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terça-feira, 5 de março de 2024

Dólar fecha em alta, com expectativa por falas de Powell e dados dos EUA; Ibovespa cai

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A moeda norte-americana subiu 0,16%, cotada a R$ 4,9556. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou em queda de 0,19%, aos 128.098 pontos.
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Por g1

Postado em 05 de março de 2024 às 11h15m

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Notas de 1 dólar — Foto: Rafael Holanda/g1
Notas de 1 dólar — Foto: Rafael Holanda/g1

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (5), após passar boa parte da sessão oscilando entre altas e baixas. Investidores seguem à espera de pistas sobre a decisão de juros nos Estados Unidos e na Europa.

Na agenda da semana, as expectativas são pelos dados de emprego norte-americanos e pelas falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, que deve discursar no Congresso do país nos próximos dias.

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em queda.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Dólar

Ao final da sessão, o dólar avançou 0,16%, cotada a R$ 4,9556. Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,02% na semana;
  • queda de 0,34% no mês;
  • e avanço de 2,12% no ano.

Na véspera, a moeda norte-americana teve queda de 0,15%, cotado a R$ 4,9475.

Ibovespa

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,19%, aos 128.098 pontos.

Com o resultado, acumulou quedas de:

  • 0,84% na semana;
  • 0,71% no mês;
  • e 4,54% no ano.

Na véspera, o índice teve queda de 0,65%, aos 128.341 pontos.

Entenda o que faz o dólar subir ou descer

O que está mexendo com os mercados?

Na agenda de indicadores desta terça-feira, o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou que o crescimento do setor de serviços dos Estados Unidos desacelerou em fevereiro, para 52,6, após ter atingido 53,4 em janeiro. A estimativa dos analistas era que o índice ficasse em 53,0.

Apesar da queda, no entanto, uma leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da economia no país.

Além disso, o Departamento do Comércio norte-americano divulgou que as novas encomendas de bens fabricados no país também caíram mais do que o esperado, pressionados por uma queda acentuada nos pedidos de aeronaves comerciais. A demanda por computadores e produtos eletrônicos, por outro lado, acelerou.

Esses dados paralelos de atividade e confiança, no entanto, são apenas coadjuvantes do interesse real do mercado, que é o rumo das taxas de juros nos EUA. Para isso, as expectativas seguem voltadas para os dados de empregos que devem sair nos próximos dias.

Na quarta-feira (6), sai o relatório ADP, com números dos empregos privados nos Estados Unidos, enquanto na sexta (8) tem o payroll, o mais importante relatório do mercado de trabalho do país.

Esses dados são observados com atenção, principalmente em um momento em que as taxas de juros americanas já estão os maiores patamares em décadas — entre 5,25% e 5,50% ao ano. Isso porque um mercado de trabalho ainda muito aquecido pode continuar gerando pressão inflacionária sobre a economia.

Por outro lado, se os números vierem abaixo do esperado ou mostrarem uma desaceleração da geração de empregos, é sinal de que as taxas elevadas estão pressionando a economia e isso pode servir de incentivo para que o Fed inicie seu ciclo de corte nos juros em breve.

Ainda no cenário de juros, o presidente do Fed, Jerome Powell, deve falar no Congresso americano na quarta e quinta-feira (7). Investidores aguardam o discurso, à espera de mais sinalizações sobre quando os cortes nas taxas devem começar.

Na Europa, o BCE anuncia sua decisão sobre as taxas de juros também na quinta-feira. A expectativa é que a instituição mantenha os juros no nível recorde de 4%, mas é provável que reduza sua perspectiva para a inflação, em um aceno para eventuais cortes.

Na China, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou na terça-feira uma meta ambiciosa de crescimento econômico para 2024, de cerca de 5%, prometendo medidas para transformar o modelo de desenvolvimento do país e neutralizar os riscos alimentados por incorporadoras imobiliárias falidas e cidades endividadas.

Ao estabelecer uma meta de crescimento semelhante à do ano passado, que será mais difícil de ser alcançada, já que a recuperação pós-Covid está perdendo força, Pequim sinaliza que está priorizando o crescimento em detrimento de quaisquer reformas, mesmo com Li prometendo novas políticas ousadas, disseram analistas.

"É mais difícil atingir 5% este ano do que no ano passado porque o número base ficou mais alto, indicando que os principais líderes estão comprometidos em apoiar o crescimento econômico", afirmou Tao Chuan, analista-chefe de macro da Soochow Securities à agência Reuters.

