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sábado, 18 de dezembro de 2021

Um ano de turbilhão na economia: veja o que se esperava para 2021 – e o que de fato aconteceu

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A esperada retomada pós-pandemia veio aos trancos e barrancos, e a inflação, que não estava nos planos, dominou a vida econômica dos brasileiros.
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Por Laura Naime, g1

Postado em 18 de dezembro de 2021 às 08h00m

Post.- N.\ 10.135

2021 foi um turbilhão na economia.

Entre idas e vindas de programas de auxílio, crises institucionais, tentativas de mudanças nas regras para as contas públicas e preços em disparada, o otimismo com a recuperação pós-crise da pandemia deu lugar à tensão – e a muitos desencontros entre o que se esperava quando o ano começou, e o que de fato aconteceu.

Todos os anos, economistas dentro e fora do governo fazem estimativas para o desempenho da economia brasileira. O objetivo é balizar a tomada de decisões ao longo do ano, por isso elas vão sendo ajustadas conforme surgem novos dados. É natural, portanto, que algumas previsões feitas em janeiro se confirmem, enquanto muitas outras se mostrem tiros n’água. E 2021 não fugiu à regra.

Assim, quando 2021 começou, depois de um 2020 de crise, a expectativa de grande parte dos economistas era de um ano de crescimento tímido, com uma recuperação lenta – uma vez que a pandemia já dava mostras de que se arrastaria ainda ao longo de vários meses, prejudicando a retomada dos negócios.

Notícias ruins para os quase 14 milhões de brasileiros que viraram o ano desempregados, e com baixas perspectivas de melhora. Com renda já reduzida, as famílias também já viam a inflação crescente corroendo o poder de compra. Mas poucos imaginavam até onde ela chegaria, obrigando brasileiros a cortarem uma série de itens da cesta de compras.

Um pequeno alívio para as famílias mais pobres veio a partir de abril, quando o Auxílio Emergencial voltou. Veio mais magro, no entanto, e para bem menos pessoas. Mas veio. E em novembro, acabou de vez, deixando pelo menos 22 milhões sem qualquer tipo de ajuda.

No mesmo mês, e depois de 18 anos, também foi extinto o Bolsa Família, substituído pelo Auxílio Brasil, que prometia pagar pelo menos R$ 400 a cada beneficiário, e aumentar o número de famílias atendidas a 17 milhões. Criado às pressas e sem fonte de custeio, no entanto, o programa chega ao fim do ano com as promessas descumpridas.

E se no bolso dos brasileiros o ano foi pior do que o esperado, no mercado financeiro não foi muito melhor, com o dólar disparado e a bolsa amargando perdas.

Parte considerável dessa piora pôde ser creditada diretamente na conta da crise institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro: em agosto, ameaças reiteradas às eleições e aos demais poderes elevaram a percepção de risco dos investidores em relação ao país – e as incertezas afugentaram investimentos, os dólares e o crescimento.

Com o ano se aproximando do final, a economia segue na corda bamba: as contas públicas apresentaram melhora, o PIB deverá mostrar crescimento, e os serviços apontam para recuperação. Mas o brasileiro, lá fora, segue desempregado, com fome e poucas perspectivas.

Veja abaixo, em 10 gráficos, o que se esperava para a economia brasileira este ano – e o que de fato aconteceu nos seguintes aspectos:

  • Comércio
  • Serviços
  • Desemprego
  • Dólar
  • Inflação
  • Selic
  • Contas públicas
  • Bovespa
  • PIB
Comércio

As vendas do comércio chegam ao final de 2021 com alta, no quarto ano seguido de crescimento – mas ainda sem recuperar as perdas de do ano anterior.

O desempenho, no entanto, foi bastante irregular ao longo do ano, prejudicado em parte pela falta de confiança na economia, em parte pela falta de insumos, e em parte pela disparada da inflação, que corroeu o poder de compra dos brasileiros e os resultados dos varejistas.

Se, ao final de 2020, a projeção era de uma alta de 3,9%, um ano depois esse crescimento decepcionou: os últimos dados disponíveis, até outubro, mostravam alta de 2,6% em 12 meses.

