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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

As ilhas paradisíacas que estão perdendo suas conchas

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Especialistas apontam entre os movimentos a coleta excessiva de conchas nas praias, a alta da temperatura da água do mar e o aumento de dióxido de carbono na atmosfera que leva à acidificação do oceano e, por extensão, a conchas mais finas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 30 de dezembro de 2021 às 10h55m

Post.- N.\ 10.149

Conchas estão sumindo das praias das ilhas Maurício nas últimas três décadas — Foto: Getty Images
Conchas estão sumindo das praias das ilhas Maurício nas últimas três décadas — Foto: Getty Images

Quando visitava as Ilhas Maurício durante férias em família na minha adolescência, eu lembro da areia das praias repleta de conchas. Mas ao retornar ao arquipélago no oceano Índico para escrever reportagens sobre os efeitos das mudanças climáticas, as faixas de areia fofa parecem desoladas.

A coleção de centenas de conchas diferentes que meu pai acumulou naquela época seria uma façanha impossível agora.

Isso não é surpreendente para o ativista de mudanças climáticas Anesh Mungur, de 14 anos. Ele diz quase não visto uma concha em toda a sua vida.

"Eu acho muito triste que as conchas estejam desaparecendo. Eu sinto que a ilha está realmente sofrendo com as consequências das mudanças climáticas, é preciso fazermos mais para protegê-la antes que seja tarde demais."

As conchas sempre desempenharam um papel importante na cultura das Ilhas Maurício (ou Maurícias): o Monetaria annulus, comumente conhecido como búzio de anel de ouro, costumava ser dado como um presente de amor ou um amuleto da sorte.

A Monetaria moneta também costumava ser muito comum na região. Ela é conhecida como búzio do dinheiro porque há milhares de anos era usada como moeda em algumas partes da África.

Águas mais quentes

O oceanógrafo Vassen Kauppaymuthoo diz que o número de conchas na ilha diminuiu 60% nas últimas três décadas.

Ele atribui a responsabilidade por essas mudanças ao aquecimento dos oceanos, a atividades econômicas, como pesca predatória e turismo, e à poluição gerada por águas residuais e por embarcações.

Maurício é um dos países mais vulneráveis ​​do mundo no que diz respeito às mudanças climáticas. Ele tem sofrido cada vez mais com a elevação do nível do mar, secas e ciclones.

O aumento da temperatura da água do mar afetou grande parte do ecossistema, incluindo as conchas marinhas em que vivem os moluscos, enquanto um aumento de dióxido de carbono na atmosfera "causa a acidificação do oceano, fazendo com que as conchas fiquem mais finas", explica Kauppaymuthoo.

"Isso faz com que os moluscos tenham problemas para produzir suas conchas."

Tudo isso tem um efeito em cascata, e consequências devastadoras para os recifes de coral e o ecossistema ao redor das ilhas.

“Quando você não tem moluscos, você não tem predadores. Então há outros organismos que começam a proliferar, causando um desequilíbrio do ecossistema na ilha tropical e ao redor do mundo”.

Pequenos peixes e polvos também usam as conchas para abrigo e proteção, e muitos pássaros também usam partes de conchas para construir seus ninhos.

Anesh, que faz parte do movimento Fridays For Future Mauritius, diz que mais também precisa ser feito para impedir desastres ambientais, como um enorme vazamento de óleo que atingiu a ilha em 2020.

Cerca de 1.000 toneladas de óleo combustível do MV Wakashio, de bandeira japonesa, vazaram no oceano depois que ele encalhou em um recife de coral, causando o pior desastre ecológico em Maurício.

"Nosso ambiente marinho foi muito afetado, incluindo corais, moluscos e outros organismos. As ilhas ainda estão sofrendo com o que aconteceu."

O episódio danificou cerca de 300 m de recife de coral, matou muitos peixes e afetou tanto o meio ambiente quanto a subsistência dos pescadores.

Para o ativista adolescente, trata-se de criar consciência em todo o mundo. "Não acho que muitas pessoas conheçam a importância das conchas do mar e o quanto elas estão sendo afetadas pelas mudanças climáticas."

Repressão aos colecionadores

Kauppaymuthoo também responsabiliza os coletores de conchas (conhecidos também como garimpeiros) pelo declínio na quantidade de conchas nas praias das ilhas Maurício, já que muitas vezes elas são colhidas com os animais vivos ainda dentro delas.

