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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Universidade de Kent homenageia Abdulrazak Gurnah por Nobel de Literatura: 'Inspirador'

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Vencedor do prêmio era professor da instituição até sua recente aposentadoria.
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Por g1

Postado em 08 de outubro de 2021 às 10h35m


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Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent  — Foto: Universidade de Kent
Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent — Foto: Universidade de Kent

A Universidade de Kent, em Canterbury, prestou homenagem Abdulrazak Gurnah, que ganhou o Nobel de Literatura 2021 na manhã desta quinta-feira (7).

O romancista tanzaniano foi professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais da instituição até sua recente aposentadora.

"Estamos absolutamente encantados que nosso antigo professor Abdulrazak Gurnah foi premiado com o Nobel de Literatura 2021. Verdadeiramente inspirador", escreveu a Universidade em suas redes sociais.

Segundo a Academia Sueca, que anunciou o nome de Gurnah como vencedor do Nobel de Literatura na manhã desta quinta-feira (7), o prêmio foi concedido "por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes."

"Seus romances fogem de descrições estereotipadas e abrem nossos olhares para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo", afirmou a Academia.

Romancista da Tanzânia que aborda questão dos refugiados é premiado com Nobel de Literatura
Romancista da Tanzânia que aborda questão dos refugiados é premiado com Nobel de Literatura

Abdulrazak Gurnah é a quarta pessoa negra a ganhar Nobel de Literatura

Por RFI

Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra, nesta quinta-feira (7) — Foto: Frank Augstein/AP
Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra, nesta quinta-feira (7) — Foto: Frank Augstein/AP

O Nobel de Literatura foi atribuído nesta quinta-feira (7) ao escritor Abdulrazak Gurnah, da Tanzânia. Ele é o primeiro não europeu ou americano a receber a distinção desde 2012 e a quarta pessoa negra da história da premiação.

Segundo o jurado, o autor foi recompensado por sua narrativa "empática e sem compromisso dos efeitos do colonialismo e o destino de refugiados presos entre culturas e continentes".

Gurnah nasceu em 1948, no arquipélago de Zanzibar, e chegou ao Reino Unido como refugiado no final dos anos 1960, fugindo da perseguição à minoria muçulmana na Tanzânia.

Ele é autor de 10 livros, publicados em inglês, além de contos. Entre as obras mais conhecidas do autor estão "Paradise" e "Desertion", não publicados no Brasil. O último livro de Gurnah, "Afterlives", foi publicado em 2020.

Sua obra se afasta das "descrições estereotipadas e abre nosso olhar para uma uma África Oriental diversa culturalmente, desconhecida em diversas partes do mundo", explicou o júri.

O escritor vive em Brighton e é professor aposentado da universidade de Kent.

Mérito literário

No ano passado, a poetisa americana Louise Glück recebeu o prêmio por sua obra "de beleza austera".

Este ano, as conjecturas giravam em torno da promessa da Academia de ampliar seus horizontes geográficos –ainda que o presidente do comitê Nobel, Anders Olsson, tenha tido o cuidado de reafirmar, no começo da semana, que o "mérito literário" continuava sendo "o critério absoluto e único".

Entre os 117 premiados em literatura desde a criação dos prêmios, em 1901, 95 – o que representa mais de 80% –são europeus e norte-americanos.

Nobel de Literatura 2021 vai para Abdulrazak Gurnah
Nobel de Literatura 2021 vai para Abdulrazak Gurnah

Por g1

Nobel de Literatura 2021 vai para Abdulrazak Gurnah
Nobel de Literatura 2021 vai para Abdulrazak Gurnah

Abdulrazak Gurnah, romancista tanzaniano, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2021. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (7) pela Academia Sueca.

Segundo a Academia, o prêmio foi concedido "por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes."

"Seus romances fogem de descrições estereotipadas e abrem nossos olhares para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo", afirmou a Academia.

Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent — Foto: Universidade de Kent
Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent — Foto: Universidade de Kent

Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, chegando na Inglaterra na década de 1960 como refugiado. O romancista começou a escrever aos 21 anos de idade e publicou dez livros e diversos contos ao longo da carreira. A temática de refugiados é a base de todo seu trabalho.