O crescimento irregular do ano passado evidenciou os profundos desequilíbrios estruturais da China, desde o fraco consumo das famílias até os retornos cada vez mais baixos sobre os investimentos, o que levou a pedidos de um novo modelo de crescimento.

Na agenda interna, o boletim Focus mostra que os economistas do mercado financeiro elevaram a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, ao mesmo tempo em que reduziram as expectativas de inflação para 2024.

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia brasileira subiu de 1,75% para 1,77%. Já para 2025, a previsão de alta do PIB do mercado financeiro ficou estável em 2%.

Para o comportamento da inflação, os analistas das instituições financeiras baixaram a expectativa para 2024 – que recuou de 3,80% para 3,76%. Para 2025, a estimativa de inflação ficou estável em 3,51% na última semana.

Outro destaque para os preços ao produtor, que recuaram 0,31% em janeiro, no terceiro mês seguido de deflação, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O resultado levou o índice acumulado em 12 meses a uma retração de 5,56%. No mês anterior, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) havia caído 0,20%. Entre as 24 atividades analisadas, o IBGE apontou que somente oito tiveram queda de preços na comparação mensal.

"Esta sequência de resultados negativos do IPP vem após uma série de três meses seguidos de altas, entre agosto e outubro do ano passado. Apesar do índice de -0,31% em janeiro, não há uma queda disseminada por toda a indústria, pois 15 setores tiveram aumento de preços", destacou Murilo Alvim, analista do índice.

As maiores influências no resultado de janeiro partiram de refino de petróleo e biocombustíveis (-0,51 ponto percentual), indústrias extrativas (0,23 p.p.), alimentos (-0,18 p.p.) e metalurgia (0,07 p.p.). O setor de refino de petróleo e biocombustíveis apresentou queda no mês de (4,77%), marcando a segunda variação negativa seguida.

Já o setor de alimentos apresentou queda de 0,74% dos preços em janeiro, após quatro resultados positivos consecutivos. De acordo com o analista do IBGE, isso se deve a preços menores do açúcar e dos derivados de soja. Considerando as grandes categorias econômicas, bens de capital tiveram alta de 0,55% em janeiro, bens intermediários recuaram 0,88% e bens de consumo subiram 0,37%.

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sexta-feira, 1 de março de 2024

Brasil volta ao grupo das 10 maiores economias do mundo com resultado do PIB de 2023

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Levantamento mostra que o país ultrapassou o Canadá e a Rússia em termos de valores correntes, com um PIB de US$ 2,17 trilhões.
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Por Bruna Miato, g1


O Brasil voltou ao grupo das 10 maiores economias do mundo, depois de registrar um crescimento de 2,9% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2023.

Um levantamento da consultoria Austin Ratings — com base nos dados preliminares de PIBs em valores correntes que já foram divulgados por 54 países — mostra que o Brasil ultrapassou o Canadá e a Rússia, para ocupar a 9ª posição do ranking, com um PIB de US$ 2,17 trilhões no ano passado.

Em 2022, o país foi a 11ª maior economia do mundo, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os Estados Unidos continuam liderando o ranking.

No ano passado, os EUA chegaram a um PIB de US$ 26,9 trilhões, seguidos pela China, com US$ 17,7 trilhões, e Alemanha, com US$ 4,4 trilhões.

 Confira, abaixo, a lista das 10 maiores:
  1. Estados Unidos: US$ 26,9 trilhões
  2. China: US$ 17,7 trilhões
  3. Alemanha: US$ 4,4 trilhões
  4. Japão: US$ 4,2 trilhões
  5. Índia: US$ 3,7 trilhões
  6. Reino Unido: US$ 3,3 trilhões
  7. França: US$ 3 trilhões
  8. Itália: US$ 2,18 trilhões
  9. Brasil: US$ 2,17 trilhões
  10. Canadá: US$ 2,11 trilhões

Além do Brasil, o próximo país latino-americano na lista de maiores economias do mundo é o México, na 12ª posição, com um PIB de US$ 1,81 trilhão.

