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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

MacKenzie Scott, ex-mulher de Jeff Bezos, homem mais rico do mundo, doa R$ 20 bi em 4 meses

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Ela é a 18ª pessoa mais rica do mundo, e viu sua fortuna crescer de US$ 23,6 bilhões para US$ 60,7 bilhões neste ano, graças à valorização da Amazon. 
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TOPO
Por BBC  
16/12/2020 08h18 Atualizado há 4 horas
Postado em 16 de dezembro de 2020 às 12h20m



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MacKenzie Scott doou o equivalente a R$ 30 bilhões neste ano para atingidos pela pandemia — Foto: Reuters
MacKenzie Scott doou o equivalente a R$ 30 bilhões neste ano para atingidos pela pandemia — Foto: Reuters

MacKenzie Scott, escritora que se divorciou em 2019 do fundador da Amazon, Jeff Bezos, doou mais de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) para bancos de alimentos e fundos de auxílio emergencial num período de quatro meses.

Em um texto publicado no site Medium, Scott afirmou que buscava ajudar os americanos que estão sofrendo com a pandemia de covid-19.

Ela é a 18ª pessoa mais rica do mundo, e viu sua fortuna crescer de US$ 23,6 bilhões para US$ 60,7 bilhões neste ano, graças à valorização da Amazon.

A companhia foi fundada por Jeff Bezos em 1994, um ano depois que eles casaram, e MacKenzie foi uma das primeiras funcionárias.

Em 2019, quando eles se divorciaram, ela ficou com cerca de US$ 35,6 bilhões. Bezos é atualmente o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 185 bilhões (cerca de R$ 940 bilhões).

“Essa pandemia tem sido demolidora na vida de americanos que já estavam em dificuldade”, ela escreveu, acrescentando que doou para mais de 380 instituições de caridade, identificadas por ela e um grupo de especialistas que a auxilia.

"Aproveitamos essa base de conhecimento coletiva em uma colaboração que incluiu centenas de e-mails e entrevistas por telefone e milhares de páginas de análise de dados sobre as necessidades das comunidades, resultados do programa e a capacidade de cada organização sem fins lucrativos de absorver e fazer uso eficaz dos recursos doados", escreveu.

E acrescentou: “Perdas econômicas e impactos de saúde têm sido piores para mulheres, minorias étnicas e pessoas vivendo em situação de pobreza. Enquanto isso, houve um aumento substancial da fortuna dos bilionários”.

Scott doou US$ 1,7 bilhão para 116 instituições de caridade em julho afirmando que ela queria chamar a atenção para que “organizações e líderes conduzissem a mudança”. Neste ano, ela doou cerca de US$ 6 bilhões (quase R$ 31 bilhões).

As doações foram direcionadas para as entidades que atuam “em comunidades que enfrentam insegurança alimentar, desigualdade racial, altas taxas de pobreza e pouco acesso a recursos oriundos de filantropia”.

No ano passado, ela aderiu à campanha Giving Pledge (Promessa de Doação, em tradução livre), se comprometendo a doar a maior parte de sua fortuna. Essa iniciativa vem ganhando a adesão das pessoas e famílias mais ricas do mundo para que doem grande parte dos recursos. Bezos é criticado por não ter aderido à campanha.

“Eu tenho uma quantidade desproporcional de dinheiro para compartilhar”, escreveu Scott, em seu compromisso com a iniciativa.

Jeff Bezos e MacKezine Bezos concluíram o divórcio em 2019 após mais de 25 anos de casamento — Foto: Danny Moloshok/Foto de arquivo/Reuters
Jeff Bezos e MacKezine Bezos concluíram o divórcio em 2019 após mais de 25 anos de casamento — Foto: Danny Moloshok/Foto de arquivo/Reuters

A fortuna de Bezos

Neste ano, o CEO da Amazon tem sido mais ativo com filantropia, ao anunciar a doação de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50,8 bilhões) para ajudar o combate ao aquecimento global nos próximos anos.

Em novembro, ele anunciou a primeira leva de beneficiados, distribuindo cerca de US$ 800 milhões (quase R$ 4 bilhões) para 16 grupos.

Segundo levantamento da Bloomberg Billionaires Index, Bezos viu sua fortuna aumentar em US$ 70 bilhões neste ano, atingindo a marca de US$ 185 bilhões.

Ao longo da pandemia, houve um aumento massivo no comércio online, beneficiando companhias como a Amazon. No primeiro semestre de 2020, a companhia disse ter ampliado sua força de trabalho em 175 mil funcionários.

