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quinta-feira, 12 de maio de 2022

O que são buracos negros, como o Sagitário A*, da foto do Event Horizon Telescope

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O g1 conversou com especialistas e listou 10 perguntas para entender o que a ciência sabe e ainda falta descobrir sobre esses misteriosos e fascinantes fenômenos do espaço.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 12 de maio de 2022 às 10h40m

 #.*Post. - N.\ 10.320*.#

Imagem do Event Horizon Telescope mostra pela primeira vez o Sagittarius A*, buraco negro supermassivo a mais de 26 mil anos-luz da Terra. — Foto: EHT
Imagem do Event Horizon Telescope mostra pela primeira vez o Sagittarius A*, buraco negro supermassivo a mais de 26 mil anos-luz da Terra. — Foto: EHT

Nesta quinta-feira (12), uma equipe internacional de cientistas conseguiu capturar pela primeira vez a imagem real do Sagitário A* (lê-se Sagiário A, estrela), um buraco negro supermassivo que está localizado no centro da nossa Via Láctea.

Mas para quem não é um astrofísico, um cientista da Nasa ou estudioso do fenômeno, o tema dos buraco negros é uma fonte de dúvidas.

Por isso, o g1 ouviu especialistas no tema para entender o que são, de fato, esses corpos celestes e por que até mesmo os pesquisadores que os estudam têm inúmeras questões sem respostas sobre seu funcionamentos, visto que eles desafiam as leis da física que conhecemos hoje.

Nessa reportagem você vai entender, em 10 perguntas, o que sabemos sobre esses fenômenos.

Um buraco negro é uma espécie de abismo cósmico que suga para si tudo o que se aproxima - a uma determinada distância - dele.

Nem mesmo a luz escapa de ser atraída por esses objetos. Por isso que os buracos negros são, de fato, negros.

E isso acontece porque a atração gravitacional desses corpos é extremamente forte.

Primeira imagem nítida do campo magnético de um buraco negro ao centro da galáxia Messier 87. — Foto: EHT Collaboration
Primeira imagem nítida do campo magnético de um buraco negro ao centro da galáxia Messier 87. — Foto: EHT Collaboration

“Um grande mal-entendido é que os buracos negros ‘sugam’ seus arredores. Isso não acontece: coisas podem cair em um buraco negro, mas apenas quando estão perto dele”, explica ao g1 Jakob van den Eijnden, astrofísico e pesquisador na Universidade de Oxford.  
2 - Quais são os tipos de buracos negros?

Existem três tipos catalogados pelos astrônomos: buracos negros estelares, buracos negros intermediários e buracos negros supermassivos.

Os buracos negros estelares são os menores. Eles são formados quando uma estrela massiva morre, numa explosão chamada de supernova. Geralmente têm uma massa (a quantidade de matéria de um objeto) entre 10 e 100 vezes maior que o Sol.

Já os intermediários - entre 100 e 100 mil vezes a massa do Sol - não são muito comuns. É tão difícil encontrá-los que alguns cientistas questionam se esses de fato existem. Mas no ano passado, um grupo pesquisadores apresentou um trabalho sobre a descoberta de um deles.

Por fim, os supermassivos habitam o centro da maioria das galáxias do Universo, e geralmente surgem após a formação de suas galáxias, engolindo tudo o que veem pela frente. Como o próprio nome sugere, eles são um dos objetos mais pesados do espaço, com massas que variam de milhões a bilhões de massas solares.

3 - O buraco negro é mesmo um buraco?

NÃO, um buraco negro não é um buraco.

Albert Einstein previu pela primeira vez a existência de buracos negros em 1916, mas foi somente em 1967 que o termo foi cunhado pelo astrônomo americano John Wheeler.

O termo se refere ao fato de que tudo que é atraído pela força da gravidade para um buraco negro fica preso “dentro” dele e parece desaparecer, tal como num buraco.

"[Nos buracos negros] temos uma situação que nem a luz escapa. Então, a matéria vai ser atraída e vai cair como se estivesse caindo num buraco, numa caçapa. Por isso, esse nome buraco foi dado metaforicamente", diz o astrofísico e docente da FEI, Cássio Barbosa.

4 - Por que dizemos que os buracos negros desafiam as leis da física?

Quando qualquer objeto cruza o horizonte de eventos de um buraco negro, ou seja, a “borda” deles, ele não tem mais escapatória.

