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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Os microchips que permitem pagamento com a mão

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Empresas oferecem chips de pagamento injetados sob a pele, que podem ser usados para pagar contas como um cartão de débito ou crédito comum.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de abril de 2022 às 13h15m

Post.- N.\ 10.288

Uma mulher pagando sua refeição em um café usando um chip de pagamento sem contato implantado em sua mão — Foto: PIOTR DEJNEKA
Uma mulher pagando sua refeição em um café usando um chip de pagamento sem contato implantado em sua mão — Foto: PIOTR DEJNEKA

O holandês Patrick Paumen, de 37 anos, causa rebuliço sempre que paga por algo em uma loja ou restaurante.

Ele não precisa usar dinheiro, cartão de banco ou celular para pagar. Em vez disso, ele simplesmente coloca a mão esquerda perto do leitor de cartão e o pagamento é realizado.

"As reações que recebo dos caixas são impagáveis", diz Paumen, que trabalha como guarda de segurança.

Ele consegue pagar usando apenas sua mão porque em 2019 ele teve um microchip de pagamento injetado sob a pele.

"O procedimento dói tanto quanto quando um beliscão na pele", diz Paumen.

A primeira vez que um microchip foi implantado em um ser humano foi em 1998, mas foi apenas na última década que essa tecnologia ficou disponível comercialmente.

A empresa anglo-polonesa Walletmor diz que se tornou, no ano passado, a primeira empresa a colocar à venda chips de pagamento implantáveis.

Paumen tem um chip sob a pele da mão esquerda que acende quando entra em contato próximo com uma máquina de pagamento — Foto: PATRICK PAUMEN
Paumen tem um chip sob a pele da mão esquerda que acende quando entra em contato próximo com uma máquina de pagamento — Foto: PATRICK PAUMEN

"O implante pode ser usado para pagar uma bebida na praia do Rio, um café em Nova York, um corte de cabelo em Paris — ou no supermercado local", diz o fundador e presidente-executivo Wojtek Paprota. "Ele pode ser usado onde quer que pagamentos sem contato sejam aceitos."

O chip de Walletmor, que pesa menos de um grama e é pouco maior que um grão de arroz, é composto por um minúsculo microchip e uma antena envolta em um biopolímero — um material de origem natural, semelhante ao plástico.

Paprota diz que o chip é totalmente seguro, tem aprovação regulatória e funciona imediatamente após ser implantado. Também não requer bateria ou outra fonte. A empresa diz que já vendeu mais de 500 chips.

A tecnologia que a Walletmor usa é a comunicação de campo próximo ou NFC, em inglês - o sistema de pagamento por aproximação em smartphones. Outros implantes de pagamento são baseados em identificação por radiofrequência (RFID), que é a tecnologia similar normalmente encontrada em cartões de débito e crédito físicos por aproximação.

Para muitos de nós, a ideia de ter um chip implantado em nosso corpo é horrível, mas uma pesquisa de 2021 com mais de 4 mil pessoas no Reino Unido e na União Europeia descobriu que 51% considerariam fazer um implante.

Um raio-x mostrando um implante Walletmor, que é injetado na mão de uma pessoa após um anestésico local — Foto: WALLETMOR
Um raio-x mostrando um implante Walletmor, que é injetado na mão de uma pessoa após um anestésico local — Foto: WALLETMOR

No entanto, sem fornecer uma porcentagem, o relatório acrescentou que "questões de invasão e segurança continuam sendo uma grande preocupação" para os entrevistados.

Paumen diz que não tem nenhuma dessas preocupações.

"Os implantes de chip contêm o mesmo tipo de tecnologia que as pessoas usam diariamente", diz ele, "desde chaveiros a destrancar portas, cartões de transporte público como o cartão Oyster [do transporte público de Londres] ou cartões bancários com função de pagamento sem contato."

"A distância de leitura é limitada pela pequena bobina da antena dentro do implante. O implante precisa estar dentro do campo eletromagnético de um leitor RFID [ou NFC]. Somente quando há um acoplamento magnético entre o leitor e o transponder o implante pode ser lido."

Ele acrescenta que não está preocupado em ter seu paradeiro rastreado.

"Os chips RFID são usados ​​em animais de estimação para identificá-los quando estão perdidos", diz ele. "Mas não é possível localizá-los usando um implante de chip RFID — o animal desaparecido precisa ser encontrado fisicamente. Então todo o corpo é escaneado até que o implante de chip RFID seja encontrado e lido."