MacKenzie e Jeff em registro feito em 2017, dois anos antes do divórcio — Foto: Getty Images
MacKenzie e Jeff em registro feito em 2017, dois anos antes do divórcio — Foto: Getty Images

Grandes doações

Neste ano, houve um número relativamente alto de megadoações, já que celebridades, estrelas do esporte e líderes empresariais têm respondido ao impacto da pandemia de covid-19 e outras causas.

Entre os mais generosos proporcionalmente estava o co-fundador do Twitter, Jack Dorsey, que anunciou em abril que estava transferindo US$ 1 bilhão de seus ativos para um fundo de apoio aos esforços de alívio da pandemia e outras causas. Isso representa cerca de um quarto de seu patrimônio líquido de US$ 3,9 bilhões.

Bill e Melinda Gates destinaram US$ 305 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) para vacinas, tratamento e desenvolvimento de diagnóstico por meio de sua fundação de caridade.

Em outra área, Mark Zuckerberg e a mulher Priscilla Chan, do Facebook, doaram US$ 300 milhões para "proteger as eleições americanas". A maior parte do dinheiro foi para o Center for Tech and Civic Life, uma organização sem fins lucrativos para recrutar funcionários eleitorais e fornecer-lhes equipamento de proteção individual.

Em junho, a lenda do basquete Michael Jordan anunciou que estava doando US$ 100 milhões (quase R$ 508 milhões) para a organização Black Lives Matters e entidades que atuam contra a injustiça social ao longo da década.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Grupo de pesquisa descobre 15 novas espécies de fungos em área de proteção ambiental no Acre

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Grupo do Laboratório de Botânica e Ecologia Vegetal da Universidade Federal do Acre (Ufac) fez uma pesquisa na Área de Proteção Ambiental (APA) Lago do Amapá. Estudo começou em 2017 e terminou esse ano com a publicação de um livro com todas as informações.  
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Por Aline Nascimento, G1 AC — Rio Branco  
14/12/2020 10h13 Atualizado há um dia
Postado em 15 de dezembro de 2020 às 13h00m



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Espécie de cogumelo Oudemansiella cubensis foi uma das descobertas na área e é comestível  — Foto: Arquivo pessoal
Espécie de cogumelo Oudemansiella cubensis foi uma das descobertas na área e é comestível — Foto: Arquivo pessoal

Um grupo de estudantes e professores do Laboratório de Botânica e Ecologia Vegetal da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, que faz pesquisas sobre espécies de plantas e macrofungos, descobriu 15 novas espécies de fungos durante um trabalho de campo na Área de Proteção Ambiental (APA) Lago do Amapá.

A pesquisa, que iniciou em 2017, registrou 192 cogumelos e resultou na produção de uma lista com 101 espécies. Destas, 15 são inéditas no estado. Todo estudo e descobertas foram divulgados, no mês de novembro, no livro Biodiversidade e Biotecnologia no Brasil – volume 1 (capítulo 9), lançado pela Editora Stricto Sensu.

Todo material produzido, fotos, informações e dados compõe também uma lista. Essa é a primeira lista de espécies de macrofungos da APA produzidas para uma unidade de conservação do estado acreano.

O professor Marcos Silveira explicou que essas novas espécies já existem em outras regiões do país, mas ainda não tinham sido encontradas no Acre. Algumas das novas espécies são comestíveis.

"Esse estudo é relevante porque a flora do Acre tem uma história desde 1901, então, desde essa época os botânicos vem estudando, mas essa parte da diversidade é meio invisível para a gente. Então, os fungos somente agora, nos últimos dois e três anos, que a gente vem identificando os estudos com eles", destacou o professor Marcos Silveira.

Ainda segundo o professor, a partir dos estudos é permitido saber o que tem na área e o futuro potencial, que espécies são comestíveis, quais são parasitas de insetos ou tenha relação com o sub-extrado que são cogumelos ou fungos que crescem apenas em madeira, folhas ou ramos.

"Conhecendo o que temos na área, no caso na unidade de conservação, a gente tem condições de trabalhar em prol da conservação, mas, além disso, podemos ter no futuro, para quem trabalha com biotecnologia, uma fonte de inesgotável de informações que podem ser testadas porque muitos desses fungos têm aplicação em medicina, principalmente.