A gravidade é tão intensa nesse ponto que esse objeto passa por um processo conhecido como espaguetificação: ele é dilacerado pelo campo gravitacional do buraco negro num formato que lembra um espaguete, em formas finas e alongadas.

Concepção artística mostra uma estrela sendo devorada por um buraco negro.  — Foto: ESO/M. Kornmesse
Concepção artística mostra uma estrela sendo devorada por um buraco negro. — Foto: ESO/M. Kornmesse

Isso acontece porque ao centro do buraco negro temos um ponto tão pequeno e massivo que sua densidade chega ao infinito, o que é algo inexplicável pela física e matemática atual.

Esse coração do buraco negro, chamado de singularidade, é onde o espaço e tempo deixam de existir como os conhecemos atualmente.

"O que desafia as leis da natureza não são os buracos negros que são bem descritos pela relatividade geral, mas a singularidade", destaca George Matsas, professor de Física da UNESP. 
5 - Quantos buracos negros existem no Universo? Quantos temos na Via Láctea?

Segundo o Space Telescope Science Institute, o centro científico de operações dos telescópios Hubble e James Webb, existem tantos buracos negros no Universo que é impossível contá-los.

É como contar os grãos de areia de uma praia. A conta é inimaginável. Para se ter ideia, os cientistas estimam que um buraco negro estelar nasce a cada segundo.

Infraestruturas dos Observatórios de Mauna Kea, no Havaí, que faz parte do Event Horizon Telescope. — Foto: J. Weintroub/ESO
Infraestruturas dos Observatórios de Mauna Kea, no Havaí, que faz parte do Event Horizon Telescope. — Foto: J. Weintroub/ESO

O Sagittarius A* não está sozinho. A estimativa é que existam 100 milhões de buracos negros por aqui.

6 - Qual é o buraco negro mais distante já descoberto?

Segundo a Nasa, o buraco negro supermassivo mais distante já descoberto faz parte de um quasar chamado J0313-1806, um objeto tão luminoso quanto uma estrela, por isso chamado de "quase estelar".

Ele está a 13 bilhões de anos-luz de distância da Terra e é cerca de 1,6 bilhão de vezes maior que o nosso Sol.

"Observar um quasar muito distante significa não só ver indiretamente um buraco negro, mas também um buraco negro muito antigo, já que a luz tem velocidade finita. Se J0313-1806 está a 13 bilhões de anos-luz de distância da Terra, significa que a foto que registramos hoje é de como o quasar era há 13 bilhões de anos atrás", diz Matsas.

7 - O que há dentro de um buraco negro?

Esse é um dos grandes mistérios da ciência. Nas palavras da cientista Andrea Gehz – que investiga buracos negros e foi uma das vencedoras do Nobel de Física de 2020 pelo seu trabalho – ninguém sabe.

"Não temos nenhuma ideia do que há dentro do buraco negro – eles são o colapso do entendimento das leis da física", declarou Gehz.

O astrofísico van den Eijnden explica que muitas coisas permanecem desconhecidas quando o assunto é buraco negro. Um campo de estudo ativo, por exemplo, é o que investiga o que acontece com um material quando ele cai num buraco negro: como é, quais são suas propriedades e por que parte desse material é lançado para o espaço na forma de jatos.

"De fato, esses processos que acontecem perto do horizonte de eventos são difíceis de observar e, portanto, pouco compreendidos", observa o pesquisador. 
8 - O que é o Sagittarius A* e onde ele está?

O Sgr A* é um buraco negro supermassivo, 4 milhões de vezes mais que o Sol, com um diâmetro ainda maior, cerca de 18 vezes mais que a nossa estrela (veja infográfico acima).

Ele está estacionado na constelação de Sagitário, que é visível nos hemisférios norte e sul (a constelação, não o buraco negro).

Sua descoberta foi revelada para a comunidade científica pelos astrônomos Bruce Balick e Robert L. Brown, nos anos 1970, inicialmente como uma fonte de rádio brilhante no centro da Via Láctea.

Veja localização do buraco negro — Foto: NASA
Veja localização do buraco negro — Foto: NASA

Van den Eijnden explica que o Sagitário A* é relativamente quieto: não há uma grande quantidade de material sendo atraída para ele. Por isso, só podemos estudá-lo porque ele está em nossa própria Galáxia.