Evolução do PIB ano a ano — Foto: Arte g1Evolução do PIB ano a ano — Foto: Arte g1
 Maiores crescimentos percentuais

Já em relação ao crescimento percentual do PIB, o Brasil fica na 14ª posição do ranking, com a alta de 2,9%. O país que mais cresceu percentualmente de 2022 para 2023 foi a Mongólia, com alta de 7,10%, seguido por Índia (6,70%) e Irã (6,40%)

 Veja a lista abaixo:

  1. Mongólia: 7,1%
  2. Índia: 6,7%
  3. Irã: 6,4%
  4. Filipinas: 5,6%
  5. Malta: 5,6%
  6. China: 5,2%
  7. Indonésia: 5%
  8. Vietnã: 5%
  9. Turquia: 4,5%
  10. Islândia: 4,2%
  11. Malásia: 3,7%
  12. México: 3,4%
  13. Hong Kong: 3,2%
  14. Brasil: 2,9%

Os Estados Unidos, apesar do maior PIB em valores correntes, ficam apenas na 18ª posição em termos de crescimento percentual, com alta de 2,5% em 2023.

PIB do Brasil cresce 2,9% em 2023, diz IBGE

O PIB do Brasil em 2023
agro, economia, pib, agronegócio — Foto: Rodolfo Buhrer/ReutersAgro, economia, pib, agronegócio — Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Apesar do crescimento anual de 2,9%, o PIB brasileiro teve comportamento diferente no primeiro e no segundo semestre.

Na primeira parte do ano, a economia cresceu com mais força do que era previsto, registrando alta de 1,3% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse crescimento foi puxado, sobretudo, pela agropecuária, que viveu um ano recorde em 2023, com uma alta de 15,1%, e impulsionou outros setores, como as exportações e a indústria de alimentos, por exemplo.

Já nos terceiro e quarto trimestres, o PIB ficou no zero a zero, nem cresceu nem subiu. Apesar da estabilidade, o setor de serviços se mostrou resiliente neste período, mesmo com os impactos dos juros altos da economia.

Expectativa era maior, mas resultado do PIB foi acima da média, diz Ana Flor

Rússia

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domingo, 18 de fevereiro de 2024

'Cofre do apocalipse': conheça o imponente e impenetrável Banco Mundial de Sementes, que tem mais de 1 milhão de amostras e fica a -18ºC

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Quase tudo que se planta e se colhe ao redor do planeta está lá. São sementes idênticas às que os países guardam nos seus respectivos territórios.
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Por Sarah Resende, g1 — São Paulo

Postado em 18 de fevereiro de 2023 às 06h00m

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Banco de sementes da Noruega — Foto: Reprodução Fantástico
Banco de sementes da Noruega — Foto: Reprodução Fantástico

É na gelada Noruega, terra dos vikings e dos fiordes, que fica um banco mundial de sementes, o Svalbard Global Seed Vault (ou Silo Global de Sementes de Svalbard).

Atualmente, estão armazenadas lá cerca de 1,2 milhão de amostras de sementes, vindas de quase todos os países do planeta, mas o local tem capacidade para 4,5 milhões de variedades de culturas. Cada pacote possui, em média, 500 sementes. O objetivo, segundo o site oficial, é guardar toda essa "coleção" para "garantir a base do nosso futuro alimentar".

Quase tudo que se planta e se colhe ao redor do planeta está lá. São sementes idênticas às que os países guardam nos seus respectivos territórios. O local, com arquitetura imponente e enigmática, foi cenário da série "Noite Adentro" (2020/Netflix), quando um grupo, diante de uma catástrofe mundial, viaja para lá na expectativa de encontrar comida (sem mais spoilers 🍿).

🌀 Contexto... A existência do banco de sementes voltou à discussão ainda janeiro, no início do "BBB 24", quando o participante Lucas Luigi, que já foi eliminado, falou sobre o local, gerando memes e posts nas redes sociais.

🌍 Onde exatamente fica? No Ártico, a mil quilômetros do Polo Norte, na Ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, território norueguês.

Também chamado de "arca de Noé dos vegetais", "cofre do apocalipse", "nações unidas das sementes", "congelador mais importante do mundo" ou "plano B da humanidade", o banco é uma construção com ar futurista e jeitão de bunker, tudo no meio do gelo.

📺 A repórter Sônia Bridi, do Fantástico, visitou a estrutura em 2016, como parte do quadro "A jornada da Vida". Veja mais no vídeo abaixo:

Cientistas criam 'Arca de Noé' das sementes no caso de catástrofes

🫘 Tem semente brasileira lá? Sim, e muitas! Tem arroz, feijão, caju, maracujá, sementes forrageiras (para alimentação animal).

