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sábado, 1 de outubro de 2022

Como as 'habilidades digitais' no mercado de trabalho estão mudando com o tempo

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Mercado passou a exigir que colaborador trabalhe de maneira adaptável e estratégica usando diversas ferramentas, aparelhos e plataformas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de outubro de 2022 às 09h00m

 #.*Post. - N.\ 10.490*.#

Ter competências digitais antes significava ter conhecimento básico de computadores. Mas, agora, é preciso trabalhar de forma adaptável e estratégica usando diversas ferramentas, aparelhos e plataformas — Foto: Getty Images via BBC
Ter competências digitais antes significava ter conhecimento básico de computadores. Mas, agora, é preciso trabalhar de forma adaptável e estratégica usando diversas ferramentas, aparelhos e plataformas — Foto: Getty Images via BBC

A expressão "alfabetização digital" costumava significar saber mandar e-mails ou digitar com um programa de processamento de texto.

Era um conhecimento muito exigido dos trabalhadores do conhecimento - pessoas que poderiam usar softwares específicos no trabalho e precisariam saber como lidar com eles de forma clara e natural.

Mas essa expressão evoluiu significativamente. Alfabetização digital agora significa conhecer as técnicas necessárias para ter sucesso em uma sociedade em que a comunicação e o acesso à informação dependem cada vez mais das tecnologias digitais, como plataformas online e telefones celulares.

O conceito engloba a ampla compreensão de uma série de ferramentas digitais que permitem que o profissional desempenhe suas funções, seja no escritório, de forma híbrida ou remota em todos os tipos de ambientes. Essas ferramentas incluem software colaborativo em tempo real, como aplicativos de bate-papo entre os profissionais, e ferramentas sofisticadas de trabalho assincrônico.

Atualmente, a alfabetização digital não é mais uma proposição funcional, mas sim uma mentalidade. No ambiente de trabalho moderno, espera-se cada vez mais que os funcionários adotem rapidamente qualquer tecnologia que venha com o seu trabalho e também que eles se adaptem às ferramentas e abordagens em constante evolução. Os profissionais também precisam usar a tecnologia de forma estratégica: desde trabalhar com seus telefones celulares pessoais até impulsionar programas de fluxo de trabalho colaborativos.

E, o mais importante, o conhecimento digital não é mais essencial apenas entre os trabalhadores do conhecimento. "Ele está sendo aplicado universalmente a quase todas as pessoas", afirma Ying Zhou, diretora do Centro de Pesquisas sobre o Futuro do Trabalho da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

Em 2019, um relatório do governo britânico demonstrou que pelo menos 82% das vagas de emprego anunciadas online exigiam conhecimentos digitais. E Zhou afirma que os profissionais que pararem de adquirir esses conhecimentos arriscam-se a ficar para trás.

"Cada nova tecnologia desenvolvida amplia as exigências de conhecimento dos profissionais", segundo ela. "É uma corrida entre o conhecimento digital e a tecnologia: quanto mais a tecnologia avança, mais rapidamente precisamos atualizar nossos conhecimentos. O alvo está mudando a todo tempo."

Por que todos precisam da alfabetização digital

"Alfabetização digital é um conceito amplo. Você pode trabalhar com aparelhos digitais de forma simples ou realizar tarefas muito complexas", prossegue Zhou.

"Ela pode variar desde a impressão de uma nota fiscal em uma loja até o uso de processadores de texto e planilhas de cálculo, além de serviços avançados como web design, análise de dados, programação de computadores e criação de códigos", afirma ela.

A demanda do mercado de trabalho por profissionais com conhecimento digital vem crescendo de forma consistente desde os anos 1980. Zhou menciona pesquisas que demonstram que, enquanto a exigência de técnicas de leitura e aritmética no mercado de trabalho britânico se estabilizou, o número de cargos exigindo conhecimentos digitais continuou a crescer.

