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quinta-feira, 1 de junho de 2017

PIB do Brasil cresce 1% no 1º trimestre de 2017, após 8 quedas seguidas

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Agropecuária foi o destaque na primeira alta da economia em 2 anos. Tecnicamente, resultado positivo tira o país de sua pior recessão.

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Agronegócios saltou 13,4% e puxou alta do PIB no 1º trimestre (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP)
Agronegócios saltou 13,4% e puxou alta do PIB no 1º trimestre (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP)

A economia brasileira voltou a crescer após oito trimestres seguidos de queda. Nos três primeiros meses de 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,0% em relação ao 4º trimestre do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em valores correntes, a economia do país produziu R$ 1,595 trilhão.

 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2015 e 2016, a atividade econômica havia encolhido 3,8% e 3,6%, confirmando a pior recessão da história do país.

Tecnicamente, o resultado tira o Brasil da recessão após dois anos. Mas para boa parte dos economistas, ainda é cedo para decretar que a crise acabou, pois não há sinais claros de recuperação em todos os setores e permanecem dúvidas sobre os próximos meses.

Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali, o avanço do PIB ocorreu sobre uma base bastante deprimida. "A gente está no mesmo patamar do final de 2010", destacou.

Agropecuária foi destaque entre os setores
A agropecuária registrou a maior expansão em mais de 20 anos e foi destaque entre os setores calculados pelo IBGE, com salto de 13,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A safra recorde de grãos ajudou a impulsionar o resultado. Foi o maior crescimento desde o 4º trimestre de 1996.

"Apesar de a agropecuária pesar 5,5% no valor adicionado da economia [participação do setor no cálculo do PIB], os prognósticos de recorde de safra puxaram todas as taxas para cima", avalia Rebeca.

Segundo o IBGE, soja, milho, arroz e fumo respondem, juntos, por cerca de 50% do peso da agropecuária do país. “Os quatro estão com uma estimativa muito boa para este ano. Principalmente o milho, que tem expectativa de aumento de 46,8%”, disse Rebeca.
"A safra recorde de grãos ajudou a impulsionar o melhor resultado da agropecuária em mais de 20 anos"
A indústria subiu 0,9% após dois trimestre de queda, enquanto o setor de serviços não teve variação. "O serviço, que representa mais de 73,3% do valor adicionado total da economia, puxou para baixo o desempenho do PIB", afirmou a coordenadora do IBGE.

O principal impacto negativo no setor de serviços foram as atividades de intermediação financeira e seguros, com queda de 4% ante o primeiro trimestre do ano passado. Além disso, o comércio recuou 2,5% no mesmo período.
 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Depois da agropecuária, o setor com o melhor desempenho foi o da produção e distribuição de eletricidade, gás, água e esgoto, com expansão de 3,3%. “A gente ainda não teve no primeiro trimestre o efeito do religamento das térmicas”, ponderou a pesquisadora.

Entre os subsetores, a indústria extrativa mineral expandiu 1,7%, revertendo um desempenho ruim desde o acidente de Mariana (MG), ocorrido em 2015. Segundo o IBGE, o setor já não sofre influência do desastre e teve impacto positivo na balança comercial. “Tanto o minério quanto o petróleo estão com preço mais favorável para exportação”, destacou Rebeca.

Consumo das famílias e investimentos em queda
Do lado da demanda, todos os componentes do PIB apresentaram queda na mesma base de comparação. O consumo das famílias recuou 0,1%, enquanto os gastos do governo caíram 0,6%, e a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) encolheu 1,6%.

“A queda da inflação é um fator positivo no caso do consumo das famílias, e os juros caindo também. Mas o crédito continua bastante restrito. Então, a gente tem por um lado o crédito e a ocupação contribuindo negativamente, mas por outro lado a queda na inflação e a queda nos juros contribuindo positivamente”, comentou a coordenadora do IBGE.
 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

Os investimentos continuaram a cair e se retraíram 1,6% em relação ao último trimestre e chegaram ao menor patamar já registrado. O resultado foi impactado pela redução da importação de bens de capital, como máquinas e equipamentos.

A taxa de investimentos ficou em 15,6% do PIB. De acordo com Claudia Dionísio, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, este foi o menor patamar registrado em toda a série histórica, com início em 1996. Antes, a menor taxa foi registrada no 1º trimestre do ano passado, quando foi de 16,8%.
A taxa de investimentos ficou em 15,6% do PIB, o menor patamar registrado em toda a série histórica, com início em 1996.
As incertezas trazidas pela crise política podem levar os empresários a represar ainda mais os investimentos, que caíram a menor taxa da série do IBGE. "Vemos sinais positivos, mas existe a dificuldade de eles passarem para a economia (no longo prazo) por conta da incerteza política. Está dificultando uma transição que já seria difícil", afirmou ao G1 Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE/FGV.

Ela considera que o nível de investimento, que caiu ao menor patamar da série histórica medida pelo IBGE é afetado pela ociosidade da indústria e pela incerteza política. "A capacidade de investimento não existe, porque o retorno está muito fraco e não há crédito subsidiado porque o governo não pode dar dinheiro para o setor privado", avalia.

