Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Em junho, foi registrada expansão de 1,14% no nível de atividade. Divulgação oficial do PIB será feita pelo IBGE em 1º de setembro. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Alexandro Martello, G1 — Brasília Postado em 13 de agosto de 2021 às 16h15m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.920. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, considerado
uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou aumento de 0,12%
no segundo trimestre, em comparação aos três primeiros meses de 2021. Ou
seja, relativa estabilidade.
O IBC-BR do Banco Central é um indicador criado para tentar antecipar o
resultado do PIB, mas os números oficiais do Produto Interno Bruto do
primeiro trimestre serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente em 1º de setembro. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
O resultado, divulgado nesta sexta-feira (13), foi calculado após
ajuste sazonal — uma espécie de "compensação" para comparar períodos
diferentes.
No primeiro trimestre deste ano, o aumento foi de 1,63%. Quando a
comparação é feita com o resultado do segundo trimestre de 2020, o
IBC-Br indica uma alta de 13,17% (sem ajuste sazonal).
EVOLUÇÃO DO IBC-BR (EM %)
CONTRA O TRIMESTRE ANTERIOR, COM AJUSTE SAZONAL
-9,6-9,67,937,932,952,951,631,630,120,122º trimestre de 20203º trimestre de 20204º trimestre de 20201º trimestre de 20212º trimestre de 2021-15-10-50510
4º trimestre de 2020 2,95
Fonte: BANCO CENTRAL
Em 2020, por conta da pandemia do coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tombou 4,1%, registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996.
Em julho, o governo brasileiro elevou sua expectativa de crescimento do PIB para 5,3% em 2021. Para o Banco Central, a economia crescerá 4,6% neste ano.
Alta em junho
Apesar da relativa estabilidade no PIB no segundo trimestre, o
resultado de junho foi positivo. Segundo o Banco Central, o nível de
atividade, medido pelo IBC-Br, registrou crescimento de 1,14% em junho.
De acordo com André Perfeito, economista da Necton Investimentos, o
resultado de junho veio acima das expectativas, pois as projeções
medianas giravam em torno de 0,55% de alta.
"O resultado melhor tem a ver com a reabertura da economia em parte, o
que fez Serviços performar melhor com a maior circulação de pessoas e
abertura do comércio", avaliou, em comunicado.
EVOLUÇÃO DO IBC-Br
Em %, na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal)
Fonte: Banco Central
Na comparação com junho de 2020, o IBC-Br registrou uma expansão de
9,07%, segundo o Banco Central. No acumulado dos 12 meses até junho de
2021, houve crescimento de 2,33% – sem ajuste sazonal.
Com o resultado registrado em junho, o IBC-Br atingiu 140,58 pontos.
Com isso, permaneceu acima do patamar registrado antes da pandemia
(139,42 pontos em fevereiro de 2020).
Pandemia
O resultado do nível de atividade acontece em meio à pandemia da
Covid-19, que começou a atingir a economia de forma mais intensa em
março do ano passado.
A partir de maio de 2020, os indicadores começaram a mostram uma
retomada da produção e das vendas, e os números oficiais confirmaram a
saída do cenário recessivo.
Para tentar evitar um impacto maior da pandemia do PIB e auxiliar os
desassistidos, o governo Bolsonaro anunciou, no ano passado, uma série
de medidas - com impacto de R$ 524 bilhões nos gastos públicos.
Neste ano, com o avanço da vacinação e queda do distanciamento social, a
economia vem registrando um patamar mais alto de expansão.
PIB X IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados uma "prévia do PIB". Porém,
nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do Produto
Interno Bruto.
O cálculo dos dois é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora
estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além
dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no
cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa
básica de juros do país. Com um maior crescimento da economia, por
exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária.
Com a alta recente da inflação, o Banco Central promoveu, em março, o
primeiro aumento da taxa básica de juros em quase seis anos, de 2% para 2,75% ao ano.
Após a 2ª Guerra, a atual capital alemã fora dividida politicamente, mas a circulação era livre. Até que, em 13 de agosto de 1961, uma construção literalmente cimentou a divisão entre o mundo comunista e o capitalista. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Marcel Fürstenau, Deutsche Welle 13/08/2021 14h41 Atualizado há 25 minutos Postado em 13 de agosto de 2021 às 15h10m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.919. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Muro de Berlim — Foto: Sem Fronteiras
"Portão de Brandemburgo fechado". Com essa manchete, nas primeiras
horas de 13 de agosto de 1961 a agência de notícias Associated Press
(AP) anunciava um acontecimento decisivo para a história mundial: a
construção do Muro de Berlim.
