Total de visualizações de página

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Hamas x Israel: ataques a civis e bloqueio de comida são proibidos pela ONU desde 1977 e considerados crimes de guerra

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


ONU emitiu nota alertando que o bloqueio coloca em perigo a vida de civis e que é proibido. E classificou a situação do conflito como 'barril de pólvora'. Atitude é considerada crime de guerra e pode levar Israel ao Tribunal Penal Internacional.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Poliana Casemiro, Arthur Stabile — São Paulo

Postado em 12 de outubro de 2023 às 08h35m

#.*Post. - N.\ 10.977*.#

Palestinos em meio a destruição na Faixa de Gaza — Foto: AP Photo/Hatem Ali
Palestinos em meio a destruição na Faixa de Gaza — Foto: AP Photo/Hatem Ali

A resposta de Israel ao ataque do grupo terrorista Hamas atingindo civis e com bloqueio de comida e água aos palestinos é proibida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1977 (entenda mais abaixo). A organização emitiu uma nota alertando para a proibição.

👉Antes: Israel foi atacado pelo grupo terrorista Hamas, que é composto por palestinos. Com isso, o país contra-atacou a Faixa de Gaza e impôs cerco total impedindo acesso a eletricidade, comida, água e gás. Israel é signatário da Convenções de Genebra, que não é o caso dos palestinos - reconhecidos como estado observador que não é membro oficial da ONU. Com isso, Israel é cobrado por cumprir as regras.

Nesta terça-feira (10), o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk disse em um comunicado à imprensa que a imposição dos cercos feitos por Israel em Gaza é proibido.

A imposição de cercos que coloca em perigo a vida de civis, privando-os de bens essenciais à sua sobrevivência, é proibida pelo direito humanitário internacional.
— Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

Türk classificou a situação como um 'barril de pólvora' e reforçou que os dois lados do conflito precisam cessar o ataque aos civis.

“Todas as partes devem respeitar o direito humanitário internacional. Devem cessar imediatamente os ataques contra civis", disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também emitiu pedindo que os palestinos tivessem assistência humanitária e acesso à saúde.

O que está acontecendo agora

Após o ataque do Hamas que deixou centenas de israelenses mortos, Israel contra-atacou. A ação atingiu prédios públicos e matou outras dezenas de pessoas na Faixa de Gaza. Após a resposta armada, o país ainda disse que adotaria outras medidas.

O ministro da defesa de Israel, Yoav Galant, ordenou ainda o bloqueio total em Gaza e disse: "sem eletricidade, sem alimentos e combustível". Ele afirmou que a medida faz parte de um movimento contra pessoas violentas.

O território de Gaza é quase todo cercado por Israel, com um parte conectada ao Egito. Por ali, ainda é possível entrada de alimentos e insumos.

As regras na guerra

👉Em 1949, a ONU estabeleceu regras para proteger combatentes de guerra. As regras fazem parte das Convenções de Genebra, uma série de protocolos criados inicialmente no século 19 e atualizados ao longo do século passado. As principais atualizações ocorreram após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1977, a organização criou dois protocolos para incluir também regras que protegessem a população civil em locais em guerra e garantisse a entrada de socorro humanitário. São protegidos pelas regras:

  • Feridos, enfermos, trabalhadores de saúde e religiosos
  • Militares feridos e náufragos
  • Prisioneiros de guerra

Israel é um dos países que assinou o acordo, além de outras 168 nações. Com isso, precisam cumprir as regras e estão sujeitos ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

O texto baseia a definição de crimes de guerra no Estatuto de Roma, tratado que estabeleceu a criação do Tribunal Penal Internacional (responsável por julgar possíveis crimes de guerra) e que está em vigor desde 2002.

Os países devem respeitar:

  • Tratamento humano para todos os indivíduos em poder do inimigo
  • Proíbe assassinatos, mutilações, torturas, tratamento cruéis, humilhantes e degradantes, tomada de reféns e julgamentos parciais.
  • Tratamento e recolhida para feridos, enfermos e náufragos
  • As partes do conflito devem pôr em vigor a totalidade ou partes das Convenções de Genebra

Imagens da guerra entre Hamas e Israel, com ataques na Faixa de Gaza e movimentação de tropas militares — Foto: Adel Hana/AP; Mohammed Salem/Reuters; Violeta Santos Moura/Reuters; Ibraheem Abu Mustafa/Reuters; Saleh Salem/Reuters

Não é a primeira vez que Israel determina bloqueio à Faixa de Gaza:

  • 🚫 Em 2001, a ONU alertou que bloqueios de Israel provocavam fome e pobreza na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, outro território palestino.
  • 🚫 Seis anos mais tarde, quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, o governo israelense restringiu a entrada de mantimentos para algo em torno de um quarto do volume de importações que chegavam na região em 2005.
  • 🚫Em 2009 operações militares causaram prejuízo na ordem de US$ 180 milhões à agricultura do país, conforme divulgado à época pela ONU.

