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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Nível de emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2021 tem a maior alta desde 2003, aponta relatório

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Dados da 10ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima apontam que o crescimento no ano passado atingiu 12,2% e foi puxado por desmatamento, energia e agropecuária. 
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Por g1

Postado em 02 de novembro de 2022 às 07h40m

 #.*Post. - N.\ 10.536*.#

Fogo consome terras recentemente desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. Incêndio e desmatamento na Amazônia, na região Norte do Brasil. — Foto: Andre Penner/AP
Fogo consome terras recentemente desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. Incêndio e desmatamento na Amazônia, na região Norte do Brasil. — Foto: Andre Penner/AP

O Brasil emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico (CO2) equivalente, um aumento de 12,2% em relação a 2020. Isso representa a maior alta em quase duas décadas. É o que aponta a mais recente edição do "Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima", o SEEG, divulgado nesta terça-feira (1º).

Segundo o relatório, a maior alta só foi verificada em 2003, ano em que o país atingiu o recorde histórico de emissões.

"Naquele ano, a alta foi de 20%, puxada pela explosão do desmatamento na Amazônia".

"Está muito claro que nós temos um governo que se revelou uma verdadeira bomba climática, máquina de gerar aquecimento global e jogar carbono para a atmosfera no planeta. Temos um governo que negou a agenda de clima e fez tudo o que podia para destruir a governança ambiental do país, especialmente na Amazônia", disse Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, durante a apresentação dos dados.

Veja alguns pontos do relatório:

  • O crescimento em 2021 ocorreu em quase todos os setores da economia e foi puxado por desmatamento, energia e agropecuária.
  • O setor de energia emitiu 435 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2021 contra 387 milhões em 2020. A maior alta em 50 anos.
  • A agropecuária teve as maiores emissões da série histórica: 601 milhões de toneladas, contra 579 milhões em 2020.
  • O setor de resíduos foi o único que não teve aumento - 91,1 milhões de toneladas contra 91,2 milhões em 2020.
  • O setor de mudança de uso da terra, representado em sua maior parte pelo desmatamento da Amazônia e no Cerrado, foi o grande vilão das emissões. "O aumento das emissões brutas do setor, de 18,5%, só é superado na série histórica pelo ano de 2003", diz o documento.
Emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2021 — Foto: SEEG/Observatório do Clima
Emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2021 — Foto: SEEG/Observatório do Clima

Para Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, o balanço de dez anos do Sistema, mostra que o Brasil teve uma década perdida para controlar sua poluição climática.

“Desde a regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, em 2010, nós estamos patinando. Não apenas não conseguimos reduzir nossas emissões de maneira consistente, como as aumentamos nos últimos anos, e de forma expressiva”, destaca.

“O Brasil tem as ferramentas de política pública, a tecnologia e os recursos para mudar sua trajetória, mas é preciso que o governo e a sociedade entendam que isso é fundamental para dar segurança à população em tempos de eventos extremos acelerados e também para alavancar a economia", finaliza o coordenador do SEEG.

Estimativa de Emissões de gases de efeito estufa no Brasil — Foto: SEEG/Observatório do Clima
Estimativa de Emissões de gases de efeito estufa no Brasil — Foto: SEEG/Observatório do Clima

O coordenador do SEEG explica que o gráfico acima aponta três padrões. "Entre 1900 e 2003 tivemos um período de aumento das emissões. A partir de 2004 até 2010 temos uma forte redução das emissões no Brasil, puxada pela redução do desmatamento. Desde então, a gente vem num processo de sobe e desce, com tendência de subida até chegar a 2021".

Setor de mudança de uso da terra: o grande vilão

O setor de mudança de uso da terra, representado em sua maior parte pelo desmatamento da Amazônia e no Cerrado, foi a principal fonte de emissão de gases do Brasil em 2021. Segundo o relatório do SEEG, o desmatamento na Amazônia respondeu por 77% das emissões por mudanças de uso da terra em 2021.

O Brasil vem batendo recordes de desmatamento nos últimos anos. “A taxa de desmatamento em 2021 na Amazônia Legal foi de 13.038 km², a maior desde 2006, quando o desmatamento estava em franco decréscimo desde os 27.772 km² vistos em 2004. Isso demonstra que o aumento das emissões atualmente está refletindo esse retrocesso nos padrões de desmatamento”, comenta Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.

