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segunda-feira, 17 de abril de 2017

'Estamos longe de estar numa recuperação sólida e sustentável', diz economista

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por Thais Herédia
Segunda-feira, 10/04/2017, às 15:57,  
Postado em 17 de abril de 2017 às 08h00m
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Carlos Kawal, economista-chefe do banco Safra.
Já estamos em abril e o quebra-cabeças do primeiro trimestre do ano vai ganhando mais peças. Há uma percepção de enfraquecimento do ritmo de recuperação da economia, tanto assim que a previsão média para o PIB feita dos economistas ouvidos pelo Banco Central baixou para 0,41%, ante 0,47% de uma semana atrás.
 
O que os analistas estão buscando é uma calibragem equilibrada entre os fatos, ou seja, os dados que já estão disponíveis, e as expectativas formadas pela alta da confiança de consumidores e empresários. Será que esta retomada da confiança vai se traduzir em maior crescimento nos próximos meses?
 
Eu fiz esta e outras perguntas ao economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawal. Ele me recebeu em seu escritório na semana passada e sugeriu cautela para quem acredita que “agora tudo vai virar” na economia. Mesmo sobre este início de ano, onde estão concentradas as esperanças de que o país tenha deixado a recessão para trás, Kawal prefere o conservadorismo até que todas as informações estejam completas.
 
“A ideia de um primeiro trimestre bastante robusto, alguma coisa em torno de 0,5%, está sendo revista para baixo”, ressalva o economista.
 
A seguir, os principais trechos da entrevista. As fotos são de Marcelo Brandt, do G1.
 
Já começamos a superar a crise ou apenas saímos da recessão?  
Já são oito trimestres seguidos de contração do PIB. Em tese, tecnicamente sairemos da recessão se tivermos o primeiro trimestre positivo, mas até isso começa a ficar em dúvida. As divulgações que ocorreram sobre janeiro, comércio, indústria e serviços, foram fortemente no terreno negativo. A ideia de um primeiro tri bastante robusto, alguma coisa em torno de 0,5%, está sendo revista para baixo.
 
Nós estávamos com previsão de crescimento zero para o primeiro tri.


Começamos o ano imaginando que teríamos uma situação melhor e de repente nós reveríamos o PIB para cima. O que acabou não acontecendo. Faltam indicadores de fevereiro fechados, mas o que vimos até agora estão nos dando um certo conforto de ter ficado no zero. Isto coloca ideia de que se for 0,1%, tecnicamente saímos da recessão, mas está longe de ser algo que mostra uma recuperação solida e sustentável.
 
De onde pode vir a surpresa positiva?
Temos que levar em conta, do lado da oferta, que o PIB vai se beneficiar da safra agrícola, que gera um efeito importante da cadeia do agronegócio, da renda agrícola que sobe, mas é muito pouco a gente ficar otimista com a recuperação da economia porque houve uma excelente safra.
 
Isto obviamente ajuda. Mas tem aquela história. Não basta ter uma boa política econômica, também tem que dar sorte.

Na verdade, estamos com cenário internacional surpreendendo do lado positivo, [os preços] as commodities nos ajudando, o juro lá fora numa trajetória de alta moderada, os piores temores do governo Trump não se confirmaram.


A queda dos preços dos alimentos ajudando o BC na sua tarefa de reduzir juros. Agora, a economia pegar tração e sair por si só numa recuperação mais rigorosa, mais sustentável, os dados do primeiro trimestre estão jogando um pouco de dúvida nesta direção.
Carlos Kawal, economista-chefe do banco Safra.
Se a expectativa de saída da recessão morrer na praia, que tipo de contaminação pode gerar na confiança, ou na própria recuperação da economia?
Temos que olhar o diagnóstico da situação. A gente sabe que no mercado de trabalho existe alguma sugestão, dada pelo Caged de fevereiro, de que está melhor. Mas a taxa de desemprego continuará subindo mais um pouco. O emprego não ajudará no curto prazo. 

Eu tenho insistido num diagnostico de que temos um país num processo de desalavancagem. 
Continuamos vendo empresas com balanços muito comprometidos, buscando reduzir passivos, cortando investimentos e fazendo esforço nessa direção.
 