Após a série de infrações, em 2019 o TPI anunciou investigação contra Israel por crime de guerra no conflito. A investigação também incluiu o grupo palestino terrorista. No entanto, ainda não houve conclusão.

O curto prazo deve ser catástrofe humanitária, diz ex-correspondente em Israel
O curto prazo deve ser catástrofe humanitária, diz ex-correspondente em Israel

O que não pode fazer durante a guerra:

  • Ataque intencional à população civil
  • Tortura e outros tratamentos desumanos, como experiências biológicas
  • Tomada de reféns
  • Saquear cidade ou localidade
  • Matar ou ferir combatente rendido
  • Uso de veneno ou armas envenenadas, gás asfixiante ou materiais tóxicos
  • Cometer ato de violação ou escravidão sexual
  • Utilizar a fome como método de combate
  • Atacar, destruir, tirar ou pôr fora de uso bens indispensáveis à sobrevivência, como comida e água
  • Atacar barragens, diques e centrais nucleares
  • Ato de hostilidade contra monumentos históricos, obras de arte ou lugares de culto
  • Ordenar deslocamentos forçados relacionado ao conflito
  • Proibir auxílio médico da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho
  • Proibir ações de socorro humanitário
  • Recrutar ou alistar menores de 15 anos nas Forças Armadas
Ex-juíza de Haia diz que ações são crimes de guerra

Para a ex-juíza do Tribunal de Haia, corte internacional que julga crimes contra a humanidade, Sylvia Steiner, a morte indiscriminada de civis palestinos no contra ataque é crime de guerra.

São milhões de habitantes em Gaza e um número ínfimo o de aderentes ao grupo. Esses ataques indiscriminados de Israel como resposta contra a população civil palestina é um crime de guerra.
— Sylvia Steiner, ex-juíza do Tribunal de Haia

A ex-juíza diz que no cenário do conflito a distinção é difícil porque o Hamas é um grupo armado e nem sempre usa identificação. Apesar disso, reforça que o poderio e inteligência militar de Israel torna possível uma posição dentro das regras.

“A situação de guerra não é tão simples. Mas temos regras que protegem a população que está no meio do conflito, civis que são vítimas. Gaza tem mais de 2 milhões de pessoas e um número ínfimo nesse total está ligado ao Hamas. Por seu poderio, Israel poderia agir evitando vítimas inocentes”, comenta.

A posição é reforçada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e integrante do grupo de estudos sobre conflitos internacionais, Rodrigo Amaral, também afirma que as ações são "evidentemente consideradas crimes humanitários".

A morte de civis não deve ser lida como efeito colateral da guerra. Quando falamos de Israel, estamos falando de um estado hipermilitarizado, que tem tecnologia para fazer ataques que respeitem as regras e se proteja.
— Rodrigo Amaral, professor da PUC e integrante do grupo de estudos sobre conflitos internacionais

Na visão do especialista, o cerco à Faixa de Gaza pode ser enquadrado como "crime contra a humanidade" por atingir uma população de 2 milhões de pessoas palestinas que são submissas ao controle do Hamas, mas nem todos integram o grupo extremista. Assim, seriam considerados civis sem relação com o conflito Hamas x Israel.

"Não estamos vendo isso no debate porque Israel está do lado ocidental. Por estar desse lado, não vamos ver qualquer coisa no tribunal internacional contra autoridades israelenses. O que vemos hoje e que é perigoso é um endossamento da comunidade ocidental internacional", afirmou Amaral.

Além de Israel bloquear a entrega de suprimentos, a União Europeia anunciou que interrompeu o envio de ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza.

