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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dívida pública sobe 11,42% em 2016, para R$ 3,11 trilhões, novo recorde

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Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, dívida pública cresceu no ano passado somente por conta da incidência de juros. 

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A dívida pública federal, que inclui os endividamentos do governo dentro do Brasil e no exterior, teve aumento de 11,42% em 2016, para R$ 3,11 trilhões. Trata-se do maior patamar da série histórica, que começa em 2004, segundo números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25). No fim de 2015, a dívida estava em R$ 2,79 trilhões.

Em valores nominais, ou seja, sem descontar a inflação do período, o crescimento da dívida pública no ano passado foi de R$ 319 bilhões. Em 2015, a dívida pública havia registrado crescimento maior, de 21,7%, ou R$ 498 bilhões. Já em 2014, a expansão havia sido de 8,15%, ou R$ 172 bilhões, segundo números oficais.

A dívida pública é a emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal. Quando os pagamentos e recebimentos são realizados em real, a dívida é chamada de interna. Quando tais operações ocorrem em moeda estrangeira (dólar, normalmente), é classificada como externa.

Para 2017, o Tesouro Nacional estima que a dívida pública federal continuará avançando e poderá chegar ao final do ano a R$ 3,65 tilhões.
 Dívida Pública (Foto: Arte/G1)
Dívida Pública (Foto: Arte/G1)

Gastos com juros
O crescimento da dívida pública no ano passado está relacionado, principalmente, com as despesas com juros, no valor de R$ 330 bilhões.

Em 2012, 2013, 2014 e 2015, respectivamente, as despesas com juros da dívida pública somaram R$ 207 bilhões, R$ 218 bilhões, R$ 243 bilhões e R$ 367 bilhões, segundo números oficiais.

Os números do governo mostram que a dívida só não cresceu mais no ano passado porque houve um resgate líquido (vencimentos de papéis maiores do que as emissões de novos títulos públicos) em um valor de R$ 10,79 bilhões.

Aumento nos últimos anos
Segundo os dados do Tesouro, nos últimos 10 anos a dívida pública mais que dobrou: em 2006, o estoque da dívida estava em R$ 1,23 trilhão, subindo para R$ 2,12 trilhões no fechamento de 2012 e para R$ 3,11 trilhões no fim do ano passado.

Da expansão da dívida pública, de cerca de R$ 1,87 trilhão nos últimos dez anos, mais de R$ 400 bilhões referem-se a emissões de títulos públicos para capitalizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição controlada pelo governo federal e que foi responsável por financiar grandes projetos de infraestrutura no país nos últimos anos.

O governo do presidente Michel Temer já sinalizou que o BNDES não vai mais ter o mesmo peso no financiamento de obras. O objetivo é justamente reduzir o endividamento e tentar reequilibrar as contas públicas. Por conta disso, no fim do ano passado, o governo recebeu de volta R$ 100 bilhões do BNDES.

A redução do papel do BNDES, porém, deixa dúvidas sobre o financiamento de projetos que vão, inclusive, ajudar na retomada do crescimento do país nos próximos anos. Parte desse dinheiro terá que vir, por exemplo, de bancos privados e de investidores.

Dívidas interna e externa
No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi registrado um aumento de 12,67% em 2016, para R$ 2,98 trilhões. Neste caso, o crescimento foi de R$ 336 bilhões.

Já no caso da dívida externa brasileira, resultado da emissão de bônus soberanos (títulos da dívida) no mercado internacional e de contratos firmados no passado, o governo contabilizou uma queda de 11,42% em 2016, para R$ 126,52 bilhões. A redução da dívida externa foi de R$ 16,32 bilhões.

Compradores
Os números do Tesouro Nacional também revelam que a participação dos investidores estrangeiros na dívida pública interna registrou forte queda no ano passado. Em dezembro de 2016, os não residentes detinham 14,3% do total da dívida interna (R$ 427 bilhões) contra 18,8% (R$ 497 bilhões) no fim de 2015.

