marco Rubio em 40% de aprovação, o vice-presidente JD Vance em 36% e o secretário de Defesa Pete Hegseth em 34%.

Entre os republicanos, cerca de 8 em cada 10 aprovam Rubio (81%) e Vance (79%), enquanto Hegseth tem 72% de aprovação. Essa diferença reflete alguma insatisfação com Hegseth entre os integrantes da coalizão republicana que não fazem parte do movimento MAGA. Entre republicanos e independentes que tendem a votar nos republicanos e que não apoiam o MAGA, 70% aprovam Rubio e 68% aprovam Vance, enquanto apenas 58% aprovam Hegseth.

Opiniões estáveis sobre Rússia e China, mas mudanças em relação ao Canadá e a Israel

As opiniões dos americanos sobre Rússia e China permanecem em grande parte iguais às do início deste ano: amplas maiorias consideram cada um dos países hostil ou inimigo, mas a pesquisa aponta mudanças nas opiniões sobre vários países que têm sido foco da política externa de Trump.

A parcela dos que consideram a Ucrânia uma aliada ou um país amigo caiu de 76% em janeiro para 70% agora. Por outro lado, mais pessoas consideram Cuba um país amigo do que em janeiro (26%, contra 21%).

No caso do Canadá, a maioria continua considerando o país um aliado ou amigo, mas a parcela dos que o consideram um aliado caiu de 51% em março de 2025 para 38% agora, após a guerra tarifária de Trump com o vizinho ao norte. A queda ocorre entre os diferentes grupos partidários, mas é mais acentuada entre os republicanos (queda de 9 pontos entre democratas, 10 entre independentes e 23 entre republicanos).

E a parcela dos que consideram Israel um aliado ou país amigo caiu para 61%, enquanto 15% o classificam como inimigo, o maior percentual a dar essa resposta nas pesquisas da CNN desde 2000 e aproximadamente o dobro da parcela que tinha essa opinião em março de 2025. Essa mudança ocorre principalmente entre democratas e independentes que tendem a votar nos democratas — 17% desse grupo descrevem Israel como inimigo, contra 8% em março de 2025. Essa opinião também está concentrada entre os americanos mais jovens: 23% dos menores de 45 anos consideram Israel um inimigo, contra 9% há um ano e meio.

A pesquisa da CNN foi realizada pela SSRS pela internet e por telefone entre 16 e 17 de setembro, com uma amostra nacional aleatória de 1.206 adultos. Os resultados para a amostra total têm margem de erro de amostragem de mais ou menos 3,5 pontos percentuais.

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Irã reforça arsenal militar antes de discurso de presidente na ONU

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O presidente Masoud Pezeshkian acusa potências de violarem acordos e denuncia ataques contra civis enquanto Teerã testa novos armamentos
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Da Reuters
22/09/26 às 06:23 | Atualizado 22/09/26 às 06:23
Postado em 22 de Setembro de 2.026 às 06h45m

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Presidente do Irã Masoud Pezeshkian na ONU
Presidente do Irã Masoud Pezeshkian na ONU  • 24/9/2025 REUTERS/Bing Guan

O Irã está constantemente ampliando suas capacidades militares e realizando testes de novos armamentos, afirmou nesta terça-feira (22) o porta-voz da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica), Hossein Mohebbi, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian viajava a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Mohebbi disse que não poderia fornecer detalhes sobre as novas armas, mas afirmou que o país vem aumentando sua capacidade militar por meio da produção e dos testes de novos equipamentos para se defender e responder ao que chamou de agressão inimiga.

“O que está acontecendo é que estamos constantemente aumentando nossas capacidades militares e produzindo e testando novas armas para nos defendermos e repelir a agressão inimiga”, afirmou.









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O porta-voz também mencionou um teste realizado anteriormente envolvendo um porta-aviões, que, segundo ele, foi bem-sucedido. Mohebbi afirmou que, caso o assunto volte a receber atenção, o Irã poderá levar outros sistemas de armas ao campo de batalha.

Segundo a agência de notícias Fars, Mohebbi afirmou na segunda-feira (21) que o Irã usaria novas armas e atacaria locais que nunca haviam sido alvos anteriormente caso os Estados Unidos lançassem uma nova ofensiva contra o país.

Pezeshkian acusa potências de violarem acordos

Pezeshkian partiu de Teerã para Nova York em tom desafiador, acusando potências mundiais de desrespeitarem acordos assinados e de cometerem crimes contra civis. O presidente iraniano se prepara para discursar na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Antes da partida, Pezeshkian afirmou que as partes violaram repetidamente acordos escritos firmados durante negociações e condenou o que descreveu como atrocidades em curso em Gaza, na Síria, no Iêmen e no Irã.

