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sexta-feira, 9 de setembro de 2022

IPCA: Brasil tem deflação de 0,36% em agosto, influenciada pelos combustíveis

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É o menor índice para um mês de agosto desde 1998, ou seja, em 24 anos. Nos últimos 12 meses, a alta é de 8,73%, a menor desde junho de 2021.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 09 de setembro de 2022 às 10h00m

 #.*Post. - N.\ 10.465*.#

Posto de gasolina combustível  — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Posto de gasolina combustível — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em -0,36% em agosto, segundo divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9). Foi o segundo mês seguido de deflação.

O índice é o menor para um mês de agosto desde 1998 – ou seja, em 24 anos. Mais uma vez, a queda foi influenciada principalmente pela retração nos preços dos combustíveis.

A queda foi menos intensa do que a registrada em julho (-0,68%), quando a taxa foi a menor desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 1980. Desde o plano Real, o Brasil registrou deflação 16 vezes.

Alguns fatores explicam a queda menor em relação a julho, segundo o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. Um deles é a retração menos intensa da energia elétrica (-1,27%), que havia sido de 5,78% no mês anterior, em consequência da redução das alíquotas de ICMS.

Também houve aceleração de alguns grupos, como saúde e cuidados pessoais (1,31%) e vestuário (1,69%), e a queda menos forte do grupo de transportes em agosto.

"No mês anterior, os preços da gasolina, que é o item de maior peso no grupo, tinham caído 15,48% e, em agosto, a retração foi menor (-11,64%), explicou.


Acumulado

Já nos últimos 12 meses, a alta é de 8,73%, a menor desde junho de 2021 (8,35%) – com isso, o indicador voltou a ficar abaixo dos dois dígitos pela primeira vez em um ano. Nos 12 meses imediatamente anteriores, a alta havia sido de 10,07%.

No ano, o IPCA acumula alta de 4,39%. Em agosto de 2021, a variação havia sido de 0,87%.


Combustíveis são mais uma vez o destaque

Assim como em julho, a deflação veio principalmente da queda no grupo dos Transportes (-3,37%), que contribuiu com -0,72 ponto percentual (p.p.) no índice do mês. O destaque vem mais uma vez da queda no preço dos combustíveis (-10,82%).

Segundo o IBGE, em agosto, os preços dos quatro combustíveis pesquisados caíram: gás veicular (-2,12%), óleo diesel (-3,76%), etanol (-8,67%) e gasolina (-11,64%) – neste último caso, o impacto negativo foi o mais intenso (-0,67 ponto percentual) entre os 377 subitens do IPCA.

O IBGE lembra que o preço da gasolina nas refinarias foi reduzido em R$ 0,18 por litro em 16 de agosto.

Já os preços das passagens aéreas (-12,07%) também recuaram, após quatro meses de altas. Para o gerente da pesquisa, a sazonalidade é uma das explicações para esse resultado.

Essa é uma comparação com julho, que é um mês de férias e há aumento da demanda. Além disso, foram quatro meses seguidos de alta, o que eleva a base de comparação. Também há o impacto da redução do querosene de aviação nesse período, explica.

Além disso, o grupo Comunicação também teve deflação, com impacto de -0,06 p.p. no índice geral. No lado das altas, o destaque foi Saúde e cuidados pessoais, que contribuiu com 0,17 p.p. em agosto. Já Alimentação e bebidas desacelerou em relação a julho, com impacto de 0,05 p.p. O grupo Vestuário teve a maior variação positiva no IPCA de agosto.

Veja abaixo:

  • Alimentação e bebidas: 0,24
  • Habitação: 0,10
  • Artigos de residência: 0,42
  • Vestuário: 1,69
  • Transportes: -3,37
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,31
  • Despesas pessoais: 0,54
  • Educação: 0,61
  • Comunicação: -1,10
Tomate, leite e luz: outros destaques de queda

No grupo Alimentação e bebidas, o resultado da alimentação no domicílio (0,01%) ficou próximo da estabilidade. Houve altas em componentes importantes na cesta das famílias, como o frango em pedaços (2,87%), o queijo (2,58%) e as frutas (1,35%).

Por outro lado, ocorreram quedas expressivas nos preços do tomate (-11,25%), da batata-inglesa (-10,07%) e do óleo de soja (-5,56%).

Além disso, o preço do leite longa vida, que havia subido 25,46% em julho, caiu 1,78% em agosto, contribuindo com -0,02 p.p. no índice do mês.