"Se uma cópia exata de Sagitário A* estivesse localizada em outra galáxia distante, ele seria muito silencioso e fraco para ser estudado", diz.

"Na maior porte do tempo, esse buraco negro não está ativo. Por isso, a gente não tem como tirar alguma conclusão a respeito dele, porque ele simplesmente não está mandando informações", acrescenta o astrofísico da FEI, Cássio Barbosa.

9 - A Terra pode ser engolida por um buraco negro? Seria o Sgr A* uma ameaça?

Os buracos não vagam por aí no espaço, engolindo tudo o que encontram pela frente.

A Nasa explica que, assim como outros objetos no espaço, eles seguem as leis da gravidade.

Por isso, a órbita de um teria que estar muito próxima do nosso sistema solar para afetar a vida aqui na Terra, o que não acontece, nem mesmo com o Sgr A*.

10 - O que podemos aprender estudando Sagittarius A* e a imagem desse buraco negro supermassivo?

O astrofísico e pesquisador da Universidade de Oxford explica que, como o Sgr A* está tão perto de nós (quando comparado com outros buracos negros), podemos estudá-lo mesmo se somente pequenas quantidades de material estejam caindo dentro dele.

E é justamente isso que acontece com esse objeto ao centro da nossa Via Láctea. A título de comparação, o M87 tem uma taxa muito maior de material que é absorvida.

Por isso, ressalta Van den Eijnden, podemos estudar o que acontece nos arredores desse buraco negro de uma forma que não podemos observar em nenhum outro lugar do universo.

"Estudar buracos negros em geral nos permite estudar física nas circunstâncias mais extremas, que são tão extremas que não podemos recriá-las em um laboratório na Terra".

(VÍDEO: Telescópio registra estrela sendo engolida por buraco negro.)

Telescópio registra estrela sendo engolida por buraco negroTelescópio registra estrela sendo engolida por buraco negro

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quarta-feira, 11 de maio de 2022

IPCA: inflação fica em 1,06% em abril e atinge 12,13% em 12 meses

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Foi a maior variação para um mês de abril desde 1996. Inflação fica mais esparramada e afeta 8 em cada 10 itens pesquisados pelo IBGE.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, g1

Postado em 11 de maio de 2022 às 11h00m

 #.*Post. - N.\ 10.319*.#

Inflação do mês de abril fica em 1,06%, aponta IBGE
Inflação do mês de abril fica em 1,06%, aponta IBGE

Puxado pela alta dos preços dos combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 1,06% em abril, após alta de 1,62% em março, segundo divulgou nesta quarta-feira (11) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a maior variação para um mês de abril desde 1996 (1,26%). Ou seja, em 26 anos.

No ano de 2022, o IPCA acumula alta de 4,29%.

Apesar de ter desacelerado frente ao resultado de março, a inflação saltou para 12,13% no acumulado em 12 meses, acima dos 11,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Trata-se da maior inflação para o período de 1 ano desde outubro de 2003 (13,98%).

A inflação veio um pouco acima do esperado. A mediana das 39 projeções colhidas pelo Valor Data era de taxa de 1% em abril e de 12,06% em 12 meses.

Com o resultado de abril, já são 8 meses seguidos com a inflação rodando acima dos dois dígitos, o que reforça as apostas de nova elevação da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,75% ao ano.


Desaceleração generalizada

Dentre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, apenas o de Habitação registrou deflação em abril. Pressionado pela queda no custo da energia elétrica no país, este grupo registrou queda de 1,14% em abril, depois de ter sofrido uma alta de 1,15% em março.

Outros cinco grupos registraram desaceleração da inflação, ou seja, mantiveram alta dos preços, mas em intensidade menor que a observada no mês anterior. O grupo de transportes foi o segundo com recuo mais intenso, passando de 3,02% em março para 1,91% em abril.

Na contramão, o indicador mais que dobrou na passagem de março para abril nos grupos de artigos de residência (de 0,57% para 1,53%), saúde e cuidados pessoais (de 0,88% para 1,77%) e comunicação (de -0,05% para 0,08%).

Segundo o IBGE, o grupo de artigos de residência foi pressionado, principalmente, pela alta de 2,25% de eletrodomésticos e equipamentos. Já o de saúde e cuidados pessoais foi impactado pela alta de 6,13% de produtos farmacêuticos, enquanto o de comunicação sofreu pressão do aumento médio de 0,41% dos aparelhos telefônicos.

