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quinta-feira, 24 de novembro de 2022

4 fatores que impedem que Brasil vire potência no turismo apesar do potencial

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Estudo analisou fatores que emperram o desenvolvimento nacional do setor, que poderia dar contribuição na criação de empregos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 24 de novembro de 2022 às 07h25m

 #.*Post. - N.\ 10.567*.#

As Cataratas do Iguaçu representam apenas um dos grandes ativos do turismo brasileiro, mas país segue com números modestos para o potencial — Foto: ARTERRA/UNIVERSAL IMAGES GROUP VIA GETTY IMAGES/via BBC
As Cataratas do Iguaçu representam apenas um dos grandes ativos do turismo brasileiro, mas país segue com números modestos para o potencial — Foto: ARTERRA/UNIVERSAL IMAGES GROUP VIA GETTY IMAGES/via BBC

Alguns dos elementos mais associados ao Brasil — belezas naturais, grande diversidade cultural, calendário rico em festas nacionais e regionais — valem ouro em qualquer roteiro de viagem. Mas o grande potencial do país não se traduz em números de destaque no mercado mundial de turismo. Um estudo analisou fatores que emperram o desenvolvimento nacional da área.

O futuro do turismo no Brasil a partir da análise crítica do período 2000-2019 contou com 23 pesquisadores de 17 instituições brasileiras. A investigação observa que, mesmo durante o boom do turismo internacional na década passada, o Brasil estacionou em pouco mais de 6 milhões de visitantes estrangeiros por ano.

Nesse período, o país ainda teve a rara oportunidade de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no espaço de dois anos, mas o crescimento entre 2014 e 2019 foi ínfimo: uma alta ligeira (que também pode ser vista como estagnação) de 6,31 milhões para 6,35 milhões.

O Brasil não figura nem na lista da Organização Mundial de Turismo dos 50 países com mais chegadas de turistas. Os dados são relativos a 2019, ou seja, antes da chegada da pandemia de covid. Em todo o mundo, o setor sofreu fortemente os impactos da quarentena e tenta agora ensaiar uma recuperação. Para efeito de comparação, uma única localidade do Vietnã, a Baía de Ha Long, recebeu quase o equivalente aos números totais do Brasil: 6,2 milhões, de acordo com o Euromonitor. O Vietnã, como um todo, contabiliza 18 milhões de viajantes internacionais anualmente.

Outro exemplo, e de maior proximidade, é o México. De limitações socioeconômicas como o Brasil, o país se firmou como um dos mais importantes destinos do turismo mundial, com 45 milhões de turistas estrangeiros.

Apesar de trunfos como o Rio de Janeiro, uma metrópole com belezas naturais, número de visitantes internacionais no Brasil é pequeno se comparado a países como Vietnã e Tailândia — Foto: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Apesar de trunfos como o Rio de Janeiro, uma metrópole com belezas naturais, número de visitantes internacionais no Brasil é pequeno se comparado a países como Vietnã e Tailândia — Foto: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL/via BBC

Os mexicanos são muito beneficiados pela proximidade com os Estados Unidos, mas deram prioridade ao setor em sua estratégia econômica na última década, segundo observa relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

Comparações podem ser relativizadas pelas condições específicas dos países, mas o mercado brasileiro, com trunfos turísticos bem conhecidos como o Rio de Janeiro e as Cataratas do Iguaçu e dezenas de lugares com grandes possibilidades de desenvolvimento, está claramente aquém do seu potencial.

Isso é admitido em um relatório do governo federal.

"O Brasil não faz parte das rotas do turismo global", diz uma análise feita pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade, vinculada ao Ministério da Economia, no ano passado.

O texto cita que "no Brasil, 93% dos visitantes são locais" e "[em 2019] a participação no PIB era de 7,7% e com alta empregabilidade, mas com um crescimento estagnado".

A permanência de velhos problemas e o aparecimento de novos levam o Brasil a deixar de aproveitar um setor que poderia ter um impacto positivo de forma considerável na economia, na melhoria dos serviços, na conservação dos espaços nas cidades, entre outros ganhos.

Para Alexandre Panosso Netto, coordenador de pós-graduação em Turismo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores da pesquisa, esse caminho de desenvolvimento não se torna uma política séria de Estado por algumas razões: "concorrência de várias áreas e a incompreensão dos pontos positivos do turismo como vetor e alavanca de inclusão social, de valorização da cultura e de diversificação de pensamentos e aprendizado".