O governo local está tentando impedir as pessoas de coletar conchas e vendê-las a turistas. Duas leis em torno do tema foram aprovadas nos últimos 15 anos.

Segundo as regras atuais, apenas 10 conchas podem ser legalmente recolhidas como lembrança por visitantes e somente em praias onde podem ser vistas marcas de maré baixa e alta.

Mas embora a coleta de conchas tenha sido limitada (agora também é ilegal exportá-las), é difícil impedir as pessoas de colocar esses lindos souvenirs em suas bolsas.

“Não os tire das praias”, pede Kauppaymuthoo, acrescentando que as conchas também evitam a erosão costeira.

Quanto mais conchas houver, mais barreira haverá para os ventos, as ondas e as correntes de água moverem os sedimentos da costa.

Qual é então seu conselho para quem quer se lembrar de suas férias tropicais? "Observe as conchas e tire fotos delas. Assim você pode ter boas lembranças e também saber que as está salvando."

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

A múmia de faraó egípcio 'desembrulhada' digitalmente pela 1ª vez

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Tomografias permitiram que arqueólogos estudassem o corpo de Amenhotep 1 e ficassem sabendo como foram a morte e sepultamento dele.
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TOPO
Por BBC

Postado em 29 de dezembro de 2021 às 12h45m

Post.- N.\ 10.148

Uma tomografia computadorizada revela o crânio de Amenhotep 1 — Foto: PA MEDIA
Uma tomografia computadorizada revela o crânio de Amenhotep 1 — Foto: PA MEDIA

O corpo mumificado de um antigo faraó egípcio foi estudado pela primeira vez em milênios depois de ser digitalmente "desembrulhado".

A múmia de Amenhotep 1, que governou de 1525 a 1504 aC, foi encontrada em um local em Deir el-Bahari há 140 anos.

Mas os arqueólogos se abstiveram de abri-la para preservar a requintada máscara facial e as bandagens.

As tomografias computadorizadas (TC) agora revelaram informações anteriormente desconhecidas sobre o faraó e seu enterro.

Sahar Saleem, professora de radiologia da Universidade do Cairo e principal autor do estudo publicado na revista Frontiers in Medicine, disse que Amenhotep 1 tinha cerca de 35 anos quando morreu.

"Ele tinha aproximadamente 169 cm de altura, era circuncidado e tinha bons dentes. Dentro de seu invólucro, ele usava 30 amuletos e um cinto de ouro exclusivo com contas de ouro", disse ela à agência PA Media.

"Amenhotep 1 parece ter semelhanças físicas com o pai dele: tinha um queixo estreito, um nariz pequeno e fino, cabelo encaracolado e dentes superiores ligeiramente protuberantes."

No entanto, Saleem disse que não foram identificadas quaisquer feridas ou desfiguração devido a alguma doença que permitisse indicar a causa da morte.

Os pesquisadores foram capazes de obter insights sobre a mumificação e o sepultamento de Amenhotep, que foi o segundo rei da 18ª Dinastia, incluindo que ele foi o primeiro faraó a ter os antebraços cruzados sobre o peito e que, excepcionalmente, seu cérebro não foi removido.

Eles também concluíram que a múmia foi "reformada com amor" por sacerdotes da 21ª Dinastia, que governou cerca de quatro séculos após a morte dele.

A múmia de Amenhotep 1 foi enterrada duas vezes por sacerdotes da 21ª Dinastia — Foto: PA MEDIA
A múmia de Amenhotep 1 foi enterrada duas vezes por sacerdotes da 21ª Dinastia — Foto: PA MEDIA

As varreduras mostraram que a múmia sofreu vários ferimentos post-mortem que provavelmente foram causados ​​por ladrões de túmulos.

Elas também mostraram que os sacerdotes fixaram a cabeça e o pescoço destacados ao corpo com uma faixa de linho tratada com resina, cobriram um defeito na parede abdominal com uma faixa e colocaram dois amuletos embaixo, e envolveram o braço esquerdo separado do corpo.

Saleem disse que as joias e amuletos vistos nos exames desmentem as teorias de que os sacerdotes poderiam tê-los removido para uso por faraós posteriores.

A múmia de Amenhotep 1 foi enterrada novamente pelos sacerdotes no Cache Real Deir el-Bahari, um complexo de tumbas e templos perto de Luxor, para mantê-la segura.

