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terça-feira, 9 de março de 2021

Setor de serviços começa 2021 com alta de 0,6%, aponta IBGE

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Em janeiro, país completou uma sequência de oito meses sem registrar queda no volume de serviços prestados, mas ainda se encontra 3% abaixo do patamar pré-pandemia. No acumulado em 12 meses, indicador registrou queda recorde de 8,3%.
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Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro

Postado em 09 de março de 2021 às 13h35m


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Transporte rodoviário de passageiros foi o principal destaque positivo do setor de serviços em janeiro. Na foto, movimento da rodoviária do Tietê (SP) no dia 4 de janeiro — Foto: Reprodução/TV Globo
Transporte rodoviário de passageiros foi o principal destaque positivo do setor de serviços em janeiro. Na foto, movimento da rodoviária do Tietê (SP) no dia 4 de janeiro — Foto: Reprodução/TV Globo

O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 0,6% em janeiro, na comparação com dezembro, completando uma sequência de oito meses sem registrar queda. Todavia, o setor ainda não conseguiu recuperar todas as perdas diante da pandemia do coronavírus. É o que apontam os dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desempenho do setor de serviços em janeiro — Foto: Economia G1
Desempenho do setor de serviços em janeiro — Foto: Economia G1

Na comparação com janeiro de 2020, o setor de serviços registrou queda de 4,7%, o segundo pior resultado para o primeiro mês do ano de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012 – ficando atrás somente de janeiro de 2016, quando o tombo foi de 5%. Já o indicador acumulado em 12 meses apresentou recuo de 8,3%, variação negativa recorde para um mês de janeiro.

O setor, que tem o maior peso na economia brasileira, fechou 2020 com um tombo recorde de 7,8%, tendo sido a principal influência negativa sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do país, que teve queda de 4,1%, a maior retração registrada nos últimos 25 anos.

Setor de serviços registra alta de 0,6% em janeiro, aponta IBGE
Setor de serviços registra alta de 0,6% em janeiro, aponta IBGE

O resultado de dezembro foi revisado pelo IBGE. Inicialmente, havia sido apurada uma queda de 0,2%, que interrompia uma sequência de seis taxas positivas. Esse recuo, no entanto, que foi revisto para uma variação nula.

Com oito meses sem variação negativa no volume de serviços prestados, o setor acumula ganho de 19,6% no período. Porém, mesmo com esse crescimento, o patamar do setor ainda se encontra 3% abaixo de fevereiro de 2020, antes de ser declarada a pandemia. Além disso, está 13,8% abaixo do ponto mais alto do setor, registrado em novembro de 2014.

Dentre as cinco grandes atividades do setor, apenas uma apresentava, em janeiro, recuperação das perdas registradas com a pandemia.

Somente o segmento de informação e comunicação havia recuperado as perdas com a pandemia até janeiro. — Foto: Economia/G1
Somente o segmento de informação e comunicação havia recuperado as perdas com a pandemia até janeiro. — Foto: Economia/G1

Segmento de transportes puxa alta no mês

Das cinco grandes atividades do setor de serviços, apenas duas registraram crescimento no primeiro mês do ano: a de transportes, com alta de 3,1%, e a de serviços profissionais, administrativos e complementares, com avanço de 3,4%.

Embora os serviços de transporte tenham crescido menos que os profissionais, foi ele o principal responsável pela alta geral do setor em janeiro. De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo, "todos os segmentos dentro do setor de transportes mostraram crescimento e esse espalhamento ajuda a explicar o resultado".

Segundo o pesquisador, dentre as atividades de transporte com maior crescimento estão o rodoviário coletivo de passageiros, que inclui ônibus que fazem viagens municipais, estaduais e internacionais, e o aéreo de passageiros.

“Isso pode ser um reflexo do aumento da flexibilização das medidas de isolamento, com os traslados das pessoas pelas cidades brasileiras, utilizando transporte público. Talvez essas viagens sejam motivadas pela época do ano, quando acontecem as férias”, apontou Lobo.

Já para o segmento de serviços profissionais, segundo o pesquisador, “o que mais chamou atenção foi a expansão dos serviços técnico-profissionais, como serviços de engenharia e atividades correlacionadas a engenharia e arquitetura”.

