Total de visualizações de página

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

'Viaje' pelo mapa com brasileiro que entrou pro Guinness por volta ao mundo mais rápida

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Robson Jesus visitou os 193 países reconhecidos pela ONU em dois anos e 42 dias. Descubra quais países chamaram mais sua atenção e por quê.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Lara Castelo

Postado em 23 de dezembro de 2024 às 09h00m

#.* Post. - Nº.\  11.442*.#

Robson Jesus na Noruega, no Afegasnistão e no Egito. — Foto: Acervo pessoal
Robson Jesus na Noruega, no Afegasnistão e no Egito. — Foto: Acervo pessoal

O paulista Robson Jesus, de 35 anos, conquistou o posto do homem que visitou em menos tempo todos os países do mundo, segundo o Guinness World Records, guia de recordes internacionais.

🌍 Ele viajou durante dois anos e 42 dias, passando pelos 193 países reconhecidos pela ONU, e foi incluído no Guinness em meados de outubro.​

A viagem começou em 28 de fevereiro de 2022 na Tailândia, no Sudeste Asiático, e terminou em São Paulo, no Brasil, no dia 10 de abril de 2024.

Robson ficou cerca de 3 dias em cada local e passou por 35 países na América; 49 na Europa; 54 na África; 44 na Ásia e 14 na Oceania.

No mapa abaixo, os países selecionados aparecem na ordem que foram visitados pelo viajante.

✈️​De onde surgiu a ideia da viagem

Robson cresceu na periferia de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, e há 10 anos não tinha nem passaporte. Ele trabalhava como gestor hospitalar e saiu do Brasil pela primeira vez em 2014 rumo a Buenos Aires, na Argentina, apenas com o RG.

A ideia da viagem surgiu durante a pandemia, em 2021, momento em que Robson começou a refletir mais sobre os seus planos e decidiu tirar da "baú" o sonho de conhecer o mundo.

O primeiro passo foi buscar informações de outros viajantes on-line. Foi aí que ele percebeu a falta criadores de conteúdo de viagens negros, com quem ele se identificasse.

Mas isso não o abalou, pelo contrário, deu gás para ele fazer uma viagem ainda mais relevante.

"Eu decidi mudar esse cenário e, como homem negro, conquistar o posto do homem que viajou por todos os países do mundo mais rápido", conta.

💸​Quanto custou a viagem? Ele começou o percurso com R$ 100 mil que tinha guardados e acabou gastanto R$ 700 mil no total. Robson conta que conseguiu os recursos como influenciador digital, produzido conteúdos - vídeo e fotos - pagos para diferentes empresas.

🌍Vale destacar que a pessoa (de qualquer gênero) que visitou em menos tempo todos os países do mundo é a canadense Taylor Demonbreun, que fez o percurso em um ano e 189 dias. Robson conquistou o título do homem que realizou o feito mais rápido.

Dentes, lábios, seios: por que a Albânia está vivendo o auge do turismo estético

Marsia Taha Mohamed, melhor chef mulher da América Latina, é fã do Brasil e de boteco

----++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++---- 

A corrida para salvar o peixe mais caro do mundo das mudanças climáticas

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Atuns-rabilho são sensíveis ao aumento das temperaturas dos oceanos; países criaram quotas de pesca mais sustentáveis e passaram a combater a pesca ilegal para driblar impacto.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 23 de dezembro de 2024 às 08h25m

#.* Post. - Nº.\  11.441*.#

O atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura dos oceanos. — Foto: Getty Images via BBC
O atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura dos oceanos. — Foto: Getty Images via BBC

US$ 3,1 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões).

O magnata do sushi Kiyoshi Kimura pagou este valor extraordinário por um atum-rabilho (bluefin) em 2019, durante um leilão em Tóquio, no Japão. O atum de 278 kg (o mesmo peso de um urso-cinzento) foi o peixe mais caro da história.

O atum é a família de peixes com maior valor comercial do mundo. E o atum-rabilho, tipicamente utilizado em sushis e sashimis, é o mais caro deles, segundo Sarah Glaser, diretora da equipe de futuro dos oceanos da ONG ambiental WWF nos Estados Unidos.

