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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Mudanças climáticas devem intensificar impactos de tsunamis

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Pesquisa aponta relação entre aumento do nível do mar induzido pelo clima e efeitos do fenômeno marítimo. Pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, devem se tornar mais destrutivos.
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Deutsche Welle
Por Deutsche Welle 

Postado em 05 de outubro de 2018 às 15h45m  
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Imagem aérea mostra a Grande Mesquita Baiturrahman destruída após terremoto e tsunami em Palu, na Indonésia — Foto: Jewel Samad/AFP 

Após os tsunamis de grandes proporções desencadeados por terremotos no Oceano Índico, em 2004, e no Japão, em 2011, uma série de filmes apocalípticos como "O Impossível" (Lo Imposible, 2012) retrataram cenários catastróficos de ondas gigantes.

Tal medo foi revivido nesta semana com o tsunami que até agora causou a morte de cerca de 1,4 mil pessoas na Indonésia. Apenas algumas semanas antes do desastre, um grupo de cientistas previu que os impactos de tsunamis devem ser intensificados devido ao aumento do nível do mar relacionado às mudanças climáticas.

"Nossa pesquisa mostra que o aumento do nível do mar pode ampliar significativamente o risco de tsunamis, o que significa que pequenos tsunamis no futuro podem ter os mesmos impactos adversos que os grandes tsunamis atuais", disse Robert Weiss, professor associado do Departamento de Geociência da universidade americana Virginia Tech, em entrevista à DW.

Weiss foi um dos vários autores de um estudo publicado na revista científica Science Advances no mês passado que, de forma um tanto quanto profética, analisou os impactos de tsunamis em meio ao aumento do nível dos mares.

Intitulado "Um modesto aumento de 0,5 metro no nível do mar duplicará o risco de tsunamis em Macau", o estudo teve também a coautoria de Adam Switzer, professor associado do Earth Observatory de Cingapura.

Bairro de Petobo, em Palu, na Indonésia, em imagens de agosto e outubro de 2018, após terremoto e tsunami — Foto: DigitalGlobe, a Maxar company via AP

"O tsunami como o que ocorreu em Palu na sexta-feira poderia ter sido pior daqui a 50 anos porque o nível do mar está subindo naquela parte do mundo. Trata-se de uma planície muito baixa e é provável que tenha começado a experimentar inundações crescentes", disse Switzer à DW. 

Por muito tempo, cientistas presumiram que os tsunamis e a subida do nível do mar eram fenômenos completamente separados. Apesar do monitoramento de como o aumento do nível do mar fará com que as comunidades costeiras sejam inundadas – especialmente em países insulares como as Ilhas Salomão – poucos tentaram entender como esse sintoma das mudanças climáticas poderia agravar desastres climáticos e naturais extremos. 

"Nós realmente queremos olhar para os extremos, para os piores cenários", disse Switzer.

E segundo Weiss, ao usar uma modelagem computacional de ponta, que não estava disponível há cinco anos, esta última pesquisa pôde analisar os impactos de tsunamis com a elevação dos níveis dos mares.

Neste contexto, áreas litorâneas como Macau, que atualmente são consideradas seguras em relação a tsunamis, deixarão de o ser no futuro caso as previsões de aumento do nível do mar se mantiverem.

"Áreas que são consideradas seguras contra tsunamis e onde hoje somente um tsunami de dois a três metros causaria inundações, precisarão apenas de um tsunami de 1,5 a dois metros para isso", disse Switzer. 

O problema será ainda mais exacerbado, uma vez que a previsão agora é que os aumentos do nível do mar sejam muito maiores do que os anteriormente esperados.

"O que pensávamos ser o pior cenário absoluto há cinco ou dez anos é considerado atualmente apenas uma previsão média", afirmou Weiss.
























Motoqueiros passam ao lado de um barco em meio a entulhos e construções destruídas em Palu, na Indonésia, após área ser atingida por um terremoto e um tsunami — Foto: Jewel Samad/AFP

Maiores aumentos do nível do mar significam que pequenos tsunamis, que ocorrem com maior frequência, também serão mais destrutivos.

De acordo com Weiss, terremotos e tsunamis menores são muito mais frequentes do que o tipo de evento que causou o tsunami de Tohoku, em 2011, no Japão. Assim sendo, o tsunami desencadeado pelo terremoto de 9,1 graus na escala Richter poderia ser criado por tremores menores com o aumento do nível do mar.