Prédios em Gaza foram bombardeados por forças de Israel nesta segunda (9) — Foto: Mohammed Salem/Reuters
Prédios em Gaza foram bombardeados por forças de Israel nesta segunda (9) — Foto: Mohammed Salem/Reuters

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++----

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

'Ouro verde do sertão': Bahia tem a maior produção de sisal do mundo

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Após quase 40 anos de decadência, a demanda pelo produto tem aumentado nos últimos anos, devido à valorização de itens naturais e pressões pela preservação ambiental em todo o planeta.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Valma Silva, g1 BA e TV Bahia

Postado em 11 de outubro de 2023 às 20h25m

#.*Post. - N.\ 10.976*.#

Onde Tem Bahia: a força dos pequenos exportadores
Onde Tem Bahia: a força dos pequenos exportadores

A Bahia é o principal produtor de sisal do mundo, detém 90% da produção do Brasil, o país que mais cultiva a agave no planeta, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No estado, são produzidas, em média, 140 mil toneladas de fibras de sisal por ano, e cerca de 50% desse total é vendido para Ásia, Europa e, principalmente, para a América Central.

O "ouro verde do sertão" teve seu apogeu entre as décadas de 60 e 70, quando havia grande demanda internacional pela fibra, utilizada na confecção de cordas, fios, estofados, carpetes e tapetes, entre outros produtos. O mercado declinou nos anos 80, com a concorrência das fibras sintéticas, e nunca mais teve o mesmo sucesso do passado.

Até mesmo a área plantada encolheu, não somente porque a fibra perdeu valor de mercado, mas também porque a seca na região dizimou boa parte das plantas, conhecida mundialmente pela resistência à estiagem.

Na Fazenda Pau de Colher, em Valente, área de plantação virou 'cemitério de sisal' há seis anos — Foto: Henrique Mendes / g1
Na Fazenda Pau de Colher, em Valente, área de plantação virou 'cemitério de sisal' há seis anos — Foto: Henrique Mendes / g1

A fibra tem voltado à moda com a valorização dos produtos ecologicamente corretos e também com a pressão mundial para preservação do meio ambiente. Além de natural, quando descartada, a fibra de sisal se decompõe sem poluir a natureza - e ainda serve como adubo para o solo - ao contrário da sintética. Depois que a palha é cortada, a planta rebrota em seis meses, o que ajuda a manter o semiárido em equilíbrio.

Nos últimos anos, decoradores e arquitetos passaram a utilizar o sisal em projetos com maior frequência, e a demanda pela fibra tem sido crescente, não somente no Brasil, mas também no exterior.

Atendendo a essa tendência, a principal entidade representativa da cultura do sisal no país, a Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Apaeb), manufatura a fibra e dá origem a mercadorias como carpetes, tapetes e cordas.

"No passado, a gente só fazia batia o sisal no motor e exportava. Hoje em dia, tem o beneficiamento. Isso gera oportunidade de trabalho. A cada emprego que a gente gera aqui, são oito no campo para fazer a fábrica funcionar. Antigamente o sisal nem era classificado, hoje temos três tipos diferentes. O tapete é o tipo 1 e quanto mais clarinha a fibra, maior o valor do sisal", disse o presidente da associação, Jairo Oliveira, em entrevista para a TV Bahia.

Fibras de sisal produzidas na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia
Fibras de sisal produzidas na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia

A sede da Apaeb fica em Valente, município a cerca de 250 km de Salvador que pertence ao "território do sisal". São 20 cidades e cerca de 700 mil pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, com a produção, comércio ou industrialização do sisal.

A Apaeb compra boa parte da produção regional (800 toneladas mensais, em média) e transforma em itens cujas vendas, atualmente, estão concentradas no Brasil - sobretudo no estado de São Paulo, que reúne as maiores redes de distribuição dos manufaturados. Outra parte é repassada para o mercado internacional.

Um dos países que compra tapetes feitos com sisal da Bahia é a Alemanha. A pequena cidade de Dorsten, que tem forte tradição na área têxtil, valoriza o fabrico artesanal e defende marcas preocupadas com a questão ambiental.

Lá, a reportagem da TV Bahia ouviu o advogado Gregor Von Steinhaousen, um fã dos tapetes de sisal, que já adquiriu diferentes exemplares. "O visual é fantástico, me agrada muito. Gosto da ideia de usar em minha casa, especialmente porque tenho crianças em fase de crescimento. E também não uso nada que polua o solo ou o ar”, contou.

Apaeb fabrica tapetes, carpetes, cordas e outros produtos com a fibra do sisal — Foto: Reprodução/TV Bahia
Apaeb fabrica tapetes, carpetes, cordas e outros produtos com a fibra do sisal — Foto: Reprodução/TV Bahia

A declaração do alemão reforça o discurso do presidente da Apaeb. "A qualidade dos tapetes, carpetes e capachos e a preocupação com a preservação do meio ambiente impulsionam o nosso crescimento", afirmou Jairo.