Nesse dia foi bloqueada a marca registrada da metrópole alemã, situada
diretamente na junção entre o Leste e o Oeste. Simultaneamente, soldados
do Exército Nacional do Povo (NVA) e tropas de operários da comunista
República Democrata Alemã (RDA) obstruíam todos os demais caminhos para
Berlim Ocidental, de início com arame farpado.
A operação "Salvaguarda das Fronteiras", comandada pelo futuro chefe de
Estado alemão-oriental Erich Honecker, era o último passo para
literalmente cimentar a divisão de Berlim. Pois em breve se começaria a
erguer um quase intransponível muro de pedra e concreto, de 3,60 metros
de altura.
Desse modo, selava-se a última e maior brecha por onde, desde a divisão
estatal da Alemanha, em 1949, escapara grande parte dos cerca de 2,6
milhões de refugiados da RDA – na esperança de uma vida melhor, dos
pontos de vista material, cultural e político, na República Federal da
Alemanha (RFA), no oeste.
Queda do Muro de Berlim completou 30 anos em 2019, relembre
Símbolo concreto da Guerra Fria
O êxodo em massa empurrara o Estado alemão-oriental cada vez mais à
beira da ruína econômica. Faltavam urgentemente sobretudo operários
especializados e médicos. Para evitar a continuação da sangria
demográfica e, desse modo, colocar uma tranca diante da RDA, os
dirigentes em Berlim Oriental só viam uma saída: o Muro.
Na propaganda oficial, contudo, o fechamento da fronteira é justificado
de modo bem diferente: "A manutenção da paz exige exige que se dê um
fim às atividades dos revanchistas alemães-ocidentais." Essa retórica
agressiva era típica de uma época em que a superpotência comunista União
Soviética (URSS) e seu rival capitalista Estados Unidos travavam um
duelo implacável pelo modelo social supostamente melhor. Muro de Berlim — Foto: Sem Fronteiras
Na disputa, a RDA estava do lado e sob a influência da URSS, enquanto a
RFA integrava a facção dos EUA. O perigo de uma terceira guerra
mundial, desta vez atômica, era muito real. Ambos os lados expandiam
constantemente seus arsenais militares. Fala-se de um "equilíbrio do
terror". Essa era, que só terminaria com a queda do Muro de Berlim, em
1989, entraria para a história como Guerra Fria.
Os quatro setores do pós-guerra
Em todas essas décadas, a Berlim dividida foi foco da disputa dos
sistemas. Símbolo político da dominação dos nacional-socialistas, de
1933 a 1945, ela fora seccionada em quatro setores pelas potências
vencedoras da Segunda Guerra Mundial.
Na parte leste, os soviéticos é que mandavam; no oeste, os americanos,
britânicos e franceses. Todas as tentativas dos comunistas de colocarem a
metrópole inteiramente sob seu controle fracassaram diante da
resistência dos Aliados ocidentais.
O então presidente americano John F. Kennedy definiu Berlim Ocidental
democrática como uma "ilha de liberdade no mar comunista". No entanto,
foi forçado a aceitar a construção do Muro, da mesma forma que os
diretamente atingidos: os mais de 3 milhões de residentes de ambos os
lados da "muralha anti-imperialista", como o regime da RDA denominava a
proteção de fronteira de cerca de 155 quilômetros de extensão. Presidente dos EUA à época, John Kennedy observa o lado oriental de
Berlim por cima do muro, de uma plataforma, em foto de junho de 1963 —
Foto: AP/Arquivo
Nos 28 anos de sua existência, mais de 140 cidadãos morreram por causa
do Muro de Berlim. Hoje, para recordar esses destinos há o memorial
central da rua Bernauer Strasse, onde ainda se manteve um trecho de mais
de 200 metros do Muro. Curiosos de todo mundo vão até lá para ter uma
ideia do que significou a divisão da atual capital alemã.
O homem que cavou um túnel para os outros
Testemunhas da época relatam suas experiências, entre as quais
histórias mirabolantes. Como a de Joachim Rudolph, que, após conseguir
escapar, cavou um túnel de 140 metros do Oeste para o Leste, a fim de
abrir para outros o caminho da liberdade.
