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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Conheça o trem chinês que 'levita' e chega a 600 km/h

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Utilizando a força de eletromagnética para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos, trem ainda está em fase de testes, mas já é considerado um dos mais rápidos.
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Por G1

Postado em 21 de julho de 2021 às 16h05m


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VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China
VÍDEO: Trem que funciona por 'levitação magnética' é revelado na China

A China revelou um novo trem de levitação magnética capaz de atingir velocidade máxima de 600 km/h, de acordo com informações da mídia estatal do país.

O veículo é do tipo "maglev" que utiliza a força de imãs para ficar suspenso, evitando contato entre a carroceria e os trilhos.

De acordo com a agência Reuters, a velocidade máxima do trem bala tornaria este o veículo de solo mais rápido do mundo.

Por enquanto, o trem "maglev" chinês está em fase de testes na cidade de Qingdao.

Uma viagem entre Xangai e Pequim com este trem levaria apenas 2,5 horas para rodar os 1.000 quilômetros de distância.

A China tem usado a tecnologia por quase duas décadas em uma escala muito limitada. Xangai tem uma pequena linha "maglev" que vai de um de seus aeroportos à cidade.

Países como Japão e Alemanha também estão procurando construir redes "maglev", embora os altos custos e a incompatibilidade com a infraestrutura de vias atual continuem sendo obstáculos para o rápido desenvolvimento.

Homem voa em 'skate' nos EUA; assista

VÍDEO: 'Skate voador' roda pelas ruas de Los Angeles
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Mark Zuckerberg surfa em prancha 'diferentona'

Mark Zuckerberg posta vídeo "surfando" com uma prancha em pequenas ondas
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Com pandemia, indústria perde ainda mais participação no PIB e agronegócio ganha protagonismo

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Peso da indústria vem encolhendo continuamente nos últimos anos e fatia do setor manufatureiro no PIB atingiu 11,3% no 1º trimestre – menor percentual desde 1947.
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Por Darlan Alvarenga, G1

Postado em 21 de julho de 2021 às 10h00m


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Fábrica da Audaces em Palhoça (SC), que produz máquinas inteligentes de corte e softwares para o segmento têxtil. Empresa é exemplo raro de indústria brasileira 4.0 que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia — Foto: Audaces/Divulgação
Fábrica da Audaces em Palhoça (SC), que produz máquinas inteligentes de corte e softwares para o segmento têxtil. Empresa é exemplo raro de indústria brasileira 4.0 que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia — Foto: Audaces/Divulgação

O processo de desindustrialização da economia brasileira se acentuou com a pandemia do novo coronavírus. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) mostra que a participação do setor manufatureiro no PIB (Produto Interno Bruto) atingiu novas mínimas históricas e que a indústria continua perdendo protagonismo na economia brasileira.

O peso da indústria de transformação (que reúne todo o setor manufatureiro) caiu de 11,79% do PIB em 2019 para 11,30% em 2020, se mantendo nesse patamar no 1º trimestre de 2021. Trata-se do menor percentual desde 1947, ano em que se inicia a série histórica das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A série mostra que a indústria vem sofrendo um retrocesso quase contínuo desde o início dos anos 2000, evidenciando tanto as dificuldades de competitividade como também de recuperação das perdas provocadas pela crise da Covid-19. No melhor momento, em 1985, o peso do setor manufatureiro chegou a 24,5% do PIB. Ou seja, de lá para cá a participação encolheu para menos da metade de sua máxima histórica. Veja no gráfico abaixo:

Indústria de transformação perde participação no PIB — Foto: Economia G1
Indústria de transformação perde participação no PIB — Foto: Economia G1

Já a participação da indústria geral (que inclui também extrativa, construção civil e atividades de energia e saneamento) no PIB caiu de 21,4% em 2019 para 20,4% em 2020 e nos 3 primeiros meses deste ano – também nova mínima.

O levantamento, elaborada pela economista Silvia Matos, mostra a evolução da participação dos diferentes setores no PIB brasileiro, excluídos os impostos, utilizando a metodologia de preços correntes corrigidos.

Agro ganha protagonismo com crise da Covid-19

A perda de relevância da indústria no PIB é um fenômeno mundial e estrutural. Nas últimas décadas, em diversos países do mundo, a diminuição do peso do setor manufatureiro tem sido acompanhada por um avanço de setores de serviços destinados a atender uma demanda cada vez maior por atividades como serviços de tecnologia e informação, serviços pessoais, de saúde e educação.

