Total de visualizações de página

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Inflação, combustíveis, bolsa, exportações: entenda os impactos da crise na Ucrânia para a economia brasileira

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que preços das commodities podem carregar o patamar de juros altos por mais tempo, freando ainda mais o crescimento econômico.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
Por Raphael Martins e Thais Matos, g1

Postado em 22 de fevereiro de 2022 às 16h10m

Post.- N.\ 10.218

Trabalhador caminha por campo de petróleo na cidade de Nefteyugansk, na Rússia — Foto: Reuters/Sergei Karpukhin
Trabalhador caminha por campo de petróleo na cidade de Nefteyugansk, na Rússia — Foto: Reuters/Sergei Karpukhin

Os juros altos, a inflação em dois dígitos e o fraco crescimento econômico já vinham bastante desafiadores para a economia brasileira este ano. Agora, o possível conflito na fronteira da Ucrânia pode piorar ainda mais o cenário.

Sempre que há um conflito entre nações poderosas, há risco de aumento da inflação, com pressão nos preços e redução da oferta de produtos. Pode ocorrer também um baque no crescimento por conta do aumento dos riscos, que tende a diminuir os investimentos, derrubar os ganhos das empresas e impactar as ações.

Como se não bastasse, o conflito entre Rússia e Ucrânia acontece quando a economia global ainda se recupera dos efeitos da pandemia do coronavírus, que sobrecarregou as contas e impactou os preços de energia, combustíveis e alimentação.

Para o Brasil, a situação se traduz em mais pressão sobre a inflação em momento de índices já nas alturas. Especialistas ouvidos pelo g1 lembram que a barreira de proteção do país, no momento, é a queda do dólar.

Com a valorização recente do real, itens importantes como alimentos e combustíveis estão relativamente controlados enquanto a tensão se desenrola na fronteira ucraniana.

Mas há dois problemas: a alta dos juros freia ainda mais a perspectiva de crescimento econômico e uma aversão a risco mais intensa tende a trazer impacto mais sério a economias emergentes.

“O Brasil tem uma taxa de investimento historicamente muito baixa e deve piorar com esse cenário global. Evidentemente, impacta o crescimento econômico, a geração de emprego e renda”, afirma Wagner Parente, CEO da BMJ Consultores Associados. 
Veja abaixo os possíveis efeitos sobre a economia brasileira em várias frentes:
Entenda os movimentos separatistas na UcrâniaEntenda os movimentos separatistas na Ucrânia

Combustíveis e inflação

A tensão na fronteira ucraniana renova preocupações com os preços das commodities, em especial o petróleo. Para o Brasil, a valorização do barril do tipo Brent desde o início da pandemia foi um responsáveis pela inflação pelo efeito nos preços da gasolina e do diesel.

Para o economista Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, o principal impacto para o Brasil é justamente via petróleo e preço dos combustíveis e isso, por si só, não afeta tanto a recuperação brasileira.

"É um quadro que pode piorar a questão inflacionária, mas não deveria ter uma resposta do Banco Central. O BC está prevendo a redução do ritmo de alta para a próxima reunião, e, a princípio, não mudará porque o petróleo e os combustíveis não são preços afetados pela política monetária. A economia está fraca por outras razões e vai continuar", diz.

Como o g1 mostrou ao longo do ano passado, os combustíveis sofreram seguidos choques com o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional e também com o real desvalorizado frente ao dólar.

O preço do barril de petróleo teve média de US$ 44 em 2020 e chegou a US$ 70 no ano seguinte. O agravamento do conflito na Rússia deu novo impulso aos preços do insumo, que esbarram agora nos US$ 100.

Diferente dos anos anteriores, contudo, 2022 vem sendo marcado pela entrada de dólares no país, fortalecendo o câmbio aos poucos. Até o fechamento do mercado na segunda-feira (21), a moeda americana registra queda de 8,39% no ano, negociando próximo aos R$ 5,10.