Nos últimos meses, os preços do leite subiram muito. Como estamos chegando ao fim do período de entressafra, que deve seguir até setembro ou outubro, isso pode melhorar a situação. Mas no mês anterior, a alta do leite foi de 25,46%, ou seja, os preços caíram em agosto, mas ainda seguem altos, afirma Kislanov.

A variação da alimentação fora do domicílio (0,89%) ficou próxima à do mês anterior (0,82%). Enquanto a refeição passou de 0,53% para 0,84%, o lanche desacelerou de 1,32% para 0,86%.

Já no acumulado de 12 meses o grupo alimentação e bebidas subiu 13,43%, bem acima da inflação de 8,73% no mesmo período. Outros grupos com variação maior foram Artigos de residência, Vestuário e Saúde e cuidados pessoais.

Já os combustíveis acumulam queda de 7,11%, contribuindo para a alta menos acentuada nos transportes.

Veja abaixo:

Em Habitação, houve queda na energia elétrica residencial no mês de agosto (-1,27%), embora menos intensa que a do mês anterior (-5,78%).

Os efeitos da redução das alíquotas de energia elétrica ficaram mais concentrados no mês anterior. Em alguns locais, como Vitória e Belém, ainda houve reajuste nas tarifas em agosto, explica Kislanov. 
Altas em roupas, higiene pessoal e plano de saúde

A maior variação positiva no IPCA de agosto veio do grupo vestuário (1,69%), cujos preços haviam desacelerado no mês anterior (0,58%). As roupas femininas (1,92%), masculinas (1,84%) e os calçados e acessórios (1,77%) foram as maiores influências no avanço do grupo.

Já a alta de 1,31% no grupo de saúde e cuidados pessoais é relacionada aos aumentos dos itens de higiene pessoal (2,71%) e plano de saúde (1,13%).

No caso do plano de saúde, foi incorporada a fração mensal referente ao reajuste de 15,50% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos novos.

No grupo Educação, nos cursos regulares (0,51%), apenas os cursos de pós-graduação (-1,46%) tiveram recuo nos preços. As maiores variações foram da educação de jovens e adultos (3,68%), das creches (1,41%) e dos cursos técnicos (1,02%).

6 em cada 10 itens pesquisados ficaram mais caros em agosto

Embora a deflação tenha ficado concentrada em poucos grupos, a alta de preços teve maior espalhamento em agosto. O índice de difusão (percentual de itens com aumento no mês) acelerou de 63% em julho para 65% em agosto. Isso significa que, dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 245 tiveram alta de preços no mês - em julho, foram 237 em alta.

Entre os impactos no IPCA de agosto, destaque para a gasolina e higiene pessoal. Veja abaixo:

Principais impactos no índice de agosto — Foto: Reprodução/IBGE
Principais impactos no índice de agosto — Foto: Reprodução/IBGE

13 das 16 áreas pesquisadas registram deflação

Regionalmente, três das 16 áreas tiveram alta em agosto. A maior variação positiva foi em Vitória (0,46%), influenciada pela alta 11,16% na energia elétrica. O menor resultado, por sua vez, ocorreu em Recife (-1,40%), puxado pela queda de 16,23% nos preços da gasolina.


INPC tem queda de 0,31% em agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação para famílias de baixa renda e é usado como referência para reajustes salariais e benefícios do INSS, teve queda de 0,31% em agosto. Com isso, o índice acumula alta de 4,65% no ano e de 8,83% nos últimos 12 meses. Em agosto de 2021, a taxa foi de 0,88%.

Os produtos alimentícios passaram de 1,31%, em julho, para 0,26%, em agosto. Já os não alimentícios tiveram queda menor (passando de uma retração de 1,21% em julho para -0,50% em agosto).

Inflação acima da meta em 2022 e riscos para 2023

Em 2021, a inflação fechou o ano em 10,06%, bem acima do teto da meta (5,25%), representando o maior aumento desde 2015.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2022 é de 3,5% e só será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%. O Banco Central já admitiu oficialmente, porém, que a meta de inflação será descumprida em 2022 pelo segundo ano seguido.

A projeção atual do mercado financeiro é de um IPCA de 6,61% em 2022. Para 2023, porém, a expectativa para o IPCA é de 5,27%.

Para o próximo ano, a meta de inflação foi fixada em 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. Ou seja, crescem as apostas de um estouro do teto da meta também no ano que vem.