Um único atum-rabilho atinge o preço de mais de uma tonelada de atum-bonito, a menor e mais abundante espécie de atum. O alto preço levou à pesca excessiva e a enorme demanda global por sushi reduziu gravemente a população da espécie, que chegou à beira da extinção em 2010.

Existem três espécies de atum-rabilho, ou bluefin: o do Atlântico, do Pacífico e do Sul.

O atum-rabilho-do-atlântico se alimenta em águas do litoral da América do Norte, da Europa e da África. Eles desovam no Golfo do México e no mar Mediterrâneo.

O atum-rabilho-do-pacífico desova no oeste do Oceano Pacífico e migra por mais de 8 mil quilômetros para se alimentar no litoral da Califórnia. E o atum-rabilho-do-sul se alimenta nas águas temperadas em volta da Austrália e migra para o sudeste de Java para desovar.

Mas, nos últimos anos, os países criaram quotas de pesca mais sustentáveis e combateram a pesca ilegal. Com isso, a população de bluefins passou por uma extraordinária recuperação.

Em 2021, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reduziu a classificação do atum-rabilho-do-atlântico de "ameaçado" para "menor preocupação". Paralelamente, o atum-rabilho-do-pacífico se recuperou, atingindo níveis superiores aos objetivos internacionais com uma década de antecedência.

Já o atum-rabilho-do-sul continua ameaçado, mas não está mais "criticamente ameaçado" na lista vermelha da IUCN.

"É uma grande história de sucesso", comemora o gerente do projeto de pesca da WWF, Alessandro Buzzi, especialista na pesca do atum.

"Conseguimos reverter esta tendência de pesca excessiva e colapso iminente das populações em menos de 20 anos. Estamos agora em uma situação em que a pesca excessiva deixou de ser uma ameaça."

Mas a espécie agora enfrenta outro desafio importante: as mudanças climáticas.

Estudos demonstram que o atum-rabilho é altamente sensível às mudanças de temperatura. Mesmo pequenos aumentos afetam seu metabolismo, reprodução e hábitos alimentares.

Os cientistas alertam que estas alterações causar impactos a outros animais marinhos e às comunidades de pescadores.

Medindo entre 1,8 e 3 metros, o bluefin é o maior atum do mundo. Ele pode viver até 40 anos.

Estes peixes são superpredadores. Eles caçam visualmente diversas espécies de peixe, como arenques e cavalinhas.

Eles são peixes de sangue quente e estão entre os nadadores mais rápidos do planeta. Os atuns-rabilho migram por milhares de quilômetros todos os anos para desovar e caçar, mas seus padrões de migração, agora, começam a se alterar.

Mudanças climáticas provocaram deslocamento de 22 milhões de pessoas no mundo nos últimos 10 anos

Mudança para o norte

Com o aumento das temperaturas dos oceanos, os atuns-rabilho estão se mudando para águas mais frias.

Um estudo recente do Serviço Nacional de Pesca Marinha dos Estados Unidos concluiu que os atuns-rabilho-do-atlântico, grandes e pequenos, estão se mudando mais para o norte, até o litoral do Estado americano de Massachusetts, à velocidade de 4 a 10 km por ano.

Cientistas irlandeses descobriram, em 2019, seis atuns-rabilho-do-atlântico gigantes que se afastaram das suas rotas de migração, estabelecidas entre a Irlanda e o golfo de Biscaia, entre a Espanha e a França, ou o Dorsal do Atlântico Norte, e se moveram mais para o norte, em direção à Islândia. Acredita-se que esta nova rota se deva a uma onda de calor marinho.

"Estamos observando atuns-rabilho se alimentando em regiões incomuns, como o mar do Norte [entre a Escandinávia e o Reino Unido], em torno da Escandinávia e na Islândia", explica Buzzi. "Já estamos observando mudanças dos padrões de migração."

