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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Queda de avião da Embraer no Cazaquistão foi causada por sistema de defesa russo, diz agência

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Fontes de investigação em curso no Azerbaijão disseram à Reuters que sistema russo disparou contra aeronave. Avião fabricada pela Embraer caiu na quarta-feira (25) após sair de Baku, capital do Azerbaijão, em direção a Grózni, na Rússia. Vídeo registrou momento da queda.
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Por Redação g1

Postado em 26 de dezembro de 2024 às 11h40m

#.* Post. - Nº.\  11.443*.#










Vídeos mostram momento exato da queda de avião em Aktau, no Cazaquistão

Um sistema de defesa russo foi o responsável pela queda do avião fabricado pela Embraer na quarta-feira (25) no Cazaquistão, afirmou nesta quinta-feira (26) a agência Reuters com base em quatro fontes da investigação sobre o caso.

A aeronave, da Azerbaijan Airlines, caiu perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão (veja no vídeo acima o momento da queda). O voo ia para a cidade de Grózni, na Rússia. Das 67 pessoas a bordo, 38 morreram.

Segundo a Reuters, quatro integrantes da investigação que está sendo feita pelo Azerbaijão, de onde o voo saiu, afirmaram à agência que um sistema de defesa russo fez disparos que atingiram o avião — na quarta, quando a aeronave caiu, havia relatos de que drones militares ucranianos sobrevoavam a região onde houve a queda, perto do sul da Rússia.

Segundo resultados preliminares da investigação, o avião foi atingido Pantsir-S, um sistema de defesa aéreo russo, disseram ainda as fontes à Reuters. Além do choque, o GPS do avião também foram paralisados por sistemas de guerra eletrônica na aproximação de Grozny, também de acordo com a agência.

As fontes afirmaram ainda que o ataque ao avião não foi intencional, e que militares russos achavam se tratar de drones ucranianos.

Questionado sobre a hipótese, o vice-primeiro-ministro do Cazaquistão disse que seu governo "não confirma nem nega" que o míssil russo tenha sido a causa da queda.

Imagens do avião divulgadas na quarta-feira mostraram orifícios na cauda, e um site de monitoramento de voos indicu também que a aeronave sofreu interferência no GPS que a fez oscilar de altitude por mais de uma hora.

Nenhum dos três países que investigam o caso — Rússia, Cazaquistão e Azerbaijão — haviam comentado a informação até a última atualização desta reportagem. Nesta manhã, o porta-voz do Kremlin disse que Moscou não vai especular e que esperará as conclusões de uma investigação própria.

Na quarta-feira, a Rússia chegou a dizer que o avião se chocou contra pássaros e, depois, que enfrentou forte neblina.

O chefe do Parlamento do Cazaquistão, Ashimbayev Maulen, também afirmou nesta quinta-feira que as causas da queda seguiam desconhecidas, mas prometeu que nenhum dos três países ocultará informações.

"Nenhum desses países está interessado em esconder informações. Todas as informações serão disponibilizadas ao público," afirmou Maulen. 
O que se sabe sobre a queda
Especialistas periciam no dia 26 de dezembro de 2024 destroços do avião da Embraer que caiu perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão — Foto: Ministério de Emergências do Cazaquistão/Reuters
Especialistas periciam no dia 26 de dezembro de 2024 destroços do avião da Embraer que caiu perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão — Foto: Ministério de Emergências do Cazaquistão/Reuters

➡️Do total de pessoas a bordo, 62 eram passageiros e cinco eram membros da tripulação. Entre eles, havia cidadãos do Azerbaijão, Cazaquistão, Rússia e Quirguistão, informou a agência de notícias russa Interfax.

➡️De acordo com o vice-primeiro-ministro do Cazaquistão, Bozymbaev, ao menos 38 pessoas morreram no acidente.

➡️ O avião havia saído de Baku, capital do Azerbaijão, e tinha como destino a cidade russa de Grózni, capital da Chechênia. A companhia aérea declarou que a aeronave Embraer 190, que realizava o voo J2-8243, foi forçada a realizar um pouso de emergência a aproximadamente 3 km da cidade cazaque de Aktau.

A aeronave havia saído de Baku, capital do Azerbaijão, e tinha como destino a cidade russa de Grózni, capital da Chechênia. — Foto: Arte/ g1
A aeronave havia saído de Baku, capital do Azerbaijão, e tinha como destino a cidade russa de Grózni, capital da Chechênia. — Foto: Arte/ g1

O órgão regulador de aviação da Rússia disse, em comunicado, que informações preliminares apontam que o piloto decidiu fazer um pouso de emergência após uma colisão com um pássaro.

