Total de visualizações de página

domingo, 2 de fevereiro de 2025

O que ratos adormecidos revelam sobre como nossa memória funciona

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Cientistas descobriram que o cérebro do camundongo trabalha em tarefas diferentes em cada fase do sono. Além disso, o estudo trata de como o sono pode ajudar os humanos a armazenar melhor as memórias.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Mark Shea

Postado em 02 de Fevereiro de 2.025 às 06h30m

#.* Post. - Nº.\  11.493*.#

O que um rato de laboratório consegue ou não lembrar pode dar pistas sobre como processamos e reforçamos memórias. — Foto: Getty Images via BBC

O que um rato de laboratório consegue ou não lembrar pode dar pistas sobre como processamos e reforçamos memórias. — Foto: Getty Images via BBC

O que é memória, e quanta memória nós temos? Quando esquecemos algo, é porque uma nova memória "substituiu" uma memória existente ou estabelecida?

O personagem de animação Homer Simpson, da série de televisão americana Os Simpsons, certamente acreditava nisso.

"Toda vez que aprendo algo novo, isso empurra algumas coisas antigas para fora do meu cérebro", ele diz à sua esposa, Marge, em um episódio particularmente memorável. "Lembra quando fiz aquele curso de fabricação de vinho caseiro, e esqueci como dirigir?"

Mas os instintos de Homer não estão tão distantes da realidade quanto poderíamos imaginar. Existe um fenômeno conhecido como "esquecimento catastrófico", no qual o processo de consolidação de novas informações interfere ou "apaga" a memória existente.

Algo semelhante pode ser observado nas redes neurais digitais que alimentam a inteligência artificial (IA), que são modeladas com base no cérebro humano, mas que muitas vezes têm dificuldade de incorporar novos conjuntos de dados ao aprendizado existente.

Normalmente, nossos cérebros são melhores nisso, mas não entendemos bem por quê.

Pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, acreditam ter feito um grande avanço na compreensão de como nosso cérebro gera memórias — e afirmam que suas descobertas vão poder ser usadas um dia não apenas para aprimorar a inteligência artificial, mas também para combater doenças degenerativas do cérebro, como o Alzheimer.

Tudo isso se resume ao que eles conseguiram ver pelos olhos de camundongos adormecidos.

Janela para o cérebro

A equipe, cujo artigo de pesquisa foi publicado no início deste mês na revista científica Nature, descobriu que os camundongos parecem evitar a interferência ao processar memórias novas e estabelecidas em diferentes estágios do ciclo do sono.

"É a primeira vez que sabemos algo tão específico quanto o tipo de memória que o cérebro está consolidando ao olhar para os olhos", disse a principal autora do estudo, Azahara Oliva, à BBC.

Os camundongos são sujeitos ideais para este tipo de experimento porque, durante parte do tempo em que estão dormindo, seus olhos ficam parcialmente abertos, o que oferece aos cientistas uma janela para o cérebro.

Quando os camundongos dormem, suas pupilas encolhem repetidamente por cerca de um minuto, e depois voltam ao tamanho original maior.

O que os cientistas descobriram foi que o cérebro do camundongo estava trabalhando em tarefas diferentes em cada fase do sono.

Quando as pupilas estão grandes, o cérebro está preservando memórias mais antigas, explica Oliva, e está incorporando novas memórias quando as pupilas estão pequenas. A equipe acredita que este sistema de duas fases é uma "possível solução para este problema de como o cérebro pode incorporar novos conhecimentos, mas também manter intacto o conhecimento antigo".

Camundongos transgenicamente modificados

Estas percepções são possíveis porque os camundongos marrons usados nos experimentos (que são considerados mais inteligentes do que os brancos) têm neurônios (células cerebrais) geneticamente modificados que respondem à luz.

"Os próprios camundongos são modificados transgenicamente, de modo que expressam uma proteína artificial em suas células cerebrais", diz o principal coautor do artigo, Antonio Fernandez Ruiz.