Com o petróleo subindo de um lado, mas o dólar caindo do outro, forma-se uma gangorra que mantém os preços com certa estabilidade.

Miriam: Tensão na Ucrânia bate diretamente no Brasil nos combustíveis, alimentos e energiaMiriam: Tensão na Ucrânia bate diretamente no Brasil nos combustíveis, alimentos e energia

Por isso, para Roberto Motta, chefe da mesa de derivativos da Genial Investimentos, a "defesa" do Brasil contra um impacto nos combustíveis foi a elevação agressiva da taxa Selic, que cria um diferencial de juros que volta a ser atrativo para o investidor estrangeiro.

"O conflito tem impacto inflacionário? Sim, mas não deve mudar o 'plano de voo' do Banco Central, que é atrair dólar ao elevar — e manter no alto — a taxa de juros em patamar muito restritivo", diz o analista.

A meta central de inflação para 2022 é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar entre 2% e 5%. Mas o boletim Focus, sondagem semanal do BC com economistas do mercado financeiro, a projeção é de 5,56%, um novo rompimento do teto e que explica o "pé no acelerador" da subida de juros.

Também de acordo com o Focus, a projeção da Selic está em 12,25% ao ano para o fim de 2022, contra os atuais 10,75%. O aperto dos juros é a forma de compensar uma política fiscal de gasto mais intensa em ano eleitoral.

"Esticar o tempo de juros elevados pode gerar recessão em 2022, mas o BC deixou claro que sua agenda é ancorar a inflação. Assim, o real continua blindado por termos o maior juro real do mundo", diz Motta. 
Bolsa e dólar

Em geral, conflitos geopolíticos provocam reação imediata dos mercados internacionais. A particularidade da tensão entre Rússia e Ucrânia é que as atividades têm sido anunciadas passo a passo desde o fim de 2021, espalhando o impacto nas bolsas.

Outra contribuição relevante é o aumento de juros dos Estados Unidos, que tem agora mais um evento inflacionário para influenciar a análise do Federal Reserve.

Mas, surpreendentemente, a bolsa brasileira reage positivamente e bolsas estrangeiras têm quedas comedidas. Em suma, a reação é que o mercado já vinha se preparando para um evento mais determinante, como o reconhecimento das províncias separatistas na Rússia.

Além disso, a bolsa brasileira tem uma participação enorme de empresas exportadoras de commodities, como Vale, Petrobras, Suzano e tantas outras. Um aumento da demanda traria bons resultados e valorizaria os preços dos papéis. Resultado foi a entrada de mais de US$ 50 bilhões na bolsa neste ano.

A discussão, então, volta a se fixar nos próximos passos. Roberto Motta, da Genial, diz que o conflito chegou a um ponto de não retorno, em que o presidente russo Vladimir Putin não poderia retroceder sem alguma conquista. Para ele, a independência das repúblicas separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, Donetsk e Luhansk, pode ser esse "troféu".

Mercado financeiro aumenta a previsão do IPCA pela 6ª semana seguidaMercado financeiro aumenta a previsão do IPCA pela 6ª semana seguida

"É um evento que, se for bem contornado pela diplomacia, com nível razoável de sanções, pode esvaziar as tensões e pode ser até bom para ativos de risco. O problema é se Putin for tomado pela euforia e avançar", diz o analista.

"Os pêndulos serão Alemanha e França. A Alemanha é mais industrializada e consome energia, vai ser dependente desses preços e vai ter que instaurar sanções que sejam razoavelmente bem aceitas para não ver novas escaladas no conflito", prossegue.

Não parece ser esse o curso das atitudes, por ora. O chanceler alemão, Olaf Scholz, anunciou nesta terça-feira a suspensão da autorização para o gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha. O gasoduto aumentaria o abastecimento de gás russo à Europa, no momento em que a produção própria registra queda.

Apesar de tirar proveito das commodities, uma intensificação do conflito pode ser negativa para o Brasil.

