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sábado, 12 de novembro de 2022

O que Ciência diz sobre pessoas sem parentesco que se parecem muito fisicamente

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Grupo de pesquisadores entrou em contato com pessoas em diferentes partes do mundo. O que eles descobriram ao estudá-las é fascinante.
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TOPO
Por BBC

Postado em 12 de novembro de 2022 às 20h35m

 #.*Post. - N.\ 10.553*.#

Pesquisa mostra que supersósias podem compartilhar parte de DNA mesmo sem terem parentesco
Pesquisa mostra que supersósias podem compartilhar parte de DNA mesmo sem terem parentesco

Agnes estava viajando de trem quando um homem se aproximou dela e começou a conversar sobre assuntos de que ela não tinha ideia. O sujeito logo percebeu que "ela não era quem ele pensava". E não demorou muito para ele dizer que conhecia seu doppelgänger, um termo alemão para "sósia".

Agnes foi incentivada a conhecer a amiga de seu companheiro de trem e, pelo Facebook, viu Ester. Mais tarde, elas se conheceram pessoalmente.

"Nós nos demos muito bem imediatamente. Não é apenas nossa aparência, mas nossas personalidades também se assemelham."

Para Ester, "é estranho e maravilhoso ver parte de você em outra pessoa".

Mas o que torna a experiência muito especial fato de que ela e a sósia são semelhantes em caráter e interesses. "Temos os mesmos gostos: música, roupas, tatuagens."

Quando Ester tinha 32 anos e Agnes tinha 28, posaram para François Brunelle, que compartilhou a história das duas holandesas com a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

O fotógrafo canadense lembra que, ao vê-las, sentiu-se "muito feliz por ver o quanto eles se pareciam".

O artista passou anos retratando pessoas, em diferentes partes do planeta, que não são parentes e se parecem muito.

Foi assim, na imagem abaixo, que ele fotografou Ester e Agnes em 2015.

Agnes e Ester em foto tirada por François Brunelle — Foto: François Brunelle via BBC
Agnes e Ester em foto tirada por François Brunelle — Foto: François Brunelle via BBC

Agnes e Ester são apenas duas das centenas de participantes do projeto de Brunelle, "Eu não sou um sósia!".

Talvez você já tenha visto nas redes sociais, pois também se deparou com uma das centenas de artigos na internet com fotos de pessoas não famosas que se parecem com figuras públicas ou celebridades muito parecidas entre si.

De fato, uma dessas comparações que se tornou popular nos últimos anos é a do fundador da equipe Ferrari, o italiano Enzo Ferrari, e a do jogador de futebol alemão de origem turca Mesut Ozil.

Mesut Ozil (esq.), jogador de futebol alemão, nasceu em 1988, e Enzo Ferrari, fundador da equipe Ferrari, nasceu na Itália em 1898 — Foto: Getty Images via BBC
Mesut Ozil (esq.), jogador de futebol alemão, nasceu em 1988, e Enzo Ferrari, fundador da equipe Ferrari, nasceu na Itália em 1898 — Foto: Getty Images via BBC

O que Brunelle pode não ter imaginado quando iniciou seu projeto é que ele se tornaria a base para pesquisas científicas pioneiras.

Ele foi contatado por um grupo de especialistas do Instituto Josep Carreras de Pesquisa em Leucemia de Barcelona, na Espanha, ​​​​que estão tentando entender as semelhanças físicas entre indivíduos que não têm vínculos familiares.

Manel Esteller, diretor do instituto e professor de Genética da Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, ​​liderou o estudo e contou à BBC News Mundo sobre as fascinantes descobertas.

Sob escrutínio

Em agosto, os resultados da pesquisa, iniciada em 2016, foram publicados na revista científica Cell Reports.

Os autores explicaram que o estudo, em nível molecular, visava "caracterizar seres humanos aleatórios que compartilhavam objetivamente características faciais".

