Total de visualizações de página

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Há um longo caminho até o fim da pandemia, diz OMS

=======.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====


Entidade também divulgou relatório anual de saúde no mundo nesta quarta-feira (13), que mostra que as pessoas estão vivendo mais e de forma mais saudável, mas a pandemia ameaça cumprimento de objetivos de saúde. 
===+===.=.=.= =---____---------    ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====
 Por Lara Pinheiro, G1    
 13/05/2020 12h48  Atualizado há uma hora  
 Postado em 13 de maio de 2020 às 13h55m  


      Post.N.\9.270  
    .__-___________    ____--____________________________  ____________  ____________  _________     ____--________  _______-
13 de maio: clientes usam máscaras contra a Covid-19 em um supermercado em Moscou, na Rússia. — Foto: Alexander Nemenov/AFP
13 de maio: clientes usam máscaras contra a Covid-19 em um supermercado em Moscou, na Rússia. — Foto: Alexander Nemenov/AFP

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou, nesta quarta-feira (13), que ainda há um "longo caminho" até o fim da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A entidade foi questionada sobre o protocolo para "desfazer" o alarme de pandemia ao redor do mundo, declarado no dia 11 de março.
"É muito difícil prever quando vamos prevalecer sobre o vírus", disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. "E pode ser que nunca aconteça. Pode ser que nunca desapareça, que se torne endêmico, como outros vírus. O HIV não desapareceu", lembrou.
"Nós passamos a lidar com o vírus, e achamos os tratamentos, achamos os métodos de prevenção, e as pessoas não sentem tanto medo como sentiam antes. Oferecemos vidas longas e saudáveis a pessoas com HIV", disse. "Não estou comparando as duas doenças, mas é importante sermos realistas".
"Não acho que ninguém pode prever quando ou se essa doença vai desaparecer. Nós temos uma grande esperança: se acharmos uma vacina altamente eficaz, que possamos distribuir para todos os que precisam no mundo, podemos ter uma chance de eliminar o vírus", declarou Ryan.
Mas a implementação da vacina terá que passar por algumas etapas, explicou. Além de eficaz e disponível a todos, as pessoas terão que usá-la.
"Antes de começarmos a responder a essa pandemia no dia 31 de dezembro, tínhamos equipes no Pacífico Ocidental trabalhando com sarampo. Eu acho que havia 14 ventiladores [mecânicos] na Samoa Ocidental naquela época. E todos os 14 estavam ocupados por crianças pequenas. E estavam ocupados por crianças pequenas que tinham uma doença devastadora: se chamava sarampo. E elas não eram vacinadas contra essa doença."
Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) — Foto: Christopher Black/OMS
Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) — Foto: Christopher Black/OMS

(Em fevereiro deste ano, um bebê morreu de sarampo no Rio de Janeiro, depois de 20 anos sem uma morte pela doença no estado. No mesmo mês, o Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença).

"Desculpem-me se sou cínico", continuou Ryan. "Mas temos vacinas perfeitamente eficazes neste planeta que não usamos de forma eficiente. Para doenças que poderíamos eliminar e erradicar – e nós não fizemos isso. Nós não tivemos vontade, a determinação para investir em sistemas de saúde para fornecer isso. Nós não tivemos a capacidade de sustentar cuidados de saúde na linha de frente", disse.
"Dessa forma", afirmou, "a ciência pode achar uma vacina. Mas alguém tem que fabricá-la em quantidade suficiente para todos receberem uma dose, temos que ser capazes de entregá-la e as pessoas têm que querer tomar essa vacina", lembrou.
"Todos esses passos são cheios de desafios. É uma oportunidade imensa para o mundo. A ideia de que uma nova doença pode surgir, causar uma pandemia e nós podemos, com uma ambição enorme, achar uma vacina e dá-la a todos que precisam e parar a doença pode tornar, talvez, o que tem sido uma pandemia trágica em uma luz de esperança para o futuro do nosso planeta na forma com que cuidamos de nossos cidadãos e trabalhamos juntos para resolver nossos problemas, por meio de solidariedade, confiança, trabalho conjunto e um sistema multilateral que possa beneficiar a humanidade", declarou.