Passados 60 anos da construção do Muro, o ex-cúmplice de evasão é um
homem extremamente solicitado. Numa roda de debates da fundação federal
para avaliação da ditadura comunista da RDA (Bundesstiftung
Aufarbeitung), ele conta sobre uma vivência decisiva, quando
inspecionava a área com um amigo, pouco após o bloqueio da fronteira.
"Nós vimos uma cerca de arame farpado atravessada sobre a Bernauer
Strasse. Na frente, estavam cinco ou seis soldados de fronteira, de
kalashnikov pendurada no pescoço e capacete de aço na cabeça." De
repente, os amigos ouviram os brados: "O que é que estão pensando, não
sabem ler? Aqui é zona de fronteira! Proibido entrar!"
Nesse momento, Rudolph sentiu que a situação era séria, pois os
soldados não deixaram a menor dúvida: se ele e o amigo não dessem meio
volta imediatamente, eles iam fazer uso das armas.
O Muro e os muros para os jovens
Testemunhas da época e locais autênticos como a Bernauer Strasse são um
ponto de atração em especial para os jovens interessados na história do
Muro de Berlim. Lennart Siebels, de 26 anos, cresceu nos limites de
Berlim, onde hoje corre o Mauerweg, a "trilha do Muro".
"Morando tão perto do bosque, com essa trilha e essa faixa de areia do
lado, naturalmente você se pergunta, desde cedo: 'Por que ela está aí?'
Acho que assim o interesse nasceu muito mais cedo do que se eu morasse
na cidade."
A relação é bem diferente para Lena Quincke, de 22 anos, nascida no
Camarões, filha de pai alemão, e crescida na Etiópia. Apesar de só ter
vindo para a Alemanha em 2017, estudava na África numa escola alemã, e o
Muro de Berlim fazia parte do currículo.
Desde que está no país, contudo, conseguiu ter uma noção melhor de como
er a da Berlim antes dividida tornou-se muito mais diferenciada:
"Quando se vê estes restos de construção e sabe que antes aqui havia um
muro, e que a gente não podia simplesmente passar, isso desencadeia
muitos sentimentos." E questões, como "com que parte da Alemanha você se
associa".
Apesar de suas biografias tão diversas, ambos partilham uma
característica típica de sua geração: ao escutar a palavra "muro", não
pensam imediatamente no que cortou Berlim de 1961 a 1989, mas naquele
planejado pelo ex-presidente americano Donald Trump, entre os EUA e o
México. O de Berlim, afinal, "eu nem vivenciei", explica Siebels.
Quincke vê paralelos entre os velhos e os novos muros. Sobretudo os
perigos são iguais: onde está um, há sempre alguma brecha, os seres
humanos sempre encontram um jeito de ultrapassar, "e isso termina para
muitos de modo muito sangrento ou perigoso".
Como exemplo, ela cita a divisão entre Israel e os territórios
palestinos, especificamente o muro de Jerusalém. Lá se vê o impacto
sobretudo sobre a população civil. Não importa de que muro se fale, a
reação de Quincke é de repulsa: "Com certeza, para mim é sempre uma
'bandeira vermelha'."
Destruição da Caatinga e mudanças climáticas fizeram com que 13% do Semiárido brasileiro se desertificasse; nessas áreas, não há qualquer atividade biológica e recuperação do solo é praticamente impossível. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por João Fellet, BBC 11/08/2021 07h45 Atualizado há um dia Postado em 12 de agosto de 2021 às 13h45m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.918. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
VÍDEO: como as mudanças climáticas afetam o planeta
O relatório aponta que, por causa da mudança do clima, a região — que
engloba boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais — já tem
enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas que as
habituais.
Essas condições, aliadas ao avanço do desmatamento na região, tendem a agravar a desertificação, que já engloba uma área equivalente à da Inglaterra (leia mais abaixo). Área desertificada no interior de Alagoas, onde fenômeno atinge 32,8%
de todo o território estadual, o maior percentual em todo o Semiárido —
Foto: Ascom/Governo de Alagoas
Criado na ONU e integrado por 195 países, entre os quais o Brasil, o
IPCC é o principal órgão global responsável por organizar o conhecimento
científico sobre as mudanças do clima.
O documento apresentado nesta segunda (AR6) é o sexto relatório de avaliação produzido desde a fundação do órgão, em 1988.
'Área seca mais densamente povoada'
"O Nordeste brasileiro é a área seca mais densamente povoada do mundo e
é recorrentemente afetado por extremos climáticos", diz o relatório.