“Quando se tem risco global maior, os países emergentes sofrem mais porque o investidor pode buscar uma situação mais confortável em juros dos EUA e União Europeia. Podemos ter uma nova saída de investidores do Brasil", lembra Wagner Parente, da BMJ. 
Exportações

A Rússia não é um dos grandes parceiros comerciais do Brasil. Não há, portanto, um impacto direto nas exportações brasileiras. É fundamental, contudo, estar atento às reações da China em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região.

A China, sim, é o maior parceiro comercial do Brasil e tradicionalmente tem um alinhamento com o governo russo.

"Até o momento, os chineses se mantiveram alheios à situação. Mas, se formarem uma oposição com Estados Unidos e Europa, tem-se um cenário de polarização que pode impactar fortemente o Brasil”, analisa Parente, da BMJ.

Na relação direta com a Rússia, o Brasil depende principalmente da produção de fertilizantes (60%) e outros itens ligados à agricultura.

No ano passado, quatro dos cinco produtos que o Brasil mais comprou dos russos serviam para preparação do solo. Um desabastecimento desses adubos e fertilizantes poderia aumentar os custos dos alimentos no país.

“A Rússia é o maior exportador mundial de fertilizantes, o que pode afetar o preço de commodities como a soja, e levar a impacto na produção de proteína animal”, explica Parente.
------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Centro nacional de pesquisas que abriga superlaboratório Sirius sofre ataque hacker em Campinas

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Computadores e servidores do CNPEM foram afetados. Sequestro de dados não comprometeu as atividades do acelerador de partículas, informou o centro.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
Por Arthur Menicucci, g1 Campinas e Região

Postado em 21 de fevereiro de 2022 às 20h45m

Post.- N.\ 10.217

CNPEM abriga superlaboratório Sirius — Foto: CNPEM/Divulgação
CNPEM abriga superlaboratório Sirius — Foto: CNPEM/Divulgação

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que fica em Campinas (SP), sofreu um ataque hacker na noite de sábado (19) e teve parte dos arquivos sequestrados. O centro abriga o superlaboratório de luz síncrotron de 4ª geração Sirius, que é o acelerador de partículas do Brasil. Parte dos sistemas voltou a operar nesta segunda (21), mas ainda há serviços fora do ar, informou o centro.

O CNPEM confirmou que o ataque cibernético foi do tipo ransomware, que impede o acesso às informações armazenadas em um dispositivo. Com isso, os cibercriminosos pretendem forçar a vítima a pagar para recuperarem o acesso ao sistema. Entenda o crime nesta reportagem e no vídeo abaixo.

Um comunicado interno do CNPEM informou que o incidente de segurança foi parcialmente contido pela equipe de TI do centro, mas vários computadores e servidores acabaram corrompidos.

De acordo com a assessoria de imprensa do centro, as atividades de pesquisa e desenvolvimento dos laboratórios foram afetadas, mas não "criticamente". A extensão do incidente ainda não foi mensurada.

"Alguns computadores ligados a equipamentos laboratoriais, que dependem de sistemas legados, foram comprometidos e estão sendo recuperados", informou.

"O time de Tecnologia da Informação segue atuante para recuperar sistemas ainda comprometidos, identificar as causas e mensurar a extensão do incidente. O CNPEM está tomando todas as providências técnicas e legais em resposta ao ocorrido".

VÍDEO: Ransomware - entenda como vírus é usado em extorsões
VÍDEO: Ransomware - entenda como vírus é usado em extorsões

O CNPEM informou que, até esta publicação, não houve contato de cibercriminosos para cobrança de valores em troca da devolução dos dados.

Em nota, o CNPEM informou que o Sirius não foi afetado. "A operação e os dados do Sirius foram preservados, devido aos rígidos padrões de segurança adotados pelo Projeto. Dados do Sirius são armazenados na nuvem e seus aceleradores de elétrons e estações de pesquisa utilizam sistemas customizados, desenvolvidos pela equipe do CNPEM e sem acesso à rede".