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Para que serve a parte do corpo recém-descoberta pelos cientistas

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Uma pesquisa recente mostra que ainda é possível se fazer descobertas na anatomia.
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TOPO
Por BBC

Postado em 29 de dezembro de 2021 às 10h30m

Post.- N.\ 10.147

O músculo masseter é o mais proeminente dos músculos da mandíbula — Foto: Getty Images via BBC
O músculo masseter é o mais proeminente dos músculos da mandíbula — Foto: Getty Images via BBC

O músculo masseter, na parte lateral de sua bochecha, é o mais proeminente dos músculos da mandíbula. Os livros de anatomia tradicionalmente descrevem o masseter como um músculo formado por duas camadas: uma superficial e outra profunda.

Mas, agora, um grupo de pesquisadores na Suíça afirma ter descoberto uma seção dos músculos da mandíbula que até agora passava despercebida: eles descreveram uma terceira camada ainda mais profunda do masseter.

"Embora seja geralmente presumido que a anatomia dos últimos 100 anos encontrou tudo o que poderia ser encontrado no corpo humano, nosso achado é equivalente à descoberta de uma nova espécie de vertebrado pelos zoólogos", disse em um pronunciamento o coautor do estudo Jens Christoph Türp, professor do Centro Universitário de Medicina Dentária em Basel, na Suíça .

Camada profunda

O músculo masseter (dividido na ilustração em três camadas) é importante para a mastigação — Foto: Jens C. Turp (UZB via BBC)
O músculo masseter (dividido na ilustração em três camadas) é importante para a mastigação — Foto: Jens C. Turp (UZB via BBC)

Os pesquisadores estudaram a estrutura dos músculos da mandíbula, imagens tomográficas, seções de tecido de pessoas mortas que doaram seus corpos para a ciência e dados de ressonância magnética de pessoas vivas.

Eles identificaram essa terceira camada profunda, associada aos processos (saliências na superfície de um osso) da mandíbula.

Esse processo é chamado "coronoide", por isso os autores da pesquisa propõem que essa nova camada seja chamada de Musculus masseter pars coronidea.

Szilvia Mezey, coautora do estudo, explica que embora o músculo masseter com três camadas já tenha sido descrito anteriormente, a literatura existente não é clara sobre ele e às vezes é contraditória.

O masseter às vezes é descrito com uma única camada, às vezes com duas e quando foi descrito com três camadas, foi visto como uma variação particular de alguns indivíduos, diz a especialista, que trabalha no Departamento de Biomedicina da Universidade de Basel.

"Queríamos o motivo dessa inconsistência", diz Mezey à BBC Newsc Mundo. "Com nossa pesquisa, percebemos que não era apenas uma variação, era consistente, o músculo estava constantemente lá."

Qual a função?

De acordo com Mezey, essa camada recém-descoberta tem uma função claramente diferente das outras duas camadas do masseter.

A primeira camada é responsável por elevar a mandíbula, a segunda ajuda a evitar que ela vá para trás ou para frente; e a terceira ajuda a retrair a mandíbula, estabilizá-la e fechá-la.

Para o especialista, esse achado é importante para dentistas e cirurgiões, pois indica que o masseter se comporta de forma diferente do que se pensava até agora.

Além disso, diz a especialista, suas pesquisas mostram que não temos o corpo humano totalmente mapeado e que ainda temos muito a descobrir.

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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Paleontólogos estudam ovos fossilizados de dinossauro carnívoro encontrados em Presidente Prudente

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Fósseis em associação estavam no sítio paleontológico no Parque dos Girassóis e têm entre 60 milhões e 80 milhões de anos.
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Por Stephanie Fonseca, g1 Presidente Prudente

Postado em 28 de dezembro de 2021 às 19h35m

Post.- N.\ 10.146

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Uma ninhada de ovos de dinossauro terópode encontrada em Presidente Prudente (SP) está sob estudos de pesquisadores. O material fossilizado é do período Cretáceo Superior e tem entre 60 milhões e 80 milhões de anos. A descoberta foi divulgada ao g1 e à TV Fronteira neste domingo (26) pelo paleontólogo William Roberto Nava.

A primeira ocorrência de ovos fossilizados encontrados no sítio paleontológico do Parque dos Girassóis, em Presidente Prudente, é de setembro e outubro de 2020, segundo lembrou o paleontólogo. Eram ovos de crocodilos.