O romancista é conhecido sobretudo pelo livro "Paradise", de 1984, ambientado no leste da África durante a Primeira Guerra Mundial. A obra foi finalista na época do Booker Prize de ficção.

Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra, nesta quinta-feira (7) — Foto: Frank Augstein/AP
Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra, nesta quinta-feira (7) — Foto: Frank Augstein/AP

Seu livro de estreia ("Memory of Departure") foi lançado em 1987 e conta a história de um jovem talentoso que tenta uma nova vida sob a proteção do tio em Nairobi, mas em vez disso, é humilhado e precisa retornar para sua família problemática, incluindo um pai alcoólatra e uma irmã que é forçada a se prostituir.

"Pilgrims Way" (1988) e "Dottie" (1990) foram os livros seguintes do romancista. Sua obra mais recente, "Afterlives", foi lançada em 2020, e conta a história de Hamza, um jovem que é forçado a ir para a guerra ao lado dos alemães e se torna dependente de um oficial que o explora sexualmente.

Gurnah atuava como Professor de Inglês e Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent, em Canterbury, aposentando-se recentemente.

Algumas das obras de Abdulrazak Gurnah, romancista vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP
Algumas das obras de Abdulrazak Gurnah, romancista vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP


Obras de Abdulrazak Gurnah, vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP
Obras de Abdulrazak Gurnah, vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Jonathan NACKSTRAND / AFP


Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent  — Foto: Universidade de Kent
Abdulrazak Gurnah dando aulas na Universidade de Kent — Foto: Universidade de Kent

Nobel da Literatura em números

Desde 1901, foram 118 laureados em 114 premiações. Isso porque em quatro delas, dois nomes foram anunciados como vencedores no mesmo ano. Não houve premiação nos anos de 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943. Até hoje, ninguém foi premiado mais de uma vez.

Rudyard Kipling foi o mais jovem vencedor do prêmio. Em 1907, quando foi nomeado, tinha 41 anos de idade.

Já a mais velha foi Doris Lessing, que estava com 88 anos quando foi premiada em 2007.

Mats Malm, secretário permanente da Academia Sueca, anuncia o nome de Abdulrazak Gurnah como vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Fredrik Sanberg/TT News Agency/via REUTERS
Mats Malm, secretário permanente da Academia Sueca, anuncia o nome de Abdulrazak Gurnah como vencedor do Nobel de Literatura 2021 — Foto: Fredrik Sanberg/TT News Agency/via REUTERS

O Prêmio Nobel de Literatura foi concedido a apenas 16 mulheres entre uma centena de homens desde sua criação, em 1901.

  • 1909 – Selma Lagerlöf
  • 1926 – Grazia Deledda
  • 1928 – Sigrid Undset
  • 1938 – Pearl Buck
  • 1945 – Gabriela Mistral
  • 1966 – Nelly Sachs
  • 1991 – Nadine Gordimer
  • 1993 – Toni Morrison
  • 1996 – Wislawa Szymborska
  • 2004 – Elfriede Jelinek
  • 2007 – Doris Lessing
  • 2009 – Herta Müller
  • 2013 – Alice Munro
  • 2015 – Svetlana Alexievich
  • 2018 – Olga Tokarczuk
  • 2020 - Louise Glück
Após o escândalo #MeToo, que levou à suspensão do prêmio em 2018, e as críticas recorrentes pela presença de laureados masculinos e eurocêntricos, a Academia Sueca, encarregada de conceder a prestigiosa distinção, disse que renovou seus critérios e espectro para que o prêmio seja mais global e feminino.

Nobel 2021

Este ano, o prêmio para cada uma das categorias do Nobel é de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões).

A láurea em Medicina foi a primeira a ser anunciada, na segunda (4), e entregue para David Julius e Ardem Patapoutian pela descoberta de como estímulos como o calor ou o frio eram detectados pelo corpo humano e transformados em impulsos elétricos. Já o prêmio em Física, divulgado na terça (6), foi dado a Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi pelas contribuições inovadoras para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos.