O
IPCC afirma que essas condições devem se agravar: se na década de 2030 o
mundo deve atingir um aumento de 1,5°C em sua temperatura média, em boa
parte do Brasil os dias mais quentes do ano terão um aumento da temperatura até duas vezes maior.
Em várias partes do Semiárido, isso significa verões com temperaturas frequentemente ultrapassando os 40°C. Mapa aponta diferentes graus de desertificação no Semiárido — Foto: Lapis/Ufal
Hoje, segundo o IPCC, o mundo já teve um aumento de 1,1°Cna temperatura média em relação aos padrões pré-industriais.
Para limitar o grau do aquecimento, é preciso que os países reduzam drasticamente as emissões de gases causadores do efeito estufa
— como o gás carbônico, produzido pelo desmatamento e pela queima de
combustíveis fósseis, e o metano, emitido pelo sistema digestivo de
bovinos.
Para o meteorologista e cientista do solo Humberto Barbosa, professor
da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), temperaturas extremas põem em
xeque a sobrevivência no Semiárido de micro-organismos que vivem no solo e são cruciais para a existência das plantas.
Há dois anos, Barbosa diz ter encontrado temperaturas de até 48°C em solos degradados no interior de Alagoas.
"A
vegetação não crescia mais ali, independentemente se chovesse 500 mm,
700 mm ou 800 mm. Não fazia mais diferença, pois toda a atividade
biológica do solo não respondia mais", afirma.
Sem vida no solo, aquela região se tornou desértica, como tem ocorrido em várias outras partes do Semiárido.
Na Ufal, Barbosa coordena o Laboratório de Análise e Processamento de
Imagens de Satélites (Lapis), que desde 2012 monitora a desertificação
no Semiárido.
Imagem de satélite mostra núcleo de desertificação em Gilbués (PI), um
dos principais no Semiárido brasileiro — Foto: Reprodução/Google
Em 2019, o laboratório revelou que 13% de toda a região estava em
estágio avançado de desertificação. Essa área engloba cerca de 127 mil
quilômetros quadrados.
"Na nossa região, naturalmente não haveria um deserto, só que a gente tem hoje um deserto", ele diz.
Barbosa explica: segundo a ciência, climas desérticos (ou áridos) são
aqueles onde o índice de chuvas é inferior a 250 mm por ano. Nessas
condições, a sobrevivência de plantas e animais é bastante difícil — daí
o aspecto vazio de boa parte das paisagens desérticas.
Mas essas condições climáticas não se aplicam a nenhuma região do
Brasil, nem mesmo o Semiárido, que continua a receber entre 300 mm e 800
mm de chuvas ao ano.
Ainda assim, amudança do clima e o desmatamento criaram paisagens desérticas na região.
"O
solo dessas regiões foi perdendo a atividade biológica, embora as
chuvas continuem acima do que se espera para uma região desértica. Esse é
o paradoxo", diz Barbosa.
Ele afirma que, nesse estágio, é praticamente impossível reverter o
fenômeno. "O custo da recuperação de áreas desertificadas é alto, e no
Brasil não temos capacidade econômica para fazer esse tipo de
investimento."
Maior seca da história
Entre 2012 e 2017, o Semiárido enfrentou a maior seca desde que os
níveis de chuva começaram a ser registrados, em 1850. Essa seca, que é
atribuída às mudanças climáticas, ajudou a expandir as áreas
desertificadas.
Barbosa diz que a pandemia dificultou a realização de viagens para
medir o progresso da desertificação após 2019, mas tudo indica que o
fenômeno segue avançando.
A área já desertificada equivale ao tamanho da Inglaterra,
cerca de três vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro, ou a 23
vezes a área do Distrito Federal. Essas terras não são todas contíguas e
ocupam diferentes partes do Semiárido. Enfrentam, ainda, diferentes
graus de desertificação, embora em todas o fenômeno seja considerado
praticamente irreversível.
Alguns dos principais núcleos de desertificação ficam em Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE) e no Seridó (RN).
Imagens de satélite mostram como os núcleos têm crescido nas últimas
décadas, enquanto as áreas verdes que os circundam vão rareando.
No núcleo de Cabrobó, que ocupa uma vasta área nas duas margens do São
Francisco, as poucas manchas verdes na paisagem se devem a lavouras
irrigadas com a água do rio.
Os Estados mais impactados pela desertificação são Alagoas (com 32,8%
de sua área total afetada pelo fenômeno), Paraíba (27,7%), Rio Grande do
Norte (27,6%), Pernambuco (20,8%), Bahia (16,3%), Sergipe (14,8%),
Ceará (5,3%), Minas Gerais (2,0%) e Piauí (1,8%).