No Brasil, no entanto, o processo de desindustrialização tem sido há tempos classificado como "prematuro", por se dar numa velocidade mais rápida do que a verificada em outras economias e por ocorrer antes de o país ter atingido um maior nível de desenvolvimento e de renda per capita. Os economistas destacam também que os serviços que mais crescem no país costumam empregar profissionais com pouca especialização e baixos salários.

"O que tem de novidade na pandemia é que o agronegócio vem ganhando protagonismo como a gente nunca viu. Tudo caiu, só o agro se beneficiou, ficando praticamente imune à crise na maioria dos países. O mundo continuou demandando muito alimentos, teve um boom de commodities e é um setor que continua inovando muito, com adoção de tecnologias", afirma a pesquisadora do Ibre/FGV.

O levantamento mostra que o setor de serviços – o mais afetado pelas medidas de restrição para conter a propagação do coronavírus – viu seu peso no PIB cair de 73,5% em 2019 para 71,7% no 1º trimestre de 2021. Já a participação do agronegócio saltou no mesmo período de 5,1% para 7,9% – maior percentual trimestral desde 1996. Veja no gráfico abaixo:

Agropecuária e serviços ganham participação — Foto: Economia G1
Agropecuária e serviços ganham participação — Foto: Economia G1

Na avaliação da pesquisadora do Ibre, o agronegócio tende a continuar sendo favorecido pela forte e crescente demanda mundial por alimentos como soja, milho e carnes. Mas, com o avanço da vacinação e o gradual fim das medidas de restrição, a tendência é que o setor de serviços volte a recuperar rapidamente uma boa parte da fatia perdida no PIB.

"O setor de serviços foi o que mais sofreu. O país parou de consumir serviços. Então, acabando a pandemia, o natural é que o setor volte a crescer", afirma Matos.

Já para a indústria os desafios são maiores, uma vez que não dependem apenas da reabertura total da economia e da recuperação da demanda interna, mas também do enfrentamento de questões estruturais que se arrastam há anos e de problemas novos como falta de insumos, inflação elevada e aumento do custo do crédito em meio à elevação da taxa básica de juros.

Após 3 quedas seguidas, produção industrial cresce 1,4% em maio, mas não elimina perdas dos meses anteriores.
Após 3 quedas seguidas, produção industrial cresce 1,4% em maio, mas não elimina perdas dos meses anteriores.

Desafios da indústria para recuperar perdas da pandemia

Matos lembra que a continuidade do processo de desindustrialização durante a pandemia se deu mesmo diante de alguns fatores que beneficiaram segmentos manufatureiros. A forte desvalorização do dólar no ano passado favoreceu as exportações e as mudanças na cesta de consumo dos brasileiros durante a quarentena, por exemplo, impulsionaram as vendas de produtos como material de construção, eletrodomésticos e móveis.

"O resultado da indústria poderia ser até pior", afirma a pesquisadora, acrescentando que segmentos relacionados ao agronegócio como indústrias de alimentos processados e de máquinas também se deram bem, na contramão da economia e da média do setor.

Pesquisa mensal do IBGE mostrou que a produção industrial brasileira voltou a crescerem maio, após 3 meses consecutivos de queda, mas que o setor ainda eliminou as perdas dos meses de fevereiro, março e abril.

Dos 26 setores acompanhados pelo IBGE, 13 setores, ou seja, metade deles, ainda se encontram abaixo do pré-pandemia. Veja no gráfico abaixo:

Apenas metade das atividades industriais retomaram em maio o patamar pré-pandemia, segundo o IBGE. — Foto: Economia/G1
Apenas metade das atividades industriais retomaram em maio o patamar pré-pandemia, segundo o IBGE. — Foto: Economia/G1 

Baixa produtividade e competitividade

Estudo recente divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostrou que a parcela da manufatura no PIB brasileiro em 2020 ficou 4,7 pontos percentuais (p.p.) abaixo da média global em 2020 e 2,1 p.p. ao excluir a China da média mundial.

"Desde o início do século XXI, o grau de industrialização brasileiro tem sido menor que da economia mundial e essa diferença vem aumentando. Em síntese, é um retrocesso de longo prazo que reforça a tese de que se trata de um problema estrutural com vários componentes – entre eles o Custo Brasil – e não circunscrito a apenas um governo", destacou o Iedi.

A recuperação de um maior protagonismo da indústria na economia é apontada como essencial para o país alcançar maiores taxas de crescimento do PIB e níveis mais elevados de desenvolvimento, uma vez que produtos industriais são os que mais possuem ramificações e conexões com múltiplos setores e pela capacidade de reduzir custos e agregar valor a produtos básicos e por seu papel ofertante e demandante de tecnologias e inovação.

