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sábado, 24 de julho de 2021

Gripe ou Covid? Médicos de países com surto da variante delta explicam por que sintomas se confundem e como agir caso apareçam

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Variante que é conhecida por alta transmissibilidade também pode infectar crianças, jovens adultos e até mesmo pessoas que tomaram as duas doses da vacinas. Especialistas explicam que ter alta transmissão não significa que a variante será, necessariamente, mais fatal.
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Por Bruna de Alencar, G1 

Postado em 24 de julho de 2021 às 08h00m


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Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo do coronavírus — Foto: NEXU Science Communication/via REUTERS
Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo do coronavírus — Foto: NEXU Science Communication/via REUTERS

A variante delta do coronavírus é um dos principais aceleradores da pandemia no mundo no momento, inclusive nos países onde a vacinação está avançada. Isso acontece, entre outros motivos, porque os indivíduos costumam confundir os sintomas da delta com os da gripe.

Especialistas de países com surto da variante delta ouvidos pelo G1 explicam por que é tão difícil distinguir os sintomas da doença.

"Você não consegue diferenciar a variante delta de uma gripe", explica David Straim, consultor do sistema de saúde britânico (NHS) e pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

LEIA TAMBÉM:
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Os especialistas do Reino Unido, David Straim, e da Índia, Rajib Dasgupta, explicam por que os sintomas da gripe da infecção por delta se confundem — Foto: Arquivo pessoal | Reprodução
Os especialistas do Reino Unido, David Straim, e da Índia, Rajib Dasgupta, explicam por que os sintomas da gripe da infecção por delta se confundem — Foto: Arquivo pessoal | Reprodução

Nessa reportagem, médicos da Índia, país onde a delta gerou uma segunda onda mortal de infecções neste ano, e do Reino Unido, onde a variante está associada a mais de 99% dos novos casos de Covid no país, respondem as seguintes perguntas:

  1. É possível distinguir uma gripe de infecção pela variante delta apenas pelos sintomas?
  2. Quais sintomas são comuns tanto em casos de gripe como de infecção pela variante delta do coronavírus?
  3. Os sintomas da delta se manifestam da mesma forma em todas as faixas etárias?
  4. Como saber se estou contaminado pela delta ou com gripe?
  5. O que devo fazer caso sinta algum dos sintomas?
  6. A delta é mais transmissível do que as outras variantes da Covid?
  7. Mesmo pessoas vacinadas podem ser contaminadas com a delta?
  8. Qual a taxa de eficácia das vacinas contra a delta?

A variante delta do coronavírus já foi detectada em pelo menos 124 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira (20).

No Brasil, ela foi identificada no final do mês de maio e já provocou cinco mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 20 deste mês a pasta já havia identificado e notificado 110 casos de delta no país.

Veja 5 pontos sobre a variante delta
Veja 5 pontos sobre a variante delta

1. É possível distinguir uma gripe de infecção pela variante delta apenas pelos sintomas?

Não. De acordo com Rajib Dasgupta, chefe do centro de medicina social da Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Delhi, não é possível distinguir a delta das demais variantes da Covid (alfa, beta e gama) ou mesmo de uma gripe comum apenas pelos sintomas.

"A delta não tem sintomas distintos e poderia ser relacionada a qualquer outra variante da Covid porque todas as infecções causadas pela Covid começam como uma doença viral leve", explica Dasgupta. 
2. Quais sintomas são comuns tanto em casos de gripe como de infecção pela variante delta do coronavírus?

David Straim, consultor do sistema de saúde britânico (NHS) e pesquisador da faculdade de medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido, explica que tanto a gripe quanto a fase inicial de infecção pela variante delta podem estar associadas aos seguintes sintomas: dor de cabeça, mal estar, coriza, dor de garganta e febre.

É #FAKE que variante Delta do novo coronavírus não provoca febre nem tosse
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3. Os sintomas da delta se manifestam da mesma forma em todas as faixas etárias?

Não. Segundo especialistas, alguns dos sintomas que se tornaram característicos da Covid-19 não são tão frequentes na variante delta, principalmente entre a população mais jovem, como crianças, adolescentes e jovens adultos.