Lobo destacou, ainda, que o segmento de transportes acumulou ganho de 29,6% entre maio de 2020 e janeiro de 2021, mas ainda se encontra 2,7% abaixo do patamar de fevereiro. Já o de serviços profissionais acumulou alta de 13,9% desde junho de 2020, mas ainda sem eliminar a perda de 20% acumulada entre novembro de 2019 e maio de 2020.

Segmento de transportes puxou alta do setor de serviços em janeiro, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1
Segmento de transportes puxou alta do setor de serviços em janeiro, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1

Dentre as outras três grandes atividades do setor de serviços, a maior retração foi em "outros serviços", que registrou queda de 9,2%, revertendo o o ganho acumulado de 5,7% entre novembro e dezembro. De acordo com o gerente da pesquisa, esse recuo foi puxado pelas corretoras de títulos e valores imobiliários.

"Esse segmento de serviços financeiros auxiliares tem uma característica importante, que é o pagamento de taxas de performance no mês de dezembro. Então as receitas mudam e a base de comparação é mais elevada. Isso acaba trazendo algum tipo de devolução importante no mês subsequente, que é janeiro”, explicou Lobo.

Os serviços de informação e comunicação (-0,7%) perderam parte do ganho acumulado de 4,7% entre setembro e dezembro de 2020. Segundo Lobo, essa queda foi pressionada pelos serviços de desenvolvimento e licenciamento de software, atividades de TV aberta, consultoria em tecnologia da informação e portais, provedores de conteúdo e ferramentas de busca na internet.

Já os serviços prestados às famílias tiveram retração de 1,5%, a segunda taxa negativa seguida, e acumularam no período uma perda de 5,5%. Com isso, há uma retração do avanço acumulado de 68,5% pelo setor entre agosto e novembro de 2020.

Veja abaixo a variação dos subgrupos de cada uma das cinco grandes atividades se serviços:

  • Serviços prestados às famílias: -1,5%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -0,9%
  • Outros serviços prestados às famílias: 0,5%
  • Serviços de informação e comunicação: -0,7%
  • Serviços de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC): 0,6%
  • Telecomunicações: 1,6%
  • Serviços de Tecnologia da Informação: -1,3%
  • Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias: -9,3%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: 3,4%
  • Serviços técnico-profissionais: 3%
  • Serviços administrativos e complementares: 1,7%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 3,1%
  • Transporte terrestre: 3,9%
  • Transporte aquaviário: 3,1%
  • Transporte aéreo: 11,1%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 0,6%
  • Outros serviços: -9,2%
11ª taxa negativa na comparação interanual

Na comparação com janeiro de 2020, o setor de serviços prestados teve queda de 4,7%, completando a 11ª taxa negativa seguida nesta base de comparação (mês contra igual mês do ano anterior).

Das cinco grandes atividades do setor, apenas uma registrou crescimento. Segundo o IBGE, a maior influência negativa veio dos serviços prestados às famílias, pressionados, principalmente, por atividades tradicionalmente presenciais, como restaurantes, hotéis e serviços de bufê.

Veja o resultado de cada uma das 5 grandes atividades na comparação com janeiro de 2020:

  • Serviços de informação e comunicação: 1,7%
  • Outros serviços: -2,2%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -4%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -6,7%
  • Serviços prestados às famílias: -27,6%
Queda em 14 das 27 unidades da federação

Na análise regional, o setor de serviços registrou queda em 14 das 27 Unidades da Federação na passagem de dezembro para janeiro. As quedas mais intensas foram registradas em Rondônia, Alagoas e Bahia.

Dentre as demais UFs, 12 registraram alta no mês, sendo a do Distrito Federal a taxa mais expressiva. Uma, Rio de Janeiro, registrou variação nula.

