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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Mais da metade dos municípios brasileiros não registra mortes por Covid-19 em setembro, maior índice desde maio de 2020

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Foram 3.274 cidades sem notificação de mortes no último mês, um aumento de 31,8% em relação às 2.484 de agosto. Levantamento do g1 foi realizado com dados tabulados pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa.
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Por Felipe Grandin, g1

Postado em 07 de outubro de 2021 às 08h00m


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Mais da metade dos municípios brasileiros não registra mortes por Covid-19 em setembro
Mais da metade dos municípios brasileiros não registra mortes por Covid-19 em setembro

Em setembro deste ano, 58% dos municípios brasileiros não registraram mortes por Covid-19, o maior percentual desde maio de 2020. É o que mostra um levantamento exclusivo do g1 com dados tabulados pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa.

Foram 3.274 cidades sem notificação de mortes no último mês, um aumento de 31,8% em relação às 2.484 de agosto.

O que mais o levantamento mostra:

  • a maior parte dos municípios sem mortes tem menos de 10 mil habitantes: são 1.884 nessa faixa populacional (57,5% do total)
  • a cidade mais populosa sem mortes registradas em setembro de 2021 é São José de Ribamar (MA), com 179.028 habitantes
  • ao todo, 13 municípios com mais de 100 mil habitantes não informaram mortes no mês
  • a região Nordeste teve o maior percentual de municípios sem mortes em setembro

Ao todo, 1.249 municípios do Nordeste não notificaram mortes no último mês, o equivalente a 38% do total. No Sudeste, foram 789 sem óbitos (24% do total).

Mortes por Covid-19 mês a mês no Brasil — Foto: Juan Silva/G1

Mortes em queda

Os dados mostram que 43% dos municípios registraram queda na média diária de mortes por Covid-19 em setembro quando comparado ao mês anterior.

Ao todo, 2.389 cidades brasileiras tiveram redução na média diária de óbitos no último mês em relação a agosto.

Em 2.316 municípios, 42% do total, a média se manteve no mesmo patamar.

‘O pior já passou’

Para o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os dados indicam que a pandemia está chegando a uma nova etapa.

"Esse resultado sugere que o pior momento da pandemia já passou, especialmente em decorrência do avanço da campanha de vacinação no Brasil", afirma.

"No momento atual, o nosso maior inimigo é a variante Delta - se conseguirmos evitar que a variante Delta gere um novo aumento de caso, estaremos muito próximos de vencer a pandemia, caso a vacinação continue avançando."

Vacinação explica índice de mortes cada vez menor, segundo especialistas — Foto: Elvis Edson
Vacinação explica índice de mortes cada vez menor, segundo especialistas — Foto: Elvis Edson

O infectologista Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que o aumento dos municípios sem registro de mortes é resultado do rápido avanço da vacinação no Brasil.

"Isso acontece por causa da vacinação rápida", afirma. "A gente começa a ver os efeitos provocados pelo aumento da capacidade de proteção. Porque a cobertura vacinal da população provavelmente avança mais rápido nos municípios menores, principalmente dos grupos mais vulneráveis. Com isso você tem um menor número de casos graves e obviamente isso tem impacto nas mortes."

De acordo com ele, essa tendência deve se manter.

"Nos próximos meses certamente a gente vai ter cada vez mais municípios com zero mortes. As grandes cidades vão precisar de um tempo maior para que isso aconteça, onde você tem um maior adensamento e até talvez um número maior de pessoas que não se vacinaram. Mas certamente isso está relacionado à vacinação e vai se manter nos próximos meses."

Já é possível ver uma redução expressiva nos óbitos nas grandes metrópoles. Em São Paulo, por exemplo, a média móvel de mortes chegou a 38 na última terça-feira (5), segundo o consórcio de veículos de imprensa. É um número bem inferior ao registrado no pico da pandemia, em 14 de abril, quando a média foi de 252 mortes.