Existem também preocupações com o impacto do aumento das temperaturas sobre os campos de desova, segundo Buzzi. Em junho e julho, os atuns-rabilho-do-atlântico migram para o Mediterrâneo para desovar, o que faz do mar Mediterrâneo o mais importante local de pesca de atum-rabilho do mundo.

Mas o Mediterrâneo também é um foco da crise climática. As projeções indicam que, até o final do século, as temperaturas médias da superfície do Mediterrâneo irão aumentar em 1 a 3 °C.

"Com restrições tão estreitas e sem muita circulação e renovação, em comparação com as grandes bacias oceânicas, o mar Mediterrâneo irá [sofrer] impactos muito maiores e mais rápidos com as mudanças climáticas", afirma Glaser.

O aumento das temperaturas pode afastar os jovens atuns do Mediterrâneo nos próximos 50 anos, segundo um estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido. O estudo concluiu que temperaturas do mar acima de 28 °C prejudicam o metabolismo e o crescimento dos jovens atuns-rabilho.

Para descobrir este limite crítico de temperatura, o professor de ecologia geoquímica Clive Trueman, da Universidade de Southampton, desenvolveu um método pioneiro, que analisa o metabolismo do atum-rabilho pelos seus ouvidos.

Especificamente, Trueman e sua equipe procuraram uma característica chamada otólito – uma estrutura de carbonato de cálcio encontrada no ouvido interno dos peixes, responsável pelo seu equilíbrio e pela percepção de ruídos e vibrações.

Da mesma forma que os anéis das árvores, os otólitos revelam a idade dos peixes e contêm isótopos que descrevem suas condições ambientais no passado, segundo Trueman.

O professor explica que os isótopos de oxigênio revelam a temperatura da água onde os peixes viveram e os isótopos de carbono indicam a rapidez com que o peixe transformava alimento em energia – ou seja, seu metabolismo.

"Estas duas informações em conjunto nos fornecem a temperatura à qual vivia o peixe e sua velocidade metabólica", explica Trueman.

O nível de detalhes revelados pelos ossos sobre as condições de vida dos peixes não tem precedentes. "É surpreendente. Basicamente, é como ter um smart watch", diz o professor.

Os atuns-rabilho precisam de água quente para desovar. Seus ovos se desenvolvem quando as temperaturas atingem 20 °C. Mas, se a água se aquecer acima de um certo limite, seu metabolismo começa a cair. "Este limite é de 28 °C", segundo Trueman.

A temperatura do mar Mediterrâneo ultrapassou este limite crítico em agosto de 2024, quando a temperatura média diária da superfície chegou ao nível recorde de 28,45 °C.

Segundo Trueman, estudos demonstram que a espécie passa a maior parte do tempo nos 20 metros superiores da coluna de água. "Por isso, é provável que as temperaturas da água da superfície no Mediterrâneo sejam realmente críticas para os atuns jovens (com menos de um ano de idade)", explica ele.

O atum-rabilho, ou bluefin, é o peixe mais caro do mundo. — Foto: Getty Images via BBC
O atum-rabilho, ou bluefin, é o peixe mais caro do mundo. — Foto: Getty Images via BBC

À medida que aumentam as temperaturas dos oceanos, espera-se que o atum-rabilho mude suas áreas de criação para longe do Mediterrâneo até águas mais frias, como o golfo de Biscaia, segundo Trueman. "Se o habitat dos jovens realmente começar a mudar, eles serão forçados a [migrar para] locais com outros tipos de pesca tradicionais."

A preocupação é que os jovens atuns acabem sendo pescados em locais de desova de anchovas e sardinhas no golfo de Biscaia. "É preciso pensar em como alterar o monitoramento ou as regulamentações de pesca para se adaptar a essa mudança de distribuição", explica o professor.

Como salvar o atum

A mudança dos padrões de migração também irá afetar as comunidades pesqueiras que dependem da pesca do atum para sua sobrevivência, segundo Alessandro Buzzi.

"No Mediterrâneo, muitas comunidades pesqueiras dependem historicamente da passagem do atum pela sua região do litoral em determinada época do ano", explica ele.