Veja abaixo o resultado de cada uma das 27 UFs:

  • Rondônia, -15,6%
  • Alagoas:-8,5%
  • Bahia: -6,3%
  • Mato Grosso:-5,2%
  • Mato Grosso do Sul: -4,2%
  • Ceará: -2,7%
  • Maranhão: -2,4%
  • Goiás: -2,3%
  • Pará: -1,6%
  • Rio Grande do Sul: -1,5%
  • Paraná: -1,1%
  • Roraima: -0,9%
  • Piauí: -0,9%
  • Sergipe: -0,6%
  • Rio de Janeiro: 0
  • São Paulo: 0,5%
  • Espírito Santo: 1%
  • Rio Grande do Norte: 1,6%
  • Paraíba: 1,6%
  • Pernambuco:1,6%
  • Santa Catarina: 2%
  • Acre: 2,1%
  • Minas Gerais:2,6%
  • Amazonas: 3,5%
  • Tocantins: 4%
  • Amapá: 4,3%
  • Distrito Federal: 10,9%
Alta de 0,7% no índice de atividades turísticas

O levantamento do IBGE mostrou, ainda, que o índice de atividades turísticas cresceu 0,7% em janeiro na comparação com dezembro, quando o indicador havia ficado estável (0,0%).

O instituto destacou que o segmento do turismo avançou 122,8% entre maio de 2020 e janeiro de 2021, mas, para retornar ao patamar de fevereiro, ainda precisa crescer 42,1%.

“Com o aumento da flexibilização e, consequentemente, aumento de movimento das pessoas nas ruas, de viagens, de almoços em restaurantes, transportes de passageiros, seja terrestre ou aéreo, o setor turístico refletiu o movimento em vários desses segmentos de prestação de serviços presenciais. Ainda está distante de voltar ao patamar de fevereiro, mas dá um pequeno passo adiante”, avaliou o gerente da pesquisa.

Das 12 Unidades da Federação investigadas, nove registraram expansão da atividade turística em janeiro, com destaque para Rio de Janeiro (4,4%), Rio Grande do Sul (11,4%) e Distrito Federal (10,4%). Já as retrações mais relevantes foram observadas em de São Paulo (-1,7%), Goiás (-7,4%) e Minas Gerias (-3,1%).

Na comparação com janeiro de 2020, o índice de volume de atividades turísticas no país caiu 29,1% - 11ª taxa negativa seguida. A queda foi disseminada entre as 12 UFs investigadas, com destaque para São Paulo (-37,7%), Rio de Janeiro (-27,5%), Minas Gerais (-32,8%), Paraná (-28,7%) e Rio Grande do Sul (-29,7%).

Perspectivas

Setor de maior peso na economia brasileira (os serviços representam cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país) ainda precisa avançar muito para recuperar as perdas acumuladas com a pandemia do coronavírus – o volume de serviços prestados em janeiro ainda se encontrava 3% abaixo do patamar de fevereiro.

Diante da escalada da crise sanitária, que tem levado alguns estados e municípios a retomarem medidas rígidas de distanciamento social, é possível que essa recuperação demore ainda mais a acontecer.

"É inegável que a gente tem uma correlação importante entre o recrudescimento da pandemia sobre as ações que os governos nas suas diversas esferas possam adotar em relação ao impedimento de deslocamento das pessoas e o impacto disso no consumo das famílias", avaliou o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo.

O pesquisador enfatizou que não é possível prever qual o impacto das novas medidas que estão sendo adotadas pelos governos possam ter sobre o setor de serviços. No entanto, ele enfatizou que os eventuais reflexos sobre o mercado de trabalho podem agravar a situação.

"Perdas de trabalho e de renda também vão promover redução do consumo de serviços prestados às famílias", destacou.

Em meio ao avanço do número de casos confirmados de Covid-19 e de mortes provocadas pela doença, o mercado financeiro reduziu a perspectiva de alta da economia brasileira nesta semana. Conforme o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, os economistas das principais instituições financeiras do país reduziram de 3,29% para 3,26% a estimativa de crescimento do PIB para este ano. Ao final de 2020, a projeção dos analistas era de um crescimento de 3,39%.

Já para a inflação, o mercado financeiro elevou sua projeção pela nona vez seguida. A previsão dos analistas é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação oficial do país, deve fechar o ano em 3,98%, acima da meta central do governo, que é de 3,75%. Pelo sistema de metas, não haverá descumprimento se o índice oscilar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

Outras projeções dos analistas para a economia brasileira em 2021 apontam que o dólar pode chegar a ser cotado em R$ 5,15 no final do ano - na semana passada, a estimativa para a taxa de câmbio era de R$ 5,10. Já para a balança comercial, a projeção do saldo (resultado do total de exportações menos as importações) caiu de US$ 55,10 bilhões para US$ 55 bilhões de resultado positivo, enquanto a estimativa para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil recuou de US$ 55 bilhões para US$ 52,5 bilhões.