"Quando inserimos uma fibra óptica no cérebro, com uma quantidade muito pequena de luz, podemos fazer com que esses neurônios disparem — podemos ativar, como quiser, células específicas no cérebro", diz Hongyu Chang, que também é coautora do estudo. Isso permite que os pesquisadores acionem ou suprimam o processo de consolidação da memória usando equipamentos especiais projetados pela equipe.

Os camundongos do experimento usam um capacete para que sua pupila possa ser monitorada por uma câmera por meio de um espelho, e os eletrodos possam alcançar o cérebro. — Foto: Universidade Cornell via BBC
Os camundongos do experimento usam um capacete para que sua pupila possa ser monitorada por uma câmera por meio de um espelho, e os eletrodos possam alcançar o cérebro. — Foto: Universidade Cornell via BBC

Os camundongos usam um capacete especial com uma câmera e um espelho, para que os cientistas possam observar a pupila e saber em que estado do sono o camundongo se encontra. Assim, o cérebro pode ser estimulado somente no período necessário, quando a pupila está grande ou pequena.

Pequenos eletrodos implantados no cérebro permitem que os cientistas observem o processamento cerebral do camundongo e interrompam sua capacidade de formar memórias.

O estudo de centenas de neurônios específicos informa aos cientistas em que ordem eles estão disparando e, se essa ordem corresponder à ordem da experiência anterior, isso sugere que o camundongo adormecido pode estar revendo um evento anterior e formando ou consolidando uma memória.

"Quando ando por uma sala, alguns neurônios disparam em uma ordem específica e, à noite, as mesmas células são reativadas novamente na mesma ordem para consolidar e estabilizar essas memórias", explica Chang.

Mas o disparo de uma pequena quantidade de luz por meio de uma fibra óptica no neurônio geneticamente modificado do camundongo adormecido interrompe este processo.

Apagando a memória de um camundongo

Foram escondidas guloseimas para os camundongos, que tiveram que se lembrar do caminho certo depois de dormir. — Foto: Getty Images via BBC
Foram escondidas guloseimas para os camundongos, que tiveram que se lembrar do caminho certo depois de dormir. — Foto: Getty Images via BBC

"Colocamos o animal em um labirinto de tábuas de queijo – uma forma redonda com vários buracos", diz Wenbo Tang, coautora do relatório. "E um dos buracos tem esta recompensa escondida, que é açúcar."

Os camundongos aprendem então um caminho até o doce, e os cientistas mapeiam o padrão em que os neurônios disparam.

Ao estabelecer um segundo caminho diferente, eles podem diferenciar entre uma memória antiga estabelecida e uma formada naquele dia.

A equipe começou então a ver se conseguiria apagar memórias seletivas.

A equipe descobriu que, quando suprimiu os neurônios formadores de memória, na fase da pupila pequena do sono, de camundongos que tinham acabado de aprender a encontrar a guloseima, eles não conseguiram encontrar a guloseima novamente quando acordaram.

No entanto, quando eles fizeram isso durante a fase da pupila mais dilatada do sono, os camundongos foram direto para a guloseima. Eles conseguiram se lembrar do caminho, indicando que o processo de formação da memória durante o sono não havia sido interrompido.

Os cientistas conseguiram monitorar a atividade cerebral e sabiam, portanto, que a maior parte da reprodução de experiências recentes pelo cérebro estava ocorrendo quando a pupila estava pequena. Com base em experimentos anteriores, eles acreditam que o outro estágio do sono, com a pupila maior, tem uma função diferente: reforçar as memórias existentes.

Isso levou a equipe a concluir que, pelo menos nos camundongos, o cérebro separa as duas tarefas de processamento de novas memórias e consolidação das existentes, o que provavelmente impede que elas interfiram uma na outra.

Ajuda com Alzheimer, trauma e inteligência artificial

Acredita-se que as descobertas do estudo com ratos também sejam relevantes para os seres humanos. — Foto: Getty Images via BBC
Acredita-se que as descobertas do estudo com ratos também sejam relevantes para os seres humanos. — Foto: Getty Images via BBC

Sabemos como o sono é importante para o processo de formação da memória, e este estudo sugere que o que acontece no cérebro durante as diferentes fases é importante para evitar problemas com a criação e o estabelecimento de memórias.