"Não há promessas nisso, e não há datas", disse Ryan. "Essa doença pode se tornar um problema de longo prazo, e pode não ser. De algumas formas, nós temos controle sobre esse futuro. Mas vai ser necessário um esforço imenso para fazer isso."

A OMS já havia alertado, há cerca de 20 dias, que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) ainda demoraria para ser vencido. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou, ainda, que a doença foi declarada uma "emergência de saúde internacional", o nível mais alto de alerta da OMS, no dia 30 de janeiro.

Saúde no mundo
13 de maio: funcionários da linha de frente do combate ao coronavírus de um hospital em Oceanside, Nova York, observam parada de veículos feita em homenagem aos profissionais de saúde. — Foto: Timothy A. Clary/AFP
13 de maio: funcionários da linha de frente do combate ao coronavírus de um hospital em Oceanside, Nova York, observam parada de veículos feita em homenagem aos profissionais de saúde. — Foto: Timothy A. Clary/AFP

A OMS também divulgou, nesta quarta, seu relatório anual sobre a saúde no mundo. O documento destaca que, apesar de o mundo estar vivendo mais e de forma mais saudável, a pandemia ameaça o cumprimento dos objetivos de saúde estabelecidos, que já progredia de forma lenta.

Segundo o documento, aumentou a expectativa de vida no mundo, ainda que de forma desigual. Os maiores ganhos foram em países de baixa renda, onde a expectativa de vida aumentou 11 anos entre 2000 e 2016. Nos países de alta renda, esse aumento foi de 3 anos.

Um dos motivos para o progresso nos países de baixa renda foi a melhora no acesso a serviços para prevenir e tratar HIV, malária, tuberculose e doenças tropicais negligenciadas, como verminoses. Outra razão foi a melhora nos cuidados de saúde para crianças e mães, o que fez cair pela metade a mortalidade infantil no mundo entre 2000 e 2018.

Homenagem a profissionais de saúde
12 de maio: profissionais de saúde fazem homenagem a colegas que perderam a vida tratando pacientes de Covid-19 em frente ao Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo. — Foto: Nelson Almeida/AFP
12 de maio: profissionais de saúde fazem homenagem a colegas que perderam a vida tratando pacientes de Covid-19 em frente ao Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo. — Foto: Nelson Almeida/AFP

Tedros, Ryan e a líder técnica de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, também pediram um minuto de silêncio em homenagem a todos os profissionais de saúde que perderam a vida tratando pacientes.

Os especialistas também agradeceram a profissionais de enfermagem – a segunda-feira (12) marcou o dia internacional da profissão.
Dia Internacional do Enfermeiro homenageia mulher que virou referência na profissão
Dia Internacional do Enfermeiro homenageia mulher que virou referência na profissão


=.=.=======.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.==== =

Vendas do comércio caem 2,5% e setor tem pior março desde 2003

=======.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====


Alta de 14,6% nas vendas em supermercados limita perdas do varejo em meio à pandemia. Setor fechou o 1º trimestre com queda de 2%.
===+===.=.=.= =---____---------    ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====
 Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1    
 13/05/2020 09h00  Atualizado há 19 minutos  
 Postado em 13 de maio de 2020 às 09h25m  


      Post.N.\9.269  
    .__-___________    ____--____________________________  ____________  ____________  _________     ____--________  _______-
Loja na rua Conde de Bonfim, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (12) — Foto: Marcos Serra Lima/G1
Loja na rua Conde de Bonfim, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (12) — Foto: Marcos Serra Lima/G1

As vendas do comércio varejista caíram 2,5% em março, na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do pior resultado para meses de março desde 2003, quando o setor caiu 2,7%, e da menor taxa mensal desde janeiro de 2016 (-2,6%).

Na comparação com março de 2019, o comércio varejista recuou 1,2%. Foi a primeira queda na comparação anual após 11 meses consecutivos de altas.