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Com vacinação e estímulo nos EUA, OCDE eleva estimativas para PIB global e do Brasil

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Mundo deve crescer 5,6% este ano e 4% no próximo. Para o Brasil, projeção é de um crescimento de 3,7% em 2021 e de 2,7% em 2022.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 09 de março 2021 às 13h00m


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O cenário econômico global melhorou conforme a distribuição de vacinas ganha velocidade e os Estados Unidos lança um forte pacote de estímulo novo, disse nesta terça-feira (9) a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), elevando suas estimativas.

A economia mundial deve se recuperar este ano com um crescimento de 5,6% e expandir 4,0% em 2022, disse a OCDE em sua perspectiva econômica. Isso marcou um forte aumento em relação a seu cenário anterior feito em dezembro, quando projetou crescimento global de 4,2% este ano e 3,7% no próximo.

Para o Brasil, a OCDE projeta um crescimento de 3,7% em 2021 e de 2,7% em 2022, ambos revisados para cima em relação a dezembro, respectivamente 1,1 e 0,5 ponto percentual.

Estimativas da OCDE para o PIB — Foto: Economia G11
Estimativas da OCDE para o PIB — Foto: Economia G11

Mas riscos importantes surgem sobre a perspectiva melhor, destacadamente na forma da rapidez com que as autoridades vacinam as pessoas, quando as restrições serão levantadas e se novas variantes serão controladas.

"Não vacinar rápido o suficiente arrisca prejudicar o estímulo fiscal que foi adotado", disse a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, em entrevista à imprensa online.

Destacando a Europa por sua lenta distribuição de vacinas, ela disse que o dinheiro de governos injetado na economia corre o risco de acabar na poupança dos consumidores se não puderem voltar em breve à vida mais normal.

A expectativa é de que o Produto Interno Bruto global retorne aos níveis pré-pandemia até meados deste ano, embora com amplas divergências entre os países.

"O ritmo de vacinações não é rápido o suficiente para consolidar a recuperação, precisamos ir muito mais rápido e precisamos agir muito melhor", disse Boone.

O pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão dos Estados Unidos irá repercutir em outros países, somando mais de um ponto percentual ao crescimento global. A economia dos EUA crescerá 6,5% este ano e 4,0% no próximo, disse a OCDE, elevando sua estimativas ante 3,2% e 3,5% respectivamente em dezembro.

Por sua vez, o estímulo será um impulso para os principais parceiros comerciais dos EUA, ampliando o crescimento em 0,5-1 ponto percentual no Canadá e México, e entre 0,25-0,5 na zona do euro e na China, disse a OCDE.

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segunda-feira, 8 de março de 2021

Analistas do mercado elevam estimativa de inflação para 3,98% em 2021 e veem alta menor do PIB

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Esta foi a nona alta seguida na expectativa de inflação medida pelo boletim Focus, do Banco Central. Previsão de alta do PIB passou de 3,29% para 3,26%.
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Postado em 08 de março de 2021 às 11h35m


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Os economistas das instituições financeiras elevaram a estimativa de inflação para 2021 pela nona semana seguida e também passaram a projetar uma alta menor do Produto Interno Bruto (PIB).

As informações estão no boletim de mercado, conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, a expectativa do mercado para este ano passou de 3,87% para 3,98%.

Com o novo aumento, a expectativa de inflação do mercado continua acima da meta central deste ano, de 3,75%. Pelo sistema de metas, não haverá descumprimento se a inflação oscilar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro manteve em 3,50% a previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Expansão da economia

Sobre o comportamento da economia brasileira em 2021, os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,29% para 3,26% na semana passada.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou de 2,50% para 2,48% a estimativa de expansão do PIB.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia de Covid-19, que derrubou a economia mundial e colocou o mundo no caminho de uma recessão. Nos últimos meses, porém, indicadores têm mostrado uma retomada da economia brasileira.

Taxa básica de juros

O mercado financeiro também segue prevendo que o processo de alta dos juros básicos da economia, fixados pelo BC para controlar a inflação, começará em meados de março, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A expectativa dos analistas dos bancos continua sendo de que a taxa passe de 2% para 2,25% ao ano neste mês. Para o fim de 2021, a previsão continuou em 4% ao ano.