"O turista estrangeiro gastava por volta de US$ 110 por dia no Brasil até a pandemia. Em 2019 foi por volta de US$ 6 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao país. Então dobrar ou triplicar o número de visitantes representaria dobrar ou triplicar esse montante."

Museu do Amanhã tornou-se uma das principais atrações turísticas do Rio — Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Museu do Amanhã tornou-se uma das principais atrações turísticas do Rio — Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL/via BBC

O mercado de trabalho também teria a ganhar com o turismo.

"Não é só financeiro, o aumento do número de empregos gerados e o efeito multiplicador do turismo seriam grandes."

Veja abaixo alguns fatores que prejudicam que o turismo brasileiro decole:

1) Imagem ruim no exterior

Brasil foi considerado segundo país mais perigoso para mulheres que viajam sozinhas em ranking — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Brasil foi considerado segundo país mais perigoso para mulheres que viajam sozinhas em ranking — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Violência, corrupção, ambiente hostil para mulheres e para o público LGBTQ+, somados à deterioração nos últimos anos da imagem do país em campos como meio ambiente e a gestão da pandemia do coronavírus, não criam um cenário muito atraente para turistas considerarem o Brasil como destino, afirma Panosso Netto.

Seu estudo cita um índice criado pelos jornalistas Asher e Lyric Fergusson que ranqueia os países mais perigosos para mulheres que viajam sozinhas. O Brasil é listado na segunda posição, atrás apenas da África do Sul.

A mudança do slogan oficial do turismo brasileiro em 2019 também não ajudou na imagem brasileira. A frase usada para promoção, "Visit and love us" (Visite e nos ame, em tradução literal), foi considerada de pouca fluência e de construção pouco usual no inglês, além de soar com conotação sexual para alguns turistas estrangeiros.

O pesquisador também diz que a ligação do país a histórias que envolvem corrupção "influenciam como o turista nacional e internacional vê o destino Brasil. Se é um destino com notícias de corrupção, também se pode imaginar que é um destino inseguro".

Ele diz que países com problemas relacionados à corrupção como México e Turquia, mas com grande número de visitantes, conseguem contornar a questão pela proximidade a grandes mercados consumidores internacionais e a criação de ilhas de excelência turística.

2) Falta de continuidade em políticas e planejamento

"Políticas de turismo específicas precisam ser baseadas em um processo de planejamento contínuo", diz o estudo.

Para um desenvolvimento mais sustentável do setor é preciso que o Ministério do Turismo e a Embratur tenham grande qualidade técnica, com um planejamento de longo prazo.

Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS), cidade que é citada como exemplo de boa estratégia de longo prazo, por ter começado na década de 1990 a trabalhar o potencial turístico e hoje é um destino bastante solicitado — Foto: PREFEITURA DE BONITO/via BBC
Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS), cidade que é citada como exemplo de boa estratégia de longo prazo, por ter começado na década de 1990 a trabalhar o potencial turístico e hoje é um destino bastante solicitado — Foto: PREFEITURA DE BONITO/via BBC

Panosso Netto cita Bonito, em Mato Grosso do Sul, como um exemplo de um destino que vivenciou processo de melhora e desenvolvimento através dos anos.

"Há ótimos exemplos de boas práticas turísticas nos interiores do Brasil. Bonito, em Mato Grosso do Sul, com sua diversidade ecológica e turismo de alto nível, é um exemplo disso. Mas essa qualidade de Bonito não foi alcançada de uma hora para a outra. Começou no início dos anos 1990. Estamos falando, portanto, de mais de 30 anos de trabalho."

Mas problemas com a conservação ambiental derivados do desmatamento vem impactando o ecoturismo da região. A abertura de áreas para agricultura impacta na cor das suas águas, um dos grandes trunfos de Bonito. Cerca de 70% da população local depende do turismo.

Políticas de turismo também incluem a identificação de oportunidades em diferentes mercados, como o latino-americano.

"É preciso se preparar para receber o turista argentino, uruguaio, chileno, peruano, boliviano, paraguaio etc. Não podemos estar dar as costas à América Latina."

3) Qualidade dos serviços varia muito

A falta de maior profissionalização na parte de serviços é algo constantemente apontado como problemático. "Esse é um dos itens mais criticados pelos profissionais do setor", afirma Panosso Netto.

O pesquisador acha que seria também uma forma de desenvolver a própria área de empreendedorismo no país.