Quatro pares, incluídos no estudo, que apresentam semelhanças em seu DNA — Foto: François Brunelle via BBC
Quatro pares, incluídos no estudo, que apresentam semelhanças em seu DNA — Foto: François Brunelle via BBC

São os indivíduos que, por sua "alta semelhança", são chamamos coloquialmente de sósias.

Os pesquisadores entraram em contato com Brunelle e com as 32 duplas voluntárias que participaram de seu projeto.

As fotos de seus rostos foram analisadas com três softwares de reconhecimento facial, como os usados, por exemplo, em aeroportos, na polícia ou para desbloquear celulares.

"Estes são programas que informam o quão semelhante um rosto é comparado a outro", explicou Esteller.

Em gêmeos, por exemplo, a similaridade detectada por esses programas chega a 90%-100%.

No estudo, eles foram usados ​​para determinar o grau de "semelhança" dos rostos e encontraram "uma alta taxa".

"O número de pares que foram correlacionados por pelo menos dois programas foi muito alto (75% de similaridade em 25 de 32)", disse o instituto em um comunicado.

De acordo com Esteller, isso é "muito próximo da capacidade humana de reconhecer gêmeos idênticos".

Em metade dos pares, todos os três programas encontraram correlações, ou seja, 16 pares extremamente semelhantes.

Os resultados

Os pesquisadores analisaram "o material biológico" dos participantes, algo que foi um pouco "complicado" de obter porque estavam "em países diferentes", disse o médico.

Assim, amostras de DNA da saliva foram coletadas e analisadas.

"Estudamos esse material biológico, o genoma e mais dois componentes: o epigenoma, que são como marcas químicas que controlam o DNA, e também o microbioma, o tipo de vírus e bactérias que temos."

O genoma, a genética, foi o que acabou unindo "os casais", enquanto a epigenética e o microbioma - aspectos relacionados ao meio ambiente - os distanciaram.

"O que o estudo está mostrando é que o mais importante nesses casos é que (os pares) têm genética parecida, uma sequência de DNA parecida, e (a semelhança) não é porque eles têm famílias em comum, não há relação entre eles."

"É porque o acaso, com certeza, acabou criando sequências ou áreas de DNA idênticas para essas pessoas."

De fato, os pesquisadores retrocederam "séculos e séculos" na história familiar dos voluntários e "não encontraram nenhum parente comum entre eles".

Entre sequências

As sequências referidas pelo especialista são decisivas na formação dos aspectos característicos do nosso rosto.

O fato de duas pessoas se parecerem tanto é "como jogar na loteria": é muito difícil você ganhar o prêmio, mas você pode ter sorte.

Acaso criou sequências ou áreas de DNA idênticas entre pares de pessoas estudados, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC
Acaso criou sequências ou áreas de DNA idênticas entre pares de pessoas estudados, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC

"Essas duas pessoas, apesar de não serem parentes, acabam tendo variantes genéticas que lhes dão a mesma forma." Ou seja, certas características de seu DNA são semelhantes.

Imagine que ambas as pessoas compartilham uma variante que torna as sobrancelhas mais grossas, outra que torna os lábios mais grossos, outra que as faz ter um certo tipo de queixo e assim por diante.

"Juntas, todas essas variantes tornam seus rostos parecidos. A semelhança pode ser expressa em porcentagem e tem a ver precisamente com os diferentes graus em que as variantes genéticas são compartilhadas."

Além do físico

Este estudo é inovador no campo da genética porque, como Sarah Kuta aponta na revista Smithsonian, embora "pode parecer óbvio que pessoas com características faciais semelhantes também teriam um pouco do mesmo DNA, ninguém havia provado isso cientificamente até agora."

Semelhança física deriva de uma semelhança genética, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC
Semelhança física deriva de uma semelhança genética, dizem cientistas — Foto: Getty Images via BBC

Mas também há algo que vai além do físico. Os voluntários foram convidados a preencher um questionário com mais de 60 perguntas sobre seus hábitos de vida "para ver se eles também eram semelhantes nisso e, em alguns casos, havia semelhanças", disse o professor.