Para Matos, no entanto, mais importante do que elevar o percentual de participação da indústria no PIB, é buscar ganhos de produtividade e uma maior eficiência e competitividade da economia brasileira como um todo.

"O importante é ser eficiente, não importa em qual setor. Mas a produtividade do Brasil é inferior a de lá de fora em todos os setores, e a indústria sofre mais porque é um segmento intensivo em capital e cada vez mais também em tecnologia e mão de obra qualificada, e isso é uma carência do Brasil", afirma a economista. 
Indústria de SC cresce ao oferecer soluções para indústrias virarem 4.0

Na contramão do setor manufatureiro, a Audaces é exemplo raro de indústria brasileira que tem conseguido crescer mesmo durante a pandemia.

A empresa de Santa Catarina desenvolve softwares e produz maquinários para outras indústrias, sobretudo para o segmento têxtil, e registrou um crescimento de 20% no faturamento em 2020. Com o aumento do número de clientes, o número de funcionários que era de 170 antes do início da pandemia aumentou para 200.

A estratégia é focada na inovação e no desenvolvimento de produtos e soluções que ajudam outras empresas a reduzir custos, automatizar processos e melhorar a eficiência na indústria de moda.

Audaces, de Santa Catarina, fabrica máquinas de corte de tecidos automatizadas, que reduzem custos e o desperdício dos materiais utilizados. — Foto: Divulgação/Audaces
Audaces, de Santa Catarina, fabrica máquinas de corte de tecidos automatizadas, que reduzem custos e o desperdício dos materiais utilizados. — Foto: Divulgação/Audaces

A empresa nasceu em 1992 atuando apenas no desenvolvimento de softwares e, desde 2000, se transformou também em indústria. Atualmente, possui mais de 15 mil clientes em mais de 70 países.

A companhia fabrica máquinas digitais e automáticas para confecções têxteis, e desenvolveu também uma plataforma de gestão com tecnologias que integram desde a etapa de criação de peças e moldes até o controle da ordem de produção, permitindo que dados sejam enviados remotamente, até mesmo de fora da fábrica, para os equipamentos de corte automatizados.

"Não é só uma máquina que corta sozinha. Temos clientes que conseguiram reduzir em mais de 30% o seu tempo de criação de coleção e uma redução de mais de 20% do consumo de tecidos", afirma o diretor executivo Matheus Fagundes. "Quando tem uma crise, as empresas acabam olhando para dentro, como podem se tornar mais eficiente. Então, neste momento, a gente acaba ganhando espaço e as nossas soluções têm ajudado também a indústria a se tornar mais 4.0".

"Não importa quanto a indústria vai ter de participação no PIB. A indústria vai ganhar mais protagonismo se for mais eficiente, não com protecionismo ou subsídio. Por isso, a agenda precisa ser pró-produtividade, de melhora do ambiente de negócios, de reforma tributária, de melhoria da educação e de adoção de tecnologias", resume Matos.


Conceito de indústria 4.0 ganha força com a pandemia
Conceito de indústria 4.0 ganha força com a pandemia

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terça-feira, 20 de julho de 2021

Chuva causa alagamentos e deixa mortos em província na região central da China

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Em apenas uma hora moradores ficaram ilhados em escolas e locais de trabalho na província de Henan; ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil foram levadas para locais mais seguros. Estações de metrô foram inundadas e bairros inteiros ficaram cobertos de água.
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TOPO
Por Associated Press

Postado em 20 de julho de 2021 às 21h15m


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Inundação na China deixa passageiros presos em vagões do metrô
Inundação na China deixa passageiros presos em vagões do metrô

Ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil tiveram que ser levadas para locais mais seguros devido a graves enchentes na capital da província de Henan, na região central China, nesta terça-feira (20). Alagamentos deixaram pessoas presas em metrôs, escolas e locais de trabalho durante toda a noite em Zhengshou.

Segundo a agência oficial de notícias chinesa Xinhua, com dados da agência meteorológica de Henan, apenas entre as 16h e às 17 horas, foram 20 centímetros de chuva, que transformaram as ruas em riachos de forte correnteza, prendendo carros e inundando estações de metrô.

Vídeos postados online mostravam bairros inteiros cobertos de água na altura da cintura e veículos flutuando na água lamacenta.

Veículos presos após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP
Veículos presos após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP

Ao norte, o famoso Templo Shaolin, conhecido pelo domínio das artes marciais de seus monges budistas, foi duramente atingido. A província de Henan abriga muitos locais culturais e uma importante base para a indústria e agricultura.