Veja a inflação de abril para cada um dos grupos pesquisados

  • Alimentação e bebidas: 2,06%
  • Transportes: 1,91%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,77%
  • Artigos de residência: 1,53%
  • Vestuário: 1,26%
  • Despesas pessoais: 0,48%
  • Comunicação: 0,08%
  • Educação: 0,06%
  • Habitação: -1,14%

Tanto transporte quanto alimentação e bebidas ganharam peso na passagem de março para abril. "Juntos, eles contribuíram com cerca de 80% do índice de abril", destacou o analista da pesquisa, André Almeida.

Combustíveis seguem os vilões

De acordo com o IBGE, a alta de preços dos combustíveis foi a que mais pressionou a inflação em abril. Juntos, os combustíveis sofreram uma alta de 3,20% na passagem de março para abril, representando 0,25 ponto percentual do IPCA no mês.

A gasolina foi mais uma vez a vilã da inflação no mês, com alta de 2,48%, respondendo sozinha por um impacto de 0,17 ponto percentual no índice. “A gasolina é o subitem com maior peso no IPCA (6,71%), mas os outros combustíveis também subiram. O etanol subiu 8,44%, o óleo diesel, 4,74% e a ainda houve uma alta de 0,24% no gás veicular”, destacou o pesquisador André Almeida.

Em 12 meses, os combustíveis acumulam alta de 33,24%, a gasolina de 31,22%, o etanol, de 42,11%, o diesel, de 53,5%, e o gás veicular de 45,18%.

Batata e tomate mais caros

Os alimentos, que já haviam subido no mês anterior, continuaram a subir em abril. A alta foi puxada pelos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%).

Entre as principais altas, destaque para as altas do leite longa vida (10,31%), batata-inglesa (18,28%), tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%).

Energia ameniza índice do mês

O grupo habitação foi o único com deflação no mês, puxado pela queda nos preços da energia elétrica (-6,27%). Em março, o grupo havia registrado alta de 1,15%.

"A variação negativa da energia elétrica foi a que mais contribuiu para essa desaceleração [no mês]", apontou Almeida.

A partir de 16 de abril, passou a vigorar a bandeira tarifária verde, sem cobrança extra na conta de luz. Desde setembro do ano passado, estava em vigor a bandeira de Escassez Hídrica, que acrescentava R$14,20 a cada 100Kwh consumidos.

Já o gás de botijão subiu 3,32% em abril e acumula alta de 32,34% em 12 meses.

RJ tem a inflação mais alta

Dentre as 17 regiões pesquisadas pelo IBGE, sete registraram alta de preços superior ao índice nacional. A inflação mais alta foi observada no Rio de Janeiro (1,39%), enquanto a menor variação ocorreu em Salvador (0,67%).

Belo Horizonte e São Paulo foram as únicas regiões que registraram o mesmo índice de inflação da média nacional.


Inflação mais esparramada

Mesmo com a desaceleração no mês, a inflação ficou mais disseminada. O índice de difusão passou de 76,13% em março para 78,25% em abril. Trata-se do índice de difusão mais intenso desde janeiro de 2003, quando ficou em 85,4%.

O indicador reflete o espalhamento da alta de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Isso significa que praticamente 8 em cada 10 itens pesquisados ficaram mais caros.

O IBGE ressalvou que entre os produtos não alimentícios o índice de difusão se manteve estável em 77,51%. Já entre os alimentícios, o indicador acelerou de 74,40% para 79,17%.

Passagem aérea e transporte por aplicativo pressionam serviços

Enquanto a inflação geral do país desacelerou na passagem de março para abril, a de serviços registrou avanço no período, passando de 0,45% para 0,66%.

Em 12 meses, o IPCA de serviços acumula alta de 6,94%, quase a metade do indicador geral da inflação no país.

Dentre os itens que compõem a cesta de serviços pesquisada pelo IBGE, passagens aéreas foi o que registrou maior variação de preços em abril (9,48%), seguido por transportes por aplicativos (4,09%) e seguro voluntário de veículos (3,31%).

Inflação para baixa renda

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação para famílias de baixa renda e é usado como referência para reajustes salariais e benefícios do INSS, subiu 1,04% em abril, contra 1,71% em março.