No Rio, também há queda nas mortes. A média móvel na terça foi 39. Já no pico, em 14 de abril, foi de 135.

As 13 grandes cidades (com mais de 100 mil habitantes) que não registraram nem sequer uma morte por Covid-19 em setembro são:

  • São José de Ribamar (MA)
  • Simões Filho (BA)
  • Marituba (PA)
  • São Félix do Xingu (PA)
  • Itapipoca (CE)
  • Colatina (ES)
  • Bagé (RS)
  • Parintins (AM)
  • Paragominas (PA)
  • Lagarto (SE)
  • Breves (PA)
  • Itacoatiara (AM)
  • Itaituba (PA)
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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Por que Bill Gates está na pior posição em 30 anos de ranking de bilionários da Forbes

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Pela primeira vez desde 1991, Gates não está na liderança ou vice-liderança da lista; ele ocupa o quarto lugar, com fortuna de US$ 134 bilhões, atrás de Jeff Bezos, Elon Musk e Mark Zuckerberg.
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TOPO
Por BBC

Postado em o6 de outubro de 2021 às 20h45m


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Quase um quarto da fortuna de Gates vem de sua participação estimada de 1,3% na Microsoft — Foto: Getty Images/via BBC
Quase um quarto da fortuna de Gates vem de sua participação estimada de 1,3% na Microsoft — Foto: Getty Images/via BBC

Se você tem 30 ou menos, sempre viu Bill Gates, cofundador da Microsoft, no primeiro ou segundo lugares do ranking das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, organizado anualmente pela revista americana Forbes.

Mas, ao que tudo indica, isso parece ter chegado ao fim.

Pela primeira vez desde 1991, Gates não está na liderança ou vice-liderança da lista; neste ano, ele "amarga" o quarto lugar, com uma fortuna de US$ 134 bilhões (R$ 735 bilhões), atrás do fundador da Amazon, Jeff Bezos, o CEO da Tesla, Elon Musk, ou o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.

Mas o que explica a queda de Gates no ranking?

A razão principal é o mercado de ações. Mas não é só isso.

"Uma parte do patrimônio líquido de Gates - pelo menos US$ 5,7 bilhões em ações de empresas de capital aberto - foi para a ex-mulher Melinda French Gates depois que eles anunciaram o divórcio em maio. Se seu casamento e fortuna tivessem permanecido intactos, Gates seria mais rico do que Zuckerberg, em terceiro lugar neste ano", escreve a Forbes.

Segundo a revista, quase um quarto da fortuna de Gates vem de sua participação estimada de 1,3% na Microsoft (avaliada em US$ 31 bilhões em 3 de setembro). O restante, da sua empresa de investimentos, Cascade Investment LLC, junto com outros ativos, como sua vasta propriedade de US$ 143 milhões em Medina, Washington, apelidada de "Xanadu".

"Por meio da Cascade, Gates possui o controle acionário dos hotéis Four Seasons, 14% da concessionária de automóveis AutoNation, ações da empresa de gerenciamento de resíduos Republic Services, fabricante de tratores Deere & Co., Canadian National Railway e muito mais", diz a Forbes.

25 anos da GloboNews: veja trecho de conversa do visionário Bill Gates com Renato Machado
25 anos da GloboNews: veja trecho de conversa do visionário Bill Gates com Renato Machado

A composição da fortuna de Gates também mudou bastante desde 1986, quando a Microsoft passou a ser negociada na bolsa de valores. Na época, ele possuía 45% das ações da companhia, avaliadas em US$ 315 milhões (US$ 786 milhões em valores atuais).

No ano seguinte, contudo, a valorização das ações da Microsoft fez dele o bilionário mais jovem do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 1,25 bilhão aos 31 anos.

Em 1990, a Microsoft registrou receitas superiores a US$ 1 bilhão pela primeira vez, tornando-se a maior fornecedora de software de computador da época.