O CNPEM é uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O g1 questionou o ministério sobre o caso e aguardava um posicionamento até esta publicação. A reportagem será atualizada quando houver retorno.

Outros ataques hackers

Em 10 de dezembro, um ataque hacker afetou o sistema do Ministério da Saúde e derrubou a Rede Nacional de Dados em Saúde, conhecida por ser a “plataforma-mãe” que reúne todas as informações registradas por estados e municípios, na ponta do Sistema Único de Saúde (SUS).

O mesmo ataque aos sistemas do Ministério da Saúde afetou a Controladoria Geral da União (CGU), à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e ao Instituto Federal do Paraná (IFPR).

Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: Nelson Kon
Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: Nelson Kon

O CNPEM

O centro possui quatro laboratórios que são referências mundiais. Um deles, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), opera o Sirius, o acelerador de partículas brasileiro. Superlaboratório funciona como um microscópio de alta performance que analisa os mais diversos tipos de materiais, orgânicos e inorgânicos.

O CNPEM também abriga o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que desenvolve pesquisas em áreas de fronteira da Biociência; o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), responsável pela pesquisa para o desenvolvimento de biocombustíveis; e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), que pesquisa materiais avançados.

"Os quatro Laboratórios têm, ainda, projetos próprios de pesquisa e participam da agenda transversal de investigação coordenada pelo CNPEM, que articula instalações e competências científicas em torno de temas estratégicos", informa o site do centro.

A partir de 2022, com o apoio do Ministério da Educação (MEC), o CNPEM abriu a Ilum Escola de Ciência.

"O curso superior interdisciplinar em Ciência, Tecnologia e Inovação adota propostas inovadoras com o objetivo de oferecer formação de excelência, gratuita, em período integral e com imersão no ambiente de pesquisa do CNPEM", completou o CNPEM.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

Como a ciência explica por que é tão difícil resistir a comidas doces e gordurosas

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Experimentos mostram que certos alimentos ativam mecanismos de recompensa do cérebro.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
TOPO
Por BBC

Postado em 21 de fevereiro de 2022 às 11h05m

Post.- N.\ 10.216

Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos. — Foto: Pexels
Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos. — Foto: Pexels

Por que é tão mais fácil escolher comer um donut em vez de uma porção de brócolis cozido no vapor?

Não há dúvida de que algumas comidas despertam mais a nossa vontade do que outras — sobretudo aquelas ricas em açúcar e gordura.

Mas por que são tão irresistíveis?

Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos.

Segundo o neurocientista Fabian Grabenhorst, se você entrasse em uma máquina de ressonância magnética e te oferecessem um milk-shake de chocolate, poderíamos ver o sistema de recompensas do seu cérebro se iluminar como um parque de diversões.

Alimentos como milk-shake ativam mecanismos de recompensa do cérebro — Foto: Pexels
Alimentos como milk-shake ativam mecanismos de recompensa do cérebro — Foto: Pexels

Logo acima dos olhos está localizado o córtex orbitofrontal, uma parte do cérebro que é especialmente desenvolvida em humanos e primatas.

Nela, grupos de neurônios respondem a diferentes sensações e nutrientes — sabor, cheiro, quão cremoso e encorpado o milk-shake é — e quanto mais seus neurônios se iluminam, mais apetitosa a comida em questão parece.

Duas coisas que alegram particularmente estes neurônios de recompensa são a gordura e o açúcar.

E combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta.

Combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta. — Foto: Pexels
Combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta. — Foto: Pexels

Mas nossos neurônios não respondem apenas a essas sensações, eles também são ativados quando você está planejando o que comer — em uma espécie de competição entre si para serem "escolhidos".

E uma vez que você decide, os mesmos neurônios acompanham seu progresso — à medida que você come, eles vão ficando cada vez menos ativos, conforme você se aproxima da saciedade.

Mas não estamos totalmente à mercê das demandas de nosso córtex orbitofrontal. Ter informações sobre os alimentos pode fazer uma grande diferença.