"Os adultos mais velhos ainda apresentam os mesmos sintomas, no entanto, as crianças não apresentam sintomas tão graves e podem apresentar outros sintomas como diarreia, coriza, febre e mal estar. A mesma doença pode causar sintomas diferentes em grupos de distintas idades", afirma Straim. 
4. Como saber se estou contaminado pela delta ou com gripe?

De acordo com os especialistas, a única maneira de ter a confirmação do diagnóstico é por meio de um teste PCR, que tem por objetivo identificar o material genético do vírus no corpo humano.

"A única maneira de sabermos com certeza se você tem Covid ou não é fazendo um teste PCR", afirma Straim.

Para a realização desse exame, um profissional coleta material da garganta e do nariz do paciente através de um swab – instrumento parecido com um cotonete – que, em seguida, é encaminhado a um laboratório de análises.

5. O que devo fazer caso sinta algum dos sintomas?

"Se você apresentar algum dos sintomas, deve fazer um teste de Covid. Se o resultado for positivo, você deve, obviamente, manter o isolamento social e informar todas as pessoas com quem manteve contato na última semana do seu diagnóstico para que elas fiquem em alerta", explica Straim.

Ainda segundo Straim, é possível que nem todas as pessoas com os sintomas listados estejam contaminadas com a delta, ainda mais considerando que no inverno muitos desses sintomas não comuns. Entretanto, é necessário realizar a testagem para controlar a disseminação da variante, que possui um potencial de contaminação muito maior ao das demais cepas e tem potencial para provocar uma nova crise.

Caso o invidíduo realize o teste e dê negativo, ele pode continuar com seus hábitos normalmente - desde que respeitando as recomendações sanitárias para impedir a disseminação o vírus.

6. A delta é mais transmissível do que as outras variantes da Covid?

Sim. A dificuldade em identificar a doença pelos seus sintomas característicos aumenta as chances de transmissão do vírus, principalmente no caso da delta que, assim como as outras variantes de preocupação (alfa, beta e gama), é mais transmissível do que a cepa original.

"A variante delta é muito mais transmissível do que as outras variantes e há estimativas que apontam que ela seja cerca de 30 a 50% mais transmissível do que a cepa original", afirma Dasgupta.

Em um artigo publicado na revista científica Eurosurveillance, pesquisadores ligados à OMS e ao Imperial College London apontaram que a delta foi a variante que teve o maior aumento na taxa de reprodução em relação ao coronavírus original.

Isso significa que, enquanto cada pessoa contaminada pela cepa original transmitia o vírus da Covid para cerca de 2,6 pessoas ao seu redor, cada pessoa infectada pela delta pode transmitir o vírus para cerca de 8 novos invidíduos.

Potencial de transmissão da variante delta — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1
Potencial de transmissão da variante delta — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1

7. Mesmo pessoas vacinadas podem ser contaminadas com a delta?

Sim. De acordo com os especialistas, a delta também é capaz de infectar pessoas que foram totalmente vacinadas, ou seja, que tomaram as duas doses da vacina.

"Aqueles imunizados com duas doses de vacina permanecem vulneráveis ​​à infecção pela variante delta, mas a taxa de mortalidade após a imunização completa permanece baixa", afirma Dasgupta.

Isso acontece porque a vacina não impede que a pessoa venha a contrair o vírus. O que as vacinas fazem é preparar o sistema imune para que, quando em contato com o agente infeccioso, a doença encontre resistência, reduzindo às chances de evoluir para casos graves ou mesmo levar à morte.

8. Qual a taxa de eficácia das vacinas contra a delta?

Um estudo publicado na quarta-feira (21) reforça a importância de receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. A pesquisa, assinada por pesquisadores do sistema de saúde do Reino Unido, da Universidade de Oxford e do Imperial College London, aponta que a eficácia da primeira dose das vacinas da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca é de 30,7% contra a variante delta — com uma variação de 25,2% a 35,7%.

