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sábado, 23 de maio de 2015

Governo bloqueia R$ 69,9 bilhões em gastos e vê retração de 1,2% no PIB

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Em termos nominais, foi o maior bloqueio de orçamento da história.
Objetivo da equipe econômica é atingir meta de superávit primário.

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Alexandro Martello Do G1, em Brasília
22/05/2015 16h40 - Atualizado em 22/05/2015 20h57
Postado em 23 de maio de 2015 às 09h50m
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O governo federal autorizou um bloqueio de R$ 69,9 bilhões em gastos no orçamento de 2015, anunciou o Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão nesta sexta-feira (22).

Em termos nominais, foi o maior contingencimento de recursos da história. A informação consta no decreto de programação orçamentária de 2015.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse durante o anúncio que o bloqueio no orçamento é o "primeiro passo necessário" para a recuperação do crescimento de modo sustentável.

"Para que a economia se recupere, para que o crescimento se recupere, é preciso fazer esforço de equilíbrio fiscal. Foi necessário contingenciar R$ 69,9 bilhões para atingir a meta de superávit primário fixada para o governo federal neste ano", disse o ministro a jornalistas.
cortes no orçamento (Foto: Editoria de Arte/G1)

Ao mesmo tempo, Barbosa também estimou uma contração de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 – o que, se confirmado, será o pior resultado em 25 anos.
Até então, a estimativa era de que o PIB encolhesse 0,9% neste ano.

O orçamento aprovado pelo Legislativo, por sua vez, previa uma alta de 0,77% no PIB em 2015. Com PIB menor, também cai a previsão de receitas – e consequentemente, os gastos também têm de ser reduzidos.
Cortes
Do bloqueio total de quase R$ 70 bilhões, 67% está concentrado nos investimentos e nas emendas parlamentares.


O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sofreu um corte de R$ 25,7 bilhões, enquanto as emendas parlamentares terão R$ 21,4 bilhões a menos. As demais despesas perderam R$ 22,9 bilhões.
Ministérios
Por ministério, Cidades foi o que sofreu o maior corte, de R$ 17,23 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso Nacional.

Em segundo lugar, aparece o Ministério da Saúde, que sofreu um bloqueio de R$ 11,77 bilhões em seu orçamento.

A dotação aprovada pelo Congresso Nacional, para o Ministério da Saúde neste ano, recuou de R$ 103,27 bilhões para R$ 91,5 bilhões, um bloqueio de 11,3%.
No Ministério da Educação, por sua vez, o bloqueio no orçamento da pasta foi de R$ 9,42 bilhões, o terceiro em ordem de grandeza. O valor aprovado pelo Legislativo era de R$ 48,81 bilhões, recuando para R$ 39,38 bilhões – uma limitação de 19,3%.

Superávit
O objetivo da equipe econômica, ao contingenciar despesas no orçamento, é tentar atingir uma meta de superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública) para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais) de R$ 66,3 bilhões em 2015.

A estimativa era que esse valor representasse 1,2% do PIB deste ano – mas, como a estimativa para o PIB foi reduzida, deve equivaler a 1,1%.
Em 2014, foi registrado o primeiro déficit primário da série histórica, que tem início em 2001.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem dito que a recomposição do esforço fiscal, em 2015, busca justamente estimular o crescimento da economia brasileira no médio prazo.

Em sua visão, a melhora das contas públicas vai aumentar a confiança para que os investidores possam tomar mais risco, e, também, impedir que as agências de classificação de risco rebaixem a nota brasileira – o que afetaria o custo dos empréstimos no exterior.
Segundo Levy, também é uma estratégia para baixar os juros reais no futuro.

Sem corte de ministérios
Segundo Barbosa, o governo pode tomar novas medidas para garantir o equilíbrio fiscal e assegurar o cumprimento da meta de superávit, mas não considera diminuir o número de ministérios.


Questionado sobre possíveis mudanças no cenário atual, resultantes de alteração nas medidas de ajuste fiscal enviadas pelo governo ao Congresso Nacional, como aquelas relativas ao seguro-desemprego e pensão por morte, Barbosa disse que, "se eventualmente alguma coisa não for aprovada", isso será compensado por outras medidas – sem detalhar quais seriam.

RESULTADO PRIMÁRIO
Em % do PIB
Created with @product.name@ @product.version@* meta4,071,952,622,942,231,77-0,591,1Ano 2008Ano 2009Ano 2010Ano 2011Ano 2012Ano 2013Ano 2014Ano 2015*-1012345
Fonte: BC e Planejamento

Inflação em alta
O governo confirmou oficialmente, por meio do decreto de programação orçamentária, que a inflação deve somar 8,26% neste ano e, com isso, estourar o teto do sistema de metas de inflação brasileiro.


Até então, a previsão do governo para o IPCA de 2015 estava em 8,2%. O Banco Central, responsável pelo controle da inflação, já havia estimado uma inflação próxima de 8% neste ano.