Na quarta (6), foi entregue o Nobel de Química para Benjamin List e David MacMillan, por nova ferramenta de construção de moléculas.

Os prêmios de Paz e economia serão divulgados na sexta-feira (8) e segunda-feira (11) respectivamente.

VÍDEO: Conheça, abaixo, a história do Prêmio Nobel


Veja o cronograma completo da premiação:

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Nobel da Paz 2021 vai para os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov por defesa da liberdade de expressão

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Profissionais das Flipinas e da Rússia ganharam o prêmio 'pela corajosa luta' em seus países. Academia Real das Ciências da Suécia afirmou que a liberdade de expressão é 'pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura'.
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Por g1

Postado em  08 de outubro de 2021 às 


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Nobel da Paz 2021 vai para Maria Ressa e Dmitry Muratov
Nobel da Paz 2021 vai para Maria Ressa e Dmitry Muratov

Os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov ganharam o prêmio Nobel da Paz de 2021 por seus esforços para defender a liberdade de expressão, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta sexta-feira (8).

A academia afirmou que Ressa e Muratov receberam o Nobel da Paz "pela corajosa luta" nas Filipinas e na Rússia e que a liberdade de expressão "é uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura".

"[Os laureados] são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas", afirmou Berit Reiss-Anderson, presidente do conselho do Nobel.

Os dois jornalistas ajudaram a fundar veículos de comunicação independentes em seus países e vão dividir o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões). Muratov é um dos fundadores de um jornal russo que já teve seis jornalistas assassinados (veja mais abaixo).

"O jornalismo livre, independente e baseado em fatos serve para proteger contra o abuso de poder, mentiras e propaganda de guerra. O comitê norueguês do Nobel está convencido de que a liberdade de expressão e a liberdade de informação ajudam a garantir um público informado", afirmou a instituição.

A academia sueca disse também que "esses direitos são pré-requisitos essenciais para a democracia e protegem contra guerras e conflitos" e que o prêmio para os jornalistas "visa salientar a importância de proteger e defender esses direitos fundamentais [as liberdades de expressão e informação]".

Os outros vencedores do prêmio Nobel deste ano foram:

Maria Ressa
Maria Ressa, que ganhou junto com o russo Dmitry Muratov o prêmio Nobel da Paz de 2021. Academia Real das Ciências da Suécia anunciou que ambos ganharam o prêmio por seus esforços para defender a liberdade de expressão. — Foto: Reprodução Twitter/Prêmio Nobel
Maria Ressa, que ganhou junto com o russo Dmitry Muratov o prêmio Nobel da Paz de 2021. Academia Real das Ciências da Suécia anunciou que ambos ganharam o prêmio por seus esforços para defender a liberdade de expressão. — Foto: Reprodução Twitter/Prêmio Nobel

Maria Ressa é cofundadora e diretora-executiva da Rappler (rappler.com), uma empresa de mídia digital de jornalismo investigativo nas Filipinas.

Segundo a academia sueca, "Ressa usa a liberdade de expressão para expor o abuso de poder, o uso da violência e o crescente autoritarismo em seu país natal".

"Rappler deu atenção à campanha assassina do regime de Duterte [o presidente da Filipinas]. O número de mortes é tão alto que parece uma guerra contra a própria população do país", afirmou a porta-voz do Nobel.

"Ressa e a Rappler mostram como as redes sociais são usadas para espalhar 'fake news', assediar oponentes e manipular o discurso público", disse Berit Reiss-Anderson.

"Estou em choque", afirmou a jornalista filipina em uma transmissão ao vivo pela Rappler logo após o prêmio. "Nada é possível sem fatos".

Captura de tela da Rappler, site de notícias fundado pela jornalista filipina Maria Ressa, uma das vencedoras do Nobel da Paz de 2021 — Foto: Reprodução/rappler.com
Captura de tela da Rappler, site de notícias fundado pela jornalista filipina Maria Ressa, uma das vencedoras do Nobel da Paz de 2021 — Foto: Reprodução/rappler.com

Dmitry Muratov

Dmitry Muratov é russo e um dos fundadores do jornal independente "Novaya Gazeta" (novayagazeta.ru), que já teve seis jornalistas mortos desde a sua fundação, em 1993.

