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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Arqueólogos encontram desenho mais antigo da história da humanidade

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Padrão abstrato pintado em fragmento de rocha foi produzido há cerca de 73 mil anos e é ao menos 30 mil anos mais antigo que desenhos conhecidos até então.
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Deutsche Welle
Por Deutsche Welle 
Postado em 14 de setembro de 2018 às 17h00m 
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Fragmento de pedra traz padrão abstrato composto por série de linhas — Foto: Craig Foster/Handout via REUTERS 

Arqueólogos afirmaram ter encontrado em uma caverna na África do Sul o desenho mais antigo produzido pelo ser humano de que se tem conhecimento. A descoberta seria uma evidência de que o Homo sapiens já possuía habilidades cognitivas modernas dezenas de milhares de anos atrás.

O achado foi revelado em um estudo publicado na revista "Nature" na quarta-feira (12/09). Encontrado na caverna de Blombos, 300 quilômetros a leste da Cidade do Cabo, o desenho decora um pequeno fragmento de pedra e foi pintado com tinta vermelha a partir de pigmentos minerais. Pesquisadores calculam que ele tenha sido produzido há cerca de 73 mil anos, no período conhecido como Idade da Pedra Média.

A descoberta é ao menos 30 mil anos mais antiga que os desenhos humanos conhecidos até o momento, afirma o estudo, e se soma a outros artefatos encontrados na mesma caverna, como contas de conchas, fragmentos gravados de pedra e até mesmo ferramentas feitas a partir de uma versão rudimentar do cimento.

"Todas essas descobertas demonstram que o Homo sapiens antigo no sul da África usou técnicas distintas para produzir símbolos similares em diferentes superfícies", afirmou Christopher Henshilwood, arqueólogo que liderou a pesquisa, da Universidade de Bergen na Noruega e da Universidade de Witwatersrand na África do Sul.

O desenho consiste em um padrão abstrato de seis linhas retas cruzadas por outras três linhas ligeiramente curvadas, lembrando vagamente o símbolo conhecido atualmente como uma hashtag. O fragmento de pedra tem cerca de 38,6 milímetros de altura e 12,8 milímetros de largura.

Embora arqueólogos já tenham encontradas gravações em pedra de datas anteriores, incluindo uma em Java com ao menos meio milhão de anos, a equipe de pesquisadores afirmou que a descoberta da caverna de Blombos se trata do exemplo mais antigo de um desenho.

Henshilwood acrescentou que não hesitaria em chamar o padrão abstrato de arte. "É definitivamente um desenho abstrato e, quase com certeza, tinha algum significado para seu autor. Provavelmente fazia parte de um sistema simbólico comum compreendido por outras pessoas de seu grupo."

Acredita-se que o autor do desenho tenha sido um dos caçadores-coletores que se abrigavam periodicamente na caverna de Blombos, voltada para o Oceano Índico.

"O fim abrupto de todas as linhas nos cantos do fragmento indicam que o padrão, originalmente, se estendia sobre uma superfície maior. Ele era provavelmente mais complexo e estruturado em seu todo do que nesse segmento truncado", apontou Henshilwood.

A descoberta reforça a crença de que seres humanos antigos também podiam armazenar informações fora de seus cérebros e de que se comportavam essencialmente como seres humanos modernos antes de deixarem a África em direção à Europa e à Ásia.






















Caverna de Blombos era usada como abrigo por antigos caçadores-coletores — Foto: Magnus M. Haaland/Handout via REUTERS 
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Inadimplência tem 11ª alta seguida e atinge 62,9 milhões de brasileiros, aponta CNDL/SPC

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Em agosto, indicador teve alta de 3,63 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já na passagem de julho para agosto, houve ligeira queda, de 0,71%
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Por Daniel Silveira, G1 



Estima-se que 41% da população brasileira adulta esteja com o nome sujo, segundo pesquisa  — Foto: Reprodução/TV GloboEstima-se que 41% da população brasileira adulta esteja com o nome sujo, segundo pesquisa — Foto: Reprodução/TV Globo

O número de brasileiros com nome sujo teve alta de 3,63% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, a 11ª alta consecutiva nesta base de comparação. É o que aponta o levantamento divulgado nesta quinta-feira (13) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito.

De acordo com a pesquisa, estima-se que há no país 62,9 milhões de consumidores inadimplentes. Isso significa que 41% da poulação adulta do país enfrenta dificuldades para controlar empréstimos, obter financiamentos ou realizar compras parceladas.