O IBGE também revisou a taxa de fevereiro, em relação a janeiro, de 1,2% para 0,5%. Veja gráfico abaixo:
Vendas do comércio mês a mês — Foto: Economia G1 2 de 2 Vendas do comércio mês a mês — Foto: Economia G1

Com a forte queda em março, o comércio passou a acumular alta de 1,6% no ano e 2,1% nos últimos 12 meses. O patamar de vendas passou a ficar situado 7,4% abaixo do recorde alcançado em novembro 2014. Em fevereiro, essa distância era de 5,1%.

O resultado de março reflete a baixa demanda e a fraqueza da economia, e mostra os primeiros impactos da pandemia de coronavírus no país, com boa parte das lojas fechadas ou funcionando apenas no sistema delivery. Vale lembrar ainda que o início das medidas restritivas e do período de confinamento não atingiu todo o mês de março e que perspectiva é de um tombo ainda maior em abril.

Queda de 2% no 1º trimestre
Segundo o IBGE, o comércio encerrou o primeiro trimestre do ano com uma queda de 2% na comparação com o quarto trimestre de 2019. Foi a queda mais intensa desde o 1º trimestre de 2016, quando caiu 2,7%.

Vendas em supermercados limitam perdas do varejo
Segundo o IBGE, a queda só não foi mais intensa por causa de áreas consideradas essenciais durante o período de isolamento social, em especial as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas (14,6%) e do segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,3%). Foram os únicos setores dos 8 pesquisados com avanços nas vendas frente a fevereiro.

Já os maiores tombos ocorreram nas vendas de tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%) e móveis e eletrodomésticos (-25,9%).

A pesquisa do IBGE mostra ainda que no comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o volume de vendas desabou 13,7% em março. Foi a queda mais intensa desde o início da série, iniciada em fevereiro de 2003. O tombo foi pressionado pelo setor de veículos, motos, partes e peças (-36,4%), enquanto material de construção teve recuo de 17,1%.
“Na passagem de fevereiro para março houve variação de dois dígitos em todas as atividades, com exceção de produtos farmacêuticos. Vale lembrar que hipermercados vendem não apenas produtos alimentícios, mas também vestuário, móveis e eletrodomésticos. Isso faz com que essa atividade tenha sofrido um rebate para cima, porque parte desses produtos tiveram as vendas transferidas das lojas especializadas para hiper e supermercados”, avaliou o gerente da PMC, Cristiano Santos, acrescentando que a participação do segmento no comércio estava abaixo de 50% e saltou para 55% em março.
Veja o desempenho de cada atividade do varejo em março:
  • Combustíveis e lubrificantes: -12,5%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 14,6%
  • Tecidos, vestuário e calçados: -42,2%
  • Móveis e eletrodomésticos: -25,9%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 1,3%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -36,1%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -14,2%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -27,4%
  • Veículos, motos, partes e peças: -36,4% (varejo ampliado)
  • Material de construção: -17,1% (varejo ampliado)

O pesquisador enfatizou que das seis atividades com em queda, cinco foram diretamente impactadas pelas medidas adotadas por estados e municípios com o fechamento de comércio de serviços não essenciais. A exceção foi para a atividade que combustíveis e lubrificantes, que não foi impactada pelo fechamento de estabelecimentos, mas foi diretamente impactada pela menor circulação de pessoas e menor demanda.

Segundo o IBGE, do total de 36,7 mil empresas da amostra da pesquisa, 14,5% relataram impacto do isolamento social em suas receitas, que se iniciou em algumas capitais a partir da segunda quinzena de março.
“Quem relata impacto da Covid-19 apontou uma variação negativa de 23% nas vendas na comparação com fevereiro, enquanto aquelas que não reportaram impacto da pandemia tiveram uma variação positiva nas vendas de 1,5%”, destacou o pesquisador. 
Vendas recuam em 26 das 27 unidades da federação
Na análise por regiões, houve queda nas vendas do varejo em dezembro em 26 das 27 unidades da federação, com destaque para: Rondônia (-23,2%), Amazonas (-16,5%) e Acre (-15,7%). Apenas em São Paulo houve alta (0,7%).

Já no comércio varejista ampliado, que inclui as vendas de automóveis e materiais de construção, houve recuo em todas os estados, com destaque para: Rondônia (-23,8%), Sergipe (-20,0%) e Acre (-19,4%).