Outros aspectos físicos como peso, idade e altura também foram analisados. O estudo descobriu que, entre os 16 casais muito semelhantes, "muitos tinham pesos semelhantes, e a análise de seus fatores biométricos e de estilo de vida também mostrou que havia semelhanças".

"Traços comportamentais como tabagismo e nível de escolaridade foram correlacionados em pares semelhantes, sugerindo que a variação genética compartilhada está relacionada não apenas à aparência física, mas também pode influenciar hábitos e comportamentos comuns", afirma o comunicado.

Um dos aspectos que Esteller gostaria de aprofundar com esta pesquisa é o seu potencial de aplicação na Biomedicina.

"Identificamos genes e suas variantes que são importantes na determinação do formato do rosto e, portanto, do nariz, boca, testa, orelhas, e que também podem estar envolvidos em patologias. De um rosto, podemos deduzir parcialmente o genoma dessa pessoa. e isso pode ser útil para a triagem inicial para doenças genéticas."

O objetivo seria estar atento a qualquer mutação que torne uma pessoa propensa a desenvolver uma determinada doença para ajudar a evitá-la.

Questão de números

Os pesquisadores reconhecem que o estudo é pequeno, mas acreditam que é "corretamente alimentado", então, eles estão confiantes de que suas descobertas não mudarão se forem feitas em um grupo maior.

"Como a população humana é agora de 7,9 bilhões, é cada vez mais provável que essas repetições semelhantes ocorram", disse Esteller no comunicado.

"A análise de um conjunto maior fornecerá mais variantes genéticas compartilhadas por esses pares individuais especiais e também poderá ser útil para elucidar a contribuição de outras camadas de dados biológicos para definir nossos rostos."

Então é muito provável que tenhamos um sósia?

"Uma pessoa 100% idêntica a um de nós é difícil, mas uma pessoa 75% ou 80% idêntica a nós provavelmente já está por aí, porque existem muitas pessoas no mundo", respondeu o médico.

Depois de anos fotografando estranhos muito parecidos, Brunelle está fascinado.

"Acho que as pessoas são iguais em todos os lugares, uma vez que você faz uma busca um pouco mais profunda. Somos uma espécie, qualquer que seja a nossa aparência!"

- Texto originalmente publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/curiosidades-63600059

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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Reinfecção por coronavírus mais do que dobra risco de morte, diz estudo nos EUA com grupo na faixa dos 60 anos

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Pesquisa feita com mais de 480 mil pessoas demonstrou que o risco é cumulativo e quanto mais infecções, mais chances de desenvolver sequelas ou morrer.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 11 de novembro de 2022 às 17h40m

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Variante da ômicron descoberta no Brasil — Foto: NIAD-NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS
Variante da ômicron descoberta no Brasil — Foto: NIAD-NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS

Um estudo publicado na revista científica "Nature" na quinta-feira (10) demonstrou que reinfecções por Covid-19 aumentam o risco de morte, hospitalização e desenvolvimento de sequelas em múltiplos sistemas de órgãos.

Embora amplo, o público pesquisado é formado por pacientes mais velhos, na faixa dos 60 anos, e geralmente homens, o que não reflete a população em geral (veja mais abaixo).

De acordo com a pesquisa liderada por Ziyad Al-Aly e uma equipe da Universidade de Washington, quando comparadas com um grupo de não infectados, as pessoas que tiveram várias infecções apresentam um risco cumulativo para a saúde. Ou seja, quanto mais infecções, mais chances de desenvolver Covid longa.

Entre as sequelas apontadas estão problemas pulmonares, cardiovasculares, gastrointestinais, renais, psicológicos e neurológicos, além de diabetes. De acordo com os pesquisadores, "os riscos foram evidentes independentemente do estado vacinal".

