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domingo, 18 de julho de 2021

7 mitos e meio sobre o cérebro derrubados

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Cada vez mais, ciência faz novas revelações sobre órgão com o qual pensamos, mas às vezes permanecem ideias erradas que geram confusão.
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TOPO
Por Dalia Ventura, BBC

Postado em 18 de julho de 2021 às 15h45m


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Cada vez mais, ciência faz novas revelações sobre órgão com o qual pensamos, mas às vezes permanecem ideias erradas que geram confusão — Foto: Getty Images/BBC
Cada vez mais, ciência faz novas revelações sobre órgão com o qual pensamos, mas às vezes permanecem ideias erradas que geram confusão — Foto: Getty Images/BBC

Existem ideias que duram porque têm o potencial de revelar conceitos surpreendentes, enquanto outras não sobrevivem ao rigor científico.

No século 4 a.C., Aristóteles (384 a.C. — 322 a.C.) considerava o cérebro um órgão secundário que servia para resfriar o sangue que o coração usava para funções mentais. Mas era também um lugar onde o espírito circulava livremente e onde estava, em sua visão, o sensus communis (ou "senso comum").

Séculos de pesquisa depois, o médico romano Galeno de Pérgamo (c.130-c.210 d.C.) concluiu que o cérebro era o grande responsável por nossas funções mentais e não o coração, como Aristóteles havia sugerido.

O sensus communis, no entanto, sobreviveu. No século 16, quando Leonardo da Vinci (1452 - 1519) estava desenhando e estudando o cérebro, um de seus objetivos era encontrar sua localização; filósofos como Tomás de Aquino, Locke e Kant o exploraram; a psicologia o acolheu, e os cientistas continuaram a testar o conceito daquele sexto sentido que refina a informação percebida por nossos cinco sentidos até hoje.

Mas há outras noções que, embora a ciência já tenha determinado que estão erradas, permanecem teimosamente ressoando, não graças às evidências, mas à repetição e à crença.

O cérebro, aquela "obra-prima da criação", como disse o cientista dinamarquês Nicolaus Steno em 1669, é um daqueles campos minados de tais falsos conhecimentos e imprecisões.

Como não estamos imunes a isso, consultamos a renomada neurocientista Lisa Feldman Barrett, autora do livro Seven and a Half Lessons About the Brain" ("Sete lições e meia sobre o cérebro", no qual ela desmistifica "aquela grande massa cinzenta entre nossas orelhas".

Perguntamos a ela se é verdade, por exemplo, que nascemos com um certo número de neurônios, que eles não se renovam, já que não se reproduzem como as outras células do corpo.

Viva Você - Cérebro
Viva Você - Cérebro

½. Neurônios limitados

Isso é quase verdade.

"Os humanos perderam a capacidade de regenerar neurônios... exceto em alguns lugares do cérebro", assinala a neurocientista.

E não apenas nós.

"Animais de vida longa tendem a perder essa capacidade porque, quando novos neurônios substituem os antigos, as memórias são perdidas".

"Não é que cada neurônio guarde uma memória, mas se trata de um conjunto que se comunica, ou seja, se um falta, essa relação molecular se perde e com ela parte do que foi aprendido".

O engraçado é que outros animais regeneram neurônios constantemente ao longo de sua vida.

"Os pássaros são animais muito interessantes porque há partes do cérebro deles, nas quais os neurônios se regeneram a cada ano para aprender novas canções para atrair parceiros. Na verdade, foi assim que a plasticidade (do cérebro) foi descoberta".

"Na Universidade Rockefeller (Estados Unidos), pesquisadores notaram que o tamanho dos núcleos cantantes — os núcleos em seus cérebros que são responsáveis por controlar sua respiração e seu aparelho vocal e seus corpos para que possam cantar — estavam se expandindo e diminuindo a cada ano, e constataram que eles estavam criando novos neurônios naquela época do ano".

"Os pesquisadores presumiram então que a criação de neurônios só ocorria nas aves, mas não nos mamíferos. Na verdade, ela não só ocorre nos mamíferos, mas também nos primatas e até nos humanos, embora apenas em partes específicas do cérebro como o hipocampo, por exemplo".