Retrospectiva comércio  — Foto: Arte g1
Retrospectiva comércio — Foto: Arte g1

Serviços

Depois de um tombo de 8% em 2020, marcando o quarto ano seguido de perdas, a reabertura dos negócios prenunciavam um ano de retomada para os serviços, responsáveis pela maior parte da economia brasileira. Cautelosamente otimista, a CNC previa uma alta de 3,7% este ano.

E, pelo menos até o terceiro trimestre, o setor não decepcionou: favorecidos pelo avanço da vacinação e maior mobilidade da população, os serviços foram o principal destaque de recuperação da economia. Até setembro, o setor estava 3,7% acima do patamar pré-pandemia, acumulando alta de 6,8% em 12 meses.

A inflação persistente, o desemprego elevado e as dúvidas sobre a situação fiscal do país, no entanto, mantêm a incerteza quanto ao futuro. Para 2022, a tendência já se mostra de perda de força.

Desempenho do setor de serviços em 2021 — Foto: Arte g1
Desempenho do setor de serviços em 2021 — Foto: Arte g1

Desemprego

A paralisação da economia atingiu em cheio o emprego em 2020. Com isso, 2021 começou com mais de 14 milhões de brasileiros na fila do desemprego, e perspectivas ruins – o FMI projetava que a taxa de desemprego, então em 14,2%, seguiria alta.

Ainda que lentamente, no entanto, essa taxa começou a ceder a partir de maio, até chegar, em setembro, a 12,6%, com estimados 13,5 milhões de desempregados.

Quem saiu dessa fila, no entanto, não encontrou um cenário fácil. Com empregos de baixa qualidade, o rendimento médio do brasileiro caiu, acumulando perda de mais de 10% em um ano.

E quem conseguiu trabalho, em grande parte, não conseguiu exatamente um emprego: dos 9,5 milhões de postos criados em um ano, 3,4 milhões foram de trabalho por conta própria, atingindo um recorde histórico – deixando claro que o mercado de trabalho vai demorar a se recuperar, e mais ainda a recuperar a qualidade das vagas.

Retrospectiva desemprego — Foto: Arte g1
Retrospectiva desemprego — Foto: Arte g1

Dólar

A alta do dólar já vinha assustando desde 2019, e bateu novos recordes em 2020. Mas, em 2021, as expectativas eram de um cenário mais estável, com a moeda recuando de volta ao patamar de R$ 5 ao final do ano.

Mas demorou pouco para ficar claro que seria difícil que esse cenário se concretizasse. Em março, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que trocaria a presidência da Petrobras após sucessivas altas no preço da gasolina, criando tensão nos mercados.

Dúvidas quanto à aprovação da PEC Emergencial, que abriria espaço para a nova rodada do Auxílio Emergencial elevaram essas tensões – e a anulação das condenações do ex-presidente Lula, que voltou a ser elegível, levaram a moeda para o patamar de R$ 5,80.

Ao longo dos meses seguintes, essa alta arrefeceu, e o dólar chegou – brevemente – a operar abaixo dos R$ 5, graças ao diferencial de juros entre o Brasil e os EUA.

Mas a escalada das tensões institucionais, e a expectativa de um ‘fim’ das políticas de estímulo dos EUA voltaram a pesar. E a estimativa, agora, é que o dólar encerre o ano mais a R$ 5,56.

Desempenho do dólar em 2021 — Foto: Arte g1
Desempenho do dólar em 2021 — Foto: Arte g1

Inflação

2020 fechou com a inflação em 4,52% – a maior taxa desde 2016, mas ainda dentro da meta do Banco Central. O último boletim Focus daquele ano indicava um 2021 caminhando para um arrefecimento da alta de preços, com o IPCA (a inflação oficial) fechando o ano a 3,32%. Já para o IGP-M, chamado de 'inflação do aluguel', a estimativa era de uma alta de 4,58% este ano.

Mas o que se viu foi uma inflação em disparada – mesmo com a população sem comprar, o que pressionaria os preços. A alta generalizada foi resultado de uma “tempestade perfeita”: uma combinação da alta do dólar, valorização global do petróleo, e seca, que levou a uma quebra de safras no campo e ao aumento dos preços de energia.

Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses já alcançava a casa dos dois dígitos, e a alta de preços batia recordes não vistos desde o Plano Real.

Gráfico IPCA em 2021 — Foto: Arte g1
Gráfico IPCA em 2021 — Foto: Arte g1

O IGP-M, chamado de ‘inflação do aluguel’ por ser usado para calcular a maioria dos reajustes de locações residenciais, obrigou inquilinos à renegociação, depois de bater em espantosos quase 40% em meados do ano.