Mesmo com a indicação de que o pior já passou para a inflação, o BC elevou a taxa Selic a 13,75% – maior patamar em 6 anos.

Meta de inflação — Foto: Arte/g1
Meta de inflação — Foto: Arte/g1 

Preços devem subir lentamente, dizem economistas

Economistas apontam que a inflação deve encerrar o ano em um dígito, com forte redução em relação aos dois dígitos vistos na primeira metade do ano, porém, ainda acima da meta do Banco Central de 3,5%.

"A projeção de queda da inflação não significa que os preços vão cair de maneira geral. E sim, que eles passarão a subir mais lentamente. Isso porque inflação caindo é diferente de deflação – quando os preços efetivamente caem, como vimos com a gasolina nos últimos meses", explica Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos.

Gustavo Sung, economista chefe da Suno Research, destaca que, para o restante do ano, os efeitos da alta dos juros, arrefecimento dos preços das commodities, dos preços dos alimentos e de bens industriais, além dos combustíveis, podem contribuir para uma desaceleração da inflação. Porém, medidas fiscais que sustentem a demanda podem pressionar os preços.

"Para setembro, esperamos uma estabilidade dos preços ainda devido ao último reajuste nas refinarias e um menor efeito do corte de impostos sobre combustíveis", afirma.

O Itaú Unibanco prevê que o IPCA feche o ano em 7%, com previsão de novas reduções no índice para os meses de setembro e outubro. "A queda de preços de leite e derivados deve contribuir para deflação no grupo alimentação nos próximos meses", informa.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Pela primeira vez em três décadas, IDH mundial cai por dois anos seguidos

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Brasil cai três posições em novo relatório da ONU na comparação de 2021 e fica em 87º lugar. Documento indica que desenvolvimento humano global em 2021 voltou aos níveis de 2016.
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Por g1

Postado em 08 de setembro de 2022 às 06h45m

 #.*Post. - N.\ 10.464*.#

Voluntários entregam comida a moradores em situação de rua em Mogi das Cruzes — Foto: Midori Schwartzmann/Arquivo Pessoal
Voluntários entregam comida a moradores em situação de rua em Mogi das Cruzes — Foto: Midori Schwartzmann/Arquivo Pessoal

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado nesta quinta-feira (8) alerta que, pela primeira vez nos 32 anos em que é calculado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), esse indicador caiu globalmente por dois anos consecutivos. O IDH é calculado levando em conta a saúde, a educação e o padrão de vida de uma nação.

O Brasil ficou na posição 78 do ranking do PNUD, que recolhe dados referentes a 2021.

"O desenvolvimento humano voltou aos níveis de 2016, revertendo parte expressiva do progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A reversão é quase universal, pois mais de 90% dos países registraram declínio na pontuação do IDH em 2020 ou 2021, e mais de 40% caíram nos dois anos, sinalizando que a crise ainda está se aprofundando em muitos deles", detalha o Pnud.

A ONU argumenta que camadas de incerteza estão se acumulando e interagindo para desequilibrar as sociedades de forma inédita. "Os últimos dois anos tiveram impacto devastador para bilhões de pessoas em todo o planeta, quando crises como a da Covid-19 e a guerra na Ucrânia se sucederam e interagiram com amplas transformações sociais e econômicas, mudanças planetárias perigosas e aumento acentuado da polarização", diz o órgão.


Gráfico do Pnud mostra como IDH mundial caiu nos últimos dois anos — Foto: Reprodução/Pnud

Embora alguns países estejam começando a se levantar, a recuperação é desigual e parcial, aumentando ainda mais as desigualdades no desenvolvimento humano. América Latina, Caribe, África Subsaariana e sul da Ásia foram duramente atingidos, segundo a análise do Pnud divulgada em nota à imprensa.

O mundo está lutando para reagir a crises consecutivas. Vimos, com as crises de custo de vida e de energia, que, embora seja tentador focar em soluções rápidas, como subsidiar combustíveis fósseis, táticas de alívio imediato estão retardando as mudanças sistêmicas de longo prazo que precisamos fazer, diz Achim Steiner, chefe do Pnud.

Estamos coletivamente paralisados em relação a essas mudanças. Em um mundo definido pela incerteza, precisamos de um senso renovado de solidariedade global para enfrentar nossos desafios comuns e interconectados.