Vamos voltar àquela máquina de ressonância magnética, e tomar agora um pouco de sopa. Tem dois tipos — uma sopa é identificada como de 'sabor rico e delicioso', e a outra como 'água de legume cozido'.

Seus neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido'.

Mas tem uma pegadinha: é a mesma sopa. A única diferença é o nome, e isso é suficiente para mudar completamente sua experiência, conforme mostram estudos.

É a mesma sopa, mas os neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido' — Foto: Pexels
É a mesma sopa, mas os neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido' — Foto: Pexels

Este experimento também foi feito com vinho — dizer às pessoas que determinado vinho era mais caro aumentava a atividade dos neurônios e deixava o vinho com um sabor melhor.

Outra parte do cérebro envolvida na escolha dos alimentos é a amígdala — estrutura localizada no lobo temporal (lateral), que processa nossas emoções.

Ela também tem um papel quando você decide onde ir comer com outra pessoa.

Se você já viu no passado o que esta pessoa prefere, sua amígdala terá desenvolvido os chamados neurônios de simulação — que permitem a você prever as intenções do outro e incluir assim em suas próprias sugestões do que comer juntos.

As diferenças em nossos genes também são um fator que explica quão suscetíveis somos ao canto da sereia dos nossos neurônios de recompensa — algumas pessoas são naturalmente mais responsivas à recompensa que sentimos ao comer açúcar e gordura do que outras.

Aspecto social

Experimentos científicos nos oferecem pistas sobre como nossos cérebros computam nossas escolhas sobre o que comer, mas a maneira como lidamos com essas escolhas em nossas vidas e na sociedade também é complexa.

De acordo com Emily Contois, professora assistente de Estudos de Mídia da Universidade de Tulsa, nos EUA, vários fatores influenciam nossa escolha do que comer.

"O que está disponível no supermercado? O que é conveniente? O que é acessível financeiramente? O que traz boas lembranças? O que é gostoso para nós? O que achamos saudável? Qual é o nosso estado de saúde atual? O que define nossas ideias sobre quem somos?", enumera ela para a BBC Ideas.

E as redes sociais, segundo ela, ganharam um papel importante neste processo.

"O Instagram, e o desejo de que as pessoas sejam capazes de tirar belas fotos de comida, transformaram a ideia de que 'você é o que você come', em 'você é o que você posta'", avalia.

Redes sociais ganharam um papel importante na hora de escolher o que comer — Foto: Pexels
Redes sociais ganharam um papel importante na hora de escolher o que comer — Foto: Pexels

Contois afirma que buscamos uma série de coisas diferentes a partir dos alimentos que consumimos — como conforto, conexão com nossa família ou nossa herança ancestral e até mesmo um senso de controle.

"Quando vivemos em momentos repletos de conflitos econômicos, políticos e sociais, às vezes buscamos na comida aquela sensação de segurança e proteção. Então, nesses momentos, às vezes vemos as pessoas se interessarem muito por ideias relacionadas à simplicidade, saúde e pureza, como uma maneira de nos protegermos de contextos fora do nosso controle", explica.

Desta forma, a comida fala um pouco também sobre quem somos.

"(Sobre) Toda a complexidade da nossa identidade. O que comemos conta histórias sobre nosso gênero e nossa sexualidade, nossa raça e nossa etnia, nossa classe social ou nossas aspirações em relação à nossa classe social, a região onde vivemos, seja uma área urbana ou rural. O que comemos conta essas histórias contraditórias e complexas sobre quem somos", diz ela.

No futuro, podemos usar nosso conhecimento sobre o que acontece em nossos cérebros para criar alimentos atraentes com poucas calorias e saudáveis.

E podemos nos ajudar entendendo como nossos neurônios de recompensa tramam para conseguir o que querem.

Podemos ficar atentos a momentos em que tendemos a fazer escolhas erradas, como quando optamos por determinado alimento por causa de um rótulo que consideramos atraente, e não pelo teor em si.