O estudo comparou 443.588 pessoas com uma única infecção com 40.947 que tiveram reinfecções. Dos reinfectados, 37.997 tiveram duas infecções, 2.572 tiveram três infecções e 378 sofreram quatro ou mais infecções. Todos foram acompanhados durante seis meses depois da última infecção ou reinfecção.

Para aqueles que contraíram a doença apenas uma vez, a taxa de mortalidade é de 16,77 a cada 1.000 pessoas. Já para os reinfectados, a taxa saltou para 36,10 a cada 1.000 pessoas, ou seja, mais do que dobrou. A chamada fase aguda, que compreende os 30 dias após a infeção, é o período mais crítico. No caso das hospitalizações, a taxa triplicou entre os reinfectados.

Eles também tiveram riscos elevados para problemas nos pulmões, coração, sangue, rins, ossos e músculos, além de diabetes, questões de saúde mental e desordens neurológicas.

"Mesmo se a pessoa tiver tido uma infecção prévia e sido vacinada, o que significa que tem uma dupla imunidade da infecção anterior e mais as vacinas, ela ainda está suscetível a resultados adversos ao se reinfectar", disse Al-Aly. 
Limitações do estudo

Apesar de a amostragem de pacientes ser considerada expressiva, que contou com os bancos de dados de saúde do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, os pesquisadores reconhecem que a maioria das pessoas eram homens brancos e na faixa etária de 60 anos, o que é apenas um recorte específico e não representa toda a complexidade da realidade.

Especialistas não envolvidos no estudo ponderam ainda que, entre os veteranos, geralmente, tem mais idosos e pessoas doentes do que na população geral.

Além disso, outra conclusão dos pesquisadores é que para reduzir a carga geral de morte e doença pelo SARS-CoV-2 será necessário desenvolver estratégias para prevenção de reinfecções.

Covid longa

Um estudo holandês publicado em agosto apontou que um em cada oito adultos infectados com o vírus Sars-CoV-2 experimenta sintomas de Covid longa, que é quando um ou mais sintomas persistem quatro semanas após a infecção.

A pesquisa descobriu que vários sintomas eram novos ou mais graves três a cinco meses depois de a pessoa ter tido Covid-19, em comparação com os sintomas antes da infecção e grupo controle (que não positivou para o vírus). Os principais sintomas registrados foram:

  • Dor no peito
  • Dificuldade respiratória
  • Dor ao respirar
  • Dor nos músculos
  • Perda do tato/cheiro
  • Formigamento das mãos/pés
  • Nódulo na garganta
  • Sensação alternada de frio/calor
  • Braços e pernas cansados
  • Cansaço geral

Outro estudo, baseado em dados de pesquisas e registros eletrônicos de saúde no Reino Unido, revelou que ser mulher, apresentar problemas de saúde em geral antes da pandemia, ter entre 50 e 60 anos, sofrer de asma e ter sobrepeso ou obesidade são fatores de risco para o desenvolvimento da Covid longa.

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Como Gautam Adani, homem mais rico da Ásia, conseguiu aumentar espetacularmente sua fortuna

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Conexões políticas e alta do petróleo após invasão da Ucrânia fizeram o magnata indiano subir no ranking dos mais ricos do mundo.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de novembro de 2022 às 15h00m

 #.*Post. - N.\ 10.551*.#

Adani subiu rapidamente no ranking dos mais ricos do mundo — Foto: Getty Images via BBC
Adani subiu rapidamente no ranking dos mais ricos do mundo — Foto: Getty Images via BBC

Homens, brancos, dos Estados Unidos ou de algum país europeu. Assim era formado até pouco tempo o exclusivo clube das 5 pessoas mais ricas do mundo.

Mas isso mudou há apenas algumas semanas, quando o empresário indiano Gautam Adani desbancou Bill Gates, fundador da Microsoft, da quarta posição e tirou o megainvestidor Warren Buffett do grupo, segundo os índices de bilionários elaborados pela revista Forbes e pela agência de notícias Bloomberg.