A equipe acredita que, assim como em muitos outros casos, suas descobertas em camundongos também vão ser relevantes para os seres humanos: os camundongos também são mamíferos e compartilham muitas semelhanças genéticas e processos biológicos com os seres humanos, assim como desafios e necessidades ambientais.

Se pudermos ajudar o cérebro humano a evitar a confusão entre memórias existentes e novas, podemos encontrar maneiras de tratar várias condições."

"Achamos que é isso que está acontecendo com o envelhecimento natural, e talvez com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer", diz Fernandez Ruiz

"Você pode ter uma memória que deseja apagar especificamente, como no caso de pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou de tipos de memória prejudiciais", acrescenta Oliva. Ela sugere que, no futuro, poderemos interferir no sono durante a consolidação desta memória ou experiência traumática específica.

A pesquisa também poderia ajudar a inteligência artificial a aprender muitas tarefas semelhantes, da mesma forma que o cérebro humano faz.

"Quando você pede a um sistema de inteligência artificial para fazer uma coisa, ele pode fazê-la muito bem, até mesmo superando os seres humanos. Mas quando você pede ao nosso sistema de IA para fazer muitas coisas, isso é um desafio", diz Tang.

"Se eu treinar uma nova rede neural artificial para reconhecer uma imagem — um gato, por exemplo —, ela vai ser incrível", acrescenta Hongyu Chang.

"Mas e se eu quiser que ela aprenda uma coisa nova, por exemplo, (identificar) um cachorro? Você vai ter que treiná-la novamente, porque este novo conjunto de dados vai sobrescrever o antigo. Ela vai se lembrar do cachorro, mas vai esquecer o gato. Uma das aplicações deste campo é que poderia haver uma maneira de a IA aprender coisas novas mais rapidamente."

De modo geral, diz Tang, "este estudo trata de como o sono pode nos ajudar a armazenar melhor as memórias", e isso poderia ajudar a melhorar a saúde humana.

Mas, talvez, não ajude Homer Simpson, cuja incapacidade de dirigir depois de um curso de fabricação de vinho teve pouco a ver com as fases do sono.

"É porque você estava bêbado", explica Marge.

---++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Royal Enfield Super Meteor 650: o que faz essa custom ter seis meses de fila de espera?

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


O g1 testou Estradeira de média cilindrada da marca indiana sai por R$ 34.990 e é uma das poucas opções acessíveis de motos para curtir no final de semana. Mas vale a pena esperar tanto tempo por ela?
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Vinicius Montoia, g1

Postado em 01 de Fevereiro de 2.025 às 06h00m

#.* Post. - Nº.\  11.492*.#

Royal Enfield Super Meteor 650, na versão testada Celestial, tem banco com sissy bar (apoio para lombar do garupa) e para-brisa. Preço: R$ 34.990 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650, na versão testada Celestial, tem banco com sissy bar (apoio para lombar do garupa) e para-brisa. Preço: R$ 34.990 — Foto: g1 | Fábio Tito

As custom estão em alta. As motocicletas voltadas para estrada, popularmente conhecidas como as do estilo Harley-Davidson, tiveram um incremento importante de vendas após a pandemia, como mostrou o g1 em novembro. O crescimento do segmento foi superior a 50%, quando se compara as vendas acumuladas de 2024 com o mesmo período de 2023.

A Royal Enfield é uma das grandes responsáveis por esse incremento, com cinco modelos entre os 10 mais vendidos do segmento. A Super Meteor 650, lançada no meio de 2024 e que já tem uma fila de espera considerável.

Veja as versões:

  • Astral: R$ 33.990
  • Interestellar: R$ 34.490
  • Celestial: R$ 34.990

Por isso, o g1 colocou à prova essa que é uma das motos mais desejadas do segmento para te contar se ela é tudo o que promete. No vídeo abaixo, você confere os principais pontos positivos e negativos do modelo.

E ao longo da reportagem, detalhamos todas as característica da Super Meteor 650 (como peso, motorização, transmissão, largura, estabilidade, conforto, consumo e segurança) para você decidir se essa deve ser a motocicleta da sua garagem.

