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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Ranking da Covid: como o Brasil se compara a outros países em mortes, casos e vacinas aplicadas

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País tem 2,7% da população mundial, aplicou 3,7% das doses de vacinas contra a Covid do planeta e concentra 9,7% de todos os infectados e 12,6% de todos os óbitos.
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Por Lucas Sampaio, G1

Postado em 29 de abril de 2021 às 13h35m


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O Brasil chegou à marca de 400.021 vítimas do novo coronavírus nesta quinta-feira (29), mostram dados do consórcio de veículos de imprensa.

Como o país, um dos mais afetados pela pandemia, está em relação às outras nações? Indo direto ao ponto, o Brasil atualmente é:

  • o 2º país em número de mortes e o 13º em óbitos proporcionais à população
  • o 3º país em casos confirmados e o 35º em infectados em relação à população
  • o 5º país em vacinas aplicadas e o 57º em doses aplicadas a cada 100 habitantes

Resumindo: o Brasil tem 2,7% da população mundial, aplicou 3,8% das doses de vacinas contra a Covid-19 do planeta e concentra 9,7% de todos os casos e 12,6% de todas as mortes.

Brasil e a Covid-19

Mortes Casos confirmados Vacinas aplicadas População
Mundo 3,1 milhões 149 milhões 1,06 bilhão 7,79 bilhões
Brasil 400 mil 14,5 milhões 40,2 milhões 212 milhões
% do total 12,6% 9,7% 3,8% 2,7%

Veja, abaixo, as informações detalhadas. Os dados são do projeto "Our World in Data", ligado à universidade de Oxford.

Mortes por Covid

O Brasil é o 2º país em número absoluto de mortes e o 13º em óbitos proporcionais à população. O país tem apenas 2,7% da população mundial e 12,6% de todos os óbitos causados pela Covid-19:

Os 10 países com mais mortes por Covid

Mortes por Covid % total de óbitos % população mundial
1. EUA 573 mil 18,3% 4,2%
2. Brasil 400 mil 12,6% 2,7%
3. México 215 mil 6,9% 1,7%
4. Índia 201 mil 6,4% 17,7%
5. Reino Unido 127 mil 4,1% 0,9%
6. Itália 119 mil 3,8% 0,8%
7. Rússia 107 mil 3,4% 1,9%
8. França 103 mil 3,3% 0,9%
9. Alemanha 82 mil 2,6% 1,1%
10. Espanha 77 mil 2,5% 0,6%

O Brasil foi, entre 9 de março e 25 de abril, o país com a maior média diária de mortes por Covid-19 do mundo.

Mas foi ultrapassado na segunda-feira (26) pela Índia, que sofre com uma agressiva segunda onda (veja no gráfico abaixo).

Média diária de mortes por Covid-19 — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

O Brasil atingiu seu pico de óbitos até o momento em 12 de abril deste ano, com uma média de mais de 3,1 mil vítimas por dia.

Tal patamar só foi superado até agora pelos Estados Unidos (3,4 mil em janeiro). A média atual da Índia está em 2,6 mil.

O Brasil já havia sido o líder mundial de óbitos entre junho e julho do ano passado, mas na ocasião a média de vítimas era de menos de 1,1 mil por dia (cerca de 1/3 do pico atual).

Média diária de mortes por Covid-19 — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média diária de mortes por Covid-19 — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

Em número de óbitos proporcionais à população, o Brasil é 13º país mais afetado do mundo (1.858 mortes a cada 1 milhão de habitantes). A média mundial é 402.