Ao completar o ciclo das duas doses, de acordo com a pesquisa, as taxas dos dois imunizantes duplicam e, em alguns casos, quase triplicam contra a delta. No caso da AstraZeneca, a eficácia chega a 67%, com resultados entre 61,3% a 71,8%. No caso da Pfizer/BioNTech, o mesmo índice chega a 88%, com variação entre 85,3% a 90,1%.

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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Drones na abertura das Olimpíadas de Tóquio: entenda como funciona a tecnologia

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Show teve 1.824 drones controlados remotamente por computador. Movidos a eletricidade, aparelhos têm 4 hélices para se manterem no ar.
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Por Rafael Miotto e Alessandro Feitosa Jr, G1

Postado em 23 de julho de 2021 às 13h50m


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A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ocorreu nesta sexta (23) em Tóquio
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ocorreu nesta sexta (23) em Tóquio

A abertura das Olimpíadas de Tóquio teve como um dos destaques desenhos formados por drones no céu. No show foram 1.824 desses aparelhos utilizados.

Imagens em movimento foram sendo formadas por luzes, em uma apresentação sincronizada, que mostrou um enorme globo acima no estádio olímpico.
Drones formam globo durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas — Foto: Andrej Isakovic/AFP
Drones formam globo durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas — Foto: Andrej Isakovic/AFP

Entenda como funciona a tecnologia:

Quantos drones foram utilizados?

  • 1.824 drones com luzes de LED fizeram essa coreografia coordenada.
  • O recorde atual de voo simultâneo com drones é da marca de carros Genesis, ligada à Hyundai, que usou 3.281 deles para celebrar sua chegada à China, em 29 de março de 2021.
Como eles voam?

  • Cada um dos drones têm 4 hélices, e usam energia elétrica para se movimentar.
Como formam desenhos?

  • O primeiro passo é a criação da apresentação em 3D a partir de um programa de computador. Com esse software, a equipe gera uma prévia dos movimentos e garante que os equipamentos não vão bater uns nos outros.
  • Os drones calculam a trajetória necessária para fazer aquelas imagens, como a do globo, com base nesses comandos.
  • Um único computador pode ser responsável por controlar até milhares de drones, diz a fabricante dos aparelhos, a Intel.
A empresa diz ainda que estuda as áreas seguras para o voo, a posição dos espectadores e os melhores ângulos de visão para o show.
Drones encerram a abertura das Olimpíadas de Tóquio — Foto: Reprodução/Globo
Drones encerram a abertura das Olimpíadas de Tóquio — Foto: Reprodução/Globo

Quanto custa essa apresentação?

Os valores específicos do show em Tóquio não foram divulgados, mas apresentações como essa podem custar mais de US$ 300 mil.

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quinta-feira, 22 de julho de 2021

Incêndio florestal na Califórnia atravessa para Nevada nos EUA

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Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.
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Por Associated Press

Postado em 22 de julho de 2021 às 10h35m


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Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP
Avião lança retardante de fogo para combater incêndio no sul do Oregon, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 2021 — Foto: Comando de Incidente de Fogo Bootleg via AP

Um incêndio florestal no norte da Califórnia atingiu o estado vizinho de Nevada, causando novas evacuações na costa leste dos Estados Unidos. Por outro lado, a melhora no clima tem ajudado no combate ao maior incêndio do país, no Oregon.

As chamas na Califórnia começaram no dia 4 em Tamarack, ao sul do Lago Tahoe, e já queimaram mais de 176 km².

A fumaça dos incêndios florestais que estão devastando a Costa Oeste cruzou o país e deixou o céu encoberto a mais de 4 mil km de distância, em Nova York, na Costa Leste (veja no vídeo abaixo).


Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York
Fumaça de incêndio florestal no Oregon, na Costa Oeste dos EUA, atinge Nova York

Mais de 1,2 mil bombeiros lutam contra o fogo no condado de Alpine, na divisa entre Califórnia e Nevada, e as chamas já destruíram pelo menos 10 prédios, forçaram a evacuação de várias comunidades e fecharam partes da rodovia federal 395.

Autoridades emitiram um pedido de evacuação voluntária em partes do Condado de Douglas, em Nevada, e um centro foi instalado em Gardnerville para receber a população.