"A gente já mandou mais de 5.000 amostras", diz Juliano Gomes Pádua, supervisor do Banco Genético da Embrapa.

A primeira remessa foi em 2012 e a mais recente em 2022.

"E esse ano estão indo mais amostras. A gente vai mandar em meados do ano para chegar lá e pegar a abertura de outubro. O banco abre três vezes no ano", explica Juliano em entrevista ao g1. "A gente vai mandar milho, arroz, feijão, trevo, que serve para alimentação animal..."

Há outras sementes da América Latina: amostras de milho e feijão da Venezuela; de café da Colômbia; e de arroz da Guatemala e da Bolívia.

📦 Por que guardar sementes? Desastres e guerras são algumas preocupações, mas não as únicas. As mudanças climáticas também vão exigir que as plantas se adaptem a mudanças extremas de temperatura, como falta de chuva ou chuva em excesso. Além disso há, ainda, a preocupação de armazenamento adequado e em temperaturas corretas, algo que nem sempre pode ser feito no país de origem das sementes.

🌱 Como as sementes são guardadas? Elas são fechadas em embalagens personalizadas de três camadas, que são lacradas dentro de caixas e armazenadas em prateleiras dentro do chamado cofre de sementes. Os baixos níveis de temperatura e umidade dentro do Seed Vault garantem baixa atividade metabólica, mantendo as sementes viáveis ​​por longos períodos.

🌡️Em que temperatura as sementes ficam armazenadas? A menos 18°.

🤔 Por quanto tempo elas podem sobreviver? A resposta depende da espécie e de como é tratada a semente. O trigo pode ficar fértil por mais de mil anos. Já a alface, por exemplo, não dura mais que 50 anos.

Banco de sementes da Noruega — Foto: Reprodução Fantástico
Banco de sementes da Noruega — Foto: Reprodução Fantástico

🛟 Quem mantém o local? O Svalbard Global Seed Vault é de propriedade da Noruega e gerido em parceria entre o Ministério da Agricultura e Alimentação norueguês, o banco genético regional NordGen e o Crop Trust. Ele foi inaugurado em 2008. Nenhum país precisa pagar para manter sementes lá. Nações europeias bancaram a construção, mas o consenso é que ninguém é oficialmente dono do local.

❓Por que lá?

  • É remoto, mas acessível;
  • É geologicamente estável;
  • Está acima do nível do mar, protegido de inundações oceânicas (uma preocupação crescente com o avanço das mudanças climáticas);
  • Por ser um local muito frio, já oferece um congelamento natural, o que é mais econômico;
  • É a prova de desastres como terremotos e inundações.

🧳É possível visitar o local? Presencialmente... Não. Mas é possível fazer uma visita virtual pelo site. E o g1 visitou. É uma construção retangular "de pé". Por dentro, há um longo túnel que termina com uma porta "secreta" (antes dela, é preciso passar por outras cinco). É depois dessa última porta, trancada com chave, que as sementes ficam armazenadas em caixas etiquetadas.

⚠️Por lá, não há nenhum conflito diplomático: sementes da Rússia estão bem ao lado da caixa com sementes da Ucrânia, por exemplo.

🤚 Alguém pode tirar as sementes de lá? Sim. As caixas com as sementes são armazenadas em "condições de caixa preta", como explicado no site. Os depositantes são os únicos que podem retirar as suas próprias sementes. Quando as sementes são depositadas lá, a sua propriedade legal não é transferida. Isto significa que um depositante que opte por armazenar sementes no cofre de sementes ainda é o proprietário delas e o único que pode retirá-las de lá.

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sábado, 17 de fevereiro de 2024

O país onde o alfabeto não apenas serve para escrever, mas também para realizar cálculos complexos

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Este alfabeto é um sistema numérico utilizado para cálculos matemáticos e registro de datas no calendário, além de ser motivo de orgulho nacional
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TOPO
Por Sugato Mukherjee

Postado em 17 de fevereiro de 2024 às 15h45m

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Algumas em grupo, outras solitárias, as letras estão distribuídas por todo o parque — Foto: BBC
Algumas em grupo, outras solitárias, as letras estão distribuídas por todo o parque — Foto: BBC

É uma manhã de fim de outono quando partimos de Erevã, a capital da Armênia. Após dirigir por aproximadamente meia hora pelas terras altas do país, o motorista para o carro e minha guia, Sofya Hakobyan, me faz um sinal para descermos do veículo.