Ao longo do tempo, os empregadores começaram a esperar um grau de conhecimento digital até para cargos não relacionados com a área técnica - desde operadores de armazéns que utilizam sistemas de gestão em nuvem até médicos que consultam pacientes de forma remota por vídeo e empreiteiros que gerenciam projetos de construção em aplicativos de colaboração móveis.

A tecnologia deixou de ser algo específico de alguns poucos setores.

"A alfabetização digital e a demanda dos empregadores por conhecimentos digitais evoluíram à medida que a economia e o mercado de trabalho foram sendo digitalizados", segundo Danny Stacy, chefe de inteligência e talentos da plataforma de recursos humanos Indeed, com sede em Londres. "O que costumava ser um bônus agora é um componente fundamental de virtualmente todos os cargos."

E essa exigência de alfabetização digital atingiu seu pico quando os empregadores adotaram padrões de trabalho híbrido ou remoto.

"Atualmente, os empregadores são muito mais capazes de identificar conhecimentos digitais específicos e indicar o nome do software que eles usam", segundo Stacy. "Exige-se maior capacidade de uso de softwares específicos e ferramentas de gestão de projetos e do escritório, para que os funcionários possam trabalhar com mais eficiência."

Mas o aumento da importância da alfabetização digital não significa que os profissionais precisem dominar todos os softwares existentes para conseguir um emprego. Na verdade, eles precisam ser confiantes na área digital; estar dispostos a experimentar novas tecnologias; adotar as ferramentas certas que podem facilitar as tarefas rotineiras e aumentar a colaboração no ambiente de trabalho; e também ter a flexibilidade e capacidade de adaptação para aprender novos processos.

E, atualmente, os profissionais precisam ter em mente que eles continuarão a atualizar seus conhecimentos digitais. Afinal, a expectativa quando um funcionário assume um novo cargo é que ele tenha o conhecimento digital necessário para a função ou que irá aprender - e rápido.

"O trabalho híbrido e remoto atingia apenas 5% do mercado de trabalho antes da pandemia", afirma Zhou. "Agora, é cerca da metade de todos os profissionais. Independentemente do trabalho que você fazia anteriormente, o empregador agora espera que você assimile todo e qualquer conhecimento digital que seja necessário para a sua função."

Como se antecipar

Uma notícia positiva é que os profissionais provavelmente já têm alguma alfabetização digital, mesmo se essa expressão for desconhecida para eles.

A onipresença da tecnologia significa que quase todas as pessoas enviam e-mails e outras mensagens, deslizam, clicam e rolam telas. Tudo isso frequentemente se traduz em conhecimentos tecnológicos no ambiente profissional. E, mesmo se os trabalhadores acharem que não atingiram o ponto que desejam ou precisam, existem formas de aprimorar esses importantes conhecimentos.

Quando seus funcionários precisam ser acelerados, as empresas muitas vezes oferecem treinamento para ajudá-los a adquirir qualquer conhecimento digital que seja necessário.

"Com a falta de profissionais, os empregadores estão demonstrando maior disposição do que antes para treinar e capacitar candidatos, em vez de buscar o produto final", afirma Stacy.

Essa capacitação pode assumir a forma de treinamento no trabalho, aprendizado online ou cursos de desenvolvimento. Mas Zhou pondera que uma das melhores formas que os funcionários têm para aumentar sua alfabetização digital é simplesmente fazer o seu trabalho em um processo de tentativa e erro.

"O aprendizado informal, compartilhando o conhecimento com os colegas, é uma das formas mais comprovadas de adquirir novas habilidades", afirma ele.

E o que as pessoas fazem fora do ambiente de trabalho também ajuda. Para os funcionários atrasados em sua alfabetização digital, o uso da tecnologia em casa oferece oportunidades para experimentar e aprender.

Conversar com um amigo em uma chamada de vídeo em vez de mensagem de texto, por exemplo, pode ajudar a familiarizar um funcionário com os aplicativos que ele usará no trabalho. Já o uso de redes sociais pode ajudá-lo a acostumar-se com as formas de comunicação mais informais que ele irá encontrar nas ferramentas de colaboração no local de trabalho.