Maior incêndio do país

No Oregon, autoridades proibiram na quarta-feira (21) todas as fogueiras em terras e acampamentos estaduais a leste da rodovia interestadual 5, que é considerada a linha divisória entre a parte úmida no oeste do estado e a seca no leste.

Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP
Filhote de urso se agarra a árvore no sul do Oregon, em 18 de julho de 2021, em meio ao maior incêndio florestal dos Estados Unidos — Foto: Bryan Daniels/Bootleg Fire Incident Command via AP

O estado enfrenta o maior incêndio florestal do país, que já atingiu uma área de 1,6 mil km² (equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo).

As chamas foram desencadeadas por um raio e devastaram a parte sul do Oregon e se expandiram a uma velocidade de até 6 km por dia, impulsionadas por ventos fortes e um clima extremamente seco que transformaram árvores e vegetações rasteiras em uma "caixa de fogo".

Os bombeiros tiveram que se retirar do local por 10 dias consecutivos, enquanto bolas de fogo saltavam de uma árvore para outra e as brasas iniciavam novas chamas. Nuvens monstruosas de fumaça e cinzas subiram a até 10 km no céu e se tornaram visíveis por mais de 161 km.

Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP
Imagem de satélite mostra a fumaça dos incêndios florestais no Oregon, em Idaho e no norte da Califórnia em 18 de julho de 2021. Condições extremamente secas e ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos Estados Unidos. — Foto: Maxar Technologies via AP

O incêndio está sendo combatido por mais de 2,2 mil pessoas e está cerca de um terço contido. Mas autoridades dizem que os ventos e as temperaturas menores agora estão permitindo que as equipes possam trabalhar.

Ao menos 2 mil casas foram evacuadas durante o incêndio e outras 5 mil estavam em áreas ameaçadas. Cerca de 70 casas e mais de 100 edifícios foram queimados, mas ninguém morreu.

As condições extremamente secas e as recentes ondas de calor associadas às mudanças climáticas tornaram os incêndios florestais mais difíceis de combater nos EUA.

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Na guerra tecnológica, 'máquina complicada' é bloqueada para a China

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San Francisco – O presidente Joe Biden e muitos legisladores em Washington estão preocupados atualmente com os chips de computador e as ambições da China em relação a essa tecnologia fundamental.
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Don Clark
23 horas atrás
Postado em 22 de julho de 2021 às 10h00m


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San Francisco – O presidente Joe Biden e muitos legisladores em Washington estão preocupados atualmente com os chips de computador e as ambições da China em relação a essa tecnologia fundamental.

© Distributed by The New York Times Licensing Group Máquina de fabricação de chips na instalação de pesquisa da IBM em Albany, Nova York, 30 de junho de 2021. (Bryan Derballa/The New York Times)

Mas uma máquina imensa vendida por uma empresa holandesa surgiu como um auxílio estratégico fundamental para os formuladores de políticas – e mostra como são irrealistas as esperanças de qualquer país de construir uma cadeia de suprimentos completamente autossuficiente em tecnologia de semicondutores.

A máquina é fabricada pela ASML Holding, sediada em Veldhoven. Seu sistema usa um tipo diferente de luz para produzir circuitos ultrapequenos nos chips, aumentando o desempenho das pequenas fatias de silício. A ferramenta, que levou décadas para ser desenvolvida e foi introduzida para fábricas com alto volume de produção em 2017, custa mais de US$ 150 milhões. O envio aos clientes requer 40 contêineres de transporte, 20 caminhões e três Boeings 747.

A máquina complexa é amplamente reconhecida como necessária para fazer os chips mais avançados, habilidade com implicações geopolíticas. O governo Trump pressionou com sucesso o governo holandês a bloquear seu envio para a China em 2019, e o governo Biden não mostrou sinais de reverter essa postura.

Os fabricantes não podem produzir chips de ponta sem esse sistema, e "ele só é feito pela empresa holandesa ASML", afirmou Will Hunt, analista de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, que concluiu que os chineses levariam pelo menos uma década para construir equipamento semelhante. "Do ponto de vista da China, isso é frustrante."