O presidente iraniano, Pezeshkian, parte para Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU (22.09.26) • POOL via WANA
O presidente iraniano, Pezeshkian, parte para Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU (22.09.26) • POOL via WANA

Ele citou diretamente o ataque de 28 de fevereiro à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab. Autoridades iranianas afirmaram que mais de 150 pessoas morreram no episódio, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também discursou em Nova York após desembarcar. Ele afirmou que o tema da Assembleia Geral deste ano — “Restaurando a Confiança, Gerenciando a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Beneficia a Todos” — representa, por si só, um reconhecimento de que a confiança na organização internacional entrou em colapso.

Araqchi atribuiu essa perda de confiança ao desrespeito de diversos países pelo direito internacional e pelas instituições internacionais.

Petróleo e tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo subiram pela primeira vez em cinco sessões nesta terça-feira, enquanto investidores aguardavam possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã durante a Assembleia Geral da ONU. A alta ocorreu após a chegada de mais petróleo pelo Estreito de Ormuz no fim de semana.

As tensões no Oriente Médio permaneceram elevadas depois que os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmaram ter atacado Riad e uma instalação da Saudi Aramco em Yanbu. O grupo também intensificou os esforços para isolar forças apoiadas pela Arábia Saudita da costa do Mar Vermelho.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

7 limites planetários já rompidos pioram e atingem maior nível de pressão já registrado, diz relatório

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Avaliação de 2026 aponta agravamento em todos os sete processos fora da faixa segura e alerta para enfraquecimento da capacidade de florestas e solos de absorver carbono.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 21 de Setembro de 2.026 às 16h15m

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Representação visual dos limites planetários. — Foto: Globaia/Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK)
Representação visual dos limites planetários. — Foto: Globaia/Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK)

Os sete limites planetários que já estavam fora da faixa considerada segura pioraram em 2026 e atingiram os maiores níveis de pressão já registrados, aponta um novo relatório feito por mais de 60 cientistas e coordenado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), na Alemanha.

O número de limites ultrapassados continua o mesmo do levantamento anterior. A novidade agora é que todos os sete seguem em piora.

➡️ O relatório também aponta avanço da acidificação dos oceanos e sinais de que florestas, solos e outros ecossistemas podem estar perdendo parte da capacidade de absorver o gás carbônico emitido pelas atividades humanas.

Os chamados limites planetários são indicadores usados para acompanhar nove processos fundamentais para o funcionamento da Terra.

Ultrapassar um deles não significa que haverá um colapso imediato, mas indica aumento do risco de mudanças graves e difíceis de reverter.

🌎 Os sete limites que seguem fora da faixa segura são:

  1. mudanças climáticas;
  2. perda de biodiversidade;
  3. mudanças no uso da terra;
  4. alterações na água doce;
  5. desequilíbrios nos ciclos de nitrogênio e fósforo;
  6. poluição por substâncias produzidas pelo homem, como plásticos e compostos químicos;
  7. acidificação dos oceanos.

Os dois limites que continuam dentro da faixa considerada segura em escala global são os relacionados à camada de ozônio e à quantidade de partículas suspensas na atmosfera, como poeira, fumaça e fuligem.

Mesmo assim, o relatório ressalta que algumas regiões ainda apresentam níveis elevados dessas partículas.

Segundo Boris Sakschewski, principal autor do relatório, a piora simultânea dos sete indicadores mostra que a pressão sobre os sistemas naturais continua aumentando.

“O diagnóstico é claro. A pressão está aumentando em todos os limites planetários que já estão fora da faixa segura”, afirmou.

Um dos pontos de atenção da edição de 2026 é a capacidade da própria natureza de ajudar a retirar gás carbônico da atmosfera.

Vegetação e solos absorvem uma parcela importante das emissões de CO₂ produzidas pelas atividades humanas.

Mas episódios repetidos de calor, seca, incêndios e degradação de ecossistemas podem diminuir essa absorção e, em algumas regiões, fazer com que áreas que antes retiravam carbono da atmosfera passem a liberá-lo.

O relatório afirma que observações recentes levantam dúvidas sobre até que ponto florestas e outros ecossistemas conseguirão manter essa função nas próximas décadas.

“Nossa trajetória para zerar as emissões líquidas depende do funcionamento desses sistemas naturais. As observações atuais levantam um sinal de que o planeta pode estar perdendo parte dessa capacidade de proteção”, disse Sakschewski.

Gráfico mostra os nove limites planetários e indica quais já estão fora da faixa considerada segura para o funcionamento da Terra. — Foto: Reprodução/Planetary Health Check 2026
Gráfico mostra os nove limites planetários e indica quais já estão fora da faixa considerada segura para o funcionamento da Terra. — Foto: Reprodução/Planetary Health Check 2026

Outro ponto de piora é a acidificação dos oceanos. O fenômeno ocorre quando o mar absorve parte do gás carbônico presente na atmosfera, alterando a química da água.