“Preliminarmente: após uma colisão com pássaros, devido a uma emergência a bordo, o comandante decidiu ir para um aeródromo alternativo – Aktau foi escolhido”, afirmou o órgão, no Telegram.

Apesar disso, a queda ocorreu pouco depois que ataques de drones atingiram o sul da Rússia. Inclusive, o aeroporto russo mais próximo da rota de voo do avião havia sido fechado na manhã desta quarta-feira.

As autoridades do Cazaquistão informaram que uma comissão governamental foi criada para investigar o ocorrido, e que seus membros foram designados para voar até o local e garantir que as famílias das vítimas e dos feridos recebam apoio. O Cazaquistão afirmou que cooperaria com o Azerbaijão na investigação.

Após a queda, a Azerbaijan Airlines suspendeu todos os voos para Grozny, na Rússia, até que a investigação sobre o acidente seja concluída.

O site de monitoramento Flighradar24 mostrou que a aeronave chegou a oscilar de altitude por 74 minutos. Veja o gráfico abaixo:

Avião oscilou de altitude antes de cair no Cazaquistão — Foto: Flighradar24/Reprodução
Avião oscilou de altitude antes de cair no Cazaquistão — Foto: Flighradar24/Reprodução

Os passageiros que ficaram feridos foram vistos saindo de uma parte da fuselagem que permaneceu intacta.

Um vídeo mostrou o avião pegando fogo antes de atingir o solo. O Ministério de Emergências do Cazaquistão informou em comunicado que os bombeiros controlaram o incêndio e que os sobreviventes foram levados para um hospital próximo.

Em nota, a Embraer informou que lamenta o acidente e que está apoiando as autoridades.

"Estamos profundamente tristes com a ocorrência de hoje, próximo a Aktau, no Cazaquistão. Os nossos pensamentos e sinceras condolências vão para as famílias, amigos, colegas e entes queridos afetados pelo ocorrido. Estamos acompanhando de perto a situação e continuamos totalmente empenhados em apoiar as autoridades competentes", escreveu a empresa.

Avião fabricado pela Embraer cai no Cazaquistão — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters
Avião fabricado pela Embraer cai no Cazaquistão — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters


Drone mostra o local da queda de um avião de passageiros da Azerbaijan Airlines perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão, em 25 de dezembro de 2024 — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters
Drone mostra o local da queda de um avião de passageiros da Azerbaijan Airlines perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão, em 25 de dezembro de 2024 — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters

Putin prestou condolências

O presidente russo Vladimir Putin expressou suas condolências a Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão, pela perda de vidas no acidente, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

"Infelizmente, o presidente do Azerbaijão, Aliyev, foi forçado a deixar São Petersburgo (onde participava de uma cúpula). Putin já ligou para ele e expressou suas condolências em relação ao acidente do avião azeri em Aktau", disse Peskov, do Kremlin.

"Simpatizamos profundamente com aqueles que perderam seus parentes e amigos neste acidente aéreo e desejamos uma rápida recuperação a todos que conseguiram sobreviver."

Cazaquistão divulga imagens iniciais do resgate após queda de avião em Aktau

Avião fabricado pela Embraer cai no Cazaquistão no dia 25 de dezembro de 2024 — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters
Avião fabricado pela Embraer cai no Cazaquistão no dia 25 de dezembro de 2024 — Foto: Azamat Sarsenbayev/Reuters

Avião de passageiros cai no Cazaquistão

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

'Viaje' pelo mapa com brasileiro que entrou pro Guinness por volta ao mundo mais rápida

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Robson Jesus visitou os 193 países reconhecidos pela ONU em dois anos e 42 dias. Descubra quais países chamaram mais sua atenção e por quê.
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Por Lara Castelo

Postado em 23 de dezembro de 2024 às 09h00m

#.* Post. - Nº.\  11.442*.#

Robson Jesus na Noruega, no Afegasnistão e no Egito. — Foto: Acervo pessoal
Robson Jesus na Noruega, no Afegasnistão e no Egito. — Foto: Acervo pessoal

O paulista Robson Jesus, de 35 anos, conquistou o posto do homem que visitou em menos tempo todos os países do mundo, segundo o Guinness World Records, guia de recordes internacionais.

🌍 Ele viajou durante dois anos e 42 dias, passando pelos 193 países reconhecidos pela ONU, e foi incluído no Guinness em meados de outubro.​

A viagem começou em 28 de fevereiro de 2022 na Tailândia, no Sudeste Asiático, e terminou em São Paulo, no Brasil, no dia 10 de abril de 2024.