"O atum traz trabalho com base nessas migrações. Se as mudanças climáticas alterarem os padrões migratórios, este sistema pode deixar de ser confiável."

"[Estas comunidades] não observam a mudança das temperaturas dos oceanos e os modelos ecológicos. O que eles veem é que precisam ir mais longe para pescar", segundo Sarah Glaser. "Eles veem que os peixes estão se mudando, que eles estão alterando seus hábitos migratórios."

Buzzi destaca que comunidades pesqueiras menores já estão sofrendo os impactos das medidas rigorosas introduzidas para evitar a pesca excessiva do atum-rabilho nas últimas duas décadas.

No início dos anos 2000, "costumava haver centenas de barcos de pesca de atum-rabilho na Itália... não havia regras", relembra ele. "Era possível pescar bluefin sem restrições, de qualquer idade, mesmo antes que eles atingissem a maturidade sexual."

A livre pesca beneficiou barcos de pesca grandes e pequenos, mas também fez com que a população da espécie chegasse perto do colapso em 2007.

As novas quotas de pesca rigorosas levaram ao colapso de grande parte do setor de pesca de atum-rabilho. "Agora, apenas 12 [barcos] estão autorizados a pescar bluefin", segundo Buzzi.

Este sistema de quotas fortemente regulamentado favorece os barcos maiores, com observadores a bordo, em detrimento dos menores, explica ele. Em outras palavras, as restrições ajudaram a restabelecer a população de peixes, mas nem sempre priorizaram as necessidades das comunidades pesqueiras menores.

Para Buzzi, "este é o próximo desafio que precisa ser enfrentado".

O aumento das temperaturas dos oceanos faz com que o atum-rabilho se mude para águas mais frias. — Foto: Getty Images via BBC
O aumento das temperaturas dos oceanos faz com que o atum-rabilho se mude para águas mais frias. — Foto: Getty Images via BBC

Mesmo com a recuperação da população da espécie nos últimos anos, "o risco de extinção, infelizmente, nunca desaparece", segundo Glaser. "Se conseguirmos mudar nossas políticas e regulamentações e tornar a pesca muito mais sustentável, muitos peixes conseguirão se adaptar às mudanças climáticas."

Mas isso é mais difícil para espécies de vida longa como o atum-rabilho – que não desova antes de cerca de oito anos de idade – do que para pequenos peixes pelágicos, como as sardinhas e as anchovas. Estes peixes menores se reproduzem com muita rapidez, de forma que suas populações têm maior capacidade de reação às mudanças de temperatura, segundo Glaser.

Para Clive Trueman, "estamos a caminho da recuperação. Precisamos simplesmente garantir que não iremos afundar com o próximo problema à nossa frente. Outras questões estão surgindo."

Por fim, Glaser destaca que os esforços globais para salvar a espécie não estão perdidos.

"Eu diria cautelosamente que estamos observando avanços científicos importantes na população de atuns-rabilho em todo o mundo", afirma ela. "E isso me dá esperança."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Earth.

----++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++---- 

domingo, 22 de dezembro de 2024

Veja os locais do mundo onde a população está mais vulnerável ​​a inundações até o fim do século

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Levantamento foi realizado na plataforma Human Climate Horizons (HCH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Climate Impact Lab. A pesquisa indica que 0,64% da população brasileira pode ser afetada por inundações até o fim do século.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Artur Nicoceli, g1

Postado em 22 de  dezembro de 2024 às 06h00m

#.* Post. - Nº.\  11.440*.#

Inundações causadas pelo furacão Laura atingem área ao redor de rodovia no estado de Louisiana, nos EUA; foto de 28 de agosto — Foto: Gerald Herbert/AP Photo
Inundações causadas pelo furacão Laura atingem área ao redor de rodovia no estado de Louisiana, nos EUA; foto de 28 de agosto — Foto: Gerald Herbert/AP Photo

Um levantamento realizado na plataforma Human Climate Horizons (HCH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Climate Impact Lab, apontou quais são as regiões ao redor do mundo que podem ter o percentual populacional mais afetado por inundações até o fim do século.