A construção civil, abalada por uma forte queda nos trimestres anteriores, voltou a subir nos três primeiros meses do ano. O crescimento foi de 0,5% frente ao período anterior, mas houve queda de 6,3% frente ao ano anterior. Apesar da alta, a construção segue com taxas muito negativas tanto no setor imobiliário quanto de infraestrutura, destacou o IBGE.

Comparação com o ano anterior
Em relação ao 1º trimestre do ano anterior, o PIB caiu 0,4%, o 12º resultado negativo seguido. Também nesta base de comparação, a agropecuária se destacou com alta de 15,2%. Mas a indústria sofreu queda de 1,1% e serviços recuou 1,7%.

Foi o primeiro trimestre em que os serviços tiveram uma taxa mais negativa que a indústria na comparação anual desde o início da recessão, em 2014, segundo o IBGE.

Pelo oitavo trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram resultado negativo na comparação com igual período de 2016. No primeiro trimestre de 2017, a despesa de consumo das famílias caiu 1,9%.

Nos quatro últimos trimestres terminados em março, o PIB acumulou queda de 2,3% em relação aos quatro períodos imediatamente anteriores.

Já a taxa de poupança subiu para 15,7% no primeiro trimestre, frente a 13,9% no mesmo trimestre do ano anterior. Foi a primeira alta desde 2012.

Revisão do PIB do 4º trimestre
O IBGE revisou as taxas do PIB do ano passado. No 4º trimestre, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 0,5%, ante o resultado negativo de 0,9% anteriormente divulgado. No 3º trimestre, o PIB foi revisado de queda de 0,7% para recuo de 0,6%.

No 2º trimestre de 2016 não houve revisão. Já no 1º trimestre, a taxa foi revisada de queda de 0,6% para retração de 1,0%. O IBGE destacou, no entanto, que as revisões não alteraram a taxa do acumulado do ano, que foi de queda de 3,6%.
 (Foto: Arte/G1)
(Foto: Arte/G1)

O IBGE ressaltou, ainda, que o país teve uma menor necessidade de financiamento no primeiro trimestre deste ano – foi de R$ 20,3 bilhões ante R$ 33 bilhões no mesmo período do ano passado.
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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Copom reduz juro para 10,25% ao ano e indica corte menor no futuro

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Selic cai ao menor nível em três anos e meio e Brasil deixa liderança do ranking mundial de juros reais. Corte de 1 ponto percentual confirma previsão do mercado.

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 (Foto: Arte/G1)
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (31) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 11,25% para 10,25% ao ano. Foi o sexto corte seguido na taxa.

Com a decisão, o BC manteve o ritmo de redução verificado na reunião de abril. Em 10,25%, os juros recuam ao menor patamar desde o início de 2014, ou seja, em três anos e meio.

Antes da crise política gerada pela delação de executivos da J&F, empresa que controla o frigorífico JBS, e que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a autorizar a abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer, parte do mercado financeiro apostava em um corte maior na Selic, de 1,25 ponto percentual.

Porém, após o início da nova crise política, os analistas ajustaram suas apostas e passaram a prever, em peso, uma redução menor, de 1 ponto percentual, o que se confirmou nesta quarta.

A previsão do mercado financeiro é que a taxa básica de juros da economia continue a recuar nos próximos meses e chegue a 8,5% ao ano no final de 2017.

BC indica corte menor no futuro
Entretanto, o BC sinalizou que deve promover reduções menores de juros no futuro por conta do aumento das tensões políticas, incorporadas ao chamado "cenário básico".

"Em função do cenário básico e do atual balanço de riscos, o Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião", informou o Banco Central, em nota.

"Naturalmente, o ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação", completa o documento.

Ainda de acordo com o BC, o "aumento recente da incerteza associada à evolução do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira dificulta a queda mais célere das estimativas da taxa de juros estrutural e as torna mais incertas. Essas estimativas continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo".

Ranking de juros reais
Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil saiu da liderança do ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.

Com os juros básicos em 10,25% ao ano, a taxa real do Brasil soma 4,30% ao ano, atrás da Rússia, com juros reais de 4,57% ao ano. Entretanto, o Brasil segue na frente dos demais países.

Em terceiro lugar, está a Turquia, com uma taxa real de 3,63% ao ano. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 0,2% ao ano.

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, definida todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Normalmente, quando a inflação está em alta, o BC eleva a Selic na expectativa de que o encarecimento do crédito freie o consumo e, com isso, a inflação caia. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.
Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo agora.

Em razão do fraco nível de atividade, a inflação está bem comportada. Nos primeiros quatro meses deste ano, segundo o IBGE, a inflação oficial (medida pelo IPCA) ficou em em 1,1%, menor índice para o período desde o início do Plano Real. Em doze meses, somou 4,08%, o menor valor em 10 anos.

Para 2017, o mercado financeiro prevê que a inflação deve ficar em 3,95%, abaixo da meta de 4,5% fixada pelo CMN para este ano. A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009. À época, o país sentia os efeitos da crise financeira internacional de forma mais intensa.

Rendimento da poupança
De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mesmo com a redução dos juros para 10,25% ao ano, os fundos de investimento continuam mais atrativos e ganham da poupança na maioria das situações.

A poupança continua atrativa somente para fundos com taxas de administração acima de 2%. Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído a atenção de aplicadores nos últimos anos.
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