Mesmo assim, os estrangeiros seguem na quarta colocação de principais detentores da dívida pública interna, atrás dos fundos de previdência - que assumiram a liderança no ano passado, com R$ 748 bilhões ou 25% do total; das instituições financeiras (23% do total, ou R$ 688 bilhões) e dos fundos de investimento (22% do total, ou R$ 660 bilhões).

Perfil da dívida
Em dezembro de 2016, o percentual de papéis prefixados somou 36,88% do total, ou R$ 1,1 trilhão, contra 41% no fechamento de 2015 (R$ 1,08 trilhão). Os números foram calculados após a contabilização dos contratos de "swap cambial".

Os títulos atrelados à taxa Selic (os pós-fixados), por sua vez, tiveram sua participação fortemente elevada em 2016. No fim do ano passado, representaram 7,9% do total (R$ 209 bilhões). No fechamento de 2013, representavam 26,57% (R$ 793 bilhões).

A parcela da dívida atrelada aos índices de preços (inflação), por sua vez, somou 33,2% no fim de 2016, o equivalente a R$ 990 bilhões, contra 34,28% no fechamento de 2015, ou R$ 908 bilhões.

Os ativos indexados à variação da taxa de câmbio, por sua vez, somaram 3,37% do total no fim de 2016, ou R$ 100 bilhões, contra 16,79% no fim de 2015, ou R$ 444 bilhões.
A queda da dívida em dólar se deve ao resgate, por parte do Banco Central, de contratos de "swap cambial" - na esteira do processo de queda da cotação do dólar no Brasil.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Número de famílias que permaneceu inadimplente em 2016 subiu 25,2%, diz CNC

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Parcela de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou em 18,4%. Entretanto, houve redução de 3,9% no número médio de famílias endividadas

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Número médio de famílias brasileiras endividadas diminuiu em 3,9% na comparação com 2015. (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Número médio de famílias brasileiras endividadas diminuiu em 3,9% na comparação com 2015. (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Em 2016, 8,9% das famílias endividadas não conseguiram quitar os débitos e permaneceram inadimplentes. Isso representa um aumento de 25,2% de famílias nesta condição em relação ao ano anterior. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) Anual da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada nesta terça-feira (24).

De acordo com o levantamento, a parcela de famílias com contas ou dívidas em atraso alcançou 23,6%, resultado 18,4% acima do registrado em 2015.

O número médio de famílias endividadas, no entanto, teve queda de 3,9% em relação ao ano anterior, passando de 61,1% para 58,7%. Segundo a CNC, embora este índice tenha ficado abaixo do patamar observado em 2015, os demais indicadores da inadimplência tiveram alta, principalmente a partir do terceiro trimestre do ano.

Apesar da redução do nível de endividamento, o número médio de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 8,9 milhões para 9,2 milhões. Segundo a CNC, esse aumento acompanhou a piora dos indicadores de emprego e renda, assim como o encarecimento do crédito, ao longo de 2016.

Em relação ao número de famílias que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas, a taxa alcançou 8,7% em dezembro, a maior taxa para mês da série histórica da Peic, iniciada em 2010.

A retração da economia doméstica é apontada pelo economista da CNC Bruno Fernandes como a responsável pela queda do nível de endividamento e o aumento da inadimplência em 2016.

“A desaceleração do consumo proveniente da piora do mercado de trabalho e das altas taxas de juros ocasionou maior dificuldade às famílias para honrar os seus compromissos no período”, explicou Fernandes.

Ainda de acordo com a CNC, em 2016 houve piora na percepção das famílias em relação ao seu nível de endividamento. A média anual do percentual de entrevistados que se consideravam muito endividados aumentou de 12,4% para 14,3%.

Cartão ainda é o maior vilão
A pesquisa da CNC destacou que o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento das famílias. Em 2016, 77,1% das famílias contraíram dívidas por meio dos cartões, o maior índice da série histórica da pesquisa.