Robson ficou cerca de 3 dias em cada local e passou por 35 países na América; 49 na Europa; 54 na África; 44 na Ásia e 14 na Oceania.

No mapa abaixo, os países selecionados aparecem na ordem que foram visitados pelo viajante.

✈️​De onde surgiu a ideia da viagem

Robson cresceu na periferia de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, e há 10 anos não tinha nem passaporte. Ele trabalhava como gestor hospitalar e saiu do Brasil pela primeira vez em 2014 rumo a Buenos Aires, na Argentina, apenas com o RG.

A ideia da viagem surgiu durante a pandemia, em 2021, momento em que Robson começou a refletir mais sobre os seus planos e decidiu tirar da "baú" o sonho de conhecer o mundo.

O primeiro passo foi buscar informações de outros viajantes on-line. Foi aí que ele percebeu a falta criadores de conteúdo de viagens negros, com quem ele se identificasse.

Mas isso não o abalou, pelo contrário, deu gás para ele fazer uma viagem ainda mais relevante.

"Eu decidi mudar esse cenário e, como homem negro, conquistar o posto do homem que viajou por todos os países do mundo mais rápido", conta.

💸​Quanto custou a viagem? Ele começou o percurso com R$ 100 mil que tinha guardados e acabou gastanto R$ 700 mil no total. Robson conta que conseguiu os recursos como influenciador digital, produzido conteúdos - vídeo e fotos - pagos para diferentes empresas.

🌍Vale destacar que a pessoa (de qualquer gênero) que visitou em menos tempo todos os países do mundo é a canadense Taylor Demonbreun, que fez o percurso em um ano e 189 dias. Robson conquistou o título do homem que realizou o feito mais rápido.

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A corrida para salvar o peixe mais caro do mundo das mudanças climáticas

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Atuns-rabilho são sensíveis ao aumento das temperaturas dos oceanos; países criaram quotas de pesca mais sustentáveis e passaram a combater a pesca ilegal para driblar impacto.
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TOPO
Por BBC

Postado em 23 de dezembro de 2024 às 08h25m

#.* Post. - Nº.\  11.441*.#

O atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura dos oceanos. — Foto: Getty Images via BBC
O atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura dos oceanos. — Foto: Getty Images via BBC

US$ 3,1 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões).

O magnata do sushi Kiyoshi Kimura pagou este valor extraordinário por um atum-rabilho (bluefin) em 2019, durante um leilão em Tóquio, no Japão. O atum de 278 kg (o mesmo peso de um urso-cinzento) foi o peixe mais caro da história.

O atum é a família de peixes com maior valor comercial do mundo. E o atum-rabilho, tipicamente utilizado em sushis e sashimis, é o mais caro deles, segundo Sarah Glaser, diretora da equipe de futuro dos oceanos da ONG ambiental WWF nos Estados Unidos.

Um único atum-rabilho atinge o preço de mais de uma tonelada de atum-bonito, a menor e mais abundante espécie de atum. O alto preço levou à pesca excessiva e a enorme demanda global por sushi reduziu gravemente a população da espécie, que chegou à beira da extinção em 2010.

Existem três espécies de atum-rabilho, ou bluefin: o do Atlântico, do Pacífico e do Sul.

O atum-rabilho-do-atlântico se alimenta em águas do litoral da América do Norte, da Europa e da África. Eles desovam no Golfo do México e no mar Mediterrâneo.

O atum-rabilho-do-pacífico desova no oeste do Oceano Pacífico e migra por mais de 8 mil quilômetros para se alimentar no litoral da Califórnia. E o atum-rabilho-do-sul se alimenta nas águas temperadas em volta da Austrália e migra para o sudeste de Java para desovar.

Mas, nos últimos anos, os países criaram quotas de pesca mais sustentáveis e combateram a pesca ilegal. Com isso, a população de bluefins passou por uma extraordinária recuperação.

Em 2021, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reduziu a classificação do atum-rabilho-do-atlântico de "ameaçado" para "menor preocupação". Paralelamente, o atum-rabilho-do-pacífico se recuperou, atingindo níveis superiores aos objetivos internacionais com uma década de antecedência.

Já o atum-rabilho-do-sul continua ameaçado, mas não está mais "criticamente ameaçado" na lista vermelha da IUCN.

"É uma grande história de sucesso", comemora o gerente do projeto de pesca da WWF, Alessandro Buzzi, especialista na pesca do atum.

"Conseguimos reverter esta tendência de pesca excessiva e colapso iminente das populações em menos de 20 anos. Estamos agora em uma situação em que a pesca excessiva deixou de ser uma ameaça."

