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domingo, 3 de outubro de 2021

Como nosso cérebro pode nos deixar mais pobres (e o que fazer para evitar)

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Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência. Entenda quais são os erros mais comuns e como evitar essas 'armadilhas' mentais.
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TOPO
Por João da Mata, BBC

Postado em 03 de outubro de 2021 às 13h15m


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Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência — Foto: Getty Images via BBC
Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência — Foto: Getty Images via BBC

Você está navegando em uma loja online e fica tentado a comprar um produto.

É um pouco mais caro do que a sua conta bancária permite, mas se torna a coisa mais urgente do mundo naquele momento. E se o preço aumentar e você perder a oportunidade? E se esgotar?

Tomado pelo impulso, você faz as contas de cabeça e decide comprar. Não precisa nem colocar o número de cartão, que já está salvo no navegador.

Dias depois, vem o arrependimento. Ou pior, o endividamento.

Nos últimos anos, estudos nas áreas de economia comportamental e neuroeconomia têm mostrado que essas situações - em que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira - acontecem com frequência.

Mas quais são os nossos erros econômicos mais comuns? E como não cair nas "armadilhas" do nosso cérebro?

Uma boa maneira é entender o que essas áreas de estudo têm descoberto e aplicar os ensinamentos no nosso dia a dia.

Você é racional?

Não faça nada por impulso sem antes avaliar se a culpa não vai estragar a festa, aconselha neurocientista — Foto: Getty Images via BBC
Não faça nada por impulso sem antes avaliar se a culpa não vai estragar a festa, aconselha neurocientista — Foto: Getty Images via BBC

"A economia tradicional olhou por muito tempo para o indivíduo como alguém racional, frio e objetivo e que vai querer maximizar o seu bem-estar, seu lucro, seu ganho financeiro e interesse próprio", afirma a professora Renata Taveiros, coordenadora do Curso de extensão em neurociência e neuroeconomia na FIA.

As tomadas de decisão inconsistentes, que fogem da racionalidade, eram consideradas anomalias. Ou seja, não viravam objeto de estudos.

Mas no final dos anos 70, um grupo de pesquisadores revolucionou a economia ao olhar justamente para essas anomalias.

Surgia o campo da economia comportamental, cujo maior nome é o psicólogo - isso mesmo, um psicólogo - Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel em 2002.

"Eles abrem esse espaço de conversa para que a gente possa perceber que tem outras coisas que influenciam a tomada de decisão, e não só a ideia de maximização da utilidade, do bem-estar e do lucro. Que coisas são essas? As emoções", explica Renata.

No final dos anos 1980, outro campo de estudos vai ainda mais fundo.

Unindo as descobertas da economia comportamental e as técnicas da neurociência, a neuroeconomia tenta desvendar o que acontece no cérebro dos indivíduos na hora que ele decide fazer uma compra desnecessária, por exemplo.

"Agora a gente tem a possibilidade de abrir a caixa preta, que é como os economistas se referiam à mente das pessoas. Você consegue de fato olhar e entender o que vai acontecendo no processamento cerebral na hora que o indivíduo vai tomar uma decisão", diz Renata.

"Quando você estuda neuroeconomia, cai por terra a ideia de que podemos controlar o comportamento, a tomada de decisão, tudo o que fazemos. Porque o motivador da tomada de decisão não é o aspecto racional, cortical, lógico e analítico. Ele está muito mais ligado à emocionalidade."

Aprenda a dizer 'não' a si próprio

Antes de tudo, é bom deixar claro que os afetos e emoções não são necessariamente ruins. Pelo contrário, são de suma importância para nossa sobrevivência.

"A seleção natural nos trouxe a combinação do afeto com a razão. E não foi à toa. Isso maximiza nosso acoplamento com o mundo. Quando a gente tira emoção, a gente tira empatia pelo outro. Nossas decisões se tornam mais egoístas, e a sociedade como um todo desfalece", diz o neurocientista Álvaro Machado Dias, da USP.

Mas é fato que emoções também podem nos levar a cometer erros graves, que levam ao sentimento de culpa e ao endividamento.

É nesse sentido que os ensinamentos economia comportamental e a neuroeconomia podem nos ser úteis: tornar nossa irracionalidade previsível e evitar decisões ruins.