Passado quase um ano, especificamente em agosto de 2021, um novo material foi encontrado. Este não é associado a crocodilomorfo, mas, sim, a alguma espécie de dinossauro terópode, ou seja, carnívoro.

Paleontólogo segura na mão um ovo de crocodilo, também fossilizado, para comparar tamanho com a ninhada de ovos de dinossauro — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Paleontólogo segura na mão um ovo de crocodilo, também fossilizado, para comparar tamanho com a ninhada de ovos de dinossauro — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Essa associação ocorre devido a fatores como tamanho dos ovos e as características das cascas.

“Os ovos são um pouco maiores do que os de crocodilomorfo, têm a casca mais grossa, e a textura da casca é diferente de crocodilomorfo. Então, estamos associando esses ovos maiores, que são cinco, a alguma espécie de dinossauro terópode, ou seja, um dinossauro carnívoro que viveu nesse ponto e o usou milhões de anos atrás pra postura desses ovos, ao lado dos crocodilomorfos. Então, é também uma descoberta muito importante”, declarou Nava ao g1.

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: William Nava/Arquivo pessoal
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: William Nava/Arquivo pessoal

Pelo tamanho e pelo formato dos ovos, dá para estimar que era uma espécie de dinossauro carnívora de pequeno porte, conforme o paleontólogo.

“Enquanto nos ovos de crocodilos temos as dimensões entre 6 centímetros por 3,5 centímetros, esses de dino carnívoro medem em torno de 12 a 13 centímetros de comprimento por 6 a 7 centímetros de largura. Então, eles são bem maiores, indicando não se tratar de ovos de crocodilo e, sim, de alguma espécie desconhecida de dinossauro carnívoro”, esclareceu.

Casca dos ovos dos dinossauros carnívoros possui uma textura em forma de 'ondinhas' — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Casca dos ovos dos dinossauros carnívoros possui uma textura em forma de 'ondinhas' — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Nava ainda explicou que, normalmente, ovos fossilizados de crocodilomorfos possuem a casca externa com uma textura porosa ou lisa. Já a casca dos ovos dos dinossauros carnívoros possui uma textura “em forma de ondinhas”. “Parecem pequenas minhoquinhas onduladas, o que difere da textura do crocodilomorfo”, descreveu.

“Então, a ornamentação da casca desses ovos de dinos é muito semelhante à dos encontrados na Argentina e na Mongólia”, comentou Nava, que contou com a ajuda da auxiliar de campo e estagiária do Museu de Paleontologia de Marília(SP), Giovanna Paixão.

Ornamentação da casca desses ovos de dinossauros e tamanho são semelhantes aos dos encontrados na Argentina e na Mongólia — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Ornamentação da casca desses ovos de dinossauros e tamanho são semelhantes aos dos encontrados na Argentina e na Mongólia — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Uma observação acrescentada pelo paleontólogo é que quando diz-se tratar de um dinossauro desconhecido é porque junto e ao redor do ponto onde a ninhada foi encontrada não havia vestígios, como um dente ou parte de osso, por exemplo, que pudessem associar a uma espécie.

“Como o único registro são ovos isolados, vai precisar fazer um estudo em laboratório para determinar aproximadamente a que espécie ou a que grupo de dinossauros carnívoros de pequeno tamanho os ovos pertenceram”, destacou ao g1.

Descoberta divulgada pelo paleontólogo William Nava é importante para a ciência  — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Descoberta divulgada pelo paleontólogo William Nava é importante para a ciência — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Importante descoberta

O primeiro registro de ovos fossilizados na região de Presidente Prudente relacionado a esses vertebrados no Parque dos Girassóis foi o de crocodilomorfo. A ninhada foi encontrada no ano passado.

Já na região, havia um registro de uns anos atrás de um possível ovo de ave pré-histórica num ponto perto do trevo de Álvares Machado (SP).

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores  — Foto: William Nava/Arquivo pessoal
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: William Nava/Arquivo pessoal

“Um ovo isolado, bem menor do que esses que nós estamos vendo agora e foi associado a ave, então, esse material de dinossauro e crocodilomorfo é o segundo registro pra região de Presidente Prudente de ovos desses animais primitivos, que viveram junto com os dinossauros ou que foram realmente dinossauros”, pontuou o pesquisador.

Nava ressaltou que “se trata de um registro extremamente importante e está num sítio paleontológico que é envolvido pela cidade e preservado pela Prefeitura de Presidente Prudente”, o que auxilia na continuidade das escavações.