Royal Enfield Super Meteor 650: 3 pontos positivos e 3 negativos

Que modelo é esse?

As demais motos da Royal Enfield — como Hunter, Scram, Classic, Meteor, Interceptor, Continental e Himalayan — estão disponíveis à pronta entrega. A Super Meteor pode demorar até seis meses para ser chegar às mãos do novo dono. Mas o que houve?

O estoque [de Super Meteor] que acreditávamos que duraria alguns meses, durou dias. Tínhamos 650 motos para vender em um mês, mas isso aconteceu em apenas 48 horas, explicou Gabriel Patini, diretor executivo da Royal Enfield para a América Latina.

Segundo o executivo, o tempo de espera se deve à alta demanda, mas também ao tempo da moto vinda da matriz, na Índia, até o Brasil.

Ou seja, a montadora não previu o montante de pedidos que a Super Meteor teria após o lançamento e, agora, a linha de produção indiana teve que abrir mais dois turnos para suprir os pedidos brasileiros.

Além disso, o kit de peças da moto vem do país asiático e é montado na fábrica de Manaus (AM). Após essa etapa, as motos são levadas para o centro de distribuição da marca, em Louveira (SP). Esse trâmite demora cinco meses. Só então o produto chega à concessionária.

Patini afirma que os pedidos da filial brasileira já foram ampliados, mas a Super Meteor enfrenta uma fila de espera grande por conta da falta de outras customs acessíveis no mercado nacional.

É um cliente órfão de modelos mais em conta da Harley-Davidson, da Honda Shadow, da Suzuki Boulevard. É um número gigante de consumidores que estava sem nada para comprar, esclareceu o executivo. 
Galerias Relacionadas
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
1/19
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: Divulgação | Royal Enfield
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Royal Enfield Super Meteor 650
Boa na estrada e na cidade, mas pesada

Apesar do aspecto robusto, não se pode esquecer que a Super Meteor é uma moto de entrada entre as custom. Apesar do visual, ela tem um terço do motor de motos premium.

As Harley Davidson costumam ser equipadas com propulsores de 1.800 cilindradas ou mais. E, como diz o nome, a Super Meteor tem exatas 648 cilindradas.

Isso não tira o quão empolgante pode ser a moto em baixas e médias velocidades, mas não dá para estabelecer uma comparação entre as custom de entrada e as topo de linha. É como comparar um Hyundai HB20 com um Volkswagen Golf.

🏍️ Entretanto, apesar da "falta de motor", ela se torna uma moto leve perto das estradeiras convencionais. Para iniciantes na categoria, esse é um ponto extremamente positivo, ao não gerar receio de derrubar uma moto tão pesada.

Devido à largura, é preciso paciência para passar entre os carros — Foto: g1 | Vinicius Montoia
Devido à largura, é preciso paciência para passar entre os carros — Foto: g1 | Vinicius Montoia

Deixa a desejar, porém, quando comparamos a Super Meteor 650 com a sua principal rival, a Kawasaki Eliminator 500. Por ter 241 kg, o modelo da Royal Enfield é 65 kg mais pesado que a concorrente japonesa.

No geral, o peso extra se reflete negativamente no desempenho em alta velocidades, mas também torna manobras em baixa velocidade, principalmente entre os carros, mais difícil. É preciso um pouco de paciência para contornar outros veículos em meio ao trânsito.

Por ter apenas 47 cv — a Kawasaki tem 51 cv —, a Super Meteor tem um desempenho progressivo, que não assusta. Em outras palavras, é possível girar o manete da direita (que, inclusive, tem ótima empunhadura) sem a preocupação de ser jogado para trás com a aceleração.

E essa é uma característica deve ser valorizada por iniciantes em motocicletas de média e alta cilindradas. O torque chega às rodas sem aquela "patada" nas costas e isso, por si só, já ajuda a ter um controle maior sobre o veículo sem a necessidade de equipá-lo com controle de tração.