A primeira dica parece simples, mas na prática é bem difícil. Você deve aprender a dizer não para si mesmo.

"Não faça nada por impulso sem antes avaliar se a culpa não vai estragar a festa. Entenda melhor seu 'eu futuro', com suas agendas e cobranças. Dizer não para si é como dizer não para um filho: é difícil, mas pode ser engrandecedor", aconselha Álvaro.

  • Segundo Renata Taveiros Saboia, um dos motivos que tornam tão difícil essa negação dos próprios impulsos é a facilidade cada vez maior de fazer pagamentos. QR Codes, Pix, cartões de crédito que ficam salvos em sites de compras são alguns exemplos.
Com as decisões financeiras ruins, vem o endividamento — Foto: Getty Images via BBC
Com as decisões financeiras ruins, vem o endividamento — Foto: Getty Images via BBC 

Além disso, o neurotransmissor chamado dopamina, que ativa o chamado "sistema de recompensa" do cérebro, também pode atrapalhar.

"Quando a dopamina está trabalhando, ela estimula o comportamento impulsivo. Como funciona? Você tem lá uma expectativa de ganhar algo. Pode ser dinheiro, bem-estar, prazer, uma imagem bacana diante dos outros, etc. E esse comportamento impulsivo te faz querer imediatamente aquela recompensa", explica.

Um exemplo de como esse sistema de recompensa é explorado atualmente é a gamificação do consumo. Ou seja, a transformação do ato de comprar em um jogo.

Aplicativos de supermercados e lojas online prometem recompensas (descontos, produtos grátis, etc.) ao se atingir um determinado número de pontos, por exemplo.

No Brasil, esse tipo de decisão ruim pode ser identificada nos nossos altos níveis de endividamento, diz Renata.

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de agosto de 2021, aponta que um em cada quatro brasileiros (25,6%) não conseguia quitar as dívidas no prazo naquele mês.

"A gente tem problemas muito sérios no Brasil, e todo esse estímulo para consumo que estimula o comportamento impulsivo piora ainda mais essas condições", diz a neuroeconomista.

Por isso, uma dica de ouro para evitar esse tipo de decisão impulsiva é sempre "dar uma volta a mais".

"Eu costumo colocar um adesivo no cartão de crédito dos clientes dizendo 'dê mais uma volta, espere mais um pouco, respire'. Quando a pessoa vai fazer outra coisa e volta, a dopamina baixa, já que é uma substância química que tem efeito por um tempo determinado. Logo, a sensação de 'quero, quero' vai passar e ela chegará à conclusão que pode usar esse dinheiro para outra coisa. Mas tem que ser depois, na hora não dá", explica.

Não faça contas de cabeça

Só que essas decisões ruins podem ser evitadas antes mesmo da compra. Renata Taveiros explica que quando você tem a exata noção de como anda a sua vida financeira, é mais difícil ficar endividado.

"É muito importante a pessoa ter coragem e saber que vai ser muito bom se aproximar da vida financeira e olhar as contas. Muitos dizem que é difícil, mas depois que você faz isso, vem uma sensação de alívio. Se você tiver medo de olhar, vai cair em todo tipo de armadilhas mentais.", diz ela.

Uma dessas armadilhas é a "contabilidade mental" - aquela mania de fazer contas de cabeça, na maioria das vezes erradas, sobre a nossa situação financeira.

Não faça as contas de cabeça, coloque seus gastos na ponta do lápis — Foto: Getty Images via BBC
Não faça as contas de cabeça, coloque seus gastos na ponta do lápis — Foto: Getty Images via BBC

"A gente faz contas de caixinha. 'Eu ganho 100, então eu posso gastar 50 no supermercado, 20 no barzinho, só 10 no lanche, também posso ter uma parcela mensal de 15...'. Você compara 15 com 100, 10 com 100, mas não soma tudo. Depois, leva um susto e vê que está no vermelho", alerta a neuroeconomista.

Ou seja, coloque seus gastos na ponta do lápis. Some todos os seus ganhos e os seus custos de vida. Só assim você terá a real noção de quanto dinheiro pode gastar.