Somos a nação com mais vítimas da Covid-19 por milhão de habitantes das Américas e só estamos atrás de países europeus no ranking mundial:

Países com mais mortes por Covid a cada 1 milhão de habitantes

1. Hungria 2.793
2. República Tcheca 2.715
3. San Marino 2.651
4. Bósnia e Herzegovina 2.565
5. Montenegro 2.353
6. Bulgária 2.328
7. Macedônia do Norte 2.276
8. Eslováquia 2.119
9. Bélgica 2.079
10. Eslovênia 2.030
11. Itália 1.983
12. Reino Unido 1.881
13. Brasil 1.858
14. Peru 1.820
15. Polônia 1.741
16. EUA 1.732
17. Croácia 1.694
18. México 1.671
19. Espanha 1.665
20. Portugal 1.664

Na média diária de mortes em relação à população, o Brasil é o 8º pior atualmente (com 11,44 novos óbitos a 1 milhão de habitantes). A média mundial é 1,66.

Neste ranking, só estamos atrás de Hungria (20), Uruguai (17), Bósnia e Herzegovina (17), Macedônia do Norte (15), Bulgária (13), Paraguai (12) e Polônia (11,94).

Média diária de mortes a cada 1 milhão de habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média diária de mortes a cada 1 milhão de habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

Casos confirmados

O Brasil é o 3º país com mais casos confirmados e o 35º em número de infectados proporcionais à população. O país tem apenas 2,7% da população mundial e 9,7% de todos os infectados pelo novo coronavírus:

Os 10 países com mais casos de Covid

Casos confirmados % do total de infectados % população mundial
1. EUA 32,1 milhões 21,6% 4,2%
2. Índia 18 milhões 12,1% 17,7%
3. Brasil 14,5 milhões 9,7% 2,7%
4. França 5,6 milhões 3,8% 0,9%
5. Rússia 4,73 milhões 3,2% 1,9%
6. Turquia 4,71 milhões 3,2% 1,1%
7. Reino Unido 4,4 milhões 3,0% 0,9%
8. Itália 4 milhões 2,7% 0,8%
9. Espanha 3,5 milhões 2,4% 0,6%
10. Alemanha 3,4 milhões 2,2% 1,1%

O Brasil tem atualmente a 2ª pior média diária de novos casos de Covid-19 do mundo (56 mil), quase empatado com os EUA (53 mil).

A Índia, que bateu o recorde mundial de infectados em 7 dos últimos 8 dias, lidera disparada o ranking, com uma média diária de 340 mil novos casos (veja no gráfico abaixo).

Média diária de casos confirmados de Covid-19 — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média diária de casos confirmados de Covid-19 — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

O Brasil é o 35º do ranking em número de casos confirmados a cada 1 milhão de habitantes (veja na tabela abaixo).

Estamos atrás de países como EUA (9º), França (17º) e Suíça (24º), mas com números piores do que Itália (36º), Reino Unido (37º) e Argentina (38º):

Países com mais casos confirmados a cada 1 milhão de habitantes

1. Andorra 169 mil
2. Montenegro 154 mil
3. República Tcheca 151 mil
4. San Marino 149 mil
5. Eslovênia 114 mil
6. Luxemburgo 106 mil
7. Bahrein 101 mil
8. Sérvia 100 mil
9. EUA 97 mil
10. Israel 96 mil
11. Suécia 94 mil
12. Estônia 90 mil
13. Lituânia 89 mil
14. Holanda 87 mil
15. Bélgica 84 mil
20. Croácia 79 mil
25. Espanha 74 mil
30. Catar 70 mil
35. Brasil 67 mil
40. Mônaco 62 mil

Na média diária de casos confirmados a cada 1 milhão de habitantes, o Brasil ainda está à frente da Índia, que é o segundo país mais populoso do mundo e tem mais de 1,3 bilhão de pessoas.

Sexto país mais populoso do mundo, com 212 milhões de habitantes, o Brasil tem uma média de 267 novos casos proporcionais, número similar ao da Hungria (264). A Índia tem 246.

Chipre (929), Uruguai (854), Bahrein (620), Turquia (552) e Suécia (515) lideram esse ranking. Entre os países melhores que o Brasil também estão Itália (213), EUA (162) e Cuba (96).