O magnata indiano entrou no seleto círculo porque sua fortuna teve um aumento significativo nos últimos anos e, em particular, nos últimos 12 meses. Hoje, estima-se que as empresas e bens de Adani ultrapassem US$ 125 bilhões, que é o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai de 2021.

Só no ano passado, a riqueza do empresário aumentou em US$ 48,7 bilhões, fazendo dele o homem mais rico de toda a Ásia.

Em contrapartida, os outros membros do clube (Elon Musk, fundador da Tesla e novo dono do Twitter; Bernard Arnault, dono da Louis Vuitton; Jeff Bezos, fundador da Amazon; e Bill Gates) sofreram perdas significativas, devido às turbulências que os mercados vêm sofrendo, especialmente após a invasão russa da Ucrânia.

Um sobrevivente

Adani é fundador de um conglomerado de empresas chamado Adani Group, que tem negócios em setores que vão desde infraestrutura e logística até energia.

Mas como esse império começou?

Adani não ficou milionário por herança. Ele nasceu em junho de 1962 em uma família de classe média em Ahmedabad, no Estado de Gujarat, perto de Mumbai. Seu pai era um pequeno comerciante têxtil. Depois de terminar o colégio, ele começou a estudar negócios na Universidade de Gujarat, mas desistiu no segundo ano.

Em 1981, seu irmão mais velho comprou uma fábrica de plásticos em Ahmedabad e o convidou para fazer parte do negócio. Adani se dedicava à importação de PVC, mas anos depois expandiu para outros produtos – e começou a exportar tecidos, produtos agrícolas e pedras preciosas (diamantes).

A sorte sorriu para ele. Foi assim que, em 1995 ele passou a operar seu primeiro porto na Índia, e hoje opera vários em todo o país.

Mas a prosperidade atraiu a atenção de grupos criminosos – e um deles o sequestrou em 1997, quando estava saindo de um clube exclusivo. Ele foi liberado horas mais tarde, mas depois de pagar US$ 1,5 milhão, segundo a imprensa local.

Anos depois, em 26 de novembro de 2008, quando Adani estava no luxuoso Taj Mahal Palace Hotel em Mumbai, o mesmo foi atacado por extremistas islâmicos. O empresário estava jantando com colegas, mas saiu ileso, pois conseguiu se esconder no porão do prédio até que as tropas indianas conseguiram liquidar os terroristas.

"Vi a morte a 4 metros", declarou mais tarde. 
Conexões com o poder

Dos portos e da distribuição de mercadorias, Adani saltou para o setor de energia. Assim, hoje ele não só possui usinas geradoras de energia elétrica, como também empresas que a distribuem e comercializam diretamente para os lares indianos.

Relação de Adani com o premiê Modi é, para muitos, a explicação para o surpreendente sucesso do empresário — Foto: Getty Images via BBC
Relação de Adani com o premiê Modi é, para muitos, a explicação para o surpreendente sucesso do empresário — Foto: Getty Images via BBC

Também é dono do controverso projeto Carmichael, na Austrália, uma mina de carvão a céu aberto que abastece usinas de energia, pelo qual recebeu duras críticas de ambientalistas e até processos judiciais.

No entanto, em seu país ele tem fábricas que desenvolvem painéis solares e também centros de processamento de dados.

Além do faro e da visão para os negócios, na Índia há quem acredite que existem outros motivos que explicam o sucesso de Adani. Uma dessas razões é sua relação com o atual primeiro-ministro do país, o nacionalista hindu Narendra Moodi, com quem mantém uma relação próxima desde a época em que era governador do Estado de Gujarat (2001-2014), onde Adani nasceu e onde estão as sedes de suas empresas.

"Ele obteve tratamento preferencial do Estado", disse o pesquisador Hemidra Hazari à rede americana CNBC.

Em 2019, Adani ganhou o contrato para administrar seis aeroportos no país, apesar de não ter experiência nesta área.