Cuide do seu 'eu futuro'

Uma das decisões mais importantes que precisamos tomar, pensando no nosso futuro, é a de guardar dinheiro.

É claro que o contexto da economia brasileira - com desemprego, informalidade e inflação em alta - torna isso proibitivo para muita gente.

Mas por que é tão difícil fazer isso mesmo quando há condições?

Um efeito conhecido como "desconto intertemporal" na economia comportamental pode explicar:

"Imagina que você pega um binóculo e vira ao contrário. O que acontece? O que tá lá longe fica pequenino. E o que está perto ganha um valor, um tamanho gigante", explica Renata Taveiros.

"A gente quer a recompensa imediata, agora, já, porque ela aparenta ser muito maior do que uma recompensa que é muito misteriosa, que você não sabe o que vai acontecer, lá no futuro."

Estudos neuroeconômicos mostram que algumas áreas do cérebro acionadas quando você pensa em guardar dinheiro para o seu futuro são as mesmas de quando você pensa em dar dinheiro para um estranho.

O que pode significar que, para o nosso cérebro, guardar dinheiro para o Eu futuro e dar a mesma quantia para outra pessoa é quase a mesma coisa.

Segundo Renata Taveiros de Saboia, uma solução pode ser criar um "nudge", ou seja, um empurrãozinho para que você pense com mais carinho no seu futuro.

"Uma ideia que eu costumo aplicar é usar um desses aplicativos que te deixam mais velho em uma foto. Isso te faz se conectar com aquela imagem. Aí você deve fazer o exercício de pensar o que quer para a vida daquela outra pessoa. Assim, vai criar um circuito neural que conecta o seu eu do futuro com o seu eu de hoje", diz ela.

Aprenda também a dizer 'sim' a si próprio

Mas o neurocientista Álvaro Machado Dias faz um alerta. Ainda que seja importante guardar dinheiro, é necessário também saber se permitir.

"Não assuma que se permitir é sempre ruim e nem caia na falácia de que devemos adiar continuamente o prazer para um dia poder usufruir do mesmo em intensidades maiores. Hoje, o que vemos é um mar de gente sem tesão de viver. Saia deste mar", diz ele.

De acordo com Álvaro, nem todas as decisões que tomamos na vida, sejam elas econômicas ou não, podem ser realizadas de maneira puramente racional - e nem é desejável que isso aconteça.

"Às vezes a gente é tomado por componentes emocionais, e de fato isso pode gerar desfechos ruins, inclusive arrependimento", diz ele.

"Mas a entrada em jogo desses componentes que não são formalistas, lógicos, é o que no final das contas torna as nossas decisões melhores para o grupo, espécie e cultura como um tudo", completa.

Por isso, a dica é saber alocar melhor as suas energias e preocupações:

"Não dá tempo - nem faz qualquer sentido - tentar otimizar todas as decisões. Escolha as suas batalhas. Foque nas escolhas que mais importam; são elas que, ao fim e ao cabo, definirão quem você é".

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sábado, 2 de outubro de 2021

EUA superam 700 mil mortes por Covid, de acordo com universidade

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Apesar de disponibilidade de vacinas contra a doença, país tem problema com resistência à vacinação e o número mais alto de óbitos em todo o mundo, na frente de Índia e Brasil.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 02 de outubro de 2021 às 09h00m


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Memorial em Washington homenageia vítimas da Covid nos EUA
Memorial em Washington homenageia vítimas da Covid nos EUA

Os Estados Unidos superaram as 700 mil mortes por Covid nesta sexta-feira (1º), de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, um número aproximadamente equivalente à população da cidade de Washington DC, capital norte-americana.

Depois de uma resposta inicial à pandemia muito criticada, os Estados Unidos realizaram campanhas de vacinação, mas parte da população se recusa a ser vacinada.

Os EUA somam 700.258 mortes nesta sexta, o número mais alto do mundo, bem à frente de outros países com altas taxas de mortalidade, como Brasil e Índia.