A média mundial é de 105 novos casos a cada 1 milhão de habitantes.

Média diária de casos a cada 1 milhão de habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média diária de casos a cada 1 milhão de habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

Vacinas aplicadas

O Brasil é o 5º país que mais aplicou vacinas contra a Covid-19 e apenas o 58º em número de doses administradas em relação à população. O país tem 2,7% da população mundial e é responsável por 3,8% de todas vacinas aplicadas até o momento:

Os 10 países com mais vacinas contra Covid aplicadas

Vacinas aplicadas % total de doses % população mundial
1. China 235 milhões 22,3% 18,5%
2. EUA 232 milhões 21,9% 4,2%
3. Índia 147 milhões 14,0% 17,7%
4. Reino Unido 47 milhões 4,4% 0,9%
5. Brasil 40 milhões 3,8% 2,7%
6. Alemanha 25 milhões 2,4% 1,1%
7. Turquia 21 milhões 2,0% 1,1%
8. França 20 milhões 1,9% 0,9%
9. Indonésia 19 milhões 1,8% 3,5%
10. Rússia 18 milhões 1,8% 1,1%

O Brasil tem a 4ª maior média de doses aplicadas por dia (908 mil), atrás apenas de China (5,29 milhões), EUA (2,72 milhões) e Índia (2,36 milhões).

Nações europeias e o México completam o top 10: Reino Unido (512 mil), Alemanha (491 mil), França (357 mil), Itália (355 mil), Espanha (305 mil) e México (302 mil).

O melhor ritmo de imunização do país foi atingido no dia 13 de abril (1,14 milhão de doses aplicadas por dia), mas houve uma forte queda posterior devido à falta de imunizantes em diversas cidades.

Com os problemas na entrega e distribuição de doses, a vacinação no Brasil caiu para apenas 336 mil no dia 21, quando chegamos a ser ultrapassados por Alemanha, Reino Unido, México e França.

Mas a imunização contra a Covid-19 voltou a ganhar tração desde então e retomamos o 4º lugar.

Média de vacinas contra Covid-19 aplicadas por dia — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média de vacinas contra Covid-19 aplicadas por dia — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

No ranking em número de doses aplicadas a cada 100 habitantes, o Brasil é o 57º (veja na tabela abaixo).

Estamos atrás de praticamente todos os países da Europa e também de Mongólia (31º), Turquia (48º), Arábia Saudita (51º) e Marrocos (52º), entre outros, na vacinação proporcional ao tamanho da população.

Mas estamos logo à frente de China (59º) e Argentina (60º) e, com 18 doses aplicadas a cada 100 habitantes, ficamos bem à frente da média mundial (13) e de México (12), Rússia (12) e Índia (10).

Vacinas contra Covid aplicadas a cada 100 habitantes

1. Ilhas Seychelles 125
2. Israel 120
3. Emirados Árabes Unidos 104
4. San Marino 79
5. Chile 74
6. Malta 72
7. Bahrein 70
8. EUA 69
9. Reino Unido 69
10. Butão 62
15. Uruguai 48
20. Islândia 33
25. Dinamarca 31
30. Finlândia 30
35. Liechtenstein 30
40. Irlanda 28
45. República Tcheca 27
50. Romênia 25
55. Kuwait 20
57. Brasil 18
60. Argentina 16

Por fim, na média diária de vacinas aplicadas a cada 100 habitantes, o Brasil tem um ritmo similar ao da China (0,43 a 0,37), que tem uma população quase 7 vezes maior.

O ritmo proporcional à população dos dois países é também próximo ao de nações como Dinamarca (0,45), Jamaica (0,44), Noruega (0,41) e Sérvia (0,38).

Entre os países com maior ritmo de vacinação proporcional estão países pequenos como San Marino (média de 1,81 vacinas aplicadas por dia a cada 100 habitantes), Mongólia (1,51) e Maldivas (1,24).