"O turismo é a porta de entrada de muitos empreendedores de primeira viagem. Termos que transformar isso em um ponto positivo a nosso favor. O governo pode criar programas de formação continuada do turismo, tal como já existiram no passado, a exemplo do Curso de Formação de Gestores de Políticas Públicas do Turismo Nacional."

Educação sobre como funcionam o mercado e o atendimento a turistas domésticos e internacionais, além do aprendizado efetivo de idiomas, seriam formas de capacitação.

Mas há um outro problema estrutural, segundo o professor da USP: "A dificuldade em acessar o crédito para o investimento em empreendimentos turísticos pequenos também é imensa".

4) Transporte aéreo e deslocamento

Aeroporto de Guarulhos — Foto: AGÊNCIA BRASIL/via BBC
Aeroporto de Guarulhos — Foto: AGÊNCIA BRASIL/via BBC

Segundo a pesquisa, embora o ambiente entre 2000 e 2019 no mercado aéreo "tenha melhorado a oferta e a competição nas rotas principais, especialmente aquelas conectando as capitais dos Estados e grandes centros urbanos, o acesso regional ainda é caro e, na maioria dos casos, insatisfatório".

Para Panosso Netto, "o transporte aéreo está deveras caro pelo preço do querosene e a política de impostos dos combustíveis e taxas aeroportuárias. Além disso, as viagens rodoviárias são prejudicadas pelas condições das rodovias; e se as rodovias são boas, os pedágios são caros".

O tamanho continental do Brasil, que de uma forma pode ser uma vantagem pela variedade de ofertas, acaba gerando um problema pelo deslocamento.

"Acredito que os destinos regionais devam se unir mais para compartilharem os turistas que por eles passam. Ou seja, a gestão regional do turismo deve ser fortalecida, junto com a criação de roteiros regionais com produtos e serviços de alta qualidade", diz o professor da USP.

O estudo defende "alinhar o ambiente regulatório, jurídico e tributário que rege a aviação brasileira, ao ambiente internacional. A evolução que viveu o setor nestes 20 anos não permite que sigamos admitindo que o Brasil tenha sérias diferenças e distorções entre nossas regras nacionais, que acabam gerando ofertas e produtos mais caros aos consumidores, e o que se pode ofertar no exterior".

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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entenda por que o Catar é tão rico

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País tem a terceira maior reserva de gás natural do mundo, e o território é menor que o do estado de Sergipe. Seu PIB per capita é o 6º do mundo.
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Por g1

Postado em 23 de novembro de 2022 às 20h00m

 #.*Post. - N.\ 10.566*.#

Vista geral da cidade de Doha, no Catar — Foto: Marko Djurica/REUTERS
Vista geral da cidade de Doha, no Catar — Foto: Marko Djurica/REUTERS

O Catar é uma das nações mais ricas do mundo —o produto interno bruto (PIB) per capita do país é de mais de US$ 85 mil, o sexto melhor do planeta. O país é uma pequena península, menor do que o estado de Sergipe, no meio do Golfo Árabe.

O poder econômico permitiu que governo gastasse mais de US$ 200 bilhões em infraestrutura para poder ser sede da Copa de 2022.

Esse dinheiro todo vem de uma fonte: petróleo. A economia depende fortemente de venda petróleo e gás natural, ainda que haja um plano para diversificar as fontes de receita. A Copa é parte desse plano.

O país tem 13% de todas as reservas de gás natural do mundo (o Catar é o dono da terceira maior reserva desse produto).

Essa riqueza é dividida por 2,5 milhões de pessoas, sendo que os catarianos são uma minoria de menos de 12% do total.

Produção de petróleo

O país tem uma gigante reserva de gás natural, mas a produção de petróleo, apesar de muito grande para um país minúsculo, não é das maiores: são cerca de 600 mil barris por dia.

A quantidade de petróleo já encontrada é de mais de 25 bilhões de barris —isso permite que o Catar mantenha a atual produção por 56 anos. O país foi a primeira nação árabe a integrar a Opep, o cartel dos países produtores de petróleo, em 1960.

País era pobre até a década de 1970

Catar garante bons benefícios a seus cidadãos -- mas não aos estrangeiros — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters
Catar garante bons benefícios a seus cidadãos -- mas não aos estrangeiros — Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Há cerca de 50 anos, quando o país se tornou independente do Reino Unido, o Catar era um dos países mais pobres do Golfo Árabe.