Para o fechamento de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa de 5% para 5,5% ao ano, ou seja, passaram a estimar uma alta maior da taxa Selic.

Outras estimativas

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 subiu de R$ 5,10 para R$ 5,15. Para o fechamento de 2022, avançou de R$ 5,03 para R$ 5,13 por dólar.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 caiu de US$ 55,10 bilhões para US$ 55 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado permaneceu em US$ 50 bilhões de superávit.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano recuou de US$ 55 bilhões para US$ 52,5 bilhões. Para 2022, a estimativa caiu de US$ 64,4 bilhões para US$ 61,9 bilhões.

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domingo, 7 de março de 2021

Os 6 números que definem todo o Universo

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Todas as evidências e teorias baseadas em observações do Universo podem ser reunidas em um modelo padrão de cosmologia que tem apenas seis parâmetros.
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TOPO
Por BBC

Postado em 07 de março de 2021 às 19h00m


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Todas as evidências e teorias baseadas em observações do universo podem ser reunidas em um modelo padrão de cosmologia que tem apenas seis parâmetros — Foto: Getty Images via BBC
Todas as evidências e teorias baseadas em observações do universo podem ser reunidas em um modelo padrão de cosmologia que tem apenas seis parâmetros — Foto: Getty Images via BBC

Neste trecho editado do The Little Book of Cosmology ("O Pequeno Livro da Cosmologia", em tradução literal, publicado pela Princeton University Press e reproduzido aqui com permissão da editora), o professor de física Lyman Page explica como nosso modelo de Universo é baseado apenas em seis parâmetros.

Como estudamos o Universo como um todo?

Meu trabalho se concentra na radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB, na sigla em inglês) — os tênues resquícios de energia do Big Bang — e como medi-la pode guiar nosso caminho para a compreensão do Universo.

Mas há muitas outras maneiras de estudar o cosmos, e os físicos que o fazem se especializam em tudo, desde a relatividade geral até a termodinâmica e a teoria das partículas elementares.

Fazemos observações em quase todos os regimes de comprimento de onda acessíveis para medição e com detectores de partículas de última geração.

As observações provêm de lugares próximos e dos confins mais distantes do espaço.

Todas essas evidências e teorias podem ser reunidas em um modelo padrão surpreendentemente simples de cosmologia, que tem apenas seis parâmetros.

Esses são os números que definem todo o Universo.

O conteúdo do Universo

Os primeiros três parâmetros nos falam sobre o conteúdo do Universo.

A matéria escura constitui 25% do Universo — Foto: Getty Images via BBC
A matéria escura constitui 25% do Universo — Foto: Getty Images via BBC

Nós os descrevemos como frações de uma estimativa total de matéria e energia, como os componentes de um gráfico de pizza.

O primeiro parâmetro descreve a quantidade de matéria normal, átomos, no Universo, e diz que eles representam apenas 5% do Universo.

O segundo parâmetro descreve a matéria escura, um tipo de partícula elementar nova que ainda não entendemos, que representa 25% do Universo.

Surpreendentemente, a quantidade de matéria escura, que podemos derivar das nossas medições das diminutas flutuações de temperatura da radiação cósmica de fundo, coincide com o valor deduzido das observações dos movimentos das estrelas e galáxias.

No entanto, o valor que obtemos das medições da CMB é muito mais preciso.

Nossas medições também nos dizem algo mais.

Como a CMB chega até nós desde a Era da Recombinação (ou do Desacoplamento), quando o Universo primordial se resfriou o suficiente para liberar os fótons do plasma quente que os uniu por várias centenas de milhares de anos após o Big Bang, fazendo com que o Universo se tornasse transparente, podemos ver que a matéria escura claramente existia nos primórdios do Universo.

Além disso, podemos ver que os átomos, a matéria de que somos feitos, representam apenas um sexto da massa total do Universo.

O terceiro parâmetro é a constante cosmológica, a misteriosa energia escura que está na raiz da expansão acelerada do Universo.

Ela representa 70% da estimativa total de matéria e energia do Universo. Também não sabemos o que é essa energia escura, mas sabemos que ela existe, porque medimos diretamente sua presença por meio da aceleração cósmica.