Foi a maior variação para um mês de abril desde 2003, (1,38%). No ano, o INPC acumula alta de 4,49% e, nos últimos 12 meses, de 12,47%.

Inflação acima da meta pelo 2º ano seguido

A média das expectativas do mercado para a inflação fechada de 2022 está atualmente em 7,89% – mais do dobro do centro da meta para o ano, mas ainda abaixo dos 10,06% registrados em 2021.

As projeções para o IPCA seguem sendo revisadas para cima e o próprio Banco Central já admitiu que a meta de inflação deve superar pelo 2º ano seguido o teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.

Para tentar trazer a inflação de volta para a meta, o Banco Central tem feito um maior aperto monetário. A taxa básica de juros (Selic) está atualmente em 12,75% e o BC sinalizou que caminha para elevar mais os juros.

De acordo com a ata da última reunião do Copom, a inflação ao consumidor "segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, se mostrando mais persistente que o antecipado".

Para 2023, a projeção atual do mercado é de inflação de 4,10% e taxa de juros em 9,25% no final do ano.

Para o próximo ano, a meta de inflação foi fixada em 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Inflação obriga brasileiros a decidir quais despesas vão quitar e as que vão adiarInflação obriga brasileiros a decidir quais despesas vão quitar e as que vão adiar
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Fóssil de 100 milhões de anos, comercializado ilegalmente em site de leilões da Itália, chega a museu do Ceará nesta quarta

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O item, retirado clandestinamente do Brasil, vai ser cedido ao Museu de Fósseis de Santana do Cariri.
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Por g1 CE

Postado em 11 de maio de 2022 às 09h00m

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Fóssil de 100 milhões de anos, comercializado ilegalmente em site de leilões da Itália, é repatriado, no Ceará — Foto: MPF/Reprodução
Fóssil de 100 milhões de anos, comercializado ilegalmente em site de leilões da Itália, é repatriado, no Ceará — Foto: MPF/Reprodução

Um fóssil brasileiro datado em 100 milhões de anos vai ser entregue à Universidade Regional do Cariri (Urca), nesta quarta-feira (11). O item foi retirado do Brasil clandestinamente, e vai ser cedido ao Museu de Fósseis de Santana do Cariri pelo Ministério Público Federal (MPF).

A peça histórica é datada do período Cretáceo e estava sendo comercializada de forma ilegal, por meio de um site de leilões na Itália. A devolução do espécime ao Brasil é resultado de procedimento instaurado pelo MPF em Juazeiro do Norte, também na região do Cariri, em 2020.

A partir desta quarta-feira, a peça passará a compor o acervo do Museu de Fósseis de Santana do Cariri, que é gerido pela Urca. O peixe fossilizado tem origem na Chapada do Araripe, no Cariri cearense.

O artefato recuperado pelo MPF pertence ao grupo de formação fóssil Santana, um dos principais sítios paleontológicos do mundo e reconhecidamente uma das jazidas fossilíferas com a maior diversidade de material excepcionalmente preservado. Na peça, por exemplo, é possível notar a riqueza de detalhes de tecido mole e até as escamas do peixe.

Fósseis extraídos ilegalmente do Ceará são vendidos por até US$ 150 mil cada no exteriorFósseis extraídos ilegalmente do Ceará são vendidos por até US$ 150 mil cada no exterior

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terça-feira, 10 de maio de 2022

Por que países não aumentam produção de petróleo para controlar preços

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Os preços do petróleo estão em alta, então por que os países exportadores de petróleo não tentam derrubá-los?
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de maio de 2022 às 11h00m

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Rússia produz mais de 10 milhões de barris de petróleo por dia e ajuda Opep a manter preços altos — Foto: Getty Images via BBC
Rússia produz mais de 10 milhões de barris de petróleo por dia e ajuda Opep a manter preços altos — Foto: Getty Images via BBC

Os maiores exportadores de petróleo do mundo se reuniram no dia 5 de maio, em meio a apelos de todo o mundo para reduzir os preços.

Mas membros do grupo de países produtores de petróleo Opep+ - que inclui a Rússia - não estão correndo para ajudar.

Mas o que é Opep+?

A Opep+ é um grupo de 23 países exportadores de petróleo que se reúne todos os meses em Viena para decidir quanto petróleo bruto será colocado no mercado mundial.