A associação possui modernos teares, com capacidade para produzir até 100 mil metros quadrados de tapetes e carpetes por mês. A fábrica funciona diariamente e gera cerca de 250 empregos diretos.

A estrutura contrasta com a rusticidade da produção de sisal no campo. A colheita é manual, a fibra é transportada no lombo de jumentos e desfibrada com um equipamento antiquíssimo, que já causou incontáveis mutilações na região.

Do plantio às lojas, conheça todo o processo do sisal

Unidade fabril da Apaeb em Valente, no interior da Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia
Unidade fabril da Apaeb em Valente, no interior da Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia

  • A colheita é realizada manualmente por trabalhadores utilizando uma faca;
  • Em seguida as folhas de sisal são transportadas no lombo de um animal até o local onde se encontra o motor desfibrador (ou “motor paraibano”, como é conhecido);
  • No desfibramento remove-se a parte verde da folha, restando a fibra em estado úmido;
  • Já desfibradas, as fibras em estado úmido são levadas e estendidas nos varais, permanecendo sob a luz solar por um período de 72 horas para que ocorra o processo de secagem uniforme;
  • Após a secagem, a fibra deve apresentar umidade entre 10 e 13 %, esse é um dos parâmetros avaliados na compra do sisal;
  • Na sequência, as fibras são enfardadas e transportadas pelos agricultores até a unidade de beneficiamento;
  • Nesse momento, são classificadas em função do tamanho e qualidade e, em seguida, são submetidas ao beneficiamento, utilizando a máquina conhecida como “batedeira”, onde são removidas as impurezas aderidas às fibras, deixando-as com aspecto brilhoso;
  • Após essa etapa, as fibras são organizadas em fardos de aproximadamente 250 kg, identificados segundo normas do Ministério de Agricultura e Abastecimento e comercializados para outros estados ou para o mercado internacional;
  • Ainda na indústria, a fibra de sisal é transformada em diversos tipos de fios, cordas, tapetes, capachos, mantas e mais;
  • Uma pequena quantidade de fibra é destinada às cooperativas ou associações de artesanato de sisal, que criam bolsas, descansadores para panelas, porta-joias e muito mais.
Curiosidades
Manejo do sisal na Bahia ainda é muito primitivo — Foto: Reprodução/TV Bahia
Manejo do sisal na Bahia ainda é muito primitivo — Foto: Reprodução/TV Bahia

O sisal (Agave sisalana pierre) é originário do México e foi introduzido na Bahia, mais especificamente, no município de Santaluz, por volta de 1910;
  • O produto se espalhou por outras cidades e passou a ser explorado comercialmente no fim da década de 30, ganhando destaque no cenário mundial nos anos 60;
  • Santaluz foi a primeira cidade a investir no plantio em grande escala para a comercialização e contou com as maiores batedeiras de sisal da Bahia entre os anos 60 e 90;
  • Atualmente, as principais as principais batedeiras estão em Conceição do Coité;
  • O ciclo de transformação do sisal em fios naturais tem início aos três anos de vida da planta, ou quando as folhas atingem até cerca de 140 cm de comprimento, que podem resultar em fibras de 90 a 120 cm;
  • As folhas são cortadas a cada seis meses durante toda vida útil da planta, que é de 6 a 7 anos;
  • O sisal pode ser colhido durante todo o ano, basta não destacar do caule as folhas mais novas;
  • Resistente à aridez e ao sol intenso do sertão, o sisal é a fibra vegetal mais rígida que existe na natureza;
  • Atualmente a Tanzânia, Quênia, Uganda (África Oriental), além do Brasil, são os maiores produtores de sisal do mundo.

Veja mais notícias do estado no g1 Bahia.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++----

IPCA sobe 0,26% em setembro, puxado novamente pela gasolina

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


País passa a ter uma inflação acumulada de 5,19% na janela de 12 meses, saindo do intervalo da meta perseguida pelo BC. Gasolina é o subitem que mais subiu em 2023, com alta acumulada de 16,18% no ano.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Raphael Martins, g1

Postado em 11 de outubro de 2023 às 11h00m

#.*Post. - N.\ 10.975*.#

Gasolina, combustível — Foto: Reuters
Gasolina, combustível — Foto: Reuters

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,26% em setembro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador voltou a acelerar em relação ao mês anterior, puxado desta vez pela gasolina, que teve uma alta de 2,8% em setembro e uma contribuição de 0,14 ponto percentual no índice geral.