Mas também se destacam no top 20, com uma velocidade muito maior que a do Brasil (0,43), nações com Hungria (1,12), Uruguai (1,07), EUA (0,81), Canadá (0,79), Reino Unido (0,75) e Chile (0,71).

Média de vacinas aplicadas por dia a cada 100 habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte
Média de vacinas aplicadas por dia a cada 100 habitantes — Foto: Anderson Cattai/Editoria de Arte

Comparações adequadas?

É importante fazer uma ressalva sobre os diferentes rankings da pandemia: não é recomendável analisar os desempenhos dos países no combate à Covid-19 apenas por um ou outro indicador, sobretudo de forma isolada, pois cada nação tem as suas especificidades.

Os mais ricos têm populações mais velhas, então podem apresentar uma maior proporção de mortes. Já os mais pobres geralmente enfrentam maior dificuldade para comprar vacinas.

Além disso, as estatísticas de cada país têm graus diferentes de confiabilidade. Há países que testam muito, como o Uruguai e as nações europeias, e outros que testam muito pouco, como o México e as nações africanas.

Há também casos específicos: na Índia, há fortes indícios de subnotificação, principalmente no número de mortes; na Rússia, não são contabilizadas vítimas de complicações da Covid-19; na China, casos assintomáticos não entram para a estatística oficial (mesmo se o teste for positivo).

Mas um conjunto de indicadores, se analisados em profundidade, pode revelar se um país está lidando de forma adequada (ou não) com a pandemia. E também serve para perceber os principais destaques positivos e negativos do mundo.

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O polêmico experimento com células humanas cultivadas em embriões de macaco

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Embriões de macaco com células humanas são agora uma realidade de laboratório. E isso voltou a gerar um forte debate.
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TOPO
Por Helen Briggs, BBC

Postado em 29 de abril de 2021 às 12h35m


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Células humanas foram cultivadas em um embrião de macaco — Foto: WEIZHI JI/KUNMING UNIV OF SCIENCE AND TECHNOLOGY
Células humanas foram cultivadas em um embrião de macaco — Foto: WEIZHI JI/KUNMING UNIV OF SCIENCE AND TECHNOLOGY

Embriões de macaco contendo células humanas foram feitos em um laboratório. A pesquisa, feita por uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e da China, gerou um novo debate sobre a ética de tais experimentos.

Os cientistas injetaram células-tronco humanas (células que têm a capacidade de se desenvolver em muitos tecidos diferentes do corpo) em embriões de macacos.

Os embriões em desenvolvimento foram estudados por até 20 dias.

Outros chamados embriões de espécies mistas, ou quimeras, foram produzidos no passado, com células humanas implantadas em embriões de ovelhas e porcos.

A equipe de cientistas foi liderada pelo professor Juan Carlos Izpisua Belmonte, do Salk Institute, dos Estados Unidos, que, em 2017, ajudou a fazer o primeiro híbrido humano-porco.

O trabalho pode abrir caminho para lidar com a grave escassez de órgãos transplantáveis, além de ajudar a entender mais sobre o desenvolvimento humano inicial, a progressão de doenças e o envelhecimento, disse ele.

"Essas abordagens quiméricas podem ser realmente muito úteis para o avanço da pesquisa biomédica não apenas nos primeiros estágios da vida, mas também no último estágio."

Ele afirmou que o estudo, publicado na revista Cell, atendeu às normas éticas e legais vigentes.

"Em última análise, conduzimos esses estudos para compreender e melhorar a saúde humana", disse ele.

'Desafios éticos'

Alguns cientistas, no entanto, levantaram preocupações sobre o experimento, argumentando que embora os embriões neste caso tenham sido destruídos em 20 dias, outros poderiam tentar levar o trabalho adiante.

Eles estão pedindo um debate público sobre as implicações da criação de quimeras com parte humana e parte não humana.