Crianças que fugiram do conflito no Tigré recebem comida em campo de refugiados no Sudão; região na Etiópia é palco de uma guerra entre governo e forças rebeldes desde novembro de 2020 — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images
Crianças que fugiram do conflito no Tigré recebem comida em campo de refugiados no Sudão; região na Etiópia é palco de uma guerra entre governo e forças rebeldes desde novembro de 2020 — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images

O relatório tenta explicar por que a mudança necessária não está acontecendo e indica haver muitas razões, incluindo como a insegurança e a polarização alimentam-se uma da outra, atualmente, para impedir a solidariedade e a ação coletiva necessária para enfrentar as crises em todos os níveis.

Novos cálculos do Pnud indicam, por exemplo, que aqueles que se sentem mais inseguros também são mais propensos a ter visões políticas extremistas.

Mesmo antes da Covid, vínhamos observando os paradoxos do progresso com insegurança e polarização. Hoje, com um terço das pessoas em todo o mundo se sentindo estressadas e quase dois terços das pessoas em todo o mundo desconfiadas umas das outras, enfrentamos grandes obstáculos para a adoção de políticas que funcionem para as pessoas e o planeta, diz Achim Steiner em nota.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Ausência de furacão no Atlântico em agosto pela 1ª vez em 25 anos intriga cientistas

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O primeiro furacão da temporada, Danielle, só se formou em setembro, o que é incomum para esses eventos climáticos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 07 de setembro de 2022 às 09h45m

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A temporada de furacões tradicionalmente começa em junho — Foto: GETTY IMAGES/BBC
A temporada de furacões tradicionalmente começa em junho — Foto: GETTY IMAGES/BBC

Agosto é a temporada de furacões no Atlântico.

Nos últimos tempos, alguns dos furacões mais devastadores chegaram nesse mês: Katrina, de 23 a 25 de agosto de 2005, ou Andrew, de 16 a 28 de agosto de 1992, entre outros.

No entanto, o mês acabou e, de acordo com os registros meteorológicos, nenhum furacão foi nomeado durante esse período e apenas três tempestades receberam um nome.

É algo incomum para especialistas: é a primeira vez que isso acontece desde 1997.

E é ainda mais inesperado depois que 2021 foi um ano recorde para a formação de furacões (em uma semana, quatro dessas tempestades foram registradas ao mesmo tempo).

Tudo isso contrasta com o que os observatórios meteorológicos haviam previsto: que a temporada de furacões seria muito semelhante à do ano anterior.

Para Jim Dale, meteorologista do British Weather Services, a razão técnica para isso tem a ver com uma combinação de fatores: ar seco e estável, com a presença de poeira do deserto do Saara, que impede a formação de tempestades, e ventos hostis que suprimiram a geração de furacões.

Furacões que causaram sérios danos, como Katrina ou Andrew, ocorreram no mês de agosto — Foto: GETTY IMAGES/BBC
Furacões que causaram sérios danos, como Katrina ou Andrew, ocorreram no mês de agosto — Foto: GETTY IMAGES/BBC

"No entanto, não há uma explicação convincente sobre por que o primeiro furacão da temporada, que começou em 1º de junho, só apareceu em setembro. Há uma espécie de caos, o que significa que em 2021 tivemos cinco eventos climáticos ao mesmo tempo e este ano, em mais de um mês, não vimos nada sério", disse Dale à BBC Mundo.

Para Dale é claro que a mudança climática está relacionada a esse tipo de comportamento climático, mas não é a única explicação.

"Uma coisa deve ficar clara: não há uma resposta única para esse fenômeno. O que vemos aqui é a soma de muitos fatores que coincidem neste momento. Mas deixemos bem claro que a temporada não acabou", diz o meteorologista.

O primeiro furacão: também incomum

Depois do final de agosto, os furacões começaram a aparecer.

O primeiro da temporada foi nomeado Danielle e tem se mostrado incomum: é o mais tardio primeiro furacão da temporada no Atlântico desde 2013.

Além disso, "se forma na latitude 38 norte, um local incomum para esses fenômenos", diz Dale.

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Ele acrescenta que, para os furacões ganharem força, é necessário o impulso de uma corrente quente.

"Esta é uma evidência de como as mudanças climáticas estão afetando a presença desses fenômenos. Cada vez mais ao norte encontramos correntes quentes, que continuarão a provocar o aparecimento de furacões nesta região do planeta", acrescenta.

O especialista em furacões da WPLG, afiliada da Miami TV, Michael Lowry, escreveu em sua conta no Twitter que a temperatura da superfície do mar perto de onde Danielle se formou excedeu 26ºC pela primeira vez desde o início do registro de satélites.