Em todo caso, você já deve ter ouvido falar que só usamos parte dos neurônios daqueles que temos. Isso é verdade?

Marcador de sinapse em neurônio. — Foto: Janin Lautenschläger
Marcador de sinapse em neurônio. — Foto: Janin Lautenschläger

1. Neurônios desperdiçados

"A ideia de que usamos apenas 5% ou 10% dos nossos neurônios simplesmente não é verdade.

"Entre outras coisas, seria metabolicamente ineficiente. Seu cérebro é seu órgão mais dispendioso: responde por cerca de 20% de seu gasto metabólico diariamente. Imagine desperdiçar 90% de sua capacidade!

"Isso é um absurdo e não faz o menor sentido".

"Usamos o cérebro o tempo todo e não um neurônio, mas milhões e milhões a cada momento."

Claro, armazenando tudo que nossos sentidos percebem, não?

Vemos com os olhos, ouvimos com os ouvidos e sentimos com a pele... certo? — Foto: Pexels/Meo
Vemos com os olhos, ouvimos com os ouvidos e sentimos com a pele... certo? — Foto: Pexels/Meo

2. Seus olhos veem, seus ouvidos ouvem, sua pele sente

Não exatamente.

Todas as nossas sensações são interpretações do cérebro.

"Você precisa de algum tipo de superfície sensorial, algum tipo de receptor, para levar informações para o cérebro", como as orelhas, a pele, o nariz, os olhos.

Mas esses sinais — ondas de luz, som — que eles captam não fazem sentido até que o cérebro os processe.

"É por isso que existem condições como a cegueira cortical, em que os olhos funcionam bem, mas há danos nas partes do cérebro que são importantes para criar a visão."

Você não vê com os olhos, nem ouve com os ouvidos, nem sente com a pele: você o faz com o cérebro, que combina o que está na sua cabeça e os dados sensoriais detectados pelos seus órgãos.

Mas não é só isso...

Temos realmente uma 'besta interior' que explica nossas ações irracionais? — Foto: Pexels/Mart Production
Temos realmente uma 'besta interior' que explica nossas ações irracionais? — Foto: Pexels/Mart Production

3. Suas emoções estão em seu coração

Quando a emoção o invade, "quando você sente o batimento cardíaco, não o sente no peito, mas na cabeça".

"É difícil de entender, mas você não sente nada em seu corpo, tudo o que você sente está em seu cérebro."

A dor, a alegria... tudo, porque o cérebro é quem escreve a história, ele é o narrador.

E abriga as paixões nas profundezas de sua parte mais antiga...

4. Você tem uma 'besta interior'

Bem... não é assim.

É verdade que existe um modelo conhecido como "cérebro trino", que consiste no complexo reptiliano, no sistema límbico e no neocórtex, sendo que o primeiro controla o comportamento e o pensamento instintivo para a sobrevivência, o segundo encarrega-se de regular as emoções, a memória e as relações sociais, e o terceiro é responsável pelas funções mais sofisticadas.

"Por anos, os cientistas pensaram que a parte reptiliana envolvida no circuito límbico era o lar de nossa besta interior, a parte mais reativa de seu ser que tinha que ser controlada pela razão".

"Segundo essa hipótese, seu cérebro é um campo de batalha entre sua besta interior e seu eu racional superior. Quando a racionalidade vence, você é moral, virtuoso e saudável, mas quando sua besta interior vence, você é imoral, porque não se esforçou o suficiente ou você está doente, porque a racionalidade não conseguiu controlar sua besta interior".

"Toda essa narrativa é um mito completo".

"Mas o que é realmente interessante é que as regiões do cérebro que foram marcadas como sua besta interior são, na verdade, aquelas que controlam seu corpo — seus pulmões, seu coração, seu sistema imunológico, seu metabolismo... seu corpo físico inteiro. E alguns de eles estão no centro da memória, tomada de decisão, racionalidade e percepção".

"Essas regiões estão praticamente envolvidas em tudo que seu cérebro faz."