No entanto, o problema com esses chips (e o que causa preocupação) é se no futuro eles se tornarão cada vez mais avançados e cheios de dados privados de uma pessoa. E se essas informações são seguras e se uma pessoa pode de fato ser rastreada.

Theodora Lau diz que no futuro precisaremos saber qual o limite dos implantes — Foto: THEODORA LAU
Theodora Lau diz que no futuro precisaremos saber qual o limite dos implantes — Foto: THEODORA LAU

A especialista em Tecnologia Financeira, Theodora Lau, é coautora do livro Beyond Good: How Technology Is Leading A Business Driven Revolution (Além do Bem: Como a Tecnologia Está Liderando uma Revolução Impulsionada pelos Negócios, em tradução livre).

Ela diz que os chips de pagamento implantados são apenas "uma extensão da internet das coisas". Ou seja, trata-se de uma nova maneira de conectar e trocar dados.

No entanto, embora ela diga que muitas pessoas estão abertas à ideia — pois tornaria o pagamento das coisas mais rápido e fácil — o benefício deve ser ponderado com os riscos. Especialmente na medida em que os chips comecem a carregar mais informações pessoais.

"Quanto estamos dispostos a pagar por conveniência?" ela diz. "Onde traçamos a linha quando se trata de privacidade e segurança? Quem protegerá a infraestrutura crítica e os humanos que fazem parte dela?"

Nada Kakabadse, professora de Política, Governança e Ética na Henley Business School da Reading University, também é cautelosa sobre o futuro de chips mais avançados.

"Existe um lado sombrio da tecnologia que tem potencial para abuso", diz ela. "Para aqueles que não amam a liberdade individual, abre novas e sedutoras visões de controle, manipulação e opressão. E quem é o dono dos dados? Quem tem acesso aos dados? E é ético colocar chip em pessoas como fazemos com animais de estimação?"

O resultado, ela adverte, pode ser "o desempoderamento de muitos para o benefício de poucos".

Steven Northam, professor de Inovação e Empreendedorismo da Universidade de Winchester, diz que as preocupações são injustificadas. Além de seu trabalho acadêmico, ele é o fundador da empresa britânica BioTeq, que fabrica chips implantados wireless desde 2017.

Seus implantes são voltados para pessoas com deficiência que podem usar os chips para abrir portas automaticamente.

"Temos consultas diárias", diz ele, "e realizamos mais de 500 implantes no Reino Unido — mas a covid causou alguma redução na procura".

"Essa tecnologia é usada em animais há anos", argumenta. "São objetos muito pequenos e inertes. Não há riscos."

Paumen também tem ímãs implantados em seus dedos — Foto: PATRICK PAUMEN
Paumen também tem ímãs implantados em seus dedos — Foto: PATRICK PAUMEN

Na Holanda, Paumen se descreve como um "biohacker" — alguém que coloca pedaços de tecnologia em seu corpo para tentar melhorar seu desempenho. Ele tem 32 implantes no total, incluindo chips para abrir portas e ímãs embutidos.

"A tecnologia continua evoluindo, então continuo colecionando mais", diz ele. "Meus implantes aumentam meu corpo. Eu não gostaria de viver sem eles", diz ele.

"Sempre haverá pessoas que não querem modificar seus corpos. Devemos respeitar isso — e eles devem nos respeitar como biohackers."

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5 maneiras de salvar o planeta, segundo cientistas da ONU

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Aposentar usinas a carvão e deixar de subsidiar combustíveis fósseis estão entre as ações capazes de frear o ritmo das mudanças climáticas.
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TOPO
Por Matt McGrath, BBC

Postado em 11 de abril de 2022 às 07h45m

Post.- N.\ 10.287

Para evitar os grandes perigos do aquecimento global, as emissões de carbono precisam parar de crescer nos próximos três anos e cair rapidamente em seguida. — Foto: GETTY IMAGES/BBC
Para evitar os grandes perigos do aquecimento global, as emissões de carbono precisam parar de crescer nos próximos três anos e cair rapidamente em seguida. — Foto: GETTY IMAGES/BBC

Os riscos das mudanças climáticas vêm sendo demonstrados há anos. Mas há menos atenção voltada às formas de realmente enfrentar o problema.