Perspectivas
Economistas do mercado financeiro passam a estimar tombo de 4,11% para o PIB em 2020
Economistas do mercado financeiro passam a estimar tombo de 4,11% para o PIB em 2020

O mercado passou a projetar retração de 4,11% do PIB em 2020, segundo o último boletim Focus Banco Central. Já o FMI prevê queda de 5,3% do PIB do Brasil neste ano.

Na véspera, o IBGE mostrou que volume de serviços prestados no Brasil teve queda recorde de 6,9% em março, o pior resultado da série histórica iniciada em 2011. Com o resultado, o setor, que tem forte peso no PIB, encerrou o 1º trimestre do ano com uma queda de 3% na comparação com o quarto trimestre de 2019.

Já a produção industrial tombou 9,1% no mês de março – pior resultado para meses de março desde 2002. Com o resultado, a indústria registrou queda de 2,6% no 1º trimestre, na comparação com os 3 últimos meses do ano passado.


=.=.=======.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.==== =

terça-feira, 12 de maio de 2020

Bolsonaro repete que 70% pegarão coronavírus; cientistas estimam 1,8 milhão de mortes se isso ocorrer

=======.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====


Presidente tem repetido a frase de que o vírus contaminará 70% da população. O percentual é citado como algo inevitável e usado como argumento contra as medidas de isolamento social. Mas especialistas dizem que, sem vacina e sem remédio, número de mortes por falta de hospital vai disparar se as medidas de distanciamento forem abandonadas. 
===+===.=.=.= =---____---------    ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= ====
 Por Carolina Dantas, Felipe Grandin e Fabio Manzano, G1     
 12/05/2020 18h16  Atualizado há 1 horas  
 Postado em 12 de maio de 2020 às 19h25m  


      Post.N.\9.268  
    .__-___________    ____--____________________________  ____________  ____________  _________     ____--________  _______-
Bolsonaro diz que era fake o churrasco no Palácio da Alvorada, que ele mesmo anunciou
Bolsonaro diz que era fake o churrasco no Palácio da Alvorada, que ele mesmo anunciou

Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (11) que o novo coronavírus contaminará 70% dos brasileiros, repetindo o número que vem dizendo nos últimos dias. O percentual é apresentado pelo presidente como um número inevitável e um argumento contra medidas de isolamento social.

Mas pesquisadores ouvidos pelo G1 dizem que, na hipótese de 70% das pessoas se contaminarem, o país pode ter 1,8 milhão de mortos (veja projeção mais abaixo) e isso deveria ser um argumento a favor das medidas de isolamento social, para evitar que a mortalidade da epidemia se acentue com um colapso do sistema de saúde.

O que disse Bolsonaro
  • Nos últimos dias, Bolsonaro usou o argumento dos 70% ao menos três vezes. Em 20 de abril, disse: "Devemos falar ao povo: calma, tranquilidade. 70% será contaminado". Em 9 de maio, durante passeio de moto aquática no Lago Paranoá: "É uma neurose, 70% vai pegar o vírus. Não tem como! Loucura". Em 11 de maio, questionado sobre o lockdown em Recife: "É pior pô. O vírus vai atingir 70%. Vocês sempre batem em mim, que falo da questão da saúde".
O que dizem os pesquisadores
  • Não é certo que 70% da população será contaminada
  • Caso 70% se contaminem, isso equivale a 154 milhões de pessoas
  • Estamos agora com cerca de 170 mil casos confirmados (é um número considerado subestimado, mas mesmo a pior estimativa indica poucos milhões de contaminados)
  • Caso o Brasil chegue muito rápido aos 154 milhões de contaminados, não haverá leitos para todos
  • Enquanto não há vacina ou remédio, é preciso adotar um conjunto de medidas - que incluem diversos níveis de isolamento social - para ganhar tempo até que o sistema de saúde tenha capacidade de atender a todos que necessitam
De onde vem esse percentual de 70%?
Entre os pesquisadores não há consenso sobre qual o percentual da população será potencialmente infectada, mas há a estimativa de que os 70% poderiam ser alcançados caso não houvesse nenhuma medida restritiva.