No Cerrado, as emissões foram de 117 milhões de toneladas, com aumento de 4%. Também houve aumento de 65% no carbono emitido pelo desmatamento da Mata Atlântica.

Estimativa de emissões de gases de efeito estufa por estado em 2021 — Foto: SEEG/Observatório do Clima
Estimativa de emissões de gases de efeito estufa por estado em 2021 — Foto: SEEG/Observatório do Clima

Agropecuária

"Se fosse um país, o agro brasileiro seria o 16º maior emissor do planeta, à frente da África do Sul", comparam os pesquisadores. A agropecuária teve as maiores emissões da série histórica: 601 milhões de toneladas. A pecuária é a principal fonte desse aumento. Na agricultura, pesaram a alta no consumo de fertilizantes nitrogenados e o volume de calcário nas lavouras.

“O mais preocupante é que, mesmo com os compromissos assumidos pelo país em sua NDC (a meta no Acordo de Paris), no Compromisso Global do Metano e no Plano ABC, que tem mais de dez anos, em 2021, tivemos o recorde de emissões para a pecuária e a agricultura do Brasil”, salienta Renata Potenza, coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora.

“Considerando as metas de redução de emissões assumidas na NDC do país para 2025 e 2030, o patamar atual torna o alcance dessas metas cada vez mais distante", completa Potenza.

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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Bolsonaro virou resultado em 253 municípios no 2º turno, principalmente em MG, RS e SP;

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Lula não virou em nenhuma cidade Mesmo assim, petista venceu em 3.125 cidades, enquanto o candidato do PL foi o mais votado em 2.445.
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Por Fábio Vasconcellos, g1

Postado em 01 de novembro de 2022 às 13h40m

 #.*Post. - N.\ 10.535*.#

Lula e Bolsonaro — Foto: Andre Penner/AP; Bruna Prado, Pool/AP
Lula e Bolsonaro — Foto: Andre Penner/AP; Bruna Prado, Pool/AP

Um total de 253 municípios teve virada de preferência eleitoral nesse segundo turno. São cidades em que Luiz Inácio Lula da Silva tinha conseguido desempenho melhor que Jair Bolsonaro no primeiro turno, mas, agora, deram vitória para o candidato do PL. Não houve viradas a favor do candidato do PT.

No primeiro turno da eleição mais acirrada desde a redemocratização, Lula ganhou em 3.378 cidades, e Bolsonaro em 2.192. Já no segundo turno, o petista venceu em 3.125 cidades, enquanto o candidato do PL foi o mais votado em 2.445.

A maioria das cidades com virada de votos foi em Minas Gerais, onde Bolsonaro recebeu o apoio do governador reeleito Romeu Zema (Nova). No estado, 66 municípios deram vitória para Bolsonaro, superando a votação dada para o candidato do PT. No Rio Grande do Sul, também houve virada em 53 municípios, seguido de São Paulo, com 32.

Na cidade de Oliveira (MG), por exemplo, o presidente eleito Lula (PT) havia tido a maioria dos votos (47,67%) no 1º turno, contra 42,35% do Bolsonaro. Simone Tebet (MDB), por sua vez, teve 5,27% e Ciro Gomes (PDT), 3,23%. Contudo, neste domingo (30), Bolsonaro venceu Lula no município com uma diferença de 165 votos.

Outra cidade mineira com virada foi Betim. Com mais de 233 mil votos válidos, Lula e Bolsonaro terminaram o primeiro turno praticamente empatados, com leve vantagem para o petista: 45,8% contra 45,4%. No segundo turno, Bolsonaro conquistou a maioria dos votos, mas agora com vantagem ainda maior que a do petista no primeiro turno: 52,4% contra 47,6% para Lula.

No Estado do Rio, duas cidades deram vitória para Bolsonaro, invertendo o resultado do primeiro turno: Mendes e Engenheiro Paulo de Frontin. Na primeira, Lula tinha recebido 46,6% dos votos contra 45,4% para Bolsonaro. No segundo turno, Bolsonaro avançou alcançando 51% dos votos. Em Paulo de Frontin, Lula recebeu 47% dos votos no 1º Turno e o candidato do PL, 45,3%. Dessa vez, Bolsonaro saiu vencedor no município com 50,4% dos votos.