É verdade que a taxa de juros está caindo. Olhando para frente a expectativa de inflação e os juros, é de queda. Mas quando olhamos pelo CDI, que é o que corrige as dívidas das empresas, e considera que é uma crise com componente de balanço (financeiro do setor privado) importante, a taxa de juros real ainda é muito alta.
 
O alto endividamento das empresas é um obstáculo para a retomada? 
Sim, e o juro caiu pouco ainda frente a situação que elas têm. Endividamento de empresa em moeda local é essencialmente baseado no CDI. Isto significa que ele é beneficiado mais diretamente quando a Selic cai. Acontece que a taxa caiu pouco ainda. 

Isto dificulta este processo de desalavancagem que precisamos que chegue a um bom termo para que os empresários tomem coragem para voltar a investir, voltar a crescer.
 
Mas de novo, como aconteceu em meados de 2016, os indicadores de confiança estão subindo descolados desta realidade que você acabou de descrever.
Temos visto esta desconexão entre indicadores de confiança e a atividade em si. Quando vêm os dados da atividade, eles não acompanham. E tampouco o desemprego e os dados de crédito.

A orientação da política econômica, principalmente a agenda das reformas, tudo isto continua na direção correta, mesmo com enormes dificuldades. Mas não vemos a recuperação vir na velocidade que gostaríamos e seria importante para mitigar os efeitos da crise, sobretudo o lado do desemprego.
 
A política fiscal está bloqueada, nos estados um quadro também de bastante contração. A compensação tem que vir do lado da política monetária. Agora passamos a prever que o juro termine em 8% este ano. De novo, tudo é uma questão de diagnóstico. 


Qual é o grande problema na economia? Fiscal estrutural, muito intervencionismo, muito problema nas empresas estatais. Estamos entrando na agenda microeconômica, tem muita coisa acontecendo na direção correta.
Carlos Kawal, economista-chefe do banco Safra.
Quem vai financiar esta travessia?
Estamos vendo certo renascimento do mercado de capitais. Esta temperatura é um contraponto positivo. Mesmo em renda variável, vemos muitas ofertas na prateleira. Tem também operações de renda fixa, além das operações de fusões e aquisições. Tudo isto está indo muito bem e ajuda a aumentar a velocidade de ajuste patrimonial das empresas.
 
Existe naturalmente uma dificuldade maior quando faz você faz isso com juros reais elevados. Não vejo que isto seja diagnóstico consensual entre economistas. Se este é um diagnóstico correto, ele reclama uma taxa de juros bem mais baixa neste momento para que a gente consiga sair deste atoleiro dado por esta herança de endividamento do setor empresarial e das famílias que ainda é bastante elevado.
 
Mas os juros já estão caindo e isto pode ajudar, não?
Há uma leitura de que o juro real de equilíbrio é de 5% a 6%. Isto não faz sentido. Como (poderia ser tão alto), se as empresas não têm capacidade de crescer? Tinha que ser bem menor. E se a situação é de recessão, tem que ir abaixo do juro de equilíbrio. Nós estamos muito distantes desta realidade.
 
A gente sabe que o governo não vai ser fonte de estimulo à atividade, ao contrário. A gente sabe que os bancos públicos também não vão ser fonte de estimulo, nem concessão de subsídios pela situação fiscal. Neste contexto, as condições financeiras ainda são bastante restritivas para que a gente tenha recuperação mais sustentável.
 
Está no momento de rever as expectativas para a economia?
Acho que está um pouco cedo. Ninguém quer sair falando que vamos ter mais um trimestre de recessão. Até porque a gente tem que fazer isto com cautela. Agora, sai um dado ruim, depois sai outro...Ainda assim, tem coisas boas acontecendo como o efeito da agricultura e do FGTS.
 
Eu sinto que tem gente dizendo ‘agora vai’, “vai dar a virada”. Não necessariamente será assim, não vamos ver um estrondo super forte da economia.  Como vai se comportar o consumidor, por exemplo? Hoje a gente tem a ressaca de um aprendizado de que não vamos mais ter a conjuntura que tivemos no passado.

Carlos Kawal, economista-chefe do banco Safra.