Mas o que mais chamou atenção ao longo do ano foram os preços dos combustíveis, que dispararam – e a fome, que voltou a bater à porta dos brasileiros, que viram a carne (e para muitos, todo o resto) sumir dos pratos.

Com poucos sinais de alívio, o IPCA caminha para encerrar o ano a 10,18%, enquanto a inflação do aluguel deve chegar 17,47%.

Retrospectiva IGP-M — Foto: Arte g1
Retrospectiva IGP-M — Foto: Arte g1

Selic

Quando 2021 começou, a taxa básica de juros brasileira era de 2% – o menor patamar da história. Com a recuperação da economia ainda a passos lentos, fazia sentido que o dinheiro estivesse ‘barato’, para incentivar investimentos e consumo.

Uma elevação ao longo do ano já era esperada, porque a inflação começava a bater à porta com mais força. Mas, assim que a escalada da Selic começou, em março, o Banco Central já surpreendeu, elevando a taxa acima do esperado.

A inflação, no entanto, não deu trégua – e, depois da primeira alta, vieram outras seis, levando a Selic a 9,25%, de volta ao maior patamar desde meados de 2017.

Selic em 2022 — Foto: Arte g1
Selic em 2022 — Foto: Arte g1

Contas públicas

Se em 2020 as contas públicas sofreram um rombo histórico de mais de R$ 700 bilhões, as perspectivas para 2021 eram melhores – mas nem tanto. Já à espera de um resultado ruim, a meta para o ano era de um déficit de US$ 250,89 bilhões.

A boa notícia é que, diferente do esperado, as contas públicas caminham para fechar o ano no azul – em outubro, a parcial apontava para um superávit de US$ 49,6 bilhões. A má notícia é que a inflação está por trás de boa parte desses ganhos de arrecadação.

Nas contas do governo federal, uma inflação superior à taxa de juros faz com que o resultado das contas seja beneficiado. Já para os estados, a inflação faz aumentar principalmente a arrecadação do ICMS: mesmo com o percentual de imposto permanecendo igual, ao subirem os preços, sobe o valor arrecadado.

Retrospectiva contas públicas — Foto: Arte g1
Retrospectiva contas públicas — Foto: Arte g1

Bovespa

Em 2020, a bolsa brasileira foi do céu ao chão – e de volta, ou quase.

Com a expectativa de recuperação econômica a caminho, juros baixos e dólares sobrando lá fora, o mercado esperava um ano de ganhos na bolsa aqui dentro, com o Ibovespa chegando aos 130 mil pontos, ou mais, um uma alta de cerca de 10%.

O mercado financeiro até ‘ignorou’ em parte a crise econômica, e chegou aos almejados 130 mil pontos em meados do ano. Mas, daí em diante, o sentido geral da bolsa foi mesmo para baixo.

Conforme as as sucessivas altas dos juros foram tornando a bolsa menos atrativa, e os Estados Unidos indicavam o início do ‘enxugamento’ dos dólares do mercado, o ímpeto dos investidores foi perdendo força, na mesma medida em que o otimismo com o crescimento da economia também se esvaía, e diversas empresas desistiam de abrir capital.

Ao se aproximar o final do ano, os ganhos parecem longínquos, e a recuperação ficou para 2022: o Ibovespa roda, agora, abaixo dos 110 mil pontos.

Desempenho do Ibovespa em 2021 — Foto: Arte g1
Desempenho do Ibovespa em 2021 — Foto: Arte g1

PIB

O último boletim Focus (relatório produzido pelo Banco Central que compila estimativas de analistas de bancos) de 2020 mostrava que a economia brasileira deveria crescer 3,4% este ano, na maior alta desde 2011 – e recuperando parte do tombo de 4,1% sofrido no ano anterior, quando a atividade foi duramente afetada pela pandemia.

A recuperação já vinha desde o segundo semestre de 2020. E o primeiro trimestre de 2021 não fugiu ao script, e até surpreendeu, com alta de 1,2% e o retorno do PIB ao patamar pré-pandemia.

Em meados do ano, as estimativas para o ano fechado já havia sido revisadas para cima, e passavam dos 5%, acreditando que as regras mais frouxas para controle da pandemia contribuiriam para a aceleração da economia.