O mesmo ocorreu no município de Ananindeua (Pará). Bolsonaro reverteu votos e conseguiu vencer na cidade por 1.572 votos. No 1º turno, Lula havia conseguido 45,34% dos votos, contra 43,59% de Bolsonaro. Em seguida, vieram Simone Tebet (MDB, 6,46%) e Ciro Gomes (PDT, 3,48%). No Estado do Pará, outras três cidades também houve virada a favor de Bolsonaro: Monte Alegre, Vitória do Xingu e Eldorado dos Carajás.

Alguns dos municípios que reverteram votos no 2º turno — Foto: Arte/g1
Alguns dos municípios que reverteram votos no 2º turno — Foto: Arte/g1

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Produção industrial cai 0,7% em setembro, aponta IBGE

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Segunda taxa negativa consecutiva foi marcada pela queda disseminada entre a maioria dos ramos industriais. Resultado deixa o setor 2,4% abaixo do patamar pré-pandemia e 18,7% abaixo do nível recorde.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

Postado em 01 de novembro de 2022 às 11h00m

 #.*Post. - N.\ 10.534*.#

Linha de produção em indústria de alimentos em São Paulo em registro feito em dezembro de 2021 — Foto: José Fernando Ogura/AEN/PR
Linha de produção em indústria de alimentos em São Paulo em registro feito em dezembro de 2021 — Foto: José Fernando Ogura/AEN/PR

A produção industrial brasileira caiu 0,7% na passagem de agosto para setembro, tendo retração em 21 dos 26 ramos industriais, apontam os dados divulgados nesta terça-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esta foi a segunda taxa negativa consecutiva - em agosto, após revisão feita pelo IBGE, o recuo também foi de 0,7% - com queda acumulada de 1,4% nestes dois meses. No ano, o setor acumula queda de 1,1%.

Já na comparação com setembro do ano passado, a indústria apresentou crescimento de 0,4%. Com isso, o indicador acumulado em 12 meses ficou em -2,3%, mantendo trajetória ascendente, o que demonstra ligeiro ganho de fôlego.

Diante destes resultados, o patamar de produção da indústria brasileira ficou 2,4% abaixo do nível pré-pandemia e 18,7% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011.

“Podemos dizer que há uma redução no ritmo da produção industrial. Isso fica bem evidenciado não apenas nesses dois meses de queda em sequência, mas também na maior frequência de taxas negativas nos últimos quatro meses, com três variações negativas", avaliou o gerente da pequisa, André Macedo. 
Trimestre em queda

Diante dos resultados negativos de agosto e setembro, a indústria brasileira fechou o terceiro trimestre do ano com queda de 0,3% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

"Este resultado vem após três trimestres seguidos de crescimento", ressalvou o gerente da pesquisa André Macedo.

Entre o 4º trimestre do ano passado e o segundo trimestre deste ano, a produção industrial acumulou crescimento de 1,5%, insuficiente para reverter a perda acumulada nos três primeiros trimestres de 2021, que foi de -6,0%

Maior impacto da indústria alimentícia e metalúrgica

Frente a agosto, a maior influência negativa partiu da indústria de produtos alimentícios, com queda de 2,9%, segunda taxa negativa seguida, acumulando perda de 6,1% nestes dois meses.

Macedo ponderou que estas duas quedas aconteceram após três meses seguidos de crescimento, período em que houve ganho acumulado de 6,7%.

"Produtos derivados de soja, açúcar e carnes de aves são itens importantes no entendimento dessa queda no setor alimentício em setembro”, destacou o pesquisador.

A segunda maior influência negativa em setembro oi do setor de metalurgia, com recuo de 7,9% em relação a agosto, a queda mais intensa desde janeiro de 2021, quando foi de -9,9%, nesse tipo de comparação.

“Mas é importante lembrar que esse segmento industrial vem de dois meses com resultados positivos, acumulando 2,4% nesse período", ressalvou Macedo.