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sábado, 15 de abril de 2017

'Prontos para ataque nuclear': Aumenta tensão entre Coreia do Norte e EUA

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A Coreia do Norte alertou os Estados Unidos de que não aceitará provocações na região, dizendo que está "pronta para revidar ataques nucleares".

O comentário acontece no dia em que o país comemora o 105º aniversário do nascimento de seu presidente fundador, Kim Il-sung - o avô do atual presidente Kim Jong-un.

Um enorme desfile militar em Pyongyang ocorreu em meio a especulações sobre se Kim Jong-un ordenará um novo teste nuclear. Entre os armamentos demonstrados na parada parecia haver novos mísseis intercontinentais que podem ser lançados de submarinos.
Foi uma demonstração de poderio militar após o aumento das tensões com os Estados Unidos, que enviou um navio porta-aviões para a região.

"Estamos preparados para responder uma declaração de guerra com uma declaração de guerra", disse Choe Ryong-hae, que acredita-se ser a segunda autoridade mais poderosa no país.

"Estamos prontos para contra-atacar com ataques nucleares do nosso próprio estilo no caso de qualquer ataque nuclear."

Fileiras de bandas militares e soldados marcharam pela praça principal da capital, a praça Kim Il-sung, na celebração do "Dia do Sol" enquanto King Jong-un, de terno escuro, assistia.

Ele saudou a guarda de honra e tomou seu lugar no pódio. Em determinados momentos, pareceu relaxado e riu junto com seus assessores.



'Medo e fascínio'
"Foi um espetáculo extraordinário e perturbador. Na verdade, foi mais do que um espetáculo. Enquanto milhares e milhares de soldados marchavam em uma demonstração coreografada de lealdade e unidade, dava para sentir, literalmente, o chão tremer", disse o correspondente da BBC em Pyongyang John Sudworth.

"Eles continuaram passando, em formação perfeita, até que atrás deles apareceram os armamentos pesados. Havia componentes do extravagante programa de armas nucleares do regime, como mísseis gigantes."

"E, finalmente, os moradores de Pyongyang começaram a passar, vestidos em roupas tradicionais, comemorando e chorando. Assim como os militares, eles andavam com os rostos virados para seu jovem líder Kim Jong-un. Foi uma aula de mobilização totalitária feita para causar medo e fascínio. E conseguiu", descreve Sudworth.

Durante a passeata, aviões militares escreveram o número 105 no céu da capital norte-coreana.

Em meio a preocupações de que a Coreia do Norte está próxima de produzir um arsenal nuclear, o desfile deste sábado foi uma oportunidade para que Kim mostre as atuais capacidades militares do país.

Foram mostrados pela primeira vez o que pareciam ser mísseis balísticos Pukkuksong, que são lançados de submarinos e podem viajar mais de mil quilômetros.

Especialistas em armas dizem ter visto também dois novos tipos de mísseis balísticos intercontinentais, mas ainda não está claro se eles foram testados. Pyongyang ainda não anunciou se têm mísseis como estes prontos para serem usados.

Ogivas
O objetivo do país parece ser colocar uma ogiva nuclear em um míssil balístico intercontinental, que consiga atingir alvos ao redor do mundo. Até agora, cinco testes nucleares já foram realizados em busca deste objetivo.

Pyongyang afirma ter miniaturizado ogivas nucleares para usá-las em mísseis, mas especialistas dizem duvidar, por falta de provas.

A parada militar mostrou quão vital o programa nuclear é para as ambições do país, enquanto o governo continua a ignorar a crescente pressão dos EUA para abandonar suas armas nucleares - com um impulso da China.

Na última sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi disse que "pode haver conflito a qualquer momento" entre a China e a Coreia do Norte. Ele afirmou ainda que, se ocorresse uma guerra, não haveria vencedores.

Ao contrário do que ocorreu nos desfiles comemorativos anteriores em Pyongyang, não parecia haver representantes chineses neste sábado.

Além da ameaça da China, o presidente americano Donald Trump disse na última quinta-feira que "o problema da Coreia do Norte" seria "resolvido".