Tradicionalmente, o principal alicerce econômico da região era a extração de pérolas. Na década de 1940 houve a primeira descoberta de petróleo no campo de Dukhan. Foi nesse momento que a economia do país começou a mudar, ainda que, no primeiro momento, lentamente, por causa da Segunda Guerra Mundial.

No embalo da Copa, Catar investe no desenvolvimento da Cidade da Educação
No embalo da Copa, Catar investe no desenvolvimento da Cidade da Educação

Durante a década de 1970, as mudanças no país se aceleraram. A produção de óleo, inicialmente, ficou nas mãos de empresas estrangeiras. Os catarianos começaram a nacionalizar o setor, e, a partir de 1977, a estatal QatarEnergy se tornou a principal do país —as estrangeiras prestam serviços para a empresa do país.

O principal campo de gás natural do Catar é o Campo Norte, que foi descoberto nos anos 1970. Esse é um dos maiores campos de gás natural do mundo.

Diversificação de fontes de riqueza

O plano para diversificar o PIB não é uma novidade: há uma grande empresa aérea, Qatar Airways, e uma grande rede de jornalismo internacional no país, a al Jazeera. Indústria, construção e serviços financeiros também têm crescido consistentemente no país.

Hoje, a produção de óleo e gás é de cerca de metade do PIB.

O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, durante a inauguração do novo Porto Hamad, em Doha, no dia 5 de setembro de 2017 — Foto: Handout/Qatar News Agency/AFP
O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, durante a inauguração do novo Porto Hamad, em Doha, no dia 5 de setembro de 2017 — Foto: Handout/Qatar News Agency/AFP

Ditadura, mas com estado de bem-estar social

O Catar não é uma democracia. As decisões são tomadas pela dinastia Al Thani e seus conselheiros. Os cidadãos não têm influência significativa nos rumos do país.

Eles recebem alguns benefícios derivados das riquezas naturais. O governo distribui incentivos para contar com a lealdade e apoio dos catarianos. Veja abaixo uma lista de alguns dos benefícios que os cidadãos do Catar têm:

  • Não pagam Imposto de Renda;
  • Há muitos empregos com altos salários no setor público;
  • Sistema de saúde gratuito;
  • Educação superior gratuita;
  • Apoio financeiro para quem se casa;
  • Auxílio moradia;
  • Subsídios para a conta de energia;
  • Boas aposentadorias
Mão-de-obra

Mais de 88% dos moradores do Catar são de outros países. Esses imigrantes são, majoritariamente, do sul da Ásia e da África. O país depende dos trabalhadores dessas regiões. Para conseguir construir a infraestrutura da Copa, o Catar recorreu a essa mão-de-obra.

Além dos estádios, o Catar construiu um novo sistema de metrô e novas rodovias. Essas construções foram aceleradas pela Copa.

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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Proporção da dívida dos mercados emergentes sobe para picos recordes, aponta IIF

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Déficits orçamentários e crescimento econômico mais lento elevaram a relação dívida/PIB nas economias em desenvolvimento para 254%, igualando recorde do primeiro trimestre de 2021.
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TOPO
Por Rodrigo Campos, Reuters

Postado em 22 de novembro de 2022 às 19h15m

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Dólar — Foto: Freepik
Dólar — Foto: Freepik

A relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) dos mercados emergentes voltou a atingir recordes, apesar de um declínio de US$ 6,4 trilhões na dívida global, para US$ 290 trilhões, no terceiro trimestre. A queda da dívida foi consequência de um dólar mais forte e da desaceleração das vendas de títulos, segundo relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

Déficits orçamentários e crescimento econômico mais lento elevaram a relação dívida/PIB nas economias em desenvolvimento para 254%, o que iguala um recorde do primeiro trimestre de 2021, disse o IIF em seu mais recente Monitor da Dívida Global, publicado nesta terça-feira (22).

O montante da dívida geral dos mercados emergentes, no entanto, caiu para US$ 96,2 trilhões, contra US$ 98,7 trilhões no trimestre anterior. Enquanto isso, a relação dívida global/PIB caiu pelo sexto trimestre consecutivo, para 343% do PIB.

"A conta global de juros soberanos deve aumentar rapidamente, principalmente na África subsaariana, mas também na Europa emergente" , escreveu Emre Tiftik, diretor de pesquisa de sustentabilidade do IIF, no relatório.