Pessoas ilhadas passaram a noite em seus locais de trabalho ou se hospedaram em hotéis próximos, sem conseguir chegar em suas casas.

Wang Guirong, uma gerente de restaurante de 56 anos, disse que planejava dormir no sofá de seu restaurante após ser informada de que não havia eletricidade em seu bairro. A State Grid Zhengzhou Power Supply Co. disse que uma subestação no centro da cidade foi forçada a fechar por causa da chuva.

Pessoas tentam atravessar ruas alagadas após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP
Pessoas tentam atravessar ruas alagadas após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20) — Foto: Chinatopix Via AP 

“Vivi em Zhengzhou toda a minha vida e nunca vi uma tempestade tão forte como hoje”, disse Wang.

A China sofre inundações regulares durante os meses de verão, mas o crescimento das cidades e a conversão de terras agrícolas em subdivisões aumentaram o impacto de tais eventos.

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segunda-feira, 19 de julho de 2021

A revolta causada pela seca que enfraqueceu um dos impérios mais poderosos do mundo

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Assim como no caso do Império Otomano, mudanças climáticas agem como 'multiplicador de ameaças' — quando agitação social coincide com condições meteorológicas extremas, pode haver consequências devastadoras.
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TOPO
Por BBC

Postado em 19 de juho de 2021 às 08h00m


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Mudanças climáticas agem como 'multiplicador de ameaças' — quando agitação social coincide com condições meteorológicas extremas, pode haver consequências devastadoras — Foto: Getty Images
Mudanças climáticas agem como 'multiplicador de ameaças' — quando agitação social coincide com condições meteorológicas extremas, pode haver consequências devastadoras — Foto: Getty Images

No fim do século 16, centenas de bandidos invadiram os campos rurais da Anatólia a cavalo, saqueando vilas, incitando a violência e desestabilizando o poder do sultão.

Quatrocentos anos depois e a algumas centenas de quilômetros de distância, onde hoje é a Síria, uma série de protestos generalizados se transformou em 2011 em uma sangrenta guerra civil que perdura até hoje.

Esses episódios sombrios da história do Mediterrâneo compartilham características-chave que servem de alerta para o futuro: ambos os eventos forçaram muitas pessoas a deixar suas casas. Da mesma forma, ambos tiveram origem na política e resultaram em consequências políticas dramáticas.

E ambos foram impulsionados por temperaturas extremas que costumam ser associadas às mudanças climáticas.

Como historiadora ambiental, pesquisei e escrevi extensivamente sobre conflitos e pressões ambientais na região do Mediterrâneo Oriental.

Embora secas severas, furacões, aumento do nível dos oceanos e migração climática possam parecer fenômenos novos e únicos do nosso tempo, crises passadas como a que acabei de mencionar, assim como outras, oferecem lições importantes sobre como as mudanças climáticas podem desestabilizar as sociedades humanas.

Vamos analisar isso mais de perto.

Seca no coração de um império

Vivemos em uma era de aquecimento global devido em grande parte às práticas humanas insustentáveis.

Geralmente conhecida como Antropoceno, esta era é amplamente considerada como tendo surgido no século 19, na esteira de outro período de grande mudança climática global chamado de Pequena Era do Gelo.

A Pequena Era do Gelo levou temperaturas mais frias do que a média, assim como um clima extremo, a várias partes do mundo.

Diferentemente do aquecimento antropogênico atual, provavelmente foi causada por fatores naturais, como a atividade vulcânica, e afetou diferentes regiões em momentos distintos, em diferentes graus e de maneiras bastante distintas.

Seu início no fim do século 16 foi particularmente notável na Anatólia, uma região predominantemente rural que chegou a ser o coração do Império Otomano e cujos limites são aproximadamente os da atual Turquia.

Tradicionalmente, grande parte de suas terras se destinava ao cultivo de grãos ou ao pasto de ovelhas e cabras. Eram uma importante fonte de alimento para a população rural, assim como para os moradores da movimentada capital otomana, Istambul (antes chamada de Constantinopla).

As duas décadas em torno do ano 1600 foram especialmente difíceis.

A Anatólia passou por alguns de seus anos mais frios e secos da história, sugerem os anéis das árvores e outros dados paleoclimatológicos.

Esse período também teve secas frequentes, assim como geadas e inundações. Ao mesmo tempo, os habitantes da região sofreram devido a uma praga animal e políticas estatais opressivas, incluindo a apreensão de grãos e carnes para enfrentar uma guerra custosa na Hungria.

As rebeliões Celali

As fracas colheitas prolongadas, a guerra e as dificuldades expuseram deficiências importantes do sistema de abastecimento otomano.

