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sábado, 17 de setembro de 2022

Nos primeiros oito meses de 2022, Amazônia Legal registra maior taxa de desmatamento em 15 anos

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Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto Imazon apontam que de janeiro de 2022 a agosto do mesmo ano, foram derrubados 7.943 km² de floresta, área que equivale a cerca de sete vezes a cidade do Rio de Janeiro.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 17 de setembro de 2022 às 07h15m

 #.*Post. - N.\ 10.475*.#

Imagem aérea feita na terça-feira, 16 de agosto de 2022, mostra desmatamento entre os estados de Rondônia e Amazonas.  — Foto: Ruan Gabriel/Rede Amazônica
Imagem aérea feita na terça-feira, 16 de agosto de 2022, mostra desmatamento entre os estados de Rondônia e Amazonas. — Foto: Ruan Gabriel/Rede Amazônica

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) anunciou nesta sexta-feira (16) que a área de floresta desmatada da Amazônia Legal nos primeiros oito meses de 2022 foi a maior dos últimos 15 anos.

De janeiro de 2022 a agosto do mesmo ano, foram derrubados 7.943 km² de floresta, o que equivale um pouco menos que cerca de sete vezes a cidade do Rio de Janeiro.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto, que diferem da metodologia do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o Imazon, os satélites usados são mais refinados que os dos sistemas do governo e são capazes de detectar áreas devastadas a partir de 1 hectare, enquanto os alertas do Inpe levam em conta áreas maiores que 3 hectares (entenda mais abaixo).

“Já passamos da metade do ano e o que vem acontecendo são recorrentes recordes negativos de devastação da Amazônia, com o aumento no desmatamento e na degradação florestal. E infelizmente temos visto ações insuficientes para combater esse problema”, lamenta a pesquisadora Bianca Santos, do Imazon.

Áreas de desmatamento e degradação registradas em agosto de 2022 pelo Imazon na Amazônia Legal. — Foto: Imazon/Divulgação
Áreas de desmatamento e degradação registradas em agosto de 2022 pelo Imazon na Amazônia Legal. — Foto: Imazon/Divulgação

Ainda de acordo com os novos dados do Imazon, apenas em agosto, foram derrubados 1.415 km². Além disso, a degradação florestal causada pela extração de madeira e pelas queimadas cresceu 54 vezes.

A área degradada passou de 18 km² em agosto de 2021 para 976 km² em agosto de 2022, uma alta de 5.322%.

Desmatamento é definido pelo instituto como a remoção completa da vegetação, processo conhecido como "corte raso", e a degradação florestal é classificada quando parte da floresta foi destruída por exploração madeireira ou incêndio. Por isso, o Imazon afirma que é comum que uma área classificada como degradada seja posteriormente desmatada.

Área de floresta derrubada na Amazônia de janeiro a agosto, segundo o Imazon (em km²)
Taxa acumulada de 2022 é a maior em 15 anos

1.6981.6981.3861.3869259251.0871.0877147149059052.0592.0592.3652.3653.0153.0151.8651.8653.9143.9144.2344.2345.1905.1907.7157.7157.9437.94320082009201020112012201320142015201620172018201920202021202202k4k6k8k10k

2019
4.234
Fonte: Imazon

“Em muitos casos de áreas que sofrem degradação florestal por exploração madeireira, após a retirada total das espécies de valor comercial, é feita a remoção completa das árvores para destinar aquela área a outros tipos de uso, como por exemplo a agropecuária ou até para a especulação imobiliária, no caso da grilagem”, acrescenta Bianca.

Imazon x Inpe

O sistema do Imazon detecta áreas desmatadas em imagens de satélites de toda a Amazônia Legal (região que corresponde a 59% do território brasileiro e que engloba a área de 9 estados - Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma parte do Maranhão) e leva em conta degradações florestais ou desmatamentos que ocorreram em áreas a partir de 1 hectare, o que equivale a aproximadamente 1 campo de futebol.

Assim como o Deter, do Inpe, o calendário de monitoramento do SAD começa em agosto de um ano e termina em julho do ano seguinte por causa da menor frequência de nuvens na Amazônia. Os sistemas também são semelhantes porque servem como um alerta, mas não representam um dado oficial de desmatamento.

A medição oficial do desmatamento é feita pelo sistema Prodes (também do Inpe) e costuma superar os alertas sinalizados tanto pelo Deter como pelo Imazon. Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%.