Zhou afirma que, embora a maior parte dos profissionais no mercado de trabalho talvez não precise de conhecimentos de computação muito complexos no momento, a alfabetização digital é uma necessidade básica em constante crescimento. Isso significa que os profissionais que mantêm seu conhecimento tecnológico atualizado continuam a evoluir em um mercado de trabalho em constante mutação, que valoriza cada vez mais os conhecimentos digitais.

"Os conhecimentos digitais acabam oferecendo maior poder de barganha no mercado de trabalho", afirma Zhou. "O ambiente profissional mudou a favor de quem tem maior alfabetização digital."

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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

'Ossos cósmicos': James Webb revela detalhes inéditos da galáxia IC 5332

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Estrutura em espiral está a 29 mil anos-luz de distância da Terra.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 29 de setembro de 2022 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.489*.#

A galáxia IC 5332 e seus "ossos cósmicos", em nova foto do James Webb. — Foto: NASA/ESA/Divulgação
A galáxia IC 5332 e seus "ossos cósmicos", em nova foto do James Webb. — Foto: NASA/ESA/Divulgação

A 29 mil anos-luz de distância da Terra está uma galáxia bem parecida com a nossa Via Láctea, a IC 5332, quase perfeitamente alinhada no céu "de frente" com o nosso planeta.

A estrutura cósmica gigantesca já havia sido flagrada por outros telescópios, mas pela primeveira vez, o supertelescópio James Webb, o maior e mais poderoso telescópio espacial já construído, apontou seus instrumentos para ela.

As imagens do Webb, divulgadas nesta terça-feira (27), revelaram detalhes sem precedentes da galáxia em espiral.

Segundo a Nasa, a agência espacial norte-americana, os "ossos" da IC 5332, ou seja, as regiões escuras que separam os braços espirais da galáxia, geralmente escondidos pela poeira cósmica que envolve a região, puderam ser observados pela primeira vez.

E isso foi possível por causa de um motivo: o James Webb tem instrumentos muito gelados.

A agência espacial explica que o Instrumento de Infravermelho Médio (Mid-Infrared Instrument ou MIRI, na sigla em inglês) do megatelescópio foi o responsável pelo flagra.

O equipamento é como uma câmera que enxerga uma região do infravermelho médio do espectro eletromagnético em comprimentos de onda maiores do que nossos olhos veem.

Para funcionar, porém, o MIRI precisar estar a temperaturas baixíssimas: a cerca de –266 °C (um número muito perto do zero absoluto, a mais baixa temperatura possível, segundo as leis da Física).

"O infravermelho médio é incrivelmente difícil de observar da Terra, pois muito é absorvido pela atmosfera do nosso planeta, e o calor da atmosfera da Terra complica ainda mais as coisas", explica a ESA, a agência espacial europeia.

Ainda segundo a agência espacial, o telescópio Hubble, o "primo mais velho do Webb", não consegue enxergar essa região do infravermelho médio porque seus instrumentos não são frios o suficiente para isso.

Por isso, o flagra que o Hubble fez da mesma galáxia (veja a imagem abaixo) é bastante diferente da nova imagem do Webb.

Imagem do Hubble da mesma galáxia observada pelo James Webb, a IC 5332. — Foto: ESA/Webb, NASA & CSA, J. Lee and the PHANGS-JWST and PHANGS-HST Teams
Imagem do Hubble da mesma galáxia observada pelo James Webb, a IC 5332. — Foto: ESA/Webb, NASA & CSA, J. Lee and the PHANGS-JWST and PHANGS-HST Teams

Comparada com a imagem do Hubble, a imagem do Webb mostra um emaranhado contínuo de estruturas que ecoam a forma dos braços espirais.