“A descoberta de meses atrás da ninhada de ovos de dinossauro nos motiva ainda mais a continuar explorando essa área em que, com certeza, outros materiais surgirão tranquilamente”, declarou ao g1.

Ovos de dinossauro são encontrados em Presidente Prudente
Ovos de dinossauro são encontrados em Presidente Prudente

Ambiente propício

As ninhadas – de dinossauro e de crocodilos – estavam no mesmo nível topográfico do terreno, a uma distância de 4 a 5 metros. Segundo Nava, a situação indica que no passado, muito provavelmente, aquele ponto era um local de nidificação tanto de crocodilos quanto de pequenos dinossauros carnívoros.

“Eles encontraram um ambiente propício para a postura dos ovos, até o nascimento dos filhotes”, disse ao g1 o paleontólogo.

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores  — Foto: William Nava/Arquivo pessoal
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: William Nava/Arquivo pessoal

Entretanto, os ovos – de dinossauro e de crocodilos – estão ainda inteiros, ou seja, não eclodiram devido a algum evento desconhecido que aconteceu naquela época e impossibilitou o nascimento dos filhotes. Isso deve ser estudado.

"Na realidade, para estarem inteiros, esses ovos foram soterrados rapidamente por sedimentos, o que certamente impediu que eclodissem, preservando assim a postura em sua condição natural. Isso é possível observar também nas ninhadas de ovos de crocodilomorfos achadas próximas", detalhou Nava, que é diretor e curador de fósseis do Museu de Paleontologia de Marília.

Mas é um dado interessante, conforme destacou Nava. “Vai saber se num desses [cinco] ovos a gente tenha um embrião fossilizado. Seria super bacana, seria algo inédito pro Brasil”, comentou o paleontólogo ao lembrar uma recente descoberta na China.

“Nós estamos desenvolvendo esse achado aqui de Presidente Prudente como algo também extremamente importante pro desenvolvimento da paleontologia brasileira, porque ovos são materiais frágeis, difíceis de preservar, e encontrar ovos em associação é muito raro e importante”, salientou.

Willian Nava lidera escavações no sítio paleontológico de Presidente Prudente — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Willian Nava lidera escavações no sítio paleontológico de Presidente Prudente — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Estudos e análises

Bem preservados, “esses fósseis de um carnívoro retirados em agosto deverão agora em 2022 ser submetidos a análises e estudos mais profundos”. “Vamos fazer estudos com as cascas dos ovos pra determinar possivelmente que espécie de dinossauro carnívoro era”, indicou.

Por ora, o estudo será concentrado nos fragmentos de casca. Os ovos não serão encaminhados para Brasília (DF), até por questão de segurança.

“Os ovos são materiais frágeis que precisam ser preservados, então, inicialmente, só fragmentos de casca vão ser encaminhados para a Universidade de Brasília [UnB] e lá serão submetidos a microscopia eletrônica de varredura, que são análises bem minuciosas tanto pra determinar que grupo de dinossauros carnívoros era quanto pra associar com algo que se tenha aqui na América do Sul”, relatou.

Também vai ser avaliada uma característica presente em um dos ovos. “[Ele] apresenta uma recristalização de carbonato ou calcita, que é um mineral, é algo que está interno e chama muito a nossa atenção”, contou ao g1. Os outros quatro ovos têm arenito dentro.

“Numa análise quase que grosseira [superficial], por enquanto, estimamos que essa recristalização de carbonato que está internamente, que tem uma coloração cinza brilhante, pode possivelmente ser o líquido amniótico que envolvia o embrião do dinossaurinho e que por algum fator físico e químico sofreu essa recristalização, essa mudança, e formou esses cristais em volta”, disse.

“É uma hipótese que precisaríamos testar. Ou seja, o ovo está preenchido por carbonato que dá aquela impressão de estar (re)cristalizado".

Somente uma análise de microscopia eletrônica de varredura, que é feita em laboratório, pode afirmar se internamente há ou não algum vestígio de embrião. “Possivelmente não, porque se, de fato, for o líquido amniótico recristalizado, não poderá haver embrião ali. Mas é só uma análise futura que poderá nos dizer”, finalizou Nava ao g1.

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1

Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Ovos fossilizados de dinossauro terópode foram encontrados em Presidente Prudente (SP) e estão sob estudos de pesquisadores — Foto: Stephanie Fonseca/g1

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