Estados no ranking do desmatamento e degradação

Ainda de acordo com os novos dados divulgados pelo Imazon, em agosto, Pará (647 km²), Amazonas (289 km²) e Acre (173 km²) foram responsáveis por 46%, 20% e 12% de todo o desmatamento na Amazônia.

No total, em agosto deste ano, 1.606 km² da Amazônia foram desmatados, 12% a menos que em agosto de 2021. No entanto, a devastação de 2022 foi a terceira pior para o mês de agosto desde 2008, quando o instituto implantou o SAD. O segundo pior ano foi 2020, quando 1.499 km² de floresta foram derrubados.

Proporção de desmatamento e degradação por estado — Foto: Imazon/Divulgação
Proporção de desmatamento e degradação por estado — Foto: Imazon/Divulgação

"Nesses três estados, assim como nos outros que compõem a região, estamos identificando o avanço do desmatamento nas florestas públicas não destinadas", acrescenta a pesquisadora.

"São áreas pertencentes aos governos dos estados ou federal que ainda não tiveram um uso definido, cuja prioridade estabelecida em lei é para a criação de novas áreas protegidas, como terras indígenas ou quilombolas e unidades de conservação. Porém, por essa falta de destinação, essas terras acabam sendo as preferidas dos grileiros, que as invadem com a expectativa de obter a posse”.

Quanto às áreas degradadas da região, o estado que teve a maior área de floresta perdida em agosto foi Mato Grosso (657 km²), com 67% do total registrado em toda a Amazônia. Pará (240 km²) e Acre (28 km²) ocuparam a segunda e terceira posições, com respectivamente 25% e 3% de áreas degradadas.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Brasil tem redução de insetos terrestres, diz estudo da UFSCar, Unicamp e UFRGS; entenda causas

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Pesquisa analisou tendência de 5 anos no declínio de insetos como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros, que são considerados essenciais para ecossistema e as atividades agrícolas.
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Por g1 São Carlos e Araraquara

Postado em 16 de setembro de 2022 às 14h55m

 #.*Post. - N.\ 10.474*.#

Estudo da UFSCar e outras 2 universidades aponta redução de insetos como as abelhas — Foto: Getty Images/BBC
Estudo da UFSCar e outras 2 universidades aponta redução de insetos como as abelhas — Foto: Getty Images/BBC

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras (SP), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), detectou a redução no número de insetos terrestres no Brasil, como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros.

Eles são considerados essenciais para a manutenção do ecossistema e das atividades agrícolas. Entre as causas está o uso de agrotóxicos. (veja abaixo as principais causas).

Umas das responsáveis pelo projeto é Kayna Agostini, docente no Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar), do campus de Araras da UFSCar.

Os pesquisadores analisaram as tendências dos últimos cinco anos, com base em 45 estudos publicados. Foram aplicados, também, questionários a 156 cientistas que pesquisam insetos no país.

O estudo 'Insect decline in Brazil: an appraisal of current evidence' foi publicado na revista científica Biology Letters. O documento pode ser acessado de forma online.

Campus da UFSCar em Araras — Foto: Divulgação/CCS UFSCar
Campus da UFSCar em Araras — Foto: Divulgação/CCS UFSCar

Conclusões dos estudos

Entre as principais causas do declínio de insetos terrestres, com base nos pesquisadores, estão:

  • mudanças no uso da terra, com substituição da vegetação nativa pela agricultura;
  • uso de agrotóxicos;
  • mudanças climáticas.

A introdução de espécies exóticas, apesar de menos comum, também pode interferir na sobrevivência de animais locais. As exóticas podem ser competidoras de espécies nativas e acabar com uma população.

No caso das abelhas, por exemplo, a drástica modificação de alguns espaços, com a retirada da vegetação e a implementação do asfaltos e luzes, excluiu o espaço propício para a construção de seus ninhos, o que pode estar associado à redução no número dessa população.

Drástica modificação dos espaços provoca morte de abelhas e consequente redução no número da espécie — Foto: TV Globo/Reprodução
Drástica modificação dos espaços provoca morte de abelhas e consequente redução no número da espécie — Foto: TV Globo/Reprodução

Outras investigações

A iniciativa investigou também a quantidade de animais aquáticos nos últimos anos. Com base nos estudos, não houve declínio, porém não se pode afirmar que os espaços estão bem conservados.