Phallus Indusiatus é uma das novas espécies catalogadas pelos pesquisadores  — Foto: Arquivo pessoal
Phallus Indusiatus é uma das novas espécies catalogadas pelos pesquisadores — Foto: Arquivo pessoal

Trilha e visitação

O professor acrescentou que na área de proteção existe uma trilha e existe a intenção é subsidiar a visitação pública autoguiada, sem precisar de um guia. Para isso, o grupo pretende elaborar um guia ilustrado com imagens das espécies e sinalizar as árvores ao longo da trilha.

"Nossa ideia é fazer tanto da flora de plantas com flores e também de samambaías, de fungos e tem pelo menos os mais abundantes, que são facilmente encontrados, e no caso das árvores vamos colocar plaquetas ao longo do caminho. Com um mapinha, a pessoa olha o número no mapa e encontrar a árvore e planta no caminho, olhar e ver o nome dela", destacou.

Espécie de fungo Akanthomyces Tuberculata ainda não tinha sido encontrada no Acre — Foto: Arquivo pessoal
Espécie de fungo Akanthomyces Tuberculata ainda não tinha sido encontrada no Acre — Foto: Arquivo pessoal

Espécies catalogadas

A estudante do 5º período do curso de Ciências Biológicas Chirley Gonçalves explicou a catalogação das espécies terminou no mês de novembro. O grupo de Chirley trabalhou em parceria com pesquisadores de plantas que estavam no local.

Durante a pesquisa, Chirley falou que foram coletadas amostras das plantas, flores, frutos e dos fungos. O material era prensado, secado em uma estufa de ventilação e montado com cola quente em cartolinas com as informações adquiridas durante a pesquisa.

"A gente arrancava o fungo onde estava, colocávamos dentro de uma maletinha para ficar armazenado até a gente chegar no laboratório para fazer a triagem dele. Tirávamos fotos deles e colocava na estufa para seca a uma temperatura de mais ou menos 30º graus. Depois a gente armazenava dentro de um isopor", concluiu.

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Brasil perde cinco posições no ranking mundial de IDH, apesar de uma leve melhora do índice

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País agora ocupa posição 84 entre 189 países analisados em termos de Desenvolvimento Humano, apesar de índice ter tido uma leve melhora. Média brasileira é menor do que a de Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia; ranking é liderado pela Noruega.  
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Por G1  
15/12/2020 02h31 Atualizado há 4 horas
Postado em 15 de dezembro de 2020 às 09h35m



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VÍDEO: Entenda a queda do Brasil no ranking mundial de IDH
VÍDEO: Entenda a queda do Brasil no ranking mundial de IDH

O Brasil caiu cinco posições no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano em 2019, quando comparado ao ano anterior, ainda que seu desempenho tenha tido uma leve melhora.

Brasil cai cinco posições no ranking mundial de desenvolvimento humano
Brasil cai cinco posições no ranking mundial de desenvolvimento humano

O resultado consta no Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), divulgado nesta terça-feira (15).

Considerando os 189 países analisados, os brasileiros aparecem agora na posição 84, em vez da 79 - que ocupavam em 2018 após perder uma posição no ranking. Isso apesar de o índice ter subido de 0,762 para 0,765.

Gráfico mostra a evolução do IDH brasileiro desde 1990 — Foto: Fernanda Garrafiel/G1
Gráfico mostra a evolução do IDH brasileiro desde 1990 — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

O resultado, porém, ainda mantém o Brasil no grupo de países com alto desenvolvimento humano.

Mas não há motivos para grande otimismo quando é feita uma comparação com países da América do Sul. A média brasileira é menor do que a de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia.

Tabela mostra a posição dos países da América do Sul no ranking do IDH — Foto: Amanda Paes/G1
Tabela mostra a posição dos países da América do Sul no ranking do IDH — Foto: Amanda Paes/G1

Já em comparação com outros Brics, grupo de países emergentes do qual faz parte, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia.

Dados relativos ao ambiente

O relatório do IDH traz também informações sobre o ambiente. O Brasil recebe destaque nesse trecho do relatório. De acordo com a PNUD, ecossistemas como a Amazônia podem virar savanas por causa da perda de mata, provocada por incêndios e mudanças do uso da terra.

Brasil e Bolívia tiveram grandes perdas de florestas primárias em 2018 e 2019.

Efeito da pandemia ainda não aparece

Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira são relativos ao ano de 2019 e, portanto, não há o impacto causado pela pandemia nos IDHs dos países.

