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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Real tem segunda maior valorização frente ao dólar entre moedas de 27 países em janeiro

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No primeiro pregão de janeiro, a moeda americana era cotada a R$ 6,1624. No, último dia do mês, a cotação era de R$ 5,8372, uma diferença de mais de 30 centavos. Valorização foi de 6,41%.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 04 de Fevereiro de 2.025 às 07h15m

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Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters
Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

O real foi a moeda com a segunda maior valorização frente ao dólar entre as moedas de 27 economias globais em janeiro de 2025, segundo levantamento de Einar Rivero, da Elos Ayta Consultoria.

No primeiro mês do ano, a moeda brasileira registrou um avanço de 6,41% em relação ao dólar. No primeiro pregão de janeiro, a moeda americana era cotada a R$ 6,1624. Já na última sexta-feira (31), último dia do mês, a cotação era de R$ 5,8372, uma diferença de mais de 30 centavos.

O real só não se valorizou mais frente ao dólar do que o rublo russo, que disparou 12,09% em janeiro.

Outros países que se destacaram no mês foram Colômbia e China, com valorizações de 5,09% e 1,53% de suas moedas em relação ao dólar.

Veja o desempenho das moedas de 27 países em relação ao dólar em janeiro de 2025:

Desempenho das moedas em relação ao dólar em janeiro de 2025

País Moeda Variação
Rússia Rublo Russo 12,09%
Brasil Real 6,41%
Colômbia Peso Colombiano 5,09%
Israel Novo Shekel Israelense 2,24%
China Yuan 1,53%
Japão Iene 1,41%Sol
Peru Sol 1,35%
Coreia do Sul Won 1,06%
México Peso Mexicano 0,87%
África do Sul Rand Sul-Africano 0,75%
Chile Peso Chileno 0,41%
Noruega Coroa Norueguesa 0,18%
Arábia Saudita Rial Saudita 0,16%
Austrália Dólar Australiano 0,00%
Suíça Franco Suíço 0,00%
Zona do Euro Euro 0,00%
Dinamarca Coroa Dinamarquesa -0,28%
Hong Kong Dólar de Hong Kong -0,39%
Suécia Coroa Sueca -0,54%
Taiwan Dólar Tawianês -0,67%
Canadá Dólar Canadense -0,69%
Indonésia Rupia Indonésia -1,02%
Filipinas Peso Filipino -1,14%
Inglaterra Libra Esterlina -1,23%
Índia Rúpia Indiana -1,41%
Turquia Lira Turca -1,42%
Argentina Peso Argentino -1,99%

Segundo Rivero, os números revelam "uma tendência de fortalecimento de moedas de mercados emergentes, em um contexto de ajustes monetários globais e recomposição de fluxos de capital".

No Brasil, especificamente, a valorização do real está relacionada ao aumento do diferencial de juros entre o país e os Estados Unidos, destaca o especialista.

Na última semana de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do banco Central do Brasil (BC) elevou mais uma vez a Selic, taxa básica de juros. A alta foi de 1 ponto percentual, que levou a taxa Selic ao patamar de 13,25% ao ano. A instituição ainda indicou que novos aumentos devem acontecer nos próximos meses.

Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) optou por manter seus juros inalterados entre 4,25% e 4,50% ao ano.

Essa diferença entre os juros pode atrair mais investidores para o Brasil, na busca por investimentos com retornos maiores que os oferecidos nos EUA.

"A valorização do real pode trazer efeitos importantes para a economia brasileira. Em primeiro lugar, um câmbio mais forte tende a reduzir a pressão inflacionária ao baratear importações, especialmente de insumos e commodities estratégicas. No entanto, um real apreciado pode reduzir a competitividade de exportadores brasileiros, impactando setores como o agronegócio e a indústria", comenta Rivero.