Mas a espécie agora enfrenta outro desafio importante: as mudanças climáticas.

Estudos demonstram que o atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura. Mesmo pequenos aumentos afetam seu metabolismo, reprodução e hábitos alimentares.

Os cientistas alertam que estas alterações causar impactos a outros animais marinhos e às comunidades de pescadores.

Medindo entre 1,8 e 3 metros, o bluefin é o maior atum do mundo. Ele pode viver até 40 anos.

Estes peixes são superpredadores. Eles caçam visualmente diversas espécies de peixe, como arenques e cavalinhas.

Eles são peixes de sangue quente e estão entre os nadadores mais rápidos do planeta. Os atuns-rabilho migram por milhares de quilômetros todos os anos para desovar e caçar, mas seus padrões de migração, agora, começam a se alterar.

Mudanças climáticas provocaram deslocamento de 22 milhões de pessoas no mundo nos últimos 10 anos

Mudança para o norte

Com o aumento das temperaturas dos oceanos, os atuns-rabilho estão se mudando para águas mais frias.

Um estudo recente do Serviço Nacional de Pesca Marinha dos Estados Unidos concluiu que os atuns-rabilho-do-atlântico, grandes e pequenos, estão se mudando mais para o norte, até o litoral do Estado americano de Massachusetts, à velocidade de 4 a 10 km por ano.

Cientistas irlandeses descobriram, em 2019, seis atuns-rabilho-do-atlântico gigantes que se afastaram das suas rotas de migração, estabelecidas entre a Irlanda e o golfo de Biscaia, entre a Espanha e a França, ou o Dorsal do Atlântico Norte, e se moveram mais para o norte, em direção à Islândia. Acredita-se que esta nova rota se deva a uma onda de calor marinho.

"Estamos observando atuns-rabilho se alimentando em regiões incomuns, como o mar do Norte [entre a Escandinávia e o Reino Unido], em torno da Escandinávia e na Islândia", explica Buzzi. "Já estamos observando mudanças dos padrões de migração."

Existem também preocupações com o impacto do aumento das temperaturas sobre os campos de desova, segundo Buzzi. Em junho e julho, os atuns-rabilho-do-atlântico migram para o Mediterrâneo para desovar, o que faz do mar Mediterrâneo o mais importante local de pesca de atum-rabilho do mundo.

Mas o Mediterrâneo também é um foco da crise climática. As projeções indicam que, até o final do século, as temperaturas médias da superfície do Mediterrâneo irão aumentar em 1 a 3 °C.

"Com restrições tão estreitas e sem muita circulação e renovação, em comparação com as grandes bacias oceânicas, o mar Mediterrâneo irá [sofrer] impactos muito maiores e mais rápidos com as mudanças climáticas", afirma Glaser.

O aumento das temperaturas pode afastar os jovens atuns do Mediterrâneo nos próximos 50 anos, segundo um estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido. O estudo concluiu que temperaturas do mar acima de 28 °C prejudicam o metabolismo e o crescimento dos jovens atuns-rabilho.

Para descobrir este limite crítico de temperatura, o professor de ecologia geoquímica Clive Trueman, da Universidade de Southampton, desenvolveu um método pioneiro, que analisa o metabolismo do atum-rabilho pelos seus ouvidos.

Especificamente, Trueman e sua equipe procuraram uma característica chamada otólito – uma estrutura de carbonato de cálcio encontrada no ouvido interno dos peixes, responsável pelo seu equilíbrio e pela percepção de ruídos e vibrações.

Da mesma forma que os anéis das árvores, os otólitos revelam a idade dos peixes e contêm isótopos que descrevem suas condições ambientais no passado, segundo Trueman.

O professor explica que os isótopos de oxigênio revelam a temperatura da água onde os peixes viveram e os isótopos de carbono indicam a rapidez com que o peixe transformava alimento em energia – ou seja, seu metabolismo.

"Estas duas informações em conjunto nos fornecem a temperatura à qual vivia o peixe e sua velocidade metabólica", explica Trueman.

O nível de detalhes revelados pelos ossos sobre as condições de vida dos peixes não tem precedentes. "É surpreendente. Basicamente, é como ter um smart watch", diz o professor.

Os atuns-rabilho precisam de água quente para desovar. Seus ovos se desenvolvem quando as temperaturas atingem 20 °C. Mas, se a água se aquecer acima de um certo limite, seu metabolismo começa a cair. "Este limite é de 28 °C", segundo Trueman.