A Royal Enfield Super Meteor 650 tem motor de dois cilindros paralelos que entregam 47 cv — Foto: g1 | Fábio Tito
A Royal Enfield Super Meteor 650 tem motor de dois cilindros paralelos que entregam 47 cv — Foto: g1 | Fábio Tito

A Super Meteor 650 não vibra tanto em ponto morto quanto as custom de alta cilindrada, outro ponto positivo do modelo. Por outro lado, o desempenho não empolga. Para quem está acostumado a rodar com motocicletas de média e alta cilindrada, a aceleração, ultrapassagens e as retomadas podem ser enfadonhas.

Mas não adianta o motor ter bom funcionamento se o casamento com a transmissão não for harmônico. E é aí que a Royal acerta ao utilizar um câmbio de seis marchas na Super Meteor.

A sexta marcha ajuda a diminuir a vibração do motor em altas velocidades, pois ele diminui a rotação do propulsor. E o acerto das três primeiras marchas é agradável para a cidade, por não serem tão longas quanto as três últimas.

⚙️ Mas, de novo, o piloto pode sofrer um pouco ao fazer uma ultrapassagem. Por ter engrenagens mais longas, a Super Meteor tem um desempenho bastante progressivo. Ou seja, não é só o motor que a torna uma custom dócil.

Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito

⚠️ Outro ponto para o iniciante ficar ligado: a posição do comando de troca de marcha é avançado. O piloto fica com os pés posicionados para frente, o que tira um pouco da agilidade ao fazer curvas e manobras em baixas velocidades.

No teste do g1, após ficar 10 dias com o modelo, isso foi bastante sentido ao encarar o trânsito pesado da capital paulista.

Apesar de ter um guidão largo, não é tão difícil transitar com a Super Meteor nos corredores das grandes cidades. Mas há locais onde ela simplesmente não passa. Enquanto as city que tem 75 cm de largura, essa custom tem 89 cm de uma ponta a outra.

Porém, há modelos do segmento que são mais caros e mais difíceis de pilotar. Assim, fica evidente que a Super Meteor não carrega os grandes pênaltis das custom premium, mas também não entrega o mesmo desempenho delas.

Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito

O tamanho da Super Meteor é um ponto importante, especialmente para quem pode ter apenas uma moto e precisa de um modelo que atenda tanto às necessidades diárias quanto às viagens de fim de semana.

Devido às suas dimensões reduzidas em comparação com outras motos custom, a Super Meteor tem vantagens e desvantagens. Entre os prós estão o entre-eixos menor, que facilita manobras em baixas velocidades, e a facilidade de fazer curvas.

É como comparar a manobrabilidade de um Renault Kwid com uma Chevrolet S10: é óbvio qual é mais fácil de estacionar. Algumas motos estradeiras parecem ônibus de tão difíceis de manobrar, devido à grande distância entre as rodas.

🌪️ No entanto, há um ponto negativo que compromete a segurança: a 120 km/h, ela começa a "shimmar". O shimmy é um fenômeno em que a parte dianteira da moto oscila rapidamente de um lado para o outro.

Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito
Royal Enfield Super Meteor 650 — Foto: g1 | Fábio Tito

Isso ocorre por falta de peso no eixo dianteiro, indicando uma má distribuição de massa no projeto. Quando a velocidade aumenta, o vento e a aceleração empurram o eixo dianteiro para cima e é nesse momento que a frente fica muito leve, gerando, assim, a instabilidade.

O "shimmy" de uma moto é muito arriscado porque o motociclista pode perder totalmente o controle. E a Super Meteor shimma mesmo dotada de suspensão invertida que, em tese, deveria evitar esse fenômeno.

Na versão topo de linha Celestial, o banco é maior e possui sissybar para o garupa, um pequeno apoio lombar. O assento é bastante confortável, mas pode deixar os músculos ligeiramente dormentes em viagens longas.

No quesito consumo de combustível, ela não surpreendeu. Ela manteve a média do segmento. Medindo o consumo de forma manual após cada abastecimento (pois seu computador de bordo não registra consumo), foi possível alcançar apenas 21,6 km/l de gasolina.

Um dos pontos elogiáveis da Super Meteor é seu sistema de freios, que funciona bem e é equipado com sistema anti-bloqueio (ABS) nas rodas dianteira e traseira.