Como resultado, já em 1991, Gates saltou da 16ª para a 2ª posição no ranking dos americanos mais ricos, com um patrimônio líquido de US$ 4,8 bilhões. E, no ano seguinte, em 1992, ele se tornou a pessoa mais rica dos Estados Unidos, com uma fortuna estimada em US$ 6,3 bilhões.

Saída do comando

Depois que Gates deixou o cargo de CEO em 2000, seu patrimônio líquido caiu pela primeira vez - embora ele ainda permanecesse em primeiro lugar na lista dos 400 mais ricos da Forbes.

Naquele ano, o preço das ações da Microsoft caiu significativamente em meio à bolha da internet enquanto ela se defendia das acusações antitruste do governo dos Estados Unidos.

Foi nessa época que Gates transferiu US$ 20 bilhões em ações da Microsoft para a Fundação Bill e Melinda Gates, que criou junto com a agora ex-mulher, em 2000, reduzindo ainda mais seu patrimônio líquido.

"Embora ele tenha continuado a fazer doações significativas para sua fundação, que agora se tornou a maior organização filantrópica privada do mundo, Gates continuou a ser a pessoa mais rica dos Estados Unidos até 2017", diz a Forbes.

Por um breve período durante 2008, Warren Buffett, amigo de longa data de Gates, chegou a ultrapassá-lo como o detentor da maior fortuna dos Estados Unidos, mas quando a lista da Forbes foi publicada naquele ano, Gates já havia recuperado sua posição.

De 1994 a 2020, Bill e Melinda Gates doaram US$ 36,8 bilhões para a Fundação Gates, a maior parte em doações de ações da Microsoft.

Foi apenas em 2018 que, pela primeira vez, Gates perdeu a liderança - para Jeff Bezos, fundador da Amazon.

No fim de 2020, Musk ultrapassou Gates, graças à impressionante recuperação da Tesla na bolsa de valores.

Em agosto deste ano, Gates foi superado por Zuckerberg pela primeira vez devido em grande parte às transferências de ações para Melinda.

A Forbes, no entanto, faz uma ressalva.

Segundo a revista, os ranking de bilionários são "voláteis".

Prova disso foi que, depois de finalizada a lista deste ano dos 400 americanos mais ricos, as ações do Facebook registraram uma queda substancial e inesperada devido ao apagão ocorrido nas redes sociais e também a questões relacionadas à saúde mental de adolescentes no Instagram.

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Nobel de Física 2021 vai para cientistas que contribuíram para modelos do aquecimento global

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Metade do prêmio, de 10 milhões de coroas suecas, foi para o físico Giorgio Parisi, teórico dos sistemas complexos. A outra metade foi dividida entre Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann, por um modelo físico do clima da Terra. As láureas em Química, Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana.
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Por Lara Pinheiro, g1

Postado em 06 de outubro de 2021 às 11h00m


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Nobel de Física 2021 vai para Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi
Nobel de Física 2021 vai para Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi

Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi são os ganhadores do Prêmio Nobel 2021 em Física, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta terça-feira (5), pelas contribuições inovadoras para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos.

Os vencedores dividirão o prêmio, que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões). Metade do prêmio será dividido por Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann, por um modelo físico do clima da Terra, quantificando a variabilidade e prevendo com segurança o aquecimento global.

A outra metade irá para Giorgio Parisi, por suas "soluções teóricas para uma vasta gama de problemas na teoria de sistemas complexos".

Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi, vencedores do Nobel de Física de 2021 — Foto: Jonathan Nackstrand / AFP
Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi, vencedores do Nobel de Física de 2021 — Foto: Jonathan Nackstrand / AFP

Todos os três vencedores contribuíram para o entendimento dos sistemas físicos complexos – que podem ter um número enorme de componentes ou serem governados pelo acaso. Um exemplo desse tipo de sistema é o clima da Terra.

Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra.

Ele descobriu que, quando o nível de CO2 na atmosfera dobrava, a temperatura global aumentava mais de 2ºC.