No início de abril, cientistas da ONU apresentaram um plano que eles acreditam que poderá ajudar as pessoas a evitar os piores impactos do aumento das temperaturas no planeta. O relatório, preparado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), basicamente convoca uma revolução sobre nossa forma de produção da energia necessária para as atividades humanas.

Para evitar os grandes perigos do aquecimento global, as emissões de carbono precisam parar de crescer nos próximos três anos e cair rapidamente em seguida. E, mesmo assim, será necessário usar tecnologia para retirar CO2 do ar e manter as temperaturas baixas.

Segundo os pesquisadores, existem cinco ideias fundamentais para manter a segurança do planeta:

1 - O carvão precisa se aposentar (de novo!)

O relatório do IPCC tem 63 páginas detalhadas, repletas de observações e complexas notas de rodapé. Toda essa verborragia não consegue esconder a mensagem central dos cientistas: se o mundo quiser se livrar dos perigos do aquecimento global, os combustíveis fósseis precisam ser eliminados.

Manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C exige que as emissões parem de crescer até 2025, segundo os pesquisadores, e sejam reduzidas em 43% até o final da década. A forma mais eficaz de alcançar esse objetivo é gerar energia de fontes sustentáveis, como eólica e solar.

Os autores indicam redução drástica dos custos dessas tecnologias, que atingiu cerca de 85% desde 2010. E, embora a guerra na Ucrânia esteja fazendo com que os governos europeus voltem a flertar com a ideia do uso de carvão, rico em carbono, os meios políticos claramente aceitam que a energia sustentável barata é o único caminho para eliminar a dependência de Putin no setor de energia.

Por isso, para o bem da temperatura do planeta (e da política atual), o IPCC acredita que o carvão deverá ser finalmente aposentado para sempre.

"Acho que esta é uma mensagem muito forte, não deve haver novas usinas movidas a carvão. Caso contrário, realmente será um risco para o limite de 1,5 °C", afirma Jan Christoph Minx, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos coordenadores do estudo do IPCC.

"Acho que a grande mensagem do relatório é que precisamos pôr fim à era dos combustíveis fósseis. E não é preciso simplesmente encerrá-la; precisamos encerrá-la com muita rapidez", segundo ele.

2 - O improvável vira realidade...

Alguns anos atrás, soluções tecnológicas para as mudanças climáticas eram geralmente consideradas ideias excêntricas. Desde pulverizar substâncias na atmosfera até resfriar a Terra bloqueando o Sol com escudos espaciais, diversas ideias foram ridicularizadas, criticadas e rapidamente esquecidas.

Mas, à medida que a crise climática se amplia e o corte das emissões de carbono parece ser difícil, os pesquisadores vêm sendo forçados a examinar novamente o papel da tecnologia para limitar e até reduzir o CO2 da atmosfera.

A ideia de remoção do dióxido de carbono da atmosfera agora é considerada totalmente normal, depois de ser endossada pelo IPCC no último relatório.

Os cientistas são claros: será realmente impossível manter as temperaturas baixas sem alguma forma de remoção de carbono, seja com árvores ou com máquinas de filtragem do ar.

Mas existe muita oposição dos ambientalistas. Parte deles acusa o IPCC de ceder aos países produtores de combustíveis fósseis e depositar ênfase demais em tecnologias que, essencialmente, permanecem sem comprovação.

"A principal desvantagem que vejo é o fato de que o relatório é muito tolerante quanto à rápida supressão dos combustíveis fósseis", segundo Linda Schneider, da Fundação Heinrich Böll, em Berlim, na Alemanha.

"Eu esperava que o relatório apresentasse os processos mais confiáveis e seguros para atingirmos o limite de 1,5 °C, sem exagerar e depender de tecnologias que simplesmente não sabemos se irão funcionar", afirma ela.

3 - Reprimir a demanda é uma arma secreta

Uma das grandes diferenças entre este relatório e suas versões anteriores é que a ciência social tem forte presença. Ela se concentra principalmente na ideia de reduzir a demanda de energia das pessoas nos campos da moradia, mobilidade e nutrição.

Isso engloba uma série de questões - incluindo alimentação de baixo carbono, resíduos alimentares, como construímos nossas cidades e como levamos para as pessoas opções de transporte com maior economia de carbono.