A ONU estima que em 2020, por causa da pandemia, todo o mundo terá uma diminuição do IDH. É algo inédito desde a criação do índice, em 1990.

Os países que lideram o ranking

Os três países que lideram o ranking de Desenvolvimento Humano são europeus: em primeiro lugar a Noruega, com Irlanda e Suíça empatadas em segundo. Veja abaixo a lista dos dez países com os melhores índices em 2019

  • Noruega (1) – 0,954
  • Suíça (2) – 0,946
  • Irlanda (3) – 0,942
  • Alemanha (4) – 0,939
  • Hong Kong (território semiautônomo da China) (5) – 0,939
  • Austrália (6) – 0,938
  • Islândia (7) – 0,938
  • Suécia (8) – 0,937
  • Singapura (9) – 0,935
  • Holanda (10) – 0,933

Já os três índices mais baixos foram obtidos por países africanos: Chade, República Centro-Africana e Níger.

Entenda o IDH

Até 1990, quando o IDH foi criado, o Produto Interno Bruto (PIB) era o principal indicador usado para comparar países. O problema é que o PIB é um número da dimensão da economia de um país, mas não traz nenhuma informação sobre outros aspectos da vida naquela nação.

No cálculo são computados três indicadores diferentes dos países:

  • A expectativa de vida;
  • A renda média per capita (divide-se o Produto Interno Bruto pela população);
  • Quantos anos as pessoas no país estudaram (esse componente é separado em dois: a média de anos que os adultos com mais de 25 anos estudaram e uma previsão de quantos anos as crianças antes da vida escolar deverão estudar)

índice do IDH varia entre 0 e 1. Neste ano, o Níger, o último país da lista, pontuou 0,377, e a Noruega, a primeira, ficou com 0,954.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

O ano que escapou a todas as previsões: veja o que se esperava para a economia em 2020 - e o que de fato aconteceu

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A crise decorrente da pandemia do coronavírus fez a economia fugir de todas as previsões feitas para este ano. Veja, em dez gráficos, o que se esperava para alguns indicadores e como eles se comportaram.  
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Por Laura Naime, G1  
14/12/2020 05h01 Atualizado há 4 horas
Postado em 14 de dezembro de 2020 às 09h15m


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Todos os anos, economistas dentro e fora do governo fazem estimativas para o desempenho da economia brasileira. Algumas vezes acertam. Muitas outras erram. O ano de 2020, no entanto, fez troça de quase todas as previsões.

No final de 2019, a visão era de um otimismo moderado: com a reforma da Previdência aprovada, as contas públicas caminhavam para um cenário mais favorável; a inflação, apesar de acima da meta, permanecia sob controle, permitindo que a taxa básica de juros alcançasse o menor patamar da história.

O PIB, mais uma vez, terminava o ano de forma decepcionante - mas, ainda assim, com crescimento pelo terceiro ano consecutivo. O desemprego, ainda que lentamente, arrefecia, encerrando 2019 no menor patamar em quase quatro anos. Na bolsa, os investidores acabavam de encerrar mais um ano de recorde.

Mas aí veio a pandemia.

E com a chegada do vírus, as previsões todas fizeram água.

Os primeiros abalos foram sentidos ainda antes de o coronavírus fazer suas primeiras vítimas no país: com os isolamentos decretados na Ásia e na Europa, o comércio exterior desacelerou - e a balança comercial brasileira teve seu pior primeiro trimestre desde 2015.

Com a chegada maciça da doença ao Brasil, o caldo entornou de vez. O isolamento necessário para conter a propagação do vírus fechou escolas, comércios, empresas. A paralisação repentina da atividade econômica derrubou a arrecadação, os mercados; fez subir o desemprego e o dólar; levou a inflação ao menor patamar em 22 anos.

Nesse cenário, as perspectivas para o ano passaram a mostrar um cenário de crise profunda, com algumas estimativas projetando um tombo de mais de 9% para o PIB, o maior em 120 anos.

O decorrer dos meses, com a reabertura da economia e o impulso do Auxílio Emergencial, passou a indicar uma crise ainda muito grave - mas menos avassaladora. Sem um fim para a pandemia à vista, no entanto - e com o Auxílio no fim -, as previsões para 2021 mais uma vez podem encontrar dificuldades de serem concretizadas.

Veja abaixo, em 10 gráficos, o que se esperava para a economia brasileira este ano - e o que de fato aconteceu.