Então, elas estão envolvidas na função principal do cérebro, o raciocínio?

5. O cérebro é para pensar

Se você se pergunta para que o cérebro é importante, pode responder "pensar" ou "sentir" ou "a capacidade de perceber o mundo".

"Na verdade, a tarefa mais importante do seu cérebro é mantê-lo vivo. Pense, sinta e perceba para controlar os sistemas internos do seu corpo para que você sobreviva, se mantenha saudável e, eventualmente, procrie — do ponto de vista evolutivo — e/ou prospere — do ponto de vista individual".

O curioso é que para fazer isso...

6. Seu cérebro reage

Uma das coisas que mais surpreendeu Lisa Feldman Barrett foi aprender que o cérebro funciona por meio de previsões.

"Não pude acreditar porque não gasto meu tempo fazendo previsões e depois reagindo a elas, mas experimentando algo e reagindo naquele momento".

"Mas a verdade é que você não reage às coisas do mundo".

"Seu cérebro está executando um padrão interno que aprendeu, contingências dos sinais sensoriais aos quais foi exposto ao longo de sua vida, e está constantemente adivinhando o que vai acontecer".

"Ele faz isso automaticamente, disparando sinais de seus próprios neurônios para antecipar os dados dos sentidos de seus serviços sensoriais. Então, quando os dados chegam, ele faz comparações".

"Não é que você nunca encontre coisas novas, mas você não sai por aí se surpreendendo a vida inteira".

"Quando há uma surpresa, o que acontece é que seu cérebro tenta prever, como sempre, mas os sinais não são previstos, e essa é uma oportunidade de aprender algo novo."

E finalmente...

7. Seu cérebro trabalha sozinho

Acontece que seu cérebro trabalha secretamente com o de outras pessoas.

Sua família, amigos, vizinhos e até estranhos contribuem para a estrutura e função de seu cérebro e ajudam a manter seu corpo funcionando.

Experimentos mostraram que mudanças no corpo de uma pessoa frequentemente causam mudanças em outra, quer os dois estejam romanticamente envolvidos, sejam apenas amigos ou estranhos se encontrando pela primeira vez.

Quando você está com alguém de quem gosta, sua respiração e seus batimentos cardíacos são sincronizados. Esse tipo de conexão física ocorre entre bebês e seus cuidadores, entre terapeutas e seus clientes e entre pessoas que fazem uma aula de ioga ou cantam juntas em um coral.

Se, por outro lado, as pessoas não se bicam, seus cérebros são como parceiros de dança que não param de pisar em seus pés.

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sábado, 17 de julho de 2021

O mistério da casa que desapareceu em uma ilha da Irlanda

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Premiado documentarista Neville Presho perdeu tudo quando seu refúgio na costa de Donegal desapareceu.
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TOPO
Por BBC

Postado em 17 de julho de 2021 às 13h40m


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Quando Neville Presho voltou para Tory, havia apenas um espaço vazio no lugar onde ficava sua casa — Foto: BBC
Quando Neville Presho voltou para Tory, havia apenas um espaço vazio no lugar onde ficava sua casa — Foto: BBC

Imagine um lindo dia de verão. Um homem olha de um barco no Atlântico a costa distante da remota ilha irlandesa de Tory.

Ele está à procura de sua casa, um refúgio que tem na ilha e que não vê há oito anos.

A construção era uma das mais antigas do local, logo acima do porto com vista panorâmica para o mar.

Ele a tinha pintado de branco antes de deixar a Irlanda rumo à Nova Zelândia.

Mas a casa não estava mais ali — somente um espaço vazio.

Ele esfrega os olhos e espera descobrir que tudo não passa de um sonho.

Em vez disso, é um pesadelo que para o engenheiro civil Neville Presho começou em julho de 1994.
Neville Presho fotografado em julho de 2009 — Foto: TREVOR MCBRIDE
Neville Presho fotografado em julho de 2009 — Foto: TREVOR MCBRIDE

Quando Presho saiu de barco naquele dia de verão e se dirigiu ao local onde antes estava sua casa, não pôde acreditar no que viu, diz.