Carros elétricos trazem grande diferença para as emissões do transporte, mas exigem investimentos em tecnologia de carregamento de energia para acelerar sua aceitação. — Foto: GETTY IMAGES/BBC
Carros elétricos trazem grande diferença para as emissões do transporte, mas exigem investimentos em tecnologia de carregamento de energia para acelerar sua aceitação. — Foto: GETTY IMAGES/BBC

O IPCC acredita que as mudanças nessas áreas poderão limitar as emissões dos setores de consumo final em 40 a 70% até 2050, aumentando ainda o bem-estar das pessoas. É um objetivo ambicioso, mas o relatório é bem específico e detalhado - e, sim, será necessário ter estímulos e incentivos dos governos.

Mas parece ser uma forma mais ou menos tranquila de causar impactos reais.

4 - Resfriar o planeta com dinheiro...

Muitas vezes se postergou o combate às mudanças climáticas devido aos altos custos envolvidos. Mas essa impressão se alterou nos últimos anos, já que a conta financeira dos desastres climáticos vem crescendo de forma consistente.

Agora, o IPCC está anunciando novas orientações quanto aos custos. O ponto principal é que, para transformar o planeta, com o perdão do trocadilho, não será necessário mover o mundo.

O IPCC afirma que ainda existe muito dinheiro sendo gasto com combustíveis fósseis e não com soluções de energia limpa. Se os subsídios dos governos para os combustíveis fósseis fossem eliminados, as emissões seriam reduzidas em até 10% em 2030, segundo o Greenpeace.

O IPCC afirma que, com o passar do tempo, os modelos que incorporam os danos econômicos causados pelas mudanças climáticas demonstram que o custo global de limitar o aquecimento em 2 °C ao longo deste século é menor que os benefícios econômicos globais da redução do aquecimento.

Já manter as temperaturas bem abaixo de 2 °C custa um pouco mais, mas não muito, considerando os danos evitados e a ampla variedade de benefícios decorrentes, como ar e água mais limpos.

"Se você observar os cenários mais agressivos do relatório, custaria no máximo 0,1% do crescimento anual considerado do PIB", segundo Michael Grubb, professor do University College de Londres, outro dos coordenadores do relatório.

5 - Atacar os ricos... ou torná-los exemplos?

O relatório renova a ênfase no impacto desproporcional dos ricos sobre o planeta. Segundo o IPCC, 10% das residências com maiores emissões per capita contribuem com 45% das emissões domésticas de gases do efeito estufa causadas pelo consumo.

Essencialmente, o relatório afirma que as pessoas mais ricas do mundo gastam grande parte do seu dinheiro em mobilidade, incluindo aviões particulares.

Seria então o caso de submetê-los a aumentos de impostos ou outras formas de restringir suas emissões? Sim, pode ser o caso, mas alguns autores do IPCC acreditam que os ricos têm outros papéis a desempenhar para ajudar o mundo a zerar suas emissões.

"Os indivíduos ricos contribuem desproporcionalmente com maiores emissões, mas têm alto potencial de redução, mesmo mantendo alto nível de bem-estar e um padrão de vida decente", afirma Patrick Devine-Wright, um dos principais autores do IPCC, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

"Acho que existem indivíduos com alta posição socioeconômica que são capazes de reduzir suas emissões, tornando-se modelos de estilo de vida de baixo carbono, selecionando seus investimentos em negócios e oportunidades de baixo carbono e fazendo lobby em prol de políticas climáticas rígidas", segundo ele.

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domingo, 10 de abril de 2022

Guarda espanhola apreende coleção particular de animais empalhados avaliada em R$ 148 milhões

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Mais de mil animais, entre eles 400 de espécies protegidas e ameaçadas, estavam em dois armazéns na cidade de Batéra. Empresário pode ser acusado de tráfico e outros crimes contra o meio ambiente.
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Por g1

Postado em 10 de abril de 2022 às 15h20m

Post.- N.\ 10.286

Animais empalhados foram achados pela Guarda Civil da Espanha  — Foto: Guardia Civil via AP
Animais empalhados foram achados pela Guarda Civil da Espanha — Foto: Guardia Civil via AP

Uma coleção particular de um empresário com mais de mil animais empalhados, entre eles 400 de espécies protegidas e ameaçadas, foi apreendida pela Guarda Civil da Espanha. A informação foi divulgada neste domingo (10).

Os animais estavam em dois armazéns de 50 mil metros quadrados na cidade de Batéra, uma pequena cidade ao norte da cidade costeira oriental de Valência, segundo a Guarda Civil informou à agência Associated Press.