Anna Smajdor, palestrante e pesquisadora em ética biomédica na Escola de Medicina de Norwich da Universidade de East Anglia, disse, comentando sobre a pesquisa, que ela apresenta "desafios éticos e legais significativos".

Ela acrescentou: "Os cientistas responsáveis por esta pesquisa afirmam que esses embriões quiméricos oferecem novas oportunidades, porque 'não somos capazes de conduzir certos tipos de experimentos em humanos'. Mas se esses embriões são humanos ou não é uma questão em aberto."

Julian Savulescu, da Universidade de Oxford, disse que a pesquisa "abre a caixa de Pandora para quimeras humanas e não-humanas".

"Esses embriões foram destruídos em 20 dias de desenvolvimento, mas é apenas uma questão de tempo antes que as quimeras humano e não humanas sejam desenvolvidas com sucesso, talvez como uma fonte de órgãos para os humanos. Esse é um dos objetivos de longo prazo desta pesquisa", acrescentou Savulescu.

Sarah Norcross, diretora do Progress Educational Trust, disse que "avanços substanciais" estão sendo feitos na pesquisa de embriões e células-tronco, que podem trazer benefícios igualmente substanciais, mas aponta que "há uma clara necessidade de discussão pública e debate sobre as questões éticas e desafios regulatórios levantados".

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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Astronauta Michael Collins, piloto da missão lunar Apollo 11, morre aos 90 anos

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Um dos pioneiros da viagem que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar na Lua em 1969, Collins permaneceu o tempo todo em órbita para garantir o retorno da missão em segurança.
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Por G1

Postado em 28 de abril de 2021 às 14h45m


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VÍDEO: Veja imagens de Michael Collins, comandante da primeira missão do homem à lua
VÍDEO: Veja imagens de Michael Collins, comandante da primeira missão do homem à lua

O astronauta Michael Collins, piloto da missão Apollo 11 – que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin para a Lua em 1969 –, morreu aos 90 anos nesta quarta-feira (28) por conta de um câncer, informou sua família em um comunicado.

"Nós lamentamos compartilhar que nosso amado pai e avô morreu hoje após uma valente batalha contra o câncer", diz a família em nota.

Michael Collins participou da missão pioneira dos EUA que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin para a Lua em 1969 — Foto: Kat Vinson/Arquivo Pessoal
Michael Collins participou da missão pioneira dos EUA que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin para a Lua em 1969 — Foto: Kat Vinson/Arquivo Pessoal

Collins, por ser o piloto da missão que levou os três astronautas para a Lua há mais de 50 anos, permaneceu todo o tempo em órbita e não chegou a pisar no satélite natural. Isso para garantir o retorno seguro dos três astronautas.

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin, os tripulantes da histórica missão Apolo 11 — Foto: Nasa/BBC
Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin, os tripulantes da histórica missão Apolo 11 — Foto: Nasa/BBC

Com a morte de Collins, Buzz Aldrin se tornou o único membro vivo da missão. Ele completou, em janeiro, 91 anos. Neil Armstrong, que foi o primeiro homem a pisar na Lua, morreu em 2012, aos 82 anos.

Aldrin escreveu sobre o amigo e compartilhou uma foto antiga em que ele aparece abraçando Collins, que está ao lado de Armstrong, dentro da espaçonave que projetou os três em direção à Lua.

"Querido Mike, onde quer que você esteve ou vai estar, você sempre terá o fogo que nos carregou para novas alturas e para o futuro. Vamos sentir sua falta. Que descanse em paz", escreveu o astronauta.

Buzz Aldrin abraça Michael Collins ao lado de Neil Armstrong em foto da época da missão lunar Apollo 11 — Foto: Buzz Aldrin/Arquivo Pessoal
Buzz Aldrin abraça Michael Collins ao lado de Neil Armstrong em foto da época da missão lunar Apollo 11 — Foto: Buzz Aldrin/Arquivo Pessoal

'Outro mundo'

A agência espacial norte-americana, Nasa, lamentou a morte de Collins em uma rede social e destacou sua importante missão como o piloto da primeira viagem na história da humanidade a levar astronautas para "outro mundo".