Em agosto, o IPCA fechou com alta de 0,23%. Já em setembro de 2022, o país havia registrado deflação de 0,36%, na esteira da desoneração de combustíveis.

Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 5,19% na janela de 12 meses. No ano, acumula alta de 3,5%.

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro, que esperava alta de 0,33% no mês. Em 12 meses, no entanto, o indicador voltou a sair do intervalo das metas de inflação perseguidas pelo Banco Central. A meta é de 3,25%, com tolerância entre 1,75% e 4,75%.

Seis dos nove grupos que compõem o IPCA tiveram alta no mês, com destaque para Transportes (1,4%), que abriga o avanço nos preços dos combustíveis. Além da gasolina, outro aumento relevante do grupo vem das passagens aéreas, que subiram 13,47% em setembro.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebidas: -0,71%;
  • Habitação: 0,47%;
  • Artigos de residência: -0,58%;
  • Vestuário: 0,38%;
  • Transportes: 1,40%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,04%;
  • Despesas pessoais: 0,45%;
  • Educação: 0,05%;
  • Comunicação: -0,11%.
Pressão em Transportes

A gasolina é o subitem do IPCA que mais subiu em 2023, com alta acumulada de 16,18% no ano. A variação em 12 meses é de 16,57%, o que mostra como o combustível sofreu pressão desde a virada do ano.

Neste mês, o avanço nos preços da gasolina contribuiu para um aumento de 2,7% no item combustíveis. Dentro do grupo, vale mais um destaque para o diesel, que teve alta de 10,11% no mês. Já o gás veicular subiu 0,66%, enquanto o etanol registrou queda de 0,62%.

Ainda em Transportes, segue a volatilidade de preços de passagens aéreas. Neste mês, houve alta de 13,47% e participação de 0,07 p.p. no indicador, vindo de uma queda de 11,69% no mês anterior.

Inflação de setembro tem índice abaixo da previsão do mercado e Miriam Leitão comenta sobre as expectativas daqui para frenteInflação de setembro tem índice abaixo da previsão do mercado e Miriam Leitão comenta sobre as expectativas daqui para frente

Alimentação e bebidas em queda

O grupo de Alimentação e bebidas registrou o maior peso no IPCA de setembro (21,1%), e teve queda de 0,71% no mês. Foi a quarta deflação seguida nos preços do grupo, acumulando redução de 2,65% no período.

De modo geral, temos um ano com safra grande que tem contribuído para maior disponibilidade de alimentos no mercado. Essa maior oferta reduziu os preços de subitens importantes, como carnes e leite.
— André Almeida, gerente de IPCA do IBGE

Quem puxa os resultados de deflação do grupo é o item Alimentação no domicílio, que engloba artigos de alimentação in natura. No último mês, o recuo foi de 1,02%. Mas expandindo a análise e considerando os quatro meses de queda dos preços do grupo, o item acumula retração de 4,01% no período.

De volta ao mês de setembro, o IBGE destaca as quedas da batata-inglesa (-10,41%), da cebola (-8,08%), do ovo de galinha (-4,96%), do leite longa vida (-4,06%) e das carnes (-2,10%).

Quem freia uma redução mais acentuada dos Alimentos e bebidas é o item Alimentação fora do domicílio. No mês, a alta foi de 0,12%. Apesar de ser uma desaceleração em relação a agosto (0,22%), nos quatro meses em questão, o grupamento tem avanço de 1,01% no acumulado.

"As altas da refeição (0,13%) e do lanche (0,09%) foram menos intensas do que as observadas em agosto (de 0,18% e 0,30%, respectivamente)", destaca o IBGE.

Serviços e monitorados

Um dos principais núcleos olhados pelo Banco Central (BC) para a condução da taxa básica de juros, a inflação de serviços teve leve aceleração no mês de setembro. A alta no mês foi de 0,5% contra 0,08% em agosto.

No acumulado de 12 meses, a inflação de serviços acumula 5,54%. Na medição anterior, eram 5,43%. A principal influência para a aceleração veio das passagens aéreas, que têm sido bastante voláteis mês a mês.

Ainda assim, os serviços ainda estão bem abaixo do pico que registraram em julho de 2022, quando subiram quase 9% na janela de 12 meses. Com o aumento do índice geral, inclusive, eles se aproximam do restante da cesta e deixam de descolar dos resultados agregados.

Quem voltou a chamar atenção foram os preços monitorados. São itens cujos preços são definidos pelo setor público ou por contratos. A alta para o mês de setembro foi de 1,11%, contra 1,26% em agosto.