"A maioria das pesquisas é muito recente, e as regiões desses insetos já estavam degradadas. Como não houve monitoramento antes de toda a poluição e a mudança do ambiente, não sabemos, de fato, se houve ou não declínio em um maior espaço de tempo", afirma Agostini.

Segundo Agostini, o conhecimento e o monitoramento são passos essenciais para a conservação das espécies.

"Há muitas desconhecidas e, ao mesmo tempo, dados científicos pulverizados. Os desafios passam por aumentar os investimentos na área para conseguirmos seguir com a pesquisa, realizando essas descobertas e, também, tendo um monitoramento anual dos insetos para, assim, auxiliar em tomadas de decisão, com vistas à conservação das espécies."

Importância dos insetos

Os insetos desempenham um papel fundamental na produção de alimentos e na preservação de nosso ecossistema.

Os insetos quebram as estruturas biológicas, o que acelera o processo de decomposição. Isso ajuda a reabastecer o solo. Eles também fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos.

Além de ser uma valiosa fonte de alimento para outras espécies e servir aos ecossistemas pela reciclagem, os insetos fornecem outro serviço vital: a polinização, que é essencial para a produção de alimentos.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Vendas via PIX são contabilizadas no limite de faturamento do Simples Nacional; entenda

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Para a Receita Federal, PIX é uma modalidade de pagamento à vista análoga ao dinheiro em espécie. Vendas pagas com PIX estão inclusas no faturamento para efeito dos limites do Simples.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 15 de setembro de 2022 às 12h10m

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PIX — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
PIX — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Vendas de empresas via PIX são análogas às operações pagas pelos clientes à vista, em dinheiro vivo, quando há transferência imediata do valor da mercadoria. E, segundo a Secretaria da Receita Federal, são consideradas no faturamento das empresas para fins de enquadramento no Simples Nacional.

Implementado pelo Banco Central, o PIX é um sistema de transferências em tempo real e 24 horas por dia, que também vem sendo utilizado por empresas como uma forma de pagamento de produtos e serviços.

"O PIX é análogo ao dinheiro em espécie. As vendas pagas com PIX estão inclusas no faturamento para efeito dos limites do Simples Nacional", declarou a Secretaria da Receita Federal ao ser questionada pelo g1.

As vendas por meio de transferências eletrônicas, entretanto, são mais fáceis de serem fiscalizadas pela Receita Federal. Porque, ao contrário do dinheiro em espécie, deixam rastro no sistema de pagamentos.

Questionada pelo g1, a Receita Federal informou que não estão sendo notificadas empresas do Simples com base nas movimentações financeiras do PIX, assim como também não foram lavrados autos de infração.

As fiscalizações do Simples, porém, também são realizadas pelas receitas estaduais e municipais, pois a arrecadação é compartilhada.

Limites do Simples

O Simples Nacional é o regime simplificado de tributação destinado a microempresas e empresas de pequeno porte.

  • Microempreendedor individual: limite de R$ 81 mil por ano e, para transportador autônomo de cargas, de R$ 251.600,00 por ano.
  • No caso das microempresas, o limite de faturamento anual é de até R$ 360 mil. Para as empresas de pequeno porte, o valor é R$ 4,8 milhões.

Em 2020, assim que o PIX foi implementado, a Receita Federal informou que acompanharia de perto as movimentações financeiras efetuadas pelos brasileiros e pelas empresas por meio do novo sistema instantâneo de pagamentos.

"As informações sobre movimentação financeira dos contribuintes permanecem sendo importantes para identificar irregularidades e dar efetividade ao cumprimento das leis tributárias", informou o órgão ao g1 naquele momento.

De acordo com a Receita, a prestação de dados financeiros pelos bancos assegura os "elementos mínimos necessários para garantir os meios para que a Administração Tributária consiga ser efetiva no cumprimento de sua missão".

E acrescentou: "Portanto os valores globais de movimentação financeira e saldos continuam sendo declarados [pelas instituições financeiras ao Fisco] da mesma forma, sem diferenciar se são oriundos do PIX ou de TED, por exemplo".

O órgão lembra que os bancos informam transferências bancárias de contribuintes por meio da "e-Financeira". "Apenas os valores globais a débito e crédito consolidados mensalmente por conta e por contribuinte", explicou a Receita, em 2020.