Muratov é o editor-chefe do jornal desde 1995, e todas as mortes ocorreram depois que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou ao poder.

"Desde o início do jornal, seis jornalistas foram assassinados, incluindo Anna Politkovskaya, que escreveu artigos reveladores sobre a guerra na Chechênia", afirmou Berit Reiss-Anderson, presidente do conselho do Nobel.

"Apesar das mortes e ameaças, Muratov se recusou a abandonar a política independente do jornal", destacou Reiss-Anderson. "[Muratov] há décadas defende a liberdade de expressão na Rússia, em condições cada vez mais desafiadoras".

"O jornalismo baseado em fatos e a integridade profissional do 'Novaya Gazeta' a tornaram uma importante fonte de informações sobre aspectos censuráveis ​​da sociedade russa raramente mencionados por outros meios de comunicação", afirmou a academia sueca.

Imagem de 2011 de Dmitry Muratov, vencedor do Nobel da Paz de 2021 junto com a filipina Maria Ressa — Foto: Dmitry Muratov/Reuters
Imagem de 2011 de Dmitry Muratov, vencedor do Nobel da Paz de 2021 junto com a filipina Maria Ressa — Foto: Dmitry Muratov/Reuters

Governo russo

A porta-voz do Nobel destacou que, desde a sua fundação, "Novaya Gazeta" publicou reportagens importantes que revelaram corrupção, violência policial, prisões arbitrárias, fraude eleitoral e o uso de forças militares russas dentro e fora do país.

"Os oponentes da 'Novaya Gazeta' responderam com assédio, ameaça, violência e assassinato", afirmou Reiss-Anderson. "É o jornal mais independente da Rússia hoje, com uma atitude crítica em relação ao poder".

Após o prêmio, o governo Putin afirmou que Muratov trabalha consistentemente de acordo com seus próprios ideais e que o jornalista é "corajoso e talentoso".

Captura de tela do site do 'Novaja Gazeta', jornal independente fundado em 1993 pelo jornalista russo Dmitry Muratov, um dos vencedores do Nobel da Paz de 2021 — Foto: Reprodução/novayagazeta.ru
Captura de tela do site do 'Novaja Gazeta', jornal independente fundado em 1993 pelo jornalista russo Dmitry Muratov, um dos vencedores do Nobel da Paz de 2021 — Foto: Reprodução/novayagazeta.ru

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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Fóssil de possível titanossauro é achado no Maranhão

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Ossos do animal foram encontrados em bom estado de conservação durante as escavações de uma ferrovia, em Davinópolis.
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Por Rafael Cardoso, g1 MA — São Luís

Postado em 07 de outubro de 2021 às 19h50m


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Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado
Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado

O fóssil de um possível titanossauro foi encontrado no Maranhão e pode revelar vestígios sobre a passagem dos saurópodes no Brasil, no período Cretáceo.

O achado ocorreu em Davinópolis, na região Sudoeste do estado, no mês de abril, durante a construção de uma ferrovia que deve fazer a ligação com a cidade de Sumaré (SP). Já a retirada dos fósseis aconteceu no mês de junho.

Região onde foram encontrados os fósseis de dinossauro, em Davinópolis — Foto: Divulgação/Brado
Região onde foram encontrados os fósseis de dinossauro, em Davinópolis — Foto: Divulgação/Brado

O funcionários da ferrovia entraram em contato com pesquisadores e o professor e paleontólogo Elver Luiz Mayer, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), foi quem enviou equipes ao local. Na região, foi encontrado um fêmur de mais de 1,5 metro, pés e mãos, costelas, além de vértebras do animal.

"Encontramos o material bem concentrado, uma densidade de fósseis em um área muito pequena. Não dá pra dizer que são do mesmo animal, mas como não encontramos pedaços iguais, então há indicativos de que é possível que seja do mesmo dinossauro", afirmou o professor.

“Ter a possibilidade de encontrar um registro como esse em uma área tão importante para a Companhia é uma grande surpresa, além de representar um ganho para o patrimônio histórico do Brasil e do mundo", afirmou Homero Rech, gerente de engenharia da Brado, empresa que realiza as obras na ferrovia.