Mas a quebra de safras e uma falta global de insumos, além de alta das matérias-primas, começou a pesar já no segundo trimestre. Aliada à piora na confiança de grande parte dos setores, esse otimismo foi perdendo força.

Os dados dos trimestres seguintes mostraram que a recuperação não seria assim tão fácil: com duas contrações seguidas, o Brasil entrou em recessão técnica, sob forte influência da agropecuária.

Ainda assim, o PIB deve chegar ao final do ano com desempenho melhor do que o esperado lá atrás: com uma alta de mais de 4,5%.

Retrospectiva PIB — Foto: Arte g1
Retrospectiva PIB — Foto: Arte g1

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O mapa que mostra os 3 estados dos EUA onde o português é a língua mais falada após inglês e espanhol

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Quase 850 mil pessoas falavam português em 2019 (1,2% da população estrangeira), a maioria em Connecticut, Massachusetts e Rhode Island.
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TOPO
Por BBC

Postado em 17 de dezembro de 2021 às 11h00m

Post.- N.\ 10.134

Destino de imigrantes de todo o mundo, os Estados Unidos são uma caldeirão de línguas, com mais de 300 sendo faladas no país. O inglês é o idioma preponderante, com o espanhol em segundo lugar.

Segundo um levantamento do Instituto de Políticas Migratórias com base em dados do censo americano, em 2019, quase 70 milhões de pessoas (22% da população) disseram falar uma língua diferente do inglês em casa.

Mapa mostra os 3 estados dos EUA onde o português é a língua mais falada após inglês e espanhol — Foto: BBC
Mapa mostra os 3 estados dos EUA onde o português é a língua mais falada após inglês e espanhol — Foto: BBC

Nesse grupo, seis em cada dez falavam espanhol. As outras línguas principais eram o chinês (5%, incluindo mandarim e cantonês); Tagalog (quase 3%); e vietnamita, árabe, francês (incluindo Cajun) e coreano (cerca de 2%).

O português, embora não esteja no topo do ranking, é falado por 846 mil pessoas ou 1,2% da população.

E em três estados americanos, ele é o idioma mais falado depois do inglês e do espanhol: Massachusets, Connecticut e Rhode Island, todos no nordeste dos Estados Unidos.

Essa região é conhecida não só por abrigar um grande número de brasileiros, mas também de portugueses e angolanos.

Curiosamente, o espanhol é a língua mais comum depois do inglês em todos os Estados, exceto quatro: Alasca (onde as línguas esquimó-aleútes dominam), Havaí (ilocano, samoano, havaiano, marshallês ou outras línguas austronésias) e Maine e Vermont (francês).

Em 2019, aproximadamente 46% (20,7 milhões) dos 44,6 milhões de imigrantes com 5 anos ou mais tinham Proficiência Limitada em Inglês (LEP, na sigla em inglês), pessoas que disseram falar inglês "nem um pouco", "nada bem" ou "bem" ao responder ao questionário de pesquisa.

Diferentemente do que muitos imaginam, o inglês não é a língua oficial dos Estados Unidos, apesar de o mais dominante. Isso porque o país não tem língua oficial. Os EUA sempre foram uma nação multilíngue.

Em 1780, a proposta do congressista John Adam de tornar o inglês a língua oficial dos Estados Unidos foi considerada "antidemocrática e uma ameaça à liberdade individual". Muitos Estados americanos, por outro lado, decretaram o inglês como língua oficial.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Por que África é um dos continentes com 'menos mortes' por Covid?

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Enquanto na América já morreram mais de 1,5 milhão de pessoas desde o início da pandemia, na África, o número total de mortes é de pouco mais de 224 mil.
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TOPO
Por Israel Campos, BBC — De Londres para a BBC News Brasil

Postado em 16 de dezembro de 2021 às 11hh00m

Post.- N.\ 10.133

Mulher recebe uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um hospital em Abuja, na Nigéria, no dia 5 de março. — Foto: Afolabi Sotunde/Reuters
Mulher recebe uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um hospital em Abuja, na Nigéria, no dia 5 de março. — Foto: Afolabi Sotunde/Reuters

Apesar de ter sido apontado como um grande foco de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, devido ao seu frágil sistema de saúde e falta de condições sanitárias adequadas, o continente africano continua a ser dos menos afetados pela Covid-19, quando comparado com a Europa, as Américas e a Ásia.