Região mais impactada do Brasil
A desertificação no Semiárido brasileiro foi citada pelo IPCC em seu
relatório anterior, de 2019, que teve o pesquisador Humberto Barbosa
como coordenador de um capítulo sobre degradação ambiental.
O relatório apontou que 94% da região semiárida brasileira está sujeita à desertificação.
"A
região semiárida é a mais impactada (pela mudança do clima) no Brasil, e
é a região onde você tem os índices de desenvolvimento humano mais
baixos do país", afirma Barbosa.
Com o agravamento das condições climáticas, diz ele, tende a se acelerar o êxodo de moradores rumo a outras partes do país.
VÍDEO: Veja cenas de eventos climáticos extremos pelo mundo
O papel do desmatamento
Para os cientistas, está claro que a desertificação tem sido acentuada
pelas mudanças climáticas e tende a aumentar se as alterações
continuarem se intensificando.
Porém, a degradação dos solos do Semiárido também se deve a outra ação
humana: o desmatamento na Caatinga, o ecossistema natural da região.
Segundo Humberto Barbosa, ainda não se sabe quanto da desertificação se
deve ao desmatamento e quanto se deve às mudanças climáticas. "É muito
difícil separar os dois processos."
Quarto maior bioma do Brasil, abarcando 11% do território nacional, a
Caatinga já perdeu 53,5% de sua cobertura original, segundo o MapBiomas,
plataforma que monitora o uso do solo no país.
O bioma vem sendo destruído desde os primeiros séculos da colonização
do Brasil, quando grandes áreas de vegetação nativa passaram a ser
derrubadas para dar lugar principalmente a pastagens para bovinos.
A pecuária, aliás, é apontada com uma das principais causas para a desertificação no Semiárido.
O pesquisador Humberto Barbosa explica que, muitas vezes, os bois são
criados em áreas relativamente pequenas, compactando o solo ao
pisoteá-lo repetidas vezes.
Com o tempo, nem mesmo o capim cresce mais ali, e a terra fica
totalmente exposta à radiação do sol. A degradação se completa quando a
chuva atinge a terra nua, levando embora os últimos nutrientes do solo.
Embora a destruição venha ocorrendo há séculos, mais de um quarto do
desmatamento da Caatinga ocorreu após 1985, segundo o MapBiomas.
E neste ano, os índices de desmatamento deram um salto preocupante.
Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), até 1° de
agosto, houve na Caatinga 2.130 focos de queimadas— o maior número em nove anos e uma alta de 164% em relação ao mesmo período de 2020.
Os focos se concentram no oeste do bioma, onde a Caatinga se encontra
com o Cerrado na região de fronteira agrícola conhecida como Matopiba
(nome formado pelas iniciais dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e
Bahia).
Como em outros biomas, o fogo é geralmente usado na Caatinga para
"limpar" uma área antes do plantio. Mas as chamas acabam degradando o
solo e limitam sua vida útil para a agricultura, estimulando a busca por
novas áreas quando ele se esgota.
Falta de políticas públicas
Humberto Barbosa diz que, apesar da gravidade da situação enfrentada
pelo Semiárido e da perspectiva de piora, não há qualquer plano
governamental para mapear a desertificação e combatê-la.
A última iniciativa do governo federal nesse campo, afirma, foi o
Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos
Efeitos da Seca (PAN), lançado em 2006, mas descontinuado.
Tampouco há um sistema nacional para monitorar o desmatamento na
Caatinga e orientar ações de fiscalização e controle — diferentemente do
que ocorre na Amazônia, que conta com os sistemas Prodes e o Deter,
baseados em imagens de satélite.
E o futuro?
Segundo o relatório do IPCC, sem ações contundentes para conter a
mudança do clima, a Caatinga e outras regiões semiáridas do mundo "vão
muito provavelmente enfrentar um aquecimento em todos os cenários
futuros e vão provavelmente enfrentar um aumento na duração, magnitude e
frequência das ondas de calor".
"De
forma geral, as secas se ampliaram em muitas regiões áridas e
semiáridas nas últimas décadas e devem se intensificar no futuro", diz o
texto.
Os maiores prejudicados pelas mudanças serão as populações locais:
segundo o IPCC, elas tendem a enfrentar oscilações na quantidade e
regularidade de água, o que impactará gravemente sua "segurança
alimentar e prosperidade econômica".