"Na Índia, está ocorrendo algo parecido com o que aconteceu com os oligarcas russos, após a dissolução da União Soviética, que enriqueceram com a privatização de antigas propriedades soviéticas enormes, conglomerados e monopólios setoriais, graças a seu acesso aos líderes", acrescentou Hazari.

Além disso, Adani tem sido um importante financiador do Bharatiya Janata, o partido de Moodi. E prova disso é que, quando o primeiro-ministro chegou ao poder em 2014, ele usou o avião do magnata para voar de Gujarat a Nova Déli, a capital do país, para assumir o cargo, informou o jornal britânico Financial Times em novembro de 2020.

Com o aval do governo, Adani agora quer se aventurar em outra área: as comunicações. Em agosto, fez uma oferta para adquirir 26% da New Delhi Television (NDTV), a principal emissora de notícias do país. Alguns no país veem isso como mais um passo que favorece as chances de Moodi, face as eleições gerais de 2024.

As conexões de Adani com o poder político indiano também parecem tê-lo protegido das turbulências financeiras que a invasão russa da Ucrânia causou. A razão? O governo Moodi se recusou a impor sanções a Moscou e, em resposta, o Kremlin decidiu vender à Índia seu petróleo e gás com desconto.

Essa política explicaria por que Adani é um dos poucos bilionários que viu o valor de suas empresas subir nos últimos meses.

Neste ano, o preço das ações da Aldani Power, a divisão de energia do grupo, subiu 293%, enquanto da Adani Gas aumentou 146%, de acordo com os relatórios da Bloomberg.

- Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63584455

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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Tomate, cebola, passagem aérea, etanol: veja as 50 maiores altas e baixas em outubro e no acumulado de 12 meses

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Na inflação acumulada em 12 meses, cebola lidera, superando 150% de alta, e gasolina e etanol têm maiores quedas; passagem aérea está novamente entre os itens que mais subiram no mês e em 12 meses.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 10 de novembro de 2022 às 11h35m

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Passagem aérea, limão e tomate estão entre os vilões da inflação de outubro  — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo, TVCA/ Reprodução e Eddie Pipocas/Unplash
Passagem aérea, limão e tomate estão entre os vilões da inflação de outubro — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo, TVCA/ Reprodução e Eddie Pipocas/Unplash

O tomate voltou a ser um dos vilões da inflação em outubro, assim como o pepino, a batata-inglesa e o limão. A passagem aérea está novamente entre os itens que mais subiram no mês e é o único entre os 10 com as maiores altas em outubro que não está no grupo de alimentos.

Já o leite longa vida voltou a dar trégua e foi o segundo item com maior queda no mês de outubro, perdendo apenas para o melão. O óleo diesel e a gasolina também recuaram, assim como o transporte por aplicativo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acelerou para 0,59% em outubro. A alta veio após três deflações seguidas - quedas de 0,68%, 0,36% e 0,29%, respectivamente, em julho, agosto e setembro.

No acumulado de 12 meses, a cebola lidera o ranking dos 50 itens com maior alta, superando os 150%. O limão vem em seguida, com avanço de mais de 90%. A passagem aérea novamente é destaque de alta, com mais de 40%. E o óleo diesel também, com mais de 30%.

Entre os destaques de queda, o etanol e a gasolina foram os campeões. A energia elétrica vem na quinta colocação, abaixo do tomate e do pimentão.

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A 'máquina do tempo do clima' que mostra aquecimento global desde o século 19

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Agência espacial americana mapeou o aumento da temperatura da Terra de 1884 a 2022.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de novembro de 2022 às 06h20m

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O Estúdio de Visualização Científica da Nasa mapeou o aumento da temperatura da Terra de 1884 a 2022.

Os dados coletados por sonda infravermelha atmosférica (AIRS, ou Atmospheric Infrared Sounder) da Nasa a bordo da nave espacial Aqua também mostram a distribuição global da concentração de CO2 em um período de 20 anos.

- Este vídeo foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/media-63546224

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