Por fim, é uma moto voltada para consumidores sem muitas pretensões esportivas, mas que apreciam uma viagem tranquila e confortável aos finais de semana. Se você gosta de contemplar paisagens, a Super Meteor pode ser uma parceira acessível para curtir viagens e acumular histórias.

Pontos positivos e negativos:

  • Facilidade de pilotar;
  • ✅ Altura do assento;
  • ✅ Entre-eixos mais curto;
  • ❌ Desempenho;
  • ❌ Manobras no trânsito;
  • ❌ Peso.
Conheça as cinco motos mais econômicas do Brasil

Ficha técnica da Super Meteor 650

  • Motor: 648 cilindradas, bicilíndrico paralelo;
  • Potência: 47 cv a 7.250 rpm;
  • Torque: 5,3 kgfm a 5.650 rpm;
  • Câmbio: manual, seis marchas;
  • Comprimento: 2,26 m;
  • Largura: 0,89 m;
  • Altura: 1,15 m;
  • Entre-eixos: 1,50 m;
  • Peso: 241 kg;
  • Tanque: 15,7 litros;
  • Freio dianteiro: 320 mm com ABS;
  • Freio traseiro: 300 mm com ABS;
  • Suspensão dianteira: curso de 120 mm;
  • Suspensão traseira: curso de 101 mm;
  • Pneu dianteiro: 19 polegadas, 100/90
  • Pneu traseiro: 16 polegadas, 150/80
A estradeira vem equipada com freios ABS, inclusive na roda traseira — Foto: g1 | Fábio Tito
A estradeira vem equipada com freios ABS, inclusive na roda traseira — Foto: g1 | Fábio Tito

Oi, sumido

Como mostrou o g1 em novembro, a Royal Enfield tem navegado no segmento das custom há quase sete anos de maneira isolada com modelos de média cilindrada. Dos oito modelos à venda no Brasil, a marca comercializa quatro custom — que estão entre as cinco mais vendidas da categoria.

Essa é a principal estratégia da Royal Enfield: desbravar um segmento “abandonado”, sobretudo em uma faixa de preço em que as concorrentes não se encaixam. A Super Meteor 650 é R$ 10.500 mais barata que a sua equivalente, a Kawasaki Eliminator 500.

A líder de venda entre as custom é a Hunter 350, também da Royal Enfield, e evidencia que a marca também quer conquistar o consumidor interessado em outras categorias. Por R$ 19.990, o modelo já vem com freios ABS de dois canais e o preço inclui o frete de Manaus para qualquer local do Brasil.

Nessa faixa de preço, a montadora indiana pode incomodar até algum cliente da Honda CG e outros modelos que gravitam na casa dos R$ 20 mil, porém menos equipados.

Shineray Titanium 250 chega por R$ 23.890 com motor bicilíndrico de 19 cv e 1,8 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Shineray
Shineray Titanium 250 chega por R$ 23.890 com motor bicilíndrico de 19 cv e 1,8 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Shineray

O domínio do segmento pela Royal Enfield chamou a atenção da chinesa Shineray. O g1 já havia adiantado com exclusividade, no início do segundo semestre de 2024, que a marca chinesa entraria na categoria das custom com três modelos de baixa cilindrada.

Ao apagar das luzes do ano passado, a chinesa lançou as três motos prometidas.

Veja os preços:

  • Iron 250: R$ 19.990;
  • Titanium 250: R$ 23.890;
  • Denver 250: R$ 23.990.

De certa forma, o efeito "Royal Enfield" deixou claro que o consumidor brasileiro não se contenta só com moto para trabalho. Como diz a música dos Titãs, "A gente não quer só comida / A gente quer comida, diversão e arte".

Shineray Denver tem visual mais clássico e custa R$ 23.990. O motor é o mesmo da Titanium, com 250 cilindradas que entregam 19 cv de potência e 1,8 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Shineray
Shineray Denver tem visual mais clássico e custa R$ 23.990. O motor é o mesmo da Titanium, com 250 cilindradas que entregam 19 cv de potência e 1,8 kgfm de torque — Foto: Divulgação | Shineray

---++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========----------------------------------------------------------------------  -----------====-++----