Autoridades e agências de classificação alertaram que as pressões da dívida sobre as frágeis economias em desenvolvimento estão longe de terminar e mais inadimplências são prováveis.

O custo mais alto do serviço da dívida pode prejudicar particularmente os países mais expostos aos efeitos da mudança climática, disse o IIF.

O grupo de comércio bancário global disse em seu relatório trimestral que, apesar de uma redução na dependência da dívida em dólar nos últimos anos, ela permanece em níveis altos na América Latina e na África, "deixando muitos países fortemente expostos a oscilações nos mercados de câmbio".

Fora da esfera soberana, empresas menores e famílias de baixa renda foram as mais atingidas pelo custo crescente dos empréstimos.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

O meteorito que reforça tese de que água da Terra veio do espaço

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Rocha espacial que atingiu uma cidade da Inglaterra no ano passado continha água semelhante aos oceanos do nosso planeta.
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Por Jonathan Amos, BBC

Postado em 21 de novembro de 2022 às 10h40m

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Meteorito de Winchcombe se desprendeu de um asteróide entre Marte e Júpiter — Foto: BBC
Meteorito de Winchcombe se desprendeu de um asteróide entre Marte e Júpiter — Foto: BBC

Um meteorito que caiu na cidade de Winchcombe, no sudeste da Inglaterra, no ano passado, continha água que correspondia quase perfeitamente com a existente na Terra.

Isso reforça a ideia de que rochas do espaço podem ter trazido componentes químicos importantes, incluindo água, para o nosso planeta no início da sua história, bilhões de anos atrás.

Este meteorito é considerado o mais importante já recuperado no Reino Unido.

Os cientistas, que acabaram de publicar a primeira análise detalhada, dizem que o objeto rendeu informações fascinantes.

Mais de 500g de detritos escuros foram recolhidos de jardins residenciais, calçadas e campos depois que uma bola de fogo gigante iluminou o céu noturno de Winchcombe.

Os restos fragmentados foram cuidadosamente catalogados no Museu de História Natural de Londres e depois emprestados a equipes em toda a Europa para serem investigados.

A água representava até 11% do peso do meteorito — e continha uma proporção muito semelhante de átomos de hidrogênio à da água na Terra.

Alguns cientistas dizem que a Terra quando jovem era tão quente que teria expelido grande parte de seu conteúdo volátil, incluindo água.

O fato de a Terra ter tanta água hoje — 70% de sua superfície é coberta por oceanos — sugere que deve ter havido um acréscimo posterior.

Alguns afirmam que isso pode ser proveniente de um bombardeio de cometas gelados — mas a composição química deles não coincide tanto.

Mas os condritos carbonáceos — meteoritos como o de Winchcombe — certamente coincidem.

 — Foto: BBC
— Foto: BBC

E o fato de ter sido recuperado menos de 12 horas após a queda significa que absorveu muito pouca água terrestre, ou até mesmo quaisquer contaminantes.

"Todos os outros meteoritos foram comprometidos de alguma forma pelo ambiente terrestre", diz Ashley King, principal coautor do estudo, do Museu de História Natural de Londres, à BBC News.

"Mas o de Winchcombe é diferente por causa da rapidez com que foi recolhido."

"Isso significa que, quando analisamos (o meteorito), sabemos que a composição que estamos vendo nos leva de volta à composição no início do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos."

"Fora buscar amostras de rocha de um asteroide com uma espaçonave, não poderíamos ter um espécime mais intocado."

Trajetória precisa

Os cientistas que examinaram os compostos orgânicos contendo carbono e nitrogênio do meteorito, incluindo seus aminoácidos, tiveram uma imagem igualmente nítida.

É o tipo de química que poderia ter sido matéria-prima para a biologia começar nos primórdios da Terra.

A nova análise também confirma a origem do meteorito.

As imagens dos vídeos da bola de fogo permitiram que os pesquisadores elaborassem uma trajetória muito precisa.

Um cálculo retroativo indica que o meteorito veio da parte externa do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

Um fragmento do meteorito de Winchcombe foi recentemente vendido em leilão por mais de 120 vezes o valor de seu peso em ouro — Foto: NHM/BBC
Um fragmento do meteorito de Winchcombe foi recentemente vendido em leilão por mais de 120 vezes o valor de seu peso em ouro — Foto: NHM/BBC

Outras pesquisas revelam que ele se desprendeu da parte superior de um asteroide maior possivelmente devido a umacolisão.