Isso dificulta, por exemplo, a formação e a manutenção de conchas e esqueletos de alguns organismos marinhos e pode afetar cadeias alimentares, pesca e ecossistemas costeiros.

O levantamento também reforça que os nove limites não funcionam separadamente. Alterações no clima, na biodiversidade, na água, nas florestas e nos oceanos podem se influenciar e ampliar os efeitos umas das outras.

Apesar do cenário de piora, os pesquisadores destacam que há exemplos de recuperação. A camada de ozônio, por exemplo, voltou para a faixa considerada segura após acordos internacionais restringirem substâncias responsáveis por sua degradação.

Para Johan Rockström, diretor do PIK e um dos autores do relatório, medidas para reduzir essas pressões ainda podem mudar a trajetória.

“Não temos o luxo do tempo, mas temos o conhecimento, a capacidade e as soluções para mudar de rumo”, afirmou.
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026 — Foto: Stephane Mahe/REUTERS
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026 — Foto: Stephane Mahe/REUTERS


Imprensa americana publica vídeo que mostra o começo da avalanche no Nepal
Imprensa americana publica vídeo que mostra o começo da avalanche no Nepal

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domingo, 20 de setembro de 2026

Como uma janela de avião é feita? Saiba por que fabricação exige engenharia complexa

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Embora existam poucas empresas que fabriquem janelas para aeronaves, novos concorrentes têm dificuldade para entrar nesse mercado devido ao alto grau de regulamentação do setor.
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TOPO
Por Chris Baraniuk

Postado em 20 de Setembro de  2.026 às 22h25m

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Equipes de bombeiros jogam água em um tanque superaquecido em Los Angeles, em maio. — Foto: Los Angeles Times via Getty Images
Equipes de bombeiros jogam água em um tanque superaquecido em Los Angeles, em maio. — Foto: Los Angeles Times via Getty Images

Um pesadelo industrial começava a se desenhar no sul de Los Angeles, nos Estados Unidos.

No final de maio, um tanque de armazenamento de produtos químicos com mais de 7 mil galões de material tóxico começou a esquentar rapidamente. O tanque pertencia à GKN Aerospace, empresa que fornece peças para a indústria de aviação, entre elas janelas de aeronaves.

À medida que a temperatura dentro do tanque metálico aumentava, os trabalhadores perceberam que havia um problema. Havia risco de explosão do tanque, que poderia espalhar metil metacrilato (MMA) pelos bairros próximos. A substância, usada na produção de plásticos, pode causar irritação na pele e nos pulmões.

A temperatura no tanque chegou a 38°C (100°F), e pode ter subido ainda mais, já que esse era o limite máximo registrado pelo medidor instalado no interior do recipiente.

Mais de 50 mil moradores da cidade de Garden Grove foram retirados de suas casas, e equipes de bombeiros começaram a jogar água no tanque para tentar resfriá-lo. Em determinado momento, o tanque "chegou a estufar", segundo o chefe dos bombeiros locais.

Felizmente, não houve explosão. Meses depois, em agosto, a GKN e as autoridades locais anunciaram um programa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 513 milhões) para indenizar os moradores que tiveram de deixar suas casas durante o incidente. Mas a produção de janelas de aeronaves no local, interrompida após o episódio, ainda não foi totalmente retomada.

Pouquíssimas empresas fabricam janelas de aviões. — Foto: Getty Images via BBC
Pouquíssimas empresas fabricam janelas de aviões. — Foto: Getty Images via BBC

O episódio provocou preocupação na indústria aeronáutica porque a GKN é uma das poucas empresas no mundo que fabricam janelas de aeronaves, que são peças que exigem engenharia sofisticada e são essenciais para a segurança dos aviões.

A produção na fábrica da GKN em Garden Grove continua limitada a cerca de 50% do nível normal, segundo informações divulgadas pela Melrose Industries, controladora britânica da empresa. A meta é retomar totalmente a produção até 28/9. A GKN não aceitou conceder entrevista à reportagem da BBC.

"Ela [a GKN] é uma das raríssimas fornecedoras de janelas essenciais para a segurança das aeronaves", afirma Marisa Garcia, analista do setor de aviação. "Um dos pontos frágeis da cadeia de suprimentos da aviação é que há pouquíssimas empresas qualificadas para fazer determinadas coisas e, quando algo dá errado, todo o sistema é afetado."

A Boeing afirmou à BBC que está "tomando medidas para reduzir possíveis impactos" e descreveu a redução da produção como um problema que afeta todo o setor.