EUA passam de 700 mil mortes por Covid — Foto: Reprodução/Johns Hopkins
EUA passam de 700 mil mortes por Covid — Foto: Reprodução/Johns Hopkins

O indicador aponta para uma média de mais de 1.000 mortes por dia, em um país onde 57% da população está totalmente vacinada, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A vacinação iniciada em dezembro nos Estados Unidos atingiu suas maiores taxas de imunização em abril, mas vem diminuindo consideravelmente desde então.

O uso de máscaras continua a ser tema de debate político e divide os americanos. Vários governadores republicanos, como os do Texas e da Flórida, tentaram proibir a obrigação de uso da máscara com base no respeito pelas liberdades individuais.

Em contraste, na Califórnia, um estado governado por democratas, as vacinações obrigatórias para todos os estudantes foram anunciadas nesta sexta-feira.

Em Washington, um memorial foi montado para homenagear as vítimas da Covid e ficará até o domingo (3). Foi criado um "mar" de bandeiras brancas em um local equivalente a dez campos de futebol. Cada bandeira representa uma vida perdida na pandemia.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

E se a Amazônia virar savana e o planeta aquecer demais? Estudo estima que 12 milhões irão sofrer com calor extremo na região

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Pesquisadores calculam o que pode acontecer se acabarmos com a floresta e ainda a Terra chegar aos piores cenários possíveis de aumento na temperatura. Artigo é assinado por pesquisadores da Fiocruz, do Inpe e Instituto de Estudos Avançados da USP.
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Por Carolina Dantas, G1

Postado em 01 de outubro de 2021 às 09h05m


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Vaca em pasto plantado em área desmatada da Amazônia perto da rodovia Transamazônica em Humaitá, no Amazonas — Foto: Bruno Kelly/Reuters
Vaca em pasto plantado em área desmatada da Amazônia perto da rodovia Transamazônica em Humaitá, no Amazonas — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Em ritmo acelerado de devastação em meio às mudanças climáticas, parte da Amazônia já trocou uma vegetação de floresta por uma com plantas rasteiras, a chamada "savanização". Há chance de reverter esse cenário, mas existe também a de o comportamento humano não mudar e tudo virar uma grande savana. Além disso, e se o planeta continuar aquecendo e chegar até o pior cenário possível, como uma temperatura extra de 8,5ºC em comparação com o período pré-revolução industrial?

Uma tentativa de resposta à pergunta está em um estudo publicado nesta sexta-feira (1º) por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). Por enquanto, eles avaliaram a quantidade de pessoas que passaria por situações extremas de calor.

A resposta é: 12 milhões iriam sofrer com o problema até 2100 apenas na bacia amazônica - dados do último censo demográfico do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) estimam que vivem 20,3 milhões de pessoas na região. Esse resultado é subestimado, já que os dados não levaram em consideração o fato de que a população deve aumentar nos próximos anos.

Beatriz de Oliveira, pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz e uma das autoras, diz que foram usados indicadores reconhecidos em outros estudos para medir o estresse devido ao calor: "O que esses indicadores fornecem: uma medida de quanto o seu corpo aguentaria em termos de exposição e que pudesse não ter comprometimento com a troca de calor para o meio externo".

"A gente sabe que a saúde humana é complexa, e a gente só avaliou o estresse térmico. Mas a gente sabe que existem outros efeitos. Essas condições ambientais podem se tornar inadequadas para várias atividades e podem atingir níveis que são limitantes para a sobrevivência”, explicou Oliveira.

Dentre as milhões de pessoas que podem ser afetadas em todo o país, 42% residem em municípios do Norte do país, região que apresenta baixa capacidade de resiliência e alta vulnerabilidade social.

De -67ºC na Rússia a furacão em Nova York: relembre eventos extremos dos últimos 5 anos
De -67ºC na Rússia a furacão em Nova York: relembre eventos extremos dos últimos 5 anos

Vamos chegar lá?

Até o momento, em toda a Amazônia, já foram desmatados mais de 1 milhão de km² (18%). Outra porção quase idêntica (17%) se encontra em vários estágios de degradação.

O climatologista Carlos Nobre, que é um dos autores, afirma que "vários estudos científicos têm mostrado que há um grande risco de 'savanização' de grande parte da floresta Amazônica".