Atualmente, seria necessário um terremoto de magnitude 8,6 graus na escala Richter para inundar Macau, mas daqui a 50 anos, os aumentos do nível do mar induzidos pelo clima fariam com que um terremoto de magnitude 8,2, que é quase seis vezes menos potente, bastasse para inundar a ex-colônia portuguesa.

Assim como o típico cenário de filmes catastróficos de ondas gigantes, em que paredes maciças de água destroem cidades costeiras de grande envergadura, Macau é uma das megacidades asiáticas construídas sobre planícies que ficarão mais vulneráveis num mundo mais quente.

Com o aumento do nível do mar, cidades costeiras podem ficar cada vez mais vulneráveis a tsunamis originários de climas distantes. Isso é em parte porque os tsunamis podem viajar por grandes áreas. O tsunami de Tohoku viajou do Japão para a Califórnia em apenas dez horas, a uma velocidade de 700 quilômetros por hora, segundo Weiss.

O pesquisador também tem implementado sua modelagem computacional para analisar como um futuro tsunami pode afetar a Califórnia após um terremoto no Alasca, por exemplo; ou como a costa do Atlântico poderia ser inundada em consequência de grandes tsunamis desencadeados pela placa tectônica da Groenlândia. No segundo cenário, segundo Weiss, ondas de 8 a 10 metros podem atingir a costa francesa.

Grande parte da pesquisa realizada na Virginia Tech contribuirá para a construção de sistemas de defesa costeira apropriados para proteger melhor as cidades e as comunidades contra ciclones e grandes inundações. Mas tais medidas terão pouco efeito se o aumento do nível do mar duplicar, triplicar ou até mesmo quadruplicar a frequência e o impacto dos tsunamis. Sendo assim, a defesa definitiva contra esses cenários apocalípticos é a mitigação das mudanças climáticas.

"O aumento do nível do mar é impulsionado principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e pela produção contínua de dióxido de carbono", disse Switzer. "Você não pode separar essas coisas, estão todas ligadas." 
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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Baixa nas exportações faz produção de veículos cair 6,3% em setembro

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Foram 223.115 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões produzidos no mês. Exportações tiveram queda 34,5%, com 39.499 unidades enviadas para fora do país.
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g1.globo.com/carros/noticia/2018/10/04 






Produção de veículos no Brasil — Foto: Fabian Bimmer/ReutersProdução de veículos no Brasil — Foto: Fabian Bimmer/Reuters

A produção de veículos caiu 6,3% em setembro de 2018 afetada pelo baixo desempenho nas exportações, informou a associação das montadoras, a Anfavea, nesta quinta-feira (6).

Foram 223.115 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões produzidos no mês.
O desempenho negativo foi na comparação com o mesmo mês de 2017, quando as montadoras produziram 238.019 veículos.

Produção de veículos no Brasil
Nos últimos 11 meses
Created with Highcharts 5.0.9outubronovembrodezembrojaneirofevereiromarçoabrilmaiojunhojulhoagostosetembro200k220k240k260k280k300k
Fonte: Anfavea

Em relação a setembro, que teve volume de 291.470 unidades feitas, a queda foi ainda maior, de 23,5%. Enquanto a produção caiu em setembro, as vendas de veículos aumentaram 7%, de acordo com a associação das concessionárias, a Fenabrave .

As exportações também caíram em setembro. Foram 39.449 unidades, contra 60.189 do mesmo mês em 2017, representando uma queda de 34,5% e o menor número de 2018.

"Várias de nossas empresas estão ajustando suas produções para a nova realidade das exportações, que é muito menor do que estávamos esperando no começo do ano", disse o presidente da Anfavea, Antonio Megale, à agência Reuters.

De acordo com a entidade, a nova previsão é de que 700 mil unidades sejam exportadas durante o ano, abaixo da previsão anterior, que era de 800 mil unidades. O principal motivo dessa baixa é a crise na Argentina.

A Argentina representa 70% de nossas exportações e no mês passado a Argentina foi responsável por 50%. Esperamos que as medidas que o governo de lá está tomando permitam à Argentina equacionar as suas dificuldades. Isso é muito importante para nós no Brasil", acrescentou Megale

Acumulado da produção segue em alta
Apesar da queda de setembro, a produção de veículos segue em alta de 10,5% no acumulado de 2018. De janeiro a agosto, as montadoras produziram o total de 2.194.754 veículos, contra 1.986164 no mesmo período de 2017.