"A essa temperatura, eles estão competindo com as águas quentes do Caribe", acrescenta Lowry.

No entanto, tanto Dale quanto outros especialistas apontam que esse início "lento" de temporada não significa que não haverá furacões que possam causar sérios danos.

"Estamos olhando para uma temporada abaixo da média, mas não podemos esquecer que as previsões são de que esta será uma temporada acima da média e falta ver como isso terminará", disse Dale.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62819147

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'Tarântula cósmica': James Webb flagra milhares de estrelas nunca antes vistas em 'berçário' celeste

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As fotos foram capturadas pelo supertelescópio espacial e destacam as características da 'Nebulosa de Tarântula', uma região de formação de estrelas a 161 mil anos-luz de distância da Terra.
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Por g1

Postado em 07 de setembro de 2022 às 06h25m

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Superzoom na Nebulosa da TarântulaSuperzoom na Nebulosa da Tarântula

A 161 mil anos-luz de distância da Terra está a "Nebulosa de Tarântula", uma região de formação de estrelas repleta de gás e poeira e "vizinha" da nossa Via Láctea.

Considerada uma "queridinha" dos astrônomos que estudam estes "berçários estelares", essa foi a estrutura cósmica escolhida para o mais recente flagra do supertelescópio James Webb, o maior e mais poderoso telescópio espacial já construído.

A Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas a 161.000 anos-luz de distância da Terra. No centro, em azul-claro, um aglomerado de estrelas é visível. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI/Divulgação
A Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas a 161.000 anos-luz de distância da Terra. No centro, em azul-claro, um aglomerado de estrelas é visível. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI/Divulgação

As fotos (veja acima e mais abaixo), um mosaico de imagens super detalhadas, revelam não apenas as caracterísitcas dessa região empoeirada e carregada de ventos quentes e poderosos, como também mostram algumas galáxias ao fundo e dezenas de milhares de estrelas jovens nunca antes vistas (a poeira da Tarântula "escondia" essas estruturas de outros telescópios).

As duas imagens foram divulgadas pela Nasa e pela ESA, as agências espaciais dos EUA e Europa, na manhã desta quinta-feira (1º).

A Nasa explica que a Nebulosa tem esse apelido curioso por causa de seus filamentos, que se estendem pela imagem como pernas de uma aranha.

A estrutura cósmica é a maior e mais brilhante região de formação estelar do Grupo Local, que são as galáxias mais próximas da nossa Via Láctea.

Ainda segundo a agência espacial, esse berçario cósmico é o lar das estrelas mais quentes e massivas conhecidas pela ciência.

"Um dos motivos pelo qual a Nebulosa da Tarântula é interessante para os astrônomos é que ela tem um tipo de composição química semelhante às regiões gigantes de formação de estrelas vistas ao 'meio-dia cósmico' do Universo, quando o cosmos tinha apenas algumas estrelas, bilhões de anos e a formação estelar estava no seu auge", explica a Nasa.

Uma outra visão da Nebulosa de Tarântula pelo supertelescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI
Uma outra visão da Nebulosa de Tarântula pelo supertelescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI

Segundo a ESA, esses mesmos "berçários estelares" da nossa Via Láctea não produzem estrelas na mesma velocidade frenética que a Nebulosa da Tarântula e têm uma composição química diferente. Por isso, essa tarântula espacial é o exemplo mais próximo (ou seja, o mais fácil de ver em detalhes) do que estava acontecendo quando o nosso universo se aproximava desse brilhante "meio-dia cósmico".

Apesar dos milhares de anos de observação de estrelas da humanidade, o processo de formação de estrelas ainda guarda muitos mistérios – muitos deles devido à nossa incapacidade anterior de obter imagens nítidas do que estava acontecendo por trás das espessas nuvens de berçários estelares", afirmou a agência europeia.

Os cientistas têm alguns objetivos ambiciosos para o James Webb. Segundo a Nasa, o supertelescópio de US$ 10 bilhões ajudará a resolver mistérios em nosso sistema solar, irá olhar para mundos extremamente distantes, investigará as origens do nosso universo e poderá até mesmo explorar o potencial de vida em sistemas planetários remotos.

"[O James Webb] já começou a revelar um universo nunca antes visto e está apenas começando a reescrever a história da criação estelar", complementou a agência.

(VÍDEO: Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.)

Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.
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