"Um defensor da exploração, o astronauta Michael Collins inspirou gerações e seu legado nos projeta mais fundo no cosmos", disse a Nasa.

Segundo os familiares de Collins, o astronauta passou seus últimos dias "em paz" e ao lado da família. Em nota eles destacam ainda que ele enfrentou seu "último desafio" como encarava todos os que surgiam pela frente: "com graça e humildade".

'O peso do mundo'

Em 2019, durante uma visita ao Cabo Canaveral, na Flórida, de onde partiu para a missão pioneira, Collins falou com a imprensa e disse que "sentia o peso do mundo" sobre os ombros.

Michael Collins, à direita, conversa com o diretor do Centro Espacial Kennedy em sua visita ao Complexo de Lançamentos 39A, na Flórida — Foto: Frank Michaux/NASA
Michael Collins, à direita, conversa com o diretor do Centro Espacial Kennedy em sua visita ao Complexo de Lançamentos 39A, na Flórida — Foto: Frank Michaux/NASA

"A Apollo 11 foi uma coisa séria. Nós da tripulação sentimos o peso do mundo em nossos ombros. Todos os olhos estavam voltados para nós, queríamos ser os melhores possíveis", lembrou na ocasião.

Enquanto seus colegas caminhavam sobre a superfície lunar recolhendo materiais para estudo, Collins foi o responsável por manter o controle da aeronave que orbitava ao redor da Lua para assegurar o retorno dos pioneiros à Terra.

De volta ao nosso planeta, o piloto abandonou a carreira na Nasa para trabalhar na Casa Branca em 1970. Depois desta investida na política, Collins dirigiu o Museu Smithsonian de Washington e abriu uma consultoria aeroespacial.

5 provas irrefutáveis de que o homem pisou na Lua
5 provas irrefutáveis de que o homem pisou na Lua

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terça-feira, 27 de abril de 2021

Aumento nas emissões de carbono pode reduzir em 12% volume de chuvas nos 9 países da Amazônia, diz estudo

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Impacto pode ser maior nos chamados 'rios voadores' que o desmatamento total do bioma. Simulações foram feitas em supercomputador do Inpe. Resultado traz alerta para o combate às mudanças climáticas.
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Por Cristiane Paião, Isabela Leite e Viviane Sousa, GloboNews

Postado em 27 de abril de 2021 às 18h25m


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Arvores na floresta amazônica no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Setec/Divulgação
Arvores na floresta amazônica no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Setec/Divulgação

A elevação dos níveis de gás carbônico (CO2) na atmosfera mundial pode causar uma queda anual de 12% no volume de chuvas nos 9 países que compõem o bioma amazônico nas próximas décadas, se o aumento não for urgentemente controlado.

É o que apontou um estudo internacional publicado na revista "Biogeosciences" por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Técnica de Munique e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com os cientistas, uma alta de 50% nos níveis de gás carbônico (CO2) pode ter um efeito na diminuição das chuvas similar ou até mesmo maior ao da substituição de 100% da mata por pastagens, o que equivaleria ao desmatamento total, e diminuiria a precipitação em valores muito acima da variação natural de 5% entre um ano e outro.

Os resultados chamam a atenção para a necessidade de medidas globais e regionais urgentes para conter as emissões de CO2, causadas, sobretudo, pela atividade industrial, transportes e geração de energias não limpas, por exemplo.

Além disso, com a diminuição da transpiração das árvores, por causa excesso do CO2, a temperatura média pode ter um aumento de até dois graus, uma vez que há menos gotículas de água para amenizar o calor.

Esse fator pode iniciar uma cascata de fenômenos que resultam na inibição da formação da chamada convecção profunda (nuvens de chuva muito altas e carregadas de vapor d’água), com efeito contrário: a estiagem.