Queda disseminada

Dentre os 26 ramos industriais pesquisados, apenas cinco apresentaram crescimento da produção na passagem de agosto para setembro, algo que não era visto desde o começo do ano.

“Esse perfil disseminado de queda na produção, com apenas 5 setores avançando seu ritmo produtivo, não era observado desde janeiro de 2022, quando apenas 4 segmentos industriais mostraram crescimento".

Entre as grandes categorias econômicas, todas mostraram recuo na produção em setembro.

  • bens de capital: caiu 0,5% - após ter crescido 5,2% em agosto;
  • bens intermediários: caiu 1,1%, após ter caído 1,4% em agosto;
  • bens de consumo: caiu 0,8%, após ter caído 1,0% em agosto;
  • bens de consumo duráveis: caiu 0,2%, após ter crescido 6,1% em agosto;
  • bens de consumo semi e não duráveis: caiu 1,4%, após ter caído 1,4% em agosto;
Indústria automotiva puxa alta interanual

A base baixa de comparação levou a indústria a apresentar crescimento de 0,4% na comparação com setembro do ano passado - naquele mês, a indústria havia recuado 4,1% na comparação com igual mês de 2020.

Houve crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 12 dos 26 ramos pesquisados, mas partiu da indústria automotiva, com alta de 20,3%, a maior influência positiva sobre este resultado.

“O segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias é o que mais pressiona positivamente e mantém o total do setor industrial no campo de crescimento. Vale destacar a influência da base de comparação, uma vez que essa atividade recuou 8,8% em setembro do ano passado. Isso ajuda a explicar a magnitude de expansão observada nesse mês”, explico o gerente da pesquisa.

Segundo macedo, automóveis, autopeças e caminhões são os produtos com maior avanço na produção na comparação com setembro do ano passado.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2022

"Greenwashing”: mentiras sobre neutralidade carbono de países e empresas podem levar a aquecimento de 2,8°, diz ONU

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O apelo feito pelo secretário geral da ONU teve como alvo os governos, principalmente do Grupo das vinte economias avançadas (G20), do qual o Brasil faz parte, bem como atores privados e instituições financeiras.
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TOPO
Por RFI

Postado em 31 de outubro de 2022 às 10h30m

 #.*Post. - N.\ 10.533*.#

A seca é uma das consequências das mudanças climáticas. Na foto o lago Poyang, na província de Jiangxi, na China, que em agosto perdeu 90% de sua superfície em menos de dois meses. — Foto: Reuters
A seca é uma das consequências das mudanças climáticas. Na foto o lago Poyang, na província de Jiangxi, na China, que em agosto perdeu 90% de sua superfície em menos de dois meses. — Foto: Reuters

Os objetivos da neutralidade do carbono são inúteis se não agirmos para cumpri-los, afirmou o secretário-geral da ONU nesta quinta-feira (27), destacando que o mundo "não pode mais permitir o greenwashing", termo em inglês que consiste em manter um discurso ecológico ao mesmo tempo em que se promove práticas não sustentáveis. Diferenças entre promessas e práticas de países e empresas sobre neutralidade carbono poderiam levar o mundo a um aquecimento de 2,8°C. 

"Os compromissos de neutralidade do carbono não valem nada sem planos, políticas e ações que os apoiem", disse Antonio Guterres, em um vídeo divulgado por ocasião da publicação da avaliação anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre o progresso dos compromissos assumidos no Acordo de Paris de 2015.

"Os compromissos climáticos globais e nacionais são lamentavelmente insuficientes", disse Guterres no vídeo, divulgado a menos de duas semanas do início da conferência climática COP27 da ONU no Egito.

"Em outras palavras, caminhamos para uma catástrofe global", alertou Guterres. Além disso, ele pediu que mais objetivos sejam alcançados para respeitar o compromisso do acordo climático de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, e a 1,5 ºC, se possível.

O público-alvo do vídeo são os governos, particularmente do Grupo das vinte economias avançadas (G20), do qual o Brasil faz parte, bem como atores privados e instituições financeiras.