Em seguida, levou apenas de 200 mil a 300 mil anos para chegar à Terra, conforme revela o número de átomos específicos, como o néon, criados na matéria do meteorito por meio da irradiação constante de partículas espaciais de alta velocidade, ou raios cósmicos.

"0,2 a 0,3 milhão de anos parece muito tempo — mas, do ponto de vista geológico, é realmente muito rápido", explica Helena Bates, do Museu de História Natural de Londres.

"Os condritos carbonáceos precisam chegar rapidamente aqui ou não sobrevivem, porque são tão quebradiços, tão frágeis que simplesmente se desintegram."

'Mais segredos'

A primeira análise dos cientistas, publicada na edição desta semana da revista Science Advances, é apenas uma visão geral das propriedades do meteorito de Winchcombe.

Mais uma dúzia de artigos sobre temas mais específicos devem ser publicados em breve em uma edição da revista Meteoritics & Planetary Science.

E não deve parar por aí.

"Os pesquisadores vão continuar estudando este espécime nos próximos anos, desvendando mais segredos sobre as origens do nosso Sistema Solar", afirmou Luke Daly, coautor do estudo, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-63669358

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A remota ilha no Atlântico Sul que recebe lixo do mundo todo pelo mar

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Uma maré de restos de plástico de todo o mundo chega à Ilha de Ascensão, dizem ambientalistas.
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Por BBC

Postado em 21 de novembro de 2022 às 09h10m

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"O plástico é um material ótimo, mas ele nunca vai embora", diz Fiona Llewellyn — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC
"O plástico é um material ótimo, mas ele nunca vai embora", diz Fiona Llewellyn — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC

Milhares de pedaços de plástico do mundo todo estão poluindo o litoral de uma remota ilha do Atlântico Sul, segundo ambientalistas e pesquisadores.

O lixo encontrado na costa sudoeste da Ilha de Ascensão veio de países como China, Japão e África do Sul, dizem os ativistas.

A equipe de pesquisadores e ativistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) passou cinco semanas avaliando o tamanho da poluição no local.

Mais de 900 espécies de vida marinha estão ameaçadas pela poluição, segundo eles.

A Ilha de Ascensão possui uma grande variedade de espécies nativas e elas estão sendo afetadas pela poluição plástica. É o caso do caranguejo terrestre, da ave fragata e de várias espécies de tubarões, tartarugas, peixes e aves.

A ilha remota, que pertence ao Reino Unido, tem sido alvo de muitos projetos de conservação de biodiversidade.

"Há muito plástico sendo mal usado. É de partir o coração", diz a bióloga marinha Fiona Llewellyn, da ZSL, à BBC. Ela diz que grandes empresas e governos precisam assumir a responsabilidade pela poluição que causam.

Llewellyn e sua equipe encontraram mais de 7 mil pedaços de plástico durante sua expedição.

Ambientalistas limpando o litoral da ilha — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC
Ambientalistas limpando o litoral da ilha — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC

A pequena ilha, com população de apenas 800 pessoas, está preocupada com a poluição. Apenas uma pequena quantidade de plástico no seu litoral vem da própria ilha. Llewellyn afirma: "É fácil ver que a maior parte vem de outros lugares".

Os animais estão ingerindo o plástico e ficando enrosacados nele, o que pode causar danos. Há preocupações crescentes sobre o microplástico entrando na cadeia alimentar.

Os tipos de plástico mais comuns na ilha são garrafas, pedaços de plástico rígido que se quebraram, equipamentos de pesca e pontas de cigarro.

Grande parte do lixo acaba encalhado em penhascos que são difíceis e perigosos de alcançar. "Foi realmente um desafio descer as rochas para chegar a este litoral e contar todo o plástico que estava lá", diz ela.

Pesquisadores percorreram a ilha com o apoio de moradores e do governo — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC
Pesquisadores percorreram a ilha com o apoio de moradores e do governo — Foto: ZSL, ALICE CHAMBERLAIN/via BBC

A equipe de conservação da ZSL trabalha com o governo da Ilha de Ascensão, o St Helena National Trust, o governo de Santa Helena, a Universidade de Exeter e a Universidade Nelson Mandela da África do Sul em um esforço para combater a poluição plástica.

O projeto total terá duração de três anos e consiste em monitorar as correntes e o movimento da água, identificar as garrafas plásticas, avaliar suas datas de validade e produção e entender quando e onde elas podem ter entrado na água.

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