Segundo a ESA, essa diferença se deve à presença de regiões empoeiradas na galáxia, já que a luz ultravioleta e visível (como o Hubble enxerga) são muito mais propensas a serem espalhadas pela poeira interestelar do que a luz infravermelha.

Dessa mesma forma, existem diferentes estrelas visíveis nas duas imagens, o que pode ser explicado pelo fato de certas estrelas brilharem mais dependendo da frequência observada.

"As imagens se complementam de maneira notável, cada uma nos contando mais sobre a estrutura e composição da IC 5332", complementou a agência.

(VÍDEO: Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.)

Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Navio que tentou avisar Titanic sobre iceberg é encontrado no Mar da Irlanda

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Navio mercante SS Mesaba e outras 272 embarcações foram descobertos graças a sonar que mapeou 19 quilômetros quadrados nas profundezas da costa irlandesa.
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Por g1

Postado em 28 de setembro de 2022 às 06h00m

 #.*Post. - N.\ 10.488*.#

Sonar possibilitou mapeamento de destroços do SS Mesaba, o que revelou detalhes que possibilitaram sua identificação — Foto: Universidade de Bangor
Sonar possibilitou mapeamento de destroços do SS Mesaba, o que revelou detalhes que possibilitaram sua identificação — Foto: Universidade de Bangor

Uma equipe de cientistas liderada pela Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, encontrou os destroços da embarcação que tentou avisar o RMS Titanic sobre a presença de um iceberg em seu caminho.

A descoberta deste e de mais 272 navios naufragados no Mar da Irlanda foi relatada pela arqueóloga marinha Dra. Innes McCartney, no livro "Echoes from the Deep" ("Ecos das profundezas", em português), publicado na terça-feira (27).

Em 1912, o SS Mesaba, um navio mercante, cruzava o Atlântico quando se deparou com um enorme iceberg. A tripulação enviou um aviso sobre o obstáculo, que foi recebido pelo Titanic, mas a mensagem não chegou à ponte de comando. Mais tarde naquela noite, o navio de passageiros colidiu com o iceberg e afundou. Cerca de 1500 pessoas morreram.

O SS Mesaba, por sua vez, continuou atuando como navio mercante por mais seis anos, até ser atingido por torpedos enquanto estava em comboio, em 1918.

A descoberta aconteceu graças ao Prince Madog, um sonar multifeixe de última geração usado pelos cientistas. O equipamento permitiu mapear mais de 19 quilômetros quadrados nas profundezas do Mar da Irlanda.

A análise detalhada, então, foi cruzada com dados do Escritório Hidrográfico do Reino Unido, revelando uma série de informações sobre a arqueologia marinha da região.

SS Mesaba era um navio mercante que continuou na ativa até 1918, quando foi torpedeado e afundou — Foto: State Library of Queensland
SS Mesaba era um navio mercante que continuou na ativa até 1918, quando foi torpedeado e afundou — Foto: State Library of Queensland

“Anteriormente, podíamos mergulhar em alguns locais por ano para identificar visualmente os destroços. As capacidades únicas de sonar do Prince Madog nos permitiram desenvolver um meio de custo relativamente baixo para examinar os destroços", afirmou McCartney, em comunicado à imprensa.

"A identificação de naufrágios como os documentados na publicação para pesquisas históricas e estudos de impacto ambiental é apenas um exemplo [do potencial do sonar]", disse Michael Roberts, cientista da Universidade de Bongor que participou do estudo.

"Também examinamos esses locais de naufrágio para entender melhor como os objetos no fundo do mar interagem com processos físicos e biológicos, o que, por sua vez, pode ajudar os cientistas a apoiar o desenvolvimento e o crescimento do setor de energia marinha.”