Greenwashing

Cada vez mais governos, empresas e cidades firmam compromissos com a neutralidade do carbono, mas na maioria dos casos não serão cumpridos até 2050. "Nosso mundo não pode permitir mais o greenwashing", alertou Guterres.

O grupo de especialistas estabelecido pelo secretário-geral para desenvolver padrões e avaliar os compromissos de neutralidade do carbono por parte de atores não estatais informará suas conclusões na COP27.

Milhares de empresas anunciaram objetivos de neutralidade do carbono, mas muitas são suspeitas ou inclusive acusadas abertamente de não cumprir com seus compromissos.

Esse "greenwashing" é facilitado ainda mais pela falta de um marco internacional comum para avaliar e supervisionar os compromissos de redução das emissões. Guterres também mencionou a necessidade de investir "maciçamente" em energias renováveis, pedindo a criação de um "pacto histórico entre as economias desenvolvidas e emergentes do G20" para impulsionar a transição energética.

Aquecimento de 2,8 graus

Um dia após a Secretaria para Mudança Climática da ONU ter afirmado que os compromissos atuais estão muito distantes de responder às metas fixadas em Paris, a avaliação do PNUMA reforçou o alerta. De acordo com o relatório, os compromissos de redução de emissões deixam o mundo a caminho de um aquecimento global de até 2,6 graus Celsius até o fim do século.

O relatório examina a diferença entre a poluição por CO2, de acordo com os planos dos países para descarbonizar suas economias, e o que a ciência considera ser necessário para conter o aquecimento entre 1,5ºC e 2ºC em comparação com a era pré-industrial.

Além de serem insuficientes, o documento também alerta para o não cumprimento destas metas, o que levaria a um aquecimento ainda maior, de 2,8°C, muito acima das metas do Acordo de Paris.

Pacto

No ano passado, durante a COP26 de Glasgow, os países assinaram um "pacto" para estimular o reforço a cada ano das contribuições em nível nacional. Mas apenas 24 países cumpriram o acordo, segundo o PNUMA.

O relatório afirma que os últimos compromissos anunciados pelos países, denominados "contribuições determinadas em nível nacional" (NDC), reduziriam as emissões em 5% até 2030 em relação à trajetória atual para os acordos feitos sem condições e em 10% para aqueles efetuados com condições de financiamento ou ações externas.

Isto, em termos de aquecimento, implica que as contribuições sem condições "apresentam uma possibilidade de 66% de limitar o aquecimento a cerca de 2,6°C até o final do século".

Considerando os compromissos que apresentam condições, o resultado é um pouco melhor, mas provocaria um aumento de 2,4°C, que continua muito acima dos objetivos do Acordo de Paris.

Quando são considerados os compromissos de "neutralidade de carbono" que vários países anunciaram recentemente, o aumento pode ser contido a 1,8ºC.

"Mas esta perspectiva atualmente é inverossímil", destacaram os especialistas no relatório, que aponta "divergências" entre as promessas e os resultados.

Covid

Em 2020, as emissões globais caíram 7%, em linha com o nível esperado para manter o aquecimento global em 1,5°C, devido ao fato de que a crise da Covid-19 paralisou grande parte da atividade mundial.

Mas o aumento em 2021 pode fazer deste ano um recorde em termos de emissões, destaca o PNUMA.

"Vemos uma recuperação completa nas emissões após a Covid. É uma oportunidade perdida em termos de uso dos fundos de recuperação sem precedentes para acelerar uma transição verde", afirmou à AFP Anne Olhoff, principal autora do relatório.

(Com informações da AFP)

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domingo, 30 de outubro de 2022

A comunicação secreta das tartarugas marinhas e outros animais

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Gabriel Jorgewich-Cohen diz que suas gravações de 53 espécies marinhas mudam o que sabemos sobre a evolução dos sons.
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TOPO
Por BBC

Postado em 30 de outubro de 2022 às 08h10m

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As tartarugas conseguem comunicar-se, mas só agora os seres humanos se dispuseram a ouvi-las — Foto: GETTY IMAGES
As tartarugas conseguem comunicar-se, mas só agora os seres humanos se dispuseram a ouvi-las — Foto: GETTY IMAGES

Um cientista estudou 53 criaturas aquáticas que, segundo se acreditava, não emitiam sons. E ele descobriu que, na verdade, elas conseguem se comunicar.