"Tudo o que vi foram 15 centímetros de um tubo de plástico saindo do solo, que era meu encanamento de água".

"Havia grandes rochas de cerca de 2,5 por 0,5 metros no que antes era o perímetro (da casa).

"Minha banheira estava de cabeça para baixo na praia."

'Muro de silêncio'

"Neville começou a fazer perguntas e, curiosamente, não obteve respostas. Deparou-se com um muro de silêncio", diz Conor McKay, que, com Michael Shannon, produziu o docudrama da BBC "The House That Disappeared" ("A Casa Que Desapareceu", em tradução livre para o português).

"As pessoas disseram que ela foi levada por um redemoinho. Alguém falou que era melhor não perguntar, e outro mencionou um brilho estranho no céu".

"Houve um momento em que ninguém mais acreditava nele. Um psiquiatra achou que Neville havia fantasiado tudo aquilo".

É uma história com muitas reviravoltas, diz McKay, e que impactou profundamente Prescho.

"Ele nunca mais foi o mesmo", diz McKay.

"Além de engenheiro civil, Neville era um cineasta muito respeitado. Seus documentários ganharam muitos prêmios internacionais, mas ao descobrir que sua casa havia desaparecido, ele não fez mais filmes".

"Infelizmente, desenvolveu uma doença mental muito séria. E passou anos tentando obter respostas".

"Ele finalmente conseguiu um pouco de justiça, mas demorou muito."
Correram rumores de incêndio criminoso e, mais tarde, de que a casa havia sofrido consideráveis ​​danos causados por tempestade — Foto: NEVILLE PRESHO
Correram rumores de incêndio criminoso e, mais tarde, de que a casa havia sofrido consideráveis ​​danos causados por tempestade — Foto: NEVILLE PRESHO

Uma tempestade ou uma escavadeira?

Neville tentou em vão conseguir que um advogado assumisse o caso.

Ele pediu ajuda à polícia, mas quando um detetive visitou a ilha, também se deparou com um muro de silêncio.

Um juiz diria mais tarde que a ausência de declarações de muitas pessoas "sobre o que deveria ser óbvio para todos é significativa".

Correram rumores de incêndio criminoso e, mais tarde, de que a casa havia sofrido danos consideráveis pela tempestade.

A razão pela qual Neville voltou para a ilha em primeiro lugar foi porque ele recebeu uma carta do conselho local avisando-o de que sua casa havia sido danificada durante uma tempestade.

Mas um engenheiro, como explicou em um relatório, descobriu que ela foi provavelmente derrubada por meios mecânicos.

Mais tarde, um construtor que trabalhava na ilha alegou que recebera uma oferta em dinheiro para demolir a casa, mas que a recusou.

Corriam boatos de que a casa havia sido destruída em um incêndio criminoso, mas Neville não conseguiu encontrar nenhuma prova disso.

A casa foi pintada de branco antes de Neville deixar a Irlanda rumo à Nova Zelândia — Foto: NEVILLE PRESHO
A casa foi pintada de branco antes de Neville deixar a Irlanda rumo à Nova Zelândia — Foto: NEVILLE PRESHO

No entanto, um encontro casual dele com o jornalista e escritor Anton McCabe no barco em direção a Tory em 2003 deu gás a essa versão.

McCabe o colocou em contato com um advogado disposto a assumir seu caso.

Ele abriu um processo civil, acusando Patrick Doohan, morador local e empresário do setor hoteleiro, de ter destruído a casa de Neville, por bloquear sua vista para o oceano.

'Para onde foi minha casa?'

Em 2009, após um dramático processo legal, um juiz decidiu que não havia evidências de que Doohan ou qualquer pessoa que agiu em seu nome tenha posto fogo na casa de Neville.

No entanto, o juiz determinou que o réu teria muito a ganhar com o desaparecimento da casa e que sua escavadeira, dirigida por ele ou não, provavelmente estaria envolvida na destruição.

O juiz concedeu a Neville US$ 55 mil (R$ 281 mil, em valores atuais) em danos por invasão e interferência em sua propriedade.