Comércio

As vendas do comércio chegaram ao final de 2019 com alta de 1,8%, no terceiro ano seguido de crescimento - mas ainda sem recuperar as perdas de 2015 e 2016.

A recuperação já mostrava desaceleração no final do ano mas, ainda assim, o setor esperava um 2020 mais positivo: a estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) era de uma alta de 3% no ano que, se realizada, apontaria o melhor resultado desde 2013.

O ano, no entanto, já começou fraco. Em março, com os primeiros casos da Covid, o setor começou a sentir o baque. E em abril, mês em que grande parte do comércio fechou as portas, veio o tombo - e a previsão de encerrar o ano com uma queda de 8,7%.

Mas a reabertura nos meses seguintes zerou as perdas do ano: no acumulado até setembro, último dado divulgado pelo IBGE, o varejo passou a apresentar estabilidade. E um horizonte mais azul, com uma previsão de fechar o ano com alta de 1,9%.

Retrospectiva economia - comércio  — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - comércio — Foto: Arte G1

Serviços

Depois de três anos de resultados ruins, o setor de serviços fechou 2019 com alta, ainda que modesta, de 1%. Com a recuperação, as estimativas para 2020 eram do maior crescimento desde 2014, de 1,9%, segundo a CNC.

Mas, dependente em sua quase totalidade de atendimento presencial, o setor de serviços foi seriamente afetado pela pandemia. Após dois meses de desempenho satisfatório, em março começou a queda: com o setor quase paralisado, a atividade começou a cair - movimento que se intensificou em abril e só começou a perder força em maio, com o relaxamento das medidas de restrição.

A retomada, no entanto, foi insuficiente para reverter as perdas da pandemia. Até setembro, o setor registrava queda de 6% em 12 meses (o maior foi de 5% em 2016) - e caminhava para o pior resultado anual da série histórica do IBGE, que tem início em 2011.

Retrospectiva economia - serviços — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - serviços — Foto: Arte G1

Desemprego

As projeções do FMI apontavam para mais um ano de queda suave no desemprego, que deveria chegar ao final de 2020 em 10,8%. Já o Ministério da Economia estimava acrescentar mais até 1 milhão de vagas formais ao estoque.

O estrago causado pela Covid no mercado de trabalho foi em parte contido por medidas tomadas pelo governo, que permitiram a redução de jornada e salário e a suspensão de contratos de trabalho. Mas, para os informais - mais de 40% dos ocupados -, as medidas não tiveram efeito.

O desemprego subiu com força. Mas a medida da crise foi sentida pelo desalento: o número de brasileiros que desistiram de procurar trabalho bateu recordes sucessivos e chegou a 8,9 milhões em setembro.

Retrospectiva economia - desemprego — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - desemprego — Foto: Arte G1


Retrospectiva economia - vagas — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - vagas — Foto: Arte G1

PIB

Ao final de mais um ano de crescimento modesto, o último boletim Focus (relatório produzido pelo Banco Central que compila estimativas de analistas de bancos) de 2019 mostrava que a economia brasileira deveria crescer 2,3% este ano. Ainda que não fosse uma alta espantosa, seria a maior desde os 3% de 2013.

O resultado do primeiro trimestre, que abrangeu apenas o início da pandemia, já mostrou que a atividade seria duramente afetada. No segundo, quando a atividade chegou ao fundo do poço, a queda bateu recorde: -9,6%.

As avaliações mais pessimistas chegaram a apontar uma queda de quase 10% no PIB ao final de 2020. Mas a reabertura das atividades, aliada ao Auxílio Emergencial - que repassou mais de R$ 260 bilhões a informais e desempregados -, frearam o tombo. No terceiro trimestre, frente a uma base mais fraca, o PIB cresceu 7,7% em relação ao trimestre anterior.

No início de dezembro, a previsão já era um pouco menos sombria: uma queda de 4,4% no PIB fechado de 2020.

Desempenho do PIB em 2020 — Foto: Arte G1
Desempenho do PIB em 2020 — Foto: Arte G1

Dólar

A alta do dólar já havia começado a assustar em 2019, batendo novo recorde histórico em novembro daquele ano. Mas as expectativas eram de que 2020 trouxesse um cenário mais estável para o câmbio, com os analistas dos bancos estimando que a moeda chegaria ao próximo dia 31 de dezembro a R$ 4,09.

Não demorou para as expectativas serem frustradas. Em março, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o dólar chegaria a R$ 5 se ele fizesse "muita besteira". Mas esse patamar não só foi alcançado como bastante superado, com cotação da moeda batendo recordes sucessivos.