 Banco Central do Brasil

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Dólar opera em alta e Ibovespa cai com tarifas de Trump; bolsas pelo mundo vivem dia de queda

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Na última sexta-feira, a moeda norte-americana teve queda de 0,25%, cotada a R$ 5,8372. Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, teve um recuo de 0,61%, aos 126.135 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 03 de Fevereiro de 2.025 às 10h00m

#.* Post. - Nº.\  11.494*.#

Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters
Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (3), com investidores repercutindo o anúncio, feito neste fim de semana, de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu taxar seus três principais parceiros comerciais: China, Canadá e México.

Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, opera em queda, acompanhando um movimento global de baixa nos mercados de ações.

Trump impôs tarifas de 10% aos produtos vindos da China e de 25% para as importações do México e do Canadá — com 10% sobre o petróleo canadense. As medidas começam a valer já nesta terça-feira (4).

Essas tarifações eram uma das principais promessas de campanha de Trump, que afirma que as medidas farão com que os EUA voltem a crescer. Neste domingo (2), inclusive, o presidente disse que o país pode até enfrentar "alguma dor" com as taxas, mas que "valerá a pena o preço que devemos pagar".

Como resposta, o Canadá já anunciou a imposição de tarifas de 25% à produtos exportados dos EUA para o país. O México também afirmou que estuda medidas tarifárias e não tarifárias para defender seus interesses. Já a China disse que as tarifas americanas violam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que vai recorrer à autoridade.

O mercado reage a esses últimos acontecimentos com cautela, temendo que a troca de tarifações seja o início de uma guerra comercial que possa aumentar o preço de produtos em todo o mundo.

Como consequência, o dólar — considerado a moeda mais segura do mundo e, portanto, o "refúgio" dos investidores em momentos de incertezas — vive um dia de alta pelo mundo, enquanto as bolsas de valores operam em queda. Na Ásia, onde os mercados já fecharam, o dia foi de baixa generalizada. Na Europa, os principais índices acionários também recuam.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Dólar acumula alta de quase 28% em 2024

Dólar

Às 10h45, o dólar subia 0,77%, cotado a R$ 5,8823. Veja mais cotações.

Na última sexta-feira (31), a moeda norte-americana fechou em queda de 0,25%, cotada a R$ 5,8372.

Com o resultado, acumulou:

  • queda de 1,37% na semana;
  • recuo de 5,54% no mês e no ano.
Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,41%, aos 125.613 pontos.

Na sexta, o índice fechou em queda de 0,61%, aos 126.135 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 3,01% na semana;
  • ganho de 4,86% no mês e no ano.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O que está mexendo com os mercados?

Especialistas explicam que a taxação de produtos importados nos EUA podem aumentar a inflação no país, já que haverá uma alta nos preços de diversos produtos e matérias-primas. Isso ocorre em um momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tenta controlar a inflação no país e interrompeu o ciclo de redução em suas taxas de juros.

Se a inflação voltar a subir muito acima da meta do Fed, a instituição pode promover novas altas nos juros do país. Juros maiores tornam a tomada de crédito pela população e empresas mais caro e, por isso, o consumo tende a reduzir, tirando a pressão sobre a inflação.

Juros altos nos EUA, porém, também elavam a rentabilidade dos títulos públicos do país, considerados os ativos financeiros mais seguros do mundo. Assim, mais investidores migram seu dinheiro para os EUA, o que fortalece o dólar frente a moedas de outros países, como o real.

O fortalecimento do dólar, por sua vez, impacta os preços no mundo todo, tendo em vista que muitos dos contratos de importação e exportação são feitos na moeda americana. Isso poderia gerar uma tendência de aceleração da inflação em diversos países, principalmente os que tem os EUA entre os principais parceiros comerciais.

Em entrevista à BBC, o analista da Capital Economics, Paul Ashworth, disse que, com as medidas de Trump, a janela para mais cortes nas taxas de juros dos EUA nos próximos 12 a 18 meses "simplesmente se fechou".