Só a Oceania tem menos mortes, em números absolutos, que a África.

Enquanto nas Américas já morreram mais de 1,5 milhões de pessoas desde o início da pandemia, na África, o número total de mortes é de pouco mais de 224 mil.

Mais de 600 mil brasileiros morreram de Covid desde o início da pandemia, ou seja, o Brasil teve quase três vezes mais mortes que todo o continente africano. E a África tem um bilhão de pessoas a mais que o Brasil.

Mas o que existe por trás deste "fenômeno"?

A BBC News Brasil lista aqui cinco teorias que podem explicar melhor o que tem acontecido na África:

1. Média de idade

Mulher é vacinada contra a Covid-19 em Joanesburgo, África do Sul, no dia 6 de dezembro. — Foto: Shiraaz Mohamed/AP
Mulher é vacinada contra a Covid-19 em Joanesburgo, África do Sul, no dia 6 de dezembro. — Foto: Shiraaz Mohamed/AP

Segundo dados da ONU, a população africana é a mais jovem do mundo, com uma idade média de 19 anos.

Globalmente, a maioria das mortes por Covid-19 ocorre em pessoas com 65 anos de idade ou mais. Ou seja, o fato de a África ter uma população bastante jovem pode ter tido um papel relevante no seu número de mortes por coronavírus.

Vamos comparar dois países com tamanho populacional semelhante para essa diferença ficar mais clara: Canadá e Uganda. No Canadá, a idade média é de 41 anos e a expectativa de vida é de 82 anos. Cerca de 18% da população tem 65 anos ou mais.

Já em Uganda a expectativa de vida é bem mais baixa, de 63 anos. A idade média lá é de 16 anos e apenas 2% da população têm 65 anos ou mais.

Na pandemia de Covid-19, os dois países têm tido resultados bastante diferentes. Até o momento, o Canadá registrou quase 1,8 milhões de casos de covid e 29 mil mortes, enquanto que Uganda registrou 128 mil casos e 3 mil mortes, até o dia 9 de dezembro.

2. Respostas eficazes de saúde pública de governos

23 de abril: profissionais de saúde se desinfectam depois de testarem pacientes para Covid-19 em um hospital em Dacar, no Senegal. — Foto: John Wessels/AFP
23 de abril: profissionais de saúde se desinfectam depois de testarem pacientes para Covid-19 em um hospital em Dacar, no Senegal. — Foto: John Wessels/AFP

O primeiro caso de covid na África foi confirmado no Egito, em 14 de fevereiro de 2020. Àquela altura, havia muito receio de que o novo vírus pudesse levar os sistemas de saúde do continente ao colapso.

Entretanto, os governos africanos, que já assistiam o caos que se instalava em países da Europa com a propagação do vírus, adotaram respostas rápidas de saúde pública tais como medidas de distanciamento social e obrigação de usar máscaras.

De acordo com um índice da Universidade de Oxford, na Inglaterra, sobre as respostas dos governos à pandemia, países africanos como Marrocos, Tunísia e Ruanda estiveram entre os primeiros do mundo a estabelecer medidas mais duras como lockdowns e controle rígido de viagens.

Mas os governos não agiram sozinhos. A população, em sua grande maioria, colaborou bastante.

Uma pesquisa feita em 18 países africanos em agosto de 2020 apontou um grande apoio das pessoas às medidas de segurança. Segundo esse estudo, 85% dos entrevistados disseram que estavam usando máscara.

3. Subnotificação de mortes por Covid

Pessoas fazem fila para receber vacina contra a Covid-19 em Narok, no Quênia, no dia 1º de dezembro. — Foto: Baz Ratner/Reuters
Pessoas fazem fila para receber vacina contra a Covid-19 em Narok, no Quênia, no dia 1º de dezembro. — Foto: Baz Ratner/Reuters

Alguns especialistas sugerem que a subnotificação do número de mortes por Covid pode pintar um quadro mais positivo do que a realidade. Ou seja, mais pessoas podem ter morrido de Covid no continente sem o devido registro por causa da baixa capacidade de testagem em alguns países.