Representação do titanossauro e pedaço de vértebra encontrado na Ilha de Cajual, no Maranhão, nos anos 90 — Foto: Manuel Alfredo
Representação do titanossauro e pedaço de vértebra encontrado na Ilha de Cajual, no Maranhão, nos anos 90 — Foto: Manuel Alfredo

No Maranhão, esse é o primeiro fóssil de dinossauro conhecido nessa região do estado, mas não o primeiro titanossauro. Portanto, se confirmado, a descoberta de mais vestígios desse grupo de dinossauros abre caminho para o entendimento da evolução desses animais no Maranhão e no Brasil.

"Já encontramos fósseis de titanossauro na região da Ilha do Cajual, que fica próximo a São Luís, com 97 a 95 milhões de anos, coletados nos anos 90. Mas a descoberta é sempre de pedaços pequenos, quebrados e isolados. Esse de Davinópolis possui membros encontrados mais próximos e mais preservados", afirmou o paleontólogo da Universidade Federal do Maranhão, Manuel Alfredo.

'Arrudatitan maximus', espécie do grupo titanossauro, viveu há 85 milhões de anos no interior de São Paulo — Foto: Ariel Milani Martine/Arte/Divulgação
'Arrudatitan maximus', espécie do grupo titanossauro, viveu há 85 milhões de anos no interior de São Paulo — Foto: Ariel Milani Martine/Arte/Divulgação

O titanossauro faz parte do gênero de dinossauros saurópodes, que já estavam na Terra há cerca de 163 milhões de anos, segundo os cientistas. No caso da possível espécie encontrada em Davinópolis, o tamanho estimado é de 18 metros de comprimento.

"Os titanossauros viviam em manadas e pesavam até mais de 40 toneladas. São caracterizados por terem pescoço longo, cabeça pequena, e herbívoros. Podiam atingir a altura de até 8 metros, e o comprimento excedia os 20 metros", explica Manuel Alfredo.

Representação de titanossauro no Centro de Pesquisa e História Natural e Arqueologia do Maranhão — Foto: Reprodução/TV Mirante
Representação de titanossauro no Centro de Pesquisa e História Natural e Arqueologia do Maranhão — Foto: Reprodução/TV Mirante

Todos os ossos encontrados em Davinópolis foram encaminhados para a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, onde continuarão sendo analisados pelas equipes do professor Elver Luiz.

"Nesse momento, estamos na etapa de preparação no laboratório, fazendo a limpeza, separando o que é rocha e o que é osso. Depois vamos remontar os pedacinhos. Vai levar um bom tempo. Esse achado é muito importante para a formação de material humano e novos pesquisadores, e vamos trabalhar para fazer a divulgação científica", concluiu Elver Luiz.

Veja outras imagens do achado

Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado
Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado


Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado
Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado


Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado
Pedaço de osso de dinossauro encontrado em Davinópolis, no Maranhão — Foto: Divulgação/Brado

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Curtidas, fotos, mensagens: por que as redes sociais são um pesadelo para o meio ambiente

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'Infraestrutura que nos permite viver conectados é feita de milhões de quilômetros de cabos submarinos e centros de estocagem de dados', diz pesquisador.
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TOPO
Por Lúcia Müzell, RFI

Postado em 07 de outubro de 2021 às 14h45m


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Uma curtida no Facebook, uma foto no Instagram, um vídeo no WhatsApp. Gestos quase automáticos da nossa vida cotidiana e que se tornaram tão normais ao ponto de substituírem as interações “reais” entre as pessoas. Mas a maioria dos usuários sequer conhece o impacto ambiental de práticas aparentemente inofensivas.

whatsapp no celular — Foto: Divulgação
whatsapp no celular — Foto: Divulgação

Pegando-se o exemplo de uma simples curtida: quando você clica no coraçãozinho, seu telefone emite a “ordem” pelo modem e ela desce por cabos de cobre até a rede subterrânea, por onde vai seguir em direção ao mar. Pelos cabos submarinos, a curtida percorre milhares de quilômetros até um data center da rede social em questão, onde é registrada e armazenada. Depois faz todo o caminho inverso até a tela do seu amigo “curtido" – assim como a toda rede que terá acesso àquela informação. Tudo isso, em poucos segundos.