As simulações foram feitas no supercomputador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, em Cachoeira Paulista, SP. Nos dois cenários projetados, a redução das chuvas seria causada por uma queda de aproximadamente 20% na transpiração das folhas. As razões para essa diminuição, porém, são diferentes em cada uma das situações.

Como as folhas das árvores possuem em sua superfície aberturas microscópicas, chamadas de estômatos, que captam o CO2 para a fotossíntese, esse processo fica prejudicado com o excesso de gás carbônico. É como se, com o excesso de alimento, a planta ficasse em um desequilíbrio que, ao invés de ajudar, só atrapalha. Os estômatos se abrem e captam a quantidade necessária do gás, ao mesmo tempo em que emitem vapor d’água. No cenário com mais dióxido de carbono no ar, as folhas ficam menos tempo com os estômatos abertos. Com isso, emitem menos vapor e diminuem a formação de nuvens e, portanto, de chuvas.

Vista aérea de área desmatada na floresta amazônica. — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino
Vista aérea de área desmatada na floresta amazônica. — Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

“Como o CO2 é um insumo básico da fotossíntese, quando ele aumenta na atmosfera há um impacto na fisiologia das plantas, o que pode ter um efeito cascata sobre a transferência de umidade das árvores para a atmosfera [transpiração], formação de chuvas na região, biomassa da floresta e uma série de outros processos”, explica David Montenegro Lapola, professor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, que liderou o estudo.

Agora, os pesquisadores querem testar outros modelos computacionais para comparar os resultados simulados. Novos experimentos vão ser feitos pelo projeto AmazonFACE ("Free-Air Carbon Dioxide Enrichment", na sigla em inglês). Instalado ao norte de Manaus, ele vai aumentar a concentração de gás carbônico em pequenas parcelas de floresta, a fim de verificar as reais mudanças fisiológicas e atmosféricas causadas pelo aumento do dióxido de carbono. “O objetivo é tentar projetar possíveis alterações e, se antecipar, ao cenário climático previsto para este século”, explica o pesquisador da Unicamp.

Créditos de carbono

A pesquisa traz ainda o alerta de que, mesmo que o Brasil encontre parceiros em números suficientes para a compra e venda do chamado “mercado de carbono”, a floresta amazônica poderia simplesmente não dar conta de reter o CO2, por causa do impacto em termos de mudanças climáticas, que já começou a chegar. Tema bastante discutido nos últimos dias, o “carbono brasileiro” foi colocado como essencial para a política ambiental pelo presidente Jair Bolsonaro durante o discurso desta quinta-feira (22), na Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a compra e venda do gás – um dos maiores vilões do efeito estufa – mas este assunto desperta debates entre os cientistas.

“Não vai adiantar nada se nós não pararmos a emissão do carbono e o desmatamento, porque não existe atmosfera brasileira, a atmosfera é de todos os países, substâncias que são lançadas em países distantes rapidamente chegam aqui e também impactam as nossas florestas, então, se nós apostarmos em crédito de carbono, mas não tentarmos barrar as mudanças climáticas, não haverá crédito de carbono para vender, porque a floresta vai parar de absorver carbono na atmosfera”, destaca Lapola.

Alerta para São Paulo

De acordo com especialistas, o desmatamento da Amazônia tem impacto direto em outras regiões e biomas do país. Provocando, inclusive, a escassez de chuva no sudeste por causa do impacto nos chamados “rios voadores”, que deslocam a humidade em correntes de ar, situação que reacende o sinal de alerta no estado de São Paulo, na medida em que os níveis dos mananciais começam a cair.