A máquina da ASML se tornou efetivamente um gargalo na cadeia de suprimentos para chips, que são o cérebro de computadores e outros dispositivos digitais. O desenvolvimento e a produção da ferramenta em três continentes – usando expertise e peças do Japão, dos Estados Unidos e da Alemanha – também é um lembrete de que essa cadeia de suprimentos é global, mostrando a dificuldade para qualquer país que queira avançar sozinho na produção de semicondutores.

© Distributed by The New York Times Licensing Group O engenheiro de equipamentos Robert Young segura um wafer de silício de uma máquina de fabricação de chips na instalação de pesquisa da IBM em Albany, Nova York, 30 de junho de 2021. (Bryan Derballa/The New York Times)

Isso inclui não só a China, mas também os Estados Unidos, onde o Congresso está debatendo planos de gastar mais de US$ 50 bilhões para reduzir a dependência de fabricantes de chips estrangeiros. Muitas áreas do governo federal, particularmente o Pentágono, estão preocupadas com a dependência americana do principal fabricante de chips de Taiwan e com a proximidade da ilha com a China.

Criada em 1984 pela gigante eletrônica Philips e outra fabricante de ferramentas, a ASML, Advanced Semiconductor Materials International, tornou-se uma empresa independente e, de longe, a maior fornecedora de equipamentos de fabricação de chips envolvendo um processo chamado litografia.

Com a litografia, os fabricantes projetam repetidamente padrões de circuitos de chips em pastilhas de silício. Quanto mais transistores minúsculos e outros componentes podem ser adicionados a um chip individual, mais poderoso ele se torna e aumenta sua capacidade de armazenar dados. O ritmo dessa miniaturização é conhecido como Lei de Moore, em homenagem a Gordon Moore, um dos cofundadores da gigante de chips Intel.

Em 1997, a ASML começou a estudar a adoção da luz ultravioleta extrema (ou EUV, na sigla em inglês). Essa luz tem comprimentos de onda ultrapequenos que podem criar circuitos muito menores do que é possível com a litografia convencional. Mais tarde, a empresa decidiu fazer máquinas baseadas na tecnologia, esforço que custou US$ 8 bilhões desde o fim dos anos 1990.

O processo de desenvolvimento rapidamente se tornou global. A ASML agora monta as máquinas usando espelhos da Alemanha e hardware desenvolvido em San Diego, que gera luz explodindo gotículas de estanho com um laser. Os principais produtos químicos e componentes vêm do Japão.

O executivo-chefe da ASML, Peter Wennink, disse que a falta de dinheiro nos primeiros anos da empresa o levou a integrar invenções de fornecedores especializados, criando o que chama de "rede de conhecimento colaborativo" que inova rapidamente. "Fomos forçados a não fazer o que os outros fazem melhor."

A ASML lançou mão de outra cooperação internacional. No início da década de 1980, pesquisadores dos Estados Unidos, do Japão e da Europa começaram a considerar a mudança radical nas fontes de luz. O conceito foi retomado por um consórcio que incluía a Intel e outros dois fabricantes de chips dos EUA, bem como laboratórios do Departamento de Energia.

A ASML aderiu em 1999 depois de mais de um ano de negociações, de acordo com Martin van den Brink, presidente e diretor de tecnologia da empresa. Outros parceiros eram o Centro de Pesquisa Imec na Bélgica e outro consórcio americano, a Sematech. Mais tarde, a ASML atraiu grandes investimentos da Intel, da Samsung Electronics e da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company para ajudar a financiar o desenvolvimento.

Esse desenvolvimento foi dificultado pelas peculiaridades da luz EUV. Máquinas de litografia geralmente concentram a luz através de lentes para projetar padrões de circuito em pastilhas; mas os pequenos comprimentos de onda EUV são absorvidos pelo vidro, por isso as lentes não funcionam. Os espelhos, outra ferramenta comum para direcionar a luz, têm o mesmo problema. Isso significava que a nova litografia exigia espelhos com revestimentos complexos que, combinados, refletissem melhor os pequenos comprimentos de onda.