Em segundo lugar no ranking de endividamento estão as compras parceladas por meio de carnê, representando 15,4% da inadimplência.

O endividamento com cheque especial apresentou queda em relação ao ano anterior. Já o índice de endividamento com cheque pré-datado, que ficou em 1,7%, se manteve estável em relação a 2015. Em 2010, o número de famílias comprometidas com cheques pré-datados chegava a 4%.

O levantamento mostrou também um crescimento da participação do crédito pessoal entre os tipos de dívidas mais citados pelos entrevistados (10,3%). Segundo a CNC, este resultado interrompe uma tendência de queda deste tipo de dívida observada nos últimos três anos.

Comprometimento da renda
Para pagar as dívidas, as famílias tiveram cerca de 30% da renda mensal comprometida. De acordo com a CNC, houve estabilidade neste percentual. Segundo a entidade, este dado evidencia o aumento do custo do crédito em relação à renda familiar.

Ainda segundo o levantamento, o tempo médio de comprometimento das famílias com dívidas passou de 7,1 meses em 2015 para 7,09 meses em 2016.

Levantamento mensal
Para traçar o perfil do endividamento das famílias brasileiras, a CNC considera os dados da Peic, que é apurada mensalmente pela entidade. A pesquisa é realizada em todas as capitais do país e no Distrito Federal. Ao todo, são entrevistados cerca de 18 mil consumidores por mês. 
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Exército canadense investiga misterioso som no Ártico

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As especulações aumentaram desde que caçadores Inuit do vilarejo de Igloolik ouviram o barulho inúmeras vezes no Estreito Fury e Hecla no ano passado.

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 Foto de setembro de 2015 mostra pedaços de gelo flutuando no Ártico  (Foto: Clement Sabourini/AFP)
Foto de setembro de 2015 mostra pedaços de gelo flutuando no Ártico (Foto: Clement Sabourini/AFP)

Um estranho barulho no Ártico deixou os canadenses intrigados. Seria um mamífero marinho fazendo algo esquisito? Um submarino estrangeiro? Uma alucinação coletiva? Uma patrulha militar e especialistas acústicos foram enviados para investigar, disse o Exército nesta quinta-feira (19).

As especulações aumentaram desde que caçadores Inuit do vilarejo de Igloolik ouviram o barulho inúmeras vezes no Estreito Fury e Hecla no ano passado.

Localizado entre a Passagem Noroeste e a Baía de Hudson, este estreito é usualmente frequentado por narvais, baleias, focas e leões-marinhos. Mas no ano passado todos eles desapareceram, de acordo com os caçadores Inuit.

"Não há animais", disse Paul Quassa, oficial local eleito na Assembleia Legislativa de Nunavut, que acredita que o barulho seja o responsável por afastar a vida selvagem.
Seja qual for a origem, esse barulho "vem do fundo do oceano" e é alto, afirmou Quassa após ir ao local com um grupo de caçadores indígenas que foram os primeiros a reportar o ruído.

O Exército enviou em novembro uma patrulha aérea equipada com diversos sensores. Depois de uma hora e meia sobrevoando o local, a tripulação não encontrou nenhuma anomalia acústica na superfície do oceano e nem abaixo dela, contou à AFP a major Josee Bilodeau da Joint Task Force North.

"A tripulação observou duas baleias e seis morsas na área", acrescentou. O barulho não foi mais ouvido desde o relato original e o caso foi encerrado.

Mas em resposta às preocupações dos moradores Inuit, os militares enviaram dois especialistas acústicos para Igloolik que se juntarão à patrulha Canadian Rangers entre 25 de janeiro e 2 de fevereiro. Os Rangers são uma força de cinco mil soldados Inuit encarregada de tomar conta do vasto e escassamente povoado Ártico.

"A patrulha irá dar aos especialistas a oportunidade de obter em primeira mão os informes da população local que inicialmente relatou" a questão, disse Bilodeau. 
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