À minha esquerda, o maciço nevado de quatro picos do monte Aragats se destaca ao longe, seus contornos difusos sob o sol brumoso. As terras altas se estendem desde as margens da estrada até a base da montanha mais alta da Armênia.

O cenário parece desolador: uma extensão de terras castigadas pelo vento, de cor marrom arenoso, salpicada de arbustos murchos.

No entanto, uma série de esculturas de pedra do tamanho humano nas encostas conferem um toque misterioso ao terreno desolado.

"Estamos no Parque do Alfabeto. Foi construído em 2005 para comemorar o 1.600º aniversário de nosso alfabeto armênio", explica-me Hakobyan.

As estátuas, esculpidas em pedra de cor rosa desbotado, amarelo claro e preto claro, estão gravadas com flores e símbolos. Algumas estão em grupos, outras solitárias, e minha guia me leva até uma estátua em forma de U com um delicado ornamento na parte inferior direita.

"Esta é a nossa 'A' armênia em maiúscula", ela diz com um amplo gesto de mão. "O que você vê ao nosso redor são as outras letras do nosso alfabeto, que foi inventado por aquele homem, Mesrop Mashtots, há pouco mais de 1.600 anos".

Sigo seu olhar até uma majestosa escultura de um ancião barbudo. Vestida em uma túnica solta, a enorme estátua rosada tem a expressão de um asceta: tranquila e levemente entediada. Lembro-me do homem. Dois dias atrás, vi sua estátua na entrada de Matenadarán.

Lugar sagrado

Localizado sobre uma colina no extremo norte da avenida Mashtots em Erevã, a imponente estrutura de basalto de Matenadarán parece uma fortaleza, mas na realidade é um scriptorium (uma biblioteca de manuscritos antigos) que também funciona como instituto de pesquisa.

Eu havia percorrido silenciosamente a solenidade das salas que exibiam exposições permanentes organizadas por tema, que incluíam literatura traduzida, filosofia, teologia, artes liberais com ciências matemáticas e humanidades, poesia, direito, história e artes.

O parque foi inaugurado em 2005 — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
O parque foi inaugurado em 2005 — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Emma Horopyan, diretora de relações públicas de Matenadarán, me disse que a biblioteca de manuscritos é um dos maiores depósitos do mundo de valiosos documentos de arquivo e dos primeiros livros impressos.

Aqui, uma ampla gama de manuscritos medievais em idiomas como grego, árabe, persa, siríaco, latim, etíope, georgiano e hebraico foi cuidadosamente preservada. "Este é um lugar sagrado para nós", disse Grigor Stepanian.

Encontrei Stepanian enquanto admirava um mapa desenhado à mão do antigo reino armênio no grande Salão Central de Matenadarán, e agora o afável arquiteto de Erevã estava me guiando pela fachada retangular da estrutura de cinco pisos, adornada com estátuas de filósofos, poetas e estudiosos medievais que coletivamente moldaram o legado literário e cultural da Armênia.

"Mas ele (Masohtots) continua sendo o mais importante de todos", destaca Stepanian. A estátua de pedra imaculadamente esculpida de Mashtots estava na entrada, com as mãos levantadas na postura eterna de um mestre esclarecendo um ponto a seu discípulo (uma estátua de pedra menor) que ouve atentamente a seus pés.

Nova identidade

Eu estava curioso para saber por que a criação do alfabeto armênio por Mashtots é considerada um dos eventos mais importantes na história da Armênia.

"Mashtots desenvolveu o alfabeto com o objetivo de traduzir a Bíblia para o armênio", explicou-me Stepanian, enquanto saboreávamos um café armênio encorpado e forte em uma cafeteria próxima.

A estátua de Mesrop Mashtots nos arredores de Matenadaran destaca sua importância como criador do alfabeto armênio — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
A estátua de Mesrop Mashtots nos arredores de Matenadaran destaca sua importância como criador do alfabeto armênio — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Em 301 d.C., a Armênia tornou-se a primeira nação do mundo a adotar o cristianismo como religião oficial.

No entanto, durante quase um século depois, os métodos de conversão de seus cidadãos a essa religião, que por muito tempo adoravam a natureza, continuaram frequentemente cruéis, explicou Stepanian.

Mashtots trabalhava como tradutor na chancelaria real armênia nos últimos anos do século IV d.C. Ele testemunhou as formas coercitivas e muitas vezes violentas de obrigar o povo desta nação caucasiana a adotar uma fé patrocinada pelo Estado, que era marcadamente diferente de seu sistema de crenças politeísta. "O que Mashtots fez foi bastante engenhoso", disse Stepanian.