"O ponto de não retorno poderia ocorrer entre 20 e 30 anos, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, juntamente com a manutenção das taxas atuais de desmatamento e degradação florestal", disse. O "ponto de não retorno" é o momento em que a floresta já foi tão devastada que não conseguiria mais se recuperar.

"Os sinais no sul da Amazônia, desde a Bolívia até o Atlântico, com a maior parte nos estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Pará, são muito preocupantes. Há um aumento da duração da estação seca em 3 a 4 semanas desde os anos de 1980, temperaturas 2ºC a 3ºC mais quentes e 20% a 30% de redução das chuvas durante a estação seca, além do aumento da mortalidade de espécies de árvores do clima úmido amazônico".

O cenário que leva em conta unicamente a destruição da floresta já envolve um clima mais seco, mais quente e com um impacto socioambiental gigantesco, segundo os especialistas. O estudo leva ainda em consideração as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com os dois cenários mais drásticos para o futuro: acréscimo de 4,5ºC até 8,5ºC na temperatura global.

Paulo Nobre, do Inpe, que também assina o artigo ao lado dos outros pesquisadores, avalia que essas previsões mais drásticas do IPCC, apesar de assustadoras, podem acontecer caso nada seja feito.

"São os cenários mais prováveis de acontecer se nós tomarmos como base o que aconteceu até então. Você pega os cenários pessimistas e as emissões de gases do efeito estufa desde 1980, 1990 e 2000 têm sempre os superado", avaliou.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Saiba quem é o brasileiro premiado por foto de jacaré morto na seca; veja melhores imagens da carreira

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Paulista, Daniel de Granville Manço é biólogo por formação, pós-graduado em jornalismo científico e vive há 22 anos em Bonito (MS).
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Por Nadyenka Castro, g1ms

Postado em 30 de setembro de 2021 às 14h00m


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Fotógrafo fala sobre como começou a registrar a natureza
Fotógrafo fala sobre como começou a registrar a natureza

Premiado internacionalmente pela foto da carcaça de um jacaré na seca, Daniel de Granville Manço é paulista de nascença e sul-mato-grossense de coração. Aos 52 anos, o biólogo apaixonado por fotografia e natureza, mora há 22 em Bonito, é guia de turismo e registra animais até debaixo d'água.

"Eu vim originalmente para trabalhar três meses em Mato Grosso do Sul e voltar. E esses três meses viraram esses 27 anos", resume Daniel, que nasceu em Ribeirão Preto. Foi em solos sul-mato-grossenses que ele começou a fotografar.

Selecionado para guia de turismo temporário em 1994, em um hotel fazenda de Miranda, no Pantanal, Daniel acabou contratado e lá ficou por cinco anos. Neste período, começou a fotografar e hoje é um dos nomes mais lembrados quando o assunto é a fauna e a flora. Veja mais abaixo outras fotos de Daniel.

"Iam muitos fotógrafos profissionais do mundo todo lá [no hotel fazenda] e eu acabava trabalhando como guia para eles. O pessoal me designava, eu gostava e aproveitava para ir pegando dicas, etc. Aí que eu comecei. Com aquela abundância de vida silvestre que o Pantanal oferece eu comecei a pegar gosto, pegar dicas com os clientes, comprar os equipamentos mais adequados e aí que eu deslanchei na fotografia", conta.

 Carcaça de jacaré do Pantanal (Caiman yacare) em solo seco às margens da Rodovia Transpantaneira, município de Poconé (Mato Grosso) — Foto: Daniel De Granville Manço / TNC Photo Contest 2021
Carcaça de jacaré do Pantanal (Caiman yacare) em solo seco às margens da Rodovia Transpantaneira, município de Poconé (Mato Grosso) — Foto: Daniel De Granville Manço / TNC Photo Contest 2021

De Miranda, Daniel foi para Bonito. Durante um tempo, trabalhou como guia de turismo e consultor ambiental, o que o fez conhecer muita gente por lá. São pessoas que hoje o ajudam na arte de fotografar. Elas autorizam a entrada dele em áreas particulares ou avisam quando tem determinado animal ou um cenário diferente.

E a fotografia também depende do estudo do comportamento dos animais também faz parte do trabalho.