Os dados são derivados de observações de satélite, marégrafos e conjuntos de modelos do Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O documento se baseia em pesquisas sobre o efeito das mudanças climáticas na mortalidade, trabalho e demanda de energia, divulgados em 2022, informou o HCH, em nota.

💡 Vale destacar que apesar das regiões estarem no topo do índice, não quer dizer que, em números absolutos, esses países são os mais afetados – já que, por exemplo, 20% de mil pessoas é menor que 10% de 100 mil habitantes. Ou seja, os dados abaixo não são comparáveis.

Veja abaixo as regiões que podem ser mais afetadas:

  1. Guiana - 19,55% da população total do país;
  2. Ilhas Marshall - 18,89%;
  3. Suriname - 18,24%;
  4. Ilhas Turcas e Caicos - 12,39%;
  5. Maldivas - 12%;
  6. Ilhas Cocos - 10,39%;
  7. Quiribati - 9,35%;
  8. Tuvalu - 8,19%;
  9. Ilha de São Martinho - 7,58%;
  10. Guiana Francesa - 6,67%;
  11. Ilhas Salomão - 6,37%;
  12. Tonga - 5,67%;
  13. Vietnã - 5,63%;
  14. Seychelles - 5,29%; e
  15. Gibraltar - 5,11%.

O levantamento acima considerou o horizonte temporal de 2080 até 2099 e a partir de emissões intermediárias de gases de efeito estufa, que podem resultar em um aumento de temperatura até 2100 de aproximadamente 2,7ºC.

Essa projeção é próxima ao cenário estimado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) no ano passado, que indicou um aumento de temperatura global de 2,6ºC até 2100.

O HCH coleta dados de 24 mil regiões sobre resultados climáticos e socioeconômicos para projetar a população impactada.

🌎 Considerando as mesmas métricas, o Human Climate Horizons indica que 0,64% da população brasileira pode ser afetada por inundações até o fim do século.

☀️ Por que essas regiões podem sofrer inundações?

Especialistas entrevistados pelo g1 explicaram que existem dois grandes motivos para esses lugares estarem no topo de regiões afetadas por inundações:

  1. aumento do nível do mar; e
  2. quantidade de habitantes em zonas litorâneas.

Sobre o primeiro aspecto, a professora Kyssyanne Oliveira, da Universidade Federal do Espírito Santo, do Departamento de Oceanografia e Ecologia, explicou que o nível do mar sobe porque o oceano está aquecido.

"O excesso de calor gerado pelas emissões de gases do efeito estufa é absorvido pelo oceano, o que deixa as águas mais quentes e resulta no derretimento das geleiras e do gelo marinho, aumentando o nível do mar", declarou a professora

Ela destacou que por meses, as três grandes bacias oceânicas estiveram com temperaturas acima da média por longos períodos. Veja abaixo como ficou a temperatura diária da superfície do mar.

🌪️ Furacões e ciclones extratropicais

Os oceanos, cada vez mais aquecidos, atuam também como combustível para os furacões, permitindo que esses fenômenos se tornem ainda mais intensos.

As águas cada vez mais quentes fornecem uma fonte de combustível ideal para a tempestade. É como adicionar uma dose extra de cafeína ao café da manhã — não é o suficiente para fazer a tempestade acontecer, mas o suficiente para dar a ela um impulso extra
— Andra Jenn, cientista sênior da Lawrence Berkeley National Laboratory, que publicou um estudo analisando a relação entre o aquecimento do Oceano Atlântico Norte e a rápida intensificação dos furacões

Esses fenômenos tendem a soprar água em direção às regiões litorâneas – porém, a depender do local, as técnicas de drenagem podem não ser suficientes, acabando por inundar algumas regiões. Isso aconteceu, por exemplo, durante a passagem do furacão Milton, nos Estados Unidos, e no litoral do Rio Grande do Sul, em maio deste ano.