Estrelas e galáxias em formação

O quarto parâmetro é a profundidade óptica, ou quão opaco o Universo era para os fótons que viajam por ele.

Este é o mais astrofísico de todos os parâmetros do modelo padrão da cosmologia.

Com isso, queremos dizer que ele captura nosso escasso conhecimento de todo o complexo processo de formação e subsequente explosão das primeiras estrelas e formação das primeiras galáxias no Universo.

A intensa luz dessas primeiras estrelas e galáxias quebrou o hidrogênio que prevalecia no cosmos em prótons e elétrons que o compõem, causando a reionização do Universo.

Nesse processo, cerca de 5 a 8% dos fótons da CMB, os fótons que haviam sido liberados no momento do desacoplamento, se dispersaram novamente.

Para fazer uma analogia, considerando que o Universo antes era transparente, é como se tivesse entrado um pouco de névoa.

Não muito forte, você ainda consegue ver um litoral distante, mas a visibilidade foi reduzida. Curiosamente, para determinar a profundidade óptica do Universo, é feita uma medição da polarização da CMB.

A polarização, junto com a intensidade e o comprimento de onda, é uma das três características de uma onda de luz. A polarização especifica a direção na qual uma onda de luz oscila.

Por exemplo, a luz que reflete no capô do seu carro está polarizada horizontalmente. Ou seja, a onda de luz oscila de um lado para o outro horizontalmente.

Os óculos escuros polarizados bloqueiam essa direção de oscilação e seu reflexo associado.

Da mesma forma, os elétrons liberados pelo processo de reionização dispersaram e polarizaram os fótons da CMB.

Se você pudesse olhar para a CMB com ou sem "óculos escuros" polarizados, veria que parece ligeiramente diferente.
Com esses seis parâmetros, podemos calcular as características não apenas da CMB, mas também de qualquer medição cosmológica que desejamos fazer — Foto: Getty Images via BBC
Com esses seis parâmetros, podemos calcular as características não apenas da CMB, mas também de qualquer medição cosmológica que desejamos fazer — Foto: Getty Images via BBC

Flutuações quânticas

Os dois últimos parâmetros descrevem as origens das diminutas flutuações que deram origem a toda a estrutura que observamos hoje no Universo.

Se tivéssemos um modelo completo do Universo, que começasse com pequenas flutuações quânticas e previsse com sucesso quais seriam as flutuações da matéria em esferas com 25 milhões de anos-luz de diâmetro, poderíamos eliminar um desses dois parâmetros.

Infelizmente, embora tenhamos um esboço muito bem sucedido para entender como o Universo evoluiu, ainda não conhecemos todas as conexões, por isso precisamos desse parâmetro.

É chamado de espectro de potência primordial e descreve as flutuações na densidade do Universo no espaço tridimensional.

No início do Universo, essas flutuações eram pequenas, mas à medida que o Universo se expandiu, essas variações de densidade se tornaram grandes em todo o cosmos.

Onde havia áreas ligeiramente mais densas no cosmos primordial, a matéria continuou a se agrupar, e agora podemos ver galáxias ou aglomerados de galáxias; em outras, onde havia menos densidade, não vemos quase nada.

O parâmetro restante, chamado índice espectral escalar, é o mais difícil de entender, mas também é nossa melhor janela para o nascimento do Universo.

Ele nos diz como as flutuações primordiais, as pequenas variações de energia que estavam presentes no Universo primitivo, dependem da escala angular.

Para compreender isso melhor, vamos usar uma analogia musical.

Este último parâmetro cosmológico nos permite distinguir entre "ruído branco" e, digamos, "ruído rosa", em que as notas graves (análogas às escalas angulares grandes) têm um volume maior do que as notas agudas (análogas às escalas angulares pequenas).

Usando a CMB, descobrimos que as flutuações primordiais eram ligeiramente maiores em amplitude em escalas angulares grandes do que em escalas menores. Em outras palavras, o ruído cósmico primordial é ligeiramente rosado.

Com esses seis parâmetros, podemos calcular as características não apenas da CMB, mas também de qualquer medição cosmológica que desejamos fazer.

Podemos, por exemplo, calcular a idade do Universo: 13,8 bilhões de anos (pode haver uma variação aproximada de 40 milhões de anos).