Além das tarifas já aplicadas, Trump disse que mira a União Europeia. Em nota, a Comissão Europeia respondeu que "responderá com firmeza se tarifas injustas forem aplicadas".

Com os investidores reagindo as essas movimentações, os mercado globais vivem um dia de baixa.

Na Ásia, os índices acionários das principais bolsas de valores fecharam assim:

  • Em Tóquio, o Nikkei, principal índice acionário do país, caiu 2,66%;
  • O índice KOSPI, da Coreia do Sul, teve desvalorização de 2,52%;
  • Em Taiwan, o índice TAIEX teve forte baixa de 3,53%;
  • O índice Hang Seng, em Hong Kong, caiu 0,04%.

Na Europa, onde os mercados ainda estão abertos, todos os principais índices também operam em queda.

Estão previstos para esta segunda discursos de alguns membros do Fed, que podem trazer novas pistas sobre o futuro dos juros nos EUA, em meio às tarifas de Trump. Além disso, na agenda da semana, destaque para novos dados do mercado de trabalho americano.

No cenário doméstico, o dia de agenda econômica mais vazia, com destaque apenas para o Boletim Focus, relatório do Banco Central do Brasil (BC) que reúne as projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país.

Na edição desta semana, o Focus apontou um leve aumento nas expectativas para inflação, que passaram de 5,50% na última semana para 5,51% nesta. Já para 2026, a expectativa subiu de 4,22% para 4,28%. Foi o sexto aumento consecutivo no indicador.

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domingo, 2 de fevereiro de 2025

O que ratos adormecidos revelam sobre como nossa memória funciona

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Cientistas descobriram que o cérebro do camundongo trabalha em tarefas diferentes em cada fase do sono. Além disso, o estudo trata de como o sono pode ajudar os humanos a armazenar melhor as memórias.
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TOPO
Por Mark Shea

Postado em 02 de Fevereiro de 2.025 às 06h30m

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O que um rato de laboratório consegue ou não lembrar pode dar pistas sobre como processamos e reforçamos memórias. — Foto: Getty Images via BBC

O que um rato de laboratório consegue ou não lembrar pode dar pistas sobre como processamos e reforçamos memórias. — Foto: Getty Images via BBC

O que é memória, e quanta memória nós temos? Quando esquecemos algo, é porque uma nova memória "substituiu" uma memória existente ou estabelecida?

O personagem de animação Homer Simpson, da série de televisão americana Os Simpsons, certamente acreditava nisso.

"Toda vez que aprendo algo novo, isso empurra algumas coisas antigas para fora do meu cérebro", ele diz à sua esposa, Marge, em um episódio particularmente memorável. "Lembra quando fiz aquele curso de fabricação de vinho caseiro, e esqueci como dirigir?"

Mas os instintos de Homer não estão tão distantes da realidade quanto poderíamos imaginar. Existe um fenômeno conhecido como "esquecimento catastrófico", no qual o processo de consolidação de novas informações interfere ou "apaga" a memória existente.

Algo semelhante pode ser observado nas redes neurais digitais que alimentam a inteligência artificial (IA), que são modeladas com base no cérebro humano, mas que muitas vezes têm dificuldade de incorporar novos conjuntos de dados ao aprendizado existente.

Normalmente, nossos cérebros são melhores nisso, mas não entendemos bem por quê.

Pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, acreditam ter feito um grande avanço na compreensão de como nosso cérebro gera memórias — e afirmam que suas descobertas vão poder ser usadas um dia não apenas para aprimorar a inteligência artificial, mas também para combater doenças degenerativas do cérebro, como o Alzheimer.

Tudo isso se resume ao que eles conseguiram ver pelos olhos de camundongos adormecidos.

Janela para o cérebro

A equipe, cujo artigo de pesquisa foi publicado no início deste mês na revista científica Nature, descobriu que os camundongos parecem evitar a interferência ao processar memórias novas e estabelecidas em diferentes estágios do ciclo do sono.