Foto de 2018 mostra Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, vencedor do Nobel de Física 2021. Ele demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra.  — Foto: Johan Nilsson/TT News Agency via Reuters
Foto de 2018 mostra Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, vencedor do Nobel de Física 2021. Ele demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra. — Foto: Johan Nilsson/TT News Agency via Reuters

Na década de 1960, Manabe liderou o desenvolvimento de modelos físicos do clima da Terra e foi a primeira pessoa a explorar a interação entre o balanço de radiação e o transporte vertical de massas de ar. Seu trabalho lançou as bases para o desenvolvimento de modelos climáticos.

Cerca de dez anos depois, Klaus Hasselmann, do Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo, na Alemanha, criou um modelo que liga o tempo e o clima – respondendo, assim, à pergunta de por que os modelos climáticos podem ser confiáveis apesar de o tempo ser mutável e caótico.

Cientista Klaus Hasselmann posa para uma foto em sua casa em Hamburgo, na Alemanha, depois de ganhar o Nobel de Física de 2021, no dia 5 de outubro. — Foto: Fabian Bimmer/Reuters
Cientista Klaus Hasselmann posa para uma foto em sua casa em Hamburgo, na Alemanha, depois de ganhar o Nobel de Física de 2021, no dia 5 de outubro. — Foto: Fabian Bimmer/Reuters

Ele também desenvolveu métodos para identificar sinais específicos – "impressões digitais" – que fenômenos naturais e atividades humanas imprimem no clima. Seus métodos têm sido usados para provar que o aumento da temperatura na atmosfera é devido às emissões humanas de dióxido de carbono.

Na avaliação do comitê, Manabe e Hasselmann "contribuíram para o maior benefício para a humanidade, no espírito de Alfred Nobel, fornecendo uma base física sólida para nosso conhecimento do clima da Terra".

"Não podemos mais dizer que não sabíamos – os modelos climáticos são inequívocos. A Terra está esquentando? Sim. A causa é o aumento da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera? Sim. Isso pode ser explicado apenas por fatores naturais? Não. As emissões da humanidade são a razão para o aumento da temperatura? Sim", diz o comitê em uma explicação sobre as pesquisas no site. 
Ordem na desordem
Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física 2021 — Foto: Remo Casilli via Reuters
Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física 2021 — Foto: Remo Casilli via Reuters

O terceiro laureado, Giorgio Parisi, da Universidade Sapienza de Roma, na Itália, ficou com metade do prêmio sozinho (5 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 3,1 milhões). A descoberta dele é do campo da física teórica – e um pouco mais complexa de entender.

Veja, a seguir, o exemplo que o comitê do Nobel deu para explicar a contribuição do físico para a área dos sistemas complexos:

  • Imagine as partículas em um gás. Elas podem ser consideradas como pequenas bolas, voando a velocidades que aumentam com temperaturas mais altas.
  • Quando a temperatura cai ou a pressão aumenta, as bolas primeiro se condensam em um líquido e, em seguida, em um sólido. Este sólido é geralmente um cristal, em que as bolas são organizadas em um padrão regular.
  • No entanto, se essa mudança acontecer rapidamente, as bolas podem formar um padrão irregular que não muda – mesmo se o líquido for mais resfriado ou comprimido.
  • Se o experimento for repetido, as bolas assumirão um novo padrão, apesar de a mudança ocorrer exatamente da mesma forma (veja na imagem abaixo). Por que os resultados são diferentes?
Se a mudança de temperatura acontecer rapidamente, as bolas podem formar um padrão irregular que não muda – mesmo se o líquido for mais resfriado ou comprimido. Se o experimento for repetido, as bolas assumirão um novo padrão, apesar de a mudança ocorrer exatamente da mesma forma Por que os resultados são diferentes? — Foto: Reprodução/The Nobel Prize
Se a mudança de temperatura acontecer rapidamente, as bolas podem formar um padrão irregular que não muda – mesmo se o líquido for mais resfriado ou comprimido. Se o experimento for repetido, as bolas assumirão um novo padrão, apesar de a mudança ocorrer exatamente da mesma forma Por que os resultados são diferentes? — Foto: Reprodução/The Nobel Prize

As bolas comprimidas são um modelo simples para vidro comum ou materiais granulares, como areia ou cascalho.