"Como é que ele aparece, se ele é um bicho muito arisco, se tem algum perigo de você se aproximar muito e acontecer alguma. Mas, felizmente, até hoje, eu nunca tive nenhum problema de me sentir ameaçado por um bicho que estava querendo me atacar, alguma coisa assim".

Como ele fez a foto premiada

O primeiro prêmio de Daniel foi em 2006.

"Um concurso nacional de fotografia de aves. Fotografei um filhote de pavãozinho do Pará, no Pantanal. Mas não sou um participante ávido de tudo quanto é concurso. Felizmente, de vez em quando alguns".

O último prêmio, o primeiro lugar na categoria 'paisagem' do concurso internacional de fotografia promovido pela organização ambiental The Nature Conservancy com foto que retrata a seca no Pantanal.

"É a primeira vez que ganho um concurso com uma foto chocante. Não é uma imagem bela, que causa prazer nas pessoas. Posso chamar de denúncia do que está acontecendo no nosso ambiente natural. É um outro enfoque da fotografia que me trouxe esse prêmio".

E quando registrou a imagem, Daniel não tinha ideia de onde iria chegar.

"Foi uma coisa tão rápida. Nós fomos passar alguns dias no Pantanal e nós estávamos indo embora. Foi a última foto que eu fiz na viagem. Com restinho de bateria do drone. Eu tinha três minutos de bateria e por sorte eu consegui fazer. Na hora eu nem consegui conferir porque a gente estava pegando estrada. Só depois que cheguei em casa vi que tinha potencial. É uma foto que retrata bem o que aconteceu ano passado com o Pantanal e que infelizmente esse ano está se repetindo".

Ariranha debaixo d´água: Daniel ficou um bom tempo observando comportamento — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal
Ariranha debaixo d´água: Daniel ficou um bom tempo observando comportamento — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal

Fica a dica para os iniciantes

Para quem está há pouco tempo no ramo, Daniel dá a dica.

"Quem está começando na fotografia e for fotografar animais, tem que se informar bastante sobre a vida daquele animal. Qual o sentido mais marcante desse animal? Ele se orienta mais pelo visual, ou pelo som, ou pelo olfato. Porque aí você sabe como se aproximar mais sem espantar o bicho e sem correr risco", explica.

E Daniel gosta de passar adiante os conhecimentos que recebeu.

"Uma das coisas que mais me traz satisfação pessoal, além de fotografar, é ensinar fotografia. Compartilhar conhecimentos. Isso é uma coisa que eu gosto muito e eu sempre digo quando dou meus cursos, que essa troca de conhecimento é muito importante para você ter uma carreira de sucesso na fotografia de natureza. Então, por exemplo, quando eu encontro uma situação legal de fotografar, eu não guardo pra mim, não fico escondendo. Gosto de compartilhar. Quanto mais pessoas puderem registrar, é muito importante, até por ser um compromisso nosso com a conservação ambiental, pensando na fotografia natureza como uma ferramenta de conscientização ambiental", finaliza.

Ave no Buraco das Araras, em Jardim  — Foto: De Granville Manço/Arquivo pessoal
Ave no Buraco das Araras, em Jardim — Foto: De Granville Manço/Arquivo pessoal


Ave fotografada no Pantanal  — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal
Ave fotografada no Pantanal — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal


Onça no rio Três Irmãos, Parque Nacional do Encontro das Águas (MT) — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal
Onça no rio Três Irmãos, Parque Nacional do Encontro das Águas (MT) — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal


Periquito-de-asa-amarela em cima de uma jiboia, em Bonito — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal
Periquito-de-asa-amarela em cima de uma jiboia, em Bonito — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal


Rio da Prata, em Jardim — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal
Rio da Prata, em Jardim — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal


Talha-mar atacando um carcará que roubou seu ovo, no rio Negro, Pantanal de MS — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal
Talha-mar atacando um carcará que roubou seu ovo, no rio Negro, Pantanal de MS — Foto: Daniel De Granville Manço/ Arquivo pessoal


Região da Serra do Amolar, no Pantanal, área conhecida como os Arrombados do Taquari — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal
Região da Serra do Amolar, no Pantanal, área conhecida como os Arrombados do Taquari — Foto: Daniel De Granville Manço/Arquivo pessoal

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