No núcleo deste grupo estão os 13 membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que são principalmente países do Oriente Médio e da África. Ele foi formado em 1960 como um cartel, com o objetivo de fixar a oferta mundial de petróleo e, por consequência, seu preço.

Atualmente, as nações que compõem a Opep produzem cerca de 30% do petróleo bruto do mundo - por volta de 28 milhões de barris por dia. O maior produtor da entidade é a Arábia Saudita - mais de 10 milhões de barris diários.

Em 2016, quando os preços do petróleo estavam particularmente baixos, a Opep uniu forças com 10 produtores que oficialmente não faziam parte do grupo para criar a Opep+.

Entre eles está a Rússia, que também produz mais de 10 milhões de barris por dia.

Juntas, essas nações são responsáveis por cerca de 40% de todo o petróleo bruto do mundo.

"A Opep+ adapta a oferta e a demanda para equilibrar o mercado", diz Kate Dourian, do Energy Institute. "Eles mantêm os preços altos ao reduzir a oferta quando a demanda por petróleo cai."

A Opep+ também poderia baixar os preços colocando mais petróleo no mercado, que é o que grandes importadores como os Estados Unidos e o Reino Unido desejam.

Como os preços do petróleo ficaram tão altos?

Na primavera de 2020, quando a covid-19 se espalhou pelo mundo e os países entraram em confinamento, o preço do petróleo caiu devido à falta de compradores.

"Os produtores estavam pagando às pessoas para tirar o óleo de suas mãos, porque não tinham espaço suficiente para armazenar tudo", diz Dourian.

Depois, os membros da Opep+ concordaram em reduzir a produção em 10 milhões de barris por dia, para aumentar o preço.

Em junho de 2021, com a demanda por petróleo começando a se recuperar, a Opep+ começou a aumentar gradualmente a oferta, colocando 400 mil barris extras por dia nos mercados mundiais. Agora, está fornecendo cerca de dois milhões e meio de barris diários a menos do que na primavera de 2020.

No entanto, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o preço do petróleo subiu para mais de US$ 100 o barril. Isso causou aumentos significativos no preço da gasolina nas bombas.

"Quando a Opep+ cortou a oferta em 10 milhões de barris por dia em maio de 2020, eles cortaram muito", diz David Fyfe, economista-chefe da Argus Media.

"Agora eles estão aumentando a oferta a um ritmo lento que não leva em conta os efeitos da crise entre Rússia e Ucrânia."

Há um temor entre os compradores de petróleo de que a União Europeia siga os Estados Unidos e imponha um embargo às importações de petróleo da Rússia, diz Fyfe. A Europa importa atualmente mais de dois milhões e meio de barris de petróleo da Rússia por dia.

"A ameaça de um embargo ao petróleo russo assustou os mercados", diz ele, "porque pode levar a um aperto agudo na oferta".

Por que a Opep+ não aumenta a produção de petróleo?

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apelou repetidamente à Arábia Saudita para aumentar sua produção de petróleo, mas sem sucesso.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também pediu à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos que aumentem a produção. O pedido também foi negado.

"A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm capacidade ociosa, mas se recusam a aumentar a produção por conta própria", diz Kate Dourian.

"Eles não querem ser ditados pelo Ocidente. Eles estão dizendo que a lacuna entre oferta e demanda está diminuindo e que os altos preços de hoje simplesmente refletem o pânico por parte dos compradores de petróleo."

Outras nações da Opep+ estão encontrando dificuldades para aumentar sua produção de petróleo.

"Produtores como Nigéria e Angola têm subestimado suas cotas de produção em um milhão de barris por dia no ano passado", diz David Fyfe.

"O investimento caiu durante a pandemia - e as instalações de petróleo, em alguns casos, não tiveram manutenção. Agora, eles estão descobrindo que não podem realmente entregar aumentos de produção na íntegra." 
Qual é a posição da Rússia?

A Opep+ também tem que respeitar os desejos da Rússia, já que é um dos dois maiores parceiros da aliança.

"Os russos estão satisfeitos com os preços neste nível", diz Carole Nakhle, CEO da Crystol Energy.

"Eles não têm nada a ganhar em vê-los diminuir. A Opep quer manter boas relações com a Rússia, então é mais provável que continuem com o acordo do ano passado. Isso significa aumentar a oferta de petróleo muito gradualmente a partir de agora até setembro."

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