A observação mais restritiva é a da anisotropia da CMB: as diminutas flutuações da temperatura.

No entanto, o modelo padrão da cosmologia é consistente com todas as medições de todas as áreas da física e da astronomia.

Em suma, não importa como olhamos para o cosmos — por meio de sondagens de galáxias, de estrelas em explosão, da abundância de elementos de luz, das velocidades das galáxias ou da CMB —, nós só precisamos de todos os seis parâmetros explicados acima, e processos físicos conhecidos, para descrever o Universo que observamos.

O que significa ser capaz de descrever algo de forma tão simples e quantitativa? Significa que entendemos como as peças do Universo se encaixam para formar o todo. Entendemos algumas conexões profundas na natureza.

Isso significa que se pode demonstrar que estamos errados, não com diferentes argumentos, mas com um modelo quantitativo melhor que descreve mais aspectos da natureza.

Há poucos sistemas estudados por cientistas que podem ser descritos de forma tão simples, completa e com tanta precisão. Temos sorte de o Universo observável ser um deles.

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Pesquisador de Viçosa publica estudo que identifica o cachorro mais antigo das Américas

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Fragmento pré-histórico de osso foi descoberto no Alasca. Flávio Augusto da Silva Coelho foi o principal autor de um artigo científico realizado em um doutorado na Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos.
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Por G1 Zona da Mata

Postado em 07 de março de 2021 às 15h15m


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Graduado na UFV, Flávio Coelho segura o fragmento de osso descoberto no Alasca — Foto: UFV/Divulgação
Graduado na UFV, Flávio Coelho segura o fragmento de osso descoberto no Alasca — Foto: UFV/Divulgação

O pesquisador viçosense Flávio Augusto da Silva Coelho publicou recentemente um estudo que identificou, num fragmento pré-histórico de osso descoberto no Alasca, que pertence aos Estados Unidos, o cachorro mais antigo já encontrado no continente americano.

O artigo publicado na revista Proceeding of Royal Society B e repercutido em sites internacionais importantes como Science e National Geographic tem como principal autor o biólogo que é bacharel em Ciências Biológicas e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

De acordo com o estudo, o cachorro teria surgido na Sibéria e vindo para o continente americano com os ancestrais dos seres humanos, o que reforça a expressão de “melhor amigo do homem”, já que nem o período glacial separou os dois seres.

“Desde que foram domesticados, os cães sempre acompanharam os seres humanos. Por isso, a presença deles é um forte indicativo da presença de nossa espécie, ajudando a entender a ocupação do planeta por nós", revelou o pesquisador.

Atualmente, ele cursa doutorado na Universidade de Buffalo e estuda a evolução e biogeografia de mamíferos no sudeste do Alasca, e a descoberta contribui para o entendimento do modo como os primeiros Homo sapiens chegaram ao que, milhares de anos depois, viria a se tornar a América.

Uma das conclusões mais significativas no estudo, que também é assinado por Stephanie Gill, Crystal M. Tomlin Timothy H. Heaton e Charlotte Lindqvist, diz respeito à trajetória dos seres humanos na vinda da Ásia para o Alasca e além.

A teoria mais aceita era a de que o deslocamento teria ocorrido numa rota surgida no interior do território, então ocupado por duas grandes geleiras. Isso porque os restos do que antes era o cachorro mais antigo haviam sido encontrados em uma região central dos Estados Unidos, que sugere um percurso por dentro do continente.

"Nossas análises apoiam um caminho diferente, pela costa oeste, à margem do que hoje é o Oceano Pacífico", observou Flávio, acrescentando que, na época, o "litoral" era bem distinto de como é hoje.

"A maior parte da água estava congelada nos polos, então o nível dos oceanos era muito mais baixo, algo em torno de 150 metros. Isso tornava possível andar em muitas áreas que estão atualmente submersas", destacou o pesquisador.

O estudo continua e ainda existem muitas perguntas a serem respondidas como, por exemplo, como se deu o deslocamento entre as regiões do planeta.

"Ainda não se sabe se a travessia aconteceu a pé ou em algum tipo de embarcação, por exemplo. Nem por qual razão os seres humanos vieram. Mas sabemos que, quem veio, teve a companhia de cachorros", completou.

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