🌊 Assim como os furacões, a passagem de ciclones extratropicais ao longo da costa brasileira também reduz a pressão atmosférica ao nível médio do mar e sopra água em direção à costa, resultando em um aumento momentâneo do nível do mar – esse fenômeno dificulta a saída das águas dos rios durantes eventos extremos de cheia.

Drone grava ondas de até 8 metros no furacão Milton

🧑 Mais habitantes nas costas das regiões

Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), destacou que as zonas litorâneas dessas regiões concentram uma maior densidade populacional do que as regiões centrais – por isso o percentual de habitantes afetados é alto.

❌ E se mais pessoas passarem a residir nesses locais ao longo dos próximos anos, maior poderá ser a porcentagem de pessoas que podem ser impactadas por inundações.

A três regiões que podem ter mais impacto até o final do século tem menos de um milhão de habitantes. Segundo o compilador de dados Worldometer, a população da Guiana em 2024 é estimada em 831.087 pessoas; das Ilhas Marshall, 36.973 habitantes; e Suriname, 634.431.

O g1 entrou em contato com o governo desses países para entender quantos habitantes moram nas zonas litorâneas, mas não teve retorno até a publicação.

"As pessoas tendem a morar em zonas litorâneas muitas vezes por questões de facilidade, trabalho esporádico ou até por viverem de recursos da pesca. De todo modo, vale destacar que toda essa população não chegou hoje a esses locais. Então, elas não sabiam que poderiam correr risco ao optarem por morar nessas regiões", diz o professor.

 

🆘 O que pode ser feito para ajudar as pessoas?

Segundo os especialistas, todos os países que emitiram – e ainda emitem – gases de efeito estufa têm responsabilidade e deve pensar em soluções para não subir a temperatura ao redor do mundo. Para tal, eles sugerem algumas formas de contribuição:

  • A nível individual: indicam que o brasileiro opte, por exemplo, por utilizar mobilidade urbana ao invés de carro, reduza o consumo de energia elétrica e pressione os governos de terem políticas públicas voltadas para as questões climáticas.
  • A nível nacional: os países devem se responsabilizar em âmbito municipal, estadual e federal para auxiliem na redução dessas emissões. Eles sugerem melhorias no transporte público – para haver redução no uso de carro – e participação de eventos e organizações que pensem no futuro do planeta, como a Cúpula do Clima, também chamada de COP.

"Se você não tiver uma ação coordenada e conjunta [para não existir um aumento de temperatura], os impactos das ações isoladas não serão tão fortes. De todo modo, é preciso que cada indivíduo pense no futuro do planeta e haja para que todos consigam viver da melhor forma possível", destacou o professor do departamento de ciências atmosféricas.

Em novembro, os países participantes da 29ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP29, entraram em acordo sobre o estabelecimento de um mercado global de carbono.

Essa decisão aconteceu meses após ter sido confirmado o aumento da temperatura global ultrapassou 1,5 ºC ao longo de um ano (de fevereiro de 2023 a janeiro de 2024).

🤝 O que é a COP?

A conferência do clima da ONU é um evento que reúne governos do mundo inteiro, diplomatas, cientistas, membros da sociedade civil e diversas entidades privadas com o objetivo de debater e buscar soluções para a crise climática causada pelo homem.

A conferência vem sendo realizada anualmente desde 1995 (exceto em 2020, por causa da pandemia) e o termo COP é uma sigla em inglês que quer dizer "Conferência das Partes", uma referência às 197 nações que concordaram com um pacto ambiental da ONU no início da década de 1990.

O tratado, chamado de Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), tem como principal objetivo estabilizar a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e, assim, combater a ameaça humana ao sistema climático da Terra, cada vez mais evidente nos últimos meses.

Marina Silva fala dos desafios do Brasil para a COP30

A próxima COP será em Belém, capital do Pará, no Brasil. Foi a cúpula da COP28 que oficializou a decisão de eleger a cidade como a sede da COP30, em 2025.

Com isso, o município se tornará o palco crucial para as discussões sobre mudanças climáticas e estratégias globais para combater os efeitos adversos do aquecimento global.

----++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------------------====-++----