Indicador de inadimplência CNDL/SPC
Variação (%) anual - mês contra igual mês do ano anterior
Created with Highcharts 5.0.9-1,17-1,17-0,41-0,41-0,89-0,890,20,20,230,231,271,272,12,12,712,713,133,133,543,542,782,784,074,074,314,313,633,63Jul/17Ago/17Set/17Out/17Nov/17Dez/17Jan/18Fev/18Mar/18Abr/18Mai/18Jun/18Jul/18Ago/18-2-1012345

Ago/18
3,63
Fonte: CNDL / SPC

Apesar da longa série de aumento no número de inadimplentes, a alta de agosto foi menor que a dos dois meses anteriores. Em julho, o indicador teve alta de 4,31%, e em junho de 4,07% - também na comparação com os mesmos meses do ano passado.

Já na comparação mensal, ou seja, de julho para agosto, houve ligeira queda (-0,71%) no número de brasileiros com conta em atraso. Foi a segunda queda seguida. Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, apesar do recuo, a situação econômica do país segue desfavorável para os consumidores quitarem suas dívidas.

"A recuperação econômica mais lenta do que o esperado cria dificuldades para a gestão do orçamento das famílias, frustrando planos e a volta do consumo. A reversão desse quadro passa por uma aceleração da atividade econômica, em especial, do emprego e renda, que são os fatores que mais pesam para a confiança do consumidor”, disse Costa.

Alta entre idosos e queda entre jovens
A maior parte dos 62,9 milhões de inadimplentes tem entre 30 e 39 anos. No entanto, segundo o SPC, é entre a população mais velha que se observa o maior aumento da inadimplência.

Número de brasileiros com CPF restrito por faixa etária
Em milhões
Created with Highcharts 5.0.918 a 24 anos: 4,525 a 29 anos: 7,830 a 39 anos: 17,940 a 49 anos: 14,150 a 64 anos: 1365 a 84 anos: 5,4
Fonte: CNDL/SPC

Segundo o levantamento, na comparação com agosto de 2017, aumentou em 9,56% a quantidade de inadimplentes com idade de 65 a 84 anos. Na faixa etária de 50 a 64 anos, a alta foi de 6,26%, enquanto na população de 40 a 49 anos, o aumento foi de 4,77%. Entre os consumidores de 30 a 39 anos, a alta foi de 1,69%.

Entre os jovens, porém, a inadimplência apresentou queda no período. Entre aqueles de 18 a 24 anos, a redução do número de negativados foi de -23,20%, enquanto na faixa de 25 a 29 anos, o recuo foi de -5,63%.

Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o comportamento distinto entre as faixas etárias é reflexo da entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho e também da permanência prolongada dos idosos como força produtiva do país.

“Fora do mercado de trabalho pelas mais diversas razões, seja estudo, desemprego ou por opção, muitos desses brasileiros acabam ficando também fora do mercado de crédito, reduzindo o contingente de potenciais inadimplentes. Já entre os idosos, que estão permanecendo por mais tempo no mercado de trabalho, a renda mais curta nessa faixa etária e o aumento expressivo de gastos com saúde, por exemplo, podem desajustar o orçamento”, analisou.

Dívidas bancárias têm a maior alta
A pesquisa revelou que as dívidas bancárias, que englobam cartão de crédito, cheque especial e empréstimos, tiveram alta de 7,03% em agosto na comparação com igual mês de 2017. Entre os setores credores, foi a que apresentou a alta mais expressiva.

O setor de serviços básicos, como água e luz, foi o segundo com maior aumento de inadimplência no período, apresentando alta de 3,42%. Os atrasos no crediário do comércio caíram -6,01%, enquanto as pendências com TV por assinatura, internet e telefonia se mantiveram estáveis, com avanço de 0,01% no período.

O SPC destacou que em termos de participação, mais da metade (52%) de todos os compromissos financeiros não quitados pelo brasileiro foi contraída em bancos ou financeiras, seguidas do comércio (18%), setor de comunicação (14%) e emprestas prestadoras de serviços básicos (8%).