Dos 1.090 animais encontrados, 405 eram de espécies protegidas. Também foi encontrado o "órix do Saara", espécie que a União Internacional para a Conservação da Natureza declarou extinta na natureza em 2000.

E havia pelo menos mais duas espécies quase extintas: o addax ou antílope branco, originalmente do deserto do Saara, e o tigre de Bengala.

Animal empalhado apreendido pela guarda espanhola — Foto: Guarda Civil da Espanha
Animal empalhado apreendido pela guarda espanhola — Foto: Guarda Civil da Espanha

Conforme a Guarda Civil, a coleção chegaria a € 29 milhões de euros ou cerca de R$ 148 milhões no mercado negro. O proprietário pode ser acusado de tráfico e outros crimes contra o meio ambiente.

Os agentes também encontraram na coleção chita, leopardo, leão, lince, urso polar, pantera da neve e rinoceronte branco, além de 198 grandes presas de marfim de elefantes. A descoberta se tornou a maior de animais taxidermizados protegidos na Espanha.

A Guarda Civil ainda informou que vai investigar se existem documentos que justifiquem a posse do acervo.

Coleção particular foi achada pela Guarda Civil da Espanha  — Foto: Guardia Civil via AP
Coleção particular foi achada pela Guarda Civil da Espanha — Foto: Guardia Civil via AP

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Primeira missão totalmente privada chega à Estação Espacial Internacional

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Missão se junta aos sete tripulantes da Estação Espacial Internacional, por um período de oito dias, para conduzir experimentos científicos e biomédicos
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TOPO
Por France Presse

Postado em 10 de abril de 2022 às 10h25m

Post.- N.\ 10.285

Primeira missão espacial privada chega à Estação Espacial Internacional
Primeira missão espacial privada chega à Estação Espacial Internacional

A primeira equipe totalmente privada de astronautas já lançada para a Estação Espacial Internacional (ISS) chegou com segurança à plataforma de pesquisa em órbita, neste sábado (9), para iniciar uma missão científica de uma semana, considerada um marco para os voos espaciais comerciais.

A chegada ocorreu cerca de 21 horas depois que a equipe de quatro homens que representa a empresa Axiom Space Inc, com sede em Houston, decolou na sexta-feira (8) do Centro Espacial Kennedy da NASA, pilotando um foguete Falcon 9 lançado pela SpaceX.

A cápsula Crew Dragon foi colocada em órbita pelo foguete ancorado na ISS por volta das 8h30, horário de Brasília, enquanto os veículos espaciais voavam cerca de 420 km acima do Oceano Atlântico.

A fase final de aproximação foi atrasada por uma falha técnica que interrompeu a reprodução de vídeo, usado para monitorar a chegada da cápsula. O problema forçou a Crew Dragon a pausar o percurso e manter sua posição a 20 metros da estação por cerca de 45 minutos, enquanto o controle da missão solucionava a questão.

Momento da decolagem da primeira missão espacial totalmente privada, que chegou à Estação Espacial Internacional neste sábado (9) — Foto: REUTERS/Thom Baur
Momento da decolagem da primeira missão espacial totalmente privada, que chegou à Estação Espacial Internacional neste sábado (9) — Foto: REUTERS/Thom Baur

A equipe da Axiom, que planeja passar oito dias em órbita, foi liderada pelo astronauta aposentado da NASA, nascido na Espanha, Michael Lopez-Alegria, 63, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da empresa.

Seu segundo em comando era Larry Connor, um empresário imobiliário e de tecnologia e aviador de acrobacias de Ohio, designado como piloto da missão. Connor tem aproximadamente 70 anos, mas a empresa não forneceu sua idade exata.

Completam a tripulação da Ax-1 o investidor-filantropo e ex-piloto de caça israelense Eytan Stibbe, 64, e o empresário e filantropo canadense Mark Pathy, 52, ambos servindo como especialistas em missões.

Stibbe se tornou o segundo israelense a voar para o espaço, depois de Ilan Ramon, que morreu com seis tripulantes da NASA no desastre do ônibus espacial Columbia em 2003.

Eles se juntarão aos sete tripulantes que atualmente ocupam a ISS, pagos pelo governo — três astronautas americanos, um alemão, da Agência Espacial Européia, e três cosmonautas russos.