Anton McCabe lembra-se vividamente do primeiro dia daquele julgamento no Tribunal Superior em Letterkenny em 2009.

"Fui o único jornalista presente durante toda a audiência", diz ele.

Em seguida, o jornal irlandês Daily Star publicou a história com o título "Onde está minha casa?" Na manhã seguinte, havia duas mesas repletas de jornalistas", lembra McCabe.

O interesse internacional por sua história encorajou Neville: ele se sentiu apoiado.

"Ele ganhou vida com a publicidade em jornais", diz o repórter.

Mas o dano pessoal já havia sido feito.

"Não é exagero dizer que (o episódio) destruiu sua vida e afetou seriamente a de sua família", diz McCabe.

"Nem que ele tivesse recebido dez vezes mais do que recebeu, nada compensaria o que aconteceu com ele. Neville sofreu episódios de doença mental e seu casamento desmoronou."

Pelo menos, a Justiça foi feita. Mas a um grande custo pessoal.

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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Sobe para 126 o nº de mortos após chuvas na Europa; tragédia na Alemanha é a maior em 59 anos Por G1 16/07/2021 05h36 Atualizado há 2 horas

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Imensa quantidade de água tem causado inundações gigantescas, alagado cidades e derrubado casas na em países da Europa Central. É o maior número de mortos na Alemanha desde 1962.
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Por G1  
16/07/2021 05h36 Atualizado há 2 horas
Postado em 16 de julho de 2021 às07h45m


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Chuvas causam inundações gigantescas na cidade de Erftstadt, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021. — Foto: Rhein-Erft-Kreis via AP
Chuvas causam inundações gigantescas na cidade de Erftstadt, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021. — Foto: Rhein-Erft-Kreis via AP

Mais de 120 pessoas morreram e milhares estão desaparecidas devido às chuvas dos últimos dias na Europa, que estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho principalmente na Alemanha e na Bélgica.

O país mais afetado é a Alemanha, onde 106 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.

É o maior número de mortos em um desastre natural na Alemanha desde 1962 (quando uma enchente no Mar do Norte deixou cerca de 340 mortos) e a maior quantidade de chuva no país em um século.

As inundações no rio Elba, que em 2002 foram anunciadas como "inundações que acontecem uma vez por século", mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a Europa.

As chuvas deste ano têm afetado também a Bélgica, onde 20 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas, e Holanda, França e Luxemburgo em menor intensidade (veja mais abaixo).


Enchentes na Europa já registram mais de 120 mortes; 1,3 mil estão desaparecidos somente na Alemanha
Enchentes na Europa já registram mais de 120 mortes; 1,3 mil estão desaparecidos somente na Alemanha

O número de vítimas pode aumentar consideravelmente após relatos de deslizamentos de terra e casas sendo arrastadas pelos rios ou desabando devido à força da água nesta sexta-feira (16).

Imagens áreas divulgadas pelas autoridades do distrito de Colônia, na Alemanha, mostram uma cratera formada por um deslizamento de terra imenso, que arrastou lama e destroços.

O que se sabe até o momento:

  • 106 mortos na Alemanha (63 no estado da Renânia do Norte-Vestfália e 43 no da Renânia-Palatinado)
  • 1,3 mil pessoas desaparecidas no distrito de Ahrweiler, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 40 km ao sul da cidade de Colônia
  • 20 mortos e 20 desaparecidos na Bélgica
  • 114 mil casas sem energia na Alemanha, segundo a maior empresa de distribuição do país
Mulher observa pilha de carros após enchentes em Bad Neuenahr-Ahrweiler, na Alemanha, em 16 de julho de 2021 — Foto: Christof Stache/AFP
Mulher observa pilha de carros após enchentes em Bad Neuenahr-Ahrweiler, na Alemanha, em 16 de julho de 2021 — Foto: Christof Stache/AFP

Na Alemanha, as cidades e vilas mais afetadas estão no curso do rio Ahr, que nasce quase na fronteira com a Bélgica e deságua no rio Reno. O vale do rio Ahr é famoso pela produção de vinho tinto, e a cidade mais importante da região é Bad Neuenahr-Ahrweiler.