Ao chegar neste patamar haveria uma barreira da imunidade de grupo. Essa estratégia de permitir a circulação do vírus chegou até a ser adotada no Reino Unido, mas foi descartada com o avanço da pandemia e das mortes (leia mais abaixo sobre imunidade de rebanho).

Um dos pesquisadores que chegou à estimativa dos 70% foi o chefe do Departamento de Epidemiologia da Universidade Harvard, Marc Lipsitch. Inicialmente, em entrevista ao "The Wall Street Journal", ele avaliou que de 40% a 70% da população de adultos e idosos seria infectada pelo Sars-CoV-2. Alguns dias depois, com a forte repercussão, revisou em uma perspectiva mais conservadora: de 20% a 60%.

“Como agora estou menos seguro de até quanto irá o R0 (taxa de transmissão) e como ele poderá variar geograficamente, revisarei para baixo a gama de resultados que considero plausíveis para 20% a 60% dos adultos infectados. Isso envolve uma subjetividade sobre qual faixa de R0 pode se tornar verdadeira", escreveu o pesquisador.

Impacto no Brasil
O Brasil tem hoje, segundo projeção do IBGE, 211,4 milhões de habitantes. Uma doença que alcance 70% da população infectaria 154,3 milhões de pessoas. Atualmente, os 168.331 casos já confirmados até segunda-feira (11) representam menos de 0,1% da população.

Pesquisadores ouvidos pelo G1 lembram que o percentual da população afetada e em qual tempo isso ocorre é a chave de enfrentamento da epidemia. Sem vacina ou remédios, a redução do contato social, programas de testagem em massa e rastreamento dos infectados são o principal caminho.

“A velocidade em que os casos acontecerem, sejam eles representativos de 40, 50 ou até mesmo 70% da população, determinará a gravidade da situação sanitária pela qual o Brasil passará”, explica o professor Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

“Se as medidas de isolamento social em vigor no momento forem mantidas, ou relaxadas de maneira consciente, informada por evidências e monitoradas eficientemente, o sistema de saúde não entrará em colapso. Se, por outro lado, o número previsto de infecções se der em um período relativamente curto, não haverá capacidade de absorver a demanda criada e o número previsto de óbitos poderá ser significativamente maior”, detalha.

Isso se deve ao fato, segundo o professor, de que além de extrapolar a capacidade de atendimento aos pacientes com Covid-19, a mortalidade por outras causas que exigem UTI sofrerá um aumento imediato como consequência desta sobrecarga.

Projeção feita por Domingos Alves e Mauro Sanchez, da USP e da UNB, utilizando uma calculadora que leva em conta a estrutura etária do Brasil e uma taxa de letalidade similar à identificada na China – onde a pandemia se manifestou num período de tempo bastante concentrado -- aponta que, se 70% da população brasileira for infectada, pode haver 1,8 milhão de mortes.
Estimativa de mortes X porcentagem de infecções — Foto: Amanda Paes e Guilherme Pinheiro/G1 
Estimativa de mortes X porcentagem de infecções — Foto: Amanda Paes e Guilherme Pinheiro/G1

Com as cifras oficiais ainda distantes dos 70%, estados do Norte e do Nordeste já enfrentam graves problemas no atendimento.

O pesquisador do Instituto de Saúde Global de Barcelona e médico intensivista Otavio Ranzani, a partir de dados oficiais dos hospitais brasileiros, estima que de todos os pacientes hospitalizados com Covid-19, quase 35% precisou de cuidados intensivos, mas ponderou que os números são ainda iniciais.
“A maioria dos doentes com Covid-19 que ficarem graves e precisarem de suporte para um órgão que parou de funcionar precisarão de UTI”, explicou o intensivista. “Se o paciente chegou neste estado e não conseguirmos oferecer suporte ao órgão, a chance de óbito é muito grande, tornando leitos de UTI fundamentais.”
Ele reforçou a importância de frear a transmissão do novo coronavírus para poder atender de maneira adequada a todos os pacientes mais graves, que precisam de um cuidado intensivo.