O linguista percebeu que a aversão de seus compatriotas ao cristianismo se devia à sua ignorância: as traduções grega e síria da liturgia e teologia cristãs, incluindo o Novo Testamento, eram muito estranhas para os armênios, que haviam sido introduzidos na Bíblia e na liturgia oralmente durante os serviços religiosos dos targmanicks (termo que significa tradutor e comentarista).

Mashtots criou seu novo alfabeto em um estilo fonético, facilitando aos armênios se adaptarem à forma escrita de uma língua que já falavam, observou Stepanian. "As letras foram projetadas com formas muito distintas, com um caráter independente, muito diferente das letras de outras línguas escritas da época", acrescentou. Assim, sua língua deu uma nova identidade aos armênios.

Opressão

Nos próximos 1.500 anos, o alfabeto continuaria a ser um motivo de orgulho nacional, no cerne da identidade cultural armênia, um emblema de solidariedade para a terra devastada pela guerra, que foi quase continuamente governada e colonizada por forças estrangeiras: romanos, bizantinos, persas e turcos otomanos.

Esta saga quase contínua e implacável de opressão e subjugação chegaria ao fim em 1991, quando o regime soviético de 69 anos desabou e a Armênia se tornou uma república independente.

"Sem nosso alfabeto, teríamos sido um povo perdido", afirma Stepanian.

Armênia foi o primeiro país a estabelecer o cristianismo como religião oficial do Estado — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Armênia foi o primeiro país a estabelecer o cristianismo como religião oficial do Estado — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Hakobyan concorda. "Nosso país foi invadido, fragmentado e saqueado repetidamente", ele me diz enquanto dirige pelo labirinto de letras dispostas no meio da natureza como um quebra-cabeça gigante e desordenado.

"Mas uma das razões pelas quais conseguimos resistir talvez seja porque sempre soubemos que temos uma bela língua, encapsulada por um belo conjunto de letras."

Enquanto caminhamos pelo Parque do Alfabeto, o sol da manhã brilha sobre as delicadas curvas das letras, esculpidas à mão em rocha de toba vulcânica. No geral, diz-me Hakobyan, a riqueza e a flexibilidade deste belo conjunto de letras têm ajudado a sustentar uma tradição literária ininterrupta desde o início de sua forma escrita.

Eu sabia que as formas esteticamente eloquentes das letras armênias, com seu uso prolongado na arte popular e na caligrafia, estão nas Listas do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.

Mas eu não tinha ideia de que esses delicados e artísticos designs também estão impregnados de códigos secretos e criptografias, dotados de propriedades ocultas.

Cálculos e Datas

"Para começar, o alfabeto formava a estrutura de um sistema numérico complexo, mas sofisticado", diz Hakobyan, explicando que as letras mashtotianas também eram usadas para realizar cálculos matemáticos. Além de fazerem parte do alfabeto, as 36 letras originais também possuem um valor numérico atribuído com base na sua ordem no alfabeto.

Além de ser um sistema de escrita, o alfabeto armênio também constitui um sistema numérico complexo — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Além de ser um sistema de escrita, o alfabeto armênio também constitui um sistema numérico complexo — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Quando organizadas em quatro colunas e nove filas, as letras de cada coluna representam, respectivamente, dígitos em unidades individuais, dezenas, centenas e milhares.

Hakobyan acrescenta que elas podem até mesmo ser usadas para determinar datas de acordo com o calendário armênio.

Concluímos nossa visita perto da estátua de Mesrop Mashtots. Localizado em um pequeno montículo, o sábio ancião observa seus pés, com um olhar amável e contemplativo surpreendentemente realista. Era hora de retomar nossa jornada.

Um vento forte soprava sobre o vale iluminado pelo sol, e lentamente voltamos sobre nossos passos em direção ao carro estacionado à beira da estrada.

Antes de entrar, olho para trás, refletindo sobre o incrível legado deste antigo alfabeto. Espessas nuvens sobem pelas encostas nevadas do monte Aragats.

Uma família armênia está chegando ao parque.

Duas meninas, vestidas com jaquetas de cor amarelo limão, começam a brincar alegremente entre as letras gigantes, um legado linguístico e cultural que herdaram de um erudito perspicaz, cuja estátua está a apenas alguns metros delas no cenário ventoso.

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