"A coleta insuficiente de dados pode significar que não sabemos realmente a incidência e prevalência de Covid-19. Embora variem na África Subsaariana, os níveis de teste têm sido baixos em comparação com outras áreas do mundo", dizem os especialistas Alex Ezeh, da Drexel University, Michael Silverman e Saverio Stranges, ambos da Western University, num artigo acadêmico publicado no dia 17 de agosto.

Mas Jeremias Agostinho, especialista em saúde pública de Angola, contesta essa teoria.

O médico disse à BBC News Brasil que "se houvesse um número elevado de mortes por Covid não identificados, nós teríamos um aumento na mortalidade por outras doenças ou por doenças desconhecidas. Mas neste momento este fenômeno não ocorre".

"Independentemente de nós fazermos poucos testes, não temos uma alteração significativa na taxa total de mortalidade a nível do continente", acrescentou o especialista. 
4. Falta de casas de repouso

As casas de repouso foram tidas como um grande foco de contágio da Covid-19. No Reino Unido e outros países da Europa, a doença se espalhou rapidamente nessas instituições, matando milhares de idosos.

Em boa parte dos países na África, o número de idosos que vivem em clínicas ou casas de repouso é pequeno, o que contrasta com a realidade em muitos países chamados desenvolvidos.

Anne Soy, correspondente sênior da BBC África, explicou à BBC News Brasil que, por razões culturais, "quando as pessoas se aposentam em muitas cidades africanas elas voltam para as zonas rurais."

"É quase um tabu mandar embora os seus velhos, porque as pessoas vão pensar assim, 'eles cuidaram de você quando você era mais novo, e você agora está jogando eles fora", ela complementa.

Na visão de Soy, este pode ter sido um elemento que contribuiu para o baixo número de mortes do continente.

"A configuração nas zonas rurais é tal que as casas ficam distantes umas das outras. Então, eles já estão socialmente distanciados. Você não pode comparar isso com pessoas que moram em um apartamento que provavelmente tem centenas de famílias."

Durante a primeira onda da pandemia, por exemplo, cerca de 81% das mortes no Canadá ocorreram em casas de repouso para idosos.

5. O clima favorável

Um estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, encontrou uma correlação entre temperatura, umidade e latitude e a disseminação da Covid-19.

Em entrevista à BBC África em outubro de 2020, Mohammad Sajadi, o líder da pesquisa, disse: "Nós observamos a propagação precoce [do vírus] em 50 cidades ao redor do mundo. O vírus teve mais facilidade de se espalhar em temperaturas e umidade mais baixas".

Sajadi acrescentou que: "Não é que o coronavírus não se espalhe em outras condições — ele apenas se espalha melhor quando a temperatura e a umidade caem".

No entanto, alguns casos de alta mortalidade em países quentes, como o Brasil, podem desafiar essa teoria. Ou será que teria havido ainda mais mortes no Brasil se o clima fosse mais frio e menos úmido?

Não há resposta para essa pergunta — o fato é que é preciso mais estudos para entender melhor a dinâmica do contágio.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Sonda da Nasa 'toca' o Sol pela primeira vez

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Nave realiza feito histórico de entrar na atmosfera do astro, o que deve ajudar a compreender sua evolução e seus impactos sobre o Sistema Solar e a Terra. "É um momento monumental para a ciência", comenta cientista.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 15 de dezembro de 2021 às 18h35

Post.- N.\ 10.132

Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol — Foto: Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben
Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol — Foto: Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben

Pela primeira vez na história, uma nave espacial "tocou” o Sol, ou seja, entrou na camada externa da atmosfera solar, conhecida como corona, anunciou a Nasa nesta terça-feira (14). Durante o mergulho, a sonda Parker Solar Probe coletou amostras de partículas e campos magnéticos.

"É um marco monumental para a ciência solar e um feito realmente extraordinário”, disse o astrofísico Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da Nasa.

"Não apenas este marco nos proporciona uma compreensão mais profunda da evolução do nosso Sol e de seus impactos em nosso sistema solar, mas tudo o que aprendemos sobre nossa própria estrela também nos ensina mais sobre as estrelas no resto do universo", completou.


Vento solar

Nour Raouafi, da Universidade Johns Hopkins e cientista de projeto da sonda Parker, descreveu o feito como "fascinantemente empolgante".

Raouafi afirmou que a corona parece conter mais poeira do que se pensava. Segundo ele, futuros mergulhos na atmosfera solar ajudarão cientistas a entender melhor a origem do vento solar e como ele é aquecido e acelerado através do espaço.