Metodologia
O indicador de inadimplência do consumidor é formado a partir de todas as informações disponíveis nas bases de dados às quais o SPC Brasil e a CNDL têm acesso. As informações disponíveis referem-se a capitais e interior das 27 unidades da federação. A estimativa do número de inadimplentes apresenta erro aproximado de 4 p.p., a um intervalo de confiança de 95%.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A planta que 'sangra' metal e que pode ajudar a limpar solos contaminados

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Encontrada em ilha no Pacífico Sul, Pycnandra acuminata tem 25% de níquel em seu látex, que tem uma exótica cor azul-esverdeada. Ela faz parte do grupo das 'hiperacumuladoras', uma esperança na luta pela preservação do meio ambiente.
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BBC
Por BBC 
Postado em 12 de setembro de 2018 às 22h45m 
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:* Série Natureza e Lagos - N. 020 *:




















Pesquisadores descobriram que árvore do Pacífico Sul tem 25% de níquel em sua composição — Foto: Antony van der Ent

Metais pesados ​​como o níquel e o zinco são geralmente a última coisa que as plantas querem encontrar, especialmente em altas concentrações, no local em que crescem.

O grupo das "hiperacumuladoras", contudo, conseguiu, através da evolução, passar a absorver elementos normalmente tóxicos em seus caules, folhas e até sementes.

Pesquisadores vêm estudando uma em particular, a Pycnandra acuminata – que cresce na ilha de Nova Caledônia, no sul do Pacífico –, para entender como ela funciona e possivelmente usá-la para limpar solos contaminados ou permitir que terras pobres em nutrientes voltem a ser férteis.

Seu látex tem uma cor azul-esverdeada exótica e uma concentração de até 25% de níquel. Os cientistas acreditam que o metal pode ser útil para a planta, que o usaria para se defender de insetos.
De acordo com pesquisadores, a árvore, que pode chegar a 20 metros de altura, está ameaçada pelo desmatamento — Foto: Getty Images via BBC 

"A Pycnandra acuminata é uma árvore rara de floresta tropical de grande porte, que pode chegar a até 20 metros de altura", diz o pesquisador Antony van der Ent, da Universidade de Queensland, na Austrália, que estuda a planta.

"Como objeto de estudo, ela é um desafio, porque cresce muito lentamente e leva décadas para produzir flores e sementes. Está ameaçada pelo desmatamento, resultado de atividades de mineração e queimadas", disse ele à BBC.

A afinidade incomum do arbusto com o níquel foi identificada pela primeira vez na década de 1970, e desde então a pesquisa sobre as plantas hiperacumuladoras só se expandiu.

Olhando para dentro
Como explicar o que está acontecendo dentro dessas plantas? 
Para responder essa pergunta, a Pycnandra acuminata e outras hiperacumuladoras foram analisadas ​​em Hamburgo em um aparelho de luz síncrotron DESY, que usa um tipo especial de radiação. 

Pesquisadores usaram luz síncrotron, criada por um acelerador de partículas, para analisar estrutura da árvore — Foto: Antony van der Ent
"Se você usa um microscópio convencional, pode ver estruturas, mas não pode realmente dizer do que elas são feitas", explica Kathryn Spiers, que também estuda a Pycnandra.

Spires usou uma técnica que permite que a amostra seja fotografada e girada muito rapidamente, antes de ser destruída pelo feixe de raios-X.

"No síncrotron, a fonte de luz é muito brilhante, e nosso detector, muito rápido. Isso significa que você pode escanear a amostra antes que ela desapareça. Você vê que foi literalmente feito um buraco nela."

Fazendo isso sucessivas vezes, os pesquisadores podem então montar uma imagem completa da amostra da planta, com seus diferentes componentes visíveis.

Usos futuros
Os cientistas ainda estão investigando por que essas plantas em particular evoluíram dessa maneira e passaram a conseguir se desenvolver em condições tão adversas. Provavelmente, dizem, o processo não se deve à interferência humana no meio ambiente.

"A evolução da hiperacumulação aconteceu em diversas etapas e em famílias muito diferentes, no decorrer de milhões de anos, provavelmente. Estas plantas são encontradas em solos naturalmente enriquecidos com metais", diz van der Ent.

Alguns cientistas estão esperançosos, contudo, de que as hiperacumuladoras possam ser usadas ​​para "limpar" os solos em que há acúmulo de material tóxico devido à atividade humana.

Outra possível aplicação é a chamada fito-mineração - neste caso, a plantas hiperacumuladoras seriam usadas em solos pobres em nutrientes, mas ricos em metais, para extrair esses elementos e permitir, por exemplo, que o solo fique mais fértil para a agricultura.


















Espécie teria evoluído durante milhões de anos — Foto: Antony van der Ent
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