Quem explica é o jornalista francês Guillaume Pitron, autor de uma investigação mundial que resultou no livro L’enfer numérique, voyage au bout d’un like, que pode ser traduzido para “Inferno digital, viagem até o fim de uma curtida”.

“Temos dificuldade de perceber que para enviar uma curtida, mobilizamos uma estrutura que, conforme denominou o Greenpeace, é a mais vasta que o homem já construiu na sua história”, ressalta. “Essa infraestrutura que nos permite viver conectados é feita de milhões de quilômetros de cabos submarinos e centros de estocagem de dados. Uma curtida anda milhares de quilômetros até notificar o meu amigo, que muitas vezes está a dois metros de mim.”

Ex-funcionária do Facebook acusa a rede social de prejudicar crianças e enfraquecer a democracia
Ex-funcionária do Facebook acusa a rede social de prejudicar crianças e enfraquecer a democracia

Data centers a -40°C

A mesma dinâmica acontece com fotos, e-mails, vídeos e todo o tipo de interação digital entre as pessoas. Para dar conta de tanta atividade em rede, Guillaume dá o exemplo do Facebook, que construiu na Suécia um megacentro de estocagem de dados para 800 milhões de usuários europeus, africanos e do Oriente Médio.

“A curtida vai quase até a Lapônia, numa cidadezinha que se chama Lulea, quase no círculo Ártico, para depois fazer o sentido contrário até sul, na Costa do Marfim, por exemplo. Nesse processo, ela ficará estocada sob dezenas de metros de neve, a -40°C – porque, acredite se puder, a curtida precisa de frio para ser estocada corretamente”, explica. “Os servidores aquecem muito, a 60°C, o que faz com que a gente não possa estocar os dados num centro onde a temperatura ambiente já é elevada.”

Entretanto, esses data centers se espalham pelo mundo. Já são mais de 3 milhões em todo o planeta, afinal a questão representa também um desafio geopolítico, de soberania digital.

O Senegal abriu recentemente o maior centro de dados do oeste africano. A estrutura é refrigerada 24 horas por dia, o que gera um consumo colossal de energia. Mas a maior proximidade física dos usuários também traz vantagens do ponto de vista ambiental.

“A informação que transita menos efetua menos quilômetros e, conforme alguns especialistas que entrevistei para o livro, isso faria gastar menos energia”, comenta Pitron. “Porém, estamos todos numa lógica de produzir cada vez mais dados, de utilizar mais esses dados produzidos e vamos rumo a uma internet cada vez mais desenvolvida. A questão ecológica acaba nem sendo colocada, afinal a internet é poder, é dinheiro, é geopolítica”, sublinha o jornalista francês.

Facebook revela detalhes sobre o que causou pane global; entenda como o apagão aconteceu
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Aparelhos descartáveis

E tudo isso sem falar do lixo propriamente dito: os aparelhos, carregadores, telas, cabos e tantos outros equipamentos necessários para as conexões. A produção de telefones cada vez mais potentes exige hoje pelo menos 60 materiais diferentes, a maioria metais, afirma Pitron.

“Produzimos, a cada ano, o equivalente a 5 mil torres Eiffel em lixo eletrônico. E só acumulamos mais: compramos 1,4 bilhões de celulares no mundo por ano. Já temos 34 bilhões de equipamentos de informática em circulação”, informa.

“Com a expansão do universo digital, com a internet de objetos, tudo será conectado. Os carros serão, todos os objetos, os animais, as árvores, todos serão conectados porque terão uma informação que terá um valor”, constata.

Como ter um comportamento mais ambientalmente responsável neste contexto? O primeiro passo é pensar duas vezes antes de enviar uma foto ou um vídeo – eles são mesmo tão importantes assim, questiona Pitron? Depois, parar de trocar de aparelho a cada ano. Para poder usar um celular pelo maior período de tempo possível, eles devem poder ser consertados e, ao fim da vida, recicláveis.

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