Novo vídeo do Titanic mostra detalhes do navio naufragado em alta definiçãoNovo vídeo do Titanic mostra detalhes do navio naufragado em alta definição
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terça-feira, 27 de setembro de 2022

A ‘ilusão do conhecimento’ que deixa as pessoas com excesso de confiança

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É fácil pensar que somos uma imensa fonte de conhecimento — na verdade, nós podemos ter muita experiência e habilidades, mas provavelmente sabemos menos do que pensamos.
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TOPO
Por David Robson, BBC

Postado em 27 de setembro de 2022 às 07h35m

 #.*Post. - N.\ 10.487*.#

A ilusão do conhecimento deixa as pessoas com excesso de confiança e pode prejudicar a vida profissional — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
A ilusão do conhecimento deixa as pessoas com excesso de confiança e pode prejudicar a vida profissional — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Se você se considera razoavelmente inteligente e instruído, talvez acredite que tenha uma boa compreensão das principais formas como o mundo funciona — conhecimento sobre as invenções conhecidas e os fenômenos naturais à nossa volta.

Agora, pense no seguinte: como se forma um arco-íris? Por que os dias de Sol podem ser mais frios que os nublados? Como um helicóptero voa? Como funciona a descarga do vaso sanitário?

Você consegue dar uma resposta detalhada a uma ou mais destas perguntas? Ou você tem apenas uma vaga ideia do que acontece em cada uma destas situações?

Se você for como grande parte das pessoas que participaram de estudos psicológicos sobre este tema, sua primeira impressão pode ser de que se sairia muito bem.

Mas, quando se pede uma resposta detalhada para cada questão, a maioria das pessoas fica totalmente desorientada — como você também pode ter ficado.

Este fenômeno é chamado de "ilusão do conhecimento". Você pode achar que estes exemplos específicos são triviais — afinal, são o tipo de pergunta que uma criança curiosa pode fazer, e a pior consequência poderia ser ficar com o rosto corado na frente da família.

Mas as ilusões de conhecimento podem prejudicar nosso julgamento em muitos campos. No ambiente de trabalho, por exemplo, podem nos levar a superestimar nosso conhecimento em uma entrevista, menosprezar as contribuições dos nossos colegas e assumir tarefas que somos totalmente incapazes de realizar.

Muitos de nós atravessamos a vida totalmente alheios a essa arrogância intelectual e suas consequências. A boa notícia é que alguns psicólogos indicam que pode haver formas extraordinariamente simples de evitar essa obscura armadilha do pensamento.

A simples observação passiva pode aumentar a confiança das pessoas nas suas habilidades para desempenhar tarefas complexas de vida ou morte, como fazer pousar um avião — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
A simples observação passiva pode aumentar a confiança das pessoas nas suas habilidades para desempenhar tarefas complexas de vida ou morte, como fazer pousar um avião — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

Desconhecimento desconhecido

A ilusão do conhecimento — também chamada de "ilusão da profundidade de explicação" — foi mencionada pela primeira vez em 2002.

Em uma série de estudos inéditos, os pesquisadores Leonid Rozenblit e Frank Keil, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, começaram fornecendo aos participantes exemplos de explicações de fenômenos científicos e mecanismos tecnológicos que foram avaliados em uma escala de 1 (muito vagos) a 7 (muito completos).

Este método permitiu que todos os participantes formassem o mesmo conceito do que significava a compreensão "vaga" ou "completa" de um tema.

Em seguida, veio o teste. Quando confrontados com outras questões técnicas e científicas, os participantes precisavam avaliar o quanto eles achavam que poderiam responder a cada uma delas, usando aquela mesma escala, antes de escrever sua explicação da forma mais detalhada possível.

Rozenblit e Keil descobriram que as avaliações iniciais dos participantes sobre sua própria compreensão eram, muitas vezes, dramaticamente otimistas.

Eles acreditavam que poderiam escrever parágrafos inteiros sobre cada assunto, mas muitas vezes forneciam respostas mínimas — e, depois, muitos ficavam surpresos com o pouco que sabiam sobre os temas questionados.

Os pesquisadores suspeitavam que o excesso de confiança era consequência da capacidade dos participantes de visualizar os conceitos em questão. Não é difícil imaginar o voo de um helicóptero, por exemplo. E a facilidade com que essa imagem vem à mente leva os participantes a sentir mais confiança para explicar a mecânica dos seus movimentos.