Na avaliação do órgão, os dados da e-Financeira "são uma base importante de dados para a Receita Federal e têm ganhado uma importância crescente no mundo todo em razão da necessidade de transparência, conformidade e combate a ilícitos".

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Governo eleva para 2,7% previsão de alta do PIB em 2022 e reduz estimativa de inflação

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Dados foram divulgados nesta quinta pelo Ministério da Economia. Expectativa do governo para a inflação oficial deste ano recuou de 7,2% para 6,3%.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 15 de setembro de 2022 às 11h30m

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O Ministério da Economia elevou nesta quinta-feira (15) a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 2% para 2,7%, e reduziu a estimativa de inflação.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, por meio do boletim "MacroFiscal".

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

O aumento na expectativa de crescimento da economia do governo acontece após a divulgação do resultado do segundo trimestre, com alta de 1,2% – que ficou acima do esperado.

Segundo pesquisa realizada na semana passada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, o PIB deve registrar uma expansão de 2,39% neste ano.

Para 2023, o Ministério da Economia manteve em 2,5% sua previsão de crescimento da economia. O valor segue bem acima do estimado pelo mercado financeiro - que vê uma alta de 0,5% para o PIB no próximo ano.

Fatores

De acordo com o chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia, Rogério Boueri, o aumento na estimativa para o PIB de 2022 está relacionado com a "pujança" do mercado de trabalho, com o desempenho do setor de serviços e dos investimentos.

"Espera-se continuidade do crescimento da atividade ao longo deste segundo semestre. As primeiras divulgações para o mês de julho sugerem que indústria, serviços e mercado de trabalho continuam crescendo", informou o Ministério da Economia, em nota.

Brasil registra deflação nos últimos dois meses, mas alimentos ainda pressionam o orçamento das famíliasBrasil registra deflação nos últimos dois meses, mas alimentos ainda pressionam o orçamento das famílias

Inflação

Ao mesmo tempo em que elevou a projeção de alta do PIB, o Ministério da Economia também baixou sua expectativa de inflação de 7,2% para 6,3% neste ano. Para 2023, a estimativa de inflação do governo ficou estável em 4,5%.

A redução da estimativa de inflação em 2022 coincide com o corte de impostos sobre itens essenciais, como combustíveis e energia elétrica. Esses produtos por si só já impactam a inflação. Além disso, influenciam indiretamente os preços de outros itens.

Apesar da queda, a estimativa de inflação do governo para este ano segue acima da meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,5%. Ela será considerada cumprida se oscilar entre 2% e 5%.

A estimativa para o IPCA de 2023 também está acima da meta central de inflação para o período, que é de 3,25%. Entretanto, está dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,75% a 4,75%.

Para o mercado financeiro, de acordo com dados colhidos na semana passada, a inflação oficial somará 6,40% neste ano e 5,17% em 2023.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Vendas do comércio recuam 0,8% em julho, na terceira queda seguida

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Nos sete primeiros meses do ano, no entanto, o indicador ficou positivo em 0,4%, mas no acumulado de 12 meses o recuo é de 1,8%. Desde maio, queda chega a 2,7%.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 14 de setembro de 2022 às 10h00m

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Vendas do comércio  — Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Vendas do comércio — Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

As vendas do comércio recuaram 0,8% em julho em relação a junho, segundo divulgou nesta quarta-feira (14) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da terceira queda seguida.

Nos sete primeiros meses do ano, no entanto, o indicador ficou positivo em 0,4%, voltando a recuar 1,8% no acumulado dos últimos 12 meses.

A terceira queda seguida após meses de alta mostra uma retomada da trajetória irregular detectada desde o período mais grave da pandemia, explica o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

O mês de abril foi o último com crescimento. Desde então, maio, junho e julho acumulam recuo de 2,7%.

Por conta disso, o setor se encontra praticamente no mesmo nível do período pré-pandemia, ou seja, fevereiro de 2020, com variação de 0,5%.

"O setor repete a trajetória que vem acontecendo desde março de 2020, com alta volatilidade. Esse patamar já esteve muito mais alto. Em julho de 2021, ficou 5,3% acima de fevereiro de 2020”, diz Santos.

Na comparação com julho de 2021, o comércio varejista recuou 5,2%.