As intempéries paralisaram os esforços do Estado para distribuir suprimentos limitados de alimentos, a fome se espalhou pelo zona rural até Istambul, acompanhada por uma epidemia mortal.

Em 1596, uma série de levantes coletivos conhecidos como rebeliões Celali estouraram, se convertendo na ameaça interna mais duradoura ao poder do Estado nos seis séculos de existência do Império Otomano.

Camponeses, grupos seminômades e líderes provincianos contribuíram para esse movimento com uma onda de violência, vandalismo e instabilidade que durou até o século 17.

Com a persistência da seca, das doenças e do derramamento de sangue, o povo abandonou as fazendas e vilarejos, fugindo da Anatólia em busca de áreas mais estáveis, enquanto a fome matava muitos que não tinham recursos para partir.

O enfraquecimento do Império Otomano

Antes desse ponto, o Império Otomano havia sido um dos regimes mais poderosos do início da era moderna.

Abrangia grandes territórios na Europa, Norte da África, Oriente Médio e controlava os lugares mais sagrados do Islã, do Cristianismo e do Judaísmo.

Durante o século anterior, as tropas otomanas haviam entrado na Ásia Central para anexar grande parte da Hungria. Também avançaram para o Império dos Habsburgo, ameaçando Viena em 1529.

As rebeliões Celali deixaram consequências políticas importantes.

O governo otomano conseguiu restaurar a relativa calma nas zonas rurais da Anatólia em 1611, mas a um custo.

O controle do sultão sobre as províncias enfraqueceu irreversivelmente, e o controle interno sobre a autoridade otomana ajudou a conter seu movimento de expansão.

As rebeliões Celali fecharam a porta da "Era de Ouro" otomana, colocando este império monumental em uma espiral de descentralização, reveses militares e fraqueza administrativa que atormentaria o Estado otomano durante os três séculos restantes de sua existência.

Mudanças climáticas: um multiplicador de ameaças

Quatrocentos anos depois, o estresse ambiental voltou a coincidir com a agitação social e lançou a Síria em uma duradoura e devastadora guerra civil.

Este conflito surgiu no contexto de opressão política e do movimento da Primavera Árabe, e no final de uma das piores secas da Síria na história moderna.

A magnitude do papel do meio ambiente na guerra civil síria é difícil de se medir porque, como nas rebeliões Celali, seu impacto esteve indelevelmente ligado a pressões sociais e políticas.

Mas a combinação brutal dessas forças não pode ser ignorada. É por isso que especialistas militares hoje falam da mudança climática como um "multiplicador de ameaças".

Entrando agora em sua segunda década, a guerra da Síria expulsou mais de 13 milhões de sírios de suas casas.

Anatólia chegou a ser o coração do Império Otomano — Foto: Getty Images
Anatólia chegou a ser o coração do Império Otomano — Foto: Getty Images

Cerca de metade se deslocou internamente, enquanto o restante buscou refúgio em países vizinhos, na Europa e mais além, intensificando consideravelmente a crise global de refugiados.

Lições para hoje e para o futuro

A região do Mediterrâneo pode ser particularmente propensa aos efeitos negativos do aquecimento global, mas essas duas histórias estão longe de ser casos isolados.

À medida que as temperaturas do planeta sobem, o clima vai dificultar cada vez mais as questões humanas, exacerbando os conflitos e impulsionando a migração.

Nos últimos anos, países de baixa altitude como Bangladesh foram devastados por enchentes, enquanto a seca afetou vidas no Chifre da África e na América Central, enviando um grande número de migrantes para outros países.

A história do Mediterrâneo oferece três lições importantes para abordar os atuais problemas ambientais globais:

  • Em primeiro lugar, os efeitos negativos das mudanças climáticas recaem desproporcionalmente sobre indivíduos pobres e marginalizados, que têm menos capacidade de reagir e se adaptar;
  • Em segundo lugar, os desafios ambientais tendem a afetar mais quando combinados com movimentos sociais, e os dois estão frequentemente indistintamente conectados;
  • Terceiro, a mudança climática tem o potencial de impulsionar a migração e o reassentamento, estimular a violência, derrubar regimes e transformar dramaticamente as sociedades humanas em todo o mundo.

Em última análise, a mudança climática afetará a todos nós, de maneiras dramáticas, angustiantes e imprevistas. Mas, à medida que contemplamos o futuro, podemos aprender muito com nosso passado.

* Andrea Duffy é diretora de Estudos Internacionais da Universidade do Estado do Colorado, nos EUA.

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