“Poderemos salvar muitas vidas se o número de doentes que necessitarem de UTI não ultrapassar a capacidade de leitos que temos no momento ou que conseguiremos expandir. Mas o que já estamos vendo em locais é que já estão faltando leitos normais de internação”, lamentou o especialista.

A pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Patrícia Canto, disse ao G1 que mesmo que toda a população possa se infectar com o vírus em algum momento, isso não pode acontecer ao mesmo tempo, porque haverá sobrecarga dos serviços de saúde.

"Não há leitos e não há profissionais para tudo isso", disse Canto. "Temos que preservar o sistema de saúde –tanto o público como o privado–, porque esse gargalo não é específico do SUS."

A especialista reforçou que ainda que haja a abertura de novas vagas, é importante que médicos e enfermeiros sejam treinados.

"Estes são leitos de alta complexidade, que precisa de equipamentos especiais e de profissionais habilitados para trabalhar nesse tipo de ambiente. Não é todo médico ou enfermeiro que pode trabalhar em uma UTI", disse a pneumologista.

Ainda longe dos 70%
Mesmo as projeções que consideram casos não testados e pacientes sem sintomas deixam o cenário no Brasil distante do percentual alardeado como inevitável por Bolsonaro.

Levantamento do Imperial College divulgado na sexta-feira (8) com exclusividade pelo colunista Helio Gurovitz mostra que a parcela da população que já adquiriu alguma imunidade contra a Covid-19 está muito aquém do patamar considerado necessário para controlar a epidemia.

"Com base em modelos estatísticos, os cientistas estimaram a proporção da população infectada nos 16 estados. Apenas no Amazonas, segundo eles, o número supera os 10%. Nos demais estados mais atingidos – São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco (juntos, os cinco somam 81% dos infectados) –, está entre 3% e 4%. No resto do país, mal supera 1%", escreveu o colunista do G1.
Pandemia da Covid-19 deixa a saúde do Amazonas à beira do colapso
Pandemia da Covid-19 deixa a saúde do Amazonas à beira do colapso

Imunidade de rebanho
A projeção do percentual de infectados tem relação com outro conceito abordado pelos cientistas durante a pandemia: a imunidade de rebanho. Ela seria o estágio da evolução de uma pandemia em que o percentual da população já contaminada é alto o suficiente para frear a circulação de um vírus. No começo de sua estratégia, essa foi a aposta do Reino Unido, que desistiu de aguardar a imunidade de rebanho com a projeção de mortes a ela associada.

O pesquisador de Harvard defende que é preciso tentar conter a disseminação do vírus e "ganhar tempo para"obter suprimentos, testar tratamentos, progredir no desenvolvimento de vacinas e aprender com a experiência daqueles que estão enfrentando o vírus". E ainda afirma que as quarentenas e similares devem ser usadas pelo tempo necessário, pois são caras para indivíduos, famílias e economias.
Especialistas comentam sobre a importância do isolamento social no combate à Covid-19
Especialistas comentam sobre a importância do isolamento social no combate à Covid-19

Ainda em março, Angela Merkel, chanceler da Alemanha, também chegou a comentar o percentual da população com potencial de ser infectado. "Quando o vírus está solto, as pessoas não têm sua imunidade preparada e não há nenhum tratamento ou vacina, uma alta porcentagem da população, que especialistas colocam entre 60% e 70%, será infectada enquanto esse quadro persistir", disse em evento público.

Desde então, a Alemanha adotou medidas duras de isolamento que conseguiram achatar a curva e garantir o atendimento de saúde. Agora, a discussão na Alemanha é sobre os passos da retomada. No Brasil, que completou o segundo mês de circulação do vírus, há 31.913 leitos de UTI: oficialmente não há dados sobre sua taxa nacional de ocupação, mas estados já apontam o esgotamento dos recursos disponíveis.
Estudo vai tentar mapear imunidade do novo coronavírus em São Paulo
Estudo vai tentar mapear imunidade do novo coronavírus em São Paulo

CORONAVÍRUS


=.=.=======.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.==== =