Na Bélgica, a região mais afetada é a Valônia, cuja principal cidade é Liège. Os maiores estragos estão em cidades e vilas ao longo do rio Mosa, que nasce na França, passa pelo país e adentra a Holanda, e também do rio Vesdre, perto da fronteira com a Alemanha.

A ministra do Interior belga, Annelies Verlinden, disse a uma TV local nesta sexta que continua crítico o nível das águas do rio Mosa e vários diques correm o risco de ruir (veja mais abaixo).

Clare Nullis, porta-voz da Organização Meteorológica Mundial, afirmou que algumas partes da Europa Ocidental receberam até dois meses de chuva em apenas dois dias. "O que piorou é que os solos já estavam saturados pelas chuvas anteriores".

As cidades mais afetadas pelas chuvas:

V2 Chuvas e inundações na Europa: temporal deixa dezenas de mortos na Alemanha e na Bélgica e afeta cidades também na Holanda e na França — Foto: Editoria de Arte/G1
V2 Chuvas e inundações na Europa: temporal deixa dezenas de mortos na Alemanha e na Bélgica e afeta cidades também na Holanda e na França — Foto: Editoria de Arte/G1

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu nesta sexta um firme comprometimento com a luta contra as mudanças climáticas e afirmou que esta é a única alternativa para frear fenômenos meteorológicos extremos, como as chuvas intensas que castigam o país.

"Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente", afirmou Steinmeier em um pronunciamento, em que disse estar "profundamente arrasado" pela tragédia.

A chanceler Angela Merkel havia dito na quinta-feira (15) que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes, o que requer ações para conter o aquecimento global. "Pequenos rios se transformaram em torrentes inundadas e devastadoras".

1,3 mil desaparecidos na Alemanha

Ponte sobre o rio Ahr destruída pela força da água em Schuld, na Alemanha, em 15 de julho de 2021 — Foto: Michael Probst/AP
Ponte sobre o rio Ahr destruída pela força da água em Schuld, na Alemanha, em 15 de julho de 2021 — Foto: Michael Probst/AP

As fortes enchentes no oeste da Alemanha transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que "varreram" carros, arrancaram árvores e derrubaram ou arrastaram algumas edificações.

Comunidades inteiras ficaram em ruínas após rios transbordarem e varreram cidades e vilas, nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado.

Autoridades alemãs confirmam que 1,3 mil pessoas são consideradas "não reportadas" apenas no distrito de Ahrweiler, a cerca de 40 km o sul da cidade de Colônia.

Ainda não é possível saber quantas estão com problemas de comunicação e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas.

Em Erftstadt, "as casas foram em grande parte destruídas e algumas desabaram", disseram as autoridades locais em uma rede social. "Várias pessoas estão desaparecidas".

As casas desabaram na manhã e equipes de resgate tentam chegar de barco ou helicóptero aos moradores, porque as estradas ao redor da cidade estão intransitáveis ​​após terem sido destruídas pela água.

VÍDEO: Imagens de drone mostram destruição causada por enchentes na Alemanha
VÍDEO: Imagens de drone mostram destruição causada por enchentes na Alemanha

Uma barragem perto da fronteira com a Bélgica transbordou, enquanto outra foi estabilizada.

Cerca de 4,5 mil pessoas foram evacuadas das comunidades a jusante e um trecho da rodovia A61 foi fechado em meio a temores de um possível colapso das estruturas.

Cidades e regiões mais afetadas

São 63 mortes no estado alemão de Renânia-Palatinado, entre elas 12 moradores de uma casa de repouso para pessoas com deficiência na cidade de Sinzig que foram surpreendidos pelo transbordamento do rio Ahr.

Na vizinha Renânia do Norte-Vestfália, as autoridades estaduais estimam em 43 o número de mortos, mas alertam que o número pode aumentar.

Casas desabaram e foram arrastadas pelas águas na aldeia de Schuld, onde muitos estão desaparecidos e quatro mortes já foram confirmadas.

Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021. — Foto: Christoph Reichwein/DPA via AP
Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021. — Foto: Christoph Reichwein/DPA via AP

Outras duas pessoas morreram em porões inundados nas proximidades de Solingen e Unna.