Diferentemente da Terra, o Sol não tem uma superfície sólida. Mas tem uma atmosfera superaquecida, feita de material solar ligado a ele pela gravidade e forças magnéticas. O calor e a pressão empurram esse material para longe do Sol até que a gravidade e os campos magnéticos ficam fracos demais para contê-lo.

Esse fenômeno dá origem ao vento solar, que é um fluxo contínuo de partículas energéticas emitidas pela corona solar e que pode afetar as atividades na Terra, desde os satélites até as telecomunicações.
Sonda espacial da Nasa toca o sol pela primeira vezSonda espacial da Nasa toca o sol pela primeira vez

Mergulhos na corona

Na realidade, a sonda já entrou na atmosfera solar em abril, na oitava aproximação que fez do Sol. Cientistas afirmaram que levou alguns meses para receber os dados e outros mais para confirmá-los.

Lançada em 2018, a Parker estava a 13 milhões de quilômetros do centro do Sol quando entrou pela primeira vez na atmosfera solar, e ali permaneceu por cerca de cinco horas.

A nave espacial mergulhou para dentro e para fora da corona pelo menos três vezes, se deslocando a mais de 100 quilômetros por segundo, de acordo com os cientistas.

Dados preliminares sugerem que a Parker também mergulhou na corona durante sua nona aproximação, em agosto, mas cientistas afirmaram que mais análises são necessárias. No mês passado, a sonda fez sua décima aproximação da atmosfera solar.

A Parker vai continuar se aproximando do Sol e mergulhando mais fundo na corona até sua órbita final em 2025.

Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol — Foto: Claudia Ferreira/G1
Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol — Foto: Claudia Ferreira/G1

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Setor de serviços cai 1,2% em outubro e registra 2ª queda seguida

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Com resultado, setor ainda está 2,1% acima do patamar pré-pandemia, mas 3 das 5 grandes atividades ainda não recuperaram nível de fevereiro de 2020.
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Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 15 de dezembro de 2021 às 10h00m

Post.- N.\ 10.131

Setor de serviços recua 1,2% em outubro e registram 2º mês negativo
Setor de serviços recua 1,2% em outubro e registram 2º mês negativo

O volume de serviços prestados no Brasil caiu 1,2% em outubro, na comparação com setembro, na segunda retração mensal consecutiva, mostram os dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior queda para meses de outubro desde 2016 (-1,5%).

No confronto com outubro de 2020, o volume de serviços avançou 7,5%, a oitava taxa positiva consecutiva.

Com o resultado de outubro, o setor ainda está 2,1% acima do patamar pré-pandemia, mas reduziu a distância em relação ao nível de fevereiro de 2020, evidenciando a perda de fôlego da recuperação.

Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia g1
Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia g1

“Essa perda não elimina o ganho de 6,2% observado no período abril-agosto, mas reduz o distanciamento em relação ao nível pré-pandemia. Em agosto, o setor estava 4,1% acima do patamar de fevereiro de 2020, passando para 3,3% em setembro e 2,1% agora em outubro”, destacou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.

Com a segunda queda seguida, o setor está agora 9,3% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014.

O IBGE também revisou o resultado de setembro, de queda de 0,6% para uma retração de 0,7%.

O resultado de outubro veio pior que o esperado. A mediana das projeções captadas pelo Valor Data era de queda de 0,2%. O intervalo das projeções ia de queda de 1,2% a alta de 0,5%. Já a expectativa mediana para o resultado de outubro de 2021 frente a outubro de 2020 era de 9,1%, com intervalo entre 7,5% e 10,4%.

Apesar da queda de 1,9% em dois meses, o setor ainda acumula avanço de 11% no ano. Em 12 meses, registra alta de 8,2%, alcançando a maior taxa da série histórica, iniciada em dezembro de 2012.

O índice de média móvel trimestral caiu 0,5% no trimestre encerrado em outubro, interrompendo a trajetória predominantemente positiva iniciada em julho de 2020.

Volume de serviços acumulado em 12 meses — Foto: Economia g1
Volume de serviços acumulado em 12 meses — Foto: Economia g1

O que puxou a queda

Quatro das cinco atividades investigadas tiveram queda em outubro, com destaque para serviços de informação e comunicação (-1,6%) e outros serviços (-6,7%).