Em maio, relatos sobre o vídeo da reunião ministerial do mês anterior apontaram para uma suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal - e a tensão que se seguiu nos mercados levou o dólar a R$ 5,90 - sua maior cotação da história.

Os meses seguintes trouxeram turbulência, e a cotação do dólar, embora não tenha voltado ao pico, está longe das previsões anteriores: a estimativa, agora, é que chegue ao final do ano a R$ 5,22.

Retrospectiva economia - dólar — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - dólar — Foto: Arte G1

Inflação

2019 fechou com a inflação a 4,31%, pouco acima da meta central do Banco Central - e o último boletim Focus daquele ano indicava um 2020 caminhando para uma trajetória semelhante, com o IPCA - a inflação oficial - a 3,60%. Já para o IGP-M, chamado de 'inflação do aluguel', a estimativa era de uma alta de 4,24% este ano.

Os primeiros meses do ano mostraram uma inflação em queda livre: com a população sem comprar, a pressão sobre os preços se desfez. Em maio, o IPCA registrou deflação de 0,38%, a menor taxa em 22 anos.

Mas essa situação durou pouco. Com a retomada das atividades a partir de maio, o início dos pagamentos do Auxílio Emergencial - e, principalmente, a alta do dólar e a procura por alimentos e commodities no mercado internacional -, a inflação voltou a assustar, afetando principalmente os preços dos alimentos e as famílias de renda mais baixa.

Em novembro, o IPCA atingiu a maior taxa mensal do ano. O IGP-M, mais fortemente influenciado pelos preços no atacado, subiu ainda mais, acumulando uma alta de 24,52% em 12 meses. Sem sinal de alívio, a inflação oficial caminha para encerrar o ano a 4,21%, enquanto a inflação do aluguel deve chegar a espantosos 24,09%, a maior taxa desde 2002.

Retrospectiva economia - IPCA — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - IPCA — Foto: Arte G1


Retrospectiva economia - IGP-M — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - IGP-M — Foto: Arte G1

Contas públicas

Ajudadas por uma arrecadação bilionária no leilão de petróleo conhecido como 'seção onerosa', as contas públicas chegaram ao final do ano com um déficit (arrecadação menos gastos) de R$ 61,87 bilhões. Era o sexto ano seguido de contas no vermelho, mas o melhor resultado desde 2014.

Para 2020, com a Reforma da Previdência aprovada e com uma recuperação econômica à vista - mas sem a previsão de arrecadação extra com leilões de petróleo -, o governo estabeleceu como meta fiscal um déficit de R$ 118,9 bilhões.

Os gastos extraordinários com a pandemia, aliados à crise econômica, jogaram por terra essa meta, que foi derrubada, de qualquer forma, pelo decreto de calamidade pública, que desobrigou o governo de cumpri-la.

Além das despesas com o Auxílio Emergencial e outras para mitigar os efeitos da pandemia, o governo se deparou com uma queda brusca na arrecadação, provocada pela paralisação econômica. E as contas devem chegar ao final deste ano com um rombo de cerca de cinco vezes o esperado.

Retrospectiva economia - contas públicas — Foto: Arte G1
Retrospectiva economia - contas públicas — Foto: Arte G1

Bovespa

Maior alta em 3 anos. Maior patamar da história. A bolsa encerrou 2019 com dados positivos e otimismo para 2020. Analistas viam o Ibovespa, principal indicador da bolsa, chegando ao final deste ano próximo aos 130 mil pontos, o que significaria uma alta de cerca de 12% no ano.

Mas o mercado financeiro foi o primeiro indicador a sentir os impactos do coronavírus. Já em março, diante da crise no exterior, a bolsa brasileira desabou. Ao longo daquele mês, o chamado 'circuit breaker', quando os negócios são interrompidos para frear uma queda brusca, foi acionado cinco vezes.

Ao longo dos meses seguintes, a bolsa recuperou as perdas, mas não voltou a bater recordes. Sem uma saída clara da crise à vista, e com os juros nas mínimas históricas reduzindo a atratividade do país, os investidores estrangeiros relutam em voltar com força à bolsa brasileira - que deve encerrar 2020 perto de onde começou: ao redor dos 115 mil pontos.

Desempenho do Ibovespa em 2020 — Foto: Arte G1
Desempenho do Ibovespa em 2020 — Foto: Arte G1

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