O tema do trabalho de Parisi, entretanto, era um tipo diferente de sistema – o vidro de spin (em inglês, "spin glass"). Este é um tipo especial de liga metálica em que átomos de ferro, por exemplo, são misturados aleatoriamente em uma grade de átomos de cobre.

Mesmo que haja apenas alguns átomos de ferro, eles mudam as propriedades magnéticas do material: cada átomo de ferro se comporta como um pequeno ímã (ou spin), que é afetado pelos outros átomos de ferro próximos a ele.

Modelo de 'spin glass'. O vermelho representa os átomos de ferro; o verde, os átomos de cobre. — Foto: Reprodução/Nobel Prize
Modelo de 'spin glass'. O vermelho representa os átomos de ferro; o verde, os átomos de cobre. — Foto: Reprodução/Nobel Prize

Em um ímã comum, todos esses "spins" dentro dele apontam para a mesma direção, mas, em um vidro de spin, eles são "frustrados": alguns pares de ímãs querem apontar na mesma direção e outros na direção oposta – então, como eles encontram uma orientação ideal?

Na década de 1970, muitos físicos, incluindo vários ganhadores do Prêmio Nobel, procuraram uma maneira de descrever os vidros spin. Parisi foi o que conseguiu fazer isso, em 1979. Mesmo assim, foram necessários muitos anos para que sua solução fosse provada matematicamente correta.

"O que o Parisi fez foi tentar descrever macroscopicamente como essas interações microscópicas entre os átomos funcionam. E isso se aplica a vários outros sistemas – até grupos de passarinhos voando juntos", explica o físico Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Unicamp.

Descoberta de Parisi se aplica a grupo de passarinhos voando — Foto: Pexels
Descoberta de Parisi se aplica a grupo de passarinhos voando — Foto: Pexels

"Quando pássaros voam em bando, todos querem estar na região turbulenta, onde gastam menos energia ao bater as asas. Parisi mostrou que considerando somente isso é possível prever a forma e tamanho dos bandos de aves", explica Tessler.

Para o brasileiro, a descoberta é importante porque "permitiu que a gente entenda coisas muito profundas sobre o que chama de sistemas frustrados – sistemas que não conseguiram encontrar o mínimo de energia – aí entra o clima também. Qualquer sistema que por algum motivo não consegue atingir o seu mínimo de energia, a sua configuração mais estável, é descrita pelas equações do Parisi", conclui.

Os vencedores

Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi  — Foto: Twitter/Nobel Prize
Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi — Foto: Twitter/Nobel Prize

  • Syukuro Manabe nasceu em 1931 em Shingu, no, Japão. Obteve o doutorado em 1957 na Universidade de Tóquio. Hoje, é meteorologista sênior da Universidade de Princeton, nos EUA.
  • Klaus Hasselmann nasceu em 1931 em Hamburgo, na Alemanha. Obteve o doutorado em 1957 na Universidade de Göttingen. É professor do Instituto Max Planck de Meteorologia em Hamburgo.
  • Giorgio Parisi nasceu em 1948 em Roma. Obteve o doutorado em 1970 na Universidade Sapienza de Roma, onde é professor.

No ano passado, o prêmio de Física foi para três cientistas, por descobertas sobre buracos negros.

A láurea em Medicina foi a primeira a ser anunciada, na segunda (4). Os prêmios em Química, Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (11). Veja o cronograma:

  • Medicina: segunda-feira, 4 de outubro
  • Física: terça-feira, 5 de outubro
  • Química: quarta-feira, 6 de outubro
  • Literatura: quinta-feira, 7 de outubro
  • Paz: sexta-feira, 8 de outubro
  • Economia: segunda-feira, 11 de outubro
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