Veja abaixo o resumo do desempenho do setor:

  • Terceira taxa negativa mensal seguida no ano (-0,8%), após 4 taxas positivas: predomínio das taxas negativas em 7 das 8 atividades
  • Terceira taxa negativa consecutiva na comparação interanual (-5,2%): predomínio das taxas negativas em 5 das 8 atividades
  • Após duas taxas negativas, o acumulado do ano tem a quinta taxa positiva seguida (0,4%): predomínio de taxas positivas em 6 das 8 atividades
  • Terceira taxa negativa no acumulado de 12 meses (-1,8%), após 55 taxas positivas: taxas negativas em 4 das 8 atividades

7 das 8 atividades tiveram taxas negativas

Em julho, em relação a junho, sete das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas:

  • Tecidos, vestuário e calçados (-17,1%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-3,0%)
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%)
  • Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-1,5%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-1,4%)
  • Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,6%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%)

Apenas a atividade de Combustíveis e lubrificantes mostrou crescimento (12,2%) - resultado da política de redução do preço dos combustíveis, segundo Santos, destacando a deflação de 14,15% no item mostrado pelo IPCA de julho.

No comércio varejista ampliado, ambos os setores tiveram queda: Veículos e motos, partes e peças (-2,7%) e Material de construção (-2,0%).

O maior recuo foi em Tecidos, vestuário e calçados. Para Santos, o comportamento na atividade tem alguns fatores.

“Algumas das grandes cadeias comerciais apresentaram redução na receita, sobretudo na parte de calçados. Além disso, pode haver também escolhas do consumidor, considerando a redução da capacidade do consumo atual”, afirma.

No varejo ampliado, que engloba também as vendas de veículos e materiais de construção, a queda foi de 0,7%, a segunda seguida.

Desigualdades na comparação com o pré-pandemia

Dos 10 principais segmentos, apenas 4 se encontravam em julho acima do patamar de fevereiro de 2020 (pré-pandemia). Veja no gráfico abaixo:

Na comparação com o nível pré-pandemia, segundo o IBGE, o comércio varejista mostra desigualdades em termos setoriais.

Há atividades muito acima, como Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, Combustíveis e lubrificantes, Material de construção e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Já outras estão em patamar muito abaixo, caso de Livros, jornais, revistas e papelaria, com uma trajetória de perda muito por conta da própria lógica contemporânea do mercado, além de Tecidos, vestuário e calçados, Móveis e eletrodomésticos e Veículos e motos, partes e peças.

Queda em 20 unidades da Federação

Na passagem de junho para julho, 20 unidades da Federação tiveram queda, com destaque para Bahia (-3,1%), Rio de Janeiro (-3,1%) e Maranhão (-2,8%). Por outro lado, das sete UFs que apresentaram taxas positivas, destaca-se Mato Grosso (3,5%), Paraná (1,7%) e Amapá (1,5%).

Já no confronto com julho de 2021, também houve queda em 20 das 27 UFs, com destaque para Rondônia (-24,1%), Tocantins (-11,4%) e Acre (-11,3%), enquanto, no lado das altas, ressalta-se a influência de Roraima (10,1%), Alagoas (5,8%) e Ceará (2,5%).

Queda vem de juros e endividamento, dizem economistas

Para economistas, a queda nas vendas do comércio tem relação com a elevação das taxas de juros e do endividamento da população.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca as vendas dos setores sensíveis a crédito, como móveis, veículos e materiais de construção, que caíram mais do que a dos sensíveis a renda. "No mês, o recuo das categorias sensíveis a crédito foi de 2,5%, enquanto nos sensíveis a renda a retração foi de 0,7%. Esse comportamento mostra como os juros altos começam a impactar o consumo", diz.

Ela prevê que a economia como um todo comece a desacelerar no segundo semestre e feche o ano com crescimento de 2,3%. "Mas o pagamento de benefícios sociais mais altos e o aumento da massa salarial podem atenuar um pouco essa desaceleração para o segmento do varejo".

Rodolfo Margato, economista da XP, aponta que o aperto das condições monetárias e o elevado grau de endividamento das famílias vêm pesando sobre as vendas no varejo.

Em sua opinião, a demanda pelos bens mais sensíveis ao crédito deve permanecer em tendência de queda.

Ainda assim, ele acredita que a recuperação do mercado de trabalho em conjunto com estímulos fiscais adicionais de curto prazo irão suavizar o arrefecimento do comércio varejista ao fornecer sustentação à demanda pelos bens mais sensíveis à renda. Mas não descarta "certa estagnação para o varejo total nos próximos meses, com sinais heterogêneos entre as categorias".

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