Assim, a ASML recorreu à Zeiss Group, empresa óptica alemã com 175 anos de existência e parceira de longa data. Suas contribuições incluíram um sistema de projeção de 1,8 tonelada para lidar com a luz EUV, que conta com seis espelhos especialmente moldados que são moídos, polidos e revestidos ao longo de vários meses em um processo robótico elaborado que usa feixes de íons para remover defeitos.

A geração de luz suficiente para projetar imagens rapidamente também causou atrasos, segundo Van den Brink. Mas a Cymer, empresa de San Diego que a ASML comprou em 2013, acabou melhorando um sistema que direciona pulsos de um laser de alta potência para atingir gotículas de estanho 50 mil vezes por segundo – uma vez para achatá-los e uma segunda vez para vaporizá-los –, criando luz intensa.

O novo sistema também exigiu componentes redesenhados chamados fotomáscaras, que agem como estêncil em projetos de circuitos de projeção, além de novos produtos químicos depositados em pastilhas que geram essas imagens quando expostos à luz. Empresas japonesas agora fornecem a maioria desses produtos.

Desde que a ASML introduziu seu modelo comercial de EUV em 2017, os clientes compraram cerca de cem deles. Os compradores incluem a Samsung e a TSMC, o maior serviço de produção de chips projetados por outras empresas. A TSMC usa a ferramenta para fazer os processadores projetados pela Apple para seus iPhones mais recentes. A Intel e a IBM declararam que o EUV é crucial para seus planos. "É definitivamente a máquina mais complicada que os humanos construíram", afirmou Darío Gil, vice-presidente sênior da IBM.

As restrições holandesas à exportação dessas máquinas para a China, adotadas desde 2019, não tiveram muito impacto financeiro na ASML, uma vez que há um atraso nos pedidos de outros países. Mas cerca de 15 por cento das vendas da empresa provêm da venda de sistemas mais antigos na China.

Em um relatório final ao Congresso e a Biden em março, a Comissão de Segurança Nacional de Inteligência Artificial propôs estender os controles de exportação para algumas outras máquinas avançadas da ASML. O grupo, financiado pelo Congresso, busca limitar os avanços da inteligência artificial com aplicações militares.

Hunt e outros especialistas em política argumentaram que, como a China já estava usando essas máquinas, bloquear vendas adicionais prejudicaria a ASML sem muito benefício estratégico. A empresa concorda. "Espero que o bom senso prevaleça", disse Van den Brink.

c. 2021 The New York Times Company

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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Conheça o trem chinês que 'levita' e chega a 600 km/h

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Utilizando a força de eletromagnética para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos, trem ainda está em fase de testes, mas já é considerado um dos mais rápidos.
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Por G1

Postado em 21 de julho de 2021 às 16h05m


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VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China
VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China

A China revelou um novo trem de levitação magnética capaz de atingir velocidade máxima de 600 km/h, de acordo com informações da mídia estatal do país.

O veículo é do tipo "maglev" que utiliza a força de imãs para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos.

De acordo com a agência Reuters, a velocidade máxima do trem bala tornaria este o veículo de solo mais rápido do mundo.

Por enquanto, o trem "maglev" chinês está em fase de testes na cidade de Qingdao.

Uma viagem entre Xangai e Pequim com este trem levaria apenas 2,5 horas para rodar os 1.000 quilômetros de distância.

A China tem usado a tecnologia por quase duas décadas em uma escala muito limitada. Xangai tem uma pequena linha "maglev" que vai de um de seus aeroportos à cidade.

Países como Japão e Alemanha também estão procurando construir redes "maglev", embora os altos custos e a incompatibilidade com a infraestrutura de vias atual continuem sendo obstáculos para o rápido desenvolvimento.

Homem voa em 'skate' nos EUA; assista

VÍDEO: 'Skate voador' roda pelas ruas de Los Angeles
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Mark Zuckerberg surfa em prancha 'diferentona'

Mark Zuckerberg posta vídeo "surfando" com uma prancha em pequenas ondas
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