Desde este estudo original, diversos psicólogos vêm desvendando ilusões de conhecimento em vários contextos diferentes.

O professor de marketing Matthew Fisher, da Universidade Metodista do Sul, no Texas, Estados Unidos, por exemplo, descobriu que muitos universitários formados superestimam amplamente o alcance da sua formação depois que terminam seus estudos.

Da mesma forma que no primeiro experimento, solicitou-se aos participantes que avaliassem sua compreensão sobre diferentes conceitos antes que fornecessem explicações detalhadas do seu significado.

Mas, desta vez, as questões vieram da matéria que eles próprios haviam estudado anos antes. Uma pessoa formada em Física, por exemplo, precisaria explicar as leis da termodinâmica.

Devido ao desgaste natural das suas memórias, os participantes pareciam ter esquecido muitos detalhes importantes, mas não haviam percebido o quanto de conhecimento haviam perdido — o que os levava a ser excessivamente confiantes nas suas previsões iniciais.

Ao julgarem seu conhecimento, eles acreditavam que detinham o mesmo nível de informação de quando estavam totalmente mergulhados no assunto.

Outras pesquisas demonstraram que a disponibilidade de recursos online pode alimentar nosso excesso de confiança, uma vez que nós confundimos a quantidade de conhecimento disponível na internet com nossas próprias memórias.

Fisher pediu para um grupo de participantes responder perguntas — "como funciona um zíper?", por exemplo — com o auxílio de uma ferramenta de busca, enquanto outro grupo foi simplesmente solicitado a avaliar sua compreensão do tema sem usar fontes adicionais.

Em seguida, os dois grupos foram submetidos ao teste original de ilusão do conhecimento sobre quatro questões adicionais ("como se formam os tornados?" e "por que as noites nubladas são mais quentes?", por exemplo).

Fisher concluiu que as pessoas que haviam usado a internet para responder a pergunta inicial demonstraram maior excesso de confiança na tarefa seguinte.

A ilusão da aquisição de habilidades

Mas a consequência mais séria talvez seja que a maioria de nós superestima o quanto aprende observando os demais. Isso resulta na "ilusão da aquisição de habilidades".

Michael Kardas, que cursa pós-doutorado em administração e marketing na Northwestern University, nos EUA, pediu aos participantes de um estudo para assistirem a vídeos repetidos sobre diversas técnicas, como lançar dardos ou fazer o passo de dança moonwalk, até 20 vezes.

Em seguida, eles precisaram estimar suas habilidades, antes de tentar realizar a tarefa sozinhos. A maioria dos participantes acreditou que a simples observação, ao assistir aos vídeos, os teria ajudado a aprender as técnicas. E, quanto mais eles assistiam, maior era sua confiança inicial.

Mas a realidade foi uma grande decepção.

"As pessoas acreditavam que se sairiam melhor se assistissem ao vídeo 20 vezes, em comparação com assistir apenas uma", afirma Kardas.

"Mas seu desempenho real não demonstrou nenhuma evidência de aprendizado."

E, surpreendentemente, a observação passiva pode até aumentar a confiança das pessoas em sua capacidade de realizar tarefas complexas de vida ou morte, como pousar um avião.

Kayla Jordan, estudante de doutorado da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia, liderou um estudo inspirado diretamente na pesquisa de Kardas.

"Nós quisemos testar os limites do fenômeno e se ele poderia ser aplicado a técnicas altamente especializadas", diz Jordan.

Ela explica que pilotar exige centenas de horas de treinamento e profundo conhecimento de física, meteorologia e engenharia, que as pessoas são incapazes de aprender em um vídeo curto.

A primeira instrução para os participantes foi: "Imagine que você está em um avião de pequeno porte. Há uma emergência, o piloto está indisponível, e você é a única pessoa que pode fazer o avião pousar."