Gabriel Jorgewich-Cohen indica que essas criaturas sempre emitiram suas mensagens, mas os seres humanos nunca haviam pensado em ouvi-las.

Ele usou microfones para gravar as espécies, incluindo tartarugas, comunicando que queriam acasalar-se ou que estavam saindo dos seus ovos. E suas descobertas reescrevem parte do que sabemos sobre a evolução.

Elas indicam que todos os vertebrados que respiram pelo nariz e usam o som para comunicar-se descendem de um ancestral comum, que viveu 400 milhões de anos atrás.

Existe forte debate na biologia evolutiva para descobrir se as coisas vivas descendem de um único ancestral ou de diversas origens diferentes.

Jorgewich-Cohen é estudante de PhD da Universidade de Zurique, na Suíça, e começou a trabalhar com a hipótese de que os animais marinhos poderiam comunicar-se usando o som. Ele empregou equipamento de som e vídeo para gravar 53 espécies em cativeiro em todo o mundo, incluindo o zoológico de Chester, na Inglaterra. Elas incluíram 50 tartarugas, um tuatara, um peixe-pulmonado e uma cobra-cega.

Acreditava-se que esses animais não emitissem sons, mas Jorgewich-Cohen sugere que eles só não foram ouvidos porque é difícil detectá-los.

"Conhecemos o canto de um pássaro. Você não precisa de ninguém para saber o que é. Mas alguns desses animais são muito silenciosos ou emitem um som a cada dois dias", explicou ele à BBC News.

Jorgewich-Cohen também sugere que os seres humanos têm preferência pelas criaturas que vivem em terra e, por isso, ignoram as espécies aquáticas.

Vídeos dos animais gravados quando eles emitem ruídos permitiram a ele associar os sons a determinados comportamentos, diferenciando-os de sons acidentais que não transmitem mensagens.

"As tartarugas marinhas cantam de dentro dos ovos para sincronizar a eclosão", ele conta. "Se elas chamarem de dentro [dos ovos], todas elas saem juntas e é mais fácil evitar que sejam comidas."

Os tuataras fazem ruídos para impedir que outros animais invadam seu território — Foto: GETTY IMAGES
Os tuataras fazem ruídos para impedir que outros animais invadam seu território — Foto: GETTY IMAGES

O pesquisador afirma que as tartarugas também fazem ruídos para indicar que querem acasalar-se. Ele indica vídeos de sons de acasalamento das tartarugas que são populares nas redes sociais.

Jorgewich-Cohen também gravou ruídos emitidos por tuataras — uma espécie de réptil da Nova Zelândia — para proteger seu território. Ele então começou a analisar o que a descoberta revela sobre a evolução dos animais que emitem sons.

Os fósseis, muitas vezes, não "contam" o suficiente aos cientistas sobre animais que viveram milhões de anos atrás. Por isso, eles comparam o comportamento dos animais vivos.

Usando uma técnica conhecida como análise filogenética, Jorgewich-Cohen rastreou a relação entre os animais que produzem sons.

A técnica compara o comportamento de uma espécie, mapeando-a como em uma árvore genealógica. Se, por exemplo, um ser humano e um chimpanzé se comportarem fazendo ruídos, isso sugere que o ancestral comum às duas espécies também produzia sons.

O pesquisador concluiu que toda a comunicação acústica dos vertebrados descende de um ancestral comum, 400 milhões de anos atrás - no período devoniano, quando a maioria das espécies vivia embaixo d'água.

Esta conclusão contradiz pesquisas recentes que rastrearam a comunicação por som a diversas espécies diferentes, 200 milhões de anos atrás.

A bióloga Catherine Hobaiter, que não fez parte da pesquisa, afirmou à BBC News que as gravações dessas 53 espécies foram bem recebidas e aumentam nosso conhecimento sobre a comunicação acústica.

"Comparar espécies como chimpanzés e seres humanos só nos leva até poucos milhões de anos atrás", explica ela. "Precisamos observar como as características comuns entre parentes muito mais distantes ampliam nossa compreensão até centenas de milhões de anos atrás."

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Communications.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-63410505

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