"É a primeira vez que sabemos algo tão específico quanto o tipo de memória que o cérebro está consolidando ao olhar para os olhos", disse a principal autora do estudo, Azahara Oliva, à BBC.

Os camundongos são sujeitos ideais para este tipo de experimento porque, durante parte do tempo em que estão dormindo, seus olhos ficam parcialmente abertos, o que oferece aos cientistas uma janela para o cérebro.

Quando os camundongos dormem, suas pupilas encolhem repetidamente por cerca de um minuto, e depois voltam ao tamanho original maior.

O que os cientistas descobriram foi que o cérebro do camundongo estava trabalhando em tarefas diferentes em cada fase do sono.

Quando as pupilas estão grandes, o cérebro está preservando memórias mais antigas, explica Oliva, e está incorporando novas memórias quando as pupilas estão pequenas. A equipe acredita que este sistema de duas fases é uma "possível solução para este problema de como o cérebro pode incorporar novos conhecimentos, mas também manter intacto o conhecimento antigo".

Camundongos transgenicamente modificados

Estas percepções são possíveis porque os camundongos marrons usados nos experimentos (que são considerados mais inteligentes do que os brancos) têm neurônios (células cerebrais) geneticamente modificados que respondem à luz.

"Os próprios camundongos são modificados transgenicamente, de modo que expressam uma proteína artificial em suas células cerebrais", diz o principal coautor do artigo, Antonio Fernandez Ruiz.

"Quando inserimos uma fibra óptica no cérebro, com uma quantidade muito pequena de luz, podemos fazer com que esses neurônios disparem — podemos ativar, como quiser, células específicas no cérebro", diz Hongyu Chang, que também é coautora do estudo. Isso permite que os pesquisadores acionem ou suprimam o processo de consolidação da memória usando equipamentos especiais projetados pela equipe.

Os camundongos do experimento usam um capacete para que sua pupila possa ser monitorada por uma câmera por meio de um espelho, e os eletrodos possam alcançar o cérebro. — Foto: Universidade Cornell via BBC
Os camundongos do experimento usam um capacete para que sua pupila possa ser monitorada por uma câmera por meio de um espelho, e os eletrodos possam alcançar o cérebro. — Foto: Universidade Cornell via BBC

Os camundongos usam um capacete especial com uma câmera e um espelho, para que os cientistas possam observar a pupila e saber em que estado do sono o camundongo se encontra. Assim, o cérebro pode ser estimulado somente no período necessário, quando a pupila está grande ou pequena.

Pequenos eletrodos implantados no cérebro permitem que os cientistas observem o processamento cerebral do camundongo e interrompam sua capacidade de formar memórias.

O estudo de centenas de neurônios específicos informa aos cientistas em que ordem eles estão disparando e, se essa ordem corresponder à ordem da experiência anterior, isso sugere que o camundongo adormecido pode estar revendo um evento anterior e formando ou consolidando uma memória.

"Quando ando por uma sala, alguns neurônios disparam em uma ordem específica e, à noite, as mesmas células são reativadas novamente na mesma ordem para consolidar e estabilizar essas memórias", explica Chang.

Mas o disparo de uma pequena quantidade de luz por meio de uma fibra óptica no neurônio geneticamente modificado do camundongo adormecido interrompe este processo.

Apagando a memória de um camundongo

Foram escondidas guloseimas para os camundongos, que tiveram que se lembrar do caminho certo depois de dormir. — Foto: Getty Images via BBC
Foram escondidas guloseimas para os camundongos, que tiveram que se lembrar do caminho certo depois de dormir. — Foto: Getty Images via BBC

"Colocamos o animal em um labirinto de tábuas de queijo – uma forma redonda com vários buracos", diz Wenbo Tang, coautora do relatório. "E um dos buracos tem esta recompensa escondida, que é açúcar."

Os camundongos aprendem então um caminho até o doce, e os cientistas mapeiam o padrão em que os neurônios disparam.