Acontece que a janela de 12 meses passou a acumular alta de 10,21% na medição de setembro, contra 7,69% do mês anterior. A influência mais clara, evidentemente, é a gasolina.

Dos mais de 360 itens medidos pelo IPCA, uma parcela sofre aumentos por fatores de demanda, mas a dinâmica da inflação tem sido bastante influenciada pelos monitorados.
— André Almeida, gerente de IPCA do IBGE

Resultado abaixo das expectativas

A mediana das expectativas do mercado financeiro apontava para uma alta de 0,33% no IPCA de setembro. O resultado surpreendeu para baixo e trouxe boas notícias sobre o comportamento dos preços, segundo analistas.

"A despeito de serviços terem acelerado no mês, os demais itens que compõem o índice mostraram um qualitativo benigno, com difusão muito baixa e as diversas medidas de núcleos bem-comportadas", diz João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital.

"Assim, as aberturas do dado de hoje reforçam a dinâmica recente da inflação no país e o plano de voo do Banco Central no ciclo de cortes de juros", prossegue.

O índice de difusão foi de 43%, o menor desde julho de 2017. Trata-se da proporção de subitens que tiveram uma variação positiva no mês. Um índice menor significa que menos subitens tiveram variação positiva e, portanto, a alta de preços está menos espalhada.

Já Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, destaca que o aumento de Transportes e de Saúde e cuidados pessoais (0,04%) vieram abaixo do esperado, reajustando as projeções de inflação da agência. A expectativa agora é de 4,75% para o ano, dentro da meta de inflação.

"O importante, e que foi uma surpresa muito positiva, é que serviços teve uma alta muito concentrada em passagens aéreas. É algo pontual e sem preocupação. Os bens industriais ainda estão em terreno negativo, de 0,6%. E a difusão foi muito menor que a média. Em 2022, chegou a 70%", diz o analista.

"A inflação vem perdendo força e a estratégia do BC, ainda contracionista, permite que ela continue convergindo para a meta", explica.

A economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, também afirma que os resultados permitem que o BC prossiga uma dinâmica de cortes de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros.

"A composição inflacionária veio muito benigna. Apesar de o cenário externo estar mais complicado, o interno continua comportado e permitindo a manutenção da estratégia por aqui", afirma a economista.

INPC tem alta de 0,11% em setembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,11% em setembro. Em agosto, houve alta de 0,20%.

Assim, o INPC acumula alta de 2,91% no ano e de 4,51% nos últimos 12 meses. Em setembro de 2022, a taxa foi de -0,32%.

"Os produtos alimentícios tiveram recuo de 0,74% após caírem 0,91% em agosto. Já os preços dos produtos não alimentícios subiram 0,38%, menos do que no mês anterior, quando a alta foi de 0,56%", destaca o IBGE.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++----

terça-feira, 10 de outubro de 2023

As fronteiras de Israel explicadas em mapas

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Mais de 70 anos após a declaração de criação do Estado israelense, as fronteiras com países vizinhos ainda não foram totalmente definidas.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por g1

Postado em 10 de outubro de 2023 às 16h25m

#.*Post. - N.\ 10.974*.#

Em 29 de novembro de 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação de dois Estados na Palestina: um judeu e um árabe, além de um regime específico para a cidade de Jerusalém. Os dois Estados seriam instalados na chamada Palestina histórica, então controlada pela Grã-Bretanha.

À época, a proposta foi aceita por líderes judeus, mas rejeitada pelo lado árabe. Um dia antes de o mandato britânico na região expirar, em 14 de maio de 1948, a Agência Judaica para Israel, que representava os judeus naquele período de controle pelo Reino Unido, declarou a independência do Estado de Israel.

Isso gerou revolta entre palestinos. Naquele mesmo ano, começou a guerra árabe-israelense. De lá para, vem ocorrendo no local uma disputa recorrente por território, e vários acordos já tentaram estabelecer a paz na região, mas nenhum deles teve sucesso.

A terra que era chamada de Palestina desde a época dos romanos é formada hoje por dois territórios palestinos (Faixa de Gaza e Cisjordânia), bem como por Jerusalém Oriental e Israel.

🗺️ Mudanças em Israel desde 1948

O infográfico abaixo mostra a evolução do domínio sobre a região:

A história da delimitação de fronteiras de Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Síria e Egito — Foto: Arte/g1
A história da delimitação de fronteiras de Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Síria e Egito — Foto: Arte/g1

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++----