“O segmento que mostrou o principal impacto negativo foi o de telecomunicações. Essa queda é explicada pelo reajuste nas tarifas de telefonia fixa, que avançaram 7,33% nesse mês. Essa pressão vinda dos preços, acabou impactando o indicador de volume do subsetor”, explicou Lobo.

Por outro lado, os serviços prestados às famílias cresceram 2,7% na passagem de setembro para outubro, emplacando a sétima alta consecutiva. Ainda assim, é o segmento que se encontra mais distante do patamar pré-pandemia, estando 13,6% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.

Regionalmente, 23 das 27 unidades da federação tiveram retração em outubro de 202. O impacto mais importante veio do Rio de Janeiro (-3,2%), seguido por São Paulo (-0,5%), Rio Grande do Sul (-4,0%), Paraná (-2,1%) e Mato Grosso (-6,0%). Do lado das altas, o Ceará (1,4%) registrou a principal expansão.

Veja o resultado dos subgrupos de cada grande atividade:

  • Serviços prestados às famílias: 2,7%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 2,5%
  • Outros serviços prestados às famílias: 1
  • Serviços de informação e comunicação: -1,6%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC): -1,2%
  • Telecomunicações: -2,2%
  • Serviços de tecnologia da informação: -0,2%
  • Serviços audiovisuais: -1,7%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -1,8%
  • Serviços técnico-profissionais: -4,1%
  • Serviços administrativos e complementares: -1,3%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -0,3%
  • Transporte terrestre: 1%
  • Transporte aquaviário: 1,4%
  • Transporte aéreo: -5,3%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -1,4%
  • Outros serviços: -6,7%

Dos 17 grupos e subgrupos monitorados pelo IBGE, 9 ainda se encontram abaixo do patamar pré-pandemia. E das 5 grandes atividades, 3 ainda não se recuperaram das perdas. Veja gráfico abaixo:

Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1
Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1

Atividades turísticas crescem 1% em outubro

O índice de atividades turísticas cresceu 1% na passagem de setembro para outubro, registrando a sexta taxa positiva consecutiva. Contudo, o segmento ainda se encontra 19,5% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

A contribuição positiva mais relevante no mês veio de São Paulo (1,1%), seguido por Minas Gerais (1,8%). Em sentido oposto, Bahia (-7,2%) e Distrito Federal (-10,1%) registraram os recuos com maior impacto no índice.

Piora das expectativas

O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira e foi o mais atingido pela pandemia de Covid-19, mas tem sido o principal destaque de recuperação em 2021, favorecido pelo avanço da vacinação e pela reabertura da economia.

No 3º trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) de serviços cresceu 1,1%, enquanto que a economia brasileira como um todo teve retração de 0,1%, o que colocou o país em recessão técnica.

A desaceleração da economia vem sendo pressionada pela escalada da inflação, alta dos juros, queda de renda das famílias, aumento do endividamento, desemprego ainda elevado e preocupações com a situação das contas públicas. A confiança do consumidor cai em novembro para o menor nível desde abril, segundo sondagem da Fundação Getúlio Vargas.

"Com a reabertura da economia, serviços prestados às famílias seguem se recuperando e devem manter essa dinâmica para os próximos meses. A alta da inflação, porém, parece já impactar o consumo dos demais serviços e, conjuntamente ao aperto monetário promovido pelo BC, deverá manter o viés negativo para o crescimento", avaliou Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

Na semana passada, o IBGE mostrou que as vendas do comércio caíram em outubro pelo 3º mês seguido, contrariando as expectativas de alta. Já a produção industrial teve a quinta retração mensal consecutiva.

O mercado passou a projetar um avanço de 4,65% para o PIB em 2021. Já a previsão de crescimento para o ano que vem agora está em apenas 0,50%. E parte dos analistas já fala em estagnação e até mesmo uma nova recessão.

Para a inflação de 2021, a expectativa é de uma taxa de 10,05% em 2021 e de 5,02% em 2022, também acima do teto da meta do governo. E a projeção para a taxa básica de juros da economia ao final de 2022 está em 11,50% ao ano.

PIB cai pelo segundo trimestre seguido e Brasil entra em recessão técnica
PIB cai pelo segundo trimestre seguido e Brasil entra em recessão técnica

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