Ao estabelecer um segundo caminho diferente, eles podem diferenciar entre uma memória antiga estabelecida e uma formada naquele dia.

A equipe começou então a ver se conseguiria apagar memórias seletivas.

A equipe descobriu que, quando suprimiu os neurônios formadores de memória, na fase da pupila pequena do sono, de camundongos que tinham acabado de aprender a encontrar a guloseima, eles não conseguiram encontrar a guloseima novamente quando acordaram.

No entanto, quando eles fizeram isso durante a fase da pupila mais dilatada do sono, os camundongos foram direto para a guloseima. Eles conseguiram se lembrar do caminho, indicando que o processo de formação da memória durante o sono não havia sido interrompido.

Os cientistas conseguiram monitorar a atividade cerebral e sabiam, portanto, que a maior parte da reprodução de experiências recentes pelo cérebro estava ocorrendo quando a pupila estava pequena. Com base em experimentos anteriores, eles acreditam que o outro estágio do sono, com a pupila maior, tem uma função diferente: reforçar as memórias existentes.

Isso levou a equipe a concluir que, pelo menos nos camundongos, o cérebro separa as duas tarefas de processamento de novas memórias e consolidação das existentes, o que provavelmente impede que elas interfiram uma na outra.

Ajuda com Alzheimer, trauma e inteligência artificial

Acredita-se que as descobertas do estudo com ratos também sejam relevantes para os seres humanos. — Foto: Getty Images via BBC
Acredita-se que as descobertas do estudo com ratos também sejam relevantes para os seres humanos. — Foto: Getty Images via BBC

Sabemos como o sono é importante para o processo de formação da memória, e este estudo sugere que o que acontece no cérebro durante as diferentes fases é importante para evitar problemas com a criação e o estabelecimento de memórias.

A equipe acredita que, assim como em muitos outros casos, suas descobertas em camundongos também vão ser relevantes para os seres humanos: os camundongos também são mamíferos e compartilham muitas semelhanças genéticas e processos biológicos com os seres humanos, assim como desafios e necessidades ambientais.

Se pudermos ajudar o cérebro humano a evitar a confusão entre memórias existentes e novas, podemos encontrar maneiras de tratar várias condições."

"Achamos que é isso que está acontecendo com o envelhecimento natural, e talvez com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer", diz Fernandez Ruiz

"Você pode ter uma memória que deseja apagar especificamente, como no caso de pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou de tipos de memória prejudiciais", acrescenta Oliva. Ela sugere que, no futuro, poderemos interferir no sono durante a consolidação desta memória ou experiência traumática específica.

A pesquisa também poderia ajudar a inteligência artificial a aprender muitas tarefas semelhantes, da mesma forma que o cérebro humano faz.

"Quando você pede a um sistema de inteligência artificial para fazer uma coisa, ele pode fazê-la muito bem, até mesmo superando os seres humanos. Mas quando você pede ao nosso sistema de IA para fazer muitas coisas, isso é um desafio", diz Tang.

"Se eu treinar uma nova rede neural artificial para reconhecer uma imagem — um gato, por exemplo —, ela vai ser incrível", acrescenta Hongyu Chang.

"Mas e se eu quiser que ela aprenda uma coisa nova, por exemplo, (identificar) um cachorro? Você vai ter que treiná-la novamente, porque este novo conjunto de dados vai sobrescrever o antigo. Ela vai se lembrar do cachorro, mas vai esquecer o gato. Uma das aplicações deste campo é que poderia haver uma maneira de a IA aprender coisas novas mais rapidamente."

De modo geral, diz Tang, "este estudo trata de como o sono pode nos ajudar a armazenar melhor as memórias", e isso poderia ajudar a melhorar a saúde humana.

Mas, talvez, não ajude Homer Simpson, cuja incapacidade de dirigir depois de um curso de fabricação de vinho teve pouco a ver com as fases do sono.

"É porque você estava bêbado", explica Marge.

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