A última vez em que a inflação ficou acima do teto do sistema de metas de inflação foi há mais de dez anos, em 2003, e o documento foi assinado pelo então presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.
Quando a inflação fica mais alta do que o teto de 6,5%, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões que motivaram o "estouro" da meta formal.

Medidas para equilibrar contas
Para tentar atingir as metas fiscais, a nova equipe econômica já anunciou uma série de medidas nos últimos meses.


Entre elas, estão mudanças nos benefícios sociais, como seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte, além de aumento da tributação sobre a folha de pagamentos, que ainda têm de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
Outra medida foi a alta do IPI para automóveis no início deste ano, e também foram aumentados os tributos sobre a gasolina, sobre as operações de crédito, sobre os cosméticos, as exportações de manufaturados, sobre produtos importados, cerveja, refrigerantes e sobre as receitas financeiras das empresas.
Nesta sexta-feira, foi anunciada a elevação do tributo sobre o lucro dos bancos.

Além disso, o governo efetuou um bloqueio provisório de recursos até maio – focando, em sua grande parte, nas despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos limites recuraram 27,1%, enquanto a limitação de custeio foi bem menor: de 2,5%.
Cálculo do corte
O Orçamento de 2015 aprovado pelo Congresso Nacional somente em março prevê receita líquida de R$ 1,2 trilhão (21,9% do PIB) para este ano, enquanto que as despesas primárias totais – sem contar despesas com juros e amortização da dívida – são de R$ 1,15 trilhão (20,9% do PIB).


Para chegar ao valor do corte no Orçamento, o governo reestima as receitas e as despesas da peça orçamentária, tendo por base as últimas previsões para o comportamento da economia (PIB, inflação e dólar, entre outros), além dos impactos das medidas de ajuste fiscal (aumento de tributos sobre gasolina, automóveis, empréstimos, entre outros, além de limitação de benefícios sociais, como seguro-desemprego e pensão por morte) nas receitas e nas despesas.
A última previsão para o comportamento do PIB de 2015, estimado pela nova equipe econômica, é de uma retração de 1,2% neste ano.
Quando o Orçamento foi aprovado, em 17 de março, a expectativa que lá constava era de um crescimento de 0,77% para o PIB.

Além de contar com menos receitas em 2015, devido à revisão para baixo na estimativa do PIB deste ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já informaram que o governo trabalha para trazer os gastos, neste ano, para o mesmo patamar do que foi registrado em 2013.

Até maio, um decreto provisório de limitação de gastos fixava cortes, principalmente, nos investimentos.

Confira abaixo o corte no orçamento de cada ministério:
cortes por ministério (Foto: Editoria de Arte/G1)
 
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Prévia da inflação oficial fica em 0,6% em maio, diz IBGE

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Em 12 meses, índice é o mais alto desde janeiro de 2004.
De abril para maio, IPCA-15 passou de 1,07% para 0,6%.

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Do G1, em São Paulo
22/05/2015 09h01 - Atualizado em 22/05/2015 09h54
Postado às 10h15m
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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, desacelerou e ficou em 0,6% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o índice atingiu 1,07% e em abril do ano passado, 0,58%.

IPCA-15 EM 12 MESES
em %
Created with @product.name@ @product.version@6,416,516,496,626,626,426,466,697,367,98,228,24Jun 2014Jul 2014Ago 2014Set 2014Out 2014Nov 2014Dez 2014Jan 2015Fev 2015Mar 2015Abr 2015Mai 20150246810Abr 2015● em %: 8,22
Fonte: IBGE
No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 8,24%, o mais elevado desde janeiro de 2004 (8,46%). O índice está bem acima do teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 6,5%.

O IPCA-15 de maio está mais próximo da estimativa mais recente dos economistas do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, a perspectiva é de um IPCA de 8,31% em 2015.
No ano, o indicador subiu para 5,23%, acima dos 3,51% acumulados no mesmo período de 2014.

O comportamento do IPCA-15 em maio pode ser justificado pelo preço da energia elétrica. De uma alta de 13,02% em abril, a variação passou para 1,41% no mês seguinte. Por isso, o aumento de preços do grupo de gastos com habitação - um dos que compõem o cálculo do IPCA - perdeu força, recuando de 3,66% para 0,85%.

Quem apresentou a maior variação de preços entre todos os grupos analisados foi o de saúde e cuidados pessoais, com destaque para produtos farmacêuticos, cujos preços foram influenciados pelo aumento anual de preços autorizado em março pelo governo.

Os preços dos alimentos ficaram estáveis de abril para maio (de 1,04% para 1,05%), com destaque para o tomate, que já foi considerado vilão da inflação em outros períodos e subiu quase 20% no mês, cebola (18,83%) e cenoura (10,45%), entre outros.

Na outra ponta, está o grupo dos transportes, que ao contrário dos outros, teve queda de preços, de 0,45%. O resultado foi puxado pela redução de 23,61% do valor das passagens aéreas. Também ficaram mais baratos os combustíveis (-0,83%).

Na análise regional, a maior taxa partiu da região metropolitana de Fortaleza (1,23%) e a menor, de Brasília (0,14%).

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