A temperatura do mar Mediterrâneo ultrapassou este limite crítico em agosto de 2024, quando a temperatura média diária da superfície chegou ao nível recorde de 28,45 °C.

Segundo Trueman, estudos demonstram que a espécie passa a maior parte do tempo nos 20 metros superiores da coluna de água. "Por isso, é provável que as temperaturas da água da superfície no Mediterrâneo sejam realmente críticas para os atuns jovens (com menos de um ano de idade)", explica ele.

O atum-rabilho, ou bluefin, é o peixe mais caro do mundo. — Foto: Getty Images via BBC
O atum-rabilho, ou bluefin, é o peixe mais caro do mundo. — Foto: Getty Images via BBC

À medida que aumentam as temperaturas dos oceanos, espera-se que o atum-rabilho mude suas áreas de criação para longe do Mediterrâneo até águas mais frias, como o golfo de Biscaia, segundo Trueman. "Se o habitat dos jovens realmente começar a mudar, eles serão forçados a [migrar para] locais com outros tipos de pesca tradicionais."

A preocupação é que os jovens atuns acabem sendo pescados em locais de desova de anchovas e sardinhas no golfo de Biscaia. "É preciso pensar em como alterar o monitoramento ou as regulamentações de pesca para se adaptar a essa mudança de distribuição", explica o professor.

Como salvar o atum

A mudança dos padrões de migração também irá afetar as comunidades pesqueiras que dependem da pesca do atum para sua sobrevivência, segundo Alessandro Buzzi.

"No Mediterrâneo, muitas comunidades pesqueiras dependem historicamente da passagem do atum pela sua região do litoral em determinada época do ano", explica ele.

"O atum traz trabalho com base nessas migrações. Se as mudanças climáticas alterarem os padrões migratórios, este sistema pode deixar de ser confiável."

"[Estas comunidades] não observam a mudança das temperaturas dos oceanos e os modelos ecológicos. O que eles veem é que precisam ir mais longe para pescar", segundo Sarah Glaser. "Eles veem que os peixes estão se mudando, que eles estão alterando seus hábitos migratórios."

Buzzi destaca que comunidades pesqueiras menores já estão sofrendo os impactos das medidas rigorosas introduzidas para evitar a pesca excessiva do atum-rabilho nas últimas duas décadas.

No início dos anos 2000, "costumava haver centenas de barcos de pesca de atum-rabilho na Itália... não havia regras", relembra ele. "Era possível pescar bluefin sem restrições, de qualquer idade, mesmo antes que eles atingissem a maturidade sexual."

A livre pesca beneficiou barcos de pesca grandes e pequenos, mas também fez com que a população da espécie chegasse perto do colapso em 2007.

As novas quotas de pesca rigorosas levaram ao colapso de grande parte do setor de pesca de atum-rabilho. "Agora, apenas 12 [barcos] estão autorizados a pescar bluefin", segundo Buzzi.

Este sistema de quotas fortemente regulamentado favorece os barcos maiores, com observadores a bordo, em detrimento dos menores, explica ele. Em outras palavras, as restrições ajudaram a restabelecer a população de peixes, mas nem sempre priorizaram as necessidades das comunidades pesqueiras menores.

Para Buzzi, "este é o próximo desafio que precisa ser enfrentado".

O aumento das temperaturas dos oceanos faz com que o atum-rabilho se mude para águas mais frias. — Foto: Getty Images via BBC
O aumento das temperaturas dos oceanos faz com que o atum-rabilho se mude para águas mais frias. — Foto: Getty Images via BBC

Mesmo com a recuperação da população da espécie nos últimos anos, "o risco de extinção, infelizmente, nunca desaparece", segundo Glaser. "Se conseguirmos mudar nossas políticas e regulamentações e tornar a pesca muito mais sustentável, muitos peixes conseguirão se adaptar às mudanças climáticas."

Mas isso é mais difícil para espécies de vida longa como o atum-rabilho – que não desova antes de cerca de oito anos de idade – do que para pequenos peixes pelágicos, como as sardinhas e as anchovas. Estes peixes menores se reproduzem com muita rapidez, de forma que suas populações têm maior capacidade de reação às mudanças de temperatura, segundo Glaser.

Para Clive Trueman, "estamos a caminho da recuperação. Precisamos simplesmente garantir que não iremos afundar com o próximo problema à nossa frente. Outras questões estão surgindo."

Por fim, Glaser destaca que os esforços globais para salvar a espécie não estão perdidos.

"Eu diria cautelosamente que estamos observando avanços científicos importantes na população de atuns-rabilho em todo o mundo", afirma ela. "E isso me dá esperança."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Earth.

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