A polícia relatou outra morte no município de Rheinbach, e dois bombeiros morreram durante os trabalhos de resgate nas cidades de Altena e Werdohl.

Infraestrutura danificada

As redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas das regiões atingidas pelas enchentes, e pessoas não estão conseguindo falar com familiares e amigos desaparecidos.

Ao menos 114 mil casas estão sem energia nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado nesta sexta, anunciou a Westnetz, maior empresa de distribuição do país.

A infraestrutura foi completamente destruída e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, a uma televisão alemã. "O sofrimento continua aumentando".

Casas submersas pelas águas de rio que transbordou em Erdorf, na Alemanha — Foto: Harald Tittel/DPA via AP
Casas submersas pelas águas de rio que transbordou em Erdorf, na Alemanha — Foto: Harald Tittel/DPA via AP


Carro coberto em Hagen, na Alemanha, com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta. — Foto: Roberto Pfeil/DPA via AP
Carro coberto em Hagen, na Alemanha, com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta. — Foto: Roberto Pfeil/DPA via AP

Inundações na Bélgica

Na Bélgica, 20 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas e as chuvas constantes durante a noite pioraram as inundações no leste do país, principalmente na região da Valônia.

Em Liège, principal cidade da Valônia o rio Mosa transbordou e o prefeito pediu às pessoas que moram nas proximidades para que se refugiassem em locais mais altos. O município tem 200 mil habitantes.

Mais de 21 mil pessoas continuam sem eletricidade na região.

VÍDEO: Drones mostram ruas alagadas na Bélgica
VÍDEO: Drones mostram ruas alagadas na Bélgica


Carro flutua no rio Mosa durante forte enchente em Liège, na Bélgica, em 15 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP
Carro flutua no rio Mosa durante forte enchente em Liège, na Bélgica, em 15 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP  

Cerca de 10 casas desabaram em Pepinster, após o rio Vesdre inundar a cidade, e moradores foram evacuados de mais de mil casas.

As principais rodovias também foram inundadas nas partes sul e leste do país na quinta-feira (15), e a companhia ferroviária disse que todos os trens foram parados.

Carros danificados em rua inundada em Mery, na província de Liège, na Bélgica, em 14 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP
Carros danificados em rua inundada em Mery, na província de Liège, na Bélgica, em 14 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP


Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica — Foto: Yves Herman/Reuters
Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica — Foto: Yves Herman/Reuters


Lojista observa enchente criar "rio" na principal rua do centro de Spa, na Bélgica, em 14 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP
Lojista observa enchente criar "rio" na principal rua do centro de Spa, na Bélgica, em 14 de julho de 2021 — Foto: Valentin Bianchi/AP

E na Holanda, na França...

No sul da Holanda, perto das fronteiras com a Alemanha e a Bélgica, autoridades da cidade de Valkenburg evacuaram uma casa de repouso e um hospício durante a noite. A principal rua da cidade turística virou um rio.

Autoridades da cidade de Venlo, também no sul, evacuaram cerca de 200 pacientes do hospital devido à ameaça de inundação do rio Mosa, o mesmo que transbordou em Liège, na Bélgica.

O governo holandês enviou na noite de quarta-feira (14) cerca de 70 soldados à província de Limburg, onde ficam Valkenburg e Venlo. Não há relatos de feridos ou mortos relacionados a enchentes na Holanda até o momento.

VÍDEO: Imagens aéreas mostram enchente na Holanda
VÍDEO: Imagens aéreas mostram enchente na Holanda

Chuvas excepcionalmente intensas também inundaram uma parte do nordeste da França nesta semana, derrubando árvores e forçando o fechamento de dezenas de estradas.

Uma rota de trem para Luxemburgo foi interrompida e os bombeiros evacuaram dezenas de pessoas de casas perto da fronteira com Luxemburgo e Alemanha e na região de Marne.

O equivalente a dois meses de chuva caiu em algumas áreas da França nos últimos dias, segundo o serviço nacional de meteorologia do país.

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