"Se a China decidir ajudar, seria ótimo. Se não, resolveremos o problema sem eles! Estados Unidos da América", afirmou Trump.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, irá para a Coreia do Sul no domingo como parte de uma viagem de 10 dias pela Ásia.
O navio porta-aviões USS Carl Vinson e um grupo tático também foram enviados para a península coreana.

"Estamos enviando uma armada. Muito poderosa", disse Trump à rede de TV Fox Business. "Ele (Kim Jong-un) está fazendo a coisa errada. Está comentendo um grande erro."

No entanto, a agência de notícias Associated Press citou declarações de membros do governo americano dizendo que a administração atual está mais focada em aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte com a ajuda da China do que em utilizar a força militar contra o país.

Mesmo assim, o presidente americano demonstrou, recentemente, a disposição de usar as armas para resolver questões.
Ele ordenou um ataque com mísseis de cruzeiro a uma base aérea na Síria em retaliação a um suposto ataque com armas químicas - a primeira ação direta contra o regime sírio desde o início da guerra civil - e o Exército americano acaba de usar uma poderosa bomba contra o grupo autodenominado "Estado Islâmico" no Afeganistão.
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Cientistas descobrem 'primo mais velho' de dinossauros que viveu há mais de 240 milhões de anos

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Fósseis da criatura carnívora chamada Teleocrater rhadinus foram encontrados no sul da Tanzânia.

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Reconstrução da vida de Teleocrater rhadinus, em ilustração, ao lado de um parente antigo dos mamíferos, o Cynognathus. (Foto: Natural History Museum, London, artwork by Mark Witton)Reconstrução da vida de Teleocrater rhadinus, em ilustração, ao lado de um parente antigo dos mamíferos, o Cynognathus. (Foto: Natural History Museum, London, artwork by Mark Witton)

Há muitos anos os pesquisadores buscam entender como eram os parentes mais antigos dos dinossauros. Alguns acreditavam que eram como minidinossauros, do tamanho de uma galinha, e que também andavam sobre duas pernas.

Uma descoberta de paleontologistas do Instituto Politécnico da Universidade Nacional da Virgínia, nos EUA, traz evidências que contrariam essa ideia. O estudo, publicado pela revista “Nature” nesta quarta-feira (12), relata que fósseis de uma criatura até então desconhecida, chamada de Teleocrater rhadinus, foram encontrados no sul da Tanzânia.

Com certa de 3 metros de comprimento, o “primo antigo” dos dinossauros viveu há cerca de 245 milhões de anos, de acordo com os cientistas. Ele tinha cauda e pescoço longos. Em vez de andar sobre duas pernas, ele caminhava sobre quatro patas, no estilo dos crocodilos de hoje.
Desenho de como é a estrutura óssea do Teleocrater rhadinus  (Foto: Natural History Museum, London, artwork by Mark Witton)Desenho de como é a estrutura óssea do Teleocrater rhadinus (Foto: Natural History Museum, London, artwork by Mark Witton)

Segundo a universidade, a descoberta preenche uma lacuna nos registros fósseis. O Teleocrater rhadinus viveu no período Triássico, antes da existência dos dinossauros. Ele aparece logo depois do surgimento dos arcossauros -- criatura que também influenciou os dinossauros e, depois, os pássaros e crocodilos.

“A descoberta do Teleocrater muda fundamentalmente as nossas ideias sobre a história antiga dos parentes dos dinossauros”, disse Sterling Nesbitt, um dos autores.

“Esta pesquisa esclarece a distribuição e a diversidade dos antepassados dos crocodilos, pássaros e dinossauros”, diz Judy Skog, diretora da Divisão de Ciências da Terra da National Science Foundation. “E indica que a origem dos dinossauros deveria ser reexaminada agora que sabemos mais sobre a história e traços desses primeiros ancestrais”, completou.

A equipe deverá voltar ao sul da Tanzânia em maio deste ano para buscar possíveis novos fósseis. Eles também continuarão a analisar os ossos do Teleocrater no local de escavação.
Pesquisadores trabalham na análise dos fósseis encontrados na Tanzânia (Foto: Roger Smith)Pesquisadores trabalham na análise dos fósseis encontrados na Tanzânia (Foto: Roger Smith) 
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