Eytan Stibbe, Michael López-Alegría, Mark Pathy e Larry Connor, tripulantes da missão Ax-1, em foto divulgada em 24 de fevereiro de 2022 — Foto: Axiom Space/AFP
Eytan Stibbe, Michael López-Alegría, Mark Pathy e Larry Connor, tripulantes da missão Ax-1, em foto divulgada em 24 de fevereiro de 2022 — Foto: Axiom Space/AFP

FOCO NA CIÊNCIA

Os recém-chegados levaram duas dúzias de experimentos científicos e biomédicos para realizar a bordo da ISS, incluindo pesquisas sobre saúde cerebral, células-tronco cardíacas, câncer e envelhecimento.

A missão, uma colaboração entre a Axiom, a empresa de foguetes SpaceX , de Elon Musk, e a NASA, foi apontada pelas três partes como um passo importante na expansão das atividades comerciais espaciais, conhecida por especialistas como a economia da órbita baixa da Terra.

Autoridades da NASA dizem que esse mercado ajudará a agência espacial dos EUA a concentrar uma maior parte dos seus recursos na exploração de grandes ciências, incluindo seu programa Artemis para enviar humanos de volta à Lua e, finalmente, a Marte.

Embora a estação espacial receba visitantes civis de tempos em tempos, a missão Ax-1 é a primeira equipe comercial de astronautas enviada à ISS com a pretensão de ser um laboratório de pesquisa em órbita.

A missão Axiom também é o sexto voo espacial humano da SpaceX em quase dois anos, após quatro missões de astronautas da NASA à estação espacial e o lançamento Inspiration 4, em setembro, que enviou uma tripulação totalmente civil para orbitar pela primeira vez. Esse voo não atracou na ISS.

Os executivos da Axiom dizem que seus empreendimentos e planos para construir uma estação espacial privada vão muito além dos serviços de turismo espacial voltados à milionários caçadores de emoções, oferecidos por empresas como Blue Origin e Virgin Galactic, de propriedade dos empresários bilionários Jeff Bezos e Richard Branson, respectivamente.

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sexta-feira, 8 de abril de 2022

Cientistas rejuvenescem em 30 anos células de pele humana

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Tecido usado em laboratório, de uma mulher de 53 anos, se parece e se comporta como se fosse de alguém com 23 anos; objetivo de equipe de Cambridge é prevenir doenças associadas ao envelhecimento, mas as aplicações clínicas desse avanço ainda são distantes.
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TOPO
Por BBC

Postado em 08 de abril de 2022 às 14h10m

Post.- N.\ 10.284

Esta célula da pele ampliada é de uma mulher de 53 anos, mas parece e se comporta como uma que é 30 anos mais jovem — Foto: Fátima Santos
Esta célula da pele ampliada é de uma mulher de 53 anos, mas parece e se comporta como uma que é 30 anos mais jovem — Foto: Fátima Santos

Pesquisadores rejuvenesceram as células da pele de uma mulher de 53 anos, fazendo com que sejam equivalentes às de uma mulher de 23 anos.

Os cientistas de Cambridge, no Reino Unido, acreditam que podem fazer a mesma coisa com outros tecidos do corpo.

O objetivo final é desenvolver tratamentos para doenças relacionadas à idade, como diabetes, doenças cardíacas e distúrbios neurológicos.

A tecnologia se baseia nas técnicas usadas para criar a ovelha Dolly, clonada há mais de 25 anos.

Wolf Reik, chefe da equipe do Instituto Babraham, em Cambridge, diz à BBC News que espera que a técnica possa um dia ser usada para manter as pessoas mais saudáveis ​​por mais tempo à medida que envelhecem.

"Temos sonhado com esse tipo de coisa. Muitas doenças comuns pioram com a idade, e pensar em ajudar as pessoas desta forma é superemocionante", afirma.

Reich enfatiza que o estudo, que foi publicado na revista científica "eLife", está em um estágio bem inicial. E há várias questões científicas a serem superadas antes de poder sair de seu laboratório e entrar na fase clínica.

Mas, segundo ele, demonstrar pela primeira vez que o rejuvenescimento celular é possível foi um avanço fundamental.

A ovelha Dolly foi clonada para encontrar a cura para doenças relacionadas ao envelhecimento — Foto: BBC
A ovelha Dolly foi clonada para encontrar a cura para doenças relacionadas ao envelhecimento — Foto: BBC

As origens da técnica remontam à década de 1990, quando pesquisadores do Instituto Roslin, nos arredores de Edimburgo, na Escócia, desenvolveram um método para transformar uma célula da glândula mamária retirada de uma ovelha adulta em um embrião. Isso levou à criação de Dolly, a ovelha clonada.