Metade dos participantes assistiu a um vídeo de quatro minutos de um piloto aterrissando um avião, e os demais não viram o vídeo.

Mas o vídeo não mostrava nem sequer o que as mãos do piloto estavam fazendo durante o procedimento — e, portanto, não tinha nenhuma serventia como instrução.

O excesso de confiança no próprio conhecimento pode invadir o ambiente de trabalho e tornar as pessoas mais arrogantes — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
O excesso de confiança no próprio conhecimento pode invadir o ambiente de trabalho e tornar as pessoas mais arrogantes — Foto: GETTY IMAGES/via BBC 

Mas muitas das pessoas que assistiram ao vídeo ficaram muito mais otimistas sobre sua capacidade de fazer pousar um avião com segurança.

"Elas tinham cerca de 30% mais confiança, em comparação com as pessoas que não assistiram àquele vídeo", afirma Jordan.

Dilemas da vida real

Essas ilusões de conhecimento podem trazer consequências significativas.

O excesso de confiança no próprio conhecimento pode fazer com que você se prepare menos para uma entrevista ou apresentação, por exemplo, deixando você constrangido quando é pressionado a demonstrar seus conhecimentos.

O excesso de confiança pode ser um problema específico quando você busca uma promoção. Ao observar as pessoas à distância, você pode acreditar que já sabe o que é preciso para o trabalho e que já aprendeu todas as técnicas necessárias.

Mas, ao iniciar o trabalho, você pode descobrir que precisava saber muito mais do que parecia.

A ilusão do conhecimento também pode nos levar a menosprezar nossos colegas. Da mesma forma que confundimos o conhecimento obtido pelo Google com o nosso próprio, podemos não perceber o quanto dependemos do conhecimento e da capacidade das pessoas à nossa volta.

"Ao observar as habilidades e a base de conhecimento dos demais, as pessoas às vezes podem acreditar erroneamente que elas são uma extensão do conhecimento delas próprias", afirma Jordan.

E, se começarmos a acreditar que o conhecimento dos colegas é nosso, podemos ficar menos dispostos a lembrar e demonstrar gratidão por suas contribuições — uma forma de arrogância muito comum no ambiente de trabalho.

E superestimar nosso conhecimento, esquecendo o apoio que recebemos dos demais, também pode criar sérios problemas quando tentarmos seguir sozinhos, com um projeto solo.

O que as pessoas podem fazer para evitar essas armadilhas? Uma solução é simples: teste a si próprio.

Se você estiver avaliando sua capacidade de realizar uma tarefa que não é familiar, por exemplo, não confie apenas em uma ideia vaga e resumida do que essa tarefa envolveria. Em vez disso, analise com mais tempo e cuidado as etapas que você precisaria realizar para atingir esse objetivo.

Você pode concluir que há enormes lacunas de conhecimento que você precisará preencher antes de começar o trabalho. E, ainda melhor, você pode consultar um especialista no tema e perguntar o que ele está fazendo — uma conversa que servirá para analisar qualquer pressuposto arrogante de sua parte.

Como as muletas tecnológicas têm o potencial de amplificar a confiança no seu conhecimento, você também pode verificar seus hábitos online. Fisher sugere que você faça uma breve pausa e tente ao máximo se lembrar de um fato antes de recorrer a uma busca na internet. Ao reconhecer conscientemente que "deu branco", você pode começar a avaliar de forma mais realista a sua memória e os seus limites.

"É preciso ter a disposição de se sentir desorientado", diz ele.

"Você precisa sentir sua ignorância, o que pode ser desconfortável."

O objetivo de tudo isso é cultivar um pouco mais de humildade — uma das "virtudes intelectuais" clássicas celebradas pelos filósofos.

Ao reconhecer nossas ilusões de conhecimento e admitir os limites da nossa compreensão, todos nós podemos evitar as inconvenientes armadilhas do pensamento. E podemos pensar e tomar decisões com mais sabedoria.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-62985145

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