No fim das contas, pelo menos não estamos totalmente à mercê de nossos neurônios de recompensa. Podemos usar nossa compreensão para ajudar a pensar em alimentos saudáveis ​​e fazer escolhas saudáveis.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo

===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====


Pesquisa do Instituto Escolhas, feita por pesquisadores da USP, indica que houve maior desvalorização em municípios com expansão da agropecuária, como em São Félix do Xingu, no Pará.
===+===.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   ----------____---.=.=.=.= +====
Por g1

Postado em 20 de fevereiro de 2022 às 11h45m

Post.- N.\ 10.215

Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo — Foto: Arquivo/BP-AC
Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo — Foto: Arquivo/BP-AC

O desmatamento ocorrido na década passada reduziu o preço da terra no Brasil, favorecendo a compra dessas áreas por uma pequena parcela de produtores, aponta um estudo lançado na quinta-feira (17) pelo Instituto Escolhas, feito por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

A pesquisa mostra que o desflorestamento entre os anos de 2011 e 2014 fez com que as terras brasileiras valessem, em 2017, R$ 136,7 bilhões a menos do que valeriam na ausência dele, uma depreciação equivalente a R$ 391 por hectare.

A lógica, indica o estudo, é que a desvalorização aumenta a oferta de terras, beneficiando produtores que tenham recursos para comprá-las e que estejam em regiões onde essas terras estão disponíveis.

"[Neste caso,] o produtor que comprou novas terras contou com uma ajuda do desmatamento, mesmo que ele não tenha derrubado uma só árvore", diz a pesquisa. "Ele conseguiu preço melhor para comprar terra, aumentar seu patrimônio e seu volume de produção".

Por outro lado, o desmatamento prejudicou produtores sem recursos ou de regiões sem oferta de terras, além de ter reduzido o valor de suas propriedades, acrescenta o estudo.

Municípios que tiveram maior perda no valor de suas terras — Foto: Reprodução/Instituto Escolhas
Municípios que tiveram maior perda no valor de suas terras — Foto: Reprodução/Instituto Escolhas

A pesquisa mostra que nos municípios em que ocorreu a expansão da fronteira agropecuária – situados, predominante, na Amazônia Legal e Matopiba (região que compreende estado de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) – a depreciação foi ainda maior.

Nesses, a diminuição do valor das terras chegou a R$ 83,5 bilhões ou 25% do valor da terra em 2017, o equivalente a uma redução média de R$ 985,00 por hectare.

O município onde ocorreu a maior desvalorização foi em São Félix do Xingu, no Pará, cidade com forte atividade pecuária e que tem o maior rebanho bovino do país (2,4 milhões de cabeças).

No município paraense, o preço do hectare de terra foi de R$ 2.476 em 2017. Sem o desmatamento dos anos anteriores, o preço teria chegado a R$ 6.606 por hectare.

Apesar do efeito geral de depreciação do preço da terra, os maiores valores observados estão concentrados em poucos municípios e produtores: 61 municípios (1,15%) acumularam metade da depreciação total da terra no país.

Valor da terra

O valor de mercado de um pedaço de terra é influenciado por diversos fatores como a infraestrutura, a proximidade de cidades, passando por disponibilidade de água para irrigação e o acesso a orientação técnica.

Para fazer o estudo, a equipe utilizou dados sobre o preço da terra, produção agropecuária e a mudança de uso da terra no país entre os períodos de 2006 a 2017.

O estudo, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, foi feito por uma equipe de pesquisadores da Esalq/USP, formada por Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho, Gerd Sparovek, Adauto Brasilino Rocha Junior, Alberto Barreto, Arthur Fendrich e Giovani William Gianetti.

Exposição ‘Amazônia’ exibe resultado de 7 anos de trabalho
Exposição ‘Amazônia’ exibe resultado de 7 anos de trabalho

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================--------------------------------------------------------------------------------====-++-----