Empregos estáveis
No último mês, a indústria apresentou o número de 132.480 pessoas empregadas. Em comparação com agosto deste ano, com 132.519 registros, não há variação percentual.

Quando comparados com setembro de 2017 (127.888), os empregos apresentaram alta de 3,6%.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Gravuras rupestres recém-descobertas podem dar pistas sobre civilização perdida

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Milhares de gravações em rocha que retratam animais e atividades de caça feitas em torno de 10.000 a.C. foram descobertas por exploradores em uma região montanhosa no oeste da Índia.
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BBC
Por BBC 


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Gravações retratam animais familiares, como o tubarão que aparece no centro desta imagem — Foto: BBC Marathi

A descoberta de gravações em rocha que teriam sido feitas há dezenas de milhares de anos no Estado de Maharashtra, no oeste da Índia, foi celebrada por arqueólogos, que acreditam que elas podem conter pistas de uma civilização perdida. 

As gravuras, conhecidas como petróglifos, foram achadas aos milhares nos topos rochosos e planos de morros na região de Konkan.

A maioria estava oculta sob camadas de terra e lama, mas algumas estavam a céu aberto, e eram consideradas sagradas e reverenciadas pela população local.

A grande variedade de gravações impressionou especialistas. Há figuras de pássaros e outros animais, de humanos e desenhos geométricos.

Pela forma como os petróglifos foram feitos e sua similaridade com outros encontrados em diferentes partes do mundo, acredita-se que eles tenham sido criados em tempos pré-históricos e estão entre os mais antigos já achados.

Estudantes ajudaram na busca por petróglifos 
Cientistas acreditam que imagens foram feitas em torno de 10.000 a.C. — Foto: BBC Marathi 
"Nossa primeira dedução a partir do exame destes petróglifos é que eles foram feitos em torno de 10.000 a.C.", disse o diretor do Departamento de Arqueologia do Estado de Maharashtra, Tejas Garge, à BBC.

A descoberta das gravuras foi feita por um grupo de exploradores liderado por Sudhir Risbood e Manoj Marathe, que começaram uma busca pelas imagens após observar algumas delas na região. Muitas estão em templos de vilarejos e fazem parte do folclore local.

"Andamos milhares de quilômetros. As pessoas começaram a mandar fotos para nós, e pedimos ajuda até mesmo das escolas para achá-las. Os estudantes perguntaram aos seus avós e a anciões de seus vilarejos se eles conheciam outras imagens. Isso nos deu informações valiosas", disse Risbood à BBC.
Milhares de petróglifos foram encontrados em 52 vilarejos e seus arredores — Foto: BBC Marathi
Foram achados petróglifos em 52 vilarejos e seus arredores. Mas em apenas cinco deles os moradores sabiam de sua existência.

Risbood e Marathe documentaram as gravuras e fizeram campanha para que autoridades se envolvam em seu estudo e preservação.

Imagens retratam pessoas, animais e caça, mas não agricultura 


















Gravuras eram consideradas sagradas e reverenciadas pela população local — Foto: BBC Marathi 

Garge disse que as imagens aparentemente foram feitas por uma comunidade de caçadores e coletores de alimentos que não tinham conhecimento sobre técnicas agrícolas.

"Não encontramos nenhuma imagem que retrate alguma forma de cultivo. Mas há imagens de caça e de animais. Então, esses homens conheciam animais terrestres e marítimos. Isso indica que dependiam da caça para obter comida."

O pesquisador e historiador da arte Shrikant Pradhan, do Deccan College, na Índia, estudou os petróglifos e disse que a arte foi claramente inspirada por observações feitas na época.

"A maioria dos petróglifos mostra animais familiares. Há imagens de tubarões e baleias, assim como anfíbios, como tartarugas", acrescenta Garge.

Mas isso levanta uma questão: por que as gravações retratam animais como hipopótamos e rinocerontes, que não existem nesta parte da Índia? Teriam seus autores migrado da África para a Índia? Ou estes animais podem ter vivido na Índia no passado?

O governo do Estado indiano criou um fundo de 240 milhões de rúpias (R$ 12,8 milhões) para novos estudos sobre 400 destes petróglifos na esperança de obter essas respostas. 
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