Na região metropolitana da capital paulista, os dois principais reservatórios estão com o nível de armazenamento mais baixo do que em 2013, ano em que começou uma das maiores crises hídricas de São Paulo. O Sistema Cantareira, o maior do estado e o mais importante para a grande São Paulo, está com 51% da capacidade de armazenamento. Em 2013, estava com 63% nesse mesmo período. Já o Alto Tietê, segundo maior do estado, opera com 59,3%, e em 2013 estava com 67,2%.

Atualmente, o volume armazenado nos 7 sistemas de mananciais de São Paulo é de 1.141,97 hm³ (milhões de metros cúbicos), abaixo de 2013 – quando eram 1268,24 hm³. Isso, já contando o novo sistema São Lourenço, que não existia em 2013 e foi inaugurado em 2018. De acordo com dados do Inmet, neste mês de abril choveu 49,4 milímetros, o que representa cerca de 40% dos 82,1 mm da média histórica para o mês. Contudo, no Sistema Cantareira, choveu apenas 8,5mm, ou seja, 10% do esperado para o mês, de um total de 83,1 mm.

Por tudo isso, alguns especialistas estão preocupados com uma possível crise em 2022. “É muito importante que a população perceba que a mudança climática decorrente do desmatamento da Amazônia não é uma aposta para o futuro, não é algo que pode acontecer, isso já está acontecendo, ressalta Pedro Cortês, geólogo, especialista em recursos hídricos e professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

Vista aérea feita com drone da Represa do Jaguari, partindo da cidade de Jacareí, no interior paulista, que compõe o Sistema Cantareira — Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo
Vista aérea feita com drone da Represa do Jaguari, partindo da cidade de Jacareí, no interior paulista, que compõe o Sistema Cantareira — Foto: Nilton Cardin/Estadão Conteúdo

De acordo com o pesquisador, está chovendo menos no Sistema Cantareira nos últimos 10 anos porque as chuvas que o abastecem dependem da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCA), e dos “rios voadores” que vem da Amazônia e irrigam com chuvas as regiões Sudeste e Sul do Brasil. Essas chuvas têm origem na Amazônia como um todo, incluindo a parte internacional do bioma que tem sofrido fortemente impactos ambientais. Com isso, o Sistema Cantareira, segundo ele, tem apresentado déficit nos gráficos. Uma possível saída, seria, para ela, que as autoridades competentes trabalhassem mais ativamente prognósticos climáticos que indicassem redução de chuvas inclusive no verão. Além disso, também seria prediso estimular a população a economizar água por meio de campanhas mais incisivas, adotando novamente a política de bônus, por exemplo, para quem economizasse água.

“Ao longo dos últimos 10 anos nós pagamos mais caro pela conta da energia elétrica que é gerada nas termelétricas ao invés das hidrelétricas, e isso repercute também no abastecimento na região metropolitana de São Paulo e em outras regiões. Ou seja, nós já temos o prejuízo que é monetizável em relação ao desmatamento da Amazônia, então, seria necessário interromper esse processo e não só isso iniciar um processo de recuperação das áreas degradadas para evitar que esse feito se intensifique”, conclui Cortês.

Resposta da Sabesp

A Sabesp informa que não há risco de desabastecimento neste momento na Região Metropolitana, mas reforça a necessidade do uso consciente da água em qualquer época. Composto por sete mananciais (Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço), o sistema é integrado, permitindo transferências rotineiras entre regiões e dando mais segurança ao abastecimento. Isso é possível porque obras vêm sendo realizadas desde a crise hídrica, com destaque para a Interligação Jaguari-Atibainha (que traz água da bacia do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira) e o novo Sistema São Lourenço. Além das obras e ações, campanhas sobre o uso consciente são veiculadas ao longo do ano. Nesta quarta (21/4), o Sistema Integrado opera com 58,7% da capacidade, nível similar, por exemplo, aos 63,5% de 2018, quando não houve problemas. A projeção da Sabesp aponta níveis satisfatórios para passar pela estiagem (maio a setembro), mas, mais uma vez, a Companhia reforça a necessidade de uso consciente.

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