O objetivo da equipe de Roslin não era gerar clones de ovelhas nem sequer de humanos, mas usar a técnica para criar as chamadas células-tronco embrionárias humanas. Estas, eles esperavam, poderiam ser transformadas em tecidos específicos, como músculos, cartilagens e células nervosas para substituir partes do corpo desgastadas.

A técnica Dolly foi simplificada em 2006 por Shinya Yamanaka, então professor na Universidade de Kyoto, no Japão. O novo método, chamado IPS, envolveu a adição de substâncias químicas a células adultas por cerca de 50 dias. Isso resultou em mudanças genéticas que transformaram as células adultas em células-tronco.

Nas técnicas Dolly e IPS, as células-tronco criadas precisam dar origem a células e tecidos que o paciente necessita. Isso se mostrou difícil e, apesar de décadas de esforço, o uso de células-tronco para tratar doenças é atualmente extremamente limitado.

A equipe de Reik usou a técnica IPS em células da pele de uma mulher de 53 anos. Mas reduziu o banho químico de 50 dias para cerca de 12. Dilgeet Gill, integrante da equipe, ficou surpreso ao descobrir que as células não haviam se transformado em células-tronco embrionárias — mas tinham rejuvenescido, se pareciam e se comportavam como as células da pele de alguém de 23 anos. Ou seja, alguns biomarcadores foram restaurados a "níveis mais jovens".

"Me lembro do dia em que recebi os resultados e não acreditei que algumas das células estavam 30 anos mais jovens do que deveriam ser. Foi um dia muito emocionante!", diz ele.

A técnica não pode ser testada clinicamente imediatamente porque o método IPS aumenta o risco de câncer. Mas Reik está confiante de que agora que se sabe que é possível rejuvenescer as células, sua equipe será capaz de encontrar um método alternativo e mais seguro.

"O objetivo de longo prazo é estender a saúde humana, em vez de (estender apenas a duração da) vida, para que as pessoas possam envelhecer de maneira mais saudável", afirma.

Segundo ele, algumas das primeiras aplicações podem ser o desenvolvimento de medicamentos para rejuvenescer a pele de pessoas idosas em partes do corpo que foram cortadas ou queimadas — como forma de acelerar a cicatrização.

Os pesquisadores demonstraram que isso a princípio é possível, mostrando que as células rejuvenescidas da pele se movem mais rapidamente em experimentos que simulam uma ferida.

O próximo passo é ver se a tecnologia vai funcionar em outros tecidos, como músculo, fígado e células sanguíneas.

Melanie Welham, presidente-executiva do Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas, que financiou parte da pesquisa que levou à ovelha Dolly, disse à BBC News que os benefícios clínicos da tecnologia podem não estar tão distantes.

"Se abordagens semelhantes ou novas terapias puderem rejuvenescer as células imunológicas, que sabemos que se tornam menos responsivas à medida que envelhecemos, no futuro poderá ser possível aumentar a resposta das pessoas à vacinação, assim como sua capacidade de combater infecções."

A grande questão é se os esforços de pesquisa nessa área levariam a um método de regeneração do corpo como um todo, um elixir da juventude ou uma pílula antienvelhecimento. De acordo com Reik, essa ideia não é completamente absurda.

"A técnica foi aplicada em camundongos geneticamente modificados, e há alguns sinais de rejuvenescimento. Um estudo mostrou sinais de um pâncreas rejuvenescido, o que é interessante pelo potencial para combater o diabetes".

Mas Robin Lovell-Badge, do Crick Institute, em Londres, acredita que são consideráveis os obstáculos científicos entre o resultado que Reik obteve em laboratório e as aplicações clínicas mais simples.

Ele tampouco acha que será trivial reproduzir o processo de rejuvenescimento para outros tipos de tecidos ou para uma pílula antienvelhecimento.

"Seria bom encontrar outras substâncias químicas para fazer a mesma coisa, mas elas podem ser igualmente nocivas. Portanto, é ambicioso pensar que você encontrará essas substâncias químicas facilmente e que serão mais seguras."

"Também é bem possível que outros tipos de células exijam condições diferentes que podem ser difíceis de se controlar. E se você vai poder fazer isso com o corpo inteiro com segurança, é algo tão distante, que eu diria que é pura especulação."

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