"Estamos dando suporte ao nosso fornecedor", acrescentou um porta-voz da empresa. Uma porta-voz da Airbus, por sua fez, afirmou: "Estamos acompanhando a situação de perto e observamos avanços positivos rumo à normalização."

O problema ocorre em um momento em que as companhias aéreas "não conseguem receber novos aviões com a rapidez necessária", afirma Mike Stengel, da consultoria AeroDynamic Advisory. "Elas estão mantendo as aeronaves em operação por mais tempo."

Embora existam poucas empresas que fabriquem janelas para aeronaves, novos concorrentes têm dificuldade para entrar nesse mercado devido ao alto grau de regulamentação do setor, acrescenta Stengel. "Pode levar tempo para mudar de fornecedor."

Isso exige um "equilíbrio" entre os fabricantes de aviões e as empresas que fornecem as peças de que eles dependem, afirma Stengel.

A fabricação das janelas começa com uma placa de acrílico. — Foto: Saint-Gobain via BBC
A fabricação das janelas começa com uma placa de acrílico. — Foto: Saint-Gobain via BBC

Como essas janelas são fabricadas

Para entender como é feita uma janela de avião, a BBC conversou com Jean-Eric Vermont, diretor-geral da empresa francesa Saint-Gobain Aerospace.

"Trabalhamos principalmente com aviões comerciais, aeronaves regionais e helicópteros", afirma.

Vermont, no entanto, preferiu não dizer qual é a participação da empresa no mercado de janelas de aeronaves, ou transparências, como são chamadas no setor.

As janelas ovais da cabine, ao lado dos assentos dos passageiros, costumam ser feitas com materiais à base de plástico, segundo Vermont. "Você começa com uma placa de acrílico", explica. "Depois, corta no tamanho necessário para dar o formato."

Um porta-voz da Saint-Gobain confirmou à BBC que a empresa não armazena nem processa MMA, como a GKN. Em vez disso, compra placas de MMA polimerizado, ou acrílico.

Segundo Vermont, da Saint-Gobain Aerospace, os fabricantes de aeronaves têm encomendado janelas de cabine cada vez maiores para oferecer aos passageiros uma visão mais ampla do lado de fora. Isso funciona como um atrativo comercial, mas exige testes adicionais para verificar se as janelas maiores têm a mesma resistência das menores.

A Saint-Gobain testa as janelas com pressões muito maiores do que as enfrentadas por uma aeronave durante voos em altitude.

Essas janelas de cabine feitas à base de acrílico costumam ter duas camadas. A Saint-Gobain também realiza testes para verificar se a janela resiste mesmo quando uma dessas camadas é danificada

Quanto maiores as janelas dos aviões, mais difícil é de fabricá-las. — Foto: Saint-Gobain via BBC
Quanto maiores as janelas dos aviões, mais difícil é de fabricá-las. — Foto: Saint-Gobain via BBC

As janelas da cabine de comando, segundo Vermont, são "completamente diferentes".

Em geral, elas são feitas de vidro, reforçado quimicamente com a adição de potássio. No processo, íons menores de sódio são substituídos por íons maiores de potássio, que ajudam a preencher a estrutura molecular do vidro. Durante a fabricação, quando o material esfria, essa estrutura fica mais compacta e resistente.

Algumas das aeronaves mais recentes também têm janelas curvas na cabine de comando, o que deixa o avião mais aerodinâmico e melhora a eficiência no consumo de combustível. Mas fabricar essas janelas é um desafio: qualquer pequena distorção ou defeito fica claramente visível para o piloto.

Por isso, são adotados rígidos controles de qualidade para garantir que o produto final não tenha problemas desse tipo.

Todas as janelas de aeronaves precisam resistir a impactos, mas as da cabine de comando, na parte dianteira do avião, são especialmente vulneráveis a colisões com aves, afirma Vermont. "O problema não é a velocidade da ave, mas a velocidade da aeronave."

A Saint-Gobain usa simulações numéricas e "testes físicos que simulam o impacto de uma ave de grande porte" para avaliar a resistência das janelas a esse tipo de colisão.

"Normalmente, se o avião atravessa uma tempestade de granizo ou atinge uma ave grande o suficiente, a camada externa racha", afirma Vermont. "A janela da cabine de comando é projetada para suportar isso."

Recentemente, um voo de Londres para Londonderry foi afetado por uma rachadura em uma das janelas da cabine de comando. Embora tenha sido declarada uma emergência durante o voo, o avião pousou em segurança. "Casos assim podem acontecer", afirma Vermont, acrescentando que nenhuma janela da Saint-Gobain esteve envolvida recentemente em um episódio desse tipo.

"É claro que estamos falando de uma superfície em contato com dois ambientes muito diferentes", afirma Stengel, da AeroDynamic Advisory. "Por isso, esses produtos exigem um projeto de engenharia mais complexo."

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